เฮ [música] [música] >> [música] [música] >> Imagine sua história como uma linha do tempo. Quantos altos e baixos já viveu? Alegrias, dores, superações, obstáculos? A verdade é que essa linha não é assim tão linear. Inúmeros fatores internos e Externos influenciam [música] o tempo todo nossas jornadas e as tornam únicas e complexas. Mas e se pudéssemos ser responsáveis [música] por um pequeno estímulo capaz de impactar de forma positiva uma vida inteira? E se criássemos oportunidades de minimizar vulnerabilidades? e de alguma forma mudássemos uma trajetória. Acreditamos [música] que sim, isso é possível. >> E por isso, desde
2003, apoiamos projetos inspiradores com objetivo de Incentivar o protagonismo social. Acreditamos que podemos gerar um impacto hoje para que versões cada vez mais felizes dessas histórias possam ser escritas no futuro próximo. Instituto CPFL, energia que transforma realidades. >> Boa noite, está começando mais um programa Café Filosófico CPFL. Muito obrigado a todo mundo que veio aqui hoje em Campinas. Agradeço também a você que está vendo a gente agora pelo YouTube. Já faço o convite para vocês se inscreverem aqui no nosso canal para terem acesso a mais de 20 anos de café filosófico e também para saberem
da nossa programação de novembro, último mês de programação de ao vivo do Café Filosófico esse ano em novembro. Vocês já podem dar uma olhada ali. E o Café Filosófico CPFL começa agora. >> [música] [música] >> E a nossa convidada de hoje é Viviane Mosé, filósofa, psicóloga e psicanalista, especialista em elaboração e implementação de políticas públicas, mestre e doutor em filosofia, professora há mais de 30 anos, foi consultora sênior da reformulação curricular da Secretaria de Estado de Educação do Espírito Santo, autora de 13 livros e membro da Academia Brasileira de Cultura. Então, por favor, recebam com
aplausos a nossa convidada de hoje. [aplausos] [aplausos] Muito prazer em estar aqui novamente. Eu já me sinto cidadã de Campinas. Eu tô falando agora especialmente, Felipe, com o pessoal que tá aqui, né, além de quem tá ouvindo a gente, mas a gente tem uma plateia aqui maravilhosa. O café acontece sempre muito quente aqui em Campinas, né? Uma presença humana maravilhosa. Então, muito obrigada de novo pela presença e pelo calor que vocês sempre trazem para esse evento. Muito obrigada. É um prazer estar aqui com vocês, especialmente falando sobre a vida, porque a gente não fala sobre
a vida. A gente nem tem vida na nossa vida. A gente tem códigos, signos, palavras, virtualidades. Eu costumo dizer que a gente é um uma cabeça obesa carregando um corpo raquítico. E a história, a nossa história, a história da nossa espécie, não a história da nossa civilização. Em Geral, a gente começa a nossa história na pré-história, no Egito, né? né? Começa mais ou menos no Egito, em geral começa na Grécia, fica anos ali tentando entender aquela Grécia, né? Mas tem coisas anteriores. Nós temos galáxias e galáxias. Nós temos um universo enorme e a gente ignora,
a gente não olha para fora, nós todos olhamos para dentro, para dentro do que a gente chama de civilização e para e pros pro edifício conceitual, Como diz o Niet, há um edifício conceitual civilizatório formado por camadas e camadas sobrepostas de conceitos e valores morais. e que a gente toma tudo isso como natureza, né, como vida. Então hoje com a situação psíquica do mundo, que é muito grave, suicídio, depressão, automutilação, índices altíssimos de de diagnósticos e uso de medicação psiquiátrica, quando eu falo de vida, falo vida e vida e a pessoa fala: "O que que
você quer dizer Com vida?" Eu falo: "Caramba, a gente não tem muita noção." Mas as pessoas costumam dizer que estão em depressão ou até jovens, muito jovens que us de suicídio são muito jovens em geral. Ah, a vida é horrível, professora. E o que eles chamam de vida é a miséria, é a destruição ambiental. Eu falo: "Meu amigo, você não tá falando da vida, você tá falando da civilização. Ela é uma coisa reduzida. Ela é apenas o que acontece neste planeta mínimo que se Chama Terra. Existe um fenômeno muito maior e que nós ignoramos que
diz respeito ao sagrado. Mas a gente, a nossa racionalidade, é isso que eu vou contar, essa história aqui mais ou menos. A nossa racionalidade colocou o sagrado na religião. Como assim? O sagrado é uma questão de inteligência, de noção, de percepção. Não precisa ter nada místico e religioso para falar do sagrado. O sagrado é o imponderável. O sagrado é o imenso, o excessivo, o extremamente grandioso. Especialmente se nós estamos falando do grandioso a partir de um mínimo que somos nós. Nós somos um mínimo, uma folha ao vento que nasce e morre com uma queda, uma
queda maldada. Eu adoro dizer isso, que é você tomou, tá distraído numa curva e você pode perder sua vida, mas o motorista do seu Uber, do seu ônibus pode ter distraído. Nem você se distraiu. O motorista do seu ônibus, o Seu Uber, seu aplicativo, distraiu e a sua vida acaba. Então nós vivemos numa situação triste, deplorável e inferiorizada, vergonhosa, humilhante. Sabe? Nós fingimos que a vida é a civilização para acreditar que é isso mesmo, comprar sapato, roupa, ter seguidor, disputar, sabe, questões mesquinharia a gente leva adiante. E por que que eu tô falando isso? Tô
provocando, né? Eu falo para nos provocar mesmo. Óbvio que Eu também sou da civilização. É a mim também. Eu tô no meio disso, não tô fora. Então não sou eu falando, vocês estão Não, nós todos, inclusive eu, o tempo todo. Então nos tiraram, isso não é uma teoria da conspiração, né? Óbvio que não, não é isso, mas nos tiraram, ou melhor, vou falar de um jeito melhor, mais humano, nós nos tiramos como humanos a grandiosidade da existência e colocamos a nossa existência no pequeno, no medíocre, no mesquinho. Nós abrimos Mão das grandes dores que a
gente aprende isso com a tragédia grega. Nós abrimos mão das grandes dores, dos grandes desafios, que são a finitude, a deterioração do corpo, eh as dores, as perdas inevitáveis. A gente abriu mão delas e elas são inevitáveis e a gente sabe que o irremediável remediado está, não há o que fazer. Então, é necessário se relacionar com irremediável de por questões óbvias. Nós abrimos mão desses desse irremediável e não é fácil abrir mão dele porque ele é imenso, poderoso, grandioso, nos tira aplerta a glote de madrugada, perde a respiração, né? A indústria farmacêutica se alimenta desse
pavor que a gente tem. Então a gente abriu mão dessas questões que são imensas. Por exemplo, o infinito é uma questão insuportável. Se você pensa no que é o infinito de madrugada, é insuportável. Não pense, pense de manhã, Que aí tem o dia para processar. Então, essas questões imensas e grandiosas nos foram, nós nos tiramos, para não dizer em teoria da conspiração, porque falam, nos foram tirados, alguém pensa logo que tem alguém lá controlando. Não, nós optamos como humanidade, eh, nós optamos por abrir mão dos grandes desafios, porque são grandes demais, dóem muito para ficarmos
escravos de desafios mesquinhos. Os grandes desafios nos alargam a alma, Arrebentam o nosso contorno psíquico, fazendo com que ele se torne mais amplo. Então, quando eu lido com a finitude ou quando eu lido com o a infinitude, porque nós temos dois problemas, nós temos o problema, é impressionante com o que é ser humano. Eu quero aqui com vocês ter um carinho pelo ser humano. Eu quero que terminemos essa fala com amor pelo ser humano, mesmo os horríveis, sabe? Não é os bons seres humanos. Sei lá o que é bom. Eu não sei o que é
bom, Nem vocês, né? Não é, não dá para saber. A gente pensa que uma coisa é boa e não exatamente. Então não é isso. Mas a existência humana nesse planeta é extremamente difícil, extremamente angustiante. E ela diz respeito para todos, porque ela diz respeito a os meus pés que tocam a terra. Aí já já eu vou falar sobre essa grandeza desse planeta, mas nossos pés que tocam a Terra, eh, e a gravidade é o que permite, né, a existência, que ele nos prende aqui, Essa gravidade que nos puxa para baixo, esse chão que a gente
pisa, isso é a nossa, é o nosso lado é finito, né? Porque é exatamente para esse chão que a gente de alguma maneira volta se tornando adubo. Mas esse pé que pisa nesse chão está ligado a um corpo, a um pensamento e a uma virtualidade que nos lança na infinitude, porque nós podemos compor música, porque nós compos sinfonias, Porque a gente compõe ficção, a gente inventa histórias, a gente constrói mundos, é extremamente grandioso e imenso. Então, hoje a gente tem naves não tripuladas que fazem fotos de buracos negros e que trazem pra gente a imensidão
desse universo. Então, imagina o que é o a o grão de areia que somos nós com pezinho nesse chão. Tamanho do pé, né? Não dá nem para fazer o tamanho desse pé. Se a terra é um grão de de areia, imagin que é o nosso pé. Esse pezinho tocando a terra nessa finitude difícil, angustiante, que a gente não sabe para onde ela vai. E esse pezinho se abrindo pelo pensamento, não só pelo pensamento, porque o pensamento não é só racionalidade. Racionalidade é um modelo moral aplicado à nossa capacidade simbólica de pensar. A gente pensa de
muitas maneiras, mas a nossa capacidade de pensar e de sentir talvez ainda muito mais esses afetos que nos atravessam e que a gente Precisa processar nos abrindo. Então é muito angustiante, é como se a gente fosse esgarçado, sabe? Nós todos somos esgarados pela condição humana. A condição humana nos arrebenta diariamente, independente se você tem celulite ou não tem, independente se você tem, se você é acima do peso ou abaixo, porque tudo atrapalha, já reparou, né? Não tem ninguém no colocado. Então, independente se você é novo ou velho, ser velho é um Problema, ser novo é
outro enorme. Lembra quando você era novo? É fácil ter nostalgia da criança quando a gente tá velho. Ser criança é um inferno, entendeu? Não é fácil não ser criança, ser não é bom olhar a criança, cuidar de criança, amar a criança, ter criança em casa é uma alegria. Amo criança. Agora ser criança não é tão simples quanto parece, né? Então ser adolescente é um pouco pior do que ser criança. E aí vai, ah, é melhor ser casado ou solteiro. Por Favor, sem, né, gente? Por favor. Eu já tive três casamentos, posso falar? >> [risadas] >>
Pessoal acha que ser casado é melhor do que ser solteiro. Não é verdade. O problema começa quando você se casa. Aí é que a coisa começa. Como é que você vai conviver? Vamos, vamos olhar as coisas com olhar de criança, tá? Porque a gente trata isso com naturalidade. O casamento é uma instituição. Vai lá, não, não, não. Vamos, esquece, volta. Vamos lembrar como se a gente fosse criança. Vem uma pessoa de um lado, vem outra do outro. Cada uma com universo, com sensações, com percepções. Cada um de nós tem uma identidade. Cada um de nós
tem um mundo próprio, gente, um universo. Cada um de nós vê o mundo de outra maneira, diferente. Vocês tenham certeza que o modo como você vê o mundo não é como seu coleguinha tá vendo. Isso Kant mostrou pra gente quando ele fez a crítica das três razões, sabe? a crítica Do conhecimento puro, do prático, da do do juízo de gosto. O juízo de gosto é a única coisa que é totalmente nossa, porque eu sinto e pronto, né? Então é legal poder sentir, mas toda a nossa racionalidade ela é voltada para um limite que é o
limite do meu olho. Então vocês estão aqui, eu tô vendo vocês a partir dos limites da minha visão e eu uso óculos. Eu não enxergo bem no intermediário, eu enxergo melhor longe e perto por causa Do óculos. Então, tem coisas que eu não vejo, vocês estão entendendo? Eu vejo mal. Então, cada um de nós é um universo. Aí você pega um, uma pessoa de universo, pega outra e casa e coloca na mesma cama. E aí você acha que as brigas que vocês têm são problema? Não, meu bem, é um milagre quando vocês dão certo. A,
quando as coisas dão certo, é um milagre, porque as coisas tendem a dar errado. A gente tinha que aprender na Nossa escola a perder e não a ganhar. E a gente vai conseguir isso um dia, quando a inteligência artificial substituir a grande parte do nosso trabalho. Eu espero que isso aconteça e não demore, né? Porque ninguém nasceu para trabalhar 8 horas por dia, ninguém nasceu para ser escravo de um sistema. Então, que as máquinas substituam o nosso trabalho, já vou logo responder a questão que todo mundo faz. Ah, mas não vai ter emprego. Santa Ingenuidade.
Onde pessoas não trabalham, elas não ganham. Onde não ganham, morre um consumidor. A máquina de lucro não vai aceitar consumid acabar com consumidores. Você não ganha o salário para ter dignidade. Você ganha um salário para manter uma máquina funcionando. Você precisa comprar, né? Então nós não somos pessoas, nós somos consumidores. Na verdade, hoje nós somos produto, né? Nem consumidores somos. Então, há Uma transição nesse processo, sim, sabe, de de desemprego e todo mundo volta a se entender porque de alguma maneira, mas eu espero que a gente realmente, isso tem muito a ver com tudo que
eu vou falar, que de fato a gente consiga substituir sim o trabalho humano pra gente conseguir fazer coisas mais amplas. Hoje a gente diz que a música, por exemplo, né? Boa parte da música pode ser substituído. Sim, talvez a gente não esteja sabendo fazer música, Porque se a máquina pode substituir a nossa música, talvez a nossa música não esteja como deveria, né? Então, talvez a nossa capacidade cerebral, que é tão pouco usada comece a ser usada. Agora, a gente veio ao mundo para perceber e devolver. Nós somos seres eh simbólicos, somos seres eróticos e somos
seres expressivos. Inclusive o último café filosófico que eu falei sobre isso, sobre expressividade. Então, se nós nascemos Para expressividade, não é no mundo corporativo, meu amor, que você vai exercer sua expressividade trabalhando 8 horas por dia e batendo ponto. Não é no comércio que você vai exercer sua expressividade, vendendo e recebendo coisas, entende? Para você exercer sua expressividade, você tem que ter ócio. Nós viemos ao mundo para ficar à toa. Qual é o maior pânico da inteligência artificial? Não é substituir o trabalho Humano. Professor, eu vou fazer o quê? Eu vou ficar o dia inteiro
fazendo o quê? sentindo, percebendo e vivendo. Então, o fato é que a nossa máquina civilizatória nos levou para um processo eh eh consumo, não só consumo de produto, mas de da gente mesmo, sabe? De a gente comeu a terra, gente, com a boca. A gente falei, mordeu a terra inteirinho, não sobrou mais nada, tá acabando com tudo, sabe? Então é uma ansiedade por Uma falta de vida. Eu preciso ter mais objetos, eu preciso ter mais roupa, mais sapato. Então a gente vai comendo as coisas por quê? Por covardia. Covardia de olhar paraa finitude, covardia de
olhar para o perecimento, a deterioração do corpo. Você pode fazer quantas plásticas você quiser, não sou na contra nada disso, mas as suas células continuam envelhecendo. Então, mudar o rosto, você parecer ter 20 quando tem 50, não muda de fato que Você tem 50, entende? As experiências de vida. Então, é isso que eu quero falar para vocês. Uma coisa é a vida, outra é a civilização. Felipe, você pode colocar nossa primeira citação, por favor, querido? >> E sabeis sequer o que é para mim o mundo, devo mostrá-lo a vós em meu espelho? Este mundo, uma
monstruosidade de força, sem início nem fim, uma firme bronzea grandeza de força, que não se torna Maior nem menor, que não se consome, apenas se transmuda e inalteravelmente grande em seu todo. Uma economia sem despesas nem perdas, mas também sem acréscimos ou rendimentos, cercada de nada como de seu limite. Nada de evanescente, nada de desperdício, nada de infinitamente extenso, mas como força determinada posta em um determinado espaço. Não em um espaço que em algum lugar estivesse vazio, mas antes como espaço por toda parte, como um jogo de Forças, uma onda de força, ao mesmo tempo
um e múltiplo. Aqui acumulando-se e ali minguando. mar de forças tempestuando e ondulando em si próprias. >> Que é coisa mais apavorante do que isso? Coisa mais angustiante do que isso? O mundo, o mundo, a vida ela implica no que o Niet chama de uma préforma de vida, que é o inorgânico, que são as pedras, né? Areia, onde ainda não há água. Nós chamamos, a gente diz assim, será que há vida em outros planetas? É Óbvio que há vida em outros planetas, porque o que tá acontecendo ali é vida. Aquilo é o quê? Morte por
acaso? Não é vida. Então o N chama de vida o hino orgânico. Você pode chamar de uma pré-forma de vida, seja o que for, mas é a vida. Então nós estamos aqui e nós estamos em Campinas. E, a nossa tecnologia nos transmite para muitos lugares, mas independente do lugar em que você esteja, nesse momento, você está pisando num solo, de um de uma Cidade que tá num num estado, que tá num país e que tá num planeta. Esse planeta está na Via Láctea. E a Via Láctea é apenas uma das múltiplas, eu dizer infinitas galáxias,
mas a palavra infinita, especialmente no caso de galáxias, é muito o infinito é um conceito, né, gente? um conceito impossível, né? Porque conceituar uma coisa é amarrar, fechar. Como é que você pensa o infinito e amarra ele? Não tem. Então, pensar o infinito é um conceito Que arrebenta conceitos. E eu dou essa dica para vocês de verdade, porque tem gente que diz para mim: "Eu adoro o que você tá dizendo. Eu adoraria ter essa angústia que você tá falando, mas eu não sinto ela." Isso é muito mais grave. de verdade, de verdade mesmo. Clinicamente isso
é muito mais grave, porque se você não sente, é muito mais difícil ajudá-lo a encaminhar suas forças, porque todos somos intensidades. Você recebe e devolve. E é o que a Citação tá falando, é um mar de forças. Então, eh, a o que acontece nesse universo imenso é uma profusão de formas, de planetas, de cometas, né, de astros. rodando esse universo inteiro. Só que quando a gente chega na Terra, nós temos uma experiência extremamente rara, extremamente rara. Olhem pra terra com esses olhos que eu tô dando para vocês e pense como seria bonito eh e menos,
eh, neurótico, talvez seja a palavra, se a gente Tivesse aprendido o que eu vou dizer para vocês na escola, sabe? A nossa escola ela ela ela é tão ocupada, não é culpa da escola isso não. Não estou falando mal da escola, hein? De jeito nenhum. De jeito nenhum. Eu tô falando do de um processo civilizatório que nos envolve a todos, inclusive a escola. Mas não é ela que cria esse problema, nunca, pelo contrário. Mas quando na na parede eu coloco um desenho da Via Láctea e faço vocês entenderem Que é um desenho, eu estou transformando
o mundo em sombras, em signos, em traços. Mas como eu vou lidar com isso? Então o professor não sabe lidar com isso. Então não é um desenho na parede com um monte de galáxias. Essa é a nossa existência. Então eu disse, quando alguém não sente, por exemplo, eh, por exemplo, vou dar um exemplo para vocês, o que a psiquiatria chama de psicopatia, a psicanálise não não usa exatamente Esse nome, mas quando você, a gente conhece muito isso popularmente, quando o tal psicopata, primeiro para vocês entenderem o que é o ser humano, né? Psicopata é horrível,
né? Você quer tá do lado dele, não, né? Principalmente aquele cereal que mata muita gente. Tô falando desse mesmo. Perigoso. Você não quer estar do lado dele. Agora pensa o seguinte, um psicopata não acordou de manhã um dia, disse: "Você acho bonito ser psicopata? Você é psicopata?" Ele Fez isso. Ele olhou um filme de psicopata, falou: "Vou copiar, achei legal". Vocês entendem? é produto de uma conformação. Isso é humano. Humanos são perversos, psicopatas, artistas, bondosos, sabe? Dão a vida pelos outros, morrem. Tudo isso é humano. Alguém morrer para cuidar do outro é humano. E alguém
ir lá entende faz parte. Então a gente precisa entender quem somos ao invés de julgar o Bem e o mal e dizer não, mas aquele cara é do mal, né? E nós aqui somos do bem, não é real, não é? Qualquer pessoa pode se perder em agressividade, mas o próprio psicopata. Mas o que caracteriza o psicopata? Por não sentir dor, ele não vê a dor do outro. O outro não sente dor porque ele não sente, ele não sofre. Pessoas que não sofrem são pessoas que são perversas. Porque quando você machuca o outro, você Tem a
sensação aquilo em você. Mas tem gente que não sente dor, não sente dor psíquica, mesmo que sinta alguma física, não sente, não sente arrependimento, sabe? Então, sentir é típico do humano. A inteligência artificial nunca poderá substituir o humano porque não tem sensores, eu acredito, possíveis para fazer a troca que nós fazemos imediatamente com as infinitas, os infinitos sensores que nós temos. quando a nossa memória se monta, né, e aí ela Vai se constituindo, eu vou falar disso também, eh, a nossa memória, ela é estruturada por afetos. Então, você tem um conteúdo afetivo, né? Por exemplo,
eu cheguei aqui, agradeci de coração, tá aqui, então, vir Campinas, mesmo que eu venha por outra razão, que não seja o café filosófico, fazer uma palestra corporativa, eu tenho carinho por Campinas, porque a primeira vez que eu vim foi tão bom no café filosófico, eu vim muitas vezes. Então, aqui ao redor De Campinas, os valores vão se colocando legais. Agora, se eu fui numa cidade X e não fori interessante, ela vai est do lado de outras. Então, as nossas nossas memórias elas vão se constituindo em núcleos de afetos. E é isso que vai trocando e
dando essa coisa impressionante que somos. Nós somos seres incríveis e podemos ser horríveis. A distinção que coloca a régua, que diz que do lado de cá tem o bem, daqui tem o mal, também diz que do lado de cá tem a Vida e do lado de cá tem a morte. Como que vida se opõe à morte? Não existe racionalmente, mesmo pensando, a vida é feita de vida mais morte. A morte não é oposição, é condição. Se um animal não morre, o outro não se alimenta. Se você não come uma planta, ah, professora, eu não como
animais, mas come alface. Qual alface é viva, meu amor? Eu entendo Não comer animais. Entendo os veganos, entendo mesmo, meu mesmo. Adoraria não comer, mas eu sou celíaca, entende? Eu tenho uma doença autoimune que eu não posso comer trigo nem sonhando. Então eu já tenho uma rção alimentar enorme que eu não posso nada de trigo, nada de cevada, nada de senteio, não posso comer leite de nenhum tipo. Então chega uma hora que tem que comer alguma coisa, né? Mas eu entendo não comer carne. Agora ao pé da letra, se você tá falando que você Não
quer comer vida, você também não come alface. Você sabe lá se ela pensa, se ela sente, como que você sabe, né? Então, a vida ela é feita sempre da exploração de outra vida. As coisas aqui na terra não são bonitinhas, arrumadinhas e fofas. A civilização é que prometeu que ela faria aqui na terra uma vida bonitinha, arrumadinha e fofa. E fez, olha que lindeza a que tá. Conseguimos. Ó, que beleza. Segundo Niet, foi com Sócrates que a gente começou esse erro quando a gente fala: "Conhece-te a ti mesmo." Porque o pensamento socrático é o primeiro
pensamento antropológico que valoriza o humano. Então, o que ele quando ele fala conhece a ti mesmo, conhece a ti mesmo na verdade é do templo de Apolo, é da mitologia grega, não é de Sócrates. Sócrate se aproprie da do conhece-te a ti mesmo. Mas o conhece-te a ti mesmo Trágico, mitológico, olha como você é ninguém. Então o conhece otimismo grego é olha para fora. Olha como você é ninguém, entende? Aí o o Sócrates inverte para a constituição do que a gente chama de interioridade, entende? Aí o problema começa, ó, eu tô indo voltando. Eu vou
fazer uma coisa agora bem direitinha pra gente se organizar. Veja só. Aquela citação, aquela citação fala da vida como ondas de forças que não Aumentam e nem diminuem, que se chocam. Vida é um choque de forças. O que são forças pro Niet, filosoficamente, não cientificamente, o que que tá chamando de forças? Intensidades, sem forma, vibrações. Eu falo isso porque meu filho, que adora física fala: "Mãe, as coisas não são assim na física". falou, estou falando do Niet, como ele se apropria desses valores. Então ele tá dizendo a vida, por exemplo, Schopenhauer. Schopenhauer diz Que existe
a vontade, o mundo como vontade e o mundo como representação. Existe o mundo como intensidade e o mundo como forma. Então, quando você tem uma forma, que é a representação, você contém uma intensidade provisoriamente. Então, isso é vida. Vida é a junção, o que a gente chama de vida orgânica, que nasce e morre rápido, porque os planetas nascem e morrem, mas demoram muito tempo. Aqui na Terra existe uma coisa rara. Aqui um uma um inseto dura 12 Horas de vida, entende? Então a a vida orgânica é uma aceleração de um processo de vida, ou seja,
tudo nasce e morre, mas aqui mais rápido, né? Então, vida é eh vontade, que é intensidade, vibração e representação. Se eu tenho este copo, eu tenho aqui vidro, que é o a o conteúdo, digamos assim, mas eu tenho um design aqui que é desse copo. Então, se esse copo se quebra, vocês desenham o copo e ele continua. E a gente pode fazer outro copo. Eu posso quebrar esse Copo e refazer esse copo de plástico ou de papelão, não é? Então eu mudei a matéria, mas o copo continua existindo. Então neste copo, eu tenho algo virtual
e algo presencial, entende? Existe uma virtualidade nas formas. Então, o universo da virtualidade é o universo dos signos, da representação. É isso que Shopenh tá dizendo. O Niet usa isso eh de que maneira? E lê o Shopenhauer também do jeito dele, que ele ama o Shopenhauer, né? Vida é feita De intensidades que se significam e desaparecem. Então quando a citação que eu fiz antes do Niet, que eu pedi para ele ler, ela tá dizendo das intensidades que ganham forma e deixam de ganhar forma. Então do das infinitas galáxias, desse universo imenso, aconteceu uma coisa milagrosa
chamada Terra. Isso não precisa de nenhuma religião. O que a gente fala de milagre se você tira religião? uma imensa exceção, uma coisa rara que só pode ter vindo de um outro Universo que não esse. Então, se alguma coisa aconteceu aqui e tem a água aqui, né? E dessa água as forças vão se eh eh compondo eh as formas vão se tornando cada vez mais complexas e uma ameba se torna peixe. E um peixe, um anfíbio. Isso é um mito que eu uso muito no meu livro, a espécie que sabe, é um mito. É o
mito diz que a meba precisava crescer. Então ela empurra suas membranas e o peixe precisa crescer. Ele não sabe por, mas ele sabe que ele precisa crescer e Aí ele vai virar um anfíbio e aí vai, esse anfíbio vai empurrar suas membranas, vai virar um réptilo. O réptio não quer mais arrastar o ventre no chão, vira um quadrúpede. O quadrúpede empurra o chão e vira um bípede. O bípede com as mãos inúteis, os braços inúteis, porque era pra locomoção, fica com aquela coisa pendurada, sem sentido, vira asas e ganha o céu, segundo o mito. E
os outros vão fazer esse gesto. E ao fazer esse Gesto, nós vamos ganhar volume cerebral. nasce o homo sapiens. O homo sapiens é aumento do volume cerebral e a postura ereta, mas o aumento do volume cerebral também está implicando em constituição de uma coisa chamada memória. Quando a gente ganha memória, a gente ganha virtualidade, a gente ganha linguagem. Meus amores, quem ganhou virtualidade em nós foi a vida. Quando eu comecei a estudar Nite, muito Novinha, com 17 anos, eh, 18, eu tinha muita raiva do humano, porque eu lia isso de que maneira? Esse humano arrogante
está criando um conhecimento para dominar a vida. Então, o conhecimento humano para mim era uma arrogância humana. Mas não é, gente. Sabe por que não é? Porque quem deu a gente a virtualidade não foi a internet. A internet reproduz a natureza. Quem nos deu virtualidade foi a própria vida. Porque nós nos tornamos virtuais Quando nos tornamos especialmente sápiens s. Nós temos uma grade de memória que olha pra gente de fora. Então, a vida é feita de presença e virtualidade. Nós estamos cada vez mais entrando no universo da virtualidade. O erro não é a virtualidade na
vida. O erro é perder o pé. da terra. O erro é perder o chão. Porque se você mantém os seus pés no chão, significa Que você mantém a presença, que é a base para você existir. Se você mantém os pés no chão, você mantém a troca, a retroalimentação com a alimentação, com a respiração. E tudo isso implica na na produção e no respeito à exterioridade da natureza. Se você mantém o seu pé no chão e e acessa a virtualidade, nós estamos produzindo algo extremamente grandioso. Mas não é isso que a gente faz. Segundo o Niet,
foi quando a gente Desenvolveu a linguagem que a gente negou a vida. Então hoje nós, quando, por exemplo, eu já até comentei isso aqui no outro café filosófico, que inclusive é muito polêmico, mas assim, quando hoje a gente diz uma criança não pode ficar no celular, está errado, gente. Uma criança pode estar usando a tela, claro, aí eu vou completar. Ela pode, uma tela não faz mal a ninguém. Uma tela une pessoas, não afasta. Uma tela passa oscito a voz Passa amor, o olhar passa amor. Você pode olhar nos olhos de uma pessoa para uma
tela. Não tem nada de errado na tela. O problema é quando os pais estão na tela e a criança está no celular e não tem ninguém com ela. O problema é quando o celular é uma babá. Agora, a capacidade de usar essa essa virtualidade, ela é necessária. Isso é o caminho que a gente tá tomando. Por que eu gosto de falar isso? Para acabar com essa paranoia de fim do Mundo, sabe? Paranoia. Porque não é que a gente não esteja correndo risco de extinção, estamos, mas não é pela tecnologia. Pelo contrário, a tecnologia é o
que pode nos tirar deste abismo insuportável. Quem está em crise é o humano, o humano mesquinho e medíocre que eu comecei falando aqui. Porque o processo civilizatório desde o seu princípio é olha com uma finitude é horrível. É isso há 100.000 anos atrás quando a gente começou a usar a nossa Memória para olhar pra vida. E aí criamos pavor. Já tô eu pulando etapas. Vou voltar. Por que que eu vou e volto sem medo e não tenho nenhum problema com isso? Porque vocês são capazes de entender pensamentos que não sejam em linha. Ninguém nasceu para
entender raciocínio em linha. Que coisa mais rasteira. Para que isso? Eu preciso, se eu for fazer um raciocínio em linha, eu tenho que abrir mão de tanta coisa que vem na minha cabeça para seguir uma Coisinha certinha. Só faltava eu colocar um PowerPoint aqui agora, por favor. Entendeu? Vamos lidar com a nossa coragem, a ousadia de pensar ao vivo, de errar, de correr risco. Diz o Niet. Quer permanecer eternamente jovem? Talvez a frase de meio não é do níd quer permanecer eternamente jovem talvez não seja com harmonização facial corra riscos corra riscos quando você corre
um risco, olha, tá vendo? Já tô saindo, mas faz Parte, entendeu? Da alegria do pensamento, né? Quando você corre riscos, você é mais do que nunca um ser vivo e não uma representação e a virtualidade. Quando você corre riscos, o seu corpo pega toda a sua potência e leva ao máximo a potência, né? Você não tá no risco, você tem que dar conta. Então o corpo aciona perigo. Se é perigo, você tem que estar 1000 para resolver aquele perigo. Então se você corre riscos, você aprende a Lidar em alta potência na sua alta capacidade. Se
você nunca corre riscos e um dia você corre, você vai estar impotente para lidar com risco, porque você não sabe, porque as suas veias, a sua circulação sanguínea, a sua respiração não dão conta do risco. E aí ao invés de você correr pro lado direito, que é o lugar certo, você vai correr pro esquerdo, entende? Então, corram riscos. Isso é o processo de vida, né? Se a gente pode morrer a qualquer hora, estar vivo é um risco. Quando eu digo corra riscos, eu posso dizer para você, você pode nunca sair de casa, até porque você
pode ser alguém que tem limitações de locomoção. Então, correr risco, meu amor, é ter consciência que você tá vivo. É mais do que suficiente para você tá correndo sérios riscos. Bom, eu contei a história do mito que eu conto sempre. Esse mito é muito importante, especialmente em crise ambiental. Lerrua Gohan é o pantropólogo que recolheu esse esse mito. Tá no meu livro propaganda. A espécie que sabe. Bom, esse cara fez isso com a mão. Ao fazer isso com a mão, segundo lerro Agurhan, ele tornou-se, obrigou o cérebro a crescer, deu memória, guardou. Quando ele guardou
tudo, ele guardou do jeito que eu falei, emocionalmente. Quando ele guardou emocionalmente, aquilo ganha estrutura, não é caos, tem Ordem. E essa ordem começa a conversar com ela mesma. Aí nasce um aparelho de conhecimento que a nossa memória vai construindo. Então, quando a gente chega a 500.000 anos homo quando chega a 100.000 anos, a gente ganha outra pessoa, para de achar que é doença psiquiátrica e toma medicação por isso. Meu bem, você não é um, ninguém é um. Nós somos um campo de forças, nós somos muitos, mas no mínimo dois. Eu sou quem sente e
quem me vê sentindo. Eu não só Sou um ser que sabe, eu sou um ser que sabe que sabe. E essa dobra de pensamento tá o tempo inteiro ali. Eu posso me negar pensar no infinito. Eu posso me negar a pensar na morte. Acho um horror pensar na morte. Eu gosto de pensar em sexo. Antigamente não podia pensar em sexo, né? Lembra? Falar em sexo era uma gorrô. numa mesa falar em sexo era pornografia. Hoje não tem umas músicas aí que eu fico até sem graça de ouvir, não tem? Eu falo: "Jesus, que que É
isso?" Porque elas elas falam tudo com todas as letras, né? Explicam todo o processo ali [risadas] todinho, né? Então não tem mais aquele jogo porque tá tão claro. Então pode falar qualquer coisa frente todo mundo. Agora se você tá num lugar amor e fala em morte, todo mundo vai embora da mesa. Ninguém suporta falar nisso. Mas se você não fala, não quer dizer que não esteja sentindo e vivendo, porque você não Acessa, então você não fala da morte, você não discute as questões centrais, elas não estão presentes para você, mas quando você dorme, quando você
se distrai, aí você tem uma coisa que te fecha a glote, você perde a respiração, você chama isso de síndrome do pânico. Síndrome do pânico, até onde eu sei, com 23 anos de clínica psicanalítica. Síndrome do pânico é quando uma pessoa que não tá acostumada a ter circulação de vida psíquica e corporal ganha de uma Hora para outra uma grande quantidade de vida. Aí essa coisa não tem canaleta, você entende? Tem que ter canal para sair. Se eu tenho coisas, eu tenho que ter canal. Cadê suas canaletas? Não tem, não corre risco, não pensa nas
grandes coisas. Não é sua culpa não, tá? Se você vive isso, com certeza não é tua responsabilidade, né? É um processo inclusive porque isso fortalece muito certas indústrias, especialmente a farmacêutica, né? Então existe todo um Complô para que a gente não sinta. Bom, esse cara, bom, para complementar essa coisa que eu falei até agora, vida. Vida é vontade de potência pro NIT. O que que é vida como vontade de potência? Vida é luta. Vida é choque. Choque de intensidades que vão produzindo formas provisórias. Então, para Schopenhauer que, como eu disse, o NIT gosta muito, eu
vivo a minha vida, que eu chamo de vida, é, eu tô acordada, tô falando com vocês e tal. Chega um momento em que eu não tenho mais vida, em que eu estou morta. Se eu estou morta, segundo Schopenhauer, a quantidade de vida da grande vida que se destacou para dar unidade a esta vida, porque eu sou a vida, eu tô em continuidade com a água, com seres unicelulares, não foi isso que eu contei? Então eu cheguei aqui num processo que veio da água. Então nós somos feitos principalmente de água. Então nós somos animais vegetais e
Minerais. que habita um planeta chamado Terra, que é ao mesmo tempo um animal, um vegetal e um mineral. Eu atualmente gosto muito de falar isso e quero chamar atenção para vocês. É um poemia muito curto. Ele é maiorzinho, mas eu não vou lembrar, mas é a a frase importante é: "Meus pés beijam a terra enquanto andam sobre ela. Porque eu sei da honra que é ser acolhida por esse ser vivo imenso e grandioso. Essa profusão de formas. Niet, a vida é um fenômeno estético, porque a vida é uma profusão de formas que nascem e morrem
de formas visíveis, plásticas, visuais, de sons. Olha os sons. Olha como é que nasce a linguagem. Isso está no meu livro Niet, a grande política da linguagem. A linguagem nasce da música e a música nasce do corpo. Quando você não sabe falar ou não tinha ainda linguagem e geme Saudade. O gemido de saudade não é igual o gemido de dor. Quem tem filho pequeno sabe isso. Os sons que a criança vai fazendo, a gente vai descobrindo. Então a criança canta uma musiquinha quando chora. Tem choro, você vê na hora quando o choro é de dor,
quando o choro é de manha. Então a gente começa fazendo sons que são orgânicos, você entende? Então a vida é música, a vida é artes plásticas, a vida é um fenômeno artístico e tudo nasce e morre. Mas a nossa lógica de Raciocínio que vai nascer na no pensamento no pensamento grego clássico, né? Esse pensamento que opõe o bem e o mal, que opõe o certo e o errado, opõe a vida e a morte. Aí a gente fica desesperado com medo de morrer. Não é oposição entre vida e morte. A morte e vida são a mesma
coisa. Há uma transformação nesse grande campo de forças. É isso aí. Precisa de religião para isso? Não. Religião. Desculpa aí eu vou falar é o que eu Penso. Sinto muito. Não quero provocar ninguém. Nesse caso. Eu não quero provocar. tem maior respeito pela religiosidade das pessoas. A vida é extremamente difícil e eu entendo perfeitamente que pessoas busquem saídas em religião, saídas mesmo, entende? Não tô criticando isso de jeito nenhum, mas as religiões são relações de poder que se estabelece na nossa na nossa relação com o sagrado. Então, todo mundo, gente, ó, eu mais um a
parte, eu os meus Milhões de apartes sinto muito, é o é o processo, a psicanálise freudiana, que eu gosto bastante, gosto muito do Freud, com muitas faltas, óbvio, né, mas eu gosto muito do Freud. Essa que eu vou apontar é uma delas. que Freud fala de três coisas que a gente tem. O trabalho, que são uma um uma um triângulo fundamental pra gente se manter de pé, né, que nos caracterizam o nosso trabalho, os nossos afetos e a nossa sexualidade. O Jung diz: "Falta um pé nessa mesa que é a nossa espiritualidade". O que o
Y tá dizendo não é que tem que ter religião, ele tá dizendo o seguinte: "Nós não nascemos sozinhos. A vida não é exata." Porque assim, você não tá em continuidade com seus pais. Jorge Batai, o erotismo, você não tá em continuidade com seus pais, você não está em continuidade com seus filhos. Então, a vida é um descontínuo, sabe? É um meio, né? Então, nós temos eh a maior Loucura da nossa vida é ter continuidade. Por isso o erotismo é tão importante, não só a sexualidade, mas o amor e a continuidade com a natureza, importante, com
a arte, etc. Se você, todos nós, gente, a nossa condição no mundo é a solidão, gente, não é a solitude, essa palhaçada dessa palavra horrorosa, por favor, ode nunca fale para mim quando falar publicar uma coisa na minha rede social, eu digo: "A solidão é Necessária". Estou falando de solidão, de aridez, não é de legal tá sozinho. Tô falando isso não. Eu tô falando de incômodo. Ela é boa. A solidão que incomoda é que a boa solidão, aridez. Ela vai se tornando muito agradável desde que você a processe na dor. Porque estar sozinho é admitir.
Sim. E aí você vai acordar de madrugada sem ficar desesperado. Eu estou aqui, não tenho ninguém. Eu posso estar Casada, tá dormindo com alguém, não ter ninguém. Eu posso ter filhos, eu posso não ter ninguém, está acompanhada. Então essa condição humana, ela é extremamente difícil e dolorida. Como que eu, tendo consciência disso, porque eu posso não ter, e achar que a vida é a civilização, então eu tenho que me encaixar. Nasci, único alvo é o quê? Me encaixar, né? Ganhar dinheiro, ten um trabalho, casar ou não casar. Eh, só isso que a gente vê. Quando
a gente só Vê a civilização e a gente não vê o sagrado, nós criamos dores psíquicas profundíssimas. Nossos nó é insuportável. Por quê? Se eu não encaro a minha isso que tudo que eu tô falando para vocês, olha como é difícil isso. Eu tô sendo fofa. Mas se você pega isso aí de madrugada mal falado, não é mole não. Aquela citação, a vida é uma força que vai volta, que não se aumenta nem é um Pânico. Então lidar com isso é difícil, a morte, a finitude, a perda das pessoas. Mas se você não lida, você
passa a vida inteira construindo coisas para cobrir isso. Você vira escravo de não sentir isso, de não ver isso. É mais barato, mais simples sofrer a solidão do que ficar nessa palhaçada de solitude. Eu brinco que o de Javan, quem gosta de solitude é o de Javan, porque ele tem uma música que fala de solitude. Eu amo Profundamente de Javan, tomara que você estejam assistindo isso. Amo de Javan, muito mesmo. Sou fã absoluta. Todo dia de Javan, mas o Javan é um cara que fala de amor. Javan não gosta de ficar sozinho, já reparou? Eu
entendo de Javan, o que ele tá cantando, ele não quer solidão. Ele para ele é impossível. Pode ouvir para ouvir as músicas dele. Ele não se pensa sozinho, entende? Isso é é uma falha desse ídolo que eu tenho. [risadas] Tomara que você esteja ouvindo de assistir quem me dera. Mas eh isso não impediu de produzir a sua genialidade, né? Mas ah, não tem solitude não, gente. Eh, ai, eu queria falar um poeminha. Eh, ah, esquecido. Eu ia lembrar um poema sobre Solidão Curtinho que eu tenho que tá nesse livro aqui, mas eu não vou achar.
Então, eh, o Freud, o Jung diz: "Você precisa lidar com o seu trabalho, senão você não come. Todo mundo trabalha, não tem, não tem como, né? A não ser que você terceirize e alguém trabalhe por você, mas não tem outra saída. Então o trabalho é uma realidade, temos que lidar com ele e encaixar isso na nossa vida psíquica humana. Você precisa da sexualidade para Freud até mais um pouco do que eu acho que precise, porque ele adora essa sexualidade. É, ele ele ele esqueceu é do erotismo, né, gente? Sexualidade é coisa dos Animais, né? Quando
alguém tem prazer sexual, o prazer sexual só faz você reproduzir sua espécie, entendeu? Todos os animais têm prazer sexual. Todos. E o prazer é o quê? É um um tremor, né, que você ganha lá depois de ter se excitado, não é isso? Agora, erotismo não. Erotismo diz dos olhos enquantro enquanto sexo tá acontecendo. O erotismo é quando a sexualidade se torna pensamento, representação e sabe, vai outro lugar. O erotismo é o Desdobramento do prazer sexual. E ele pode ser não só sexual, ele pode ser também religioso, ele pode ser do sagrado, ele pode ser da
arte, principalmente a arte é extremamente erótica, a relação com a natureza. Então, entendeu a nossa condição humana, nossa fragilidade? Nós precisamos da da eroticidade. Precisamos do erótico mais do que da racionalidade. Porque eroticidade é é olha só, eu não Sou sozinho, né? vendo o mundo. O que é o erotismo? É quando você esquece de si. Aí você esquece que você é sozinho. E não é porque tomou uma medicação ou usou uma droga alucinógena. Você quando tá transando sexualmente, você esquece de você. E se você lembra, é bom não lembrar. Vamos aprender a esquecer. Você esquece
de si. Um corpo agarra no outro, esfrega. Você não sabe mais onde tá perna e braço, né? Aí você não é mais Você. Você é um fluxo e quanto mais a coisa vai acontecendo, se especialmente se for demorada, mais ainda. Quando você está dançando, você esquece de você. Se você não tiver tirando onda na balada, dançando mesmo, você não é mais você, você é o movimento. Então o o eu que nasce, que tem história, o nosso eu, a nossa interioridade, tô contando a história desse bicho humano, esse eu é necessário para você prometer. Se eu
não sou Viviane Moisé e aluguei a Casa dela, eu falo: "Não, olha agora, eu não sou Viviane, não, não vou pagar teu aluguel". Entendeu? Então a gente precisa de memória e de nome e de eu para se organizar socialmente. E nós precisamos do social. Sem a sociedade a gente não sobrevive. Diz o Nite. Não temos unhas enormes, não temos dentes enormes, não corremos. Nós não temos vantagem nenhuma física sobre sobre a vida. A gente morreria. A gente sobrevive porque a gente vive em grupo E o grupo é nosso inferno. Entendeu a situação humana? A gente
não sobrevive sozinho e estar junto é um inferno. Não vem dizer que é legal, entendeu? Por isso que eu amo a solidão, diz o Sartre. O inferno são os outros. Eu não sou fã do Sartre. Quem lê o NIT não precisa de Sartre para nada. Vamos combinar numa boa. Para que serve o Sartre? Como como escritor de literatura pode ser, mas como pensamento além de um inferno são os outros. Eu não consigo Lembrar de mais nada que eu tenha levado do Sto s. Desculpa, [risadas] é que o Niet é muito mais cruel, né, na coisa.
Então abarca mais. Mas veja, se o inferno são os outros e são e são. Caramba, é só eu sou livre é porcaria nenhuma. Você anda na rua, pessoal te olhou estranho você volta para casa e troca de roupa, entendeu? Tô rasgada, tô cagada. É o único que você vai achar. Então, se o inferno são os outros, meus Amores, onde você estará bem se não sozinho? Aprenda a estar sozinho. Nós temos, eu vi uma matéria hoje de um psiquiatra brasileiro muito famoso que ganhou um prêmio em saúde mental, né? A psiquiatria e eu não somos amigas,
tá? Não somos amigos. até evito falar para não falar besteira, porque é grave o nosso conflito. Então eu já não concordo, enfim, né, sem entrar no mérito, sen não vira outro assunto. Mas Ele disse, nós não estamos tendo um aumento de casos de autismo e de TDH. Ele disse, olha, se não estamos tendo um aumento, estamos tendo um aumento de diagnósticos. E também é muito grave, certo? Mas supondo que ele esteja errado e que a gente tenha realmente um número maior de autismo no mundo, isso pode estar ligado a os pais estarem no celular e
as crianças não serem criadas com absolutamente ninguém, porque o autismo não é uma Questão intelectual, vocês sabem, né? Os autistas, alguns são chegam a ser brilhantes e geniais. Então não é uma limitação cognitiva, é uma limitação de comunicação. Aí eu digo, nessa mudança que estamos vivendo, tem seres humanos novos nascendo. A gente tá diante de uma nova conformação psíquica. A conformação psíquica que temos, ela é histórica. Se eu conseguir já acabou meu tempo. Olha que absurdo. É um absurdo. Posso ter mais um pouquinho, Felipe? Mas eu fico umas 3 horas. [risadas] Não, brincadeira. Ó, vamos
lá correndo que aí fica para as perguntas. A nossa conformação, o humano é uma corda estendida entre o que ele foi, a ameba, que o NIT chama de verme de propósito para provocar, mas é uma ameba que eu contei essa história não foi à toa. Nós nascemos de um de um de um ser Unicelular, né? Então, olha para trás quem somos. Nós estamos em continuidade com ameba. E quem seremos? é eternamente um humano que se supera. Não é um superhomem, isso é tradução ruim, é um humano que não é homem. Humano é homem e mulher,
né? É um humano, um ser humano ou uma espécie que se supera. Mas não é humano que é uma espécie que se supera, é que o humano é vida e a vida é um processo de expansão. Stephen Hawkins, não só ele, né? Antes Dele já se falava isso, certo? Então, se o universo, o que eu tô trazendo para vocês hoje e que eu tenho discutido ultimamente seriamente, é trazer o universo pra gente, que a gente não tem universo. Nossa, essa merreca aqui, se eu comprei, se eu paguei, não, eu tô quebrando aquela bolha civilizatória e
tô dizendo, vamos abrir pro universo. Então, se eu estou no universo, eu necessariamente tenho que estar em expansão. Frase do Nitaratustra. Todas as espécies até agora criaram algo acima de si mesmas. Foi o que eu contei, o peixe pro anfíbio, né? E você, o que você fez para superar a espécie? Onde você tá sendo maior que você mesmo? Você tá sendo maior que os outros, é o que você luta diariamente. Mas isso não faz a mínima diferença pra vida. O quanto você é poderoso, rico paraa civilização, sim, mas paraa vida não. Talvez a gente devesse
começar a pensar o que a gente deve à vida. Deve no Sentido não financeiro, no sentido de dívida, mas o que eu estou fazendo aqui? O que a existência quer de mim? Ela quer que a minha que que o meu contorno seja mais amplo. Eu tenho uma frase que é muito recompartilhada, que é angústia, assim como a síndrome do pânico, se parecem. A angústia é a alma se rasgando ou o psiquismo se rasgando para nele caber mais mundo, mais vida. Então a gente nasce reduzido, criança. Quando você nasce você é a mãe. É a mãe,
viu, Mães? Isso não é culpa do prefeito, do governador, nem da civilização, nem da sociedade. Amores de mãe. As crianças quando nascem, elas são suas mães, não são seus pais, são suas mães, porque ela nasceu de um corpo e ela ainda tá na indeterminação, né? E aí essa criança aos poucos ela vai ganhando autonomia, ela anda, né? Ganha o nome, vai embora, não é isso? Mas ela nasceu aqui. Nós éramos coletores, Depois a gente passou agricultores. Tá aí a diferença. Quando você coleta, você tá integrado à natureza e recebe o que ela te dá. Quando
você vira agricultor, você diz: "Eu quero dirigir isso". Mas eu não virei agricultor porque o humano é um otário e quer ganhar da vida. Não, a natureza nos levou a ser agricultores. Foi a natureza que nos deu memória e conhecimento para entender as estações e saber quando planta. Tão entendendo que Há uma vida nos impulsionando ao pensamento também e a virtualidade. Então, não tem nada errado em pensar. O, a questão central não é que não é legal pensar, é o que não é bom é oporamento ao corpo e ter uma cabeça obesa no corpo raquítico,
porque se o seu corpo é intenso, aqui só tem cabeça, sinto muito. Então eu vou chamar vocês conclamá-los a ganhar corpo, porque se você mantém essa cabeça, não tá ruim tua cabeça de ter muita cabeça. Não é um Problema que vocês tenham muita cabeça. O problema é que não tenha um corpo. O problema não é uma criança está numa tela o pai e a mãe está numa tela. O problema é eles não terem presença. E a gente não quer ter presença, porque estar na presença é estar no tempo. A gente não quer a vida, a
gente não quer o tempo, a gente não quer o acontecimento, a gente não quer a experiência. A gente quer o Photoshop do corpo, a Gente quer o corpo magro, jovem. A gente quer um corpo que a gente idealizou. A gente não quer experimentar as coisas. Quer experimentar é ser atravessado pelos acontecimentos. O nosso corpo é vazado de poros. Nós somos vazados. Então, quando a gente e por afetos. Então, ter uma experiência é chegar aqui como eu estou fazendo agora. Eu tô tendo uma experiência porque eu estou me permitindo me Relacionar com o olhar de vocês,
porque se o olhar de vocês não fosse legal, eu tinha mudado de assunto. Então eu estou falando coisas que eu sei que eu tô trocando, porque eu tô vendo que eu tô trocando. Se eu tivesse trazido um plano, não necessariamente estaria acontecendo. Então, quando eu não trago um plano, é porque eu estou vivendo, nós aqui juntos estamos tendo uma experiência erótica. Nós estamos aqui numa relação de troca, Sabe? Tá todo mundo envolvido nesse pensamento. Então, a experiência ela é perigosa, porque se eu não trago o plano, eu posso errar e pagar um mico aqui. Então,
por favor, paguem micos, né? Não tem problema. Esse é o nosso desafio. Então, nós não queremos a vida, não queremos as experiências. O que é não ter experiência? É eu chegar aqui toda preparada. Estudei, planejei, estou falando tudo que eu planejei. Isso não é experiência. É como, é como é como ficar na virtualidade e abrir mão da presença. Eu tenho um poema que diz: Poema é construção, poesia é presença. Poema não se explica, mas no caso, como é uma um um pensamento filosófico, eu vou falar. Um poema é uma construção. Só fala isso. Poema. O
poema é poema é construção, poesia presença. Que eu tô dizendo que o poema é uma construção de palavras. Nunca diga eu escrevo uma poesia. Ninguém escreve uma poesia. A poesia vem quando ela quer pro seu poema, pra sua música. Poesia é o fundamento de todas as artes. A música tem sua poética, as artes plásticas tm sua poética. Entende? Então o que é a poesia? É quando a gente acessa a presença que eu tenho certeza que aqui tá tendo poesia. Quando eu olho para vocês, isso que é uma poesia, eu vejo vocês presentes aqui nesse momento.
Então nós precisamos acessar na vida a presença. Então se eu estou presente, os Meus pés tocam a terra, o seu pé toca o chão quando pisa. Duvido. Você nem sabe nem o que que é chão, entende? Eu tô falando de toda a superfície do seu pé saber, porque o seu pé pensa isso é Niet e isso está no meu livro. Niet é a grande política da linguagem, porque eu não vou ter tempo de falar isso aqui, mas tenha clareza, tá lá nesse livro, vocês vão encontrar eh o pensamento ele é corporal. Pensa, Eu tenho um
cérebro que é, a gente achava que o cérebro pensava, lembra disso? Quando era criança era assim, não. O cérebro é um aparelho de processamento que nem um de um computador. O cérebro recebe informações dos sentidos da pele, mil sensores, né? Então a gente sente e entrega pro cérebro todas as percepções e sensações que a gente tem. E ele encaminha e responde, fecha os olhos que tá vindo um uma coisa pro teu olho e aí vai. Então Nós somos um grande processo de comunicação e de troca de signo, tá certo? Como é que o seu cérebro
fala com o seu estômago? Ele fala: "Oi, estômago". Não é, é isso. Ele fala oi, estômago. É isso que eu queria dizer, na verdade. Ele fala mandando sinais. Tá entendendo? É impressionante. Então, a vida é feita de sinais, não é só gente. Esse corpo ele ele faz essa troca, devolve pro mundo, faz essa retroalimentação. E eu esqueci o que eu Tava falando. Quem ajuda? Por favor, fala em mico. É assim mesmo. >> Como? >> Obrigado. Tá vendo? A gente esquece e o pessoal lembra. Aí eu começo a falar disso. Esquece de novo o que que
falaram. [risadas] O cérebro ele apenas processa a nossa informação. Quem pensa é a nossa sensibilidade. Eu trabalhei numa grande TV brasileira Um período e eu fazia muitas coisas lá além de fazer um um programa no ar, eu fazia oficinas, etc. Então, teve um período que a gente discutia com o pessoal do esportes como melhorar as imagens. E aí eu numa reunião eu tava com a a chefia, eu falei: "Olha só, não tem como melhorar a imagem aqui". Eu falei: "Por quê?" Porque quem capta a imagem não faz parte da reunião, ganha pouco, ganha bem o
editor. Mas quem tá na rua com a câmera não ganha Bem, meu bem, você vai editar o que você recebe. Se você não tem sensibilidade, você é o câmera na rua que não sabe ser câmera, entendeu? ganha pouco, não participa da reunião. Então é uma ignorância. Se você quer ter um bom banco de dados de inteligência, desenvolva a sua sensibilidade. Então isso é o humano que nos faz essas trocas. Eu vou finalizar da seguinte maneira. Veja, Água, complexidade das formas, a vida que impulsiona o processo até chegar no sapiens sapiens que primeiro o sapiens ganhou
a memória, né? Fez a grade. A grade de consciência se desdobra um pouco da gente, vira dois. Eu sou quem está aqui e sou alguém que me vê. O que me vê falando logo. Puxa vida, você já não você não falou aquilo, né? Tem alguém me falando, falando as coisas aqui e eu devolvendo. Então isso não é delírio, não. Não precisa tomar Medicação psiquiátrica, entendeu? A guerra que você vive diariamente em você mesma é natural. Aceite as guerras e os conflitos de sua alma. Toda alma é um conflito imenso. Se você não tem conflito, meu
bem, procure imediatamente um profissional que tá mal para você, entendeu? Tá grave. A medicação psiquiátrica, ela não tira o seu, a sua dor, ela tira o seu sintoma psíquico. Então, quando você toma Medicação psiquiátrica, você não dá trabalho pros outros, mas você dá trabalho para você. Por quê? Você tem ideia do que é sentir uma dor que não dói? Isso é quem tá tomando medicação. Porque se você tomou medicação é porque você tem dores psíquicas. Se você tem dores psíquicas, elas não podem ser eliminadas por uma medicação. É impossível, porque a dor psíquica vem da
sua vida, que é o nosso tema aqui. Vida. Vida quer dizera, Intensidade, transbordamento, corpo, excessos, pele. É isso que faz você sofrer. A vida em você, melhor dizendo, o que faz você sofrer, antes de tudo é a vida. Porque a gente acha que a gente sofre de civilização, né? sofro porque as pessoas que tiram sua vida, que tentam ou conseguem se matar atualmente, quando você tem relato é muito isso. Então assim, eu não quero viver porque eu não me adaptei na civilização. Só que a aí eu falo, não, Mas a dor é porque, como eu
costumo dizer, eu falo o prefeito porque a gente adora falar isso, né? como do prefeito. Eu tô assim porque o governador, eu tô assim porque o presidente, eu tô assim porque a humanidade, porque a a a meta, né, a tecnologia tem sempre um culpado. Não, meu bem, quando uma mãe vai parir uma criança, eu tô falando parir porque é a palavra correta para essa coisa, sabe? Quando uma mulher vai parir um filho, dói muito. E a gente tá falando De vida. Dor não é sinônimo de sofrimento. Dor não é sinônimo de diminuição, humilhação e perda.
A dor está presente numa criança quando ela deixa de ser criança e vira adolescente. É insuportável ser adolescente. Não é culpa do adolescente, não. É porque agora ele tem que ter autonomia. Ele tá É quando a gente vira agricultor que eu tava dizendo. Então você nasce no na natureza e vira um agricultor, você nasce agarrado ao corpo da sua mãe e tem Que sair. Dói sair do corpo da mãe, ter autonomia, dói crescer. Dói a alma, dói. Aceita o sofrimento, por favor. aceita. Não é da civilização. Agora, o que é quando a civilização transforma o
sofrimento em moral, porque você tá sofrendo porque você fez uma coisa errada, Deus tá te castigando. Você tá sofrendo porque em outra encarnação você foi um filho de qualquer coisa ruim. Você tá sofrendo por culpa. Então esse processo de dizer que o sofrimento é produto do seu erro ou do seu da sua espiritualidade torta. É muito maldoso isso. A a civilização é é o que o que Sch. Isso tá nesse livro aqui. Quando eu falo do Schiler. É lindo. Ele fala: "O trocou a grande dor por uma dor pequena. Ele queria não sofrer, mas nós
sofremos muito mais por não estarmos sofrendo do que se estivéssemos sofrendo." Tão entendendo? A gente tem tanto medo de Sofrer que a gente sofre 10 vezes maior mais. Então, qual é a contraposição? Vamos pensar o que é a vida que tá sendo excluída da nossa existência. Nós só temos civilização. De que maneira a vida resolve a nossa dor? E aí a gente termina nesse ponto. Kant fala que a gente tem três razões e não uma. O Kant é o primeiro cara e o NIT ama o Kant, apesar de falar mal que o NIT gosta de
centrar em confronto porque ele disse que o Kant abriu a Porta da jaula, depois voltou e trancou e ficou dentro. Então Kant viu tudo que queria ver, mas não teve coragem de assumir o que ele assume. É o que o Niet brinca, né, provoca. O cartesianismo, é são as coordenadas. Então você tem a racionalidade, ela nasce na Grécia. E por que que na racionalidade nasce? O que que é a racionalidade? É o modelo moral aplicado à nossa capacidade de pensar. O que é o modelo moral grego? É se decide as Coisas na praça. Não é
alguém decidindo porque tá lá, é se decid coisas na praça. Se você decide a coisa na praça, você tem que ter linguagem. Se você tem linguagem tem que ter regra, entende? Então, as regras da linguagem é uma regra para controle social. Bom, temos essa uma essa razão com com o cartesianismo cresce muito mais e vai elaborar-se mais. do canto fala, tem três. Uma é do conhecer puro. Eu conheço porque eu preciso. Se eu não Conhecer eu caio. Tem que aprender, tem que conhecer. Conhecimento, entendimento. Tem a moral da da da prática. A razão prática. Eu
tenho que aceitar que eu não posso matar, que eu não posso roubar. Então, eu tenho uma razão operacional prática, eu tenho uma razão do conhecimento, só isso. Mas a capacidade de sentir é que faz a ponte entre as duas. Então, se eu estou muito sofrida pelo sofrimento da vida e quando eu acordo de manhã, eu vejo o sol nascer E eu tenho sensibilidade estética que nós não temos porque nós não desenvolvemos, se eu tenho sensibilidade estética para ver o pôr do sol, a dor que eu tenho continua, mas a grandeza da vida me invade. A
beleza da vida é estética, nos invade e nos contempla. Não é arte como produto, é arte como sensibilidade. Muito obrigada. Muito obrigada. Muito obrigada. [aplausos] Vocês são os amores. [aplausos] Felipe, quase me deram tiro porque eu passei muito. Felipe >> passou nada. O pessoal queria ouvir mais. Eu pessal não quer me ouvir, quer te ouvir, não? [risadas] Mas a gente vai agora pra hora das perguntas. Então é a hora que vocês podem fazer pergunta pra Viviane. Duas formas de fazer pergunta aqui em Campinas. Primeiro num papelzinho e aí eu leio a pergunta aqui. Caso queiram
fazer pergunta, só levantar a mão. Vai o microfone até vocês aí. Alguém da produção chega até aí. E também tem algumas perguntas que estão chegando pelo YouTube. Mas Viviane, antes de a gente começar com as perguntas, >> a gente tem mais uma leitura, né, que a gente queria passar que a gente acabou. >> Não, eu esqueci. Não, mas eu lembrei. Mas eu lembrei. Tá tudo certo. Então a gente vai passar mais uma leite. Você vê O fluxo, a pessoa vai, olha isso, se perde. Esqueci. >> Não, tá tudo certo. A gente vai passar mais uma
leitura aqui para você comentar e aí já dá o tempo do pessoal já levantar a mão. A gente ir pra primeira pergunta do público. Vamos lá. >> Adorei. >> Vamos lá. A pergunta por um fundamento da vida, por aquilo que faz com que a vida seja vida sempre desemboca naquilo que é, Naquilo que não muda, o ser, a verdade. Mas a vida, essa imensidão da qual somos parte é o que está, porque nela tudo passa. E o que passa, dizem os antigos, não importa, não tem valor. Mas a vida é o nosso ponto fixo, mesmo
que nela tudo mude, a vida é o que é. Quem falou essa boniteza fui eu. Você acredita? Com meu própria cabeça e corpo. Mas a questão é o seguinte, veja, a gente sempre quando eu falo da vida, eu Começo dizendo, a gente fala do que é, não é o que é, né? Por quê? Porque nós somos vítima de uma ideia de verdade. O que é a verdade? É o que não muda. A verdade é única, princípio de tudo e imutável. Só que a ideia da verdade é uma ideia mesmo, porque não há na nossa vida,
considerando todas as galáxias que a gente tem noção, considerando tudo que a gente viu, só existe nesta vida, não só na civilização, só existe mudança. Então, a única coisa que a gente tem Certeza que não muda na vida é o fato de haver mudanças. Por que que tudo muda e vida é sempre fluxo? Mas o alvo da nossa existência é o que não muda. A grandiosidade é o que não muda. Quando a tecnologia arrebentou o conceito de verdade, sabe quando foi? Foi quando a gente criou uma horizontalidade da comunicação. Por quê? Vou dar um exemplo
bem idiota assim, você que eu fico pensando, eu amo Animais, né? Amo, amo, amo, amo. Quando você vê na internet pessoas publicando o que os gatos e cachorros fazem, fala: "Gente, não sabia que cachorro fazia isso. Aquilo não é manipulação, é real. Agora, como é que eu vou saber? o que todos os cachorros fazem, né? Você não tem ideia. Então, quando você começa a colocar todos os conteúdos, é um inferno, né, gente? A terra fica plana, entendeu? É um horror, por um lado, não é? É um horror, porque vira uma Relativização, todo mundo vira sábio.
É um inferno esse negócio. Todo mundo sabe que é horrível, essa coisa é uma merda, mas tem um lado bom. Por quê? Porque a multiplicidade de saberes invade os saberes instituídos. Michel Foucault fala muito sobre isso quando ele fala de poder. Ele fala: "É preciso acionar os saberes excluídos, não considerados". Ele fala muito sobre isso. Quando alguém, eu preciso falar Isso, inclusive, vou dizer porque é necessário. Quando alguém diz, "A filosofia nasceu na África é um erro, é uma coisa do do da colonização, por favor, não maltrate a África. É muito mais legal que não
seja a África não é filosofia. Ainda bem, porque a África passa a ser uma referência. Aí as pessoas, isso sim é um pensamento colonizado, tenta pegar um saber excluído e dar a ele a honra do estabelecido que não presta. Então a Filosofia é um erro, um erro bom. Por isso que eu tô falando da exclusão do erro, tá no meu título. Errar é legal, entende? Então o erro é necessário e bem-vindo o erro da filosofia. Mas o pensamento da África, do continente africano, o pensamento dos indígenas, eles são uma referência pra gente. Por quê? Porque
na África, em África não se opõe o corpo e a alma, né, meu amor? Entre indígenas não se opõe o corpo e alma. Então, África e indígenas não Fazem filosofia, porque fazer filosofia é opor valores, é o mínimo que é considerado filosofia, entende? Então o que eu tô dizendo ali é, a gente fala que a vida importa no que é, mas a vida só há onde não, onde onde tudo passa. Ou seja, nós somos vítima do nosso medo, do perecimento e da transformação. A gente cria um mundo idealizado, fixo, porque não consegue lidar com o
mundo como ele é. Então, a humanidade está passando por um processo de amadurecimento. Ou ela Lida com a vida como é, ou a gente entra em extinção. Simples. Tá agora pra pergunta do público aqui, pode se apresentar e fazer pergunta. >> Primeiramente, boa noite e uma honra estar aqui apreciando sua palestra. Eh, sou fã de alguns anos já. Eh, eu sou professor da rede estadual, me chamo Paulo e eu tento entender a geração com a qual eu lido, né, os adolescentes de hoje para tentar entender como é melhor a minha prática enquanto docente. E eu
Me segurei numa parte seu sobre presença e solidão. Solidão, solidão, não, solitude. Eh, eles são de uma geração que foram educados ali o tempo inteiro ou com alguém e quando não tá com alguém tá com algum vídeo, alguma coisa tocando, tem movimento e vão ficando mais à medida que vão crescendo. Na escola também a tecnologia parte do movimento e aí eles se percebem nos nas redes sociais e estão sempre online. Estão sozinhos, mas Estão conectados, estão com certa presença, que não é bem uma presença, mas é a presença. É a dificuldade que eu enxergo, que
eu queria saber se há alguma solução filosófica, teórica pra gente conseguir constituir isso em sala de aula. Eh, vejo que eles estão sempre em grupo e presentes, mas ao mesmo tempo muito sozinhos. Tá sempre com celular, com muita gente, mas o celular tá só ele sozinho ali em cima da sua cama. Como que eu ensino a solidão, solidão, aridez Que você trouxe para quem nunca teve a presença de fato, tá sempre conectado, tá sempre em grupo, mas tá sozinho sempre. Eh, aí tem muitas coisas, tem uma um trabalho atualmente que se apresenta muito em jornais,
em mídias, né, que é o seguinte: as baladas estão sendo fechadas. A juventude que tem menos, que tem em torno de 20 anos, de 15 a 20 e pouquinhos, não sai à noite. Então, tá tendo um Prejuízo. Eu tô falando de matérias sobre discussão econômica, tá? Quando você olha esse fenômeno, você fala: "Car, ah, onde eles vão? Essa geração sua?" Eles vão para festivais, eles vão para eventos que eles ficam dois dias, mas eles não têm o hábito de saírem diariamente à noite pras baladas. Aí você olha de um lado e fala: "Caramba, eles estão
se isolando". De outro lado você pergunta: "Para que uma pessoa precisa sair tanto?" Entende? Eu fui falar isso pro meu filho que tem 21 conversando com ele porque ele me incomodava. Eu, puxa vida, na idade dele eu saía tanto e eu fui, isso me incomodava. Ele tá sozinho. Não, ele não está sozinho quando tá em casa na internet. Depende do que ele tá fazendo na internet, óbvio. Mas ele quando está com amigos, ele está com presença. Presença. Tem uma coisa que eu conto no meu livro novo, esse aqui, meu braço esquerdo, é a Base desse
livro. É que um dia minha mãe chega para mim, quando eu tinha 40 anos e chorando muito profundamente, me diz: "Eu quero te pedir perdão porque quando você nasceu, eu não estava lá. Meu peito estava, mas eu não estava. Eu não tinha nada para te dar. Eu só lembro de você a partir dos seus 4 anos de idade. Quando ela falou isso, ela me ajudou muito, porque eu tenho dores psíquicas profundíssimas desde criança. Então, eu entendi o que eu tenho. Quando eu falo Para vocês do universo em expansão, é a sensação que eu tenho em
mim. Porque como eu nasci sem ser abraçada e aconchegada, é como se eu fosse. Então, o que eu quero dizer é o seguinte, minha mãe estava lá comigo me dando peito e não tinha ninguém. Você tá entendendo? Você está com presença, não quer dizer que você tá com alguém. Você pode estar o tempo inteiro andando com amigos e não ter ninguém. Quando você tem amigos reais e tá com Eles na internet, você tá sim acompanhado, entende? Então esse é o novo ser humano que a gente tem que aprender a lidar. Agora, o qual a tua
questão e com razão? É que como é uma transição de modelos, sabe? Eh, é, o que eu faria com eles seria trazê-los sim paraa presença, porque se eles têm a presença virtual, que é muito legal, tá, com amigos virtualmente e além da presença virtual eles exercem o corpo, aí eles estão num bom lugar. Então, se Eu fosse quem faz conteúdo política pública para juventude hoje, se eu fosse quem coordena conteúdos curriculares, até fiz uma reformação curricular, ele até leu, mas isso já tem bastante tempo, mais de 15 anos, sei lá, 15, eu faria o quê?
Veja, jovens têm internet e inteligência artificial. Se eu sou professor e eu dou uma questão, não é difícil eu mesma fazer a minha pergunta paraa inteligência artificial e saber o que que ela responde para eu Saber quem tá usando e quem não tá usando inteligência artificial. Não é difícil. Então, aos poucos a gente vai aprendendo a ver quando usa e quando não usa. A gente vai aprender como professor dar perguntas pros nossos alunos que a gente vai conseguir botá-los numa encruzilhada, que não é aquela. Isso a gente vai aprender, mas eles vão ter cada vez
mais acessos a conteúdos que pra gente era um saco. É um saco a escola. Então aquele Conteúdo chato que a gente era obrigado a decorar, eles não vão mais precisar. Então a escola passa a ganhar tempo. O professor futuramente vai ganhar tempo, porque ele vai ficar planejando aquelas aulas todas. A a o chat GPT vai planejar para ele, mas ele tem que ser um bom professor, senão ele não conseguirá, entende? sempre tem alguém, gente, ali. Se a escola vai ganhar tempo, porque a máquina vai fazer parte do que deve ser feito, aí a escola começa
a existir, Porque aí você vai ter óscio com seus alunos e você vai exercer com eles a presença e vocês vão trabalhar na na sala de aula, no convívio diário, que é fundamental. A escola nunca vai acabar, porque você vai pra escola para se relacionar e não para aprender. Por quê? Eu aprendo, eu tô, tô na minha família. Pensa isso, gente. Eu estou com a minha família. Se eu estou com a minha família, eu estou com valores morais Restritos. Imagina que você é de uma família que não pode fazer transfusão de sangue, que não que
tem que não pode eh usar camisinha, entende? que não pode fazer sexo não depois do casamento. Eu não tô criticando nem valorizando, eu tô dizendo apenas essa é um é um modelo. Se você nunca vai a escola, como os americanos fazem, você pode fazer, estudar em casa, você vai achar que o mundo é aquilo ali. Quando você vai pra escola, você vai acreditando em tudo Aquilo, mas você encontra uma criança que pensa de outro jeito, outra. Aí você vai na casa do amigo, tá entendendo? Então o que a escola faz? Arrebenta com a família. A
escola protege a criança da família mesmo. A família não é necessariamente uma coisa boa para uma criança. A família destrói uma criança, entende? E nem sempre por querer. Às vezes é por falta de de de amor, porque não conseguiu amar, entende? Então é fundamental. A escola hoje não cumpre o Seu papel porque ela não consegue de tanta chatece que você como professor tem que passar para eles. Se você não tiver quase nada, vocês vão exercer o nada ali, vão ficar convivendo. E isso chama-se o exercício da presença. Isso é que a gente precisa exercer a
presença em sala de aula, na família, entende? Esse é o desafio. Agora, a transição, que é esse negócio do meio, faz com que os adolescentes entrem num grau de angústia insuportável. Isso para mim é o Problema, porque não tem canaleta. Eles estão, os adolescentes de hoje, especialmente, eles estão arrebentando os muros, sabe? Eles são maravilhosos. Eu odeio essa coisa de para fazer palestra no mundo corporativo, falar mal de juventude. Aí, supondo, ó, ela trabalha no mundo corporativo e ela tem 20 anos. Ele me contratou pro mundo corporativo, ele é mais velho. Aí eu vou lá
e ele fala para mim: "Você tem que falar: "Olha, a juventude hoje é horror, Você tem que falar que a geração Z não presta. Passa o tempo, eu falo para ela, eu não vou falar isso para ela, mas é o que ele pediu. Passa e ela tá e ela é que é vítima. Eu volto na empresa 15 anos depois, ela tem 35. Ela vai pedir para mim falar mal da geração. É sempre assim, entendeu? Como assim? Você tá sempre falando mal dos outros, meus amigos revolucionários. Hoje a juventude de hoje, Viviane, tá perdida. Você jura?
Parece teu avô, seu Otário. Que coisa insuportável. A juventude sempre carrega o mundo. É ela que é a perspectiva. Agora, se nós velhos não sabemos lidar com isso, vai crescer, certo? Então, nós não sabemos lidar com eles. Temos que aprender, mas eles trazem perspectivas favoráveis. Não temos excesso de autismo no mundo. Se tivemos, seria o seguinte, para que conviver tanto? Será que a gente não tem que aprender com os autistas um pouco? É sério. Eu tô falando sério. Para que tanta convivência? Para que tanta convivência sem presença? Fala sério. Você vai numa festa com 100
pessoas, quantas tem lá? Você tem 1000 amigos? Quantos você tem? Tem amigo quem tem dois. Quem tem cinco amigos tem amigos. Agora você tem 300 amigos, você não tem nenhum. Tá entendendo? Então, a gente tem que ter coragem de saber que a vida em expansão arrebenta coisas que a gente acha Normal. Aí a gente fica arrasado. A juventude tá perdida, não tem nada perdido na juventude. Eles estão lidando com com com dificuldades terríveis. A juventude carrega um peso nas costas que nós botamos e nós carregamos um que nos botaram. Então, a juventude hoje muito novo,
lida com o mundo desabando ambientalmente, anda com o mundo horroroso nas costas e eles são maravilhosos. Parabéns. [aplausos] Parabéns. Quem consegue sobreviver, Sabe, a este inferno contemporâneo. Parabéns. E não ficar falando: "A juventude é fraca." Ah, fraco. É você que não tá enxergando nada, tá cego, surdo e mudo. Por favor, >> mais uma pergunta do público ali no fundo. Vou pedir para se apresentar e fazer a pergunta. >> Boa noite, obrigado pela apresentação, muito boa. Eu sou o Godói, eu fiz um mestrado em Niet >> e a pergunta seria a seguinte: partindo do pressuposto de
que conceituação é um modo humano de organizar a vida. foi dito que o sagrado seria de repente algo grandioso demais para estar no campo da religião. Mas assim como é legítimo eh nós nominarmos de sagrado esse totalmente outro misterioso e tudo mais, não seria legítimo também eh nominar a religião como essa relação que a gente tem consagrado, cada um ao seu modo, a sua crença e etc? >> Sim. Sim. Você você falou perfeitamente e eu concordo plenamente com você. A religião pode ser isso. O problema é, volto pro Michel Fouc, porque além do Niet, eu,
o segundo amor da minha vida é Michel Fou. A questão, amor, é que eh tudo que acontece no mundo, ele existe a partir de relações de poder. E as relações de poder, elas elas se estabelecem. Então, a princípio, a religião é isso que você tá dizendo e pode ser isso que Você tá dizendo. Só que no momento em que eu uma sacerdotisa de qualquer religião que seja, de qualquer religião que seja, na medida em que eu me coloco no lugar de uma sacerdotisa, eu passo a ser a ponte que vocês têm com o sagrado. Neste
momento, isso vai mover não só a minha religiosidade, vai mover a minha insegurança. Então, eu tenho medo porque eu me acho um pouquinho gordinha, um pouquinho magrinha, um pouquinho cabelo muito Crespo, um pouco tudo, qualquer coisa que eu possa achar, né, que a gente tem as paranóias, aí eu passo a dizer, mas não, mas eu sou uma sacerdotisa e aí eu passo a me colocar como poder. Eu estava ontem num evento e com pessoas e uma das pessoas que estava ao lado tinha uma menina muito jovem, por isso que eu adoro os jovens, amo sair
com eles. E nesse nesse momento estávamos mesmo, ela deve ter uns 30 anos no máximo. O o rapaz devia ter uns 45. O rapaz é Religioso da Umbanda, eh eh religiões afro-brasileiras e ela, os dois negros e ele mais velho que ela. Aí ele vai fala para ela, ele vai falar, ela fala uma coisa, nada tudo muito simples, nada demais, mas assim, eu gostei do que ela falou. Ela comenta uma coisa e ele entra com uma questão religiosa, entende? Da Umbanda. Ela olhou para ele e falou: "Eu achei que eu tivesse falando com uma pessoa
e virou as costas, entendeu? E não com Uma entidade, entendeu? Então o que ele fez foi, ele é um cara legal, entendeu? Foi uma coisa pequena, não foi nada grandioso, mas o que ele fez diante de uma questão jovem que ela tava trazendo, que ele não soube resolver, ele coloca sua relação de poder. Imagina isso numa num auditório lotado de fiéis. Entende? Então, não há nenhum problema com a religião. E eu vou dizer muito honestamente para vocês, eu tenho o meu modo espiritualista de ver As coisas. Por isso eu respeito. Fora do que eu tô
dizendo para vocês, eu poderia falar de outras coisas que um dia eu venho falar aqui, mas ninguém nunca me queria ouvir falar sobre isso, mas eu tenho. Mas são coisas muito íntimas de como eu sinto a coisa da religiosidade. Então eu entendo tá falando e concordo. O problema das religiões é que elas são instituições e ela começa sempre aberta e vai se tornar fechada, manipuladora. Por que Que eu tô falando isso? Lembra como eu comecei falando? Eu disse, o humano é uma coisa inacreditavelmente bela e horrível. Não tô falando que as pessoas horríveis estão na
religião. Eu tô dizendo que todas as pessoas são horríveis e lindas. Todos nós, vamos parar com essa palhaçada. Todos nós podemos fazer coisas horríveis, dependendo da situação em que a gente tá. Não tem ninguém bom se opondo alguém mau. Claro, tem pessoas que cultivam Mais o que é luminoso e bacana. Pessoas que cultivam o que é horroroso, isso a gente sabe, mas não tem ninguém isento nessa história. Portanto, se livre dessa capacidade excessiva de julgar. Não sei se vocês sabem disso, mas razão quer dizer capacidade de julgar. Quando eu digo a crise da razão e
critico a verdade, eu tô criticando especialmente a nossa excessiva capacidade de julgar. Ninguém está no lugar de julgar, entende? Você pode Julgar como? Se eu vou pra direita ou pra esquerda? Se eu posso querer ir na casa dela ou na casa dela, tá entendendo? Porque eu julguei na minha sensibilidade. Mas eu não posso levar o pé da letra. Não posso levar o pé da letra. Ela não é legal. Será mesmo que não é legal ou eu que não tô vendo, né? Então o nosso inferno é a capacidade de julgar. E a nossa religiosidade atualmente tá
virando bancada, né? Bancada da bala, bancada da religião, Né? Assim no Congresso aí muito menos tem religião, né? Então, hoje cada vez mais no Brasil, pelo menos, a gente tá falando de manipulação política, infelizmente. >> Viviana, a gente tem uma pergunta agora de uma amiga sua, pergunta em vídeo da Bela Gil. Vamos dar uma olhada. >> Ai, que linda. >> Viviane, sua maravilhosa, minha grande amiga querida. Eu sei que temos algumas coisas em Comum. Amamos a vida, amamos a natureza, gozamos os nossos gozos, saboreamos nossas comidas, lambemos as nossas crias, cultivamos as nossas flores. E
como fazer isso? Como viver a vida que a gente sabe que acontece muitas vezes e majoritariamente entre os nossos planejamentos? Como viver isso num mundo num tempo que se dá valor às coisas mais ah planejadas, mercantilizadas, Contabilizadas. Então, como abrir espaço pra gente pisar na terra, cheirar flor, sem se sentir culpada, sem achar que estamos perdendo tempo, sem achar que estamos deixando de ganhar vida e dinheiro? Um beijo. >> Casou, fofa. Eu adoro ela. Então, eh, o que a gente precisa fazer é perspectivar a civilização. A civilização é maravilhosa. Nela tem coisas incríveis. A gente,
quando a gente tem uma dor de dente, a gente não arranca ele com uma pedra, entendeu? Você sabe aquele filme, eu acho que é o náufrago, que o cara quando sente dor de dentro de pegar uma pedra e arrancar, aquele filme mata. Porque ali você lembra que as pessoas já fizeram isso, entende? Imagina o que é ter uma dor de dente sem um dentista. É grave. Imagina o que é uma sinfonia. Imagina uma orquestra tocando. Não é uma Coisa inacreditável. Então a gente tem coisas inacreditavelmente belas. Eu poderia citar ficar horas citando grandezas da civilização.
A questão é que ela se torna a vida e a vida é uma coisa, a civilização é outra. Eu contei para vocês aqui a história da vida. Lembrando da água e de como somos água. Então, se a gente, como fazer, ela pergunta, né? Se a gente tivesse acesso ao que eu tô dizendo aqui na no nosso conhecimento, porque tudo que eu falei Aqui são conhecimentos objetivos, não tem nada demais, né? Qualquer um pode acessar professor, ele pode levar isso pros alunos. Se você leva, professor, paraos seus alunos, a história da vida que eu contei aqui,
que a biologia ensina para esses meninos o que eu falei aqui, só que ensina com distanciamento e não implicado. Então, se um professor pega a história que eu tô dizendo da vida e traz com força, intensidade, a gente não vai sair da civilização. Ninguém tem que negar a civilização. O que a gente tem que entender é, veja só, uma um modo de pensar, uma metáfora. Eu tenho uma casa toda ordenada, como a Bela Gil tá dizendo, tudo tem ordem, tem tempo, né? Tem que ser prático, porque eu tenho tudo está lá na minha casa. Aí
eu pergunto, na sua casa, qual é o lugar de fazer bagunça? Qual é o lugar na sua casa que você pode riscar a parede e jogar uma bebida no chão? Se você tem filho, qual é o lugar na sua casa em que Uma criança pode quebrar uma coisa? Se uma criança não pode jogar uma coisa no chão e quebrar, ela vai se quebrar. Vocês estão entendendo? Então, não é negar a ordem, é suspender provisoriamente a ordem e a civilização. O que é erotismo? É, para Jorge Batalho, é a é a é a suspensão provisória da
ordem. É você não ser você por alguns minutos. Você quer não ser você para Sempre? Não, senão você vai ter uma crise psicótica e a dor psicótica é insuportável. Ninguém quer ser psicótico. Pessoas que sofrem de psicose precisam de medicação, entende? Mas não são nem 15% do que o mundo hoje usa de medicação. 15%, 20 precisa, o resto não precisa. Usa por outras razões, mas tem pessoas que de fato precisam. Então, eu não quero perder o meu eu, eu não quero perder a ordem, eu não quero morar no Meio do mato sem ter condição. Não,
mas eu preco na civilização, eu preciso provisoriamente não tê-la. Qual é a questão do Zaratustra? O Zaratustra ele tá vivendo na civilização. Com 30 anos ele se vê, sabe o quê? fraco. O velho diz para ele quando Zaratustra sobe lá no prólogo, você subiu como como cinza e desce a montanha como brasa. Não tem medo dos incendi do que fazem com os incendiários. Ou seja, o mundo é feito de cinzas. Você largou esse mundo Civilizado como cinza. Aos 30 anos a gente é cinza. É mais ou menos isso que ele quer dizer. A gente tem
vida até os 30. Nos 30 você já se desgastou tanto que você já não tem mais nada. Então o Zaratusta aos 30 sobe a montanha e vai morar no mato mesmo sem dentista. E ele fica lá 10 anos e ele volta puro transbordamento de vida. Aí o velho fala para ele: "Cuidado que o mundo não gosta de quem é o iluminado, entende?" E a gente sabe isso. Então a questão do Zaratusta, ele sobe três vezes aquela montanha, entendeu? É preciso subir e descer. Então eu pergunto, qual é a sua montanha? Se você precisa estar na
civilização, não negue, inclusive ajude essa porcaria a prestar, faz o teu papel na sua medida, né? Na sua medida do possível também, porque você não vai salvar o mundo. Não foi você que criou isso, não é você que vai resolver, mas você atua agora provisória. A civilização é o Lugar da diminuição, porque tem que cumprir, tem que cumprir. Agora, veja só, tá errado a civilização nos diminuir? Claro que não. Como é que você quer 8 bilhões de pessoas no mundo sem se diminuir? Como é que você quer uma cidade sem se diminuir? Tem que se
diminuir. Não pode jogar papel no chão. Não pode abrir o braço de qualquer hora que você pode bater em quem tá do lado. Não pode. Nem o braço você pode abrir, tá Entendendo? Se você fizer isso aqui, ó, ó, olha aqui, ó. Eu não posso abrir de qualquer jeito os braços. Então, estar na civilização é se diminuir e está certo. A gente está na civilização, se diminuir em coisas que não devem e se diminui. Quer dizer, não entendeu, né? A gente joga papel no chão e diminui a capacidade de amar, entendeu? A gente não devia
jogar papel no chão e devia amar. Então, a civilização diminui e tá certa. Mas o Carnaval existe até no cristianismo, tá claro? Se o cristianismo diz que na festa da carne você pode fazer com seu corpinho o que você quiser, meu amor, é porque precisa se perder para se achar. Tá claro? Pense bem, catolicismo, idade média, olha de onde vem esse negócio. Se lá fala pode tudo três dias, é porque a gente pode de vez em quando tudo. É preciso que as casas tenham Lugar de não ser. É preciso que a civilização dê. Qual é
o lugar da civilização além do carnaval, mas diariamente, em que você pode não ser dançando? Sim, indo ao teatro? Sim. Porque no teatro você mata alguém, né? Você esfola alguém. Você que você não quer matar ninguém. Eu quero matar uma galera. Se eu vou fazer a listo que eu quero matar mesmo. Tô falando matar com a unha de ódio. Mas eu não vou fazer isso por Várias razões, certo? Mas eu posso escrever uma peça e matar todos eles. Então você mata e não mata na arte. A arte é o lugar onde você suspende provisoriamente a
lei e pode tudo na poesia, pode tudo na dança. Só como eu falei do Kante, nós não desenvolvemos o senso estético. Então, por eu ser impotente ao olhar, ao ouvido, ao toque, a sensibilidade, eu elejo aquela moça artista plástica. Essa aqui é cantora, Essa aqui é poeta. Então eu faço dela um ídolo, porque eu sou minha impotente. Eu elejo ela e compro o produto dela. Eu só sou, eu só posso realmente valorizar o trabalho de um artista se eu sou artista. Nós somos artistas. Se você demora duas horas para se vestir, é porque você tá
começando a chegar no lugar certo. Porque se vestir é um ato estético. Não é o preço da sua roupa que vai Dizer, não. É a tua escolha. Se você vai de rosa ou de azul, é importantíssimo a roupa que você veste. Não é para a civilização que eu tô falando. Eu tô falando para a sensação de que você botou uma roupa, você se sabe se sua casa, a parede é branca, é azul, é amarela, você não tem ideia do que isso influencia no seu bem-estar psíquico. Se a sua casa é uma bagunça, só é um
horror pro seu psiquismo. Se sua casa é uma ordem só, é um horror pro seu Psiquismo, entende? Eh, é preciso fritar o arroz bastante antes de colocar a água fervendo. E não pode mexer jamais depois de a água ser posta. O alho deve fritar no óleo junto com o arroz. São coisas que eu sei e que não. Eu sei muitas coisas. faxina, por exemplo. Eu sei limpar uma casa de tal modo que não sobra um canto que não tenha sido tocado por minhas mãos. Depois vou sujando, deixo peças na sala, Louças sujas na pia. Não
na mesma hora, mas um pouco e às vezes bastante depois. Eu volto limpando. Assim me faço nos objetos que me acompanham. Eu gosto de andar nas ruas e comprar coisas que vão se arrumando em torno de mim. Eu tenho muitas camadas. Quero, eu tenho muitas coisas, quero dizer, tenho muitas camadas. Uma camada de plantas e cosméticos, uma camada de adereços, uma camada de nomes e coisas que vejo tudo ordenado ao meu redor em Forma de corpo. Um corpo que me sustenta quando o meu próprio me falta. Cadeiras são meus ossos, paredes são como roupas de
inverno. Quando toca a música em minha casa, sai do umbigo. Descanso recostada nas paredes que me guardam como um abraço. Me abraço quando me derramo na sala e na cozinha. Em geral, adormeço no quarto. Tudo em minha casa tem existência. Todas as coisas significo com os olhos ou com as mãos. Minha casa tem silêncios que às vezes ouço em meu corpo. Tem silêncios maiores ainda que às vezes ouço e faço poemas. Faço poemas dos silêncios que ouço. [aplausos] Obrigada. [aplausos] A sua casa, como dizela Gil, não é operacionalmente um lugar que você vai descansar para
no outro dia trabalhar que nem o otário. Você sai de manhã, trabalha o dia inteiro, volta à noite para descansar. Sabe o que que é descansar? resgatar suas forças para voltar no outro dia a trabalhar o dia inteiro. E à noite você vem descansar para trabalhar o dia inteiro. A sua casa é um ponto de descanso. A sua casa, sua casa é o seu corpo. Ela é a continuidade do seu corpo. Então, quando as coisas ganham vida, a gente não é atropelado por esse processo de correr, de fazer. E a vida volta a habitar. Então,
a vida, você não precisa procurar A vida para para estar com ela. Ela já está. Ela está nos objetos, ela está na relação que você tem com as coisas, ela tá em todo lugar. Você só não tem que tirar ela dali e brotar dentro dela um modelo. Então, quando a gente tem filho, isso aconteceu comigo, com todas as mães e pais, quando meu filho nasceu, ele era o meu modelo, ele era minha massa para moldar, sabe? Massinha. Então, é assim que eu sentia mesmo. Eu aprendi apanhando, que Ele já tem 21 anos, mas no primeiro
momento você quer fazer a educação que a sua irmã não fez, né? Que a sua amiga fez. Assim que cria, criança, né? A gente olha e fala: [risadas] "Olha como essa pessoa queria". Aí você acha que você tá arrasando, sabe? Até você ver que nós, mães e pais somos sempre errados, sabe? E relaxa, porque o erro, como eu disse aqui, né? Não exclua o erro, sabe? Então a gente erra, o legal é errar e olhar com generosidade Para si, se perdoar, sabe? Se entender, perdoar não é uma boa palavra, sabe? Erramos, professor erra, a gente
erra como mãe, como pai, como professor e aí a vida segue. Então, eh, tem vida mesmo dentro dessa civilização otária, entendeu? E aí eu vou finalizar essa questão com eh o Espinoza diz que Deus não criou o mundo, que Deus é o mundo, que nós somos porção, nós somos a manifestação finita da substância infinita, que é Deus, que É a própria vida, que é a própria ação em si, que é a própria alegria. Então, usando Espinosa, eu diria para vocês que Espinosa é contracorrente na filosofia. Espinosa é marginalidade da filosofia, assim como Niet e assim
como vários outros que a gente conhece, como Heráclito, ao contrário de Parmenes. Então, sempre teve. Então, quando você pega a contracorrente da filosofia e Espinosa é um bom exemplo, você chega ao pensamento africano. Quando se diz, isso é pensamento, gente, é cultura, religião, alguns chegam a esse nível de religião, mas não nem todo mundo, mas é a cultura africana e brasileira num certo momento, que é se eu digo que o vento é em Ançã, é uma deusa. Se eu digo que o mar é manjá, é uma deusa. Então o mar é se é uma deusa,
é divino. O mar, o vento é divino, as armas são divinas, porque é metal. Metal do meio da natureza é uma, né? Eh, então o que o que o pensamento africano faz? Ele dá categoria de divindade à vida. Só usando um pensamento como esse, a gente consegue se relacionar com a vida como divindade. Então, tem um exemplo que eu uso, falo às vezes em palestra que as pessoas se sentem atingidas. É, quando eu tô, eu tenho senso estético hiper estabelecido e elaborado, não porque eu escolhi, mas porque eu não tenho pele, tudo me fere, eu
sofro de carne viva. Minha mãe não estava lá Quando eu nasci, eu não tive mãos de afeto que me dessem contorno, entendeu? O afeto no corpo de uma criança mostra o contorno. A minha mãe não tava lá, eu não tenho contorno e tenho dores psíquicas profundas. Podia estar aí matando e roubando? >> Não tô. Mas eu tenho senso estético porque eu sou o oposto de ser uma pessoa ordenada. Na verdade, se eu for colocar, eu falo isso lá no meu livro e é um tema que eu Tenho aberto, não apenas para me expor, mas porque
eu tô fazendo uma crítica aos diagnósticos e aos excessos. Por isso que eu tô me expondo. Não é porque apenas eu sou legal, eu faço de propósito. Eu sou clinicamente, psicanaliticamente, eh, estado limítrofe, personalidade limítrofe, entre a neurose e a psicose. E não é bipolaridade. O bipolar é aqui ou aqui. Eu sou ao mesmo tempo neurose e psicose, né? O, eh, mania e depressão, Né? seria mais ou menos maníaco depressivo, mas não é o caso bipolar, meu caso é é limítrofe. A a psiquiatria me chama de borderline. Uma um amigo me disse: "Se você tiver
em Boston, que eu fui fazer umas palestras em Boston, cuidado para falar". Nunca fale isso, que eu adoro falar, não fale porque eles te internam, entendeu? Porque o borderline é o que se mata, é o que pode fazer mal pros outros, é o que usa drogas Desesperadamente, é um destruído. Eu nunca conheci ninguém borderline como que não usasse medicação, entende? Então, gente, a minha falha psíquica é que fez vocês me convidarem para vir aqui. É verdade mesmo. A minha sensibilidade, a minha meus meus poemas, o modo como eu vejo a natureza. Por que eu vejo
tanto a natureza? Porque a cultura em mim não está tão estabelecida. Todo dia quando eu acordo de manhã eu tenho que me constituir, Entendeu? A minha personalidade não é constituída. Então, eu tenho dores psíquicas muito profundas. Tudo ia mal quando a minha mãe soube que eu viria ao mundo. Então não quis que eu viesse, mas eu me impus a ela que declinava. Ninguém estava lá em minha chegada. Posso sentir a solidão do princípio, a falta de um primeiro abraço que não veio. Ainda hoje anseio por esse abraço? Impossível. Sim, eu tenho coragem de assumir o
sereno de onde vim. A falta de mãos de afeto sobre Meu corpo que restou aberto, a carne exposta, os poros escancarados, o vazio na boca de minha mãe em agonia. Sim, eu posso entendê-la mil vezes posso. O abismo em que vivia, mas isso não diminui a ausência em mim tatuada. Cheguei quando não havia nada, nem mãos que me contornassem, nem braços que contessem o meu corpo em desamparo. Permaneci vazando vida dentro. Aos poucos fui aprendendo paredes nessa casa Corpo sem teto e sem chão. Uma a uma fui tecendo essa pele que não cessa. Vento a
vento, poro a poro, até achar que as tinha. Foi quando desabaram. Eu amo a vida, mesmo quando provo de sua face mais amarga, quando os frutos apodrecem dando larvas, quando não água na fonte do corpo, quando nada. [aplausos] Isso me deu senso estético, entende? Vou falar, tem que terminar, não tem? Vou falar, esse é um poema que um dos poemas que tá nesse livro mais no início. Eu vou falar o último poema paraa minha mãe e vocês vão entender fechar o que eu tô querendo dizer. Como positivar dores? Essa é a minha questão. Temos que
positivar dores psíquicas. Se você cura dores psíquicas, você não move tortas mudam o mundo. Pessoas adaptadas e retas repetem o mundo. Uma pessoa adaptada não precisa mudar o mundo. Agora, se você não enxerga, se você não Tem pernas, se você tem dores psíquicas, se você tem síndrome bolhosa, você, se você é psicótico, você tem que cavar um lugar no mundo para você caber. Se você tá adaptado, você vai mudar o mundo. Por quê? Então, nós temos que valorizar os desadaptados ao invés de curá-los com medicação. Tá claro? Então agora eu vou, vocês viram o primeiro
poema? É muito dolorido e real. Eu escrevi isso, não é poema, isso é minha vida. Agora vou falar o último poema que fecha o tema. Ainda posso sentir a força de sua voz dizendo: "Vai com Deus, minha filha". Tenha cuidado, suas rezas, sua fé e a certeza de que sempre tudo daria certo. Minha mãe era firmeza e positividade, além de beleza. Era uma mulher bonita e elegante em seus gestos e palavras. Eu devo muito a ela e a tudo o que ela foi capaz de me dar. O vazio que eu trago na alma é o
buraco onde cabem as minhas palavras acesas. O meu corpo vazado acolhe as manhãs e me Potencializa. Eu sou uma usina de vida. Se a hora do meu nascimento não foi uma uma boa hora, minha mãe me deu uma casa cheia de vida, de arte, de coragem, de ousadia. Quando eu olho às vezes de relance no espelho, eu vejo ela. Somos muito parecidas. Sim, eu te amo, minha mãe, e te carrego quente no meu peito. Sim, eu digo sim a vida. Eu viveria tudo outra vez, infinita vezes, exatamente do jeito que Foi. [aplausos] Muito obrigado e
aproveito para fazer a propaganda. Eu tô falando desses tênis de cor porque ontem a gente estreou um espetáculo no teatro. É um monólogo. Eu estou de atriz. é um monólogo poético filosófico que se chama Unim a vida. Lá eu articulo a história da humanidade, como eu contei para vocês, e eu articulo essa história da humanidade com a minha história pessoal e vou mostrando pras Pessoas como o sofrimento é possível, não teoricamente apenas, mas usando a minha própria história como referência, né? Então que eu venha a Campinas trazendo sem aha vida em breve e que vocês
possam me assistir no teatro. Vai ser um prazer, [aplausos] Viviane. A gente tem mais Viviane, mas agora uma Viviane de 2009 para você >> um trecho do acervo do café filosófico, que é justamente o ano que eu comecei a trabalhar aqui. Então, 16 anos já de >> caraca de café filosófico >> já tava aqui há 16 anos. Ó, que chique. >> Vamos dar uma olhada nesse trecho para você comentar. A arte não nos tira da morte, não resolve nosso problema, não nos explica e não nos dá paraíso, mas ela nos permite gritar esse incômodo, cantar
esse incômodo, chorar esse incômodo. Tem coisas na vida que são trágicas, né? Trágico é é o sofrimento não merecido. Trágico é é o que acontece que você não poderia ter evitado, que Não dependeu da sua irresponsabilidade, né? Isso é o trágico. Uma das características do trágico, é esse sofrimento não merecido. Então, diante do trágico, que é a fatalidade, que é o impossível de ser controlado, só o grito pode ajudar em algum momento. Só o canto, o uivo. E a arte trabalha nesse domínio, né, imanente, permitindo a elaboração aqui e agora desse incômodo. Que lindo isso,
né? [risadas] E ainda tem aquele colar. Olha o trágico. Eh, acho que ali já tá bem claro, né? Quando os gregos eh a Grécia realmente é uma coisa impressionante, porque a Grécia nos deu a racionalidade, que eu falei bem rápido, né? Mas é isso. Você tá lá na praça e tem que discutir o destino da cidade. No Egito era o faraó, acabou o assunto. O faraó discutia a vida dos vivos e dos mortos. Não tem nem o que discutir. Quando você chega na Grécia, que tem uma praça, não tem mulheres, não É um negócio ideal.
As mulheres não votam, escravo não votam, mas no mínimo não é um decidindo. Então se você tem 20, 50, 100 pessoas ali debatendo, você precisa ter uma uma um raciocínio com noção, senão cada um fala uma coisa. Então, gente, a filosofia nasce para ordenar o discurso para que ele possa ser utilizado para debater questões. Por isso que é ou é ou não é, ou é o bem ou mal. Então, é a racionalidade é um pensamento operacional, você entende? E Necessário, como eu falei, eu não posso alugar a casa dela e dizer amanhã, meu nome não
é Viviane, eu não, eu sou e não sou Viviane, que às vezes eu sou uma mula, por exemplo, mas eu tenho que dizer para não, eu sou Viviane. Então é isso, é racional. Não tá errado o que os gregos criaram, mas eles são tão geniais que é o mesmo, quer dizer, na verdade diz o Niet que a racionalidade matou o trágico, tá? Mas eles foram capazes de criar e não matou não, que até hoje a Gente pode acessar. Então, os gregos criaram essa lógica racional que, infelizmente, no nosso caso civilizatório, substituiu os outros pensamentos, o
pensamento corporal. Se alguém diz para você, por exemplo, você tá namorando alguém, saindo com alguém, e a pessoa nunca diz eu te amo você acaba terminando com ela. Agora, a pessoa que diz eu te amo você fica. No entanto, a pessoa que não diz eu te amo pode estar te amando profundamente e a Pessoa que diz eu te amo pode estar te enganando e você tá sendo um otário, mas você fica com quem diz eu te amo né? Então nós estamos nessa submissão da linguagem. Isso é um horror. O grego é muito interessante que um
pouco antes da racionalidade tinha tragédia. Eles fizeram as duas coisas. O que é o trágico? A a cidade tá aumentando. Muita gente nas cidades começa a ter que ordenar. Aí a racionalidade faz o papel, mas eles entendem que o que precisa ser, Primeiro que eles entendem antes da racionalidade é que eh é preciso aprender a lidar com o sofrimento. É preciso aprender a lidar com o inevitável, porque eles tinham mais inevitáveis que a gente. Porque a gente acha que eu tô assim porque eu não tô bonita, né? Se eu tiver bonita e fizer harmonização facial,
eu vou est ser amada. Não é assim que a gente acha? Não, eu tô tô ruim, mas se eu se eu tivesse dinheiro, sabe? Se eu fosse, aí Você começa a achar, a gente tá sempre achando que tem, como eles não tinham ainda civilização, eles lidavam muito duramente com as coisas da vida, né? Tá, o início da tá muito forte. Então eles constróem uma ideia que é e a o espaço da representação é e não é ao mesmo tempo. Então você faz um teatro, na verdade você cria uma arena enorme ali, o que que você
vai botar na cena? Só a dor impossível. Tragédia não é drama, gente. A tragédia só lida com questões Profundíssimas, as maiores. A tragédia só encena o impossível de ser vivido. Então, ela que tá na minha cidade grega, ela precisa, como todo mundo, lidar com afinitude, com sofrimento e tal. Eu crio uma situação estética, música, dança, né? Porque o teatro tem tudo isso. E nesse lugar eu coloco, eu brinco, o seu Manuel da padaria lá na Grécia, ele que era o Éeddipo. Aí eu tô assistindo aquele teatro e eu vejo aquilo ali tudo me envolvendo com
a dança e eu choro Vendo que ele arrancou os olhos. O Édico arranca os olhos, mas era uma uva que ele apertava aqui, você tá entendendo? Aí na hora que ele arranca os olhos, eu tô envolvido com a história, com a narrativa, eu grito assim que eles faziam na grit porque não tinham distinção ainda como a gente do que que é teatro. Eles gritavam de dor. Ah, não, não arranque os seus olhos. Que sofrimento. É como é que eles gostam de falar ai de mim? Ai de mim. Adoro falar De mim. Daqui a pouco a
pessoa se toca que é uma uva que aquele cara seu Manuel, ele lembra que é o seu Manuel da padaria, entendeu? Que tá fazendo o papel. Aí ele começa a rir alto, fala: "Não, [risadas] né, não, ele não é tipo não, é o seu João que eu conheço". E aí ri alto. Daqui a pouco eles voltavam entrar na coisa, durava horas. Eles iam do desespero a ironia. Então, olha o que que você tá treinando aqui. O ser e o ser, o estar e o não estar. Ao Mesmo tempo em que ele ali é é colocado
em cena e você elabora o quê? O impossível, meu amor. Se você lida com o impossível, ou seja, cria algum modo de torná-lo possível, o que que sobra mais na tua vida? Bom, a tragédia, o trágico, vai ser substituído pelo drama. Diz o NIT que é em Eurípedes, porque Eurípedes é contemporâneo de Sócrates. Então, a racionalidade começa a entrar na Tragédia. Se Édipo tá lidando com o destino imponderável, né? Porque ele não sabia que ele era filho, ele não sabia que tava transando com a mãe, então o sofrimento dele é esse. Ou seja, não pense
vocês todos aqui, os que estão nos ouvindo em casa, não pensa que você é culpado pelo seu sofrimento. Alguns sim, são irresponsabilidades, né? Mas a sua dor mais profunda não é sua culpa. Você acha que a minha mãe tem culpa de ter me Causado que ela me causou? Minha mãe era uma mulher maravilhosa, entendeu? Ela não foi culpada, ela viviu uma situação insuportável. A gente sabe cada vez mais mulheres que quer ser mãe na gente. Eu sou mãe, eu não tenho uma gota de mágoa da minha mãe e ela me causou dores que eu que
me fizeram sofrer muito. Então a gente saiu do drama que lidar com essas questões. A mãe não é um uma santa, isso é questão da natureza. A mãe não é uma santa, nem Que nunca vai ser, certo? E aí o que que acontece depois do Édipo? É Antígona, desculpa, Antígona é Sófocles. É Medeia. Medeia é a primeira vez que uma tragédia, o problema da tragédia é o ciúme de uma mulher com um homem. Medeia mata os seus filhos para se vingar do marido que traiu ela com outra mulher e foi casar com outra mulher. Então,
diz o Niet, Medeia é quando a gente não quer mais se relacionar com as grandes questões e passa a se relacionar com as Mesquinhas. Eu diria para você, meu amor, que quando você tá aí perder, é muito difícil perder um amor. É quase a morte. Quando é um casamento, mais ainda é uma amputação, porque você vai se relacionando e a pessoa tá com você e quando ela não tá mais, te arrancam um membro. Então, você não tenha dúvida que as dores de amor são muito difíceis. todas as dores, se você perde o emprego, se alguém
te manda embora, a rejeição, tudo isso é muito Dolorido, não tô negando, mas a dor que você sente, se alguém manda embora você de um emprego, a dor que você sente quando um amor te deixa é a dor da existência que você não tem coragem de viver. Tanto que você nem amava tanto aquela pessoa e quando ela te manda embora vira um inferno. Já reparou? Isso é que na verdade você não tá sofrendo a perda da pessoa, você tá sofrendo a perda em si. perde-se no incondicional, entende? Então, como eu não tenho Coragem de sofrer
a finitude, porque eu não sou capaz, eu não tenho dados, eu não tenho cultura para isso, quando alguém me deixa por uma besteira, eu caio num sofrimento insuportável. Não, não é a perda da pessoa, é a perda da existência. Então, o que eu tô dizendo para vocês é que a gente tem que sair do drama e voltar a viver a vida como tragédia. Tragédia não é aquilo que a palavra popularmente quer dizer, não tá? Não é no popular, é no sentido de tudo Pode acontecer a qualquer hora. Eu posso tomar uma queda e morrer então
se eu sei que tudo pode acontecer, estar aqui com vocês agora é a coisa mais maravilhosa do mundo para mim. E eu espero que seja para vocês também. E quando vocês saírem daqui, se você vai de Uber a pé andando ou de carro, se você vai bater papo com seus amigos, seja o que você vá fazer, mesmo você tem que sair daqui para fazer uma coisa chata para caramba, sabe? corrige 1000 provas de aluno, seja o que For, você tá vivo enquanto faz aquilo e você poderia não estar. Você tá com saúde enquanto faz aquilo,
poderia não estar. Então, trazer essa coisa tão difícil, sabe, potencializa a nossa vida. Aí a gente finge que essas dores não existem e a gente joga a nossa vida fora. Que a gente não jogue mais fora. Dá tempo de eu falar só um poeminha de 2 minutos? A partir de um dia qualquer, eu não estarei mais aqui sob este sol de Inverno, sobre esta luz sedutora a tocar minha pele. A partir de um dia qualquer, eu não mais me moverei por esses espaços escondidos entre as coisas, por esses sutis abismos para onde me guiei por
minhas próprias mãos. Não exultarei, não transbordarei, como de costume. Haverá o dia em que o gosto na boca do café e do poema não mais encontrarão em mim um corpo onde deitar. O som das matas, o vento nas folhas, meu filho dizendo: "Mãe, não mais perpassarão meus ouvidos. O trânsito lento, as festas de rua, os banhos de mar continuarão sem mim. Então que o meu rastro em forma de culto e de reza, em forma de mantra e de música, seja o registro de um amor incondicional pela vida a esta vida absurda, contraditória, difícil, intensa e
profundamente bela. A esta vida eu dedico o meu melhor se em mim houver um melhor. Muito obrigada que agora a gente acabou. Muito obrigada. Um prazer. [aplausos] Prazer estar com vocês, de verdade. Muito obrigada. [aplausos] Até a próxima. >> Obrigada. Gente, só um aviso aqui antes de mais nada. Viviane, muito obrigado pelo café filosófico de hoje. >> Pessoal que tá aqui em Campinas, dois avisos. A Viviane tá aqui para tirar foto com vocês. Fiquem à vontade. O pessoal já tirou foto antes do de começar o café, mas fiquem à vontade. Agora a gente vai vai
organizar uma fila e também tem livros aqui em cima, caso alguém queira comprar livros da Viviane, ela também vai autografar. E semana que vem a gente volta. da semana que vem, Rossandro Clind na terça-feira aqui não vai ser na quinta-feira, vai ser na terça-feira. E na quinta-feira tá todo mundo convidado que vai ter um café especial em Jundiaí com Cloves de Barros e a Lúcia Helena Galvão. É isso, gente. Muitíssimo obrigado, Viviane, muitíssimo Obrigado a vocês também. E nos vemos semana que vem. >> Domingo. >> Quem aqui já se perguntou se o que você lê
nas mídias de interação que você navega é [música] verdade? Na série Nós na Era digital, a psicóloga Idiane Ribeiro fala sobre tema entre o real e o virtual, onde nos conectamos. Se trata de uma tentativa de identificar o que naquele [música] mundo digital tá sendo produzido e que é totalmente diferente Do que está sendo vivido. Café Filosófico, domingo, 8 da noite. เฮ