[Música] O Senhor esteja convosco. Ele está no meio de nós. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João.
Glória a vós, Senhor. Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: "Este é o meu mandamento. Amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei.
Ninguém tem amor maior do que aquele que dá sua vida pelos amigos. Vós sois meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando. Já não vos chamo servos, pois o servo não sabe o que faz o seu Senhor.
Eu chamo-vos amigos, porque vos dei a conhecer tudo que ouvi de meu Pai. Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi e vos designei para irdes e para que produzais fruto e o vosso fruto permaneça. O que então pedirdes ao Pai em meu nome, ele vlo concederá.
Isto é o que vos ordeno. Amai-vos uns aos outros. Palavra da salvação.
Glória a vós, Senhor. Caríssimos irmãos e irmãs, hoje nós vemos que a relação que Cristo quis estabelecer conosco, seres humanos, eh, está agora em outro patamar, em outra ordem. Antes de meditarmos aqui, queria chamar atenção sobre aquela passagem, não é?
Que nosso Senhor diz lá, pergunta a Pedro, quefa, tu me amas? Pergunta se Cristo ama ele, pergunta HP-me, né? Ele vai responder: "Filiote", né?
Cristo pergunta para para Pedro três vezes: "Pedro, tu me amas, mas tu me amas como eu te amo? " Jesus chama: "Ó Senhor, eu te amo, mas eu te amo com aquele amor que eu dou conta, filote. Não, eh, não consigo dizer que amo o Senhor com amor ágape, né?
Porque esse amor aí desinteressado, que não busca receber nada em troca de alguma maneira, que não carrega um traço de afeto, eu não dou conta, né? Isso aí é só pro senhor que é eh claro que o senhor não tá escrito no texto, né? Mas é é o que se pensa quando se lê, quando se medita sobre o finalzinho do Evangelho de São João.
Mas muito se diz, muito se pensa que nosso Senhor tá ali, o evangelista tá fazendo uma, tá querendo e denegrir ou tá querendo diminuir esse amor filho, ou seja, tá querendo diminuir a amizade e enaltecer a caridade. Parece que não, porque aqui mesmo nosso Senhor vai dizer: "Já não vos chamo servos, mas vos chamo amigos. Já não sois inferiores a mim de alguma maneira, porque eu mesmo vos elevei ao meu patamar".
É o que nosso Senhor tá dizendo pros seus apóstolos aqui. Ainda diz que o amigo é aquele que dá sua, o amigo é aquele que dá vida pelos seus amigos. Esse é o verdadeiro amigo.
Nosso Senhor deu a vida por nós, né? Ele derramou seu sangue por nós, nos amou a tal ponto que ele, ao invés de permitir que nós morrêssemos, ele veio morrer no nosso lugar. Ele tá aqui dizendo: "Olha, eu sou vosso amigo de verdade.
Eu vos oferto um relacionamento diferente, um relacionamento de amizade. " E nos faz a pensar, não é? É grande quando ele nos chama de amigo.
É causa que uma loucura. né? Tudo que Cristo faz pelo fato de ser Deus, por ser quem é, por nos amar até o infinito, tudo que ele faz a nosso ver é loucura, é quase que escandaloso, porque nós na nossa pequenez, na nossa miséria, não somos capazes de fazer pro nosso semelhante Cristo, que é Deus infinitamente superior a nós, fez por nós.
Quando a gente vai estabelece amizade com alguém, a amizade é muito simples, né? Santo Tomás Jaquini, ele diz definiu amizade uma uma sentença muito simples. Amigo é gostar das mesmas coisas e rejeitar as mesmas coisas.
Ponto final. Amizade é isso. Se você gosta de a mesma coisa que alguém, se o seu coração em algum sentido bate na mesma sintonia que o coração de outra pessoa, tende a nascer ali uma amizade.
E geralmente a gente olha para uma pessoa e começa assim, né? Ah, eu sei. Aparentemente a pessoa gosta disso, gosta daquilo, tem tal jeito, é assim, assado.
Isso me atrai de alguma maneira, né? Fico tão atraído por aquela pessoa. Não, aqui pode ser que é pode surgir alguma amizade.
No início, a amizade ela começa por meio das nossas potencialidades. A pessoa olha para nós, se encanta, não com aquilo que nós somos, mas com aquilo que nós aparentamos ser. E disso ela vai deduzir, né, aquilo que nós somos, aquilo que nós podemos vir a ser.
Isso encanta. Quando olha para uma pessoa, sei lá, que é muito piadista, eu gosto muito de piada, a pessoa também sabe contar bastante piada. Eu digo: "Ah, essa pessoa é engraçada, né?
Tem um bom humor, deve ser assim, deve ser assado. " Então, a partir disso, eu vou deduzir um monte de outras coisas pra vida dela e eu vou começar a sonhar aquela pessoa. E claro, né?
Se eu tenho alguns parâmetros éticos, morais, enfim, eu vou desejar que aquela pessoa encaixe nos meus parâmetros. Todo mundo faz isso. Todo mundo faz isso.
E se ela não encaixa nos meus parâmetros, conforme o relacionamento vai se desenvolvendo, quando o afeto começa a crescer por aquela pessoa, eu vou começar a trabalhar para que ela encaixe nos meus parâmetros. Por quê? Não por egoísmo.
Tô dizendo que é egoísmo, tô dizendo que é maldade, é perversidade. Porque se eu tenho parâmetros éticos, morais, o que que eu os tomei para mim, eu eu os tenho como sendo bons, como sendo saudáveis, como sendo salutares. Se é bom para mim, por que que não pode ser bem pro outro?
Aquele negócio, desejar bem pro outro. Então, eu quero que aquela pessoa entre nos meus parâmetros, né? E aí a a amizade ela vai se constituindo até o ponto de que conhecer aquela pessoa, de fato, ela é engraçada, ela corresponde aos meus anseios, temos ideais parecidos, ela não é aquilo tudo que eu imaginei que ela fosse, mas ela se esforça para ser, ela busca aquilo que eu busco, né?
Então aqui a amizade começa a se constituir ao passo de que no final das contas aquilo que Santo Tomás Jaquino diz da amizade, né? gostar das mesmas coisas e e odiar as mesmas coisas. Ou seja, a causa, o motivo da amizade, ele deixa meio que ser necessário, ele para, né, de de ser a causa que mantém unido aquele relacionamento.
Daí os amigos passam a estar unidos pelo apesar de amizade começa assim, por causa de por causa disso, daquilo e não sei o quê, interesse comum, etc. Mas a gente vê que a amizade é de verdade quando ela se mantém apesar do resto, né? tem um um filósofo, né, brasileiro, né, muito pouco conhecido, que ele começou a falar do ele começou a falar do do amor, né?
Dizia que amar o amor cristão, ele não é um amor meio breguinho, é meio bobinho, né? Que nossa, a pessoa bateu na minha cara, é uma pessoa péssima, terrível e agora eu tenho que morrer de amores por ela, agora eu tenho que quando eu ver na rua ten que correr e abraçá-la. Não, o ódio, de algum modo ele faz parte do amor.
Pessoa que ama, ela ama ao mesmo tempo que ela odeia tudo aquilo que a pessoa poderia ser. Mas não é esse não é esse não ser. Ele é odiado.
Terrivelmente odiado, meu amigo. Ele pode ser: "Nossa, poxa vida, é uma pessoa que podia ser honesta, mas de vez em quando ele desliza esse essa pessoa de vez em quando desonesta que aparece, eu adeio e tenho que odiar mesmo, porque se eu amo meu amigo, eu tenho que odiar nele aquilo que eu trava. Eu tenho que odiar nele às vezes que ele assume determinadas facetas e labutar, trabalhar, ajudá-lo para que ele não permaneça assim, nem que eu desgaste a minha vida, nem que eu renuncie a algumas coisas a que eu tenho, etc.
Para conseguir ajudá-lo, fazer com que ele alcance isso e aquilo. Contra parte do outro amigo, né, que também ama, não é, ama e quer corresponder essa amizade, ele vai saber que ele precisa também se adequar, né? Um se adequa àquilo que o outro espera e assim a amizade continua, perdura e etc.
Por que que eu tô dizendo isto, né? Porque Cristo, quando ele olha para nós e vai dizer, já não cham servo, mas eu vos chamo amigos. O que que ele viu?
A gente tem que entender que ele vê alguma coisa. Tem gente que acha que a humanidade ela pode, ela tem que ser pega, amarrada dentro de um saco preto, como um monte de pedra e lançada no mar para que a imunidade se exploda, se afogue, se acabe. A gente não vê mais cor, alegria.
Eu sei que é difícil, né? Quando a gente começa a ver que o pessoal começa a criar boneca, a gente começa a desconfiar da capacidade mental, se realmente o ser humano merece continuar respirando. Mas se o próprio Cristo, que é Deus todo poderoso, ele olha para nós e diz: "Já vos chamo, ele oferta uma amizade", quer dizer que ele vê alguma coisa em nós.
Ele viu potencialidade. É claro que ele sabe que nós somos perfeitos, mas ele viu potencialidade, possibilidade para perfeição. E é isso que ele vai se apegar.
Tá dizendo aqui, nós temos ainda no capítulo 15 do Evangelho de São João, dentre esses tá Pedro. Pedro que foi colocado como primeiro dentre os apóstolos, príncipe dos apóstolos. Pedro vai negar nosso Senhor por três vezes.
E quando nosso Senhor Jesus Cristo oferta a amizade dele, ele sabe disso, ele sabe da limitação. Ele sabe que o coração de Pedro é covarde. Em contrapartida, ele conhece o grande herói que Pedro pode se tornar, porque ele sabe da sede que Pedro tem.
É bonito isso. Você conhece as imperfeições, sabe que a pessoa às vezes tá ali, às vezes não vale alguma coisa ou não vale nada, mas ela quer valer. E esse desejo dela valer alguma coisa já é importante.
Cristo ele vai se apegar a isso. A oferta dele de amizade não é paraa obra acabada, não é para nós, seres humanos completos, perfeitos, acabados. Ele oferta sua amizade para nós enquanto somos caco, quando ainda somos um resto de alguma coisa sonhada por um bom artista.
O artista é Deus. Ele vai amar o caco. Ele vai oferecer tudo.
Ele como bom amigo vai oferecer tudo aquilo que tá ao seu alcance para que aquele caco deixe de ser caco e volte a ser uma obra de arte tal qual foi sonhado. Cristo ao mesmo tempo que nos ama. Uma coisa escandalosa, entre muitas aspas, nos odeia, porque claro que ele tem que odiar aquilo que nós é mau.
Claro que ele tem que odiar aquilo que nós é perverso e é feio. Claro que ele tem que odiar as nossas quedas, os nossos pecados. Quando nós viramos as costas para ele e optamos por desobedecer, não esperemos nós que ele vai bater palma.
Ah, muito bem, tá? É isso aí, continua. Não é aí que ele se entristece, aí que ele chora, aí que ele verte lágrima, aí que ele se agoniza.
Pensemos o que que foi aquela agonia no orto das oliveiras. Aquilo ali não é porque nosso Senhor estava com medo da cruz, tanto é que ele foi crucificado ao lado de outros dois. E não se fala nada de agonia, de terror, de angústia tremenda.
Porque logo ele que também padeceu a pena dos outros dois, eh só ele que verteu sangue naquele momento de agonia. teve uma agonia tão forte que foi capaz de modificar ali o seu metabolismo, modificou o seu organismo, dilatou ele quase que inteiro, de modo que o sangue começou a escapar pela pele, né, pelos poros de nosso Jesus Cristo. Porque ali, naquele momento nosso Senhor, ele ali ele sofre, sofre porque ele tem acesso, carrega, chama, puxa para si o peso de nossos pecados, a feiura.
Ali ele se entristece, se ira. contra o pecado que nós cometemos, contra aquilo que nós somos agora e queremos ser em detrimento daquilo que nós fomos sonhados e podemos vir a ser como homens e mulheres perfeitos, santos, justos, conforme o coração de Deus. Essa oferta da amizade, não é essa constatação, melhor dizendo, porque aquele constata a amizade, né, não é um convite, tá dizendo sois meus amigos.
Pronto, nós estamos dentro de um relacionamento de amizade com o nosso senhor. O que que a gente tem que fazer? buscar corresponder essa amizade, buscar corresponder esse esforço.
Portanto, tenhamos consciência disso. Cristo, ele estabeleceu conosco um laço de amizade, morrendo na cruz, morre para isso, para selar essa amizade conosco. Que o nosso coração seja generoso para com essa oferta, para com essa abertura, para com essa amizade.
que nós busquemos conformar o nosso coração coração de Cristo com generosidade, com piedade, com fervor, para que unidos a ele, nessa amizade bonita, fruto e por meio do nosso fruto, a nossa prática, a nossa vida vivida por meio dele. E que tudo isso possa glorificar ao nosso Deus e Pai que está nos céus. Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.
Era no princípio, agora e sempre. Amém. Yeah.