[Música] quando é que vocês sabem que estão sendo vocês de verdade que estão sendo autênticos is é uma questão difícil não é eu gostaria de apresentar a vocês alguns entendimentos sobre como é que a gente pode viver uma vida mais autêntica uma vida mais genuína a partir de uma reinvenção do eu mas tem uma questão um tanto inquietante nesse tema que é o fato de que para ver reinvenção precisamos considerar que fomos inventados também é uma questão um tanto difícil da gente considerar eu fui inventada Imaginem só vocês no espelho dizendo isso eu sou uma
invenção nós somos motivados a olhar no espelho e dizer até por uma questão motivacional não é assim de um fortalecimento do Eu a dizer eu consigo né Eu sou forte portanto dizer eu sou uma invenção não é muito empoderador não é verdade mas nós somos uma invenção e eu escolhi duas cenas duas cenas muito especiais da minha vida que posteriormente me fizeram entender melhor como é que eu fui inventada e como é que cada um de vocês também né foi inventado e o que que a gente pode fazer com isso o que que a gente
pode fazer com essa Construção Bom a primeira é que eu me chamo Simone eu acho que vocês perceberam né foi anunciado já cedo criança eu soube que o significado do meu nome vem do hebraico que quer dizer aquela que sabe ouvir então isso sugere uma pessoa empática sugere uma uma confidente uma pessoa compreensiva não é eu gostei disso me me apropriei desse projeto eu nasci e recebi um nome e esse nome veio com uma história certo o nome tem uma história eu não tinha uma história eu não tinha uma história ainda mas o meu nome
sim e apropriada disso eu comecei atuar como tal Então aí lá pros meus 8 anos eu achei que era importante ter uma conversa muito séria Muito séria com meu irmão de 6 anos para dizer para ele o quanto ele precisava ser forte e fazer bons amigos porque ele estava indo para a primeira série ele ficou só me olhando né você ele tava tranquilo com o fato de sair né do Jardim para ir paraa primeira série eh eu acho que nesse momento ele perdeu essa tranquilidade é claro que foi pura projeção achei importante dizer isso para
ele porque na verdade eu tive dificuldade né Com a adaptação com com a mudança e tudo mais ah a nossa existência ela precede a nossa essência de S Sartre então primeiro a gente existe E aí ao longo da vida a gente vai se tornando alguma coisa portanto o eu não existe uma natureza humana não existe né o eu nesse sentido de eu verdadeiro entendem um eu verdadeiro de uma essência né de uma natureza a nossa essência ela é vazia Vocês conseguem imaginar né um bebê já com uma consciência de si mesmo podendo se dizer fazendo
as suas escolhas não ele existe e aí a gente precisa de um outro para dizer quem somos e como Precisamos ser então Imagine você bebê conviveu com pessoas essas pessoas ensinaram você a ser uma pessoa e você De tanto ouvir essas pessoas se identificou com essas falas portanto você não sabe o que é ser de um outro jeito para além da referência dessas falas Então existe um grupo né nesse grupo de pessoas que você estava inserido e estamos inseridos a gente vai aprendendo coisas de modo que a gente não sabe ser de outro jeito além
dessas referências Então as pessoas do nosso convívio nos insere né num Universo de linguagem as pessoas são na nossa vida a representação de uma linguagem e a gente precisa dessa linguagem para existir fora dessa linguagem o que que existe fora de tudo o que você sabe fora de tudo o que você consegue dizer fora de todas as explicações que você construiu Acerca das coisas fora das ideias que nós construímos sobre nós a partir da relação com o outro e as ideias também que a gente construiu do out outro e as ideias que a gente constrói
da vida e todas as ideias que estão aí ainda aquelas que a gente pode eh aprender se apropriar o que somos nós fora disso para Além disso nada nada então portanto se existe um uma essência né um eu verdadeiro eu diria que esse eu verdadeiro é um Olha que interessante ou angustiante nada e eu peço licença aqui para parafrasear Fernando Pessoa no seu poema tabacaria e ele começa assim eu não sou nada então sobre essa Essência vazia nunca serei nada acerca né de uma definição de nós Nunca seremos nada enquanto uma definição mas ainda assim
tenho em mim todos os sonhos do mundo o que diz respeito às nossas pulsões de vida os nossos desejos a gente começa de um nada se constrói a partir de um outro que também foi construído E começamos a viver esse é o eu que a gente conhece e é um eu que pode ser assim muito colaborativo na sua vida ou pode ser um eu que te traz muitos problemas hum embora a gente goste de dizer que não sou eu é o outro né pode ter sido é inclusive muitas vezes a partir do momento que introjetar
agora é teu agora é teu eu eu acho que vocês perceberam que o que eu tô trazendo aqui não é só sobre o nome né não é só sobre o fato de eu me chamar Simone né ou você Paulo você Amanda até porque tem muitas simones que nem gostam de ouvir tem tem Simone que não quer ser psicóloga é porque nesse caso me caiu bem eu eu precisava assim como todos nós né Precisamos de uma referência a gente precisa de uma representação para poder construir a nossa identidade para poder se sustentar em alguma coisa a
gente precisa de um um eu um ego para chamar de nós né eu me apropriei Mas é claro que a gente não só a gente a gente não só se apropria de de projeções e que são interessantes né E que podem ser inclusive assim muito construtivas na nossa vida a gente vai se apropriando de muita coisa de muitas narrativas do tipo olha olha Amanda como ela é forte Ela dá conta e o o Paulo tão tímido coitado hum tímido demais como é que vai se relacionar assim e a Rita Nossa a Rita puxou a tia
temperamento complicadíssimo essa aqui não tem disciplina Isso aqui vai ser o orgulho da família entendem e dessa forma vamos nos construindo a partir de tantas de tantas projeções Eu gosto de uma fala eh de uma psicanalista chamada Ana sui E ela diz assim a forma como você se vê é composta pela forma como você se vê sendo visto pelo outro entendeu a forma como você se vê é composta pela forma como você se vê sendo visto pelo outro então o nosso eu tá fora da gente tá fora da gente né o outro me revela o
outro deve saber quem eu sou olha isso e é por isso que a gente tem tanta preocupação em agradar o outro em corresponder ao olhar do outro é por isso que a gente tem tanta preocupação eh eh em conseguir dar conta de um estado de adequação de competência e a gente fica né testando esse retorno como será que eu tô E aí tô indo bem que você acha me dá um feedback deixa eu ver Quantos likes esse ângulo aqui é melhor e será que eu vou dar conta dá conta para quem Para quê E como
a gente fica chateado não é como a gente fica chateado quando a gente desagrada quando a gente decepciona e quantas coisas a gente deixa de fazer com receio de como o outro vai responder e quantos Sims a gente dá querendo na verdade falar um não Quantas coisas a gente aceita por não ter coragem de dar um basta Vocês conseguem visualizar neste processo aí uma ansiedade crescendo Vocês conseguem visualizar né nessa dinâmica de vida o quanto isso é ansiogênico o quanto isso nos leva a uma melancolia a uma tristeza por não agradar e uma tristeza por
se acovardar pelo medo de não agradar e a gente começa a viver uma vida que não é a nossa sabe que estranho tem todo tipo de efeito eu tô falando que essa construção do eu tem todo tipo de efeito eu tô enfatizando aqui os impactos que essa relação né da linguagem da narrativa que nos constrói os impactos que na verdade nos impede a expansão Mas é claro que não é só isso não é só isso até porque nós somos elogiados nós somos incentivados nós somos aplaudidos o ponto é quando você se apropria disso e faz
disso disso uma sentença Porque tudo que a gente se identifica demais nos aprisiona Ah então agora eu tenho que dar conta de novo e foi um sucesso como é que e agora fracassou tudo que a gente se identifica demais nos aprisiona a minha filha Sofia tem 8 anos e e eu construindo aqui essa conversa com vocês eh ela veio e me disse ela participa bastante e ela perguntou mamãe tá escrevendo o quê E eu disse eu tô escrevendo sobre o eu sobre a construção do eu só para ver a reação dela né sobre a construção
do eu aí ela ah mamãe sabe que o outro ele sabe um segredo da gente eu falei É mesmo por quê ela falou assim porque às vezes eu quero uma coisa e você já traz a gente se antecipa né mas ela finalizou assim eh só que a gente sabe mais da gente tem coisas que a gente sabe que o outro não sabe isso é muito bonito eu espero que vocês saiam daqui compreendendo que a partir do momento que a fala do outro entra passa a ser responsabilidade Nossa fazer alguma coisa com isso é uma responsabilidade
ética transformar essa narrativa a partir de uma coisa chamada desejo porque nada nos define numa totalidade são só estados então o que você faz com o que o outro faz de você essa também é uma fala de Sartre e esse é um grande desafio assumir a responsabilidade dessa reinvenção porque é justamente pelo fato de ter um vazio que é lá a nossa origem que a gente pode se Reinventar então eu finalizo dizendo que você pode contar a sua vida através de uma história ruim né E aí a vida vai ser ruim mas você pode contar
a sua vida de um jeito diferente e aí sim conseguir fazer uma nova história muito obrigada n [Música]