Desde moleque eu sempre fiquei sozinha. Se não me engano, minha mãe começou a me deixar sozinha com 7 anos de idade. Eles trabalhavam muito.
A van da escola me deixava na porta de casa, como o portão era na chave, eu entrava. Minha mãe já deixava comidinha praticamente no microondas. Eu esquentava e ficava tarde inteira sozinha.
E desde criança sempre arrumei casa, lavei vasilha e fiz bagunça. Brincava de boneca e ficava fazendo minhas coisas. Só que eu fui crescendo, então era 7, 8, 9, 10, 11, sempre sozinha.
Aí eu assistia vários filmes, às vezes as minhas amigas iam lá para casa da escola que também as mães deixavam, porque o meu bairro, eu moro num bairro assim periférico, aqui nesse bairro tem muitas crianças que ficam sozinhas. Parece para quem tem uma condição de vida melhor que isso é um absurdo, mas é um absurdo pra mãe e pai que tem condição de pagar uma babá, que tem quem com quem deixar o filho. Mas aqui na nossa vivência aqui isso é normal, entendeu?
Isso é o de menos. Isso aqui é as crianças é que cuidam uma da outra o tempo inteiro. Pai e mãe não tá em casa, não tem tempo para ficar cuidando de criança o tempo inteiro, entendeu?
Então desde moleca sempre foi assim. E eu jogava bola na rua, brincava de esconde esconde, brincava de bet, brincava de elefante colorido, ixe, brincava de altas coisas na rua, sabe? Eh, às vezes a gente achava gatinho na rua, andava de bicicleta, porque assim, a gente da periferia, mas a gente alguns tinha umas bikes e tal, não era todo mundo, o irmão tinha skate e a gente cresceu assim e no na rua de baixo que tem uns lotes cheinho de árvore, de goiaba, de manga, de acerola, de eh tem pé de ciguela.
Então, a gente sempre subiu no pé de tamarindo da gente colhia, a gente levava para casa. Então eu cresci no meio dessa molecada e por mais que eu tinha 7 anos, ficava sozinha, tinha vizinhas que elas eram mais velhas, tinha 14, tinha 15. Então às vezes quando eu sentia medo ou algo do tipo, eu sempre ia lá na casa das minhas vizinhas e também ficava na casa delas, entendeu?
Com elas o tempo inteiro. Às vezes as irmãs delas fazia lanche. Às vezes elas iam lá para casa, fazia lanche lá de casa de coisa que minha mãe tinha comprado para mim.
Então assim, a gente sempre se apoiava e minha mãe sabia de tudo que rolava, de tudo que acontecia. Quando eu fiz uns 14 anos de idade, eu comecei a me interessar por um carinha que ele tinha aberto uma barbearia no meu bairro. E a gente começou a ficar muito na barbearia, eu e as minhas amigas.
A gente sempre ia lá na barbearia e sempre tinha unos menininhos do bairro lá. E quando a gente colava lá, a gente sempre fumava pode, fumava vape, eh, narguilê. E enquanto os clientes estavam lá cortando o cabelo, às vezes a gente ficava tomando bebida.
Então, eu comecei a experimentar eh água de coco com whisky ou vodicaa já com 14 anos. Eh, experimentei meu primeiro cigarro também com essa idade. Só que aí um dia a gente tava de boa lá e era muita gente, tava era papo de 15 adolescentes assim, sabe?
Mas é óbvio, não era só adolescente. Os caras eram mais velhos. Tinha cara de 21, tinha cara de 22, tinha cara de 20, tinha cara de 19.
Tinha os caras mais velhos também. Mas é tudo nessa faixa etária. Um cara novo mudou pro bairro.
e foi cortar o cabelo lá nessa barbearia. Bem num dia que a gente tava fumando na arguilê com o som de carro tocando a porta da barbearia e a galera fumando e tals. E aí ele foi, colou lá e aí ele gostou muito e virou amigo da galera, eh, falou se não podia beber com nós e começou a explicar que ele tinha vindo do Maranhão e que tava morando agora eh tava morando agora na nossa cidade e que a gente ia ficar todo mundo ali e tal.
E ele tinha dinheiro, ele tinha carro, ele tinha um Golf bem bonitinho, rebaixado, com zero cromado. E ele era todo meio que é tipo mandraquezinho playboy, tá ligado? Tipo, tinha os oclezinho original, tinha as a ciclone original, as peito original, umas paradas bem assim.
E aí ele começou a colar muito com a gente, colar muito na roda. E um dia quando tava só um grupinho de cinco pessoas, as cinco pessoas mais velhas e eu, porque eu sempre ficava lá, porque eu não queria ficar em casa sozinha. E ele falou que tava ia fazer um corre para levantar um dinheiro e perguntou se a gente não queria ir junto.
Falou: "Mano, que corre? ", tá ligado? "Que corre é esse?
". E aí ele virou para mim e falou que se eu fosse ele contava, mas que ele não ia falar, que tinha que ir. Já os moleques sabiam o que que era.
Tinha um que tava até com medo, falava: "Ah, mano, não vou não, João. Vou não. Tô com medo.
Tô com medo, mano. Medo de quê? Vamos embora, eu faço essa vida inteira que eu não sei o qu, pá.
Falei, mano, que que esses caras vão fazer, né? Mas eu muito curiosa e não tinha nada para fazer. Fomos, fechamos a barbearia e entramos ali.
Foi a primeira vez que a gente participou de coisa errada, tá ligado? Tipo, a gente foi para um outro lado da cidade, um outro lado da cidade, uns 30 km da minha casa, quase chegando no interior de outra cidade. E aí eles desceram numa numa vendinha, tá ligado?
com bando de saco na cabeça. E aí eles roubaram o mercado e eu tava no banco de passageiro. E o cara, o o mais velho que tinha chegado, o Maranhão, sentado no banco de passageiro, ele não foi, ele deu a missão pros três meninos irem que tava atrás de mim e eles fizeram o corre e voltaram para dentro e a gente saiu cantando pneu.
E cara, foi uma loucura. E os meninos e não sei o quê, aquela gritaria e que que energia, não sei o quê. Um deles até roubou energético pra gente beber bebida, tá ligado?
Roubaram um monte de coisa dentro do mercado. O mercado nem tinha tanto dinheiro assim. Eles roubraram 500 conto.
Então, tipo, 500 conto, tá beleza, para eu que tem 14 anos e tals, beleza. Mas nem era tanto dinheiro assim, sabe? Eu fiquei um pouco sem graça e o cara falando para mim: "Gata, calma, fica de boa".
Sabe? E ele tava de boa e ele era um cara bonito e dava para ver que ele tava interessado em mim. E como ele tinha car, a gente ia para cima e para baixo, eu queria me envolver com ele, mas ao mesmo tempo eu comecei a entender que ele não era uma boa pinta, ele não era um bom caráter.
Ele começou a falar para mim para eu ficar de boa que era R$ 500 só na primeira vez que ele levou os meninos para ir no lugar só para treinar que nos próximos eles não ia fazer menos de 2. 000. E eu comecei a falar: "Vai ter próximo?
Vocês tão louco que vai ter próximo, vocês estão maluco, tal". Ele falou: "Por isso que eu não queria te contar. Eu pensei que você era irmandade, pensei que você era fechamento, entendeu?
Pensei que você ia colar com nós, que você ia agora não, já que você quer então ficar pagando de mãezona, sendo que você nem tem mãe para cuidar de você, mete o pack, não sei o quê. Começaram a me tratar meio que mal. E para eu não ser rejeitada, para eu não sofrer essa rejeição e não ficar com a chata, a mãezona, a que realmente é vai miar o rolê dos caras, eu meio que, ah, mano, tá, você quer saber de uma coisa, vocês são mais velhos do que eu, vocês que são car, vocês que estão fazendo a parada errada, não tô fazendo nada, então que se dane, mano.
Já que vocês quer fazer, vocês fazem, né? Eu nunca vou esquecer que ele tirou tipo uma nota de 100. Aí ele me deu e falou: "Toma pela sua participação".
Falei: "Não quero não, tá maluco. Dinheiro, dinheiro desse, dinheiro sujo". E ele meio que deu um grito comigo.
Dinheiro sujo é o Esse não é dinheiro sujo não, Isso é dinheiro limpo. Eu tô te dando dinheiro porque você foi, você colocou sua cabeça no game que não sei o quê. Aí eu falei: "Tá, então me dá essa desse dinheiro".
Peguei o dinheiro, fiquei com dinheiro, mas perturbada assim, fui pra casa perturbada pensando, caraca, a gente assaltou o mercadinho, tá ligado? os meninos assaltou a mercearia e tipo, será que amanhã eu vou, não vou mais lá, é melhor eu parar de ir, isso não tá certo, isso não tá legal, isso não pode ser. E como tipo eles não contavam para todo mundo porque a barbearia era lotada de gente, então era sempre quem ficava por último.
E como eu sempre ficava por último, porque real, às vezes eu ficava lá até umas 10 horas, porque os meus pais chegavam 10:30, 11 horas, então sempre ficava lá até tardão e só ia para casa quando os meus pais já estavam na beirada de chegar, entendeu? Até porque era quase do outro lado da rua, praticamente de frente, assim, não era tão longe. Então, no outro dia eu fiquei assim, só que eu já era viciada aí pra barbearia, já fazia parte de mim.
É tipo, eu precisava de lá, entende? Eu precisava porque lá eu via o meu crush, lá eu via minhas amigas, lá eu me divertia, lá eu bebia, lá eu fumava um narguil, lá eu tranquilizava a mente. Então, tipo, lá era meu lugar de paz.
Aí eu fui no outro dia, só que eu pensei embora antes e os meninos falaram: "Olha, é, se você não quiser ir, não precisa ir, tá de boa". fica e tals. E aí esse cara, o Maranhão, ele virou para mim e falou assim: "Quer relaxar?
" E eu virei e falei assim: "Como? Como relaxar? " E aí, tipo, ele fez um baseado e aí ele acendeu, falou pra gente fumar.
E eu falei: "Não, tá maluco? " Os meninos sempre fumaram ali, entende? Mas eu falei que não, porque eu tinha medo e tals.
E aí ali eu comecei a fumar também, entendeu? Aí eu comecei a fumar e eu gostei, tá ligado? Tipo, eu gostei.
Eu falei: "Caraca, que gostoso senti paz. " Falei: "Mano, aí quando eu fumei bateu aquela parada do tipo, não vai, não vai, isso não é para você, isso não é paraa tua vida, que não sei o quê, é melhor, tals. Não fui.
" E eles foram pro corre e eu fui para casa, entendeu? Falei: "Nossa, ainda bem que eu não fui. " No outro dia eu queria saber, mas eles não queriam ficar conversando isso na frente de ninguém.
Então, quando eu cheguei, eles meio que me reprimiram, me repreenderam, sabe? Tipo, cala a boca, que que você tá falando, mana? Cala a boca que não sei o que.
Eu tá, entendi que não era para falar. Quando deu mais a noite, que eu fui ficar sozinha, o Maranhão veio com outro beha gostado, eu falei: "Vou fumar de novo". Ele virou para mim e falou assim: "Olha, para você ver, eh, você tá fazendo a mesma coisa que a gente tá fazendo.
A diferença é que você tá errando em outro nível. A gente tá lá fazendo corre de conseguir levantar o nosso dinheiro e você tá aqui fumando que pr pra justiça ser errado do mesmo jeito. " Entendeu?
Eu até rie falou para mim: "Cara, se você quer levantar um dinheiro? " Aí eu falei: "Ah, cois corre errado que você faz. Não quero não.
Ele falou assim, mas olha só, olha o que que eu tenho aí. Ele me chamou dentro do carro dele e me mostrou tipo um 1 um kg assim de maconha. E ele falou para mim: "Se você não quiser ir fazer o co com a gente, então o que que você acha de você passar pros molequ?
Porque você fica na barbearia, você é mulher, se a polícia para caçar, você esconde nos peitos, eles nunca vão poder colocar a mão no seu peito". E começou a me explicar e eu falei: "Tá, e quanto que eu vou ganhar com isso? " Ele falou: "Você vai ganhar uma comissão de acordo com a venda que não sei o qu, tals?
" E ele meio que me explicou. E aí no outro dia, assim que os meus pais saíram para trabalhar de tarde, a gente foi lá para casa, eu, ele, mais uns três caras, a gente cortou as os negocinhos, a gente embalou no papel filme que ele ensinou direitinho, ele mostrou como é que era, tinha uma balancinha, meu, ele me aplicou total, assim, ele me aplicou, ele me ensinou como é que era, como é. E eu com aquele frio na barriga, ele falou: "Cara, isso aqui, isso aqui não dá nada, isso aqui não é crime, que não sei o qu".
Eu falei: "Mano, mas vão comprar? " Ele fica de boa, fica em paz, eu vou te dar um telefone. Aí ele foi me deu um telefone, colocou um chip nesse telefone e falou para toda vez que tipo fosse ter corre, ele ia me mandar número para eu poder levar lá na lá na na barbearia ou em algum lugar em algum ponto que seria algum ponto estratégico ali perto da gente, não dentro da barbearia, porque o mano da barbearia, tipo, ele era justo, ele era trabalhador, ele não fazia o corre, ele não fumava na erguilê, mas ele amava movuca na da galera não porque dava movimento, sabe?
Aí tá, a gente tá de boa, a gente organizou tudo, beleza, vendi tudo, 1 kg, meu primeiro mês de trabalho. Aí o que que acontece? A gente engrandece, entendeu?
A gente cresce, a gente acha que a gente é a patroa, que a gente é a criminosa, que a gente é a bandida. E os meninos também continuaram fazendo corre. Às vezes eles pediam para guardar as paradas que eles roubavam lá em casa, entendeu?
E eles roubavam altas coisas, tipo engradada de engradados, engradados de bebida, que eu não sei de onde eles tiravam, caixas e caixas de bebida, eh, caixa de som que eles falaram porque tinha roubado da tipo da Magazine Luía, eh, capacete, eh, altas paradas assim, tipo umas coisas muito da hora, sabe, impressora. E aí eles começaram a levar ela para casa e como os meus pais chegava tarde, saía cedo, eu escondia às vezes debaixo da minha cama, dentro do meu guarda-roupa, meus pais nem via, tá ligado? Tipo, eles nem procuravam, eles não estavam nem aí.
E eu sempre levantando dinheiro, levantando dinheiro e tipo o meu dinheiro, eu comecei o quê? Fazer unha, fazer cabelo, comprar roupinha aqui, comprar roupinha ali, comprar capinha de celular, é, comprar um um uma maquiagem diferente, comprar um perfume. E minha mãe e meu pai começaram a perceber, porque independente de eu ser da gente da periferia e a vida inteira a gente, né, ter liberdade pra caramba e minha mãe e meu pai trabalhava pr caramba para me dar as coisas.
Então minha mãe começou a perceber e aí eu virei para ela e falei que eu tava namorando. Eu virei para ela que eu tava namorando e era meu namorado que tava me dando. Ela falou: "Então traz ele aqui, quero conhecer quantos anos ele tem, quem ele é, que que ele trabalha".
Eu falei: "Meu, muita mentira, vou ter que". E tipo, eu comecei a ter que falar: "E agora? Eu vou ter que inventar um monte de mentira".
Aí eu cheguei na Barberanda outro dia pedindo pelo amor de Deus pro Maranhão me ajudar, que eu precisava de uma desculpa. E aí um dos meninos que fazia corre com Maranhão concordou em falar que era meu namorado para minha mãe, se apresentar como meu namorado para minha mãe para falar que tudo que ele tava comprando era meu. E aí a gente teve que inventar uma profissão para ele.
Aí a gente inventou que ele trabalhava como entregador da de correios e entregador de iFood, entregador de várias coisas para várias empresas diferentes e às vezes ele ganhava brinde. Mano, foi a mentira do século, sabe? Aí eu fui conversar com a minha mãe, marcamos num domingo, que minha mãe tava em casa, o único dia descanso dela, o único dia que ela tinha paz, o único dia que ela podia para dormir, para para esticar as pernas, para ninguém encher o saco dela.
Eu levei no meu namorado lá, ela tratou meu namorado super bem, ela ficou feliz que a gente estava namorando porque ele já tinha moto, que inclusive era roubada, porque eh depois desses corre eles roubaram uma moto, entendeu? E aí, eh, o capacete era roubado. Outras coisas já era, já eu já tava vendo dentro de um mundo tão errado, mas eu já tava acostumada com aquilo ali, entendeu?
Aquilo ali para mim já tava começando a ficar normal. No começo eu sofri um impacto, mas depois sabe quando, meu, a moto tá aqui, ele tá falando que vai te dar uma carona para ele no mercado, você não vai subir na moto, entendeu? Você precisa ir ali rapidinho no shopping fazer um corre, você não vai subir na moto do cara, entende?
Então assim, as coisas aí eu fui mentindo pra minha mãe até que um dia a gente estava todo mundo de boa na porta da barbearia, todo mundo com aquelas motos que já era tudo roubada, praticamente todo mundo que frequentava barbearia já tava ligado nos corre, um monte de moleque que antes nem tava, só ia lá para se divertir mesmo, trabalhando com o Maranhão, fazendo corre com ele junto comigo, porque eu não tinha deixado de fazer corre e eu continuava atendendo os clientes e separando as dolinhas e fazendo entrega para ele e subindo meu dinheiro, que é chamar de aviãozinho. né? Eu eu era aviãozinho dele, tinha vários moleques, tudo aviãozinho dele, outros molequ era tudo ladrão junto com ele, tipo, e ele nem ia, entendeu?
Ele era cabeça. Eh, colocaram e colocaram várias pessoas assim fumando já, uma galera que nem usava droga usando, os moleques nem cheirava cheirando. E quem levou tudo isso pra gente foi esse cara, sabe?
E esse cara de 21 anos que chegou do Maranhão. E aí um dia chegou duas PM assim, roda pianê na porta assim, já desceram com cacetete, já desceram com arma, a mão para cima, mão para cima, todo mundo assim tivemos que levar baculeja, eu gelei inteira, eu gelei inteira que eu falei: "Meu, agora eu me fu". Só que ali com a gente não tinha nada, entendeu?
Não tinha nada comigo. Eu falei: "Mano, não tem nada aqui e tudo e tals". enganada, eu tava, não tinha nada e o celular com tudo, com todas as fotos das drogas que eu tinha, com todos os corres, com tudo, porque eles não podiam fazer baculejo no meu corpo, até porque eu não tinha nada mesmo, de verdade.
O que os moleques tinha lá era os as drogas que eles estavam fumando. Mas aí todo mundo foi levado pra delegacia, eles prenderam quatro motos, quatro motos roubadas que estavam sendo procuradas, eh, junto com os capacetes também que tinham sido roubados. Eh, os meninos que eram menores de idades, que tavam com a quantidade mínima de maconha, também foram obrigados a assinar um TCEO.
E eu quando chegou a minha vez, você acha que eu fiquei de boa? Fiquei de bobeira? Ã ã.
Eles ligaram pra delegacia e pediram uma delegada mulher, sabe? Porque na hora eu meio que fui debochada, eu meio que ri. Falei: "É, vocês nem podem me encostar".
E eles falou: "Ah, a gente tem aqui uma folgadinha. Pera aí, a gente não pode te encostar não". Pegaram o telefone, ligaram na delegacia, pediram para ir mulheres.
Falou: "Pode trazer um uma viatura cheia de mulher porque tem várias aqui". Cara, passou uns 10 minutos, chegou viatura de mulher, aí veio uma grandona assim, quem que é afolgada? Eu já gelei as pernas inteira assim, ela já veio.
Você acha que não pode pegar no corpo? Ela pegou em mim inteira, fi. Peg, meteu a mão nos meus peitos, meteu a mão no meio das minhas pernas, meteu a perna, a mão em tudo.
Mas eu realmente eu não tinha nada naquele lugar. Mas aí ela pediu meu documento e pediu o telefone. E aí quando elas bloquearam o telefone que eles viram tanto de corre que tinha no meu telefone.
Como que eu fui burra? Como que eu fui burra de não ter apagado? O Maranhão me aconselhou.
Ele falou: "Você sempre apaga, nunca deixa nada no telefone, porque se tu rodar, tu vai rodar sozinha que não sei o quê". Como eu era menor de idade, foram lá em casa porque tinham que falar com a minha mãe. Aí é onde a bomba estoura, porque levaram todo mundo pra delegacia.
Mas eu eles não quiseram levar paraa delegacia porque eu era o celular. Então eles queriam que eu fosse paraa delegacia com a minha mãe e não igual os meus amigos menor de idade que foram pra delegacia com o Conselho Tutelar, porque eles ligaram pro pro Conselho Tutelar Judiciário e levou um monte de de menor de idade lá pro ECA, né, pr pra delegacia da da criança do adolescente. E comigo eles fizeram diferente.
Eles não prenderam o celular e me levaram pra delegacia. Eles queriam bater na porta da minha mãe e ir lá. E aí que que acontece?
Minha mãe não tinha chegado do serviço. Aí eles começaram a ligar atrás da minha mãe. Minha mãe teve que sair mais cedo do serviço P da vida comigo para saber o que tinha acontecido e explicou e mostrou o telefone.
Só que dentro do telefone, para piorar mais um pouquinho, tinha lá o quê? Que eu estava cometendo crime de receptação. Porque quando os meninos me mandavam mensagem se podia deixar os trem que eles roubavam na minha casa, eu falava que sim, significava que tava lá.
Então, por conta dessa mensagem, eles conseguiram uma ordem para entrar na minha casa para saber se eu não tava com coisas de receptação lá em casa. Só que como as mulheres elas eram de viatura de dois, elas pediram pros caras fazer esse esse corre e elas ficaram me vigiando. Então eu não tive tempo de ficar sozinha para tirar tudo de dentro da minha casa, entendeu?
Então foi uma loucura. Aí quando eles chamaram a a busca para entrar dentro da minha casa, porque pegou no flagra, eles falaram que isso era pegar no flagra, né? pegaram no flagra e eles conseguiram documentação e foram na minha casa.
Quando eles entraram no meu quarto, eles destruíram, tá, a casa da minha mãe, destruir a casa da minha mãe, viraram o sofá do avesso, jogaram eh os livros da da estante da minha mãe tudo no chão, quebraram o portaretrato, quebraram a casa inteira, abriram os armários as gavetas. Sabe essas gavetas de bagunça que a gente tem na sala da casa da gente? Eles tiravam as gavetas e virava do avesso assim, ó.
Deixaram minha casa. Minha mãe chorava. Minha mãe chorava de desespero, de desgosto.
Ela falava que ia quebrar a minha cara. Ela falava: "Vou quebrar sua cara, sua vagabunda". Ela me xingava de tudo e eu, nossa, que vacilo.
Eu só pensava no Maranhão. Eu só pensava: "Nossa, nossa". E aí eles começaram a perguntar: "Onde tava o Maranhão, porque o o nome dele tava adicionado, entendeu?
E quando eu falava: "Não sei, não sei, não sei", ele falou: "Você não sabe". A gente vai continuar quebrando a sua casa até você saber. Eu menor de idade, quebraram a minha casa inteira.
Quando chegaram no meu quarto, eles quebraram a porta dos meus guarda-roupa. Aí eles começaram a achar um monte de coisa roubada que tinha lá dentro, aparelho eletrônico, os as paradas tudo que tava lá em casa. Era tanta coisa, era tanta coisa que de longe dava para ver que era crime mesmo aquilo, sabe?
E minha mãe ficava como e aí eles perguntavam assim pr minha mãe, como é que você não viu isso? Como é que você não acreditou? Ela falou, mas ela falou que o namorado dela que dava para ela e você acreditou?
Você é inocente demais. Será que você também não tá sabendo? Minha mãe desesperada porque eles queriam colocar minha mãe como cúmplice, como se minha mãe soubesse do que eu tava passando, entendeu?
E minha mãe falando: "Eu vou te esganar, eu vou te matar se eu for presa, se eu se eu perder meu emprego por conta de você, eu te eu me mato antes. Eu te eu te mato, eu me mato depois". Minha mãe, ela ficou assim e o meu pai não chegava do serviço, porque quando meu pai chegasse aí é que o trem ia ficar preto mesmo, né?
E aí eles entraram no quarto da minha mãe. Minha mãe, pelo amor de Deus, não quebra minhas coisas não. Isso é comprado, moço.
Eu não roubei nada, moça. E aí eles eles bateram a mão assim no armário da minha mãe. Todos os perfumes da minha mãe.
Quebrou os perfume dela tudo, quebrou os produtos de beleza que ela tinha, revirou os guarda-roupa dela inteiro para tentar achar droga, para ver se não tinha arma, para ver se não tinha mais coisa. Deixar a minha casa parecendo que eu era a criminosa mais que tinha, sabe? A mais perigosa do bairro.
Porque essa foi minha fama depois, porque um monte de viatura na porta da minha casa, viatura do conselho na porta da minha casa, assistência social na porta da minha casa, eh um monte de portão aberto, aquela bagunça, quebrar, barulho de quebrando coisa. Foi horrível, foi horrível, foi horrível. Aí me levaram pra delegacia, eu tive que assinar ocorrência, eu tive que assinar um termo, eu tive que eu fiquei presa por, foram 2 meses e meio, para ser sincera, num lugar para menores de idade, onde a gente tem que fazer cursos e palestras pra gente aprender o o significado da da bondade pra renovação de caráter, pra renovação de de personalidade.
É, quebraram o telefone inteiro, espatifaram o celular inteiro que eu estava fazendo as catifaram ele inteiro assim, sabe? E aí quando eu saí, minha mãe ia me visitar com muito desgosto. Minha mãe ia me visitar com muito desgosto.
Ela falava que o maior desgosto da vida dela era ela ter que tirar o dia dela de folga para ir ver gente que não presta, sabe? E aí ela falou: "Como eu tive coragem de mentir para ela e tals". E eu fiquei muito mal e detalhe, sem saber de nada que tava acontecendo.
Fora dali, eu não sabia como tava a barbearia, como é que tava os outros moleques, como é que tava o Maranhão, como é que tava ninguém, tá ligado? Como é que não sabia nada, eu tava assim, louca para voltar para casa. Quando eu voltei para casa, eu decidi voltar com outra cabeça, né?
comecei a perceber que aquilo era extremamente errado, era muito desgosto, que realmente eu tinha cometido crime de receptação. Então assim, beleza que você não é ladrão, você acha que você ir lá e roubar não é crime, mas você guardar o que o pessoa roubou na tua casa é um crime de receptação. E então você tá agindo igual um ladrão, entendeu?
E quando eu cheguei, fiquei com a maior vergonha. Todo mundo do bairro tava ligada no que tinha acontecido. Todo mundo do bairro meio que começou a me olhar com aquele olhar de ixe, essa aí é a traficante, essa é a bandida, menina com 15 anos de idade já tava aprontando, já tava, a gente pensava que ela era uma santa, sabia que ela não era, que não sei o quê.
Quando chegaram, chegamos lá na barbearia, a barbearia tava fechada. Meu amigo decidiu mudar a barbeária dele de lugar e eu não consegui mais ter contato com ele porque ele disse que não queria mais ninguém daquela galera, que já tinha tempo que ele tava incomodado com aquela galera na porta da barbearia dele, que ele nunca imaginou que a barbearia dele ia ser ponto de de tráfego, de drogas, de roubo, de bandido, de vagabundo, que nunca foi a intenção dele. Ele deixar a gente acender naguil na porta da barbearia e ficar bebendo whisky, era porque ele via que a gente era inocente.
Ele gostava da nossa inação, da gente, da nossa pureza, da nossa molecada ali do bairro, mas que aquilo ali virou uma zona de horror. E depois daquele dia meio que o a a barbe barbeária dele ficou totalmente manchada. Ele perdeu todos os clientes justos e honestos que ele tinha, porque os caras tinha medo de ir lá, tinha medo de estar lá e a polícia chegar e mandar prender.
Vincularam a imagem dele ao que tinha acontecido aquele dia, naquela noite. Vincularam a imagem dele aos crimes ali. Então ele não, ele ele perdeu todos os clientes.
Ele disse que tipo, e ele me disse isso por Facebook, tá? Porque eu tentei entrar em contato com ele por Facebook e ele me respondeu, mas ele respondeu super seco. Ele não quis falar onde ele tá, qual que é a nova localização, que cidade que ele tá, nada.
Ele disse que ele vazou dali para recomeçar e pela boca dos outros moleques, meio que os meninos que também eram menor de idade, passou pelo mesmo que eu, praticamente pelo mesmo processo. Foram levados também pelo conselho, né? Aí tiveram que assinar um documento, tiveram que ficar presos também durante um período, tiveram que passar para um processo, uns tiveram que até se candidatar no PROERD, o outros teve que se candidatar eh começar a trabalhar no jovem aprendiz para poder assinar um termo lá da justiça, várias coisas diferentes.
E o Maranhão, o Maranhão não tava, né, na noite que que rolou a parada toda. Eu não acho que eu não pontuei que o Maranhão não estava lá no dia em que a polícia chegou e brigou com todo mundo. levou todo mundo.
O cara simplesmente meteu o pé para outro estado. E pelo que eu fiquei sabendo, ele encontrou outro ponto de jovens, aonde os jovens ficam dando bobeira na portas de barbearia, na portas de supermercado, na portas de empresas que são microempresas, ficam dando bobeira ali, fumando arguilê, tomando eh whisky, tomando vodica na porta. Ele cola como cliente, vê quem que tá necessitado, quem tá ali de forma precária e oferece ficar roubando.
Eh, acha um receptor, acha um traficante e acha os avião, acha os ladrão para ele voltar a montar uma equipe dele que ele só chega com o sistema, ele só chega com a ideia. Aí ele ensina os menores, eles aplicam isso, ele aplica isso no menor e ele só recebe o lucro, ele fica por trás. Na hora que a bomba estoura, ele pega o carro dele e vai atuar em outro estado, vai atuar em outro lugar.
E parece que ele não age sozinho. Ele faz parte de uma grande quadrilha criminosa brasileira que faz isso com várias pessoas. Inclusive ele é um que tá abaixo de um outro maior do que ele, que ensinou para ele como ele governa essas pessoas abaixo, entendeu?
Então assim, a gente tem que tomar muito cuidado porque, infelizmente, até hoje, eh, eu tava com o meu namorado esses dias, a gente tava com um um uma lanterna do carro queimada e aí a gente foi foi enquadrado pela polícia. A gente não faz nada de errado. Hoje eu trabalho, eu estudo, ele também trabalha, ele estuda.
Isso foi uma coisa que aconteceu lá na minha adolescência. Puxaram o documento dele, puxaram o documento, o nome dele é limpo e o meu saiu lá, entendeu? Quando eu era adolescente, da recepção, saiu tudo, não limpou o meu nome.
Vocês não acham que com 18 anos fica tudo limpinho, já não sai mais nada, não sai. Não sei se isso me impediria às vezes de sair do país ou de passar num concurso, de passar numa coisa. Era uma coisa que eu fiz na minha adolescência por conta da minha liberdade e eu fui levada para um caminho que eu nunca imaginei que ia ser levada.
Então tome muito cuidado com as pessoas que chegam na tua vida, com o que eles oferecem, com jeitinho que a pessoa vai te ganhando, com as oportunidades que tem, com o que tá virando, porque é nessa que você acaba caindo e não vê. Oi my cats, tudo bem com vocês? Mais uma história, né, bem marcante, bem impactante.
É, a gente tem que ter muito cuidado, gente. Olha para você ver, um cara de uma quadrilha criminosa encontrou jovens vulneráveis para atacar, ensinando eles a roubar, traficar, receptar. Ou seja, aplicou ele em drogas.
É um desserviço, né? Um cara desses é um cara que realmente tem que ser encontrado e tem que ser preso, porque todo mundo levou no menos ele e continua atuando em outros lugares do Brasil. Então fica muito esperto, fica muito sagaz.
Se você que é um jovem que fica frequentando aí lugares com outros jovens, que gosta de curtir, de aproveitar a vida, de repente chegar um cara oferecendo para vocês fazer um corre, fazer um roubo, guardar uma uma parada roubada, toma muito cuidado que você possa estar sendo vítima. Assim como essa menina foi também. Me manda sua história se você também tem algum histórico com crime, criminalidade, com menor aprendiz, com eh com juizado de menores pra gente contar aqui no canal.
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Um beijo e até o próximo vídeo.