[Música] nós convivemos diariamente com a violência estamos de tal forma entranhados por ela que alguns casos nem nos chocam mais e curiosamente estranhamente alguns defendem mais violência para combater a violência o nosso convidado de hoje é um especialista no assunto E vamos entrar um pouco mais sobre isso falando de ficção e realidade luí Eduardo Soares seja muito bem-vindo ao trilha de letras e vamos começar falando dessa violência que está permeando a nossa o nosso dia a dia eh e desse passado que passado é esse que tem conexão tão viceral com os atos violentos a história
brasileira Eliana é a história da violência de alguma maneira né mas antes eu devo dizer que é um privilégio estar com você conversar com você e de fato é como se fosse uma maldição sabe um destino atávico é o passado da colonização da dizimação das sociedades originárias da escravidão e de todas não só sequelas mas dessas estruturas autoritárias e de exploração do trabalho humano que sofreram modificações se combinaram com o processo de modernização nos inscreveram no mundo como uma sociedade de certa maneira afluente mas marcada por essas desigualdades abissais então olhando pro passado a gente
não encontra muita inspiração senão um sentimento de indignação que talvez propulsion um salto de qualidade paraa frente dependendo de como a gente se debruça sobre essas cenas de horror né que caracterizam a nossa história e luí Eduardo você mergulhou nesse passado e nessa violência como cientista como antropólogo e agora aqui enquanto anoitece é uma ficção eh a ciência precisa de respostas a ficção Precisa dessas respostas Olha eu acho heliana que você até sabe melhor do que eu que a gente quando escreve literatura faz pergunta e compartilha perguntas e cria dificuldades para as respostas simples e
automatizadas para desnaturalizar não só a realidade compartilhada no cotidiano e que muitas vezes se converte numa ilusão comum mas também para desnaturalizar essa esse automatismo de respostas superficiais né então a gente na ficção ou na literatura a gente tem que fazer um exercício para ter coragem de não saber de mergulhar na ignorância na própria ignorância não é e dessa maneira convocar leitoras leitores para pra dança compartilhada em torno do enigma do que é misterioso e ainda não conhecido Então eu acho que há uma distinção aí que é é importante sim sim eh na verdade esse
é o Essa é a magia né da criação da arte de uma de uma maneira geral Mas você como um alguém tão eh que tem uma vida né de estudos sobre esse tema a literatura ela é Ela pode pode ser ela pode levar você mais além nesse estudo ou ela é uma fuga dessa desse mergulho tão intenso de uma vida em um tema tão árido é muito interessante isso que você diz helana eu de fato não cheguei a pensar sobre isso e agora desafiado a fazê-lo né Eu imagino que haja um pouquinho das das duas
coisas aí a gente nem percebe mas talvez individualmente pela elaboração a a que a gente se dedica na escrita que ocorre em parte inconscientemente talvez haja alguns elementos de escape de fuga de recalque Mas por outro lado acho que também há um além que a gente procura ao qual a gente se permite de alguma maneira né um além que não não pode ser definido Teoricamente conceitualmente de forma abstrata e genérica como se a gente tivesse fazendo ciência ou filosofia né o além e uma espécie de de mergulho eh que torne as nossas próprias convicções incertas
sim e que nos provoque e talvez a gente então assim consiga dar uns passos que não seriam possíveis na ciência né pelo menos não dessa maneira sim eh eu eu vejo que bom com o que eu escrevo né no meu ato de escrever e também de muitos colegas escritores e escritoras a gente usa a literatura também como uma forma de imaginar cenários futuros possíveis e não só o futuro mas com também o passado porque como a gente tem um passado muito nebuloso em muitas áreas né eh é uma espécie de quebra-cabeça que a gente tenta
remontar e fabular em cima desse passado e desse futuro eh você acha que e e bem focando nesse tema da violência né que a gente acha que não vai sair daquilo né você acha que é possível a gente imaginar eh outra vida outro cenário Nacional nesse tocante por intermédio da literatura por intermédio da literatura sim porque a literatura é o espaço da liberdade então é possível que a a gente inclusive eh crie imaginariamente mundos alternativos Essa é a beleza e é o e é o talvez o grande impulso né intelectual afetivo da literatura mas eh
sendo intelectualmente honesto e pensando como antropólogo e dando testemunho dessas décadas é que eu tenho me dedicado em que eu tenho me dedicado a essa temática eu diria a você que com as condições que estão dadas hoje aquilo que tem sido o Brasil com esse essa profundidade eh das desigualdades com o racismo estrutural patriarcalismo falocêntrico que nos eh que nos aprisiona inclusive né que circunscreve limita a nossa capacidade de imaginar alternativa nesse quadro que é Sombrio né de brutalidade é muito difícil vislumbrar saídas a gente pode minorar aqui um problema mitigar outro ali reduzir danos
mas daqui a um futuro em que a gente respire inclusive pensando na questão ambiental na crise climática eh eh a gente tem de precisa da literatura precisa da Imaginação não há uma linha contínua entre esse presente e um futuro desejável sim então a sociedade uma sociedade de paz aquela coisa John Lenon é uma Utopia a gente se alimenta dessas utopias porque elas pelo menos definem um rumo não é pra gente seguir mas D Utopia a a realidade é um E você já escreveu um livro sobre aquecimento global eh esse tema a gente você acabou de
citar aí me me deu esse Insight né Eh é possível a gente falar sobre aquecimento Global dentro desse tema também está contido a violência de de uma forma muito muito visível hoje né é impossível a gente não não olhar dentro do que acontece no meio ambiente todo esse cenário descrito no enquanto anoitece a relação entre as coisas eh como é que a gente pode tornar pra sociedade essa esse link mais nítido mais mais para que as pessoas consig consigam vislumbrar esse cenário é interessante Helena porque a gente sempre pensa na ficção como o território das
Artes o reino da Imaginação mas curiosamente o negacionismo neofascista que marca os últimos anos do Brasil nos ensinou que há um outro tipo de ficção não é que há uma forma de desconstrução das percepções do Real a serviço de ideologias autoritárias e de fato protone neofascistas sim então nós estamos numa situação em que por um lado nós precisamos da imaginação da fertilidade criativa da Liber engilhada né e de outro lado a gente tem de chamar atenção pro real plantar raízes no real para desmascarar o negacionismo e há portanto uma espécie de encruzilhada como você disse
né a a ficção é indispensável pra gente inclusive maginar futuros possíveis e pra gente ir além do conhecimento trivial Mas por outro lado a gente tá numa guerra contra uma ficção ácida corrosiva venenosa que nos impede de avançar por conta justamente do negacionismo a gente tá numas urgências que estão essas urgências estão convocando os artistas e os Escritores a se engajarem em algumas coisas né e enfim provocando também essa discussão e ampliação de pensamento né Eu acho que estamos nesse front mas então vamos falar no enquanto anoitece que é a história de um homem né
Tem tem um arco do personagem muito interessante que começa nos anos 50 na metade dos anos 50 e vem até a primeira década do século XX 2005 então tem uma coisa com a ditadura matadores de e tal da ditadura e o cara Muda de Vida é Um Nordestino vem para o para o Sudeste tá num acha que aquele passado passou e de repente ele é de novo capturado por aquilo como você imaginou Esse é engenhoso é muito genial esse essa ponte né E como é que você imaginou esse personagem e por desse dessa vida Uhum
você sabe que o eh cada livro é um livro então a gente às vezes escreve mais rápido às vezes demora mais eu percebi não sei como descrever isso chegou até mim ou brotou em mim a imagem do personagem e desse Arco subitamente do mas apenas do arco seria um pouco a história do Brasil do povo brasileiro povo trabalhador brasileiro alguém que é camponês submetido a exploração do do proprietário de terra no latifúndio no Nordeste eu comecei meu trabalho como antropólogo estudando camponeses na Amazônia na Amazônia Legal e a luta contra o processo de expropriação quando
eu comecei a estudar a violência era a violência Rural a violência urbana era secundária mais ou menos lateral A grande questão da violência era violência no campo era a expulsão a expropriação dos trabalhad rurais e E essas milícias no campo que atuavam a serviço do que nós chamamos os coronéis do interior Esse era o ponto então eu imaginei um personagem e eu conheci alguns assim realmente que terminavam a vida ainda trabalhando já idosos em como porteiros por exemplo de prédios em áreas afluentes do Rio de Janeiro então alguém que vem lá do nordeste como a
migração brasileira né e e chega a uma grande cidade e que faz uma inflexão mudando de vida procurando mudar a sua própria identidade de alguma maneira se reinventando e que entretanto acaba lançado de volta como você disse tão bé para esse passado e que se impõem a ele por circunstâncias que são superiores à sua vontade sua capacidade de de intervenção direta e é um personagem chave que é o filho desse homem que já nasce no Rio de Janeiro e eles moram numa favela e o personagem idoso fica viúvo esse menino perde a mãe e todo
o sonho do pai tá depositado no futuro desse filho grande expectativa e ele trabalha para seu filho estudar e o livro começa quando a essa notícia maravilhosa e é uma celebração e porque o menino chegou à universidade de medicina Graças às políticas que no início do século XX no primeiro governo Lula franque esse acesso abrem portas e e facilitam essa trajetória e ele então se sente orgulhoso e vitorioso e esse menino logo depois da celebração desaparece numa favela do Rio dominada por milícia cercada por policiais corruptos que também participam da as milícias você imagina o
desespero porque tudo pode ter acontecido mas o que de fato aconteceu Ele não consegue imaginar o levará muito além de tudo isso ou muito a quem pro fundo mais remoto e sombrio do seu passado então a a ideia foi essa surgiu o o o desenho surgiu na cabeça junto do personagem e do seu filho mas eu fiquei 5 anos para escrever o livro que é pequeno mas tem essa ambição né um pouco história é são livros pequenos com grandes bolinhas ali de chumbo né densos mas vamos voltar nessa questão do passado antes vamos para o
dando a letra Roberto Beviláqua decide se mudar para a Itália para curtir a sua aposentadoria porque ele sabe que sua vida não é eterna mas lá ele encontra a Brava e jovem Serena que vai fazer eles reviver e mudar a Sua percepção venha viajar para a Itália conhecer várias regiões do país se emocionar com os personagens e se divertir com eles também então CL é brava [Música] Serena Voltamos com o escritor e antropólogo luí Eduardo Soares para conversar sobre o seu livro enquanto anoitece esse personagem o Raimundo e sobre passado ele tem um passado de
violência ele se vê jogado outra vez dentro daquela de uma é uma roda e aí eu te pergunto o passado é inescapável que pergunta el você não quer responder não eu não estou aqui para fazer perguntas fáceis e de certa maneira inescapável porque nos constitui Mas por outro lado eu acredito muito nas metamorfoses nas mudanças e acho que há um complô conservador que nos remete de volta ao que nós fomos eh as interlocuções nossas as interações as relações nossas e as instituições tendem não só pelo estigma às vezes por outras formas de qualificação por uma
espécie de concertação de expectativas de chumbo que são também aprisionante elas tendem a nos lançar o que nós fomos ontem ou no passado mais mais distante e é preciso um esforço muito grande pra mudança Eu sou amigo e faço pesquisas também compartilho experiências e de algumas pessoas que foram presas estiveram presas muitos anos são egressos e um amigo em particular ficou 25 anos preso e ele tá há 4 anos tentando demonstrar a comunidade aos seus amigos e inclusive familiares e amigas que ele mudou que ele não é aquela figura presa no passado pela prisão né
condenado a ser quem foi que é definido por um verbo por uma prática por um ato com o qual ele não se reconhece se identifica mais sim aí ele vira o criminoso porque perpetrou o crime né e ele é muitas outras coisas foi muitas outras coisas e tá distante desse universo totalmente Mas é difícil romper o grilhão de uma imagem petrificada eu te fiz essa pergunta porque isso me intriga muito né porque o Brasil Alé é esse país que nega né uma parcela do país nega o seu passado nega e diz que é preciso olhar
paraa frente Ah por que falar da escravidão vamos olhar pra frente por que falar da ditadura vamos olhar paraa frente mas ao mesmo tempo aprisiona as pessoas nesse lugar do eterno criminoso do eterno isso do eterno aquilo não há um motivo de não há uma permissão para mudança né e e as redes sociais Parece que só aprofundaram isso né porque você é impossível você mudar de opinião né isso eu acho que é algo interessante da gente investigar como que a gente escreve é curioso né porque a gente sempre cobra coerência como sendo assim um princípio
fundamental que não pode ser rompido um valor que não pode ser transgredido E no entanto muitas vezes a incoerência é que é fértil né Porque que a gente não pode mudar aprender rever alguma ideia alguma prática recomeçar retomar caminhos e esse revolver biográfico pode ser experimentado socialmente diferente é você negar o passado é diferente você evitar olhar nos olhos a barbárie que constituiu o passado por exemplo de uma sociedade como a nossa não reconhecer o que foi e o que é ainda a marca da escravidão da colonização eh da do genocídio dos povos originar e
assim sucessivamente a gente tem que lidar com o luto né elaborar as perdas mas para isso é preciso reconhecer a Dor Desse passado mais uma Encruzilhada pra gente decidir que que que caminho tomar ou não né ou não eh e em recentemente você falou que o o escritor Daniel galera e mãos de cavalos foi uma uma referência outras referências que você uma inspiração ou enfim outras referências para a sua escrita literária Olha eu acho que tudo que a gente lê de alguma maneira impregna gente não dá nem para distinguir o Daniel G essa essa pergunta
para mim é muito difícil porque tudo que eu li de alguma maneira tá presente né então o galera é um grande escritor eu tenho uma imensa admiração por ele e o mã de cavalo me me impressionou muito e a livros extraordinários que que tão em mim cotidianamente eu releio por exemplo a piada infinita ou a a graça infinita do Foster Wallace foi traduzida pelo Galindo que é uma uma maravilha eh os livros do com mccarthy tô dizendo os mais distantes porque aqui nossos e nossas escritoras tão tão tão fortes tão importantes e e por isso
é difícil você distinguir um ou outro influência pensar né na sua pé na sua história o que que te influenciou ou não né e enfim são a gente é é a soma de tudo que a gente é de que a gente já leu e o o o personagem principal do enquanto anoitece é um homem nordestino essa marca né da dos homens nordestinos no sudeste que vê fazer a vida porque fazer desse personagem colocar esse personagem eh Nordestino no enquanto anoitece não se trata para mim de uma decisão é como eu te disse num certo momento
veio a mim essa imagem que me me mobilizou muito e de alguma maneira isso permitia seguir a travessia histórica brasileira e seguir uma trajetória biográfica imaginária e segui de alguma forma até o itinerário pessoal eu a medida em que eu comecei a chegar à idade adulta estudando camponeses na região Amazônica depois Segui a trilha do estudo da da violência em suas várias modalidades no meio urbano também foi um um trajeto eu participei da Resistência à ditadura da Resistência clandestina ditadura depois do processo de transição as frustrações nossas algumas conquistas muitas derrotas é uma maneira também
chegando eu comecei a escrever esse livro já tinha entrado nos nos 60 tô com 70 Então acho que também era um momento de de contemplar essa história e de alguma forma dotá-la de um mínimo de inteligibilidade de unidade dar algum sentido numa dimensão ficcional e o ainda a investigar literariamente Você tá em outras pesquisas em outros livros eu escrevi um romance nos anos 90 sobre a ditadura O entorno né a gente nunca diz exatamente sobre um objeto porque isso se derrama sobre outras dimensões mas eh recentemente eu publiquei um romance com Rafael Coutinho que é
artista plástico e não era só ilustrador ele foi ele compartilhou também a elaboração do romance chama 2066 que é sobre o futuro do Rio de Janeiro muitos anos adiante e e e parte justamente em função do aquecimento global da crise climática de um redesenho da geografia do Rio de Janeiro da do litoral modificação sociológica demográfica e até geográfica com implicações Então seria o o digamos entre aspas uma distopia carioca uma espécie de cenário Sombrio prospectivo mas também atravessado por possibilidades positivas então é uma história que se passa nesse Rio futuro eh tem um um romance
que vai ser publicado no final desse ano eh o crânio de vidro que é do do selvagem digital crânio de vida do selvagem digital vai ser publicado até o final do ano que gira em torno de questões da política também da crise climática e e crises individuais associadas a essas angústias todas que nos desafiam tem outro que se chama o mundo intacto e que também diz respeito a desdobramentos muita produção é esse ainda não não tem Editora então eh sei eu eu viem anos eui fazendo 100 anos mas vamos ler um pedaço do enquanto anoitece
aqui para nosso público do trila de letras transitando entre as vítimas insultas da máquina do mundo Raimundo não evita a impressão de que é uma história sendo contada e de que ela é a sua história cujo fim só pode ser um a máquina do mundo gigantesca e poderosa trabalha apenas para ele toda a gente é coadjuvante do destino dele Raimundo e a engenharia das coisas todas se movendo em sincronia obedece a um único propósito Serv a ele a sentença quehe compete nesse espírito ouve a voz miúda do Homenzinho de branco que o prepara pra visão
do corpo sob o lençol é esse aqui levanta o pano que cobre o rosto não é luí Raimundo estremece no caminho de volta envergonha da Alegria uau muito forte né eh e e esse trecho ele fala de uma coisa muito muito cruel tudo na violência cruel é violência é crueldade sinônimo de crueldade mas tem essa coisa de você eh a morte da morte ou seja você tem a perspectiva daquela pessoa est não est mais aqui e e e quantas vezes se interra às vezes prematuramente um ente querido por conta desse ciclo infinito de violência né
E E no caso do Brasil eu acho que a gente tem uma uma outra coisa que é quantas vezes se enterra um filho né quando não se encontra ã os mandantes ou os assassinos quando há o julgamento e o resultado do julgamento não enfim liberta pessoas que assassinaram Então a gente tem a sensação de est enterrando pessoas muitas e muitas vezes eh a literatura pode ser um alívio para esse para essa sensação de eterna injustiça eh eu eu acho que parceiro cúmplice dessa injustiça você descreveu tão bem eh é a nossa indiferença ou a normalização
a naturalização né como se por exemplo a violência policial letal que constitui um verdadeiro genocídio de jovens negros e de jovens pobres nas periferias urbanas e nos territórios vulneráveis como se isso fizesse parte da natureza mas o Brasil é assim eh e e isso se repete se produz vai se estendendo justamente porque boa parte da sociedade lava as mãos e era isso algo eh intrínseco à natureza das coisas como elas seriam e desnaturalizar eu acho que é tarefa política ético política de cada uma e de cada um de nós e também evidentemente da literatura luí
Eduardo foi muito bacana o nosso papo eh eu espero que todos e todas Leiam um enquanto anoitece uma história sensacional desejo uma semana excelente para todos e todas nunca esqueçam trilha o caminho da literatura passa aqui na TV Brasil [Música] l [Música]