Um dia de compras, Cuidados com a piscina, a rotina de um brasileiro que construiu uma vida no Paraguai. Mas essa tranquilidade toda é apenas fachada. José Carlos Vieira é na verdade uma identidade criada por Marcos Campinha Panissa para tentar escapar da cadeia.
15 minutos disso. Em agosto de 1989, Marcos Panissa foi acusado de matar a ex-mulher Fernanda Estrusani em Londrina, interior do Paraná. Crime gerou forte comoção.
Marcos confessou que depois de esfaquear Fernando, tomou o banho, vestiu uma camiseta da ex-mulher e saiu pela portaria. Eles estavam separados, a moça tava seguindo com a sua vida, ele não aceitou, foi se dirigiu até o apartamento e cometeu esse crime. Não assistia lei de feminicídio quando aconteceu a prática desse crime.
Um crime gravíssimo, motivo torpe, surpresa, meio cruel, 72 facadas, eh, abordando a vítima quando a vítima cochilava, dormia na sua casa. Panista chegou a ficar dois meses foragido antes de se entregar. Já tem mais de 6 horas o julgamento em Londrina, no Paraná, do empresário que matou a ex-mulher com mais de 70 facadas.
O juiz anuncia mesmo condenado nos dois primeiros julgamentos, ele seguiu respondendo em liberdade. Vamos no banheiro. Alguém tem preso.
Odeio a mim mesmo pensar que um dia eu amei ele como um filho e recebeu uma traição tão grande dessa que espedaçou tudo meu coração, que eu tô catando pedacinho por pedacinho. Marcos Panista desapareceu em 1995, pouco antes da data de um terceiro julgamento. A partir de agora, ele é considerado um foragido.
Esse julgamento só aconteceu em 2008, quando a lei já permitia que o acusado de homicídio fosse julgado sem estar presente. A justiça determinou que a pena dele pelo assassinato de Fernanda seria de 19 anos e 6 meses. Se você tem alguma informação que possa levar a Marcos Campinha Panissa, ligue para a linha direta.
O nome de Marcos Panissa foi parar na difusão vermelha da Interpol, a lista dos criminosos mais procurados do mundo. As autoridades brasileiras chegaram a pensar que ele teria fugido para Europa ou Canadá, mas a investigação mostrou que ele estava bem mais perto do outro lado da fronteira aqui no Paraguai. Nós recebemos uma informação da Polícia Militar de São Paulo, da Polícia Militar do Paraná e do Ministério Público do Paraná, dando conta de que poderia existir um foragido da justiça brasileira eh residindo aqui no Paraguai.
Vídeos obtidos com exclusividade pelo Fantástico mostram a vida de Paniza no Paraguai. Ele faz compras, é gravado no estacionamento de um mercado, vai a uma loja de material de construção, roda de carro pela cidade. Essa foi a última semana que ele circulou livremente.
A SENAD, grupo especial do Serviço de Inteligência do Paraguai, montou uma operação para encontrá-lo. A primeira ideia fazer a prisão em Concepción. Nossa equipe então seguiu para lá.
Agora são mais 6 horas de estrada até chegar nessa cidade do interior, onde ele estaria escondido. A informação que ele tem um comércio, tem algum negócio lá. Segundo a Senade, Panisa era dono de quatro imóveis e de uma distribuidora de bebidas e frango em Concepción.
São mais de 400 km de viagem. O asfalto acabou agora. Um bom trecho de terra.
Não passa quase ninguém nesse horário. Ali na frente o carro dos agentes, dos rev de inteligência aqui do Paraguai. Só chegamos à cidade de madrugada.
Os investigadores acreditam que ele esteja há pelo menos 25 anos no Paraguai. Isso porque em 2001 ele teria formado uma nova família aqui em Concepción. São oito agentes do serviço de inteligência tentando localizar o foragido.
Eles começaram às 7 da manhã, já são 2 da tarde, até agora nada. A gente passou o dia aqui em Concepción e descobriu que ele foi pra Assunção, pra capital. Então a gente vai voltar para lá.
Novo dia, novas buscas. Estamos agora em São Lourenzo, uma cidade na grande assunção. Acabaram de passar o endereço onde ele tá aqui em casa da filha.
A gente tá indo para lá. Essa casa vinha sendo monitorada. Segundo a SENADE, Panisa morava aqui havia 5 anos e ia pra Concepción para cuidar dos negócios.
Durante a manhã, surgiu informação de que ele tinha saído mais uma vez para fazer compras. O fugitivo nem desconfiava, mas o local estava cercado de agentes. É ele lá, não é?
Fica com ele aqui atrás, ó. Fica aqui, fica aqui. Abaixa, abaixa, abaixa.
Foi, seu Marcos, o senhor achou que nunca seria pego? Por que que o senhor matou a Fernanda? O senhor sabe que você vai cumprir a pena do zero agora, né?
O senhor achou que nunca seria encontrado, seu Marcos? 37 anos depois do crime, Marcos é preso e localizado aqui no Paraguai. Os agentes da SENAD pediram para não ter identidade revelada porque combatem cartéis de tráfico de drogas que atuam no Paraguai.
Paniza primeiro foi levado para a sede da agência. Lá ele falou rapidamente com a família que vive no Paraguai. Nós tentamos mais uma vez ouvi-lo.
Ele fugiu para refazer a sua vida no Paraguai. Precisamos investigar como ele fez para conseguir todos esses bens que estão no seu nome aqui. No mesmo dia, Marcos Paniza é levado para a cidade de Leste, onde vai cruzar a fronteira com o Brasil.
O produtor Renato Ferezin contou que conseguiu apurar com os paraguaios. Eles entendem que ele entrou de forma ilegal no país e tá com uma identidade falsa aqui. Ele não existe pro Paraguai.
Então eles vão expulsar aula do país. Ele não falou nada com a gente agora com os policiais ele já abriu um pouco o jogo, né? Parece que a família dele sabia.
É, para os policiais, ele disse que a família, nova família dele aqui, sabia do crime do Brasil. Chegamos à fronteira entre Cidade de Leste e Foz do Iguaçu à noite. Primeiro, Panis é elevado ao posto do lado paraguaio.
Depois o carro cruza a ponte da amizade e Marcos Paniza é finalmente entregue às autoridades brasileiras. O homem que matou a mulher e fugiu por mais de três décadas vai finalmente começar a cumprir a pena que iria prescrever daqui a do anos se ele não tivesse sido encontrado. Ele já tá cumprindo pena.
Esses dias que ele está preso já estão contando nesses 19 anos. Depois da prisão, o advogado de Marcos Paniza disse que pretende entrar com um recurso para diminuir a pena para 9 anos, como tinha sido decidido no segundo julgamento em 1992. A defesa nunca falou em que ele é inocente.
Isso não existe. Realmente, ele confessou o crime, ele perdeu a cabeça, ele fez um crime pavoroso, horroroso, que chocou a família, chocou a sociedade, mas nem por isso nós podemos sair da legalidade do desse assunto. Nós vamos fazer uma revisão criminal para que aquela decisão do crime personal seja reconhecido em favor dele.
A filha que Marcos teve com Fernanda e Struzane hoje com 41 anos, preferiu não se manifestar. Os pais da vítima já morreram. Em 1991, quando acabou o primeiro julgamento, uma tia falou sobre o sentimento da família.
Nós estamos confiantes, ele vai preso, ele vai ser condenado. É um caso emblemático e demonstra que o passar do tempo não fez com que esse crime caísse no esquecimento. Hoje a Polícia Federal está em 37 países, né?
Estamos em todos os continentes do mundo. uma sinalização de que a fuga dos limites geográficos do Brasil não é segurança, não, não, não é uma garantia de impunidade para qualquer pessoa. aqui poderção.