Bom dia bom dia a todas e todos é um prazer Estamos aqui no instituto de estudos avançados para fazer esse bate-papo essa roda de diálogo sobre o livro crítica dos afetos do professor Felipe Campelo temos também a presença do Pablo Almada os doutorando da do Núcleo de Estudos da violência e também teremos a participação de colegas online hoje mas vamos começar então o nosso bate-papo sobre o livro crítica dos Afetos do professor Felipe Campelo que nos honra com a visita aqui na Universidade de São Paulo no Instituto estudos avançados para falar sobre seu livro O
Felipe ele tem doutorado pela cidade de Frankfurt e recentemente fez um pós-doutorado na social na school ins com bolsa da full bright como pesquisador visitante sobre a supervisão da Nice fazer e tem experiência e pesquisa em Hegel filosofia social política Teoria crítica e estética para acompanhar o Felipe fazer esse bate-papo nós temos a presença do Pablo Almada nosso colega no Núcleo de Estudos da violência recentemente fazendo um pós-doutorado conosco no projeto building democry e o Pablo tem doutorado em democracia no século 21 pela pelo centro de estudos sociais e na faculdade de economia da Universidade
de Coimbra e tem pesquisa e atuação na área de sociologia e Ciência Política com ênfase em sociologia teoria sociológica sociologia de trabalho sociologia histórico histórica pensamento social brasileiro pensamento político e tem feito um trabalho incrível lá no núcleo de Souza violência principalmente com os boletins de monitoramento das eleições via mídias sociais nós temos também online conosco a pesquisadora do nosso jornalismo direito e liberdade o grupo que tá organizando esse evento aqui pelo iea Que a Nadine Almeida Lopes que a doutora mestre pelo programa de pós em ciências da comunicação da ECA com doutorado em Couto
tela na Faculdade de Letras da Universidade de Porto ela é jornalista e professora também na área de Jornalismo e comunicação Então é isso nosso debate vai funcionar como uma breve apresentação do Felipe sobre o livro crítica dos afetos seguida de debates inicialmente do pau do Pablo e depois da Nadine e depois dos colegas Presencialmente ou principalmente online é o prazer então te receber de novo Felipe obrigado pela presença fica à vontade Obrigado Vitor pelo convite Agradeço todo mundo tá aqui presente também acompanhando a gente né online Então para mim é um prazer estar lançando aqui
o livro Acabei de voltar do Congresso Nacional de Filosofia mas essa aqui é o início dessa rodada de lançamento né então eu acho que um livro é sempre uma oportunidade de a gente Conversar se aprofundar enfim encontrar e reencontrar né Vitor colega Desde da época de Frankfurt então de lá até cá né uns 12 anos aí que a gente tem sempre dialogado e o livro agora eu diria que é muito também fruto dessas nossas conversas e até locuções interesses né É bem eu muito brevemente então apresentar um pouco Qual é a motivação e a minha
ideia Central aí ao escrever esse livro né é desde talvez talvez recentemente a gente tem Acompanhado um crescente interesse sobre essa dimensão de que as nossas práticas né escolhas políticas e preferências né Elas não se restringem somente aquilo que a gente aquilo que na filosofia a gente chama de Missão normativa né ou seja o desejo do de como devemos agir é passou a ser predominantemente pensado a partir de uma ideia de racionalidade o que a gente tem visto crescente Ultimamente é que ainda que tem esse ideal normativo de agir racionalmente né o racional isso tudo
isso que predominou durante muito tempo no debate na economia na Ciência Política né É ainda que tem uma força normativa ela tem um déficit descritivo seja efetivamente nós temos uma dimensão que atravessa aí debates emoções isso que eu aqui chamo de afetos né talvez remetendo a ideia que Espinosa tinha é dissemos afetados Ou seja que Não há uma distinção moral é implícita aí né naquilo que a gente chama de afetos mas somos como essas articulações essas circulações de afetos né acaba balizando e atravessando as nossas preferências a nossa esfera de desejo a nossa visão de
mundo é a nossa forma de agir politicamente escolher politicamente de um tempo para cá o tema Então se a gente lembrar aí o creme de analítica né Já era uma forma de dizer olha a circulação que temos de preferências políticas elas estão longe de ser preferências estritamente Racionais né então esses viésus cognitivos né eles não têm uma reflexividade dada ela atravessada por dimensões que escapam essa esfera de racionalidade mas que são construtivas das nossas práticas e escolhas políticas então quando a gente fala dessas dimensões de sermos afetados Isso quer Dizer analítica já trazia isso você
pode simplesmente você faz uma tipologia de personalidades né E que a partir dali você consegue circular essas preferências sabendo Então quais são as bolhas com as quais você vai falar que tipo de discurso Isso vai ser criado as Big tags perceberam que isso funcionava a partir dessa escolha do que foi chamado de eco Chambers nessa lógica de câmeras de eco que Incentivava essa algo que os cientistas políticos hoje tem chamado de polarização afetiva que é o termo que hoje passou a ser uma festa de vocabulário comum mas se a gente falasse isso há pouco tempo
alguns anos isso ia ser um termo estranho né você falar assim Ah então vamos falar hoje isso um cientistas políticos né hoje no mainstream digamos assim usando um termo como polarização afetiva isso porque se constatou que para compreender Essas dinâmicas de circulação é pensar uma ideia tão de formas de sermos afetados seria fundamental é para também uma chave de Diagnóstico né então assim é isso como hoje tem na sociologia algumas correntes têm chamado até de uma virada afetiva né nesse debate você tem na neurociência não hoje crescente também de afeto de neurocience então tem havido
todo esse crescente interesse nesse nesse debate aí nos últimos anos Qual é a ideia então do livro né ao meu ver é se por um lado isso tem né despertado interesse nesses Campos desde a Sociologia na Ciência Política né na neurociência esse campo de Psicologia política né que também tem na comunicação né por outro lado não está claro né E aqui é que eu acho onde a filosofia pode contribuir né é essa dimensão normativa ou seja o que é que nós Queremos com essa circulação de afetos se a gente falar que há um afeto que
é produtivo para democracia a gente tem que tentar compreender o que que isso quer dizer isso não está dado né digamos assim empiricamente aqui é que eu acho que a filosofia pode contribuir de maneira decisiva né para entender o tanto é Qual é o dvc daquilo que podemos chamar de afetos construtivos para democracia e eu acho Que é essa forma de polarização afetiva que a gente tem vivido né Acho que está bastante Claro ela na verdade contribui para Como o próprio termo indica né para um admissão excludente dos afetos né o discurso de ódio que
algo que acaba retroalimentando né a forma de como esses afetos têm circulado nas redes é algo que tem minado internamente né o jogo democrático a ideia de um pluralismo Democrático a ideia e você pode poderia ter uma circulação mais plural dos afetos onde a diferença né Por exemplo de preferências ou de escolhas políticas ou de modos de vida fosse algo tomado como dentro do jogo do pluralismo democrático aquilo que constitui Então as democracias modernas e o que a gente está vivenciando hoje ao meu ver é isso sendo minado por dentro então cabe a gente pensar
como os afetos podem circular de outras Maneiras Como podemos ser afetados de outras maneiras pensando então que isso é fundamental para a gente compreender as próprias evoluções e pensar o futuro digamos assim das democracias Esse é o problema então que eu enfrento no livro ao meu ver o que a gente tem vivenciado hoje é uma espécie de esgotamento do vocabulário político é uma a gente tem Vivido Isso é uma tese que atravessa um pouco também o livro né ao meu ver estamos presos em um tipo de vocabulário que constitui a modernidade sobretudo se a gente
pensar como constituímos no sentido de identidade o próprio vocabulário da propriedade né como esses como esses afetos hoje a partir de uma espécie de violência identitária ela tem adquirido uma expressão né eu trago até uma de Maneira provocativa uma ali no epígrafe uma O que é Call Schmidt né ele trazia Lembrando que César é senhor da gramática né de que as estruturas de poder né o que eu penso modo como eu penso político é também uma determinação dos modos de sermos afetados isso portanto transcende ao meu ver as narrativas individuais ou seja a possibilidade que
temos hoje de determinar de um conceito que eu Recupero de rede eu não modo de compreender a liberdade como não somente uma espécie propriedade privada né mas de que a esferas sociais que possibilitam ou não a realização da Liberdade Então essas possibilidades das narrativas que eu posso oferecer de mim mesmo e portanto o Horizonte né das formas de eu ser afetado enquanto o indivíduo isso não depende de mim quanto propriedade né Isso é atravessado por aquilo que está à Disposição socialmente politicamente né as formas que a política no sentido lato digamos assim né seja as
mediações sociais das formas de sermos afetados e como isso constitui um Horizonte portanto de possibilidade de realização da Liberdade o que eu enfrento no livro é partir de uma espécie de diagnóstico de um esgotamento desse vocabulário Eu acho que o que a gente vive hoje Como polarização afetiva isso fala muito mais ao meu ver de uma urgência né de repensar o político então basicamente tem muitas eu enfrento isso um pouco diferente maneiras e a ideia de crítica eu entendo até como uma modo como Kant pensava crítica como uma espécie de esclarecimento conceitual né então o
objetivo do livro eu acho que aqui é filosofia pode contribuir para a gente entender isso quer dizer olha a Gente primeiro precisa entender sobre o que a gente tá falando né então vamos tentar limpar esse emaranhado né conceitual talvez dessas como hoje esse tema das emoções políticas têm sido trazidas né esse tem o tema tem sido recuperado e o que eu proponho do ponto de vista normativo é dizer o seguinte basicamente o que acontece na modernidade essa parte de uma construção Breve histórica do livro né é que o que eu chamo de promessa Liberal ela
é e aqui eu proponho né que o grande problema para tradição Liberal foi entender na verdade é como uma teoria normativa da política poderia incorporar o tema dos afetos por que isso se a gente lembrar duas esferas fundamentais né de diferenciação estrutural da modernidade por um lado o estado e por outro o mercado né esfera Econômica a gente vai Ter se a gente lembrar de Hobbes um afeto que fundo estado que é o medo é o medo que faz com que eu delega então soberano né É então a querer né proteger essa esfera de sobrevivência
então diante de uma ameaça de uma violência sobretudo física né no modo que Hobbit sabe então a ideia do corpo a ideia também de propriedade quanto defesa de uma violência física diante dessa desse dessa ameaça do medo Da ameaça Então você tem uma ideia então do que ver pela chamada depois da que você tem uma o monopólio da violência né Por parte do estado e isso é um tema também pode recuperar através do também do debate do Neve né E como esse monopólio passa a ser compreendido a partir de uma circulação de afetos o mercado
por sua vez é o Albert richman que é fez um dos grandes teóricos né as histórias de Zezé Econômicas ele tem Um clássico que chama as paixões dos interesses que justamente defende isso né que o próprio conceito de interesse o surgimento do capitalismo era na verdade o que richmann chama apesar de parecer uma ideia de racionalidade Econômica é uma paixão equivalente contrária Esse é o termo que risma utiliza para os interesses Ou seja que processo interno de modificação das paixões naquilo que a gente vai chamar depois de Racionalidade Econômica mas que na verdade é imbuída
atravessada por uma dimensão de Paixões basta lembrar que o próprio Adam Smith né para ele escrever a riqueza das nações ele escreve um estudo um tratado prévio para dizer o seguinte olha o que é que fundamenta isso que a gente vai chamar depois de mercado e né O que fundamenta isso é uma teoria dos Sentimentos Morais então para Smith solidariedade e Simpatia que são os conceitos fundamentais da teorias Morais São pressupostos por racionalidade Econômica Então o que a gente tem na verdade na modernidade é como os afetos eles estão atravessando essas reflexões A grande questão
aqui é bem o que é que aconteceu para que essa dimensão dos afetos tenha sido na verdade negligenciadas ou até mesmo excluídas dessa preocupação é de teorias normativas sobretudo né filma teoria social de maneira geral Ao meu ver aqui a gente tem então essa tese de que essa fixação no ideal de razão né E aqui um filósofo como Kant né vai ocupar um papel importante recuperando toda essa tradição Iluminista ela passa a ser fundada então não ideia de que essa racionalidade né que vai chegar na racionalidade Econômica na racionalidade política ela Então deveria guiar Nossas
ações do ponto de vista normativo isso vai ter Todas as justificativas e tal mas ao meu ver isso gera Então essa esse déficit em preocupação sociológica de como efetivamente o político o social no sentido lato ele não dá para ser pensado sem conceber A centralidade então dessas dimensões afetivas Então a partir daí é tento mostrar então né defendo essa ideia de que a gente precisaria recuperar não somente de uma maneira descritiva digamos assim mas eu acho que Aqui é um ponto central de pensar como empiricamente a gente pode recuperar né esse é um debate clássico
da sociologia também essa dimensão da reflexividade do sujeito né em oferecer por exemplo dentro dessas narrativas ou até que ponto e isso é um problema Central também que eu que eu trabalho até que ponto o sujeitos envolvidos nessas experiências por exemplo de injustiça ou de Sofrimento ele tem essa dimensão reflexiva e o que é que essa Narrativa que ele tem pode contribuir para uma a teoria digamos assim se ser corrigida a partir desses relatos Então eu penso na verdade um livro né de uma espécie de reciprocidade entre aquilo que vem das próprias experiências né daquilo
que nós de fato sentimos enquanto então nível afetivo que para pensar com o rabo mas né E nessa no modo como Hornet vai debater ali né na verdade eu acho que isso Antecipa a esfera da comunicação Então essas modo como somos afetados ela ela é pressuposto na verdade para aquilo que nós vamos reivindicar a partir de uma de uma racionalidade comunicativa é mais fundante e a partir daí a gente tem que ser pensar e essa é uma coisa que eu também proponho que as formas de sermos afetados não é apenas para pensar nesse pêndulo entre
a agência estrutura né não é somente uma Passividade por parte do sujeitos né aquilo pode ser transformado também em agência né E essa agência que faz com que é os sujeitos se articulem e queiram reivindicar um novo vocabulário de ser afetados Ou seja é processos de ruptura e um dos Capítulos é paixão e Revolução ele ele se coloca como assim mecanismo também de resistência né de transformação né estrutural é daquilo que não está dado ainda como Horizonte Político daquilo que ainda não existe enquanto forma de sermos afetados Então eu acho que um dos grandes desafios
hoje é esse processo de alargamento da Imaginação política alargamento desse vocabulário então que De algum modo ele nos antecede né enquanto sujeitos mas que ao mesmo tempo pode ser transformado né pode ser confrontado a partir de se buscar novos horizontes Liberdade novas formas de vida Possíveis né novos horizontes então é do possível ainda que é esse Horizonte ainda não esteja politicamente dado digamos assim né então o livro é um pouco uma história uma Talvez um modo tanto de Reconstruir né como eu ver há uma um tipo de resposta né dessa promessa Liberal que que tem
sido muito confortável desde teorias feministas né de por exemplo de radicalização entre Privado público a forma como os afetos passaram a ser circunscritos nessa Esfera do privado né E muito do debate foi acusando isso dizer até mesmo esse privado ele é político ele depende então de uma dimensão pública né de por exemplo de formas de como por exemplo de visão é do trabalho doméstico toda a ideia de gênero que isso foi atravessar então isso você tem uma forma de crítica né já é que tem sido feita de mostrar pontos Cegos nessa é forma de que
a teoria política teorias normativas excluíram os afetos isso já como um efeito colateral de de um problema esse que é político o que eu então defendo é que ao propor essa ao excluir os afetos dessa dimensão de um debate de teorias normativas isso em si é um problema de injustiça então a um recorte de injustiça aqui que deve Recuperar esse debate dos afetos por outro lado eu mostro que quando se comprou né essa promessa de razão isso foi feito a partir de um processo de exclusão e de violência pistêmica muito desse debate que ficou fora
da racionalidade isso também foi um problema de injustiça enquanto já assumia que alguns tipos de discursos poderiam falar em nome da Razão enquanto outros não enquanto outros discursos eram particulares falavam apenas das experiências falava apenas dos Sentimentos eram discursos sentimentais de máximo de um certo interesse antropológico né do excêntrico o excêntrico enquanto aquilo que tava fora daquele centro da razão e que por isso não foi incorporado dentro de teorias normativas então ao meu ver para concluir a minha proposta né também é que para a gente Alargar o que está dado enquanto vocabulário político a gente
tem que superar essa violência pistêmica desses discursos que compuseram o nosso vocabulário político para isso mais do que insistir né Talvez nos mesmos tradições os mesmo vocabulários a gente precisaria incluir e ouvir o que historicamente não teve voz dentro da Constituição desse discurso então a ampliação epistêmica né É assumir e os que eu chamo de virada narrativa uma falsa interpretação disso é considerar que um discurso como por exemplo de da Vico penal né que eu trago ou de grada quilomba né ou de Francis fanon eles não são discursos particulares eles não são discursos que falam
né Por exemplo como no conceito de lugar de fala apenas de uma experiência particular eles são discursos que na verdade tão tão propondo algo que Tensiona com Universal que menciona Como contribuição epistêmica de novas visões de mundo novos vocabulários Então seria uma leitura equivocada continuar interpretando esses discursos como um discurso que auto-referente das experiências particulares subjetivas emotivas e tratá-los como possibilidade de correção do nosso vocabulário político então tenho muitas frentes a partir disso debate com Hornet Enfim na área o Luther King como pensar estratégicamente e as paixões enquanto estratégias de transformação política né são muitas
frentes aí que eu vou tratando de maneira mais a partir de um problema realmente filosófico que é isso que me move né Então esse é o a proposta em breve assim né resumindo um pouco essas frentes que eu proponho aí no livro Muito obrigado obrigado Felipe por essa introdução esse resumo que nos dá muita Não existia muito né temos aqui também a presença professora Eugênio buti a Gislene Nogueira obrigado pela presença também acho que são coisas que né deixamos pelo menos a minha cabeça borbulhando aqui de ideias mas vou guardar um pouquinho e vou abrir
a palavra para o Pablo mais uma vez te agradecendo muito por essa chance de diálogo Espero que seja né primeiro de muitos encontros também para a gente fortalecer essa discussão esse Debate também mais sociológico e levando em conta todos todas essas questões do sentimentos que acho que mobiliza muito a nossa política aí parece que a gente por enquanto tá só tentando tatear mas é muito importante a gente fazer esse esclarecimento e pensar né tanto as dimensões patológicas como também propositiva normativas que para avançar nosso cenário político Obrigado Pablo palavras Bom dia a todos e a
todas presentes e também aqueles aquelas que estão online gostaria aqui de saudar o Felipe que me proporcionou aqui a leitura desse belíssimo livro é agradecer ao Victor e ao grupo do jornalismo direito e liberdade que também tá organizando aqui esse esse evento bom inicialmente fiquei muito muito contente muito feliz com a leitura do livro do Felipe e acho que a gente tem aí um bom caminho para compreensão Daquilo que seriam os afetos e como que a nossa sociedade especificamente acho que é quase que muito difícil a gente se separar desse contexto em que a gente
está vivendo Então nesse caso me parece que o livro do Felipe ele traz essa uma tentativa de lançar uma luz a interpretação dos afetos a partir de uma teoria do reconhecimento de Hegel a qual dialoga tudo Praticamente em todo todo o livro isso é bem-vindo né Sempre recuperando a Tradição de uma teoria crítica mas não só restrito a isso mas também resgatando diversos outros autores principalmente autores e autoras de tradições diferenciadas E aí no caso o França Quilombo que são autores que dificilmente a gente consegue entendê-los dialogando com uma trajetória de teoria crítica diretamente como
você faz e isso me parece que é um dos grandes méritos Do da sua obra eu tenho e esse não são mérito da sua obra mas a gente consegue ao longo da Leitura observar como que a sua pesquisa ela foi organizada e como ela é não só uma pesquisa para um livro mas é como uma pesquisa também da sua vida né praticamente da sua trajetória acadêmica nesse sentido me parece que a minha mera contribuição aqui é apenas Resgatar alguns pontos que me chamaram atenção do seu da sua obra e fazer também alguns Breves questionamentos sem
que eles sejam obviamente que eles tirem o brilho mérito e a e essa sua capacidade incrível de fazer uma filosofia crítica que sintetiza diversas sintetizam que tentam uma síntese de um Tema que ele é muito espaço na filosofia mas que é necessário para se pensar a se fazer o diagnóstico do tempo presente inicialmente quando há o início da sua do seu do seu texto você começa narrar sua trajetória a partir de novo é fácil né depois no seu pós-doutorado com a orientação da frase e uma coisa que me chamou muita Atenção é que você fala
que talvez nesse momento seria interessante você pensar do Brasil e essa perspectiva me deu a impressão que você teria um diálogo Talvez mas um diálogo mais intenso com a Teoria com a Teoria com teoria com a filosofia brasileira ao longo do texto eu não sinto isso tão forte mas aí eu queria escutar de você também pensar um pouco essa questão Essa é uma questão apenas iniciar uma provocação e uma provocação que talvez ela possa ser vista também como o início aqui da nossa conversa para que a gente possa buscar outras coisas mas mais substanciais do
seu texto muito Me interessou e me encantou o primeiro capítulo justamente por conta do seu diálogo com a tradição ou com a promessa Liberal como você chama um Diálogo que ele perpassa desde Adam Smith Rousseau e a outros outras perspectivas da teoria Liberal o que me chama atenção nesse capítulo é justamente aquilo que você chamou como autenticidade Esse é um tema que ele não é digamos tão trabalhado Ah claro diversas diversas correntes que podem pensar isso né questão do autenticidade mas são mais recentes E no caso do seu do seu texto quando você trabalha a
questão da Autenticidade você é justamente traz ela para pensar um patamar da nos afetos e como me gerou a questão de como que talvez pensando aqui dialogando com uma outra tradição por exemplo que esses afetos eles estão presentes naquilo que esses autores chamaram como a subjetividade do neoliberalismo e parece que dentro do pensamentos você me ajuda a pensar uma questão que é fundamental é Que nessa nova subjetividade pensando ali com os autores que Eu mencionei não existiria uma existiria uma imposição de fora de fora para dentro do sujeito isso você coloca muito bem a minha
questão é basicamente entender como que nessa imposição aqueles afetos que podem ser originários de uma subjetividade eles não são Eles não são deixados de lado eles não são reduzidos ou mesmo ou mesmo ou mesmo excluído nesse sentido eu tenho essa reflexão me fez pensar o quanto que pelo menos nesse teu primeiro capítulo que ele me parece muito completo ele traz um grande desafio entender autenticidade entender de fato se é possível resgatar essa autenticidade quando Eu num pequeno diálogo eu estudo a tese doutorado estudei os movimentos de mais de 68 e justamente você começa a conversar
Logo no início do seu texto em outros em outras passagens com 68 você vê que ali existe uma uma autenticidade e ver que essa autenticidade de certo modo ela não ficou muito bem explícita me pareceu e nesse caso eu acho que a sua obra ela me fez retomar Um pouco do meu doutorado que foi justamente a mesma questão que eu tinha se aquilo ali que a gente estudava e que muitos viram participaram efetivamente no mundo inteiro teria uma possibilidade não ser resgatado no sentido de retomarmos antigas utopias mas e temos um pouco dessa coisa entre
aspas aqui uma certa lição daquilo que foi Talvez um dos últimos momentos de autenticidade Do século 20 e pergunto isso e que eu coloco essa questão justamente indagando um pouco daquilo que é um pouco da ideia de que ao longo do século 20 no começo do século 21 se foram não só perdendo essas possibilidades de vou dizer assim de emancipação mas também não se conseguiu criar algum Horizonte de expectativas que Fosse possível para uma saída não digo tão tópica mas talvez uma uma criação mesmo de um Horizonte dentro dessa da nossa sociedade capitalista inicialmente Então
essa essa percepção Inicial ela me trouxe aqui um pouco da curiosidade e da um pouco da curiosidade e também de entender um pouco mais a questão da identidade que Você começa que você que você trabalha na sequência do seu livro A sequência dos seus capítulos [Música] eu gosto muito desse diálogo que você faz desses autores Como faz farol como agrada Quilombo acho que é um caminho ousado ousado no sentido de desafiador e isso com certeza não só valoriza uma filosofia que É exatamente o contrário de uma dogmática porque às vezes a gente pode encontrar isso
em algumas em algumas escolhas teóricas que a gente faz isso é uma grande uma grande um grande mérito do seu trabalho mas isso também me traz um pouco de uma dúvida em relação a essa pontuação em relação às identidades e depois ao final ali do seu Capítulo dois você Dialoga um pouco essa ideia do da Promessa Liberal com essa com esse sofrimento que esses autores trazem Então nesse sentido queria escutar um pouco mais também dessa sobre esse diálogo e sobre essas um pouco dos seus argumentos sem querer me estender queria só fazer uma pequena uma
pequena ponte com a questão atual do nosso cenário que é um cenário político Que é um cenário de tensão que é um cenário de conservadorismo e uma questão que me chamou atenção seria tentar entender se todos os afetos de fato eles podem ser válidos Ou seja eu a minha pergunta ela é uma pergunta do ponto de vista do nosso contexto discursos como é que a gente consegue perceber por exemplo discursos de ódio Essas visões acerca visões quase que doutrinárias acerca do outro visões que acabam que são excludentes em relação ao outro gostaria de saber um
pouco mais se nesse nosso cenário atual de conservadorismo e que talvez não seja só um conservadorismo que pare em um conservadorismo mas que tenda a posturas mais autoritárias em um autoritarismo cada vez mais presente na sociedade não só de cima para baixo né Onde está do Estado para a sociedade mas também é passado na sociedade os afetos eles podem ser resgatados nesse nesse contexto Felipe eu agradeço a leitura e que você me proporcionou Apesar de eu não ter conseguido aquela aquela profundidade da Leitura que eu gostaria de ter mas com certeza e assim Esperamos que
o seu a sua obra ela não seja só uma obra mas Que ela seja também uma uma referência para as nossas pesquisas e também um ponto de partida muito daquilo que virá ainda ao longo do seu trabalho agradeço obrigado Muito obrigado Pablo vamos anotando aqui algumas das questões eu acho que o Felipe já pode responder só lembrando pessoal esqueci de apresentar um outro colega nosso que se depois apareceram online o Genivaldo Monteiro que é filósofo da educação professor da Estadual da Paraíba ele teve um contratempo familiar e só poderá aparecer um pouco mais tarde então
deixando só o registro aqui do agradecimento a disposição dele então Felipe você puder responder E aí em seguida a gente abre também para ouvir as considerações da Nadine que também tá online conosco valeu Maravilha Obrigado Pablo uma leitura é Generosa e bastante aguda assim né É Vamos lá primeiro tá bem primeiro sobre o Brasil né que é interessante isso eu até falo um pouco dessa experiência de que às vezes a gente precisa ir para fora para entender e talvez aqui seja o ponto talvez mais importante aí entender que nós podemos fazer filosofia né fazer filosofia
dessa maneira é autoral isso trazendo Claro dentro sobretudo de na forma como talvez se constituiu Historicamente a filosofia acadêmica também no Brasil né Muito mais talvez como uma dimensão de um exegese né é e estamos aqui na USP né que tem um papel importante nessas recepções no modo também de Mas também de uma certa prática e um modo de fazer leitura e e pensar por exemplo teses e nessa nessa forma de recepção e pensar Filosofia também como um trabalho De reinterpretação digamos assim não é isso também é uma dimensão filosófica mas ao meu ver isso
comprometeu aquela dimensão de filosofia primeira pessoa mesmo no sentido forte né a dimensão autoral Então é por exemplo o livro ele pegar os capítulos assim não tem nenhum nome nenhum filósofo né Realmente eu tô enfrentando um problema filosófico a partir diálogo com Claro com a tradição né Acho que não precisa é cancelar jogar fora né Eu acho que ele tá em momento de Ódio demais a gente pode recuperar uma tradição mas também avançar e pensar de maneira autoral então essa coisa de falar a partir do Brasil eu diria que em primeiro o primeiro passo é
dizer o seguinte a gente a gente pode fazer filosofia enquanto enfrentar um problema e propor uma resposta né aonde menção filosófica que não é ao meu ver somente uma resposta de um filósofo específico né esse diálogo que eu faço com ele o Convite quem está não é exatamente né eu também vou enfrentar criticamente essa tradição Então mas eu concordo que há muito que ser feito talvez nesse deslocamento esse lugar de fala do Brasil né falar a partir do Brasil enquanto é enquanto vivência experiência brasileira né de nossas questões de nossos problemas eu acho que isso
precisa ser cada vez mais tava no debate por exemplo sobre o modernismo a gente Tá aqui né 100 anos da Semana de Arte Moderna E aí você tem uma dicção é crítica sobre essa construção da identidade nacional né a gente tá nesse momento agora de polarização afetiva que precisa ser enfrentado né é criticamente filosoficamente né a partir de um diálogo amplo com o que é que as contribuições empíricas no trabalho por exemplo né de entender essas dinâmicas circulação dos afetos nas redes sociais né de como A teoria pode ajudar a entender criticamente isso mas de
como também a empiria retro alimenta né E que são questões que ao meu ver urgentemente precisam só podem ser feito através de uma através de um intenso esforço transdisciplinar e eu acho que a gente é precisa fazer mais isso para compreender o que foi historicamente essa construção né de uma identidade brasileira a partir também de uma violência sistêmica né de Quem construiu isso de quais discurso estavam presente então uma forma de avançar talvez E aí respondendo até um problema que você fala do Capítulo 2 E aí é um pouco first Friends Force né Eu acho
que primeiro a gente precisa Superar Essa injustiça epistêmica isso eu concordo Ou seja que para a gente falar mais a partir do Brasil a gente precisa ampliar Esse reconhecimento epistêmico justamente desses discursos né eu falo Por exemplo ele é González né rapidamente mas são discurso que eu acho que daria para a gente ou seja que já estavam historicamente estavam ali já trazendo uma filosofia autoral né ou mudando trazendo um outro vocabulário que que Ao mesmo tempo divide né o território ou seja conterrâneo tem a terra divide atemporalidade é contemporâneo mas que ao mesmo tempo traz
uma outra um outro território e uma outra temporalidade que é um Davi com Penal por exemplo então que está aqui que historicamente estava trazendo uma visão de mundo mas que nunca houve relevância epistêmica né aquilo então eu ainda de maneira muito tímida diria assim aponto para essa importância de superar essa injustiça abstêmica talvez não desdobramento aí futuro poderia digamos aprofundar mais isso e esse seria e enfim uma uma um início de conversa né sobre esse problema mas me Parece que é um início já com muito potencial e isso fica bastante Claro no seu texto porque
Ao contrário de você fazer uma leitura excludente você mesmo disse você faz uma leitura que ela vai no limite né uma leitura de teoria crítica de fato que vai que vai até o limite em tenta compreender daquele limite o que que pode ser ser incorporado eu acho isso é um exercício Um exercício muito importante isso fundamental justamente nesse nesse caminho e duas então coisas rapidamente para a gente poder também avançar no debate um sobre a relação entre o conceito de autenticidade o discurso não liberal e conceito de identidade eu acho que tá tudo um pouco
ligado porque mostro ali assim essa é uma leitura que talvez um dos grandes teóricos do século 20 né o ar Berlim ele tá se colocando Contra um discurso que quer incorporar a liberdade ideais por exemplo como né própria autenticidade vem a partir desse ideal qualquer conteúdo Positivo né o Berlim vai chamar daí a defesa então de liberdade negativa como dizer olha liberdade é não tem quais são e daí essa ideia negativa né sem atrelar um conteúdo específico aí a resistência dele é um filósofo a rede eu também ele coloca tudo um Pouco nesse mesmo bojo
ao meu ver tem uma algo interessante quando a gente recupera hoje essa promessa neoliberal né de um discurso de né do Empreendedor de si mesmo discurso também de enfim que retoma um pouco essas esse conteúdo né enquanto promessa aqui na verdade não tem nenhuma correspondência material então aqui eu acho que é o cinismo do discurso se a gente recuperar e insistir no não mas Você tem todo tempo do mundo né ou essa ideia de uma realização ou até mesmo discurso de felicidade por exemplo como A negação total e muitas vezes cínica né do sofrimento como
se essa experiência fossem enfim algo excepcional e daí vem toda essa super exigência né de um discurso de felicidade como Seja sempre feliz e a felicidade está nesse conteúdo né Essa cobrança e esse excesso de que É uma apropriação que eu diria instrumental dos afetos para dizer na verdade o seguinte feliz é produzir mais né trabalhar mais então é um discurso que se apropria de maneira cínica né dessa dessas promessas como autenticidade e flexibilidade enfim o bodas que tinha explorado bem isso né No que apelona no Novo Espírito do Capitalismo Então acho que isso tem
é contra isso ou seja Poderia chamar isso de uma apropriação Instrumental cínica dos afetos E aí tentar entender como superar isso claro que eu acho que tá nesse diálogo justamente com esses novos vocabulários já estão dizendo o seguinte olha não dá para reduzir isso a por exemplo é um conceito de mercadoria o conceito do que é uma vida útil né como vai dizer o Ailton krenak Então eu acho que esse avanço tá aí precisa ser escutado e entender como como repensar esse vocabulários Insistentemente modernos digamos assim né E aí o último ponto sobre o essa
digamos assim legitimidade moral dos afetos e eu concordo plenamente o modo que eu trabalho aqui também é de dizer o seguinte afetos como isso que eu também pode chamar de Emoções dependem mas assim filho chamar afetos raiva o ódio ou indignação não trazem em si um legitimidade moral então você pode ter uma raiva um ódio por exemplo no Discurso ressentido né conservador que é aquele discurso de uma perda de Privilégio que é uma perda né de um lugar enfim de distinção social e quando você tá lutando por maior igualdade a perda de Privilégio gera esse
discurso ressentido né e a raiva eu tava discutindo sentimentos sobre o debate dos insetos né que ocupou também um debate do Twitter recente e tem toda uma dimensão também inclusive né de uma dessa perda daquela figura masculina e a Ideia né de também de posse né e de vir todas as questões que que tem esse efeito que tá nesse lugar também de um ressentimento de uma perda de um lugar de poder e de privilégios né E isso pode se manifestar de maneira muito violenta né como esse sentimento também de raiva ou de ódio por exemplo
contra as mulheres isso é algo que tem né e toda a estrutura se a gente pensar de feminicídio né Ela é muito ligado a algo que vem da Ambiguidade das relações afetivas então ou seja essa relação de que muitas vezes está ali em casa do parceiro né de que não aceita né a perda daquela mulher ou que continua querendo usar a estrutura do corpo como propriedade sua isso faz com que a gente analise essa relação isso claro feministas há muito tempo teoria de família já tem discutido isso não é nada novo de como é essa
discussão dos afetos ela é Ela é sobretudo onde Valente Então se a gente lembrar que o próprio conceito né de cordialidade do Sérgio Buarque ela já apontava como elas são afetiva ela é estruturalmente ambígua no modo de Constituição da sociedade brasileira né a coisa do jeitinho isso não tem nada de positivo também tem uma violência tem uma exclusão tenho o que vai ser para os meus amigos o político como extensão do privado né Eu voto pela minha família né a gente lembrar ali o impeachment era um discurso de extensão Do privado né seja isso para
mim é fragilidade do político enquanto uma estrutura afetiva que não fortalece a própria afetividade política né afetos públicos e eu acho que é isso que a gente precisa recuperar né para superar essa dimensão de tensão de como os afetos hoje circulam politicamente é baseado na polarização afetiva no discurso de ódio né E então eu acho que o grande desafio a gente como passar disso para afetos que são Construtivos para o jogo democrático né E aí para isso a gente precisa ter uma distinção também entre um privado ou seja público que não é apenas uma extensão
dessa lógica privada a gente precisa entender que a diferença né vamos lembrar achatar o Buff né não precisa assumir essa figura do inimigo né de algo assim aniquilado lembra o debate quando foi no Jornal Nacional né de assumir essa diferença como dentro do jogo democrático não no Nível chega a diferença como inimigo a ser destruído né Então essa importância de uma dependência normativa na análise dos afetos para mim é bem importante por isso que assumir essa ambivalência essa dialéticas conflito dos afetos eu acho algo bem importante para a gente entender o que a gente quer
também com a democracia então para também novamente começo de conversa né Maravilha Felipe Muito obrigado obrigado Pablo é o seguinte pessoal questão mais de organização do nosso encontro aqui eu também por um motivo de divisão do trabalho doméstico vou ter que me ausentar infelizmente a nossa colega Liz Nóbrega que é membro do nosso grupo de pesquisa também jornalismo direito de liberdade e mestre comunicação ela vai dar continuidade a nossa a mediação do nosso evento é logo antes da Nadine entrar também eu trouxe uma dúvida aqui de um nosso Internauta o João Vitor Doutorando em história
pela Unisinos fez a seguinte pergunta Obrigado pela sua fala Professor gostaria de encaminhar uma questão dentro dessa perspectiva dos afetos Como podemos compreender o bolsonarismo e aqueles afetos perversos que ele parece a regimentar na sociedade brasileira é impressão ou algo no tecido social que acaba por ser despertado por essa corrente política Então temos essa questão de João Vitor inclusive hoje é mas de qualquer forma a Gente vai agradece novamente aí o convite é daqui hoje à tarde eu tô indo para unboxing né em Campinas também lançar o livro e participar de uma mesa que é
justamente sobre as emoções políticas como chave de explicação do bolsonaroismo que vai ser na quarta e eu acho esse debate muito é importante urgente né porque Tudo bom isso traz uma uma chave de leitura ao meu ver quer dizer indispensável para compreender o estado de coisas que chegamos no Brasil né é interessante que eu vi um até um Twitter de um cientista político conhecido e tal dizendo assim eu tô me convencendo e descobri que não dá para explicar o bolsonarismo somente a partir da Ciência Política que a gente precisa de Antropologia que a gente precisa
né comunicação de psicologia e assim isso é claro que isso já fala de um lugar da Ciência Política como um como ela se tornou enquanto propriamente esfera de conhecimento né que essas teorias enfim e ações Racionais teorias fixação da normatividade né e evidente que por uma compressão de algo tão complexo Quanto isso realmente Precisa cada vez mais entender e aqui Claro não dá para eu avançar muito nessas enfim também a própria contribuição que o debate antropológico né tem tudo tem estudos assim Acho muito instigantes para compreensão disso mas somente dizendo um pouquinho a partir dessa
do modo que eu compreendo normativamente né pouco a partir da filosofia isso eu diria que a gente Fixou a gente entrou acho que num debate é político e aí entra o problema também da identidade né da identidade aqui não apenas como diferença ou seja isso que assume como lugar também de ou seja tem muitos discursos hoje que é o meu ver também querem muito rapidamente jogar fora a identidade sem entender que há um processo profundo de injustiça social que que tem um recorte Identitário que não pode ser simplesmente negligenciado então quando há uma luta por
exemplo do ponto de vista das ações afirmativas e aqui você tem um uso estratégico digamos assim da identidade com mais Piva que já chamava né quer dizer você trabalhar certas identidades é um sentido estratégico não quer dizer que se você vai precisar entender algo essencial ali mas que politicamente enquanto há um recorte Injusto né Você precisa ter um uso Estratégico das identidades ao meu ver o que a gente tem hoje não é isso né não é o sentido de entender as injustiça vamos ver esse recorte de identidades né de como as lutas por reconhecimento elas
se articulam também politicamente a partir de movimentos sociais né específicos enfim é que vão reivindicar estrategicamente a identidade como também uma um sentido de luta né mas o que a gente tem hoje é esse recorte A apropriação né pela outra direita por um discurso portanto que precisa ser nomeado assim né que fez a gente entrar num estado de coisas de Aniquilação né de uma identidade que é que se coloca como outro né a diferença hoje no Brasil né é algo que que precisa ser né destruído nesse segundo essa retórica então é o que a gente
tem visto na situação por exemplo de fake News tem um conceito Que eu gosto muito e o artigo recente dentro dessa ideia de epistemologia social né que me interessa muito como os afetos elas adquirem status de crenças né de eu acho que isso ajuda a explicar muito a lógica das redes desde esse conceito de câmeras de eco Ou seja você falha fala dentro de bolhas isso é incentivado dentro de uma lógica algoritmica né a circulação enfim o Genivaldo acho que vai entrar né também O pessoal que Tem trabalhado muito bem isso também no ato positivo
é essa circulação algorítmica ela faz com que os discursos sejam cada vez mais extremos né e não se comunica entre si não há possibilidade de diálogo a diferença não é para né a gente disputar né enfim uma pluralidade de Visões de mundo a diferença é algo para ser destruído tem um conceito aqui do pouco ligado as coisas do câmeras de ar que é o Bancas né bancas epistêmicos que aqui é o Bunker é aquela zona de proteção de segurança né em que você é não há possibilidade de retificação das suas crenças o que tá importando
aí não é a correspondência com a realidade não é um estatuto de verdade o que importa aí é você tá numa rede protegida falando para os seus né e que uma zona de conforto digamos assim em que suas crenças são continuamente ratificadas eu chamo isso de narcisismo epistêmico você Só tá importando né em ter aquilo que você pensa compartilhado né com os seus e sem qualquer possibilidade de edificação o exemplo que eu acho sensacional disso gente é o para usar a ideia de semântica do vocabulário a expressão Pintou um clima gente Pintou um clima só
existe um significado para Pintou um clima não existe outra forma de você interpretar e a estratégia logo em seguida foi você trazer assim inúmeras interpessoais pintou o clima Pode dizer muitas coisas e assim e pintou o clima de desconfiança Pintou um clima ruim a expressão Pintou um clima não indica Pintou um clima de desconfiança não existe esse uso essa pragmática da linguagem é assim que aí você vai fazer um malabarismo para acreditar né Pior que eu acho isso que nem sempre Nem sempre é sonso muitas vezes a pessoa realmente quer acreditar entendeu que e quer
encontrar uma justificativa né Dessa pragmática da linguagem né do uso para dizer que aquilo pode ser utilizado em outro contexto para significar outra coisa então eu acho que estamos nesse estado de coisas né que essa comunicação se torna impossível porque é tão extremo é tão impossível né a possibilidade do pluralismo que a retórica ela de circulação dos afetos ela é baseada enquanto um retórica destruição enquanto uma retórica que a que instrumentaliza um Discurso teocrático mesmo né ou seja um discurso de luta de bem contra o mal né essa diferença ela assume o lugar do mal
que precisa ser destruído isso então é A negação de uma circulação e afetos Democráticos no momento que a gente assume esse estatuto autoritário né ou seja de um algo que represente que não é nem mais o partido né o partido é esse lugar da diferença da pluralidade de disputas né Quanta gente estava olhando na disputa PT PSDB ali a gente teve o que era uma disputa dentro do jogo democrático né O que a gente tem hoje no Brasil não é isso né é uma disputa então de tratar a diferença como algo a ser aniquilado então
isso é o lado extremo de circulação dos afetos se me permita Um breve comentário porque essa questão do pintor como você falava existiu apenas um sentido para isso da mesma forma que no período da pandemia a Questão da vacina só existia um sentido que era colocado né E que a vacina iria efetivamente isso é concebido pela pela OMS né de que a vacina é que a forma de combate ao vírus né não existe uma outra dimensão que se fosse que seja que seja questionado em relação a isso então eu acho que esse ponto é fundamental
porque você me você traz de novo você traz a questão do negacionismo que não estaria só restrita aquele Período da pandemia do da covid né fazer um ano atrás ou ainda que continua mas traz também como que essa forma de pensar ela é acaba fazendo com que a gente tem te ver quase o mundo Um Mundo de Ilusões né a gente acaba querendo criar justificativas criar o mundo quase que paralelo para justificar muitas vezes posições políticas muito Claras para justificar Visões ideológicas enfim que acho que isso é muito precisa só essa reflexão perfeito é lá
né tudo bom Bom dia Bom dia pessoal vamos passar agora para aumentar um pouco esse diálogo né contribuição da nossa colega na de Nilópolis que jornalista Doutora e me lembra é do nosso grupo jdl Nadine com você a palavra toda sua Obrigada Liz bom em primeiro lugar eu queria agradecer pela oportunidade agradecer ao Vitor a você feliz aos Outros membros do nosso grupo do JBL e ao Pablo vou debatedor aqui que trouxe ótimas inspirações e principalmente ao Astro deste filme que é o Felipe né porque eu eu tive o contato com o seu livro para
a gente poder elaborar esse debate e eu fiquei extremamente Encantada sabe qual era a minha vontade Felipe eu queria a cada parágrafo que você escrevia levantar uma discussão no âmbito jornalístico né porque eu acho que é um tema assim que permeia diversos Debates na questão política na questão da construção da democracia e quando a gente fala de democracia a gente fala também de jornalismo a gente fala de como jornalismo ele tem um papel né irmão gêmeo aí nessa Gênese nessa construção do jornalismo Então eu queria fazer algumas observações mas assim que não chegam aos pés
do do tamanho que é a discussão do seu livro debate do seu livro Então eu fiquei muito muito curiosa para para ver desdobramentos dele assim acho que tem que ter construção dos afetos dois três e quatro e aí a gente tem uma uma coletânea que quem sabe consegue alterar um pouco de algum cenários que a gente tá vivendo aí no ponto de vista democrático né ou da falta de democracia um primeiro momento que eu queria trazer para você então que eu achei bem interessante já logo na sua apresentação Quando você fala sobre a questão do
sofrimento das pessoas né a descrição das experiências como que a gente pode fazer uma construção social de compartilhamento dessas experiências de injustiça e quando você fala de injustiça e e questiona né qual é o lugar das experiências dos sentimentos dos relatos no diagnóstico de injustiças não tem como a gente não dissociar de um papel né da construção cultural do que é Do que seria o papel do cidadão dentro de uma sociedade eu acho que esse é um ponto de vista que a gente também pode partir no seguinte sentido Será que na nossa sociedade brasileira por
exemplo e a gente pode comparar com outras Em alguns momentos também existe uma consciência de qual é o papel daquele cidadão de nós mesmos né Falando com nós mesmos para entender esse diagnóstico de injustiça para a gente conseguir trazer Essas discussões para luz né como Pablo falou dessa questão de trazer a luz né Será que a gente compartilha esse sentimento de Justiça de injustiça desculpa ou não compartilha por falta de conhecimento percepção do que seria esse lugar então é de certa forma o lugar social de cada cidadão né a gente não pode falar de todos
obviamente mas da maior parte do cidadão não é um local dissociado da realidade ou alienado não não sentido de Forma alguma pejorativa mas real concreto né então eu fico pensando se a construção dessas experiências ela não está distante da visualização desse cidadão e se isso pode ser um ponto para a gente debater também esse processo de construção e de consciência dos próprios afetos um segundo ponto que eu acho interessante trazer para esse debate que você também cita bastante no seu livro É sobre essa questão do lugar dos afetos né e das emoções no sentido das
práticas sociais é quando a gente fala por exemplo do conceito de afeto né do conceito eu gosto muito quando eu começo ler alguma coisa eu procuro o significado da palavra que você não utilizada não porque a gente não saiba qual é o significado daquela palavra mas para tentar se aproximar o máximo daquela observação que você como autor trouxe né Então quando a gente fala de afecto que é esse conceito né de que algo alguma mudança alguma modificação que tá acontecendo sei lá no corpo na mente no Espírito ela afeta a nossa vontade ou a nossa
energia para diminuir ou aumentar a própria vontade de agir né quando a gente pensa nisso será que esse lugar de alienação que eu falei agora pouco ele não afetado para uma Não digo nem para uma inércia porque não não acontece hoje se a gente Pensar por exemplo do ponto de vista de discussões políticas no país nós não estamos no processo de inércia só que a gente está em um processo que parte desses debatedores dentro do jogo né como como você falou antigamente a gente tinha uma coisa uma disputa ali PT e PSDB que era uma
disputa dentro do jogo democrático hoje a gente tem uma disputa que tá completamente fora do jogo democrático então será que esse lugar de alienação e de Pseudo inércia ou de andar com a corrente de alguns como se fosse a própria espiral do Silêncio dentro de um lado desses debates ele não está sendo afetado por essa falta de consciência social né de cultura e social dessas pessoas dentro da sociedade né obviamente Então esse seria um outro ponto uma outra questão é que eu fiquei pensando quando você fala sobre a questão do bloqueio afetivo né porque essa
alienação eu não sei estou usando Até a palavra correta né não sou da mesma área que você Felipe mas essa possível alienação ou esse próprio bloqueio afetivo do sujeito com relação ao que é público né a essa discussão do que é deve ser compartilhada Será que essas discussões também elas não são alimentadas por essas notícias falsas né Eu não gosto de falar notícia falsa nem fake News que eu lembro do professor chapal falando que se é falso se é fake não é Meu então não é notícia falsa é uma mentira de que forma Então essas
notícias falsas elas podem contribuir para esse tipo de bloqueio afetivo ou Pode parecer uma resposta até um pouco óbvia mas eu acho que desdobrando e vindo de você com esse acabou-se o que você traz eu gostaria muito de ouvir então esse Ajuste o papel o de exclusão na sociedade por exemplo ele acaba acontecendo porque a pessoa ela ela vai Cultivando um sentimento de injustiça contra algo que é irreal que é alimentado e construído de fato por pontos que não são reais não são verdadeiros E aí acontece esse bloqueio afetivo essa essa sensação de que a
pessoa não pertence ao debate democrático a esse processo de construção acho que seria um outro ponto aí não sei se ficou Claro mas para a gente poder discutir aumentar um pouquinho esse Debate e um outro tema que você trouxe também no seu livro que eu achei muito interessante porque eu me senti muito jornalisticamente representada é esse conceito de observador Imparcial então de que forma né porque eu acredito que o jornalista ele seja na aplicabilidade dentro da sociedade esse observador Imparcial então Teoricamente na verdade não só Teoricamente mas é o nosso papel é o que a
gente faz que assumir na prática né esse papel como você cita de vigilância então quando a gente pensa no jornalista como observador em parcial de que forma a gente pode trazer para cá algumas questões sobre a observação de como esse sentimentos balizam escolhas como você cita o Adam Smith problem né então se o sentimentos balizam as escolhas e ebalizam as ações dentro Dessa lógica e o papel do jornalista ele é um papel de observação a princípio neutra a gente tem aí a categoria alternativa que não é neutra mas que a gente deixa aqui no cantinho
por enquanto mas de que forma no âmbito de construção democrática de percepção econômica e política essa observação desse sentimento balizando essas escolhas e ações também não estão afetadas pela forma Olha que interessante usar o afetadas aqui né foi Até sem querer mas acho que casou não estão também afetadas com essa dissociação do cidadão como um membro dessa sociedade dessa espiral do Silêncio do tipo eu vou com a maioria e vou que todo mundo está dizendo e virou fla-flu né de que lado você está então o próprio uso simbólico né professora santa ela que gostaria desse
debate mas esse uso simbólico até das camisetas né ah é vermelha é verde amarelo de um lado e vermelha é outro Significa que você tá indo uma disputa que é fla-flu de Emoções muitas vezes exacerbadas e que contribuem talvez com essa dissociação do cidadão desse seu papel né de discussão E aí eu fico eu fico pensando quando você fala nisso tudo em como a gente está construindo então a identidade do país porque a identidade ela é construída por pequenas células que somos nós que em conjunto formamos aí uma malha cultural e identitária e que Se
tornam que nos tornamos o que nós somos de certa forma e aí só trazendo mais um efeito talvez dessa questão acho que se relaciona também a pergunta do Pablo sobre a questão da construção do autoritarismo e tudo mais é de que forma a gente pode resgatar os afetos de forma limpa vamos dizer assim vamos a não termo bem bem não filosófico né porque a área que me cabe aqui é outra mas de que forma a gente Pode reconstruir repassar por esses aspectos esses afetos de uma forma que eles possam ser resgatados e utilizados dentro da
sua totalidade das suas verdades se essas verdades ela elas emergissem não de uma questão desse fla-flu como a gente está vendo mas de questões honestas de seres que não estão alienados estão posicionados aí dentro dessa desse jogo de cidadania e não sei se tá dando para entender assim o que eu Estou trazendo porque eu estou também bem filosófica no sentido de que tá tudo muito em construção dentro da minha da minha cabeça depois dessa leitura e um Último Ponto acho que tem a ver muito com a lógica da razão né aí para a filosofia você
por exemplo me traria muitos aspectos que ficariam até mais claros para mim a razão ela pode ser vista como uma forma oposta ao afeto sim não ou deveriam caminhar de forma Conjunta ou a razão ela é afetada pelo afeto que é construído socialmente e nesse sentido dessa construção eu fico pensando quando você fala Felipe sobre a felicidade né que eu realmente acho eu acho a felicidade Às vezes a discussão da felicidade nesse âmbito filosófico aquelas vezes se parece muito com conceito bem moderno e bem internet de positividade tóxica né A que ponto essa felicidade essa
busca pela felicidade ela não está servindo a um Ideal que é um ideal capitalista o ideal do jogo né então de que forma então o jornalismo como sendo um afeto construtivo para esse jogo democrático ele não contribuiria para essa construção de uma felicidade ou não felicidade ou ausência dela mas palpável mais real mais concreta e eu gostei muito de alguns termos eu preciso trazê-los aqui porque eu achei sensacionais primeiro narcisismo epistêmico o narcisismo narcisismo Epistêmico que você citou aqui Felipe para mim é a própria lógica da pós-verdade que a gente vive no jornalismo Hoje após
verdade a minha negação do fato pelo que eu acredito então eu trago aqui uma caneta BIC tá escrito Bic Eu apresento para uma pessoa e falo essa caneta BIC ela diz não não é Então esse narcisismo epistêmico né a pessoa está tão presa na sua própria verdade no seu próprio fato criado sobre algo que ela é Ela nega o fato né ela Nega o fato de que isso é uma caneta BIC e gostei dos termos malabarismo retórico e e um termo que eu achei muito legal também muito interessante a questão do afeto democrático que me
parecem até de certa forma a gente pode discutir aí muito sobre isso também sinônimos porque não né sendo o afeto tem duas duas formas ali binárias né no primeiro momento de afetar positivamente ou negativamente de certa forma mas a democracia ela tem esses dois aspectos Da liberdade para ser afetada né para afetar uma sociedade nesses dois momentos né positivamente negativamente ou tudo que tem no meio entre o positivo e O negativo mas acho que foram termos muito bem colocados e que rendem aí outras discussões então assim eu não eu acho que eu trouxe muita coisa
eu sei mas se você puder debater algumas delas eu fiquei muito interessada pelo seu livro pelas suas discussões Fiquei muito feliz pela Leitura e quero cursar filosofia vamos começar tudo de novo e eu agradeço pela oportunidade mais uma vez obrigado pela contribuição Nadine eu acho que fez muito sentido que você disse mesmo que é para você posso ter ficado confuso Eu acho que um dos méritos do trabalho do professor Felipe é trazer na teoria muito da atualidade né Eu acho que o Brasil que a gente viveu é um laboratório de teorias Críticas da Fé então
a gente recebeu outras perguntas aqui mas acho que a gente vai ser muitos contribuições acho que você prefere responder agora e depois a gente traz outros caminhos faz outra rodada bem agradecer muito legal e você toca em Pontos super importantes né de fato uma melhor coisa quando a gente escreve é versus diálogos né e ver como as Recepção vai além também abre outros Campos e de Então tá aqui também dialogando com fim no âmbito da comunicação depois com sociologia hoje votar também né com o pessoal também antropologia e você vai abrindo né e eu acho
isso mais legal essas interlocuções eu diria que de maneira assim ela tem muitas coisas que se tocam eu vou tentar partindo e tentar ligar né um pouco essas diferentes facetas que você traz a partir de algo que você fala no final Que eu achei muito interessante sobre essa de algum modo que a gente poderia resumir na ideia de afetos Democráticos de que de que a democracia pode ser pensada como esse sentido é de ampliação de formas de sermos afetados sem abandonarmos isso é uma coisa que eu coloco também sem abandonarmos a possibilidade da crítica né
Porque no Momento em que a gente amplia de algum modo a gente vai estar enfrentando por exemplo de onde é que a gente vai estar podendo criticar por exemplo situações injustas né Você precisa ter um elemento comum da crítica que não precisa ser abandonado nessa ampliação né então trazer outras visões de mundo em algum momento a gente vai ter que confrontar com o fato por exemplo de dizer olha existe uma eficácia da vacina contra covid né No momento que você Abandona Essa pretensão também você volta a cair nesse risco de não ter qualquer critério e
enfim né E toda essa situação de pós-verdade em que a gente elimina essa possibilidade de dentro da pluralidade de comunicação a gente tem um espaço comum da crítica então eu concordo acho que os afetos Democráticos é um pouco essa talvez essa expressão Auto explicativa né do que significa Esse sentido de afetos políticos no modo que eu tô pensando então eu diria que muito do que você fala daí a gente entender essa relação entre afetos e democracia ou seja isso que você pergunta como é que a gente faz para construir né esses afetos Democráticos eu acho
que esse conceito de fato de formação dos afetos é algo muito importante no modo que eu que eu entendo essa construção eu não acho que isso tá dado né que a democracia é um desafio a Se construir né é a construção de afetos Democráticos que eu recupero também eu vejo com muito isso em rede que ele parte do conflito né a ideia inicial do sujeito é aquela autoreferencialidade do mundo né um sujeito que quer ser a totalidade então o processo da sociabilidade é Um Desafio né uma construção você né chegar na escola e lidar com
aquele colega que vai pensar diferente do que você pensa na sua família e quando você vai prospera Do trabalho você vai para esfera é a própria Esfera do consumo né também como como reggae eu vi a sociedade civil como essa ideia de trocas de preferências plurais é o trabalho como algo que você vai contribuir a partir de uma especificidade para a sociedade depois politicamente a partir de um esfera ainda mais complexa de diferença tudo isso é um processo de aprendizagem democrático né democracia ela é uma Constante de formação da vontade democrática isso não é algo
dado é algo que é um processo de construção então eu tenho começado por exemplo com o pessoal também da arquitetura que tem pensado a cidade tem pensado espaço público como lugar também de circulação de afetos que podem propiciar essa construção também de encontro com a diferença né sem a metáfora eu penso muito também do ponto de vista da transnacional né Por exemplo Uma das de um outro projeto também de pesquisa como você lida por exemplo com o patriotismo que foi uma afeto é político que foi consolidado no estado moderno né como em beneditados chama de
comunidade imaginada é imaginado né você é uma ficção Mas é uma ficção que performa cria um sentimento de laço e pertencimento o Adam Smith lidava com a simpatia por exemplo como também ambigu a ideia do Fellow feeling é alguém que você ah eu compartilhe com você certas identidades Então eu tenho uma tendência a maior proximidade e a reconhecer você como um felo mas o desafio é essa circulação de afeto democrático com diferente com alguém que não pertence né o meu país que não construiu essa ideia de nação como eu tenho que pertence a uma outra
linguagem que pertence a uma outra esfera de Cultura isso é o desafio da circulação dos afetos não é senão a Gente fica nessa bolha do narcisismo epistêmico né continuando a reconhecer e compartilhar somente com aquelas pessoas que já compartilham previamente de uma identidade comigo então essa O Grande Desafio né da Democracia nesse que é o lidar com de fato a diferença né então eu vejo isso dentro de um processo de manete de tanto a mídia que Claro tem um papel muito importante né Essa circulação dos Espaços o aprendizado dentro das próprias práticas sociais né então
enquanto eu tô lidando com esferas sociais mais diversificadas mais complexas né você ali ao invés de assumir isso como digamos a impossibilidade de convivência com a diferença você pode formar e manentemente afetos dentro dessas práticas né que façam com que é a diferença seja algo reconhecida né mais do que tolerada eu Acho que a tolerância é um conceito o gate falava tolerar o primeiro passo para violência né tolerar pode ser também aquela coisa você eu não você é diferente mas eu te tolero né Às vezes isso pode assumir uma um caráter dentro do liberalismo tolerância
tem um debate a tolerância religiosa né Isso foi importante ali né enfim dentro dessa construção né o próprio Loki tal mas eu acho que o reconhecimento Enquanto algo mais propositivo né de incluir dentro da esfera da circulação dos afetos aquilo que que é diferente e agora isso é de fato é eu acho que a gente precisa de uma construção e de um debate disciplinar para entender eu quero entender cada vez mais isso eu acho que se dá a partir desses diálogos com quem trabalhando na comunicação na mídia né na antropologia acho que esse é o
grande desafio de entender como a gente sair Dessa desse buraco Aí que a gente se enfiou né sim a questão também das por exemplo teoria a inspiração é um pouco isso né É você criar e eu achei interessante colocou nos termos da Injustiça né teve aquele fato de um grupo que invadiu né o subsolo de uma pizzaria por conta daquela teoria que tá né Daqui a esquerda tava aprisionando as crianças e usando enfim e aí ver você cria algo que é a princípio tem uma Legitimidade numa situação de injustiça né Por exemplo o discurso da
pedofilia para voltar ou coisa do clima era os pedófilos Illuminati que estavam que estavam aprisionando as crianças embaixo da Pizzaria o Illuminati conspiração é mais sofisticadas e mais né sofisticadas para usar o termo com a sua idonia da coisa né porque é impressionante né a digamos o Sentido de verdade que é atribuído a isso e que parte de fato de algum tipo de dignação que contra uma justificação digamos assim de fato se houvessem né uma rede pedófila aprisionando crianças é óbvio que você vai se indignar e que é uma legitimidade moral nessa indignação mas a
Teoria da Conspiração ela na verdade se apropria de um tipo de sentimento que pode ser legítimo né É como essa fixação também aqui é em torno de um problema legístico como A questão da pedofilia né mas que na verdade assume uma uma Total hipocrisia né E na verdade parece de enfim desejo meio esquisito aí né é de você ser a pessoa né que tá lutando contra isso e que você vai associar então um problema moral a um grupo específico como por exemplo né ou a conspiração da esquerda globalista e Jorge soros e o Marxismo cultural
e aí você cria na verdade é todo um discurso Para você legitimar um inimigo né a ser destruído e aí você se associa uma pauta moralista e tal então O que explica muito isso como é que você vai assumir uma crítica você superar e essa noção de qual é esse correspondente de verdade né e é perigoso abandonar isso né então a gente tem que justamente resgatar essa esse critério para entender como esses afetos assumem o sentido de crença né se ele acho que eu falo muito vocabulário né Porque Afetos para mim não é somente essa
dimensão né de sei lá de um sentimento e tal mas ele assume uma dimensão epistêmica de crenças de normas de práticas né do desse vocabulário que a gente tem disponível que não é só uma questão de né de filosofia da linguagem é um vocabulário enquanto uma semântica é uma gramática né que orienta as nossas práticas sociais e uma outra coisa é sobre a metodologia que você traz uma questão muito interessante Sobre a questão do Observador Imparcial é que é um algo que me interessa que eu acho que também tá sendo debate do livro que entra
no debate propriamente de o que nós fazemos enquanto teóricos e teóricas de onde é que a gente fala quando a gente faz teoria e o que John Wolf chamou de véu da ignorância o que Smith chama de espectador Imparcial e ao um conceito que eu gosto muito da Patrícia Rio Collins que é o do do outside do e fim Né É aquele espectador que também participa que pertence né ou seja análise né de trazer por exemplo uma server né não é só de um observador externo e que tem essa proteção de objetividade naquilo mas esse
é o lugar que eu acho bem importante de entender como as narrativas aquilo que vem à tona nos relatos né as experiências como aquilo pode contribuir para corrigir outros cegos na teoria então o teórico teórica ela tem que Assumir ao meu ver esse lugar também de sensibilidade né não é só que ele é observador externo mas entender como aquilo né como aquilo que tá vindo dessa experiências às vezes Os relatos de Sofrimento né De Humilhação de injustiça quando eu falo do Joaquim Nabuco né quando encontra esse relato que é claro que Joaquim Nabuco era alguém
que tava fora daquele Ele não compartilha a experiência em primeira pessoa Daquele escravizado que chega quando ele vai relatar né ele tem a oito anos um Engenho massangana ele que era tão de família privilegiada tava né na casa grande e aí chega a escravizado suplicando para ser comprado pela família dele porque ele não aguentava mais a experiência de Sofrimento que ele com os seus proprietários né E aí Nabuco diz que a partir dali ele compartilha daquela experiência não como essa experiência de Sofrimento né De fato há lugares de Privilégio que não tem eu sinto eu
sofro do mesmo jeito né que é vidente que se fala e se sente em outro lugar mas ao meu ver eu acho que isso aqui é o importante isso não veta a possibilidade de a gente compartilhar experiências enquanto injustiça eu compartilho compartilhar a experiência de injustiça porque se a gente nega isso a gente não tem mais esse essa possibilidade de fazer a Crítica de dizer olha ali é uma experiência de Justiça há uma diferença qualitativa no próprio sentido dos afetos enquanto quem experiencia né de fato e isso eu acho que tem toda razão quando quando
a gente fala que a gente não compartilha de Fato né dessas dessa mesma dessa mesma experiência de sofrimento mas a injustiça ao meu ver Justamente a possibilidade de transcender uma narrativa primeira pessoa e porque senão Vai chegar entendeu o supremacista branco que perde privilégio e vai dizer ah eu sempre uma experiência de Sofrimento porque eu perdi meu lugar de Privilégio isso não é uma experiência de Justiça e para a gente transcender Aquela experiência então de né de recentemente Ah eu estou sendo humilhado e tá aí dizer não é essa humilhação ela é injustiça ela é
legítima Enquanto essa não é para isso a gente precisa sempre De um entre a gente precisa de uma dimensão social intersubjetiva que não está dada nessa nesse né dimensão subjetiva de alguém por exemplo que que traz aquele relato né então para a gente poder dizer que é uma dimensão moral uma relevância moral dessa experiências algo que transcende né as próprias experiências Então esse é um ponto que importante do livro e que achei muito bom tudo isso e novamente um começo de tantas questões aí para a gente Continuar debatendo obrigado bom vou trazer mais questões agora
então Vitor teve que dar uma saidinha mas ele mandou algumas questões para acompanhar online né ele agradece mais uma vez a generosidade e que eu deixar algumas perguntas para acompanhar online Porque você acha que a crítica Liberal negligenciou a dimensão dos afetos apesar de reconhecer a sua importância as reações contrárias ao discurso de direitos humanos significa que sou Gramática foi incapaz de atender a dimensão afetiva do político e por fim como a teoria crítica dos afetos pode interpretar expressões como pós verdade e identitaríamos E aí a Gislene quer fazer a pergunta agora que a gente
pode fazer essa rodadinha Gisele Nogueira que também é membro do jdl obrigada Felipe primeiro agradecer sua presença aqui a discussão a sua discussão também Obrigada Alice e eu fiquei pensando sobre o que você falou logo no início sobre sermos de alguma forma resultados das mediações que nos permiam como se nós também de certa forma refletimos aquilo que está disponível para nós né então Lembrando que um pouco que o que o Pablo disse sobre o momento político e enfim a minha pergunta é assim qual o papel se é possível que o Jornalismo e também a universidade
Se é possível interferir nesse cenário que a gente vive e como já que vivemos um cenário de discurso de ódio de intransigência de ignorância enfim como a universidade também o jornalismo também um pouco que a Nadine perguntou né ainda esse papel Imparcial nosso lugar fala ou não temos que temos que assumir outro papel papel diferente para dialogar com as pessoas de forma mais assertiva talvez muito Obrigada bom grandes perguntas aí novas questões super instigantes e importantes né É em relação a Vitor eu eu chamo de promessa Liberal porque vejo que há uma razão de ser
no certo sentido ali né que é o seguinte Olha no momento que a gente lida com pluralidade de modos de vida não um modo de vida específico não pode ser a baliza por exemplo uma teoria de Justiça né O que é que canta Rose né Chamar essa prioridade do justo sobre o bem que a gente pode ter noções particulares de bem do que aquilo a vida boa né para mim o que é que eu entendo que seja meu projeto de vida e como eu me realizo né isso não pode ser alçado então é um critério
objetivo de Justiça ao meu ver a teoria do cancelamento ela tem um pouco essa atenção né e tem um pouco esse risco às vezes uma régua que seria uma régua moral passa a ser essa régua Da Justiça né E na verdade você tem as instituições de Justiça né dentro da democracias modernas que ao menos potencialmente deveria assumir isso a gente sabe que a falhas chamam de missões estruturais também né das pessoas que compõem né Por exemplo que vai desde o policial né até o delegado né o Ministério Público você vai ter falhas nesse processo quando
a gente lida por exemplo com a dimensão estrutural por exemplo de misoginia de Racismo né Isso são afetos que também atravessam essa gramática das instituições de Justiça Mas isso não quer dizer que a solução é retroceder né para uma é uma régua moral digamos assim as teorias liberais então elas tinham essa promessa né de dizer olha vamos tentar dar espaço na democracia para essa pluralidade mas ao meu ver elas falham a única inteligenciar que essa dimensão dos Afetos ela não é somente privada né como eu tinha dito ela não é somente intocável né do ponto
de vista da crítica é de que existem de que esse Horizonte dos modos de vida e da possibilidade das narrativas que eu posso construir da minha vida isso não depende somente do indivíduo né essa que é a promessa sim de recair sobre ele a dimensão de culpa todo o mecanismo de meritocracia né então se Seu fracasso a culpa é toda minha né responsabilidade é toda minha se eu sou um lusa né é isso é total responsabilização do indivíduo e não é sabe que não é verdade que existe então todo um conjunto né do que atravessa
desde né de onde eu nasci do meu horizonte de possibilidades de onde eu estudo né várias dimensões sociais que permitem com que o meu horizonte de realização da vida boa seja totalmente diferente de uma outra Pessoa em um lugar de Privilégio né então é ela falha nisso né ao querer depositar sobre o indivíduo essa dimensão dos afetos né quando na verdade dentro do privado Você tem uma dimensão que é socialmente imediata e também dentro do público Você tem uma dimensão que atravessada por emoções políticas então né o privado ele também é pertence a uma gramática
social e o público ele também é atravessado por uma dimensão afetiva Traz suas liberais né existem enfim não daria para chama isso dentro de algo que liga né Um Fio condutor ela tende a então entender essa essa distinção magista e nisso acho que há uma fragilidade normativa e também sociológica até de compreensão desses fenômenos né E nisso concordo com o Vitor que talvez a reação né o discurso de direitos humanos seja uma falha um culto circuito nesse nesse processo de compreensão de Que essas proteções que passa também por uma dimensão afetiva eu gosto muito do
Axl ronet né quer dizer não somente nessa relação um pouco de orientação e tal mas na verdade bem quis ir para lá porque já identificava de como ele traz essa dimensão afetiva para um dentro de um debate de Justiça né um modo hoje diferente do que eu trabalho mas o fato de entender que essas dimensões também ali de reconhecimento Elas são também um problema de justiça até mesmo dentro de uma esfera né familiar então alguém venha alguém que falava de amor e amizade né rega eu entendia isso como espera de liberdade né porque o amor
e amizade você tem uma relação com outro que ainda subjetiva Então essa liberdade que não é só propriedade mas que tá nesse Entre Nessa relação né e rolete vai recuperar isso para falar olha isso também é um problema de justiça e é algo que poucos Teóricos tratava hoje você tem um debate Na sociologia Eva e luz que Tem trabalhado muito a questão dos afetos também e que eu acho também muito gigante talvez seria um caso de entender nos direitos humanos esse tipo de interlocução então enfim fica aí a dica para quem quiser também avançar nesse
talvez nesse debate que eu acho que daria muito para trabalhar isso e Também a questão da pós-verdade um pouco que eu já tinha já tava falando disso né talvez Vitor recupera antes disso mas acho que eu já falei um pouquinho sobre isso e questão da identidade da voz de verdade né e em relação Gislaine né obrigado pela também essa tua contribuição tão importante né que eu é interessante que uma das formas que eu tento também superar né que eu acho Que ficou muito dentro da base sociológico essa tensão entre estrutura e agência do modo que
somos afetados isso depende isso tem uma dimensão na verdade reflexiva por isso que o que alguns oscluem muito a dimensão do como os sujeitos podem contribuir para essas correções porque somos totalmente determinados digamos assim dominados por essa estrutura né Ou é corre o risco como eu ver e tratar novamente os que eu chamo de afetos como propriedades é você Dizer bem cada um tem um tem suas experiências é narrativas e isso novamente é intocável e não dá para criticar e eu acho que isso é sucumbia é uma lógica inclusive neoliberal de tratar essa questão dos
afetos né E aí você traz a questão da imparcialidade né ou seja talvez como um mecanismo de resposta há uma pretensa objetividade Que que às vezes não dá para ser tratado dessa maneira né Eu acho que o estado de coisas que a gente tá hoje vendo e eu tendo tava pensando também já sobre isso né é o que quer dizer reagir a isso de maneira Imparcial né Às vezes isso é um pouco risco de igualar um pouco tudo né Eu acho que quando você iguala os dois cursos né o de Lula e bolsonaro como se
fosse de maneira Imparcial você tá na verdade sucumbindo há uma parcialidade Falsa né que é essa parcialidade de dizer que os dois são iguais né que os dois estão dentro do mesmo jogo democrático né E que e do ponto de bem eu não trabalho especificamente do ponto de vista também da mídia tradicional e de como mas eu eu sou um pouco cético às vezes com essa imparcialidade com em momentos em que às vezes você precisa assumir posturas Pró-democracia né quando no momento que está em jogo um discurso que antes democrático um discurso que é democrático
você tem que ser parcial nisso não dá para dizer que os dois discurso antidemocrático o e Liberal para usar um termo também né que eu acho tipo suí Liberal né E esse discurso dentro de um liberalismo democrático digamos assim eles se colocam como posições Você precisa assumir um lado né então às vezes ficar nessa se a gente vê Muito nos Estados Unidos posições mais claras também quando você precisa defender né Isso é até nas eleições norte-americanas teve aquele momento em que o Donald trump estava fazendo uma uma fala e ele foi interrompido e diversas diversas
olha não aqui ele está mentindo está mentindo ele deixando muito bem isso isso demarcado e alguns momentos aqui no Brasil a gente sente que parece que há uma dificuldade né de demarcar isso e de Colocar esse limite entre olha aqui não aqui já ultrapassa aqui já é uma uma tentativa de autoritarismo que é uma tentativa de de sabotar a democracia e assim essa coisa de checagem por exemplo de fatos né Eu acho que isso vai ter que se aperfeiçoado cada vez mais assim porque você chega quando o bolsonaro diz que antes é do Brasil ter
comprado vacina que no final o início da pandemia de 2000 já tô tão perdido no tempo não mas foi Dezembro 2020 Não então mas no Brasil comprou 2020 início 2020 quando ele diz que em 2019 né não sim mas isso 2021 começou a vacinar então faz um ano a gente começou a vacinar em janeiro em 2021 E aí não tinha quando ele diz que em 2020 não tinha vacina isso é falso em dezembro de 2020 você pode pegar a lista de países Que já tava vacinando a França Alemanha Então esse tipo de checagem entendeu assim
de você confrontar essas informações elas são importantes porque senão vou chegar ali todo mundo fala o que quer e fica por isso mesmo a gente sabe o impacto disso né então ou seja isso é assumir uma parcialidade né comprometimento o fato né com o jogo democrático com a separação de respeito dos poderes isso tudo né tá dentro de um ou seja sem Parcial diante disso extremamente perigoso né só pegando esse gancho final ainda fala da checagem é uma das limitações enfim das agências de checagem é justamente ultrapassar a bolha digamos assim né você conseguir falar
com o diferente com o outro que não está aberto para receber aquele tipo de informação Então já tá muito enraizado na sua própria crença né que nesse cenário que a gente chama depois De verdade alguns outros atores vão chamar de epistemologia tribal oupistemologia né que a sua própria epistemologia então enfim tem alguns conceitos interessantes nesse sentido e aí eu acho que a inquietação assim de quem é jornalista né como meu caso também como a gente é ultrapassa esse sentido em que o fato em si já não é respeitado a gente já tá num estágio em
que a informação verdadeira checagem em si não alcança os afetos dos outros e aí A gente chega nesse cenário que a gente não conversação foi sobre checagem de fatos e quando a gente vai ver por exemplo perfis de algumas agências tem muitos ataques lá dizendo que elas estão emitindo fake News que elas são mentirosas justamente por mostrar que aquilo que o seu candidato é determinado falou não é não corresponde com a verdade então achacagem e o jornalismo em si não tem esse poder de ultrapassar As bolhas e afetar outros afetos então como é que a
gente enfim é uma pergunta muito existencial né mas como a gente consegue pensar talvez acho que também quer estar sendo que Gislene trouxe desse papel em que a gente enfim devendo um cenário que realmente os fatos para determinação da população Não não são mais tão importantes assim é interessante porque tinha uma coisa que uma questão importante que a Nadine tinha colocado Que tem a ver com isso né que eu acho que a ideia dos afetos Democráticos elas são recíprocas Ou seja é ao meu ver o sentido dos afetos eles contribuem para uma é para uma
circulação democrática e vice-versa ou seja nessa cor Quando eu falo você bate sobre narcisão epistêmico proponho que é o próprio fortalecimento democrático eles ela em si também favorece a saída do Narcisismo epistêmico e é um caminho ao meu ver de Mão Dupla Ou seja eu acho que o estado de coisas que a gente tá hoje é também um sintoma de fragilização democrática Então é assim como fake News pós de verdade então fragiliza a democracia eu acho que também não é só causa isso é também sintoma de uma fragilização né de um momento em que a
uma espécie de recrudescimento um Fechamento uma negação dessa diferença né Há um crescente movimentos de xenofobia né ou seja de novamente você associar certos problemas a identidade específicas então eu ao meu ver se você retro alimenta É tem que ser um caminho sempre de pensar tanto do fortalecimento democrático né como também as informações a mídia tudo pode ajudar nesse fortalecer então é uma coisa ao meu ver ela ou seja os afetos essa circulação Pode ajudar a democracia assim como os próprios práticas democráticas podem ajudar corrigir né esse cenário enfim de muitos fala até o fascismo
como se fortalecimento desse nós e eles esse discurso meio tr também nesse sentido né de exclusão de diferença então eu diria que a gente precisa fortalecer tem que é uma digamos enfrentar né o problema sempre em conjunto na sua complexidade né porque senão é isso que você diz mesmo Quando você escancara A Verdade Aquilo não tem mais efeito né que você tá tão preso a essa bolha né fechar de falar com os seus onde não há possibilidade de retificação e não há interesse nisso né O que há uma lógica de nós que traz a verdade
que né daqueles iluminados E que qualquer forma de retificação vai ser visto como algo que não tem nenhum efeito né Bom dia meu nome é Danilo eu cheguei Esse ano aqui na USP né eu faço Jornalismo e Solar de Pernambuco assim como Felipe eu gostaria de fazer uma pergunta relacionado de que embora eu acredito que o tema seja um pouco complexo né Eu cheguei agora então talvez eu não saiba tanto a temática mas eu gostaria de perguntar de como esses afetos hoje acredito que após a pandemia eu tinha sido ido cada vez mais né Eu
sinto que na pandemia meio que teve um processo de Dessensibilização parece que a gente foi perdendo um pouco os sentidos eu mesmo senti isso comigo mesmo parece que a gente fica cada vez mais imenso nesse processo tecnológico que parece que dentro da tecnologia não há afeto embora existam mecanismos que tentam se estabelecer se afeta um pouco superficial né Então as conexões o like é uma espécie de pseudo afeto eu acho não sei então eu gostaria de saber de que forma é o senhor acredita que o Jornalismo Talvez ele existe algum limite para com isso né
se essas afetos eles são realmente uma estratégia que pode ser usado né como uma estratégia de aproximação ou não porque parece que os discurso de ódio são o que de fato unem as pessoas hoje né Parece que esses antagonismos de falas e posições esses discursos Ultra conservadores né que tentam quebrar um pouco alguns valores muito consolidados na sociedade parece que é isso que hoje tem unido as pessoas Eu não sei se talvez são esses afetos que tem unido ou talvez são essas polarizações que tem o nível de alguma forma embora seja meio paradoxal né porque
são polarizações que se unem Então eu não sei a ideia seria perguntar um pouco como esse Pânico moral nessa ideia de de caos que está sendo estabelecida da nossa sociedade que acha que faz parte também de uma espécie de afeto né como o jornalismo não tem contribuído também para estabelecer esse Pânico moral e se jornalismo precisa ser como ela falou né ela também quebrar um pouco essa imparcialidade que a gente tanto acaba divulgando um pouco trazer essa um pouco isenção né para que a gente possa realmente não estabelecer mais o pânico moral e promover uma
espécie de colapso não sei se eu ajudou Excelente excelente questão eu diria Até que enfim que espero que Imagino que vocês depois não tem bem mais propriedade de falar a partir desse Diálogo mas é justamente isso de ver a acho que isso é o mais bacana disso né as possibilidades de interlocuções a partir de cada área e eu vou ficar atento e curioso para ver o que é que vocês vão propor também a partir desse diálogo com essa questão né mas eu diria que realmente Concorde muito interessante o que você fala é justamente a partir
desse modo de pensar os afetos como ambivalentes e às vezes eles se tocam a Partir dos seus extremos né e as pessoas se reconhecem em afetos que a gente pode chamar talvez de excludentes né afetos a partir de uma violência né que é que faz com que a suma toda essa bivalência enquanto enquanto algo que Compartilhamos essa ambiguidade do fellow né daquele que né a coisa quase que de uma de uma de uma brodagem que eu acho que tem algo muito masculina também na forma do até esse Discurso tem um debate né sobre as questão
da do discurso da família e tal não é essa família onde as pessoas entendeu núcleo que vai se respeitar e vai ser mas na verdade é baseado numa ideia de né de virilidade misógina e de resgatar certos né e da arma da violência enfim eu acho que tem um ponto de encontro afetivo digamos assim no bolsonarismo né que que justamente é baseado em alguma festa que também é muito potente que é Isso do ressentimento né essa perda talvez de um lugar de voltar aquele lugar né é enfim de poder né e viril e como isso
mesmo quando isso chega né Por exemplo nas mulheres né chega em grupos que não que não que na verdade não estão sendo não tô no centro não são dentro dessa valorização é conhecimento mas chega lá a partir desse discurso né Muito mais de de poder e de uma e que e que atravessa até mesmo autoestima que que por isso Não pode ser uma baliza do reconhecimento muitas vezes tem discursos que vão estar estimulando os sentimentos de autoestima e tal mas que na verdade são produtos de um ódio né ou seja uma autoestima que é criado
a partir de um ódio com a diferença mas isso tem um efeito psíquico né que é desde quando falava da personalidade autoritária dos estudos que que algo que não enfrenta diretamente né mas se todo momento é opção aqui por exemplo com a Psicanálise né que eu trabalho de maneira mais indireta mas por exemplo admissa fato trabalha de maneira mais direta né que é fácil locutor colega que a gente tem debatido muito e no circuito dos afetos que é um livro dele né eu penso como uma maneira complementar mas ele trabalha muito a parte Inicial mais
mais psicanalítico mais psíquico propriamente né Então é isso eu acho que talvez entendendo essa complexidade A gente pode entender talvez como o jornalismo pode e acho que precisa para responder isso tem que levar sério essa complexidade E aí como o jornalista pode de fato lidar com essa complexidade é o que eu vou querer ouvir de vocês no futuro então mas muito obrigado por essa questão então instigante Obrigada acho que realmente é uma questão super Ampla né que a gente vai olhando a partir de diversos cenários Assim Acho muito foi muito rico trazer essa exposição a
parte da Visão filosófica a gente trabalha muito a questão tecnológica e também do jornalismo Acho que tudo isso se complementa muito assim não não só sobre tecnologia Acabei de ofertar uma disciplina inclusive que foi híbrida e foi muito legal porque tinha gente do Brasil todo é de fora sobre filosofia tecnologia e eu tô muito interessado agora entender assim de maneira diálogo Né os impactos desses afetos aí no meta verso né enfim em momentos também enfim dessas circulações algorítmicas e eu acho que aqui a gente tem um campo muito importante que também não dá para abdicar
não sei eu acho que o impacto de entender essa circulação dos afetos hoje vamos ver de maneira estrutural né passa por essa transformação Então acho que entender isso é algo que também faz parte de uma pesquisa aí que pouco Inicial mas é um Desdobramento que eu penso também para isso Acho super importante também e a gente vai ficar acompanhando as desdobramentos aí da pesquisa até porque enfim a gente acredita que não pode ter uma visão tecnocêntrica assim do problema mas que arquitetura de tudo que a gente tá vivendo aprofunda muitos problemas sociais e principalmente a
polarização a partir de outras questões então enfim acredito que é isso né Queria agradecer Muito a presença Professor queria que você também fizesse alguma palavra final e falasse onde a gente pode encontrar o livro né quem tá online que não vai poder adquirir aqui presencialmente mas onde pode encontrar ele também para se aprofundar nessas temáticas Então queria agradecer o convite novamente né meu colega Vitor e todos todas que acompanharam esse debate de ação foi na verdade quando a gente escreve tem Uma oportunidade como essa realmente é um privilégio um baita privilé Privilégio para mim como
autor né tá tendo o feedback uma recepção tão tão instigante que me faz pensar em várias coisas como desdobramento do livro né então ele acabou de ser lançado essa semana na verdade eu peguei esses dias o o exemplar já em viagem e é sobre que chegou lá no Recife mas já Tava viajando e pode encontrar no site da autêntica e fazendo propaganda para Jeff besos a Natália disponível também na Amazon e é engraçado que o pessoal da autêntica você vê como os algoritmos estão dominando tudo né já já diz assim não mas incentiva é bom
o pessoal comprar na Amazon E aí vai circulando e os algoritmos e só é uma coisa impressionante né porque enfim vai circular Mais e aí aí para quem entrar Na Amazon começa a aparecer Logo no início né então você vê toda essa lógica da relação algoritmo consumo né que a gente tá meio preso é isso mas é isso vai ser um privilégio também ouvir outras outros feedbacks continuar eu acho que isso a gente escreve um livro é para isso né para continuar conversando e esse é a nossa pequena tentativa de contribuição também para o debate
público obrigada obrigada Professor Obrigada Todo mundo que acompanham até agora o nosso debate agradecer em especial coordenador do jdl né o professor Victor Brota e também nós um convidado nossos expositores né o Felipe Campelo para estudar o fpb UFPE desculpa e ao todo crítica dos afetos os dias vocês podem conferir um pouco mais esse debate agradecer também Pablo amada a Nadine Lopes e Genivaldo Monteiro e também todo mundo que acompanhou o pessoal da técnica o pessoal que tá aqui Presencialmente e também online muito obrigada Obrigado a todos obrigada Felipe Obrigado madrinha obrigado obrigado privilégio tá
aqui eu puder acompanhar a discussão e também a leitura