[Música] Olá pessoal hoje nós vamos abordar o capítulo 2 intitulado dinheiro Lembrando que o Capítulo 2 do livro para entender o capital neste capítulo 2 inicia-se aqui análise do capítulo 3 do livro O Capital pois bem pelo que já foi discutido até aqui está claro que uma noção particular de dinheiro se cristalizou a longo do tratamento que Marx tá a troca de mercadorias com a disseminação da troca num ato social geral nós vamos ter o surgimento de um equivalente Universal que tomou a forma de uma mercadoria dinheiro tangível o dinheiro é um conceito unitário mas
ele interioriza funções duplas que refletem a dualidade do valor de uso e do valor de troca na própria mercadoria por um lado o dinheiro opera como uma medida de valor como um padrão ouro por assim dizer do tempo de trabalho socialmente necessário para cumprir esse papel ele precisa possuir qualidades que são distintas capazes de fornecer tanto quanto possível um padrão preciso e eficiente de medida do valor o dinheiro também tem de fazer com que a relação de troca ocorra com a mínima dificuldade ele funciona como simplesmente para movimentar uma variedade cada vez maior de mercadorias
de um lugar para outro como medida de valor por exemplo o ouro parece muito bom ele é permanente e pode ser armazenado para sempre podemos avaliar suas qualidades podemos conhecer e controlar suas condições concretas de produção e circulação o ouro portanto é excelente como medida de valor mas imagine se toda vez que fossemos tomar café tivéssemos de usar um minúsculo grão de ouro para pagá-lo essa é uma forma muito ineficiente de dinheiro do ponto de vista da circulação e diversas pequenas quantidades de mercadoria o ouro é um meio ineficiente de circulação apesar de ser uma
excelente medida de valor Marques compara o dinheiro como medida de valor e o dinheiro como um meio de circulação Mas no fim das contas apenas um tipo de dinheiro e a resolução dessa tensão entre dinheiro como medida efetiva de valor e o dinheiro como meio eficiente de circulação é parcialmente dada pela possibilidade da necessidade de outra forma de circulação que é a existência do crédito frequente relação entre devedores e credores não só abre a possibilidade como introduz a necessidade de outra forma de circulação que é justamente do Capital em outras palavras o que é meji
nesse capítulo é a possibilidade do conceito assim como do fato do capital e lugar de falarmos que existe a circulação de dinheiro nós teremos aqui a circulação de Capital a uma distinção entre dinheiro e mercadoria e dinheiro para consolidar o seu argumento anterior de que o valor não é materialmente mensurável em si mesmo pois ele requer uma representação para regular as trocas Marques começa pressupondo o ouro como a mercadoria dinheiro singular o ouro é a forma necessária de manifestação da medida imanente de valor das mercadorias o tempo de trabalho O valor é expresso na relação
entre mercadoria e dinheiro como uma forma de manifestação do valor e todas as mercadorias que são trocadas por ela o valor das mercadorias é irreconhecível e não se pode conhecê-lo sem sua forma de manifestação quando produz uma mercadoria não tenho ideia de qual é o seu valor antes de colocá-la no mercado vou ao mercado com uma noção imaginária ideal de seu valor assim coloca nela uma etiqueta com um preço isso informa o potencial comprador do valor que para mim a mercadoria deveria ter mas não tenho como saber se conseguirei esse preço por ela pois não
posso ter uma ideia prévia de qual é o seu valor de mercado em sua função de medida de valor o ouro serve portanto apenas como dinheiro representado ou ideal o preço depende inteiramente do material real do dinheiro nós vamos ter aqui uma relação entre preços imaginários ideais e os preços efetivamente recebidos no mercado o preço recebido deveria idealmente indicar o valor verdadeiro mas é apenas uma aparência uma representação imperfeita do valor o ouro é uma mercadoria específica o seu valor é dado pelo tempo de trabalho socialmente necessário que nele é incorporado e este trabalho como
nós vimos não é constante flutuações nas condições concretas de produção afetam o valor do ouro ou de qualquer outra mercadoria dinheiro mas essa mudança atinge todas as mercadorias ao mesmo tempo e mantém inalterados os seus valores relativos recíprocos mesmo que esses valores agora se expressa em preços de ouro maiores ou menores do que antes o estado exerce funções essenciais no interior do sistema de produção capitalista uma das funções mais importantes do estado tem a ver com a organização do sistema monetário regulando a moeda e mantendo o sistema monetário efetivo e estável o preço é a
denominação monetária do trabalho objetivado na mercadoria essa denominação monetária não é o mesmo que mercadoria dinheiro e sua relação com valor como tempo de trabalho socialmente necessário se torna cada vez mais opaca mas é importante lembrar a definição do preço como a denominação monetária do trabalho incorporado numa mercadoria se eu levar minha mercadoria ao mercado e colocar nela um preço ou seja uma denominação monetária ou uma representação de valor e se você levar uma mercadoria similar e colocar nela outro preço e se um terceiro levar outra mercadoria similar e colocar nela outro preço teremos um
mercado repleto de preços diferentes para uma mesma mercadoria o preço médio que será efetivamente alcançado em determinado dia dependerá de quantas pessoas desejarão a mercadoria e quantas irão ao mercado para vendê-la dessa forma o preço médio alcançado vai oscilar de acordo com as flutuações Nas condições de oferta e demanda a oferta e a demanda não explicam mais porque uma camisa custa em média menos do que um pai de sapatos tão pouco vai explicar Qual é o preço diferencial entre camisas e sapatos na visão de Marx esse preço diferencial médio reflete o valor o tempo de
trabalho socialmente necessário incorporado nas diferentes mercadorias não determinado dia no entanto as flutuações de preço mostram o estado em que se encontra a relação entre oferta e demanda de sapatos naquele dia e Por que essa relação variou em comparação com o dia anterior dessa forma o fato de colocarmos denominações monetárias nas mercadorias e convertermos a medida de valor nessa forma ideal a forma preço permite que as flutuações de preço Equilíbrio ao mercado ao mesmo tempo que facilita a tarefa de identificar uma representação apropriada do valor como um equilíbrio ou um preço natural as coisas que
em si mesmas não são mercadorias como por exemplo a consciência a honra podem ser compradas de seus possuidores com dinheiro imediante seu preço assumir a forma mercadoria de modo que uma coisa pode formalmente ter um preço mesmo sem ter valor a expressão do preço se torna aqui imaginária da mesma forma como certas grandezas da matemática por outro lado a forma preço imaginária como o preço do solo não cultivado que não tem valor porque nele nenhum trabalho humano está objetivado abriga uma relação efetiva de valor ou uma relação dela derivada se podemos colocar uma etiqueta de
preço numa coisa então em princípio nós podemos colocá-la em qualquer coisa inclusive na consciência e na honra para não falar de crianças de partes do nosso corpo podemos colocá-la no recurso natural na visão de uma queda da água podemos colocar também na terra e especular com suas variações de preço o sistema de preços pode operar em todas essas dimensões e produzir incongruências tanto qualitativas como quantitativas isso coloca a seguinte questão se os preços podem ser colocados em qualquer coisa independentemente de seu valor e se podem flutuar quantitativamente por toda parte também independentemente seu valor então
porque Marx se fixa tanto na teoria do valor trabalho a teoria do valor do trabalho era amplamente aceita pelos ricardianos da época mas hoje a teoria do valor trabalho é largamente questionado ou abandonada mesmo por alguns economistas marxistas por isso nós temos de fornecer aqui algum tipo de resposta a produção real a transformação real da natureza por meio de processos laborais é crucial para nossa existência e é esse trabalho material que forma a base para a produção e a reprodução da vida humana não podemos nos vestir de consciência e Honra tão pouco do espetáculo de
uma queda da água as roupas não chegam até nós desse modo mas por meio dos processos de trabalho humano e da troca de mercadorias fazer de conta que tudo isso é dado magicamente pelo mercado facilitado pela mágica do dinheiro que se encontra em nosso bolso é sucumbir totalmente ao feticismo da mercadoria para romper com o fetichismo nós necessitamos do conceito de valor como tempo de trabalho socialmente necessário o valor como tempo de trabalho socialmente necessário está no centro de tudo se assumirmos que os valores são fixos apesar de as constantes mudanças na tecnologia e nas
relações sociais e naturais mostrarem exatamente o contrário nós podemos ver preços flutuarem ao redor dos preços naturais que consistem no equilíbrio entre oferta e a demanda os preços de mercado se desviam de seus valores de maneira e necessária se não fosse assim não haveria como equilibrar o mercado algumas pessoas gostam de pensar que a dialética diz respeito exclusivamente a tese antítese e síntese mas o que Marx diz aqui é que não existe síntese o que existe apenas a internalização da contradição e sua acomodação no Grau mais elevado as contradições nunca são definitivamente resolvidas podem ser
apenas repetidas no sistema de movimento Perpétuo ou em escala cada vez maior no entanto há momentos aparentes de resolução Por exemplo quando a forma dinheiro se cristaliza na troca para resolver o problema da circulação eficiente das mercadorias Marx examina o que chama de metabolismo social e metamorfose das mercadorias por meio da troca a troca como foi visto produz uma duplicação da mercadoria em mercadoria dinheiro e se escondem ação se move em direções Opostas a cada troca de mãos enquanto o movimento de um que a troca de dinheiro facilita o da outra o movimento das mercadorias
ocorre um fluxo oposto que cria possibilidade para o surgimento de formas antitéticas a troca é uma transação em que valor sofre uma mudança de forma Marx chama essa cadeia de movimentos mercadoria em dinheiro e dinheiro em mercadoria de relação mdm o movimento mdm é diferente do movimento MM mercadoria por mercadoria ou escambo agora todas as trocas são mediadas pelo dinheiro trata-se de uma dupla metamorfose do valor de m mercadoria em D dinheiro e de dinheiro em mercadoria para vender uma mercadoria particular você tem de encontrar no mercado alguém queira o que acontece se você vai
ao mercado e ninguém quer a sua mercadoria isso leva uma série de questões sobre como a necessidade e a produção de necessidades pela propaganda por exemplo influencia o processo de troca a transformação de mercadoria em dinheiro é complicada em grande parte pelas condições de oferta e demanda existentes no mercado no momento particular no processo de troca o valor se move de um estado ou da mercadoria para o outro do dinheiro e vice-versa a ênfase de Marx nas antíteses sinaliza uma contradição potencial mas não entre compradores e vendedores porque esses não são fixos são personagens constantemente
desempenhados por pessoas alternadas no interior da circulação e mercadorias a contradição tem de estar na metamorfose das mercadorias tomadas em conjunto ou seja na circulação das mercadorias em geral uma vez que a própria mercadoria é aqui determinada de maneira antitética ao mesmo tempo um não valor de uso para o proprietário que não está mais usando e com objeto de compra um valor de uso para aquele que vai comprar comprador esse processo de circulação de mercadorias é cada vez mais mediado pelo dinheiro comece com mercadoria passo para dinheiro mas não é nada que me obriga a
gastar imediatamente o dinheiro em outra mercadoria Se eu quisesse poderia simplesmente guardar o dinheiro poderia fazer isso por exemplo se não confiasse na economia ou estivesse inseguro quanto ao futuro quisesse poupar afinal de contas o que nós preferiríamos ter a mão em tempos difíceis uma mercadoria particular ou um equivalente Universal mas o que aconteceria com a circulação de mercadorias em geral se todo mundo decidisse de repente guardar o seu dinheiro a compra e a circulação de mercadorias acabariam O que levaria a uma crise generalizada se no mundo inteiro as pessoas decidissem não usar seus cartões
de crédito durante três dias a economia Global correria um sério perigo podemos lembrar aqui que após o 11 de setembro de 2001 os norte-americanos foram estimulados essa Cáceres cartões de crédito e voltar às compras Essa é a razão de tanto esforço para tirar dinheiro do nosso bolso e mantê-lo circulando quando há um tumulto no mercado aqueles que têm dinheiro fico nervosos e decidem poupá-lo ao invés de investi-lo ou gastá-lo o que provoca uma queda na demanda de mercadorias de uma hora para outra as pessoas não conseguem mais vender seus mercadorias A incerteza cria cada vez
mais perturbações no mercado e mais pessoas passam a poupar seu dinheiro fonte de segurança consequentemente a economia inteira inicia uma espiral descendente cães que vai dar origem ao que desenhista defendia que nesses casos o Governo deveria entrar em cena e reverter o processo por meio da criação de estímulos fiscais isso atrair o dinheiro acumulado de volta no mercado a teoria keynesiana dominou o pensamento econômico no período pós-guerra seguiu-se então a revolução anti-canesiana o fim dos anos 70 a teoria monetarista e neoliberal ainda hoje predominante tende muito mais a aceitar a lei de sai diz respeito
Justamente a possibilidade de crises generalizadas Marx está claramente do lado daqueles economistas políticos que defendem a possibilidade de crises Gerais que existiam na literatura da época esses economistas eram chamados de teóricos da superprodução geral eram relativamente poucos para a circulação de mercadorias como nós vimos pequenos grãos de ouro são ineficientes é muito mais eficiente usar objetos simbólicos como moedas papel ou como acontece hoje em dia números numa tela de computador mas a cunhagem de moedas de smarts assim como a determinação do padrão dos preços é tarefa que cabe ao estado Portanto o estado desempenha um
papel Vital na substituição de mercadorias dinheiro de metal por forma simbólicas Max ilustra isso com uma imagem brilhante nos diferentes uniformes nacionais que o ouro e a prata vestem mas dos quais voltam a se despojar no mercado mundial manifesta-se a separação entre as esferas internas ou nacionais da circulação das mercadorias e a esfera Universal do mercado mundial a importância do mercado e do dinheiro mundial é reafirmada no fim desse Capítulo do capital a busca por formas eficientes de dinheiro é muito importante a moeda é introduzida paralelamente ao ouro para o pagamento de frações da moeda
de ouro de menor valor O que leva então ao papel moeda emitido pelo Estado e de circulação compulsória o papel moeda é signo do ouro é o signo de engenheiro sua relação com os valores das mercadorias consiste apenas em que estes valores estão idealmente expressos nas mesmas quantidades de ouro simbólica e sensivelmente representadas pelo papel é socialmente necessário abandonar o ouro como peso e operar com essas outras formas simbólicas de dinheiro no fim das contas apenas um dinheiro Isso significa que de certo modo as contradições entre dinheiro como uma medida de valor e o dinheiro
como um meio de circulação precisam de espaço para se mover ou talvez tem o mesmo de ser resol a venda de indulgências é considerada em geral uma das primeiras grandes ondas da mercantilização capitalista não há nada que não seja mensurável em dinheiro na circulação de mercadorias ele apaga todas as diferenças tendo dinheiro suficiente podemos comprar nosso lugar no céu pouco importando os pecados que tenhamos cometido mas o dinheiro também é ele próprio uma mercadoria uma coisa externa que pode se tornar a propriedade privada de qualquer um assim a potência social torna-se potência privada da pessoa
privada nós temos é que a tendência do dinheiro e tornar o trabalho privado um meio de expressão para o trabalho social podemos fantasiar que pertencemos a esta ou aquela comunidade cultural mas na prática Nossa comunidade primária é dada pela comunidade do dinheiro o sistema de circulação Universal que põe nosso café da manhã coisa gostemos disso ou não o poder social que o dinheiro proporciona não tem limite mas por mais desenfreado que sejam impulso de intensoramento a uma limitação quantitativa ao intensorador a quantidade de dinheiro que ele possui no dado momento as potencialidades ilimitadas da acumulação
monetária são um objeto fascinante de reflexão há um limite físico à acumulação de valores de uso a acumulação de dinheiro como poder social ilimitado é um traço essencial do modo de produção capitalista quando as pessoas procuram acumular esse poder social começam a se comportar de forma diferente uma vez que o equivalente Universal se torna uma representação de todo o tempo de trabalho socialmente necessário as possibilidades de uma acumulação progressiva são ilimitadas o modo de produção capitalista é essencialmente baseado na acumulação infinita e no crescimento ilimitado outras formas sociais em algum ponto histórico ou geográfico chegam
ao limite e potência acontece desmoronam mas a experiência do capitalismo com algumas fases ópias de interrupção caracterize-se por um crescimento constante E aparentemente ilimitado nós vamos ter aqui um novo tipo de relação social aquele entre devedores e credores que dá origem a uma espécie diferente de transação econômica e é uma dinâmica social e diferente o vendedor se torna credor e o comprador devedor Qual é Então o papel do crédito na circulação geral de mercadorias Suponha que eu seja um credor e você precisa de dinheiro eu lhe empresto certa quantia agora com a ideia de receber
ela de volta depois a forma da circulação é dinheiro mercadoria dinheiro é muito diferente de mercadoria dinheiro mercadoria porque eu colocarei dinheiro em circulação para ter de volta a mesma quantia de dinheiro não há nenhuma vantagem para mim nessa forma de circulação A não ser que eu recebo de volta mais dinheiro do que eu emprestei é necessário haver uma forma de circulação em que o dinheiro é trocado com a finalidade de conseguir dinheiro essa é uma mudança de perspectiva que faz menor diferença seu objetivo vai conseguir outros valores de uso por meio da produção e
da troca de mercadorias ainda que mediadas pelo dinheiro nós estamos lidando com mercadoria dinheiro mercadoria no entanto dinheiro mercadoria dinheiro é uma forma de circulação em que o objetivo é dinheiro e não mercadorias para que isso tenha lógica é preciso que eu consiga de volta mais dinheiro do que aquele que eu desenvolcei É nesse ponto do Capital que nós vemos pela primeira vez a circulação de Capital cristalizando-se a partir da circulação de mercadorias mediada pelas contradições da dinheiro Há uma grande diferença entre a circulação de dinheiro como um mediador de troca de mercadorias e o
dinheiro usado como capital nem todo dinheiro é capital uma sociedade monetizada não é necessariamente uma sociedade capitalista se tudo se resolve com um processo de circulação mercadoria dinheiro mercadoria o dinheiro seria um simples mediador e nada mais o capital surge quando o dinheiro é posto e circulação com o intuito de conseguir mais dinheiro é aqui Justamente que nós vamos ter a forma capitalista de circulação em que o dinheiro é usado para ganhar mais dinheiro o surgimento do capitalismo é um passo inevitável na história humana e resulta das expansões graduais da troca de mercadorias esse capítulo
sobre dinheiro é rico complicado e difícil de absorver numa primeira leitura por essa razão observa-se que muitas pessoas desistem da leitura do Capital quando ao capítulo 3 David Ravena afirma que a partir deste ponto a argumentação presente no capital se torna muito mais fácil e nós finalizamos aqui esta aula Bons estudos a todos e até a próxima [Música]