[Música] Olá, pessoal. Gustavo Machado, canal Orientação Marxista. Eu sempre que eu prometo que o vídeo vai ser rápido, eu não consigo cumprir, mas essa eu acho que eu vou.
Eu sei que o público aqui mais histórico do canal gosta dos vídeos longos, eles não vão acabar, tá? Eh, mas esse não vai ser necessário, porque realmente muito rápido mostrar um questionamento que foi feito, a informação que eu dei em podcasts, em vídeos que eu produzi, meu longo vídeo sobre a China de 2 horas, que eu sugiro aí para quem quiser entender mais a fundo e como a China é um país capitalista, o projeto chinês de desenvolvimento e as consequências pros chineses e pro mundo. Eh, e uma informação que foi muito questionada é essa de que eu insisti de que tem duas Chinas, né?
Uma China aí com 350, 400 milhões de habitantes com pipo per capta padrão europeu acima de 30. 000 anuais. E o restante da população da China, 1 bilhão de pessoas, mais de 1 bilhão de pessoas, um pip per capta aí na casa dos 6.
000, muitíssimas vezes menos. Eh, e essa informação foi questionada no sentido de pessoal pediu as fontes, né, de onde que eu tirei isso, sobre a metodologia. Então, vou discutir rapidamente sobre isso aqui nesse vídeo hoje, tá?
Antes de entrar no tema do vídeo, algumas informações, como sempre, eh, primeiro lugar, eu queria agradecer publicamente aqui o convite eh do grupo de pesquisa IELA lá em Santa Catarina, Florianópolis. Estive lá na última semana e em particular o Nild Uriques, a Elane, o Maon, o pessoal do grupo que me recepcionou muito bem. Eh, e a gente teve uma atividade pública com a presença massiva de pessoas discutindo o tema do meu livro também, um seminário interno.
Tudo isso, segundo o pessoal do Iela, vai ser aí foi filmado e vai ser divulgado, tá bom? Então eu já aproveito para fazer uma propaganda que em algum momento eles vão lançar esses materiais, além de eu ter gravado lá com eles eh a algumas coisas envolvendo o marxismo e nacionalismo, o anuário do Laes, eh que certamente através dos veículos de comunicação do Yela aí vai ser divulgado e assim que eu eu receber eu vou compartilhar aqui na aba publicações do canal nas minhas redes sociais. Segundo lugar, estarei em São Paulo os dois próximos dias, amanhã e depois, participando aí de três eventos em podcasts e também de uma atividade presencial na USP, tá?
Que vai ser no vão lá da FEF nas 18:30, amanhã, terça-feira, eh, dia 29. Então, o tema socialismo é possível. Já tratei disso aí eh em outras ocasiões aqui em Belo Horizonte, em São Paulo, em outra ocasião, mas vou estar lá presencialmente na USP, faço o convite aí às 18:30 para as pessoas comparecerem, tá bom?
E os podcasts vão ser eh no dia 29, amanhã, terça-feira, às 14 horas, no Redcast do Júnior, eh, com Flávio Morgenstein, eh, debatendo com ele aí questões ligadas a capitalismo e socialismo, história, economia e etc. Eh, tenho certeza que vai ser bastante interessante. Eh, depois, no dia seguinte, no Inteligência Limitada do Vilela, vai ter uma entrevista comigo à tarde, às 14 horas, para discutir Marques, as coisas que se falam de Marques por aí, um pouquinho de China, enfim, o que surgir na conversa.
Então, durante a tarde vai ter esse podcast aí de entrevista comigo lá no Inteligência Limitada e à noite às 17 horas, não, às 19 horas, às 7 da noite, um debate aí com o jornalista lá da Jovem Pana, não sei se é mais o Superman Marco Antônio. Tá bom? Então, vão ser esses dois debates, Redcast dia 29 à tarde e no Vilela, dia 30 à noite, nos dois próximos dias.
de uma entrevista aí no podcast do Vilela, no dia 30 no Inteligência Limitada, pra gente discutir aí vários temas eh teóricos e da atualidade que estão aí borbulhando nos dias de hoje. Então já fica aqui o convite para todas essas atividades. Direto ao tema desse vídeo.
Como eu mencionei no começo, foi bastante questionado aqui uma informação que eu apresentei em alguns vídeos aqui no canal no podcasts que eu participei de que a China teria uma disparidade interna gigantesca de riqueza num patamar que eu desconheço qualquer outro lugar do mundo que tenha aparecido, tá? desconheço, onde entre 350 e 400 milhões da população chinesa que estão nas cidades eh hierarquicamente determinadas, segundo níveis 1, 2, 3 e etc, no interior da China, eh receberiam aí eh uma teria uma renda per capita superior a 30. 000 eh anuais, enquanto mais de 1 bilhão da população chinesa, essa renda per capita estaria na casa aí dos 6.
000, tá? e que isso ainda era conscientemente feito pelo estado chinês na medida que lá controle de migração interna, né, o famoso rou e tudo mais que você precisa ter quase que como se fosse um um visto, um grincar interno para ir do campo pra cidade, para mudar de uma cidade para outra. E nesse sentido eles atrelariam, controlariam ali com mãos de ferro a migração interna, né?
Fazendo com que você tem uma China que se desenvolve a passos largos, né? Tanto que a China tem hoje aí galga enormes posições no interior da disputa capitalista mundial e o grosso da China vivendo em condições absurdamente piores que no Brasil, por exemplo, um p per capta que a metade do daqui, tá? Eh, isso foi muito questionado.
Primeiro lugar, as pessoas pediram fontes, tá? E eu queria já começar dizendo que eu acho muito curioso esses pedidos de fonte que às vezes tem. Tem um fetichismo das fontes na internet, né?
Primeira que as pessoas pedem fontes. Você dá uma fonte qualquer, ah não, então tá OK. As pessoas não vão lá conferir.
Fonte serve para ser consultadas, não serve para nada. Em segundo lugar, eu acho muito estranho ficar pedindo fonte disso aqui, porque é um tipo de informação que é pública, de eh que a gente conhece os caminhos para poder acessá-las. Qualquer pessoa pode fazer o cálculo, conferir e ver se o que eu tô dizendo tá certo ou tá errado.
Tá entendendo? Uma coisa é quando você pede uma fonte de uma informação muito específica do tipo, ah, o rei tal lá no século X7 falou isso, né? O teórico tal, aí você são informações muito específicas que a pessoa vê informação e não sabe onde procurá-la, né?
Aí você você entrega a fonte para que as pessoas possam procurar, confirmar, ver a origem primária da fonte, as análises que existem a respeito e por aí vai. Esse não é o caso. É curioso que primeiro foi questionada a informação que eu passei, mas depois eh acho que a pessoal foi foi fazer os cálculos e viu que o negócio batia em relação ao que eu falava e aí começou a arrumar outro argumento a respeito da metodologia do PIB.
Então, não foi casual que eu fiz um vídeo da macroeconomia pseudociência tratando especificamente do caso do PIB, o último vídeo aqui do canal, vou colocar aqui na descrição para quem quiser ver, né? Eh, e que eu calculo essas três formas de metodologia e ajuda a compreender um pouco o questionamento e o que eu vou falar aqui no vídeo, embora eu não vou poder repetir tudo que tá no vídeo lá atrás, tá? Mas então, vamos lá.
Eu peguei aqui os dados eh do PIB, das principais cidades chinesas, né? 60 maiores cidades chinesas, o PIB de 2024, tá? E a população vai ter uma distorçãozinha aqui, mas aí tem a ver com a disponibilidade dos dados e não muda substancialmente, que essa população que eu peguei, ela tá baseada no último senso chinês que é o de 2020.
Deve ter algum lugar que tem uma projeção de da população do conjunto dessas cidades para 2024, mas eu não encontrei. Mas isso não muda aqui de maneira radical. O senso é relativamente recente, né?
Então, peguei a população das principais cidades chinesas, eh, e também o o PIB total dessa cidades, que a gente pode ver aqui embaixo, né? Vai dar aqui 370 milhões de habitantes, tá? Então, a população dessas 60 cidades aí selecionadas a partir do PIB e população, os dois critérios, dá 370 milhões de habitantes com PIB de 11 trilhões, 11.
2 2 trilhões arredondando aqui de dólar. Tá tudo em dólar aqui os dados, tá bom? Fica mais fácil a gente entender a magnitude em relação à moeda americana que a gente tem algum padrão de referência e do que a moeda chinesa que nós estamos menos acostumado.
Então, e quando a gente pega essas 60 cidades, a gente vê que 370 milhões chineses tem um PIB per capita de mais de 30. 000 anuais, tá? Eh, é claro que dentro desse PIB per capita tem uma enorme desigualdade, tá?
Não significa que na média as pessoas lá se apropriam desse valor, tá? Não, não se apropriam, né? Muito menos.
A gente vê que a China já é uma das grandes fábricas de bilionários do mundo. Também vem se destacado nisso aí. Já é o segundo país do mundo que mais produz bilionários.
A gente viu no longo vídeo sobre a China que eu fiz, onde eu trato de todos os aspectos da economia chinesa, mostrando inclusive como na China estado e capital privado fazem uma simbiose, uma associação, o estado fomenta o capital privado, embora mantém o controle da estrutura essencial. Então, o capitalismo chinês tem essas especificidades, mais controle do estado do que do capital privado, mas mais apropriação de riqueza, eh, tendendo sempre pro capital privado, que inclusive se beneficia da parte da estrutura estatal. Quem quiser entender isso, vai lá no meu vídeo de 2 horas, onde eu passo a limpo toda a estrutura social chinesa baseada numa ampla base de dados que nós temos envolvido no Ila, tem na China como foco aí já aí nos últimos 6, 7 anos, tá bom?
Então, se nós pegarmos, então, na China, nós temos nada mais nada menos do que mais de 1 bilhão de habitantes, que fica com PIB, que tá aí na casa dos 7 trilhões, que dá 6. 8. 000 por ano, menos da metade que o PIB per capta do Brasil, tá?
Bem menos da metade. Eh, a diferença aqui é entre quatro e cinco vezes, tá? Eh, isso dá de 300 a 400% mais que essas principais cidades chinesas se apropriam.
tendo um controle hierárquico ali de ferro do estádio chinês, já que você não pode mudar voluntariamente na China. E é é curioso, inclusive como esses aspectos eh pelos defensores aí da China e principalmente do tal socialismo chinês, eh problemas, violência, intervenção eh estatal eh violenta em relação à população chinesa é apresentado como uma coisa boa, né, por parte dos defensores da China. Fala, não, isso a China fez lá atrás, né?
na China tem uma história milenar como como se o RC tivesse surgido há 1000 anos atrás. E isso tem a ver para evitar a favelização e tudo mais. Claro, como o desenvolvimento chinês muito bem sucedido no último período de de passagem não tem nada a ver com o socialismo, com apropriação absolutamente desigual, eles têm que, pela força, tentar conter os males do capitalismo.
Por exemplo, evitar a favelização completa da população que vive com renda cinco vezes menor do que uma minoria privilegiada do país, migra em massa pros grandes centros industriais e etc. E você faz isso como? Impedindo as pessoas de se mudarem.
Você muda quando você consegue emprego, você consegue um rco que é espécie de uns vistos interno, né? Sem ele, você não tem acesso aos serviços, por exemplo, oferecidos pelo estado, Chá, Saúde, educação e etc. Ou então você vai dormir no dormitório da empresa.
É colocado como uma grande bene, imagina se tivesses no Brasil, né? As empresas agora oferecessem eh colocassem centenas de pessoas para dormir no dormitórios da empresa. Eles falam: "Não, mas elas ficam no dormitório, elas não são obrigadas a ficar nos dormitórios, que aliás elas pagam".
Ah, claro que não, né? Mas elas ficam porque os salários são baixos. Isso permite uma remuneração bem abaixo, já que a China é hoje uma potência capitalista, considerando as potências capitalistas, os salários mais baixos que tem.
Mas e por aí vai, tá tudo naquele vídeo meu lá e as explicações. Então, tá aqui o dado, tá? 6.
8. 000 a renda per cápta desses de mais de 1 bilhão de chineses e 30. 000 a renda per capta e desses 60 municípios selecionados aqui.
Isso não existe em outro lugar. Ah, Gustavo, você pegar qualquer eh país, as cidades mais populosas e mais envolvidas, eh elas vão ter um pip per capita muitíssimas vezes superior ao restante do país. Nem nem Peguem aí no Brasil, pega Curitiba, grandes cidades, né?
Pega Curitiba, pega São Paulo, os principais centros econômicos aí do Brasil e etc. pega as principais cidades em população e pip per capta vocês vão ver que vai dar uma diferença pro pip per capta nacional aí de 20% 25% 30% aqui tem já 400% tá isso não existe nenhum outro lugar é a maneira como a China controla o exército industrial de reserva aí algumas pessoas questionaram com alguma razão, tá? Um questionamento bastante válido que tem a ver com o limite dos dados, mas que eu vou considerar logo aqui embaixo, que é o quê?
Eh, esse PIB que é apresentado aqui dos municípios, isso é um padrão quase mundial, eh, tem três formas de calcular o PIB, como a gente viu eh na no vídeo anterior aqui no canal, não vou remorar tudo que tá lá. Tem como você calcular pela ótica da renda, né, das remunerações que recebem os agentes sociais, pela ótica da oferta ou da produção, que é o que é produzido no local por meio das empresas e das unidades produtivas de um modo geral e por pela ótica do consumo, né? consumo das famílias, consumo do estado e por aí vai.
Eh, essas três formas de calcular o PIB normalmente coincidem quando nós consideramos o conjunto do país, mas realmente elas não necessariamente coincidem no interior de cada local, no interior de cada município, no interior de cada região, né? Eh, que pode, eh, produzir e depois tem uma redistribuição pela ótica do estado, por exemplo, que vai gastar em outros lugares. Então, o questionamento foi que eu não essa eu estaria usando uma metodologia muito tosca, né?
Porque o PIB per capta aqui é calculado simplesmente pela ótica da oferta ou da produção, mas o que é tá disponível como renda para ser gasto pelos serviços estatais e tudo mais seria muito maior no restante do país. Então eu considerei isso, tá? Ainda que infelizmente eu não tenho dado do PIB aqui pela ótica eh do consumo ou da renda, infelizmente não existe esse dado, não que eu conheça.
E normalmente ele não é divulgado mesmo na macroeconomia. Eh, eu fiz aqui uma estimativa, considerando a carga tributária chinesa, que é de aproximadamente 18%, tá? Então, essa seria a carga tributária chinesa, e deu uma colher de chá aqui para tal China socialista e assumiu o seguinte, que o que se paga de imposto é proporcional ou que se produz, mas o que se recebe é proporcional à população.
Eu quero deixar claro que eu duvido que seja esse o caso, tá? assim, nessa proporção que eu apresentei, porque não é preciso muito esforço pra gente ver que aquelas 60 cidades listadas é onde estão os principais gastos de infraestrutura, ainda que existam sim infraestruturas intermunicipais e tudo mais, eh, mas é tem muito mais gasto proporcionalmente de infraestrutura nessas cidades, certamente onde estão os principais centros de pesquisa e desenvolvimento, tá? Eh, onde estão as melhores universidades, onde está concentradas as universidades, onde tá as melhores eh escolas, onde tá os principais centros de saúde.
Mas eu dei uma colher de chá, assumi que essas cidades, então, elas pagam esse essa essa esse imposto correspondente à carga tributária chinesa na chinesa na proporção eh do que eles produzem e mas que a distribuição é na proporção da população. Então, a gente teria aqui essas relações aqui mais ou menos inversas, né? a gente teria eh dois eh dois dois mais de 2 trilhões aí eh que essas cidades do tipo uns 370 milhões de habitantes pagariam e receberiam o contrário, receberiam eh receberiam 1.
2 trilhões e nas cidades do tipo dois elas eh pagariam 1. 2 trilhões e receberiam quase o dobro. Se a gente considerar isso, a distribuição fica o seguinte.
O PIB das cidades do tipo um ali, daquelas 370 milhões de habitantes, dá um PIB per capta, dá 10. 4 trilhões de PIB, PIB per capta de 28. 000 por habitante.
E das cidades do tipo 2, 7. 5. 000.
Não muda qualitativamente a relação. Continua aqui um PIB padrão Europa continua aqui algo muito abaixo aí, 40% a menos do que o PIB per capita do Brasil abaixo do PIB do Nordeste por aí vai, tá? 400% de diferença entre os dois grupos.
Se a gente considerar que o estado faz uma uma redistribuição numa proporção que eu duvido que não faça nessa proporção, tá? Então fica aí demonstrado para vocês, tá? eh o cálculo, os dados que eu apresentei aí, né, alguns podcasts, n alguns vídeos aqui do canal, mais de 1 bilhão de chineses vivem com pip per capta aí na casa dos 6.
000 ou se a gente considerar uma redistribuição que haveria por parte do estado, iria para 7. 5. 000 contra 30.
000 ou 28. 000 de um grupo seleto de cidades chinesas, que é onde pela força o estado concentra o desenvolvimento, impede o deslocamento da população para essas cidades, já que não há planejamento. E quando não há planejamento, porque a economia capitalista e o mercado que dita as regras, você consegue conter a população de um para um lugar pro outro por meio da força, né?
Impedindo que elas tenham acesso à aqueles locais, ainda que na China você possa viajar de uma cidade para outra e tudo mais, mas se sem ruc para você estabelecer moradia, você fica sem acesso aos serviços públicos. Eh, e a alternativa que você pode ter é criar uma empresa e dormir, morar no dormitório da empresa, que é uma estratégia eh bastante engenhosa para aumentar a super exploração da classe trabalhadora e permitir uma massa de trabalhadores com a remuneração que é muito abaixo das potências capitalistas que existem hoje. E a China é uma potência capitalista.
Então, no interior desses 30. 000 de renda, a gente tem aí uma desigualdade gigantesca de um país que é hoje também a grande indústria produtora de bilionários. É isso, fico por aqui.