Olá pessoal tudo bem sejam todos bem-vindos todas bem-vindas na resenha de hoje vamos falar sobre censura na literatura sobre livros que foram censurados no Brasil em outros lugares do mundo queimas de livro ao longo da história fiquem [Música] ligados Bom vamos lá e eu sou o Thiago Oliveira sou editor de linguagens estou aqui hoje para falar com a Tati Leite sobre o tema de a literatura bem-vinda Tati muito obrigada bom deixa eu fazer minha audiodescrição eu sou uma mulher branca eu tô tem um cabelo preto bem escuro isso é muito recente Então eu quase falei
que eu era loira então fiquei um pouco confusa é tô vestindo uso óculos de uma armação bem fininha dourada e também tô usando um vestido creme bom eu vou fazer também a minha udi descrição Eu sou um homem Pardo tenho cabelo e barba bem e uso brincos Ah estou com uma camisa também creme não combinamos e é isso e eu trouxe a Tati aqui hoje né que ela é jornalista roteirista para falar sobre esse assunto que é bastante importante né da gente e falar sobre e visto até os casos recentes que a gente teve aqui
no no no Brasil e também em outros lugares que não param que não param mas antes da gente começar eu queria que você falasse um pouquinho de você como você criou o seu canal qual foi sua trajetória até Até chegar na no que você tem feito hoje legal bom eu sou jornalista roteirista Também dou aula de literatura e esse tema muito me interessa sobretudo porque eu tenho me especializado ao longo do tempo em Patrícia Galvão ap Pagu que foi muito censurada que foi muito eh deixada de lado na sociedade e teve também as consequências dessa
censura Mas voltando um pouco no tempo né Eh eu escrevo coisas sobre literatura desde que eu me entendo por gente mas eu comecei na MTV eu comecei trabalhando na MTV e lá na minha época entregando um pouco a idade tinha um comercial que colocava lá desliga a TV e valer um livro valer um livro sim e ficava fora do ar a programação da MTV durante né horas eram acho que 12 horas que ficava fora do ar inclusive depois eu descobri que essa propaganda essa propaganda não esse corte na na na grade foi feita pelo Cortela
e pel o andr manov que era o diretor da casa na época então assim uma loucura né tava todo mundo conectado já antes e eu entrei lá com 15 anos que eu era aprendiz de produção e aí eu ficava vendo aquela aquele corte ali na grade e falava beleza mas que livro que as pessoas podem ler e se a gente fizesse alguma coisa a respeito e aí eu tive essa ideia de criar na época um blog que era a coisa mais fora da caixinha que existia era o começo da internet da grande rede mundial de
comput adores aqui no Brasil e aí criou-se dentro do portal TV o valer um livro Então esse nome eh foi seguindo comigo e hoje ele não é mais um blog ele é um canal de literatura durante muito tempo né eu fui até entrei em outros canais do YouTube e tudo deix deixei meio que o meu projeto de lado mas em 2017 se eu não tô enganada eu trouxe o valer um livro em forma de canal falando sobre Literatura e a e enfim trazendo os mais distintos conteúdos e formatos e propostas mas sempre conectado com a
Literatura e com essa ideia de indicação de livros mesmo né e sobretudo uma ideia também de falar de uma literatura clássica de uma maneira mais tranquila de uma maneira mais leve para mostrar que tudo é literatura E além disso também eu tenho os meus outros projetos que eu acabo colocando como valer um livro eh mas tem a ver com tat né tem a ver com com o meu nome a minha carreira enquanto jornalista E além disso também faço curadoria e faço eh a mediação de um clube de leitura online eh da biblion que é a
biblioteca pública do Estado de São Paulo né então enfim e mais coisas né Eu sou o pai do Cris Tenho 47 empregos e mas tudo sempre conectado com a Literatura e trazendo a literatura mais para perto maravilhoso eh sua formação em letras jornalismo jornalismo mas aí eu fui me especializando porque depois da MTV eu acabei entrando no mercado editorial Então eu fui me especializando em pós tanto de editoração quanto também em cursos de literatura ah perfeito craque em todos os assuntos foi isso mas pretendo logo logo uma segunda gradação aí mas eu sei que também
é muita coisa a gente tem que ir fazer tá pouco tô com pouca coisa entendeu certo é isso aí vamos pras cabeça e Mas voltando assim pro assunto livros nesse ano né a gente teve dois casos que foram muito emblemáticos né que foi o avesso da L do Jeferson Tenório e o outono da Carne estranha né do Airton Souza eh um foi eh censurado por uma escola outro foi numa feira literária né e eu queria ver com você entender com você também né até pelos seus estudos e suas pesquisas eh jornalísticas se você considera que
esses eventos estão relacionados de alguma forma né tanto a escola se movimentar nesse sentido quanto uma feira literária fazer esse movimento e por que que a gente tá vendo esse movimento de censura em pleno século XX ainda né sim é interessante porque assim né Eu acho que a a gente precisa abrir só um parênteses antes de falar sobre censura logo no começo a gente tem que deixar muito claro que a censura é proibida por lei né na Constituição Federal a censura não pode acontecer em território brasileiro né Estou falando da lei brasileira especificamente então Eh
mas as definições de censura costumam mudar de acordo com o interlocutor né quem tá no poder e etc Eh esses fatos dos livros né são só dois fatores são só dois livros porque tem muito mais a gente pode citar vários outros o livro eu receberia as piores notícias seind doos lábios do Marcel Aquino A gente tem também a censura que rolou na Bienal né E que inclusive eu estava lá ajudei o Felipe Neto a fazer toda a dinâmica o mutirão foi muito bonito foi muito legal tudo que aconteceu eh quer dizer né Foi legal a
a movimentação toda daqui a pouco eu posso dar mais detalhes sobre isso então assim está interligado com uma ideia de censura sobretudo por parte porque hoje a gente sobretudo pós-pandemia a gente aprendeu um pouco que tudo é contexto político né E que tudo eh toda todo questionamento social todo o lugar que a gente ocupa a gente também tem que debater o que a gente consome e que uma coisa tá conectada com a outra então Eh A partir dessa dinâmica e a gente entrou em uma em uma era pós-pandemia quer dizer durante a pandemia já né
uma era que foi muito totalitária tanto em sentido do governo do Poder mas também no sentido da população né a gente foi entrando em caixinhas e e a gente ficou numa coisa oito ou 80 então é claro que em qualquer regime totalitário ou em qualquer poder absurdo né ou absoluto ou que queira ser absoluto vai acontecer uma ideia de censura mas também não é uma coisa nova né se a gente pegar na história a gente na Grécia antiga Sócrates foi condenado por incitar jovens a debaterem politicamente e socialmente o seu lugar na sociedade né Eh
a gente também teve livros Queimados ali a gente se a gente pega na Roma antiga eh todos os documentos dos Maias e dos incas por exemplo foram eh incinerados justamente porque eh Possivelmente tinha uma ideia de superstições e de crenças que não eram permitido paraa época a gente pega a reforma protestante por exemplo tá ali a Igreja Católica no auge do seu poder também eh censurando e e lendo toda a literatura possível inclusive censurando possíveis traduções da Bíblia porque o poder tava condensado tava em um lugar único né Período de inquisição no período da Inquisição
exatamente E aí claro né Eh incendiar pessoas e incendiar livros né também que que tava ali presente aliás tem uma uma frase ótima do do Freud né o rei aí da psicanálise que ele falava né que já que eles não podem me incinerar porque a gente não tá mais na época da Inquisição então eles vão incinerar os meus livros e se a gente pega para pro Brasil se a gente começa a vir pro Brasil né com a vinda da família real para cá eh primeiro que assim a a a ideia de uma literatura é muito
recente a gente entender o que que é literatura e o que que não é literatura aliás para funções de didáticas quando eu vou dar a minha aula lá que eu também dou aula né e pré para sobretudo pré-vestibular quando eu vou dar minha aula a gente tem essa coisa da Separação por escolas literárias né as dinâmicas eu tô abrindo vários parênteses mas eu prometo que eu vou fechar tá e vou fechar todos eu vou cobrar é por favor cobre eh e aí quando eu tô dando a aula então e para fins div vestibular e para
F de estudo na Escola do ensino médio a gente vai falar sobre as escolas liter e a primeira escola literária da Língua Portuguesa que na verdade era um Galego português é o trovadorismo que é uma escola da idade média e era uma literatura sobretudo oral a gente já tinha uma literatura escrita mas era sobretudo histórias culturais tipo o rei Artur da Távola Redonda eh Santo Graal também histórias que tinham a ver com a Bíblia com a Igreja Católica eh histórias também que tinham a ver com a história de Portugal né história história no caso livros
que a ver com a história de Portugal mas o que a gente tá falando quando a gente fala do travadorismo é são as cantigas que eram cantadas em Palácio e tinham lá suas divisões até porque ninguém sabia lei escrever né às vezes nem a própria monarquia sabia lei escrever também porque era uma questão não só de poder mas uma uma questão eh social ali né Eh dentro disso quando a gente vai pro Brasil e ainda falando numa função especificamente didática porque isso não quer dizer que as pessoas naquela época estavam assim ó Olha a gente
tá na escola a gente tá no trovadorismo hein Ninguém tinha essa dimensão é quando a gente chega para cá a gente vai falar que a nossa primeira escola literária é o Quinhentismo quismo 1500 né E e aí Pedro Álvares Cabral chegando aqui encontrando os indígenas e a gente tem o primeiro documento que a gente considera literário a carta de peruá Caminha enviando para o Rei de Portugal para falar olha só querido O que encontramos aqui né estávamos em busca de temperos e encontramos umas pessoas peladas uhum eh só que eu sempre questiono isso na minha
aula por que que a gente considera a primeira carta a primeira literatura uma carta de um português sobre o nosso povo sobre os povos originários se os povos originários já tinham a sua literatura uhum né E aí a gente tem que pensar que se a gente é capaz de falar de uma literatura oral pra época do trovadorismo e entender isso como uma literatura Por que que a gente não considera a literatura oral dos povos originários como Literatura e é bom pensar que quando os portugueses chegaram aqui eles se deram conta né Eh na primeira vez
na primeira chegada de alguns povos específicos mas já existiam outros povos que tinham uma literatura escrita já em sua em sua própria língua e essa literatura toda dos povos originários a gente não falar sobre ela desde o começo nem para fins didático já é também uma maneira de censura não totalmente já é uma maneira da gente considerar uma um certo tipo de literatura porque a gente considera que não faz parte da nossa Cultura a censura também tá na questão da omissão seletiva né Exatamente exatamente então mais dito isso né e fechando esse parênteses dos fins
didáticos e da aula e tudo de literatura mas aí quando a família real Vem pro Brasil a gente começa a ter uma dimensão literária a gente começa a entender especificamente o merado editorial mercado dos livros e a imprensa porque também a existência de uma imprensa aqui no Brasil era relativo era possível mas a gente também não tinha uma identidade brasileira para entender o que que era ser brasileiro a gente não tinha uma noção ainda territorial como a gente conhece hoje isso é São Paulo isso é Bahia isso é o Acre né a gente não tinha
essa dimensão mas a imprensa segue proibida durante muitos anos mesmo com a família real portuguesa aqui no Brasil eles trazem nos navios deles um monte de prensa para imprimir livro para fazer coisas mas eram objetos e produtos literários ou de jornal e tudo que era exclusivamente para a família real né E que ninguém podia ter contato com aquilo Dom Pedro I né que é o segundo rei que fica aqui em poder Dom João o pai dele e aí depois vem Dom Pedro I ele proíbe a censura inclusive porque ele era contra qualquer tipo de de
literatura que falasse quando eu falo de literatura letras né que falasse mal dele a gente vai ter a imprensa livre a partir só do filho dele que é o Dom Pedro I que Inclusive era assim absolutamente prejudicado pela imprensa que zoavam ele de todas as maneiras possíveis e ainda assim ele fazia questão eh teve vários erros várias complicações mas ele fazia questão de uma Imprensa Livre e incentivar também a produção literária E aí daí a gente começa a ter os livros que a gente conhece até hoje Iracema do José de Alencar E aí depois a
gente vai ter Machado de Assis mas Resumindo toda essa dinâmica E aí a gente depois chega em dois contextos de ditadura o primeiro com o Getúlio Vargas assumindo o poder e que aí já tem uma censura prévia da Imprensa do livro do teatro da televisão dos filmes de tudo um pouco mas a gente tem uma o ápice da censura nos anos 70 né então dentro disso e que aí eh criaram-se subterfúgios e possibilidades de uma criação literária que fosse por baixo dos panos ali né uma uma maneira de você falar sem falar é o Chico
boar falando Pai Afasta de Mim Esse cá né a música teve muitos muitas maneiras de de conseguir driblar essa censura maneiras Exatamente é publicar a receita no jornal para falar o que queria falar é a os poetas marginais mais os anos 70 distribuindo as suas poesias subindo em prédios indo até o último andar e jogando folhas que eles imprimiam nos mimeógrafos que eu peguei a fase do mimeógrafo não sei se você pegou que era aquele cheiro de álcool que fazia xerox ali das coisas então eles faziam os próprios livros deles mas isso também só era
possível porque eles eram os Escritores os editores os impressores eles faziam tudo isso dentro de casa faziam livros extremamente manuais subiam nos prédios e distribui jogavam pela janela para que as pessoas tivessem acesso porque seria censurado tem uma poesia incrível do do Chacal que tá viva até hoje faz parte do c2000 lá no Rio de Janeiro que são poetas marginais ainda que existem ele fala é proibido pisar na grama o jeito é deitar e rolar Então é isso Exatamente esse movimento Então dentro a gente a vai falar bastante ali também da galera da segunda fase
da literatura que foi extremamente censurado Jorge Amado Graciliano Ramos Raquel de Queiroz Apesar de que alguns deles Inclusive apoiavam a ditadura eh e o Ruben Fonseca que foi também um grande apoiador eh do ato inconstitucional e foi censurado também teve um livro censurado eh mas de qualquer jeito a gente chega nos dias de hoje que aí eu vou fechar esse parênteses e responder voltar sua pergunta né Eh porque estamos ainda nesse movimento em 2024 a gente percebe que claro eh aqui no Brasil hoje não existe mais um regime totalitário que censure até porque como eu
comecei a nossa conversa falando é proibido né na lei a lei tem um motivo Todos nós somos cidadãos iguais e temos os mesmos direitos os mesmos deveres e devemos seguir as leis Então dentro disso a censura não é permitida então a censura é para quem tem o poder e para quem quer fazer ter um tipo de imagem um tipo de de propagação de mensagem e e conseguir controlar o máximo que puder isso vídeo que tá acontecendo agora em alguns países da América Latina né e sobretudo na Venezuela a gente tem portanto isso gente vai cair
muito na prova tá já digo de antemão que vai C na prova então Eh dentro dessa ideia Qual que é a maneira de você conseguir fazer isso é você ir burlando a lei de algumas maneiras e instituindo o poder que você tem e qual que é o poder que você tem então eh São governadores eh colocando como projetos de leis mas também que tem um pezinho no não não não é não é uma censura o que eu tô fazendo eu estou escolhendo uma linha editorial para porque preciso fazer uma escolha e minha escolha é essa
e a minha escolha é essa exatamente e os pais também e indo PR as escolas a maioria desses casos de censura da literatura contemporânea brasileira foram pedidos pelos pais né que iam até a escola e pediam que aquele livro fosse retirado da biblioteca ou do plano de estudos porque também um parênteses muito rápido aqui né o mercado historial brasileiro tem uma uma base muito muito grande em um dos planos de governo que é o PNLD né que é o plano nacional do livro didático e tem do livro didático e do livro de literatura então todos
os livros que são colocados ali Eles seguem um plano de governo só que as escolas também têm a possibilidade de escolha desses títulos então às vezes a própria escolha desses títulos também já é uma possibilidade de censura porque os pais pensaram diferente Ou porque os próprios Donos das escolas pensaram de uma maneira diferente mas de qualquer jeito eh teremos e continu a gente vai continuar tendo essas possibilidades de censura porque eh quem tá no poder que costuma dar uma dimensão ali e dar o Caminho das Pedras para que isso aconteça então cabe a gente debater
a respeito e formar e E isso também é legal porque quando a gente vai falar do vestibular Por exemplo quando a gente vai falar do Enem uhum por exemplo eh o Enem a ideia do Enem a base dele não é que você decore uma a fórmula de basca não é que você decore a data exata Que tal revolução aconteceu a ideia do Enem é formar cidadão né é que o aluno saiba porque que aquilo é relevante para ele por que aquilo vai ser importante para ele usar né aquela pergunta que a gente sempre faz na
escola Ah mas eu vou usar isso para quê né e a literatura você vai usar dessa né e a própria ideia de uma possível censura a literatura também já é uma maneira de você debater a respeito e por isso que esse tópico a nossa conversa aqui é tão importante para que o aluno se debruce sobre esse tema e também pense Beleza o livro foi censurado por quê exato né qual foi o motivo Qual foi a linha porque a ideia geral é causar um questionamento para que você aplique isso E aí não só pro aluno né
para qualquer pessoa mesmo que não estude mais mas mas para qualquer pessoa que entenda onde vai aplicar E por que aquele livro é tão perigoso sim é a gente acaba encontrando essas brechas né quando quando isso acontece de ir para a feira e depois ser retirado ou ir para a escola e depois ser retirado Porque como você disse né quando essas escolhas são feitas previamente é isso foi uma escolha eh editorial que eles fizeram e tudo mais e se escolheram tirar um livro ninguém fica sabendo né então é importante também que quando essas brechas aconteçam
pra gente poder levantar essas questões e tal você puxou lá de 1500 até o século XX falei até da Graça antiga é então anterior a 1500 Idade Média então o mundo inteiro né Sempre aconteceu e Mas você vê nessa linha eh motivos semelhantes ao longo de todo esse tempo ou temas que que são muito recorrentes né que são que acabam sendo alvo dessas censuras né tanto nas escolas como eh os pais né que encontram ou feiras literárias ou esses governantes né que enxergam alguma coisa que o que é sim é com certeza sim eh todas
as censuras vão de novo envolver o poder quem está no poder e quem está censurando né Aliás a obra censurada diz muito mais sobre quem censura do que a obra censurada em si né toal Eh dentro dessa visão estamos eh na verdade isso foi desde sempre a ideia da censura normalmente é vinculada a ideias e questionamentos e possibilidades de escuta e de fala que vão contra ao regime do momento né ao ao padrão a norma vigente Inclusive eu citei os poetas marginais eles são chamados dessa maneira porque eles estavam à margem da sociedade então normalmente
qualquer tipo de pauta que envolva alguém que é considerado à margem da sociedade vai vai poder envolver uma censura justamente porque vai contra o que tá sendo ensinado por aquele regime totalitário por quem está no poder ou porque eh o que que eles querem que a gente pense né então se a gente vai pegar lá na na reforma protestante por exemplo né a gente vai entender que quem estava no poder a igreja católica a igreja católica não gostaria que as pessoas questionassem os poderes da Igreja Católica Só que alguns textos começaram a ser traduzidos e
as pessoas também começaram a ter um começou a ter um movimento de ensino de alfabetização e isso ia ser uma um problema porque as pessoas iam começar a ler aquilo e questionar a própria Igreja Católica Então dentro disso Isso a gente aprende em História isso a gente aprende né Eh em todas as aulas que a gente faz dentro disso perceba a ideia de uma censura a esses textos era justamente para que as pessoas não questionassem a partir do momento que elas tivessem uma um acesso à aquilo né Eh então quando a gente chega nos tempos
atuais quando você pergunta se tem algo em comum se a gente vai falar por exemplo de pautas saciais de questões de gênero de questões de minoria de maneira geral né de questões de orientação sexual eh lgbtq ap mais de maneira geral eh povos originários ideias religiosas né que partem que também é é é interessante isso porque além da censura ser ser proibida por lei a intolerancia religiosa também é o racismo também é a homofobia também é né então quando a gente vai isso está na lei Mas e aí vamos falar aqui brasileiro especificamente nós somos
um país que não lê e mais do que isso Somos Um país que também não lembra da própria história e a gente foi e a culpa não é Nossa a gente foi condicionado a isso né por questões de acesso por questões sociais por questões de vulnerabilidade pobreza por questões também de escravidão por exemplo né Eh e a própria imigração que também foi uma tentativa né de de controle ali que fez também uma grande parte dos Imigrantes ficarem à margem então assim toda toda essa nossa dimensão cultural o que a gente é hoje é um produto
de tudo que aconteceu no nosso passado a gente tem tentado se movimentar e quando digo a gente é qualquer tipo professores etc artistas de maneira geral tem tentado se movimentar para que a gente pegue as coisas pelo chifre e relembre do nosso passado porque um país que não sabe do próprio passado não tem como ter um futuro legal né então Eh dentro disso quando a gente vai falar da censura e da produção artística eh é claro que qualquer tipo de criação que vá questionar esse lugar e relembrar a história do passado vai botar em cheque
algumas coisas que estão sendo defendidas e colocadas como um discurso que regular então assim né que eh a Faz assim uma escravidão moderna umas ideias racistas e tudo mais até porque a gente tem Pouco contato tem pouco acesso a leis a gente tem pouco acesso de novo a história então assim se você não sabe que o que você tá fazendo é um crime é a lei se aplica até as pessoas que não sabem como a lei funciona é importante saber exatamente como exato mas na na ideia de um regime totalitário por exemplo é importante que
você continue não sabendo né até porque eu preciso fruir disso para continuar dentro do meu poder dentro da minha estrutura de poder isso se aplica a grandes poderes como esse de uma presidência de um país e também a pequenos poderes né e poderes aliás dentro de casa né Às vezes o poder que eu exerço sobre a minha família ou sobre quem trabalha comigo por exemplo se eu for chefe de alguém dentro do meu ambiente de trabalho o poder que eu exerço por exemplo em um relacionamento então Eh normalmente qualquer tipo de coisa que seja eh
que seja violenta e que vá contra princípios básicos de humanidade não vão querer que a gente saiba que aquilo vai contra os princípios básicos de humanidade e as coisas não são tão transparentes e fáceis de compreensão assim sim é é uma forma mesmo de manter o poder pelo conhecimento ou a falta de conhecimento n é você fala desses movimentos né de professores e outros canais artistas né que que tentam fazer esse Resgate a história eu sempre lembro de um podcast chamado projeto Quirino ai maravilhoso é aliás quem não ouviu esse podcast tem que ouvir é
maravilhoso e o que ele faz é trazer na verdade a história não contada né vai para além ainda do que do de relembrar o que a gente muitas vezes não não resgata mas aquilo que precisa ser resgatado que não foi contado e também é um movimento super super importante de ser feito né não além eh além pra gente conhecer a nossa história plenamente né escavar um pouquinho fazer esse trabalho de de arqueologia né você pensando nisso né Nessas questões de de censura ou até de dessas ideias que são totalitárias né de grupos de extermínio como
a própria ideia de Darwinismo Social Eugenia né você acha que que é possível trabalhar esses temas em sala de aula você acha que é possível a gente ter uma sala de aula com ideias mais plurais assim com com livros mais plurais que apresentem todas essas ideias né até pensando de em como Muitos pais acabam reagindo muitos muitas escolas acabam né Eh às vezes até um pouco pensando nesses pais né que estão né são às vezes são pagantes e tal ou mesmo para não ter tantos problemas no futuro seim se enxerga uma possibilidade da gente poder
trabalhar essas questões diversas dentro da sala de aula basicamente você tá perguntando se eu sou esperançosa com a humanidade né e a resposta não sobe os créditos acabou sobe de sobe a a tela eh olha é muito complexo muito difícil eu gostaria de de de ser aqui de falar que sim que isso vai ser possível mas infelizmente os casos só aumentam de censura eh também a gente sabe né eu tenho vários colegas professores que trabalham em escolas e que TM levantado essa questão cada dia que passa mais obras são censuradas canceladas e não tô falando
só de literatura com temp Néa Doo de Andrade foi cancelado há pouquíssimo tempo foi censurada H pouquíssimo tempo também numa escola então Eh dentro desse lugar a minha tendência é ser negativa dizer que não porém eu sou professora eu sou jornalista Eu trabalho com criação de conteúdo na internet então eu pego para mim um pouco dessa responsabilidade e faço o que eu consigo fazer e dentro das minhas possibilidades para que minimamente esse debate aconteça para que a gente consiga de alguma maneira colocar uma pulguinha atrás da orelha das pessoas e fazer as pessoas se questionarem
e não aceitarem diretamente tudo que acontece né então é é o meu papel é o seu papel e E aí aqui vou olhar pra Câmara vou fazer um apelo é o seu papel enquanto aluno também né de trazer esse debate trazer esse debate em sala de aula trazer esse debate pros seus pais trazer esses debates e no tô falando aqui sai brigando com todo mundo não é um questionamento é essa Compreensão é o acesso Porque também tem isso uma das maneiras mais claras de censura e mais perigosas de censura não é mais queimar livro sabe
o que que é é você não dá acesso é você não dá possibilidade do da pessoa saber daquilo Uhum Então você corta a informação e sem a pessoa poder ter um livro sem a pessoa poder acessar eh um um debate sem a pessoa poder entender essa dinâmica Ela jamais vai ela pode se esforçar à vontade a meritocracia não existe ela não não adianta você se esforçar abessa se você tá preso né se você tá colocado num lugar onde a mensagem é só a única se quem assistiu o laranja mecânica ou leu o livro aquela cena
que botam né aliás e Laranja Mecânica foi um livro censurado também inclusive por um motivo muito interessante que é o o autor da obra né ele coloca um regime totalitário porque é uma Inglaterra distópica onde os personagens o Alex que é o protagonista é claramente nazista eles Inclusive tem vários símbolos eh que são vinculados ligados a a ideias eh que sejam que são desses regimes totalitários eh ele é muito lento e etc só que é uma crítica social aquilo né e a figura do Alex mostra isso o problema é que todo mundo começou a achar
que ele tava incitando aquilo acontecer inclusive o autor morreu dizendo que ele era contra o próprio livro né ele não gostava mais do livro porque o livro foi não só censurado Mas também ele sofreu muitas consequências das pessoas achando que ele concordava com a visão dos personagens dele sendo que era uma crítica sim então o controle da obra depois que ela tá no mundo Exatamente exatamente Então e e é a mesma coisa quando a gente pega um exemplo Nacional Machado de Assis que ironizava todas essas questões de raça os naturalistas né E e aí aqui
vou vou abrir um espaço nerde para falar de um dos assuntos que eu mais gosto que é por exemplo Machado de Assis o Machado de Assis brincava Com todas essas questões e aí olha um exemplo ótimo de como você pode trabalhar isso em sala de aula de como você pode pensar isso com seus amigos e tudo por isso que eu amo a literatura porque eu falo de literatura em absolutamente todos os sentidos em todos os lugares vamos pegar aí o Machadão publicando no século XIX e ironizando né ele era o rei da ironia ele era
o cara que ria das pessoas zoava das pessoas as pessoas davam altas risadas sem saber que estavam rindo delas mesmas né E aí a gente tem Memórias Póstumas de as Cubas que é o primeiro livro aí que a gente fala da trilogia realista do Machado de Assis eh que tem um morto que vai narrar aquele livro então é um livro de ficção né ele dedica o livro aos primeiros verbes o sutaque carioca Então dentro disso ele coloca esse cara que se orgulha muito de nunca ter tido o que trabalhar de nunca ter que depender do
suor do seu rosto de não ter deixado filhos né Eh e ele ironiza tanto que ele já mostra a primeira cena é do enterro desse morto que tá narrando e nesse enterro vão 11 pessoas e aí ele diz assim ai foram Tá certo que tava chovendo né E também não foi divulgado aí né o meu enterro mas tinha uns amigos bons ali que falaram muito bem de mim não sei por o próprio o próprio personagem se autod deprecia né E aí esse personagem em determinado momento ele conhece ele ele nos apresenta aqui em cas Borba
né que ele encontra ele é um amigo dele de infância um amigo dele da escola e ele encontra anos depois quin casas Borba mendigo E aí quin casas Borba mendigo rouba inclusive um relógio dele e tudo mais e ele já fica colocando pra gente que ele queria ajudar o Quim casas Borba não porque ele tava a ai meu Deus meu Pobre amigo mas porque ele queria mostrar que ele tava por cima né da coisa toda então é esse personagem extremamente eh falho sim né ele tem uma personalidade muito falha Então essa é a ironia Machado
não foi censurado por exemplo uhum por quê Porque ele usou da ironia para US e Ninguém percebeu assim como outras canções livros e etc por exemplo na época da ditadura não foram censurados passaram pela censura porque o censor leu e não percebeu que aquilo era uma coisa contra el ferramenta para compreender aquilo Exatamente exatamente Então tudo isso para dizer que dentro desse lugar e aí voltando a sua pergunta que é Será que é possível a gente debater isso em sala de aula e etc a gente pode trazer esses livros ou outros livros e outras teorias
para mostrar pro aluno para ele ter embasamento do que ele tá lendo para que ele também não ria da própria dele mesmo né para que ele entenda que pera aí o que que isso tá querendo dizer aqui né O que que ele quis dizer com isso E aí para isso o debate é fundamental a gente tem eh no um filme que que eu sempre cito que é o a onda né que é um filme que mostra como um regime nazista pode ser aplicado e aceito dentro de uma escola eh porque a gente sempre se questiona
né quando chega um regime totalitário no seu limite sobretudo né Eh por exemplo holocausto e etc a gente sempre fica se questionando em tempos atuais assim como isso aconteceu como deixaram isso chegar nesse ponto e eu tenho certeza aliás que no futuro daqui a alguns anos a gente vai olhar para 2024 vai falar como isso aconteceu Chegamos aqui como chegamos aqui né é uma coisa que eu me pergunto todos os dias e aí nesse filme mostra como é muito fácil você cair naquela naquela ideia naquele regime tot E além disso eh através desse debate de
como a gente consegue aplicar isso nos dias atuais e a gente começa então a questionar pera aí Por que que isso tá errado pera aí Por que que isso esa e não cai em teorias furadas entendeu então assim o debate é imprescindível pra gente ter uma política de qualidade porque não tem como a gente pedir pelo amor de Deus pro povo eh pedir coisas PR os políticos e cobrar os políticos se eles não sabem nem o que cobrar porque a imensa maioria acha que tá ali porque mereceu que tá ali porque não tem como sair
dali uhum né então eh o o a mensagem aqui é se eu se é possível ser esperançosa é então que esse debate seja incitado isso sim seja incitado para que a gente se questione por que isso é um problema né não tem como eu arranjar uma solução se eu não sei nem queem é um problema Uhum é deu deu bastante coisa para pensar aqui mas eu mas eu tô um pouquinho mais esperançoso agora táti eu poderia ficar mais uma hora aqui conversando com você também e olha que eu nem falei nem falei várias coisas que
eu queria falar mal citei Pagu por exemplo Cassandra rills também olha tanta gente que eu podia ter citado não citei mas tá f Cinco partes deste programa deste tema a gente comenta aí fala volta quero mais quero mais a gente faz mais gente faz mais bom gente vocês quiserem também saber um pouquinho mais sobre esse tema né Tem uma articulação desse mês e de linguagens sobre também essas censuras a livros bacana que vocês eh vejam Tati eh me despeço de você se você quiser censurando eh fala pro pessoal onde onde eles podem te encontrar nas
redes sociais e se você quiser dar uma palavrinha final Maravilha vou atar olhar pra câmera aqui para ficar mais Entendeu uma política mentira eh bom então eu sou a Tatiane Leite minha mãe resolveu fazer essa brincadeira comigo botar um y no final e vocês me encontram em todas as redes sociais como Tatiane Leite e o nome do meu canal é valer um livro então lá tem vídeos sobre tudo isso que eu falei aqui é mais um pouco aliás em todas as minhas redes tem muito conteúdo sobre autores que foram censurados que foram eh e Por
que que eles foram censurados o que que eles debatiam o que que eles defendiam eh isso no decorrer de todo o tempo né desde a idade média até os os momentos atuais eh porque o que eu quero fazer e o que eu faço é justamente propor o debate para que a gente pense você não precisa pensar igual a mim mas vamos debater aqui porque é isso a conversa é amiga de tudo espero vocês lá no no meu canal nas minhas redes pra gente continuar esse papo aqui entender cada vez mais e ver que a literatura
é gostosa demais gente se aplica tudo não é bom é muito bom bom obrigado por vocês que ficaram com a gente até aqui espero que todos tenham ficado com a gente até aqui e não percam também o próximo programa resenha que vai ser sobre mudanças climáticas Eu amei a nossa resenha e ficamos por aqui um abraço [Música] r [Música]