[Música] nada se perde nada se cria tudo se transforma essa é a primeira lei de lavosier um cientista francês do século XVII e a primeira vez preciso de ajuda porque o meu slide não está funcionando muito obrigada E a primeira vez que eu ouvi essa frase e foi de uma professora do Ensino Médio Mas o meu primeiro contato com ela De forma inconsciente foi na infância eu amava brincar e crescer numa cidade do interior do interior de Minas Gerais proporcionou muito isso para mim mas eu não gostava das brincadeiras prontas as brincadeiras que eu queria
era aquelas brincadeiras que precisavam transformar eu transformava as a o chão de terra em estradinha eu transformava o Barro em casinhas eu transformava as frutas e legumes em bichinhos eu amava transformar e esse gosto pela transformação rapidamente virou um gosto por desmontar e aí eu comecei a desmontar tudo a minha alegria e o desespero da minha mãe era quando algum eletrodoméstico quebrava porque aí eu tinha uma licença quase poética para poder desmontar aquilo ali e ver como ele funcionava lá dentro eu amava fazer isso a minha mãe ela sempre acreditou muito que educação tem o
poder de transformar e por causa disso ela fez o possível para oferecer o que ela pôde em questão de educação pra gente mesmo com pouca condição financeira foi assim que eu fiz o meu primeiro curso de informática eu uma menina de 11 para 12 anos no meio de um monte de cara com mais de 30 aprendendo sobre MS dos sim eu tive os melhores empregos que só o fim dos anos 90 o início do ano 2000 pode proporcionar pra gente eu trabalhei em locadora de vídeo e é verdade eu cobrava 50 centavos se você não
rebobinar a sua fita eu trabalhei em distribuidora de revistas e jornais aqueles impressos de papel com tinta como faziam os maias e astecas e eu trabalhei em telemensagem juro para vocês que aquela voz que te desejava Feliz aniversário era a minha eu sempre trabalhei muito desde cedo e gostava disso eu casei bem bem novinha e um mês depois eu consegui uma bolsa de estudos em design gráfico eu escolhi o design gráfico porque eu sabia que de uma forma ou de outra eu ia ficar muito perto dos computadores aquilo para mim era muito bom eu gostava
daquilo com 15 anos ao a invés de eu escolher uma festa eu quis de presente um computador e quando eu entrei no design gráfico eu comecei a me encantar por esse mundo da arte por essa visão que ela podia trazer por como ela podia transformar as pessoas mas eu queria mais como designer é extremamente visual eu consegui convencer os meus amigos a gente fazer o nosso trabalho final de curso para pessoas com deficiência visual E aí nós conhecemos um monte de c um cego total e alguns deficientes visuais e toda vez que a gente ia
conversar com eles para aquela pesquisa eles sempre fazam a mesma pergunta quando a gente vai começar a usar os computadores eu explicava que aquele não era o nosso propósito que a gente não queria fazer isso mas na próxima entrevista voltava de novo a mesma pergunta quando a gente vai começar a usar os computadores aquilo começou a me incomodar E eu achava que eu tinha que retribuir de alguma forma então eu aprendi um pouquinho de brile Estudei sobre os programas e convenci meus colegas a fazer um curso de informática para deficientes visuais nós conseguimos uma sala
emprestada e nós conseguimos ensinar mais de 30 cegos a trabalhar com computador e quando eu fiz isso eu vi que eu amava a sala de aula e que eu queria estar na sala de aula que aquilo era era maravilhoso eu queria fazer aquilo então eu comecei o meu primeiro curso de especialização que foi ensino de artes visuais durante esse curso eu recebi um dos maiores presentes da minha vida a minha filha Sara a Sara virou mascotinho da turma é claro e eu fiz um monte de prova e um monte de trabalho ou amamentando ou embalando
a Sara era muito legal ver o crescimento dela era muito bacana acompanhar e assim que eu terminei esse curso eu consegui o meu primeiro trabalho oficial como professora de arte do Ensino Fundamental um para crianças de 6 a 10 anos quem aqui já pôs o pé na sala de aula sabe que a prática é totalmente diferente da teoria os três primeiros meses foram o caos na minha vida eu chegava em casa louca parecia que um trem descarrilhado tinha passado em cima de mim eu tava morta de cansada os meninos não prestavam atenção eu falava cada
vez mais alto porque eu achava que se eu falasse alto eles iam me ouvir era uma tragédia eu comecei a pensar em desistir só que E aí um dia eu fiz uma coisa por acaso que eu fazia com a Sara em casa eu contei uma história e quando eu contei essa história o olhinho dos meninos brilharam eles começaram a prestar atenção eles entenderam eles fizeram atividade e eles queriam mais e aí eu falei gente Esse negócio funciona eu vou começar a contar história Então o que eu comecei a fazer eu pegava o conteúdo de arte
eu transformava em Pequenas Histórias rápidas práticas lúdicas e eu comecei a fazer isso em todas as aulas eu comecei a me apaixonar de novo pela sala de aula eu vi que era aquilo mesmo que eu queria fazer o tempo foi passando eu tava cada vez mais encantada com a sala de aula eu estava apaixonada pela maternidade a Sara já estava completando 4 anos a minha vida não podia est numa fase mais perfeita e aí um dia brincando com a Sara ela olhou para mim e falou assim ô mamãe quando eu tiver 8 anos o meu
irmão Isaque vai chegar eu achei muito bonitinho ri falei com ela minha filha tá doida precisa disso não 8 anos é muito tempo pode deixar ano que vem a mamãe providencia seu seu irmãozinho Isaac e fui fazer os meus exames de rotina E durante um exame de rotina o meu médico encontrou um carocinho na mama esquerda um nódulo eu tinha 33 anos eu não fumava não bebia não tinha casos conhecidos na família nunca usei drogas pedalava 16 Km por dia eu tava completamente fora do grupo de probabilidade mas aquele carocinho aquele nódulo era um carcinoma
invasor da mama que é um nome mais bonito pro câncer e a primeira coisa que eu pensei eu acredito que é o que todo mundo pensaria agora eu vou morrer eu vou morrer eu vou morrer e se eu vou morrer eu preciso deixar registrado para minha filha tudo aquilo que eu quero que ela viva tudo que eu pensei pra vida dela tudo que eu quero que ela faa passa mais na frente porque eu não vou est aqui para fazer para ela então eu preciso deixar registrado só que no meio de tudo isso veio um segundo
pensamento que foi mais sensato se eu me desesperar todo mundo que tá em minha volta vai se desesperar também isso incluí minha filha e eu Definitivamente não queria isso para ela eu tenho uma família fantástica em especial minha mãe a minha irmã o meu cunhado o meu esposo a minha avó eles me apoiam tudo que eu preciso e eu tenho uma fé extremamente grande em Deus de que ele não faz nada fora de um propósito maior então eu adotei o Calma tudo vai dar certo e eu tentei naquele tempo levar tudo da forma mais tranquila
e mais leve possível eu sabia que por causa do tratamento eu ia ficar muito tempo fora da sala de aula então eu fui pra escola eu entrei em todas as minhas turmas eu expliquei para todos os meus alunos O que ia acontecer eu desenhei no quadro para eles entenderem o que ia acontecer com a professora ser mãe me ajudou extremamente em explicar pros meus alunos O que tava acontecendo com carinho com o cuidado que a mãe tem com filho e ser professora me ajudou demais a explicar para Sara de uma forma lúdica de uma forma
pedagógica eu fiz o possível para envolver a Sara em todos os processos Foi ela que raspou minha cabeça junto com os meus meus sobrinhos eu levei ela em todas as cirurgias que eu precisei fazer ela me acompanhou em algumas sessões da químio em algumas sessões da Rádio ela passou por tudo isso só que depois de tudo isso depois da parte mais pesada do tratamento um dia olhando essa foto aqui que tinha sido poucos meses antes a Sara disse assim mamãe quem é essa Eu disse ué minha filha é a mamãe ela falou não não é
eu não te conheço assim numa conversa com a psicóloga nós chegamos à conclusão de que como tinha sido algo muito traumático muito dolorido para ela ela apagou aquela informação da memória isso acontece com muitas pessoas e às vezes a gente nem percebe mas como a gente percebeu a psicóloga sugeriu que eu fizesse alguma coisa para Sara que ela que ajudasse ela a se lembrar que ajudasse ela se a lidar com aquilo e foi aí que eu fiz uma história para Sara ela tava entrando na fase de alfabetização e como eu gosto de contar a história
eu fiz essa história para ela nada se perde nada se cria tudo se transforma foi assim que eu transformei a nossa vivência com o câncer e aqueles sentimentos que eu AC dito que a Sara poderia ter tido naquele momento em uma história chamada mamãe ficou dodói com essa história a gente já foi em várias cidades em várias empresas em Várias escolas falando sobre a importância do autoexame sobre a importância de se cuidar mas mais do que isso falando sobre a importância de se conversar com as crianças e de aceitar que eles entendem muito mais do
que a gente imagina que eles compreendem que a gente precisa falar as coisas foram tomando forma de novo a vida foi entrando no ritmo E aí no sétimo ano da da de aniversário da Sara ela acordou e falou assim comigo Mamãe tô muito animada falei é minha filha porque é seu aniversário ela não porque só falta um ano pro meu irmão Isaac chegar e aí a gente tinha um problema por causa da quimioterapia eu entrei numa menopausa química e ela se permaneceu por causa da medicação continuada que eu ainda tomo nós fizemos os exames e
a gente descobriu que eu tava entrando num quadro de esterilidade em conversa com minha oncologista ela me disse que pra gente reverter isso nós precisaríamos de pelo menos mais 4 anos eu achei que 4 anos era muito que eu já não tinha energia naquele momento para cuidar de um bebê depois de 4 anos menos ainda só que quando Deus faz um acordo com a criança quem Quem Somos Nós para falar o contrário em janeiro de 2020 eu descobri que eu estava grávida a Sara completou 8 anos em junho e o Isaac chegou em agosto antes
do tempo com dificuldade de respirar no auge da pandemia e eu vou contar para vocês que de coração essa mãe aqui não morre nunca mais Isaque quer dizer aquele que sorri e quem conhece esse furacãozinho que chegou nas nossas vidas virou tudo de ponta cabeça mas deixou tudo muito mais completo sabe que não tem nome melhor para ele por causa dele eu abri mão da maioria das minhas turmas eu entreguei a uma escola eu me eu me aprofundei mais em estudo sobre a infância em conversa sobre as crianças e aí veio um convite maravilhoso que
fez aquel Fabiana que desmontava tudo ficar extremamente feliz ser professora de robótica eu ia receber para desmontar as coisas é claro que eu aceitei mas eu não queria qualquer robótica eu não queria nada pronto eu queria que meus alunos aprendessem a transformar a mudar as coisas como eu transformei e como aquilo me mudou então a gente começou a usar material reaproveitável para criar projetos maravilhosos de robô a parque de diversão eu podia passar o resto do dia aqui listando para vocês porque é incrível ver a transformação desses meninos e quando eu vejo o quanto eles
crescem e cada habilidade nova que eles descobrem através da robótica ou quando eu vejo a minha filha no maior encontro de robótica da América Latina apresentando um sensor feito com material retirado de uma impressora que mede o nível da água do rio para avisar a população Ribeirinha que a água está subindo ou quando eu vejo meu filho que hoje tá com 3 anos extremamente interessado em tudo que diz respeito a ros bóa Isso me deixa com uma certeza absoluta de que eu tô no caminho certo o que eu vim fazer aqui hoje para vocês foi
exatamente o que eu faço na minha vida eu acabei de escrever o meu livro O segundo livro infantil esse livro se chama meu amigo João Meu Amigo Pedro ele é uma homenagem ao meu irmão João Pedro O João ele é autista e o livro é uma homenagem a ele aos meus mais de 100 alunos autistas que eu tive a honra de passar pela minha vida e o João quando eu tava no auge da quimioterapia ele arrancou um pedaço do cabelo e tentou colar na minha cabeça Esse livro foi uma forma de agrade a esse momento
de carinho o livro foi esse ano um dos representantes do Brasil no salão do livro de Genebra onde ele recebeu um prêmio por sua relevância social o que eu queria falar com vocês hoje é que vocês entendam que essa é só um pedacinho da minha história é só um Record assim como a história de vocês é muito maior do que um momento que vocês já viveram ou que vocês ainda vão viver eu tenho certeza absoluta que todo mundo que tá aqui hoje que todo mundo que tá me ouvindo tem a capacidade de transformar sua vida
de mudar porque não importa como ela começou é o que você vai fazer no meio dela que vai ter vai determinar como você vai chegar no fim porque meus queridos eu vou falar com vocês uma coisa nessa vida nada se perde nada se cria tudo se transforma muito obrigada