[Música] [Música] eu tenho muito Claro na memória a primeira vez que eu fui pra Amazônia porque foi um experimento muito interessante foi feito com o prêmio Nobel de química que é o professor Paul kuten Ele trouxe um avião americano ele tava nos Estados Unidos naquela época para começar a estudar se as emissões de queimada iiam ter alguma emissão que poderia impactar o clima Então veja que isso foi em 1979 né então vejam que logo de início eu tive muita sorte de poder me engajar num experimento internacional o primeiro experimento do planeta que foi investigar se
emissões de Queimadas da Amazônia poderia ou não ter impacto na questão climática eh do planeta como um todo então tive muita sorte né eu era bolsista de iniciação científica da Fapesp e a partir daí a vida deslanchou então basicamente a partir do primeiro experimento feito com o professor Paul cruts na região Amazônica eh eu comecei a me interessar pela questão do meio ambiente como um todo eu trabalhava no Instituto de Física da USP que é um instituto extremamente Tradicional em questões de física B básica fazer em física aplicada falar em física aplicada naquela época era
uma heresia ainda mais falar sobre impactos de Meio Ambiente no Instituto tão tradicional quanto o Instituto de Física da USP mas felizmente com o apoio da Fapesp eu consegui um primeiro projeto temático que foi um dos primeiros projetos temáticos da Fapesp assinado ainda quando o professor fava era diretor científico para vocês terem uma ideia com quanto tempo fazia ISO E aí a gente começou a estudar os impactos da Amazônia no clima Global começou com a questão de emissões de Queimadas e depois continuou na parte de estudo de aerossóis e nuvens na parte de gás de
efeito estufa e agora a gente já consegue fazer estudos muito mais abrangentes do que a gente conseguia fazer há 40 anos atrás é muito interessante a gente observar que na década de 80 do século passado pouco se falava de mudanças climáticas na verdade a conferência de Estocolmo que foi em 1972 foi o primeiro Marco Global onde a ciência começou a alertar a humanidade os governantes as empresas de que alguma coisa não ia bem no nosso planeta e essa conferência de Estocolmo sobre o meio ambiente humano Global foi muito importante foi um primeiro Marco da questão
das mudanças climáticas globais a ciência das mudanças climáticas globais naquela época ainda estava na sua infância ainda não conhecíamos Talvez um décimo do que conhecemos hoje sobre o funcionamento climático e sua integração com as atividades humanas então a a ciência foi sendo construída a partir da de Estocolmo a partir dos primeiros experimentos de Campo na Amazônia né em 1979 e a partir daí foi num crescente enorme do ponto de vista de ciência com o apoio de agências de fomento do Brasil e de fora do Brasil até a gente hoje ter um acúmulo sobre o conhecimento
do impacto climático das ações humanas que a gente nem sonhava ter digamos na década de 80 do século passado Não há dúvida de que a visão da população em geral escutando a ciência constantemente sobre os avanços científicos que estavam sendo feito ao longo das últimas quatro décadas levou uma conscientização extremamente importante sobre o papel do homem não só na mudança do clima mas nas mudanças do solo na biota Marinha e assim por diante porque a gente tem que olhar o planeta de uma maneira holística né Eh não há menor dúvida que o papel da divulgação
da ciência foi fundamental para uma maior conscientização da população em geral sobre os danos que nós estamos fazendo na estrutura climática e Ambiental do nosso planeta como um todo eu acho que hoje a população tem um conceito muito Claro e muito importante do Papel absolutamente fundamental que a amazia tem para pro equilíbrio climático do nosso planeta por uma série de razões né o primeiro deles é a questão do ciclo do carbono como a gente fala porque o carbono é um elemento essencial na vida do nosso planeta né Ele é o elemento no qual a vida
do planeta tá estruturada em torno dele né Nós somos 80 70 80% carbono o restante água e o pouquinho de outras coisas né então toda árvore basicamente é carbono e água então toda a vida do planeta e tá estruturada nessa questão e a Amazônia é o maior repositório e de carbono do nosso planeta a Amazônia contém 120 bilhões de toneladas de carbono armazenadas no ecossistema amazônico a importância da preservação da Amazônia está no sentido de que se você permitir que essas 120 bilhões de ton adas de carbono volte pra atmosfera e basicamente Isso corresponde a
10 anos de toda a queima de combustíveis fósseis de todo o planeta então isso pode fazer com que o que nós estamos vendo de cenários futuros do clima pode virar brincadeira de criança se a gente não souber preservar adequadamente a Amazônia e para isso a gente precisa de ciência sólida bem feita disciplinar então eu falei da questão da importância da Amazônia na ciclagem do carbono a segunda questão crucial da importância da Amazônia é no ciclo da água né não preciso dizer o quão água é importante pra vida no nosso planeta basicamente sem água não há
vida né vide os desertos como um todo e o que a gente observa é que a maior fonte de vapor d'água na atmosfera tropical do nosso planeta vem da região amaz ônica Então você reduzir a evapotranspiração que é o processo no qual cada folha ao abrir o seu estômato para fazer fotossíntese e emite vapor d'água paraa atmosfera um fenômeno muito muito bonito que foi muito bem descrito pela ciência eh se nós interromperem este processo Nós Vamos Bagunçar digamos assim com todo o ciclo hidrológico de todo o planeta na questão da disponibilidade de água então vejam
que a amazônia é chave na questão do carbono é chave na questão da água e é chave também na questão da biodiversidade né Cada quilômetro quadr eh da floresta amazônica tem mais espécies de árvores do que toda a Europa conjunta então é uma coisa que a maior parte dos brasileiros realmente não não tem uma visão da relevância e da importância da preservação da biodiversidade da Amazônia e é esta biodiversidade que dá resiliência ao eco sistema é esta biodiversidade que dá uma resistência muito grande a mudanças porque uma atuação de uma espécie biológica compensa a falta
da atuação de outra espécie biológica e todo o sistema funciona harmônico para preservar a vida na Floresta Amazônica e aí chega o homem destrói essa Floresta Troca esse campo de Floresta por uma pastagem ou por uma plantação de soja e toda aquela história de relevância de biodiversidade ciclo de água e ciclo de carbono vai por água abaixo a Amazônia hoje tem dois pelo menos grandes desafios né na visão da ciência a primeira delas é zerar o o processo de desmatamento que tá sendo Que destruiu já cerca de 19% da área da floresta original e nós
temos que estancar esse desmatamento o mais rápido possível né esse desmatamento faz com que o Brasil seja o sexto maior emissor de gases de efeito estufa do nosso planeta então nós temos uma responsabilidade importante na no aquecimento global né Nós somos o sétimo maior emissor per capita do nosso planeta E isso tem que acabar então ainda bem que o Brasil tem um compromisso no acordo de Paris de zerar o desmatamento da Amazônia até 2030 e Esperamos que o atual governo implemente políticas públicas que possa estancar a o desmatamento da Amazônia mas aí vem a segunda
questão importante associada com a questão da Amazônia que é a questão da degradação Florestal o que que é isso basicamente o aumento do aquecimento global e a redução na precipitação da Amazônia tá fazendo um enorme stress sobre a floresta fazendo com que a fotossíntese não seja tão eficiente como ela era algumas Décadas atrás e com isso a floresta tá perdendo vitalidade e tá começando a perder carbono pra atmosfera Global não devido ao desmatamento mas devido ao aquecimento global e isto é muito sério porque o que nós estamos observando é que algumas enzimas que controlam o
processo fotossintético das florestas tropicais do nosso planeta estão saindo da temperatura ótima de funcionamento e com isso a fotossíntese tá começando a ser prejudicada no planeta e é o principal processo de absorção de CO2 e produção de oxigênio então vocês vejam até onde vai a questão das mudanças climáticas porque por isso é que a ciência não para de alertar sobre os iminentes perigos e que a mudança climática pode ter paraa nossa sociedade em geral e pro planeta como Todo Nós executamos vários projetos importantes da Fapesp na região Amazônica um deles foi um projeto que a
gente chama go Amazon onde basicamente a gente trouxe um avião americano depois um outro avião alemão e com isso a gente estudou Qual é o impacto da poluição dos centros urbanos nesse caso foi Manaus sobre a química atmosférica sobre a itação na Amazônia e qual é o efeito disso na vegetação da região Amazônica então emissões urbanas de Manaus produzem altas quantidades de ozônio e ozônio é um gás que é fitotóxico pras plantas então basicamente O ozônio danifica ah os estômatos das plantas diminuindo o que a gente chama produtividade primária da floresta Isto foi foi eh
descoberto através desse experimento financiado pela Fapesp que é o experimento go Amazon Nós também com Aviões estudamos por exemplo a produção de partículas de aerossóis até a alta atmosfera Amazônica e a gente descobriu mecanismos desconhecidos até então e surpreendentes de produção de partículas na verdade a 14 15 km de altura muito longe da floresta e estas produções de partículas lá em cima são ocasionados por emissões de alguns gases da floresta como isoprenos e terpenos que basicamente são transportados pelas nuvens fazem essas partículas lá em cima elas voltam nucle outras nuvens e com isso a gente
tem O Magnífico sistema hidrológico que a gente tem na Amazônia Então são mecanismos muito bonitos de integração entre o funcionamento biológico da Floresta e o controle climático que em parte é feito pelas próprias emissões da Floresta em mecanismos de realimentação muito sofisticados que foram o resultado da evolução do ecossistema ao longo de muitos milhões de anos Veja a humanidade tem eh tarefas difíceis nas próximas décadas nós vamos ter que ao mesmo tempo transformar a nossa sociedade para uma socied que seja minimamente sustentável porque a nossa sociedade é muito longe de ser sustentável Inclusive a curto
prazo né Então as nações unidas definiram os 17 objetivos de desenvolvimento sustentável olhando pra direção de construir uma nova sociedade que não é a sociedade que a gente tem hoje né para construir Essa sociedade nós vamos precisar de duas ações muito importantes primeira e mais importante de todas é reduzir as emissões de gases de efeito estufa construindo o que a gente chama uma economia verde uma economia de Baixo Carbono que possa estabilizar a mudança climática em algum nível e o segunda tarefa igualmente importante é se adaptar ao novo clima porque o clima já mudou ele
deixou de só mudar no futuro ele vai continuar mudando Mas ele já mudou no presente e o que nós estamos vendo o maior reflexo dessa mudança é o aumento da frequência e da intensidade dos eventos climáticos extremos que estão ocorrendo basicamente em todo o planeta não só no Brasil e que estão trazendo prejuízos socioeconômicos enormes Então nós vamos ter bilhões de pessoas afetadas por esses eventos climáticos extremos nós vamos ver no futuro tensões geopolíticas muito importantes por qu nós estamos levando com as atuais emissões de gás de efeito estufa da ordem de 62 bilhões de
toneladas de CO2 equivalente no planeta a cada ano para um aumento de temperatura médio do planeta de 3° a 3,5 isso leva em áreas continentais por exemplo como no Brasil há um aumento de temperatura da ordem de 4º a 4,5 né Isso é o que a ciência e todos os modelos climáticos estão apontando pra gente né e o e o que significa isso nós vamos ter uma uma intensificação enorme dos eventos climáticos extremos que são grandes cheias grandes secas grandes inundações né E também este aumento lento e gradual da temperatura a gente imagina que um
país trop como o Brasil vai ser um dos países mais afetados do nosso planeta por quê Porque nós temos áreas urbanas como teresin ou Cuiabá onde no verão comumente atinge 40 41º de temperatura quando essa temperatura no verão nestas cidades brasileiras e particularmente no nordeste começar a atingir 46 47º eh você chega No Limiar da Sobrevivência humana Então nós vamos passar por um por isso e isto não é só no Brasil é no Paquistão é na África tropical e assim por diante Então isso é um grande desafio e que a humanidade vai ter ao longo
das próximas décadas é primeiro mitigar as emissões de de gás de efeito estufa ou seja reduzir as emissões acabando com o desmatamento e acabando com a exploração e uso de combustíveis f e ao mesmo tempo encontrar os recursos necessários para se adaptar ao novo clima então o futuro do planeta é um futuro de planeta com muitas tensões por duas razões principais A primeira é a questão da produção de alimentos não vai ser fácil alimentar 10 bilhões de pessoas em 2050 com este clima em mudança então por exemplo o Brasil Central já está Endo uma redução
importante na chuva e na precipitação que já está fazendo quedas na produtividade agrícola a mesma coisa na Índia a mesma coisa na China a mesma coisa nos Estados Unidos né então A grande questão é como é que nós vamos produzir alimentos para 10 bilhões de pessoas em 2050 Esse é o primeiro Desafio o segundo grande desafio vai ser que em algumas regiões do nosso planeta nós vamos observar migrações em massa de pessoas porque aquelas regiões não vão ter um clima ah adequado para ah ter atividade socioeconômicas que possa sustentar uma população Oriente Médio é uma
das regiões o nordeste brasileiro é outra destas regiões e isto Vai forçar migrações em massa e então o que a gente vê hoje as migrações da África e do oriente médio pra Europa ou da América Central paraa AMC do Norte simplesmente vai ser fichinha perto das dos movimentos migratórios que com certeza vão ocorrer ao longo das próximas décadas então vocês vê que bem que são desafios enormes podem ser superados sim mas vai precisar de muita governança Global vai precisar de que a gente modifique o sistema que as nações unidas hoje TM em relação da governança
não só na que a gente vê a as deficiências do nosso sistema por exemplo numa guerra como que estamos tendo no Oriente Médio uma guerra como estamos tendo na Ucrânia onde basicamente as nações basicamente ficam sem ação perto de atrocidades enormes que nós estamos vendo no nosso planeta e a questão das mudanças climáticas vão se constituindo uma atrocidade ainda maior do que a gente tá vendo hoje então são desafios enormes que a ciência vai ter muito a contribuir sobre qual é a melhor maneira pra gente encaminhar as próximas décadas do nosso planeta a gente construiu
alguns anos atrás uma torre que chama-se torato de 325 m no meio da floresta amazônica que é o único Observatório eh instalado em florestas tropicais visando analisar o impacto das mudanças climáticas na região Amazônica então por exemplo visitar um sítio experimental como ato é uma experiência absolutamente extraordinária você aprende muito cada vez que você vai observando o funcionamento da natureza em loco em cito além de utilizar instrumentos sofisticados para você estudar processos que são críticos para manutenção do ecossistema então eu faço questão de continuar realizando o trabalho de Campo operando instrumentos bem Como orientar alunos
fazer análise de dados e publicar esses resultados que é fundamental Ah pra ciência brasileira e a ciência Mundial eu comecei a minha carreira científica na Amazônia né em 1979 participando do experimento brush Fire e estudando os impactos das queimadas tanto no ecossistema amazônico quanto na questão Global a partir daí eu ordenei uma série de grandes experimentos que foram através dos institutos do milênio do ministério de ciênci tecnologia naquela época com o apoio da Fapesp então nós coordenamos dois institutos do milênio que ao longo de 10 anos integrou cientistas sociais economistas físicos químicos meteorologistas biólogos e
assim por diante estudando o ecossistema amazônico sobre um ponto de Vista muito complexo e muito completo né isto foi muito importante porque trouxe avanços que a ciência em cada área independentemente não consegue fornecer então foi muito importante esses institutos do milênio a partir daí eu tive três projetos temáticos em sequência ao longo de 15 anos financiados pela Fapesp cada um deles Olhando em aspectos diferentes um olhando paraa alta atmosfera o outro olhando ao longo da Torre at por exemplo como é que a floresta no perfil vertical Olha a concentração de gases e partículas como é
que se dá a emissão de gases de efeito estufa com o advento dos satélites há uns 20 anos atrás em grande escala a gente usa muito sensoreamento remoto na Amazônia porque não vamos imaginar que um único ponto na torre at pode representar 5.5 milhões de qum qu que é a área da floresta amazônica então nós precisamos de aviões e nós precisamos de satélites então a gente utiliza sensoriamento remoto várias plataformas hoje são disponíveis e a gente mais recentemente tá construindo uma plataforma para facilitar o acesso paraa população em geral a imagens de satélite a dados
de satélite a concentração de gases de efeito estufa medidos por satélite porque a gente também acha que é importante você eh disponibilizar eh dados que por outro lado seria muito difícil por exemplo por um por um prefeito de uma cidade do interior do Amazonas para ele ter acesso a Quanto é a concentração de metano no meu Município hoje já é possível isso com o uso de satélites então nós usamos também muito a questão da modelagem né ao longo dos últimos anos com avanço dos computadores e com avanço eh do do entendimento científico de processos que
são chave ao longo dos últimos 7 8 anos a gente tá migrando por desenvolvimento e implementação de modelos e com isso a gente hoje consegue um um um entendimento importante do ponto de vista de processos que ocorrem na Amazônia em paralelo a essa linha do tempo tem a linha do tempo do clima Global né então eu comecei a trabalhar no IPC CC Né desde um dos dos relatórios que mais teve sucesso do ipcc que foi o ar4 que inclusive foi agraciado com o prêmio Nobel da Paz né E neste nesses trabalhos junto ao ipcc eh
por exemplo primeiro eu fiquei estudando o balanço de radiação da região Amazônica e do planeta como um todo depois no segundo relatório de ipcc que eu trabalhei que é o er5 a gente estudou o impacto das dos forçantes radioativos de meia vida curta plec Carbon ozônio metano etc e tal no clima Global né e por último no último relatório de PCC a gente estudou o papel dos aerossóis tanto no balanço radioativo mas também nos ciclos biogeoquímicos Como é que os aerossóis são vetores de transporte de nutrientes ao longo de todo o planeta e como é
que eles impactam nas nuvens no ciclo hidrológico e no clima Global então basicamente é uma linha de tempo bastante complexa que envolveu trabalhos sobre a Amazônia trabalhos na questão clima Global desenvolvimento de instrumentação desenvolvimento de metodologias de absorção de imagens de satélite e entendimento desses processos também na questão da modelagem e assim por diante isso faz a nossa ciência ser muito mais complexa mas também ser muito mais completa e ter condições de responder às questões que a sociedade nos coloca Então eu acho que é importante eh não só a gente publicar a a produção científica
brasileira nas melhores revistas do planeta né E a questão da das publicações um dos resultados são as citações em relação aos trabalhos que a gente publica eu acho que é importante que a gente tenha consciência de que a ciência brasileira está entre as maiores ciências do nosso planeta em particular na questão ambiental e na questão climática eu sempre cito que ao no ipcc o que a gente observa que o Brasil sempre teve um número muito grande de cientistas trabalhando nos relatórios do ipcc eh só era eh o único país que tinha um número de cientistas
maior que o Brasil em algum dos relatórios era os Estados Unidos então o Brasil estava em segundo lugar como eh contribuinte pro para um assessment que nem é é o ipcc na ciência Global então isso mostra que o país tem um papel de liderança muito forte temos cientistas brasileiros membros das academias de ciências do do do mundo da academia americana de ciências da academia inglesa de ciências e vai por aí a fora então a ciência brasileira ela é realmente na área ambiental e climática muito forte temos deficiências não há a menor dúvida o nosso subfinanciamento
da ciência ainda é muito forte mas a ciência brasileira faz milagres com os pouquíssimos recursos que a gente tem com os valores das bolsas de estudantes de mestrado e doutorado completamente fora da realidade da necessidade mas a gente vê uma quantidade enorme de estudantes fazendo todo is forço para poder contribuir com o avanço da ciência global e da ciência brasileira e com isso se integrando eh na ciência do mundo todo todos os meus alunos de doutorado praticamente sem uma única exceção fizeram estágios no exterior ao longo do seu processo tiveram uma vivência num laboratório seja
no Max plan seja na NASA seja em Harvard seja em várias universidades E isto é uma questão fundamental porque isso amplia o horizonte dos Estudantes e e fazem com que eles tenham muito mais condições de contribuir pra ciência Global como um todo então citações são importantes publicações são importantes mas tem outras coisas n ciências que são mais importantes que é você e poder contribuir para políticas públicas poder contribuir e mostrar a relevância ah da da Amazônia pro clima Global da necessidade de redução de emissões porque os cenários que o ipcc tem pro futuro da humanidade
não são positivos e a gente também tem uma responsabilidade como cientista de fazer a nossa ciência chegar nas políticas públicas de chegar na sociedade em geral o Brasil tem um sistema muito peculiar digamos assim de financiamento à pesquisa né O que a gente vê é por exemplo do lado do c pq do lado das agências de fomento Estadual da maioria delas uma fragmentação muito grande de recursos né então por exemplo os editais universais do CNPQ que dão r$ 50.000 para um pesquisador fazer ciência ao longo de 3 anos né É muito difícil que esse cientista
consiga fazer um trabalho inovador sendo subfinanciado nesta dessa maneira a Fapesp teve uma abordagem diferente com os projetos temáticos com os projetos de Jovem Pesquisador que aí você dá uma quantidade substancial de recurso pro pesquisador mas ao mesmo tempo cobra resultados fortes deste financiamento então eh eu acho que este caminho de você dar recursos acima de uma massa crítica eh que a maior parte dos pesquisadores brasileiros T foi o que levou a ciência do Estado de São Paulo pro patamar que ele é hoje a ciência que a gente faz no Estado de São Paulo não
deixa nada desejar pra ciência que se faz na Alemanha Estados Unidos Suécia ou assim por diante graças ao investimento tanto da Fapesp quanto no investimento do estado na manutenção das três principais universidades públicas do Estado então é muito importante que a gente tenha um financiamento minimamente adequado para atender as necessidades de ciência que são eh complexas são caras ciência não é barato mas o retorno pra sociedade é muitas vezes maior do que o investimento sendo feita eh pelas agências de fomento a iniciativa amana mais 10 do confap do qual a Fapesp faz parte é um
excelente exemplo de quão mais forte a ciência fica quando a gente une as forças de vários interesses diferentes então nós temos mais do que uma dezena de agências de fomento trabalhando em conjunto em prol do desenvolvimento da ciência que é necessária para encontrarmos o tal do desenvolvimento sustentável paraa região Amazônica isso não é pouca coisa isso é uma tarefa estratégica pro país porque na verdade a gente sabe que o atual modelo de desenvolvimento é predatório dos recursos naturais e vai acabar com um processo de destruição acelerado da floresta amazônica mas muito mais difícil do que
fazer esse diagnóstico é entender Qual é a direção adequada pra gente levar a ciência a sociedade e a economia de uma região tão vasta quanto a Amazônia que é corresponde a 60% da área do nosso país e que na verdade é dominado por ah pelo agronegócio pela destruição das florestas e a troca dessas florestas por áreas de pastagem e ah áreas de plantação pelo garimpo ilegal a o lançando Mercúrio eh em grandes áreas da Amazônia eh Mercúrio é um poluente que tem uma tempo de residência muito grande na Amazônia então isso vai trazer prejuízos para
centenas de séculos eh ao longo do do nosso futuro então estratégia sobre como a gente acaba com o modelo atual de desenvolvimento implanta um novo modelo que seja minimamente sustentável e principalmente que possa trazer benefícios paraa população local é absolutamente chave a região Amazônica é uma das regiões que tem o mais baixo índice de desenvolvimento humano do Brasil né e não é por falta de recursos naturais que com certeza eles têm muito mais do que qualquer outra região do Brasil mas na verdade a gente precisa encontrar uma maneira né de explorar os recursos naturais da
Amazônia de uma maneira sustentável né seja através de algum mecanismo de bioeconomia seja através do extrativismo e assim por diante né E também a segunda tarefa é fazer com que os benefícios desse desenvolvimento reverta eh paraa população local Então isso é uma tarefa muito importante isso requer ciência interdisciplinar em todas as áreas com trabalho conjunto de físicos químicos biólogos com cientistas sociais né com economistas e é só dessa maneira que a gente pode encontrar um caminho sustentável pra região Amazônia Amazônica e o Amazona mais 10 é um programa que foi desenhado desde o início visando
esta essa coconstrução com as agências de fomento inicialmente pensadas só da região Amazônica mas que a gente observou que todos os estados brasileiros têm interesse na ciência amazônica voltadas pra questão de encontrarmos juntos como país uma trajetória de desenvolvimento paraa Amazônia O que é muito positivo o Brasil é um país muito desigual social economicamente e também cientificamente né então é fundamental Se quisermos construir uma sociedade mais justa é a gente diminuir essas desigualdades em todas as áreas e numa delas dessas áreas é a questão científica né então nós precisamos ter mais doutores ter mais pesquisadores
na região Amazônica né além de ter pesquisador dos demais estados fazendo pesquisa na região Amazônica naturalmente porque tudo isso faz parte de um Brasil único né mas é fundamental o reforço eh na região Amazônica de pesquisadores que possam tá trabalhando lá olhando pros problemas locais porque é muito importante a gente perceber que a adaptação às mudanças climáticas requerem muito estratégias que são locais né uma estratégia de adaptação climática que vale para um município pode não valer mais para município do lado né então nós temos aspectos de Desenvolvimento Social que são muito específicos região para região
então nós precisamos ter pesquisadores em mamirauá temos que ter pesquisadores em Belém em Rio Branco em Manaus cada um olhando pra sua região com seus próprios olhos né agora a gente nunca pode esquecer que hoje ciência tem que ser feito de maneira integrada então nós temos todos que trabalhar juntos todos estamos no mesmo barco seja na Amazônia seja no Rio de Janeiro seja em São Paulo com diferentes ah quantidades de recursos mas a gente tem que trabalhar para equalizar esses recursos para que todos possam contribuir igualmente pro avanço científico e tecnológico na Amazônia e pro
Brasil como um todo o Brasil tem um papel muito forte de liderança na área climática e esse papel muito forte é causado na verdade pela enorme diversidade de instituições que temos no Brasil cada um contribuindo com a sua área então nós temos por exemplo o IMP desenvolvendo modelos climáticos desenvolvendo plataformas de coleta de dados de satélites desenvolvendo setores sensores em satélites e assim por diante até a própria USP que tem uma massa crítica muito importante de pesquisadores mas também por um cientista lá do interior do Acre que opera por exemplo um dos instrumentos que a
gente tem de medida de radiação solar ele mede ele opera Esse instrumento lá em Rio Branco ou ou em Cruzeiro do Sul fazendo a sua parte da ciência que se junta aos esforços por exemplo da USP e do IMP que são as grandes instituições centrais nessa questão Então acho que é importante a gente olhar não só paraas grandes instituições brasileiras mas principalmente pra gigantesca massa crítica de milhares de cientistas que estão trabalhando no nordeste brasileiro na Amazônia no Rio Grande do Sul juntando esses dados e e fomentando a ciência da maneira mais eh interessante que
ela faz que é através da interdisciplinaridade então um biólogo medindo na Amazônia como é que uma determinada espécie de planta tá reagindo ao aumento de temperatura ou aumento do CO2 como é que isso daí eh pode ser integrado nos modelos climáticos que o IMP desenvolve e assim por diante então a beleza da ciência brasileira está muito nessa equipartição de responsabilidades entre desde Quem tá lá no interior da floresta amazônica com o seu conhecimento às vezes até um conhecimento tradicional um conhecimento indígena até nos grandes centros de pesquisa e universidades do do Brasil eu acho que
é muito importante a gente reconhecer que pra gente entender o clima do presente e o clima do Futuro nós temos que olhar pro passado né então Ah nós temos atualmente em execução na Amazônia um projeto que eu acho extraordinário sendo financiado pela Fapesp que é um projeto que tá furando testemunhos de sedimentos né no Acre na região de Manaus e na região do Foz do Amazonas levantando toda a história climática da Amazônia e da construção da biodiversidade ao longo dos últimos 65 milhões de anos né isto é fundamental tentar entender né que sustos a biodiversidade
amazônica teve ao longo desses 65 milhões de anos e o E com isso aprender o que podemos esperar do Futuro né e Então são são pesquisas essencialmente básicas né de levantamento statig gráfico do passado da Amazônia mas que tem aplicações gigantescas sobre o nosso presente e o futuro outra surpresa interessante que foi feita mais recentemente também com financiamento da Fapesp foi a descoberta de que a amazônia foi populada na verdade por milhares de centros urbanos entre aspas né ao longo dos últimos 20.000 30.000 anos né então medidas feitas com elidar para fazer levantamento de biomassa
né quanto de massa de carbono temos nas árvores levantou várias ruínas que a gente desconhecia que hoje são cobertas pelo pelo Mato mas que mostram que a população amazônica ao longo dos últimos dezenas de milhares de anos foi muito grande esta população amazônica inclusive manipulou o ecossistema manipulou a biodiversidade da Amazônia levando a Amazônia que a gente tem hoje né então é uma contribuição Fundamental e muito bonita né de uma beleza plástica extraordinária de como o estudo do passado pode contribuir pro futuro da Amazônia né isto é verdade não só para PR região Amazônica mas
para todas as regiões brasileiras então isso mostra a importância da gente olhar pra ciência de uma maneira Ampla interdisciplinar e muito mais aberta do que as disciplinas fechadas que temos nas nossas universidades brasileiras como um todo foi muito interessante ao longo dos últimos 40 anos a gente observar como a ciência foi crescendo na questão das mudanças climáticas globais até eh obrigar por exemplo a ter um acordo como o acordo de Paris que não tá funcionando propriamente mas não não faz mal mas a ciência foi fundamental para Pressionar para que a população possa pressionar os nossos
governantes a começar a tomar alguma atitude em relação às mudanças climáticas globais então eu participei de várias conferências das partes né do acordo de Paris e é muito interessante você ver como funciona a dominação do sistema socioeconômico Em contrapartida a ciência para que na verdade empresas e governos que só conseguem fazer planejamento de curtíssimo prazo 4 C ou no máximo 10 anos né como que esta visão de curto prazo está causando danos que podem ser irreversíveis pro nosso planeta e Em contrapartida como que a ciência desenvolve cada vez mais argumentos mais robustos melhores modelos ah
esmiuçando processos que são não lineares extremamente complexos controlando o clima do nosso planeta e qual é o impacto do homem nesses processos de mudança climática Então foi uma contrapartida muito interessante olhar parte do sistema socioeconômico quero manter o status qu e olhando pro lucro no prazo mais curto possível e a ciência alertando a sociedade como um todo dos riscos que essa visão de curto prazo do maior lucro possível está trazendo pro planeta e pra nossa organização socioeconômica Então eu acho que este jogo de forças digamos assim no nosso planeta foi muito interessante de observar a
gente olha muito pra questão de de de na questão da ciência pra questão das publicações trabalhos publicados em revistas como Science Nature eu já publiquei cerca de 30 trabalhos nas revistas Science Nature né mas mais importante que isto é o legado que a gente deixa do ponto de vista de cientistas que a gente orientou nos mestrados nos doutorados nos pós-doutorados e que a gente vai formando ao longo da nossa carreira então dá uma ação extraordinária muito mais do que publicar paper vê por exemplo uma estudante que saiu da ufan em Manaus da área de computação
né Eh chegou a bateu um dia na minha porta dizendo Olha eu gostaria de trabalhar com ciências ambientais na Amazônia aí eu falo ok nós estamos precisando de gente temos esse projeto temos essa tarefa esta estudante faz o mestrado faz o doutorado em condições difíceis na região Amazônica né como orientada do camb do da pós--graduação em clima e meio ambiente do IMPA da UEA e da ufan esta estudante vai fazer um pós-doutorado na noa nos Estados Unidos e a contratada como pesquisadora da noa dos Estados Unidos então você acompanhar a trajetória de uma estudante desde
o mestrado no interior da Amazônia até tá trabalhando num dos maiores centros de pesquisa do mundo é uma satisa ação muito muito grande então hoje tem estudantes que são professores de universidades na França na Alemanha nos Estados Unidos um outro estudante eh que veio de uma região muito carente daqui da cidade de São Paulo fez iniciação científica mestrado e doutorado até se tornar pesquisador da Nasa desenvolvendo sensores que foram lançados no ano passado num satélite da NASA para monitorar o clima global então Eh você vê o sucesso dessas pessoas que você contribuiu eh paraa formação
Inicial dessas pessoas desde iniciação científica até o pós-doutorado é muito mais gratificante de que qualquer número de papers que a gente publica e é importante que a gente entender que uma das maiores missões que a gente tem num país como o Brasil é a formação de Recursos Humanos eu acho que é importante que a gente reconheça a importância do da ciência que é feito pelas populações tradicionais e populações indígenas eles têm um conhecimento milenar que na verdade está se perdendo né e a gente tá fazendo todo o esforço para tentar pelo menos recuperar uma parte
desse conhecimento esse conhecimento se dá através da função de plantas do estudo do funcionamento do ecossistema que é muito bem b ah entendido e compreendido pelas populações tradicionais e pelas populações indígenas porque eles dependem pra sua própria sobrevivência de entender e respeitar o funcionamento natural dos ecossistemas então eles têm um conhecimento que foi desenvolvido ah ao longo dos últimos milênios de um equilíbrio que infelizmente está Ah sendo quebrado pela atividade antropogênica forte em muitas regiões do nosso país então a gente precisa fazer um esforço muito grande de basicamente assimilar essa ciência e ao mesmo tempo
fazer com que os frutos dessa assimilação possam reverter paraas populações tradicionais paraas populações que geraram este conhecimento isso não é uma tarefa fácil não é uma tarefa que qualquer cientista isolado possa fazer mas a gente precisa ter políticas públicas de benefícios para quem gerou aquele conhecimento poder se beneficiar da deste conhecimento que tem uma tradição milenar [Música] [Aplausos]