[Música] no rastro da Coop 27 que acontece agora em novembro no Egito a TV USP em parceria com a comissão organizadora do simpósio florestas e Bem Estar humano promove uma série de entrevistas dentro dessa temática do simpósio e eu tenho agora o prazer de conversar com um engenheiro florestal Rodrigo Antônio Braga Moraes Victor assessor técnico da diretoria executiva da Fundação Florestal membro da equipe de editores da publicação serviços ecossistêmicos e bem-estar humano na reserva da biosfera do cinturão verde da cidade de São Paulo publicação do Instituto Florestal O Rodrigo é um dos painelistas do simpósio
que acontece de 8 a 10 de novembro aqui na Esalq USP em Piracicaba Rodrigo antes de mais nada obrigado por aceitar o nosso convite é um prazer Rodrigo fala um pouco para nós sobre a história da fundação e sobre as atividades que vocês realizam lá a Fundação Florestal ela é uma organização fundada em 1986 e que hoje é responsável por fazer a gestão das unidades de conservação estaduais do Estado de São Paulo então todos os parques estaduais as estações ecológicas as áreas de Proteção Ambiental as reservas de desenvolvimento sustentável entre outras categorias são geridas pela
Fundação Florestal então é uma área de perto de 4 milhões de hectares isso dá mais ou menos 15% do Estado de São Paulo que são áreas direta ou indiretamente administradas pela Fundação Florestal agora na tua fala durante o evento aqui tu fala muito sobre a importância dos chamados ecossistemas urbanos até coloca como fundamentais para melhoria da qualidade de vida da população em vários aspectos né cita a questão da produção de alimentos a questão da regulação climática controle de erosão entre outras coisas você pode falar um pouquinho mais sobre isso claro a gente trabalha com o
conceito de serviços ecossistêmicos que é uma forma de traduzir a contribuição da natureza para o bem-estar das pessoas né porque sempre a gente soube que existia essa relação de causa e efeito de que a natureza é essencial para as pessoas porque possibilita a água em quantidade e qualidade possibilita amenização climática só que a partir dos anos 2000 é que isso começou a ser tratado como uma ciência com um direcionamento mais específico né Principalmente a partir da avaliação ecossistêmica do milênio que foi um grande painel internacional que pegou tudo toda a produção científica que já tinha
sido feito sobre a matéria sobre esse a temática e traduziu em relatórios para tomadores de decisão então justamente explicando detalhando Trocando em Miúdos essa relação de ecossistemas Bem Estar humano ou seja são todas as necessidades humanas para sua sobrevivência e para sobrevivência com qualidade né então a gente a gente Analisa essa publicação que você mencionou é uma publicação onde a gente teve a gente pegou um território como um estudo de caso que é o território do cinturão verde da cidade de São Paulo né que é uma área que ela é maior do que a região
metropolitana de São Paulo abrange 78 municípios né e é uma área responsável por quase 20% do PIB do Brasil e onde vivem 25 milhões de pessoas mais de 25 milhões de pessoas né Então essa publicação a gente procurou correlacionar Qual é a dependência da vida nessa grande região metropolitana de São Paulo e da Baixada Santista Quais são as ligações com o cinturão verde então a gente a gente decodificou isso justamente para possibilitar aquelas pessoas que estão tomando decisão sobre o território pode ser um prefeito pode ser um colegiado um comitê de bacias pode ser uma
uma um proprietário privado para que ele conheça melhor os impactos das suas decisões sobre esse território no bem-estar como dessas pessoas né então existem exemplos claríssimos como a água a região metropolitana de São Paulo ela é abastecida por sistemas de abastecimento que estão aí num raio de até 100 Km da cidade então são fontes de abastecimento relativamente próximos e que tão quase que 100% abrigadas no Cinturão Verde então o cinturão verde é responsável pela é onde essa água é produzida né onde estão as nascentes e onde essa água fica reservada né então é óbvio supor
que qualquer uso ruim que a gente faça do solo da terra de a gente vai ter um impacto direto na água em sua quantidade e qualidade então a gente procurou demonstrar o papel do ecossistema para o bem água né então como é que o ecossistema permite que a gente tenha água durante todo o ano mesmo nas épocas mais secas onde não chove a disponibilidade da água Depende de um ecossistema preservado né Assim como para que a qualidade da água seja assegurada a gente depende do ecossistema preservado Se possível com florestas né então assim como esse
a gente tem o exemplo da mitigação climática local então a gente discutiu e procurou exemplificar como que as áreas verdes elas são importantíssimas para o controle da temperatura né Elas regulam a temperatura do ar elas tornam mais amenas a temperatura do ar principalmente como a função preponderante nas épocas mais quentes do ano né Então as áreas verdes elas refrigram e elas vão me edificam o ar isso tem um impacto direto em saúde humana né incidência de doenças cardiorrespiratórias Então a gente tem muito mais mortes nesses picos de calor para as pessoas que vivem distantes de
área daqui não são beneficiadas por essas contribuições da natureza né a gente também teve oportunidade de avaliar os aspectos culturais do meio ambiente desse Cinturão Verde do ponto de vista da sua contribuição para o folclore de determinadas comunidades tradicionais né o uso religioso uso cultural que eles fazem do meio ambiente para produção da comida para a produção dos artefatos para elaborar comida dos artefatos para prática religiosa né para construção dos símbolos é uma dependência direta dos ecossistemas né tanto como fonte de inspiração quanto como fonte de matéria-prima para construção de determinados produtos que são úteis
para eles né e a medida que a cidade vai chegando e vai eliminando esses ecossistemas você vai comprometendo também a própria Cultura a própria reprodução cultural dessas comunidades tradicionais do ponto de vista da alimentação a gente ainda tem muito alimento produzido no Cinturão Verde de São Paulo embora essa a quantidade tem a diminuído ao longo dos anos principalmente em função da expansão Urbana né mas ainda existe uma agricultura relevante principalmente de produtos frutos granjeiros produzidos na região por exemplo de Mogi das Cruzes Salesópolis Suzano Biritiba Mirim né também para região oeste de São Roque de
Ibiúna na região sul da cidade de São Paulo existem também produtores tradicionais então é uma comida que vem de perto você não precisa deslocar fazer viagens tão longas com gasto de energia que que a gente tá numa época que precisa começar a pensar não implementar seriamente medidas para economia de consumo de energia economia de energia então esse tipo de alimento produzido perto do Consumidor ele gera ele gasta menos energia né então é importante a gente também tem que compreender esses aspectos e tentar favorecer a permanência dessa produção agrícola e nós estamos falando de uma região
altamente pressionada por expansão Urbana né pelos vetores de de urbanização então é a essa publicação esse processo ele ajuda a colocar na balança das tomadas de decisão Perdas e Ganhos né então a gente sempre historicamente fez as coisas que a gente precisava fazer sem ter exata noção das perdas né a gente sempre durante muito tempo durante muito tempo teve essa noção da natureza ilimitada que fornece recursos mesmo sendo maltratada e degradada e hoje a gente tem comprovadamente os dados mostrando que não é assim que a gente tá comprometendo o nosso bem-estar os nossos meios de
sobrevivência a medida você vai avançando sobre esses espaços verdes sobre esses ecossistemas naturais né e o preço não paga é isso que a gente quer mostrar então por mais que o lucro a curto prazo gerado pelos certos usos que se faz dessas terras os bens que você tá deixando de gerar são maiores e mais estratégicos para sobrevivência das pessoas né então eu acho que a a publicação busca Trazer isso para atenção das pessoas que que estão tomando decisão né que são formuladores de políticas que estão aí com protagonismo sobre o uso dessa terra Então as
pessoas têm que para você tomar decisão você tem que examinar a balança dos prós e dos contras qualquer tomada de decisão que não se paute por uma análise agrada e você saber que que você tá ganhando o que que você tá perdendo são mas tomadas de decisão e que geralmente comprometem futuro médio e próximo das sociedades que vão que tanto das nossas como aquelas que vão nos suceder então a gente não pode fazer uso atual dos recursos dos ecossistemas comprometendo o uso futuro deles eliminando e comprometendo o serviços que vão beneficiar o bem-estar das pessoas
agora interessante Rodrigo você citou sobre o papel preponderante extremamente importante da publicação e da subsídios para quem é tomador de decisão nessa região provavelmente com a maior concentração populacional do país né mais populosa responsável por boa parte da renda né do PIB do país agora você não acha que a comunicação com a sociedade de forma geral não falando única exclusivamente dos formadores de opinião mas a com a sociedade geral não é ainda um grande desafio nesse processo de conscientização absolutamente sim absolutamente Sim a gente talvez tenha pecado em muitas ocasiões no sentido de não decodificar
a linguagem técnica as evidências e as descobertas científicas por uma linguagem digerível pela população como um todo né Então tá claro para gente que não adianta você ter uma produção científica vasta né você gerar as evidências que são necessárias para a gente se reorganizar enquanto sociedade se essa informação não chegar na ponta da linha e aí inclusive o próprio evento que o simpósio foi fundamental tanto para a gente consolidar a temática das áreas verdes para saúde né então foi um momento da gente reunir especialistas pesquisadores é gestores pessoas que estão na ponta da linha de
reunir em dois três dias de discussão muitas coisas do que a gente já sabe e que são informações confiáveis da dependência e dos benefícios das áreas verdes por bem-estar e para saúde das pessoas saúde física e saúde psíquica né e uma das formas de a gente quebrar essa barreira de comunicação é justamente Nos programas de educação ambiental que que estão presentes e muitas dessas áreas verdes né então eu por exemplo venho de uma organização de gestão de áreas protegidas de parques e a gente tem um programa de educação ambiental nessas nossas unidades e é fundamental
a gente trabalhar esses temas na educação ambiental porque é o ponto de contato da natureza com as pessoas que dependem da natureza e a educação ambiental no Brasil é algo muito desenvolvido muito evoluído e elogiado no mundo inteiro a forma como a gente avançou no campo da educação ambiental e a educação ambiental Nossa inclusive os programas de educação ambiental inclusive são aquele momento em que inclusive os mais pobres podem ir para entrar em contato com as áreas verdes né é oportunidade onde as escolas de periferias as escolas públicas As populações que tem menos possibilidades de
viajar no fim de semana e no parque Bacana Então acabam fazendo isso nos programas de educação ambiental e é justamente nesse momento que a gente pega a pessoa no momento de descontração no momento de boas energias e aberta para novos conhecimentos né então a gente precisa intensificar a comunicação precisa investir na melhoria contínua da qualidade da comunicação para informar para essas pessoas Olha isso que você tá visitando aqui além de ser um bem público seu isso é essencial para o seu bem-estar né Você pode até não ter contato diário com essa área mas é daqui
que vem a água que você bebe né aqui existem contribuições fundamentais para tua para o teu dia a dia que você nem imagina e aqui é uma vai ser uma oportunidade da gente discutir e poder te informar sobre isso e na tua leitura Rodrigo para onde esse debate caminha então nós estamos aqui participando desse simpósio extremamente importante eu diria até de certa forma inovador que trabalha essa essa temática da relação da floresta e o bem-estar humano de uma forma bem mais Ampla bem mais abrangente para onde esse diálogo deve caminhar e que resultados práticos a
gente deve deve ter disso a média longo prazo isso daí eu acho que todo esse esforço ele deveria desaguar em algumas políticas públicas bem definidas em primeiro lugar proteger áreas de ecossistemas nativos florestas unidades de conservação proteger áreas verdes praças investir na arborização das nossas cidades não é um investimento apenas estético Isso define e condiciona bem-estar e saúde das pessoas portanto a gente precisa investir mais em políticas e Conservação e recuperação do verde tanto na cidades como no entorno da cidades em áreas rurais a importância disso tá vai além da diversidade biológica da biodiversidade que
por si só é muito importante mas a gente precisa primeiro é consolidar esse entendimento de que é preciso de que meio ambiente é uma área de investir deve merecer investimentos pesados porque hoje os investimentos na área de Meio Ambiente infelizmente ainda são residuais a gente precisa colocar o meio ambiente no núcleo duro dos investimentos públicos E aí já falam outro eixo importante visando bem-estar e Saúde Pública é a nossa política nacional as políticas estaduais e municipais de saúde precisam usar o verde e a natureza como uma ferramenta adicional para garantir saúde das pessoas tá aprovado
que é eficiente que funciona e a gente não pode manter e as pessoas indefinidamente só com o tratamento clássico medicamentoso e curativo né a gente precisa ferramentas alternativas está cientificamente comprovado o benefício dessas áreas verdes para saúde das pessoas e ao fazer isso a gente também contribuir com o terceiro eixo que tá muito envolve agora que é das mudanças climáticas não dá para você trabalhar em mitigação de mudanças climáticas sem pensar em manter as áreas verdes atuais e recuperar aquilo que foi perdido então é um parte de investimentos são conjunto de razões que estão se
cristalizando que eu acho que a gente embora o tema vá até para muito além disso daqui eu acho que a gente deve falando em caminhos né em rumos a gente deve cada vez mais investir nosso discurso no sentido de alertar a importância da questão ambiental e da questão do verde da florestas para essas esses três eixos de saúde pública de mudanças climáticas né e de aumentar os investimentos na área na área ambiental como um todo isso daí é investimento que Vai resultar em retorno proveitoso para nós mesmos né Nós estamos num rumo muito perigoso de
comprometimento das condições de vida no planeta bastante discutido isso a gente tem formas de reverter isso é claro que cortar emissões de dos gases de efeito estufa é uma coisa importantíssima mais importante mas a questão das áreas verdes e da conservação e Recuperação Florestal também é muito muito bom Rodrigo para a gente encerrar quem quiser conhecer um pouco mais o teu trabalho a publicação as atividades da Fundação Florestal como que deve proceder onde acha mais informações então existem dois sites que que são bastante úteis existe os sites o site de guia diárias protegidas ponto sp.br
Então quem quiser conhecer as áreas protegidas do Estado de São Paulo vai lá no se der um buscador também guia diárias protegidas vai estar todas as informações os mapas informações de distância que tipo de vegetação é aquela unidade qual é o tamanho que dia funciona tem centro de visitantes Quais que são as possibilidades de acomodação de trilha né o site da Fundação Florestal também traz outras informações muito úteis para as pessoas conhecerem o nosso trabalho que é o f de faca florestal.sp.gov.br e o livro pode também dar um inserido buscador serviços ecossistemicos e bem-estar humano
na reserva da biosfera do centrão verde da cidade de São Paulo e pode fazer o download gratuito do livro tá ótimo Rodrigo mais uma vez muito obrigado por aceitar o nosso convite Ok prazer é meu eu conversei com o engenheiro florestal Rodrigo Antônio Braga Moraes Victor da Fundação Florestal um dos painelistas é um dos palestrantes aqui do simpósio florestas e Bem Estar humano Quero Agradecer aproveitar para agradecer também a parceria da professora Teresa magro e da podcast de pesquisadora Gabriele Abreu Nunes que nos ajudaram muito na concretização desse projeto da série de entrevistas Agradeço também
a você que nos acompanhe mais uma edição Lembrando que sua opinião é sempre muito importante para nós então envie suas dúvidas críticas sugestões ou através dos nossos perfis nas redes sociais nós nos encontramos no próximo programa um grande abraço e até lá [Música]