Hoje essa aula é muito especial porque nós vamos conversar a respeito da postura, das ações, das atitudes que você precisa ter durante todas as sessões. Essa é uma angústia pro aluno, não saber como conduzir um passo a passo no atendimento. Nós vamos combinar aqui alguns pontos essenciais de atenção para você.
E eu tenho certeza absoluta que você, cumprindo o que eu estou te passando aqui, seus resultados eles melhorarão significativamente. Combinado? A primeira coisa que você precisa entender que quando o seu cliente chega é um encontro de duas pessoas completamente imperfeitas, com dores, dificuldades, desafios a serem vencidas.
Mas na relação entre essas duas pessoas, o que se espera é que você esteja mais preparado emocionalmente, psiquicamente, porque a gente não dá pro outro caminho que a gente não esteja percorrendo. É impossível que você esteja perfeitamente curado, totalmente emocionalmente saudável. psquicamente preservado, né?
Porque nós somos imperfeitos. Você tem os seus desafios, assim como o seu cliente também tem os dele. Mas você precisa estar no seu processo de transformação.
Você precisa ter compreendido internamente sobre a força do inconsciente. E de fato é necessário que você esteja engajado na sua transformação por um simples motivo. Senão você não vai convencer, senão você não vai persuadir, senão a sua palavra, ela não tem a força de transformação necessária para o paciente.
Porque você já sabe que nós não nos comunicamos por aquilo que sai da boca, nem apenas por aquilo que sai dos seus gestos, mas a gente se comunica pela força do inconsciente que acontece por meio dos sentimentos. Então, é o que você sente, que você transmite para o seu cliente. Se você diz uma coisa, por exemplo, você diz pro seu cliente que é fundamental que ele se reconcilie com a mãe dele, mas o seu coração tem queixas e mágoas em relação à sua mãe, a sua força de atuação não é a mesma.
OK? Então é necessário que você tenha essa consciência, essa responsabilidade e você vai me ouvir falando sobre isso várias vezes durante a sua formação, várias vezes durante os nossos encontros, porque eu sou incansável em dizer que isso é fundamental, porque esse é um dos pontos mais importantes daquilo que você precisa de fato entregar para o seu cliente. Então, outro ponto que é necessário ser compreendido, que tem algumas questões que elas são completamente inegociáveis.
Na minha perspectiva, ética é algo inegociável. E quando a gente fala de ética, tem alguns pontos que eu preciso combinar com você. Eh, um deles é a descrição, o sigilo e o cuidado em preservar e resguardar o seu cliente, tá?
Eu sei que às vezes a gente pensa que alguns comentários eles fazem parte, né? Compartilhar com as pessoas, isso é um ponto que você precisa entender, é muito importante pra sua vida. Às vezes a gente compartilha a experiência de um cliente, a gente conta para as pessoas, porque isso em roda de amigos, em encontros, em festa, em bares, traz muita curiosidade.
As pessoas gostam muito da psicologia, elas querem saber muito o que que acontece no consultório. Então, quando a gente conta das nossas experiências na clínica, esse é um assunto que traz muita atenção. E é por isso que é tão bom contar.
E é por isso que é tão bom compartilhar. E é por isso que quando um profissional da ajuda é emocionalmente imaturo, ele só sabe conversar sobre isso com as pessoas, porque inconscientemente ele é validado, ele causa curiosidade e as pessoas querem mais. Ele usa esse recurso às vezes como estratégia de venda do serviço dele, mas a gente precisa lembrar que o mais valioso que nós temos é a nossa relação com o nosso cliente.
Então você precisa tomar muito cuidado com o que você comenta, como você comenta, quando você comenta para não expor o seu cliente. É muito comum se você mora numa região, às vezes que é uma região onde as pessoas se conhecem, às vezes você acha que você tá contando aquela história e a pessoa nunca vai ser identificada. E pode ser que aconteça de essa pessoa descobrir, né, já que o meio social parece que a vida não é tão eh protegida, né, e que o mundo não é tão pequeno como a gente imagina.
pode acontecer de num contexto você contar sobre a experiência de alguém e a pessoa que tá ouvindo identificar essa pessoa. Então, a descrição ela é necessária, a proteção ao seu cliente é necessária. Eu sempre tive o hábito de nem começar dentro de casa, né?
Meus pais nunca participaram daquilo que acontecia no consultório. Meu marido não participa do que acontece no consultório, né? para não correr o risco às vezes da gente sair com o cliente.
Já já pensou aí a gente sai com cliente que às vezes desenvolveu uma uma relação mais próxima e aí meu marido diz: "Ah, porque um dia a Mirela me contou que no consultório dela aconteceu isso e de repente meu marido tá falando pro cliente que aconteceu isso. Isso pode acontecer, né? Então são pontos que eu sei que parece óbvio, mas eu preciso alertar você, tá?
Outro ponto essencial, a verdade é inegociável. Você precisa estar preparado para entregar a verdade para o seu cliente. Muitos profissionais evitam às vezes de tratar a verdade porque não confiam que o seu cliente vai ter condição de digerir ou suportar o que ele tá recebendo.
Isso no fundo é uma arrogância e uma carência muito grande. arrogância no sentido de não querer se submeter ao risco de perder o cliente. E é um risco.
Quando você entrega a verdade pro seu cliente, você está em risco, porque pode ser que ele resista a ponto de querer sair dessa relação. Pode ser que ele ache que você pegou pesado. Pode ser que ele ache que você está sendo imprudente ou grosseiro.
Isso pode acontecer, mas eu costumo dizer assim, ó, antes você perder o cliente que vai sair porque resistiu e não suportou receber aquilo que era a verdade que curava ele do que o seu cliente permanecer e você participar do adoecimento emocional dele. Porque eu acredito fortemente que não foi para isso que você procurou essa produção, para ajudar o seu cliente a ficar pior do que o que ele chegou. E quando um cliente é enganado, e o que que é um engano?
É você conduzir ele, ele achando que está alcançando o resultado e no fundo não está porque você não entregou o que de fato ele precisa. Então eu quero compartilhar com você no consultório que eu já tive várias experiências de pacientes que saíram com raiva, que saíram bravos, que saíram magoados, que acharam que eu excedi naquilo que eu entreguei, tá? Mas o que aconteceu é que esses esses clientes eles não esqueceram as informações que eu passei.
Porque quando você entrega a verdade pro seu cliente, a verdade ela é perturbadora quando você não tá disposto a enfrentá-lo. Ela não vai embora. Todas as vezes que você está diante de um fato e esse fato traz para você a certeza de que você não tá conseguindo o que você precisa, a verdade ela vem de volta.
Você tenta esconder, você tenta negar, você tenta fugir, mas ela volta. Eu falo assim, depois que a pessoa ouviu, não tem jeito dela fingir que não escutou. Depois que ela viu, não tem jeito dela desver.
Compreende? Então, eu sempre respeito muito o ritmo do cliente. Eu vou falar para vocês sobre ritmo, mas quando é algo que vem do inconsciente dele, se revela para ele, você foi a pessoa que proporcionou essa circunstância, é natural que ele possa resistir a você e sair do tratamento, tá?
Você precisa estar preparado para isso, porque se ele saiu porque você entregou a verdade, essa verdade vai continuar tratando o seu cliente até ele ceder. Então, eu já tive vários casos e quando eu digo vários, são vários no consultório de clientes que resistiram, e nós vamos falar mais sobre resistência, que preferiram não aprofundar no que eu tava mostrando, mas que voltaram depois de 2, 3, 4, 5, 7 anos, dizendo: "Mirela, aquilo que você falou, eu não me esqueci. E eu voltei porque de fato aquilo acontecia e eu levei esse tempo para digerir.
Então entenda, o tempo de digestão do seu cliente, você não tem controle sobre ele, tá? O tempo que ele precisa para concordar, para assimilar, para se dispor a transformar, você não controla. Mas a verdade tem que ser inegociável, porque senão você vai ser cúmplice na mentira.
E isso é muito prejudicial, tanto para ele quanto para você. E tenho certeza que vai contra os princípios que te trouxe para essa profissão, para essa atividade, para esse compromisso com outro. Combinado?
Então você pode pensar, e a gente vai falar um pouco sobre isso, na forma de entregar a verdade. A forma ela faz toda a diferença. Tem uma forma que pode ser mais leve ou mais pesada, mas ela não pode deixar de ser dita.
Ok? Então se prepare, tenha consciência disso, porque esse é um ponto que em todas as sessões, possivelmente você vai ser confrontado por você mesmo no seu interior. E agora o que eu faço com isso que se revelou?
Como eu conduzo com isso que se revelou? Quando eu fiz psicologia, há mais de duas décadas atrás, eh, a gente ouvia assim que talvez o seu cliente não esteja preparado para aquilo que você tem para entregar. Mas a minha experiência mostrou que quando eu ficava eh centrada nessa orientação, na maioria das vezes eu usava isso como defesa para me proteger da exposição ou do medo da exclusão e do abandono.
Então eu dizia para mim assim: "Ah, não, mas eu não vou falar isso não, não, não vou deixar ele perceber isso. Ele ainda não tá preparado". Até o dia que eu me despertei e entendi assim, como assim ele não tá preparado?
Eu não tô falando com uma criança, eu tô falando com um adulto. Esse adulto, ele tá tendo sérios prejuízos. O casamento tá em risco, o dinheiro tá acabando, a saúde não tá boa, os filhos estão dando trabalho, tudo isso em consequência da postura.
Como assim? Ele não tá preparado com todos esses prejuízos para ouvir aquilo que cura? Percebe que é contraditório?
E aí eu comecei a observar que aquela minha visão, no fundo, subestimava o meu cliente, subestimava a capacidade do meu cliente de reação. Isso acontecia quando, no fundo, eu também me subestimava, porque eu também não confiava na minha capacidade de suportar o abandono, a crítica, o confronto, o julgamento do meu cliente. Então, eu mudei algumas coisas em mim.
Eu comecei a observar que se eu sou adulta e ele é um adulto e nós somos responsáveis pela nossa própria vida, ele tem capacidade de suportar aquilo que ele precisa enxergar para mudar a vida dele. E eu também tenho a capacidade de suportar a rejeição, a crítica, a raiva, as dificuldades do meu cliente em receber o que é necessário e dentro de mim dar o tempo que ele precisa para digerir isso, mesmo que ele tenha que se afastar por um tempo e voltar depois. Afinal de contas, somos dois adultos responsáveis pela própria vida e temos um compromisso.
E nesse compromisso, a comunhão e a verdade é innegociável. Então eu digo assim, eu posso até perder, entre aspas, né, o cliente, mas eu não perco o resultado dele. Quando eu falo perder o cliente, é, ele pode até ir embora, mas ele vai embora com a solução que ele vai buscar, ele vai embora com a direção que ele precisa.
Ele vai embora orientado sobre o que de fato é necessário para ele. Então eu quero te desafiar a perceber como você tem sido, aquilo que você acredita e quais são os acordos que você vai fazer com você mesmo, porque esse foi um acordo que eu fiz comigo. Esses foram princípios que eu firmei na minha jornada de trabalho.
E eu quero te dizer que hoje eu estou aqui e tudo que eu fiz para garantir o melhor resultado pro meu cliente compensou. Por isso que os meus resultados eles são innegáveis, porque eles também são inegociáveis. M.