[Música] Dando continuidade ao nosso culto a Deus, irmãos, vamos abrir a palavra dele na carta aos Efésios, capítulo 6, e vamos ler o verso 9, que é o texto que servirá de base para a exposição da palavra de Deus nessa noite: Efésios, capítulo 6, verso 9. E vós, senhores, de igual modo, procedei para com eles, deixando as ameaças, sabendo que o Senhor, tanto deles como vosso, está nos céus e que, para com ele, não há acepção de pessoas. Nosso Deus, pedimos que nos oriente na compreensão da Tua palavra.
Quero orar pelos empresários, comerciantes, donas de casa, gerentes, chefes, supervisores, todos aqueles que estão numa posição de autoridade sobre outras pessoas. Quero pedir que o Senhor fale aos seus corações nessa noite. Que o Senhor nos ajude a exercer a autoridade que o Senhor nos deu da forma correta, de forma bíblica, que seja abençoadora.
E, no mundo, Senhor, onde o autoritarismo é tão usado no ambiente de trabalho, nós pedimos que o Senhor nos ajude, como cristãos, a fazer a diferença. Pedimos ao Pai que o Senhor abençoe também o nosso país e a situação de trabalho no ambiente brasileiro. Pedimos que o Senhor nos lembre que Tu estás nos céus, que o Senhor domina sobre tudo e todos.
Ajuda-nos a compreender a Tua palavra, pedimos em nome de Jesus. Amém. Queridos, esse texto que nós lemos contém a última instrução que o apóstolo Paulo está dando à Igreja de Éfeso relacionada com a maneira pela qual os cristãos deveriam viver à luz do que ele havia ordenado bem antes, no capítulo 5, verso 18, quando ele disse: "Enchei-vos do Espírito".
Em seguida, passou a detalhar de que maneira essa plenitude do Espírito deveria ser recebida, falando entre vós com salmos, entoando e louvando de coração ao Senhor, dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, e sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo. Seguindo, ele explicou essa sujeição mútua que os cristãos devem ter entre si, que consiste basicamente em reconhecer a esfera de autoridade que Deus nos colocou e também reconhecer a esfera de autoridade que Deus colocou em outras pessoas. Assim, no verso 22, as mulheres devem ser submissas ao seu marido, porque o marido é a cabeça da mulher, como Cristo é a cabeça da Igreja.
Assim, os maridos devem amar a mulher, como também Cristo amou a Igreja e a si mesmo se entregou por ela. Assim, os filhos devem obedecer aos pais, capítulo 6, verso 1, porque isso é justo. Da mesma forma, os pais não devem provocar a ira dos filhos, mas criá-los na disciplina e na admoestação do Senhor, capítulo 6, verso 4.
Semelhantemente, os servos, os empregados, os que estão numa posição de servir debaixo de autoridade, devem obedecer aos seus patrões, aos seus senhores, com temor e tremor, na sinceridade do coração, como a Cristo, verso 5. E agora, os senhores, os patrões, de igual modo, devem proceder para com aqueles que estão debaixo da sua autoridade, sabendo que o Senhor, tanto deles como vosso, está nos céus e que, para com este Senhor, que é Cristo, não há acepção de pessoas. Ou seja, essa orientação agora é dada para aqueles que estão numa posição de autoridade dentro do ambiente de trabalho, e tudo isso está relacionado com plenitude do Espírito e submissão mútua.
É sempre bom lembrar, então, que Deus é Deus, inclusive no nosso trabalho, e que o nosso trabalho não é um compartimento isolado ou uma área da nossa vida que está desligada daquilo que eu processo acreditar, que há um Deus e que esse Deus se manifestou em Cristo Jesus, e que ele é meu Redentor e Salvador. A tentação é muito grande, e não são poucos os que caem nela: na segunda-feira, amanhã, você chega no seu trabalho e diz: "Aqui, quem manda sou eu, e aqui são as minhas regras. Aqui, as coisas serão conduzidas de acordo com o sistema, de acordo com o mundo; a minha religião, o cristianismo, ficou lá na igreja, onde eu cultuei a Deus durante o domingo".
Essa dicotomia entre igreja e trabalho, entre fé e vida, na prática, ela não existe no cristianismo! Deus é Senhor de todas as áreas da minha vida; não existe um centímetro da vida sobre o qual Cristo não possa dizer: "É meu". Ele é Senhor de tudo, de todas as áreas, inclusive do seu trabalho, da maneira como você trata os seus empregados, como você exerce a sua chefia, como você administra essa autoridade que Deus lhe deu no trabalho.
Então, é nesse sentido que o apóstolo Paulo escreve aqui aos que eram senhores de escravos naquela época. Havia muitos senhores de escravos naquela época, porque o sistema de escravidão era amplamente difundido não somente no mundo grego-romano, mas também em todas as culturas daquela época. Os escravos geralmente eram prisioneiros de guerra ou eram pessoas que já nasceram dentro do sistema de escravidão.
Havia situações em que o pai de família vendia os filhos como escravos para pagar determinada dívida. Havia escravos para tudo no Império Romano. A gente, quando pensa em escravo hoje, sempre tem em mente o sistema de escravidão brasileiro, que aconteceu no Brasil, quando escravos eram trazidos da África e vinham fazer aquele tipo de trabalho manual indesejado.
Eles faziam os trabalhos mais humildes e rudimentares na fazenda, na roça, em casa. Não era assim no Império Romano; havia médicos que eram escravos. O que acontecia quando uma nação conquistava outra?
Ela escravizava os seus habitantes. E quem era médico, quem era professor, quem era secretário, quem tinha profissões elevadas e cargos importantes na sociedade passavam a fazer isso debaixo de patrões. Então, muita parte do serviço que era prestado na antiguidade era feito por escravos, que eram médicos, professores, tutores; muitos desses escravos se tornaram tutores dos filhos.
De patrões ricos, gente tinha muito escravo que tinha mais nível do que o próprio patrão. Era assim que funcionava na época. Então, esse sistema de escravidão era muito amplo e os patrões tinham autoridade de vida e morte sobre os seus escravos, que eram considerados como ferramentas.
Agora, nem todos os senhores eram cruéis; havia patrões que se afeiçoavam genuinamente aos seus escravos. Só para citar o caso Plínio, um escritor romano muito conhecido, em uma carta a um amigo, ele conta que está profundamente afetado pela morte de alguns de seus escravos queridos, o que mostrava a afeição que ele tinha para com essas pessoas. Da mesma forma, que muitos escravos se converteram e entraram nas igrejas cristãs no século primeiro, também senhores de escravos foram alcançados pelo evangelho e se converteram.
Devia ser uma situação inusitada: sentados na mesma igreja, lado a lado, o patrão e o seu escravo adorando o mesmo Deus. Somente a igreja no século primeiro permitia um ambiente em que essas diferenças fossem dissolvidas e em que patrões e escravos juntos adorassem o mesmo Deus. A grande pergunta é: Qual deveria então ser o relacionamento destes patrões, senhores de escravos, para com esses que estavam debaixo da sua orientação?
O que nós temos que lembrar, em primeiro lugar, é que a preocupação dos autores bíblicos, quando tratavam da escravidão e quando se dirigiam quer aos escravos, quer aos seus patrões, não era a alforria; ou seja, a preocupação primeira não era assim: "Vocês que são escravos, vocês que são patrões, vocês têm que libertar os seus escravos. " Não há nada no Novo Testamento dizendo isso. Nenhuma palavra dirigida aos senhores que tinham escravos no sentido de libertá-los.
E muito menos nenhuma palavra dirigida aos escravos dizendo: "Olha, dá um jeito aí, foge, se torna livre, porque é inaceitável essa posição. " Na verdade, o que os autores do Novo Testamento fazem é orientar os escravos a servirem os seus senhores como se estivessem servindo a Jesus Cristo e orientar os patrões a tratar os seus empregados com amor, coerência, justiça e com verdade. Ali, o cristianismo estava lançando as sementes que, mais tarde, no decorrer da história, se viriam a base para a abolição do sistema de escravidão no mundo ocidental, onde o cristianismo influenciou.
Mas, ali, naquele momento, a preocupação número 1 é dizer: "Você pode servir a Deus como escravo. Você pode servir a Deus como o senhor de um escravo. Você pode servir a Deus numa posição de autoridade.
Você pode servir a Deus no esquema em que você está debaixo de autoridade. " Ou seja, a minha primeira preocupação não é tanto o estado em que eu me encontro socialmente, trabalhisticamente, mas no meu relacionamento com Deus e com outras pessoas. É por isso que a missão principal da igreja não é a revolução social, não é a revolução política.
Toda vez que a igreja se engajou com outros grupos para tentar resolver o problema do homem politicamente e socialmente, ela sempre foi prejudicada dessa parceria. A igreja tem uma função única: anunciar o evangelho de Cristo. Porque o problema que está na raiz de toda injustiça social, de todo o sistema econômico injusto, é o pecado do coração humano.
É o pecado! E você pode mudar o sistema, você pode alterar as leis, e isso é bom, nós temos que fazer isso dentro das possibilidades. Quanto mais leis justas, melhor para todos.
Mas não é isso que vai resolver o problema, porque o problema é a corrupção do coração humano, dos escravos e dos patrões. E o evangelho de Cristo é dirigido ao problema raiz, a raiz do problema, que é o coração do homem, e chama todos ao arrependimento. O pobre, e eu já disse no domingo passado, por que é que eu não sigo a teologia da libertação e nem determinadas teologias que priorizam o pobre, que fazem do pobre, do ser pobre, quase um sacramento?
Porque isso é uma redução do evangelho, porque o pobre também é um pecador que precisa se arrepender dos seus pecados e se converter. Não é só o rico que tem o poder, que precisa se arrepender dos seus pecados, mas o pobre também. Todos pecaram e carecem da glória de Deus, e isso inclui o sem teto, sem terra, o que está debaixo da ponte e o pobre.
Todos têm a mesma necessidade fundamental: o evangelho de Cristo Jesus. E, uma vez feito isso, sim, nós podemos ajudar. Vamos ajudar!
Boas obras fazem parte da vida cristã. Exercer caridade para com o próximo faz parte da nossa vocação. Mas essa não é a função primordial da igreja.
A função primordial da igreja é chamar todos ao arrependimento, à conversão e voltar-se a Jesus e servi-lo de todo o coração. É nesse contexto que Paulo, então, dirige essa palavra àquelas pessoas da sua época que eram senhores de escravos. O que ele orienta?
Ele dá duas orientações: primeiro uma orientação positiva, segundo uma negativa, e por fim ele dá a base para estas orientações. Positivamente, Paulo diz aqui no verso 9 que os senhores deveriam, de igual modo, proceder para com eles. Eles aqui se referem aos escravos.
Digo ao modo: o que isso significa? Nos versos anteriores, o apóstolo Paulo havia dito que os escravos deveriam servir aos seus senhores primeiro com temor e tremor (verso 5); servindo o seu senhor como a Cristo. Ainda no verso 5, deviam servir aos seus senhores fazendo a vontade de Deus (verso 6) e ainda de boa vontade (verso 7).
Agora, Paulo diz da mesma forma, os patrões devem tratar os seus empregados. É claro que Paulo não está dizendo que o patrão vai fazer o papel do empregado; ele também não está dizendo que essa distinção entre patrão e empregado tem que acabar no evangelho. Não!
O que ele está dizendo é que, da mesma forma que. . .
O escravo se submetia por amor a Cristo e como parte da sua devoção, da mesma forma que o escravo serve ao seu senhor de boa vontade, prestando serviço a Deus. Assim, também os patrões deveriam tratar os seus escravos, diante de Deus, de boa vontade, de coração sincero, sabendo que estavam assim fazendo a vontade de Deus. Desta forma, Paulo coloca no mesmo pé de igualdade o patrão e o seu empregado; ambos são os servos de Deus.
Ele está se referindo aqui aos cristãos. Ambos são servos de Deus e ambos servem a Deus em esferas diferentes: um como escravo e o outro como patrão, um como empregado e o outro como seu mestre, como seu patrão. Então, onde quer que nós estejamos na sociedade, nas relações trabalhistas, a regra é a mesma: você vai servir a Deus de todo o coração.
Você vai desempenhar o seu papel na esfera em que você se encontra, que seja como empregado, que seja como patrão; você vai servir a Deus. Você vai fazer a sua parte como se você estivesse servindo a Deus de todo o coração. Isso era algum conceito revolucionário para aquela época, em que essas relações, especialmente do patrão empregado, eram extremamente cruéis, por vezes.
Mas agora Paulo diz: "Olha, da mesma forma que o escravo serve a Deus, obedecendo ao Senhor, você, patrão, que tem gente debaixo de autoridade, deve fazer a mesma coisa: fazer isso com amor, como serviço a Deus", e lembrando que o nosso Deus está presente em todas as coisas. Então, está aí, em primeiro lugar, essa orientação de que o patrão deve exercer a sua autoridade como parte do seu serviço a Deus. A segunda orientação que Paulo dá é negativa.
Não é ainda no verso 9 que ele diz: "Deixando as ameaças"? Deixando as ameaças, literalmente, na língua grega, deixa a ameaça. É enfático.
O que era a ameaça? Ameaçar os seus empregados, os seus escravos, era muito comum para o patrão, do tipo: "eu vou mandar matar você", "eu vou mandar cortar sua mão", "eu vou mandar furar seu olho". E eles faziam isso mesmo.
Então, ameaçavam constantemente os seus escravos, e essas ameaças eram seguidas de brutalidade, de maus tratos, de humilhação. Hoje seria mais ou menos você usar a posição de autoridade que você tem na sua empresa, como dona de casa tratando a doméstica, ou na empresa em que você trabalha, se você é gerente e tem algum cargo de autoridade, tratar os seus subordinados do tipo: "ou você faz isso ou você perde o seu emprego", "ou você faz isso ou então vou tirar essa sua promoção", "ou você faz isso ou vai ter esse tipo de consequência". "Eu sou o patrão, você é um empregado, você não passa de um realizador empregado, e eu sou o patrão.
Conheça seu lugar". Há tantas formas de humilhação no ambiente de trabalho, e às vezes o que acontece é que quem está humilhando os empregados é o crente. É o crente; ele é evangélico, na igreja ele está cantando, está louvando a Deus, mas durante a semana, no trabalho, ele está fazendo esse tipo de coisa com seus empregados, com seus subordinados.
Paulo diz: "Deixem as ameaças! Deixem as ameaças! " A palavra "deixar" aqui significa renunciar, desistir.
Pare de ameaçar aqueles que estão debaixo da sua autoridade. O cristianismo não só exige que o patrão não espanque e nem trate com violência o empregado, mas até mesmo que pare de ameaçá-lo. Pare de ameaçar.
E a razão que é dada aqui é no verso 6, é dupla: a razão porque o patrão crente não pode ameaçar os seus empregados, tratá-los de forma rude e brutal e humilhá-los. Por que não pode fazer isso? Paulo diz aqui no final do verso 9: "Vocês têm que saber que o Senhor, tanto deles quanto vosso", ou seja, o patrão tem um patrão.
Você não é absoluto, o patrão tem um patrão, e é o mesmo patrão do seu subordinado, sabendo que o Senhor tanto deles quanto vós está nos céus e que para Ele não há acepção de pessoas. Essa é a razão pela qual, ao exercer a autoridade que você recebeu da parte de Deus no seu trabalho, você deveria exercê-la com humildade, com equidade, com sabedoria, com prudência, deixando as ameaças, os maus tratos e as humilhações. Porque, primeiro, o Senhor de todos está nos céus.
Você está na terra, você está na terra, mas o Senhor de tudo está nos céus. Ou seja, Ele é onipotente, ou seja, Ele reina sobre todos, ou seja, Ele vê todas as coisas. A sua autoridade não é autônoma; os governos governam pela concessão daquele que está nos céus e tem todo o poder no céu e na terra.
O dono de uma empresa exerce a sua autoridade por causa daquele que está sentado no trono do universo. Qualquer posição — o marido exerce a sua autoridade, o governo da igreja exerce a sua autoridade — não por qualquer mérito em nós, como humanos, mas por delegação do Senhor que está nos céus. Portanto, a gente sempre tem que lembrar, ao exercer autoridade, que é uma delegação.
Nenhum ser humano tem autoridade intrínseca sobre outro, porque nós todos somos feitos à imagem e semelhança de Deus. E se nós exercemos alguma autoridade é porque foi delegada por Deus, e se foi delegada, isso significa que eu vou prestar contas dessa delegação. Eu vou responder diante de Deus da forma como eu tratei as pessoas que estão debaixo dessa autoridade.
Eu vou responder diante de Deus aqui e no dia do juízo. Essa é a razão que Paulo diz aqui: "Trate bem os seus empregados, porque o seu patrão está no céu. Você também tem um patrão, e ele está vendo o que é que você está fazendo.
Ele está nos céus, ele está acima de você". Lembre-se disso: esse patrão diz aí o apóstolo Paulo que, com ele, não há acepção de pessoas. Ou seja, ele não vai sempre dar razão ao patrão e condenar o empregado; ele não vai perdoar você só porque você fez isso com o seu empregado.
Para com esse Deus, não há acepção de pessoas. O que ele quer é que haja justiça, verdade, amor, franqueza, equidade e verdade em todos os relacionamentos. Não importa qual é a posição em que você esteja; você vai responder diante de Deus no dia do Juízo.
Não vai valer você dizer: "Mas Deus, eu era o patrão e fulano de tal era empregado. " E Deus não vai levar isso em consideração. É claro que, na posição de autoridade, especialmente na área trabalhista, os empresários, os patrões, aqueles que possuem autoridade, às vezes têm que tomar medidas severas, medidas duras.
Às vezes, tem empregado que é indolente, preguiçoso, desonesto, e alguma coisa precisa ser feita. Mas a gente pode ser firme, podemos fazer o que é correto, mas sempre com uma atitude de compaixão. A gente pode ser firme e fazer o que tem que ser feito, sem que isso implique em humilhação, rudeza e maus-tratos.
A gente pode fazer isso; nós sabemos como fazer isso. Às vezes, o nosso Deus nos trata dessa forma: Ele toma medidas duras contra nós por causa da nossa indolência e do nosso pecado. Mas a gente sabe que a disciplina de Deus tem como objetivo nos corrigir, nos melhorar, nos levantar e nos fazer prosseguir nos seus caminhos.
Nós podemos tomar medidas a partir da autoridade que Deus nos deu, mas fazer isso com lágrimas nos olhos, quando elas vão afetar diretamente as pessoas que estão subordinadas ou debaixo de nós. Para com Deus, não tem acepção de pessoas, nem aqui nesse mundo, nem no dia do Juízo. Por isso, lembremos que não podemos ameaçar nem tratar mal aqueles que estão debaixo de nós.
Queridos, terminando: como esse ensino se aplica hoje? Como eu disse, há muitas pessoas na igreja que estão na condição de patrão e outros que serão jovens se preparando para isso: empresários, chefes, donos de casa, pessoas que não trabalham, exercendo autoridade sobre outras. As possibilidades são muitas; assim a sociedade se organiza, ela tem hierarquias e pessoas que ocupam essas funções.
O que a Palavra de Deus nos diz? Primeiro, lembre-se da relação que existe aqui no texto com Efésios 5:18: "Enchei-vos do Espírito". Eu tenho certeza que, se você é crente no Senhor Jesus, gostaria de viver uma vida cheia do Espírito Santo.
E aí você pergunta: "O que meu trabalho tem a ver com isso? " Tem tudo a ver! Você não pode ser cheio do Espírito Santo se trata os seus empregados de forma rude, de forma humilhante, injusta e opressora.
Na verdade, a plenitude do Espírito Santo se manifesta exatamente no ambiente de trabalho, porque é aí que mais precisamos da graça de Deus. É fácil, entendam o que eu vou dizer, ser cheio do Espírito Santo na igreja, onde todo mundo é cristão, onde todos estão cantando, louvando a Deus, sentindo aquela alegria. Nós vamos precisar mais do Espírito Santo na segunda-feira, lá no ambiente de trabalho.
Portanto, as duas coisas estão relacionadas; você não pode esquecer essa relação. Lembre-se disso: a sua vida espiritual está relacionada à maneira como você ganha o seu pão, à forma como você exerce o seu trabalho. Você não pode fazer essa dicotomia entre aquilo que é secular e profano, que é o seu trabalho, e o seu relacionamento com Deus, que é algo sagrado, divino.
Não tem essa separação; Deus é Senhor de todas as áreas da sua vida. Segundo, lembre-se também da relação que essa passagem tem com Efésios 5:21: "Sujeitai-vos uns aos outros no temor de Cristo". Faz parte do meu dever, como cristão, exercer as prerrogativas da minha função nessa ideia de sujeição mútua.
Ou seja, eu tenho que, da mesma forma como eu quero que os meus empregados me respeitem, também devo lembrar que isso é mútuo. Eu tenho que tratá-los como o Senhor Jesus nos trata: em amor, tratando-os com justiça, com verdade, sem humilhação e sem ameaças. Por isso, no tratamento com aqueles que estão debaixo da sua autoridade, lembre-se de que o Senhor de todos está nos céus.
Você deve encarar essa sua função como um serviço a Deus, como parte daquilo que você professa. Deixe de lado as ameaças, os maus-tratos, as humilhações e a opressão. Seja justo, cumpra os acordos e as obrigações; faça o que tem que ser feito.
E, por último, uma palavra de encorajamento: lembre-se de que, ao dizer que o nosso Senhor está nos céus, Paulo não coloca isso somente como uma ameaça, do tipo "Ele está vendo a forma como você está tratando os seus empregados e Ele vai retribuir, Ele vai te castigar por isso. " Não é só nesse sentido. Ao dizer que o nosso Senhor está nos céus, Paulo está enfatizando que há um Deus que guia a história, que controla as instituições, que controla a economia, a política e os destinos do nosso país.
Ele é o Senhor, e essa é uma palavra boa para empresários, comerciantes, donos de negócios e pessoas que estão em emprego numa posição de autoridade, diante do quadro que se figura em 2016: um quadro de dificuldade econômica para quem tem empresa, para quem trabalha em empresa, para quem tem comércio. Nós sabemos que as perspectivas, falando humanamente, não são boas. Mas, querido, lembre-se de que o seu Senhor está no céu; o seu Patrão está no céu.
Ele é quem sabe a hora que vai te demitir e a hora que vai fechar o seu negócio. Sua empresa, seu trabalho, estão nas mãos do Senhor, que está nos céus. Então, aquiete o seu coração; nós vamos trabalhar duro.
Esse ano tem muita coisa a ser feita: ajustes que precisam ser feitos, cortes aqui, cortes acolá. Mas o seu coração não pode viver desassossegado, como se você fosse o patrão último, porque tem um acima de você, que conhece todas as coisas, que está no controle e que irá guiar sua vida. Ele prometeu: "Nunca, nunca te deixarei, nunca, jamais te desampararei.
" Por isso, digamos com confiança: se o Senhor é por nós, o que poderá me fazer o homem? Confiamos nisso, queridos. E se vamos a Deus, onde Ele nos colocou, com confiança, alegria, tranquilidade e verdade.
Ó Deus, eu quero orar pelos que estão aqui, nessa noite, e que estão em posição de autoridade que o Senhor concedeu e permitiu. Ajuda-os, ó Deus, nas lutas que eles enfrentam; os conflitos não são poucos. Ajuda-os, ó Deus, nas decisões que eles têm que tomar.
Consola e conforta-os; enche-os de esperança diante da expectativa humana de um ano difícil, lembrando que o Senhor está nos céus; o Senhor é quem vai decidir. Ajuda-os, ó Senhor, no tratamento com seus empregados, para que eles possam manifestar o bom perfume de Cristo, a glória do evangelho, para que possam fazer a diferença nesse mundo mau, no ambiente de tirania, de opressão, de bullying, de ameaça. Que eles façam a diferença e nos ajude a todos, ó Deus, porque esperamos somente em Ti, na Tua graça.
Em nome de Jesus, amém.