[Música] Olá sejam bem-vindos ao podcast Impacto social FGV nessa série de seis episódios você vai mergulhar no conhecimento produzido pela Fundação Getúlio Vargas que impulsiona o Brasil esse podcast é gravado no estúdio da FGV comunicação Rio está disponível no canal oficial da FGV nas principais plataformas de áudio e no YouTube se você se interessa pelo assunto gosta de espalhar conhecimento Não deixe de compartilhar também nas suas redes sociais e hoje eu tô aqui com a professor professora Joa Dutra diretora do Centro de Estudos em regulação e infraestrutura da FGV o FGV série professora seja muito
bem-vinda ao nosso podcast hoje o nosso assunto é saneamento básico e universalização da distribuição de água como é que o Brasil tá hoje posicionado na questão do saneamento e eu diria para você que o saneamento Talvez seja a nossa principal dívida em infraestrutura e nós tivemos ao longo das três últimas décadas avanços an nessas indústrias que a gente chama indústrias de rede e a primeira delas foi telecomunicações nós tivemos ali privatizações no meados da década de 90 e conseguimos promover acesso Universal Não da forma como imaginávamos mas acesso Universal ao serviço de telecomunicações através da
telefonia celular e não da telefonia fixa veja inovação tecnológica contribuiu para fazer com que todos pudessem se conectar o nosso segundo momento em infraestrutura veio com a universalização do serviço de eletricidade a gente já tinha alguns programas e tudo mas e ali desde a primeira administração do presidente Lula foi então estabelecido um programa programa Luz Para todos que nos permitiu também conectar a esmagadora maioria da população ao serviço de eletricidade hoje 99.8% da população conta com serviço de eletricidade falta o quê Nossa dívida é com saneamento nós Ainda temos cerca de 100 milhões de pessoas
que não contam com o acesso a saneamento dentre a população que não conta com acesso a saneamento nós quer dizer temos ainda uma outra dívida que é mesmo Aqueles que contam alguns deles não t o esgoto tratado ou seja o esgoto é apenas coletado é afastado mas não é tratado e a gente ainda tem cerca pouco mais de 30 milhões de pessoas ainda com a o acesso falta de acesso à água então isso é uma Isso é uma grande dívida e nos afasta do atingimento do objetivo de desenvolvimento sustentável número seis da on Era exatamente
isso que eu que eu ia te perguntar e essa esse objetivo ele determina que até o final de 2033 a gente tenha 99% das pessoas com acesso à água e mais de 90 acesso a gruto tratado é isso né é isso O O ods ele tem a previsão de 2030 2030 Brasil faz uma flexibilização no seu Marco mais recente que é uma lei aprovada em 2020 novo Marco de saneamento básico estabelece Então as nossas metas para saneamento que é 99% de cobertura nos serviços de água e 90% nos serviços de saneamento seria a a coleta
e o tratamento do no esgotamento sanitário então nós já temos uma certa flexibilização mas temos uma dívida muito grande e quão longe a gente tá de chegar perto de atingir essas metas a gente tem algumas dificuldades tem uma pesquisa que o céi fez Já faz alguns anos e nós analisamos todas as operações de financiamento da Caixa Econômica Federal desde o momento em que eh o prestador de serviço fazia lá o seu pleito a manifestação até a até a contratação do financiamento depois disponibilização dos recursos ao longo do tempo a conclusão da obra e o início
da operação comercial e nós verificamos que existia uma um um período muito grande entre o momento da contratação desse saneamento e a conclusão da obra Então na verdade eh cerca de 50 a 60% das obras eh no caso dos operadores públicos né não tinham sido concluídas em 8 anos é bastante tempo né 8 anos é emblemático por quê Porque 8 anos é o período eh de um prefeito reeleito é o período de um governador reeleito então o ciclo político ele na verdade está desalinhado com a realidade da prestação do serviços de saneamento através da expansão
das redes e tudo mais e dos investimentos no caso dos operadores privados eles eh eram mais eficientes conseguiam concluir antes as obras e tem uma diferença que pode parecer Sutil mas não raro quando o prestador é público a conclusão da obra não coincide com o início da operação daquela infraestrutura coisa que no caso do privado sim por quê Porque privado quando faz aquele investimento se ele terminou a implantação e se ele não começa a prestar o serviço significa que ele não vai poder cobrar não é então então Eh esse é um ponto mais favorável o
que que esse novo Marco do camento faz entre 2017 e 2023 a gente tem praticamente quintuplicado o número de municípios que são atendidos por operadores privados salvação não necessariamente precisamos cumprir condições de desenvolvimento desse novo Marco também através de uma regulação adequada para assegurar que esses prestadores es vão entregar serviços atender a população na direção dos objetivos seja desenvolvimento sustentável seja dos objetivos pactuados pelo país nesse novo Marco do saneamento então o novo Marco ele a gente pode dizer que ele inaugura uma nova fase no saneamento básico eh no Brasil certo eu eu diria que
sim porque eu diria que depois dessas outras indústrias e esse novo Marco ele tem o condão de est uma prioridade de política ou seja como se disséssemos o seguinte esta sociedade não mais aceita este déficit na cobertura dos serviços no primeiro momento de acesso à água e de o segundo momento a prestação do serviço de esgotamento sanitário saneamento básico tem outros componentes Mas a nossa dívida mais imediata tá ligada a esses dois eh e um artigo recente se eu falava da essa questão que o abastecimento da água ele é um problema que de certa forma
a água chega à pessoas ainda que tem ali alguma dificuldade água chega e que o esgotamento ele é uma questão que acaba ficando de lado né então a gente entende que quando o setor privado é convidado a entrar nesse setor que a gente consegue ter avanços né E aí a gente eh em dois anos eh mais de 20 concessões uma privatização né então a gente começa já a perceber resultados do do Marco do saneamento é o aí tem um no centro de regulação a gente tenta estabelecer condições para uma adequada regulação o centro estudos em
regulação e infraestrutura E aí a regulação ela tem alguns componentes ela tem um alguns componentes que todo mundo entende que a gente chama de conteúdo que que significa Quais são os preços ou as tarifas que vão ser cobradas Qual é a qualidade e que vai ser prestado aquele serviço para calculação compromissos de investimento regras universalização então esses são elementos muito importantes mas também tem outros componentes que são muito relevantes que tentam avaliar Qual é a forma de relacionamento eh entre o o Estado na forma de um regulador e aquele investidor por quê Porque a gente
dizer o seguinte é fundamental para atrair investimentos para mobilizar capitais que a gente tenha um bom ambiente de negócios e o que que é um bom ambiente de negócios aí que ventra a boa regulação seja fundamental é que prestação de qualquer serviço serviço de eletricidade telecomunicações ou de saneamento prestação esteja sujeita a uma boa regulação E aí o que que é o desafio aqui este novo Marco do saneamento ele também erea isso ele tenta criar algum padrão de coerência de harmonização algumas pessoas chamam de uniformização mas eu diria assim fundamental uma harmonização para que a
gente consiga fazer com o quê esses reguladores subnacionais que atuam no país que eles consigam então Eh cobrar daqueles prestadores de serviço não é condições adequadas de um lado cobrar estabelecer preços e tarifas compatíveis com por exemplo equilíbrio econômico financeiro equilíbrio econômico financeiro é fundamental precisa a receita ser compatível com os custos eficientes mas também a qualidade precisa ser adequada Como monitorar essa qualidade ah como assegurar que aquela expansão das redes vai se dar na velocidade necessária isso é um super desafio só para você ter uma ideia o que a gente tem aqui é esses
investimentos eles exigiriam entre dois os investimentos para o atingimento do objetivo de universalização eles exigiriam entre o 2023 e 2033 cerca de 860 900 milhões de reais Isso daria um volume de investimentos anual que é muito superior aos 15 17 ou 20 bilhões que a gente tem conseguido fazer ao longo do tempo então saneamento tem que ser bem regulado seja o prestador público seja o prestador privada e a possibilidade de atrair novos parceiros atrair novos investidores inclusive na prestação privada ela cria um incentivo ela cria uma competição não dentro do mesmo mercado mas através da
comparação ah com outros prestadores de serviço em áreas comparáveis e tudo é é possível então criar essa pressão para uma melhoria da performance para acelerar esses investimentos necessários e já que a gente tá falando de regulação eh como é que você enxerga ho a regulação desse setor a gente tem uma regulação adequada a gente tem um desafio de construir uma regulação adequada eh cada um desses setores ele tem uma configuração de regulação que é diferente é diferente por quê é diferente porque eh e a titularidade da prestação dos serviços ela é diferente em cada um
então por exemplo no caso do setor de eletricidade a gente tem uma regulação que é Federal produção que é a geração transmissão e a distribuição estão todos sujeitos a uma regulação Federal regulador é ANEL Agência Nacional de Energia Elétrica pode firmar convênios com reguladores estaduais para que esses reguladores estaduais façam algumas atividades telecomunicações regulação Federal Transporte já não é assim e saneamento não é saneamento Talvez seja mais desafiador eh dos serviços por quê Porque tem uma noção Ou pelo menos uma crença de que eh a nossa origem nos trouxe uma prestação do serviço sujeita a
uma titularidade do município e se a prestação do serviço era sujeita a essa titularidade do município significa que não se tratava por exemplo de ter um regulador Federal pro saneamento e aí a gente criou outros arranjos arranjos através de companhias Estaduais de saneamento básico e cada uma dessas desses arranjos ele foi dando lugar a reguladores com configurações distintas o fato é que hoje nós temos dezenas muitas dezenas de reguladores com as suas competências interagindo com essas companhias regulando essas companhias mas com critérios diferentes que foram sendo estabelecidos ao longo do tempo e não dá para
negar um mones sujeitos a pressões pressões políticas Ah então por exemplo se eu tinha uma companhia de saneamento básica que era estadual e não necessariamente aquele Governador quando era eleito ou quando entrava um novo Governador ele eh respeitava bons princípios do que a gente chama de governança regulatória daquele regulador então aí não raro fazer alguma intervenção escolhia lá dirigente das agências por questões políticas e tudo mais então Eh nós agora com o novo Marco temos uma nova oportunidade a gente tem a agência nacional de saneamento básico com uma competência para estabelecer diretrizes para pautar aqui
a atuação desses reguladores para que eles possam garantir esse bom ambiente de negócio para novos operadores novos prestadores de serviço privados se forem ou para exigir daqueles que permanecerem públicos boas condições de operação expansão das redes Eu imagino o tamanho do desafio né porque a gente o Brasil tem mais de 5.000 municípios então a gente tinha um cenário que a gente tinha mais de 5000 regras diferentes para saneamento não é para S mais de 5000 porque a gente tem arranjos por exemplo alguns casos são as companhias estaduais as companhias estaduais elas antes assim um pouco
esse Marco de senamento elas elas atendiam A cerca dos 70% dos Municípios E aí a Companhia Estadual normalmente se deparava com o regulador que era um regulador Estadual mas ainda assim a gente tinha regras diferentes uma o desafio que você coloca é perfeito é muito grande primeiro porque eh esta agência nacional de água e saneamento básico que ganha essa competência com a nova lei ela não necessariamente encontra um caminho livre esses reguladores que estão do outro lado eles questionam eles dizem não pera aí essa competência é minha essa competência de regular é minha e E
aí então tem toda essa interação de construção de legitimidade de um espaço gradual pro desenvolvimento do um novo Marco E e essa questão do saneamento é uma preocupação que ela extrapola até as fronteiras nacionais né assim a gente teve no ano passado uma reunião da ONU que não acontecia há quase 50 anos que reuniu aí cerca de 7.000 pessoas para debater ter a importância aí dos avanços eh tanto da questão da água quanto do saneamento muito ligado àquela questão do das ods né do dos ods na verdade é que conclusões assim que a gente percebeu
assim quando as nações unidas resolvem eh propor uma reunião para falar de um assunto como esse eu até não sei se você sabe mas eu fui na reunião olha não sabia eu faço parte de um comitê científico de uma organização chamada si Estocolmo International water instit e eles organizam um evento anual que é World water Week ocorre em Estocolmo esse esse evento e inclusive é quando se e se reconhece o um premiado que recebe esse World Water prize World water priz ele é basicamente o prêmio Nobel pra água e essa comunidade é uma comunidade eh
muito conectada e e é uma comunidade de grande valor inclusive do ponto de vista científico para discutir grandes temas e eles celebraram muito eh esse a realização desse evento na an inclusive tinha han zink que era eh a gente tinha dois grandes eh dois grandes eh expoentes e coordenando esse processo o rink eh eh europeu e também tinhamos mais um representante do tajiquistão os dois estavam mobilizados para que a gente pudesse e eh elevar o tema da água na agenda internacional e por que elevar o tema da água na agenda internacional porque nós estamos completamente
mobilizados pelas mudanças climáticas os seus efeitos sobre as pessoas sobre as cidades eh países firmando compromissos de descarbonização com metas de net zero e tudo mais e eles entendem que eh existe uma necessidade muito grande de compreender os desafios que estão colocados pra água pro setor de água não apenas no saneamento que a gente chama de wash que water sanitation and hygiene mas eles também estão falando do Underground subterrâneo eles estão falando de fronteiras entre países e muitos países T conflitos muito importantes e é muito crítico sobre para lidar com a água e então esse
evento ele foi uma tentativa primeiro de acordar a Comunidade Internacional para a importância de endereçar os desafios eh do setor eh vai haver um novo evento próximamente a gente felizmente não vai mais levar 47 anos á para para ter o próximo mas eles ainda eh encontram dificuldade para que as Pessoas sintam a premência dos desafios da água pra vida eh das pessoas pra vida dos seres eh ao longo eh desse desse Globo veja hoje a gente tem grandes desafios colocados Brasil por exemplo tem enfrentado em entes e eu por exemplo sou Gaúcha eh nasci fui
criada em Porto Alegre e o estado viveu uma tragédia climática sem proporções e uma parte importante daquele daquele evento ele poderia ter sido evitado se a gente tivesse manutenção adequada das infraestruturas que estavam lá eh que tinham sido implantadas então isso conversa um pouco com a história do nosso Marco de saneamento eh por quê Porque Miro o desafio que esses eh prestadores públicos têm é Um Desafio não apenas de desenvolver novas infraestruturas para levar água para levar o saneamento paraas pessoas mas também um desafio de manter essas infraestruturas ao longo do tempo e assim a
gente tem governos muito premidos por questões fiscais Esse é o caso do Rio Grande do Sul e que acabam ao longo do tempo não conseguindo dar toda a atenção necessária para enfrentar dificuldade só que o tempo as mudanças climáticas têm sido e implacáveis Mas se nós não tivermos condições de estabelecer e não apenas a mitigação paraas mudanças climáticas mas a adaptação a gente vai ter perda de vida perd de ativos de patrimônio de casas de moradias de empregos e tudo mais deslocamento tudo isso conversa com saneamento tudo isso conversa com agenda de água Então foi
bom bom até você ter tocado essa questão do Rio Grande do Sul que foi um uma questão que acho que abalou o Brasil inteiro né E E conforme você ia falando você começa a perceber assim como que o saneamento e a distribuição de água são coisas que estão conectadas você não tem um bom saneamento você vai estar jogando esgoto no Rio que Possivelmente poderia abastecer uma casa né E numa situação de que ou chove demais em alguns lugares ou chove de menos em outros a questão do abastecimento de água ela ela começa a ainda mais
desafiadora né então é o momento da gente olhar pro saneamento e cuidar dos recursos naturais que a gente tem é veja o próprio caso do Rio de Janeiro aqui a gente tem o Rio de Janeiro ele contratou uma operação junto ao bid o banco Inter americano já acho que foi na década passada e para promover o saneamento dos Municípios do entorno da Bahia da Guanabara por eh O saneamento dos Municípios do entorno da Bahia da Guanabara ele não apenas teria o condão de levar saúde para aquelas pessoas Tá mas também teria a capacidade de despoluir
a a a baia da Guanabara veja nós estamos agora saindo das Olimpíadas muitos aspectos positivos nas olimpíadas mas o que que ficou de ruim que que ficou de ruim em Paris o rio senda poluído osos atletas contaminados pelo rio cena eh poluída e não que não haja saneamento existe uma opção lá que é por um sistema chamado sistema combinado isso é parte da nossa agenda eh os sistemas combinados eles ajudam a levar eh saneamento até mais rápido pras pessoas mas ali naquele momento eh aquela infraestrutura falhou em criar as condições adequadas Esse é um ponto
Mas voltando aqui na na baia da Guanabara Eu até queria tratar de um outro tema que é uma agenda recente Nossa no sée e que conversa com saneamento mas que é como que é iniciada ali por energia a gente nós no séri nós atuamos muito no link água energia que no fundo é um link água energia até alimentos e nós nos preocupamos muito com eh identificar essa dimensão social seja da prestação dos serviços de infraestrutura mas seja também até da vulnerabilidade a mudanças climáticas ou eventos extremos e tudo mais e até saiu uma reportagem na
semana passada saind no valor que e que desenvolve um pouco de a um uma pesquisa recente Nossa que tenta estabelecer através de ferramentas de ciência de dados Inteligência Artificial condições para um nível de resolução muito grande que é o setor censitário identificar a vulnerabilidade das populações ou dos segmentos das populações para eh eh eventos climáticos extremos e que afetam a infraestrutura das redes nós começamos com energia nesse caso nós já fizemos esse esse dashboard que a gente chama o índice de vulnerabilidade social fizemos já desenvolvemos para o estado do Rio de Janeiro mas também pro
estado do Amazonas estamos finalizando no Rio Grande do Sul e depois a gente vai para São Paulo e para cada setor sanitário se nós encontrar os dados disponíveis este índice de vulnerabilidade ele nos ajuda a medir Qual é a capacidade da população reagir e ele combina três dimensões a dimensão saúde por exemplo que é fundamental pro saneamento mas não apenas a dimensão de preparação preparedness e a capacidade de evacuação Veja isso por exemplo lá noo do Rio Grande sul fundamental água está chegando qual é a capacidade da população evacuar uma E por que que isso
é importante porque a literatura ela nos diz que determinadas pessoas são mais ágeis e outras são menos ágeis veja eu tenho pessoas que TM respiradores em casa então é óbvio que aquela família tá pessoas com deficiências e tudo mais aquela família ela tem afetado a sua capacidade de sair ah existem preocupações preocupações com segurança eh famílias com crianças pequenas famílias que TM animais domésticos todos eles relutam Emir então este mapeamento ele Claro ele é importante porque ele ajuda também a focar a política a identificar aonde devem ocorrer os investimentos e e esse estudo ele é
fruto de uma par parceria até com um professor da Colorado School of Minds lá nos Estados Unidos que estava desenvolvendo eh pesquisas inclusive em reação a eventos Como por exemplo o furacão catrina nos Estados Unidos que e eh deixou uma população afetada de modo muito desigual quem tem menos renda sofre mais esse é um ponto quem tem menos renda sofre mais no tempo também veja o caso do Rio Grande do Sul a gente tem famílias lá que NS os 12 meses tiveram as suas casas alagadas durante sete vezes em sete momentos veja aí então tem
lá a população aí a casa é é alagada aí a água Baixa ela vai lá ah estragou a geladeira compra uma geladeira Nosa na segunda vez ela não pode comprar uma outra geladeira não é isso então a gente também trabalha com pessoas que identificam assim a importância de atentar para paraas especificidades dos grupos da população para desenvolver esses investimentos em infraestrutura começamos isso na nossa agenda de energia índice de vulnerabilidade social H eventos que eh causem o uma interrupção prolongada no fornecimento de eletricidade nosso desafio agora É estender pro saneamento projeto Fantástico como é que
tem sido a receptividade dos governos em relação a esses estudos é isso faz parte de uma agenda até uma agenda regulatória ol que eu eu sou um economista e aí então o que que acontecia né os economistas sempre se ocuparam muito de temas como eficiência e no fundo todas essas reformas começam com preocupações de eficiência ao longo do tempo essa discussão de regulação ela evolui um pouco ela evolui para avaliar e afinal as regras que o estado coloca na forma de regulação elas causam mais benefício do que custo ou seja Elas têm um benefício líquido
isso é parte da análise cust se uma regra não tem um benefício líquido significa que ela não deve ser adotada a gente deve ficar como está ou buscar uma outra regra isso por exemplo pauta toda a atuação do governo recentemente e dos reguladores que fazem avaliações de política os reguladores fazem avaliação de impacto regulatório mas a gente começou principalmente ali depois de Paris e tudo do acordo de Paris identificar não o movimento que a gente precisa fazer agora é ele precisa tentar uma dimensão fundamental Justiça veja nós sabemos hoje que não basta fazer descarbonização nós
todos queremos uma transição energética justa O que que é uma transição energética justa Ah posso fazer aqui uma conversa vem lá o político Ah o governador o ministro enfim vai lá e fala assim não estou aqui estabelecendo uma uma agenda e essa agenda ou essa política ou esse plano ou esse programa e ele vai est ele ser vai criar condições de Justiça vai eh trazer mais benefícios para quem pode menos no primeiro no primeiro momento será como é que a gente mede isso então essa Nossa essa nossa discussão essas nossas pesquisas por exemplo de vulnerabilidade
social que são pautadas também por microdados e que tem que a gente chama de alta resolução lembra que eu falei não é muito menos do que o município ou Setor sem citar esta nossa agenda ela permite identificar e afinal tem justiça mesmo nesse programa que o governo tá estabelecendo nessa política aprovada pelo congresso como é que a gente sabe se estamos beneficiando primeiro quem precisa mais fundamental que eh indicadores evidências como essa subid esse processo de formulação desenho e implantação de políticas como é que o governo tem reagido veja eu fiz uma apresentação recente num
evento do do que faz parte da agenda do G20 em energia foi um Energy transition working group workings group conference que ocorreu em Bela Horizonte e eu fui convidada eh pelo pela equipe do ministério de Minas e energia para apresentar inclusive esse trabalho e e ele a a receptividade foi muito grande ah por quê Porque Inclusive a a dimensão social da transição energética é uma das três prioridades eleitas pelo pelo Brasil na sua presidência de um G20 no ano de 2004 2024 em energia é incrível assim ouvir você falando sobre isso e eu pude perceber
ao longo da sua fala como que a interdisciplinaridade ela tá nesse tema a gente tem a questão da economia a gente tem a questão regulatória que puxaria um pouco pro lado jurídico e certamente Você é uma das pessoas que mais circula aqui entre as áreas da da FGV lá na ipg na escola de economia tá na direito rio lá no no mestrado e no doutorado em regulação e no CR né fazendo as pesquisas e e atuando ali na ponta como é que funciona isso na prática eh como é que funciona eh eu diria assim eu
não sei eu vou eu posso parecer politicamente incorreta mas assim eu acho que essa essa é uma capacidade bem feminina né e eu posso falar isso essa capacidade de equilibrar muitos pratos mas assim a interdisciplinaridade ela é fundamental né Por qu eu acho que também eu também tive uma uma experiência Profissional não apenas eu eu tive eh uma atuação no regulador de petróleo e gás natural que foi quando eu comecei a minha carreira Depois que terminei o doutorado Mas eu também fui diretora da Agência Nacional de Energia Elétrica e nessas duas oportunidades eu pude ver
como o trabalho eh o trabalho da regulação o trabalho infraestrutura trabalho de modo geral ele é interdisciplinar você precisa tá ali por exemplo tô falando de regulação eu tenho que saber a regra é óbvio que eu preciso de con é preciso conhecimento jurídico para entender Qual é arcabouço legal qual é o arcabouço regulatório Mas as coisas têm que parar do ponto de vista técnico de pé Elas têm que fazer sentido Elas têm que ter coerência existem uma série de restrições impostas pela tecnologia P Engenheiros arquitetos são fundamentais eh e a gente precisa ter a racionalidade
Econômica percolando isso então o o trabalho que a gente desenvolve ao longo desses mais de 10 anos no centro de de Estudos em regulação e infraestrutura ele é caracterizado pela interdisciplinaridade sim que nasce ali a equipe é multidisciplinar a equipe tem Engenheiros tem economistas tem Engenheiros de produção tem engenheiro mecânico tem arquiteto tem cientistas de dados vários eh e mas eh também na capacidade desta equipe se articular com as diferentes unidades da fundação muitos dos integrantes do cé são professores dão aula não apenas na escola de Economia em diferentes programas dão aula na escola de
administração na escola de matemática na escola de direito e e interagem também com profissionais de múltiplas competências eh em outros lugares né fora da fundação seja fora do da fundação no ambiente nacional ou no ambiente Internacional e lá no séri a gente também não tem parede exatamente por pela necessidade de que as pessoas eh entendam que a interdisciplinaridade ela é um exercício diário tá então você tem que pensar com aquelas pessoas e cada uma delas tem que est ali aportando o seu conhecimento a sua capacidade de trabalho a sua competência para poder gerar eh resultados
que então façam sentido seja do ponto de vista do arcabo legal institucional regulatório seja do ponto de vista técnico seja do ponto de vista da razoabilidade e econômica e isso no fim das contas impacta a sociedade né que é o tema aqui do do nosso programa o impacto social enorme aí o trabalho que vocês realizam é e nós impactamos a sociedade com o nosso modo de produzir conhecimento não é e com o resultado desse conhecimento que esperamos eh seja útil para subsidiar o processo decisório e criar bons ambientes de negócios atrair investimentos mobilizar capitais mas
sempre com o foco eh com o foco também nas pessoas com foco nas empresas com foco na realidade eh de um país que é uma economia emergente é uma economia de renda média ainda tem muitos desafios eh se a gente não criar esse bom ambiente nós vamos estar eh atrasando o acesso das pessoas a bons serviços de infraestrutura prestados eh esse seria um conselho que você daria para assim a gente tá no âo de eleição Municipal Então vão ser aí eleitos ou reeleitos muitos gestores públicos seria um conselho que você daria pros gestores olhar para
essa questão das pessoas e pro acesso tanto a água quanto ao saneamento seria uma das prioridades que você colocaria é entender que e o exercício da da atividade e desses desses prefeitos uma vez eleitos ele ele Depende de boas evidências cada vez mais se torna fundamental trazer evidências para o desenho formulação das políticas e para sua implementação a capacidade de de atingir bons resultados ela é é fundamentalmente afetada pelo foco e esse foco vem por exemplo dos resultados dessas pesquisas e por onde começar como garantir uma boa regra e como se relacionar com o prestador
de serviço Um Desafio fundamental que vai est colocado para esses prefeitos eleitos e eu diria para você que é uma fronteira na qual a gente não tocou mas é muito importante o desafio da mobilidade rurbana o Brasil ele é um país onde mais de 85% da população vive em cidade mas o que a gente sabe é que não apenas nesses grandes centros mas ao redor ao redor do país a gente tem pessoas que passam muito muito tempo e muito tempo no deslocamento para os seus trabalhos pagam muito para isso isso é fundamental e a agenda
da mobilidade urbana ela conversa também com descarbonização porque e a gente tem poluição e quais são as soluções que a gente vai dar então para que as pessoas e consigam endereçar os seus desafios e na mobilidade e uma solu que o mundo tem trazido é a eletrificação e a eletrificação do transporte o Brasil tem uma outra solução e complementar que é por exemplo o o alargamento da penetração dos biocombustíveis isso é importante mas a gente não pode esquecer que a mobilidade urbana Ela depende de substituir a mobilidade privada pelo transporte coletivo Ok mas como é
que a gente faz as pessoas acessarem este transporte coletivo de modo Digno conseguindo pagar outro ponto fundamental que precisa ser enfrentado eh existem subsídios cruzados importantes por quê porque aquela pessoa que está e se locomovendo através do transporte coletivo ela tá abrindo espaço para uma outra pessoa andar no veículo privado e é uma pessoa que costuma ter mais renda quem tem o carro tem mais renda então você vê que é perverso aquele aquele passageiro que tá gerando uma externalidade e ambiental positiva tá se deslocando com menos emissões de gases de efeito estufa Ele ainda tá
carregando um peso econômico muito importante então a eu diria assim hoje nós já estabelecemos felizmente como sociedade um objetivo muito claro para o saneamento Mas a nossa e assim o nosso próximo desafio é a ter clareza de como endereçar os desafios colocados para mobilidade urbana eu acho que vai seria só um programa só para falar de mobilidade né um assunto aí que certamente a gente poderia ficar falando por muito tempo aqui que de certa forma tanto eu quanto você quanto as pessoas que estão nos ouvindo certamente já passaram por alguns apuros né vamos dizer assim
né na questão de mobilidade não é fácil a gente sabe o o quão desafiador isso é puros do ponto de vista de segurança veja claro que essa não é mais a realidade mas também voltando a Paris nó eu tava liando que nossa atleta principal Rebeca e quando começou a sua vida ela ela se deslocava e começou a pé n é percorrendo por horas eh diárias ah eh trajeto longo para poder chegar ao seu local de treinamento eh essa é uma realidade que ela conseguiu superar mas muitos outros não conseguiram e infelizmente a gente ainda tem
no país eh pessoas convivendo com eh dificuldades muito grandes para acessar os seus locais osos seus locais e de trabalho ou condições até de estudo adequadas e tudo mais então eu diria assim agenda da mobilidade é o próximo Flag e casa muito bem com a pergunta que você faz o que que é o desafio que tá colocado para os prefeitos que serão eleitos aqui professora prazer enorme conversar com você um aprendizado incrível aqui nesses tempo aqui nesses poucos minutos que a gente conversou Dai pra gente ficar aqui algumas horas falando não só de saneamento vai
de mobilidade de energia acho que eh a gente ainda vai ter oportunidade de falar outras vezes sobre outros assuntos mais profundamente e eu queria agradecer a todos vocês que estão com a gente que estão nos ouvindo obrigado pela audiência por estar com a gente aqui falando de um tema tão importante pro nosso país como um todo né que é o saneamento e distribuição de água Professor agradeço mais uma vez a presença Agradeço a todos vocês por nos acompanhar a nossa série tá toda disponível no YouTube no Spotify nos siga lá nas redes sociais nos acompanha
e at te a prossima [Música]