caso Luana e Artur. Mais uma vez eu voltei. Dessa vez eu vou me expor mais um pouquinho, mas porque isso me afetou muito.
O término dessa relação praticamente acabou com a minha vida >> e de fato acabou, tá? Essa é a Luna Betencur e ela essa semana tirou sua vida. Esse é um assunto que desperta muito gatilhos em muitos de nós, em muitos.
E eu tô falando logo isso agora no começo, porque quem tiver sensibilidade a esse assunto, pode parar o vídeo aqui, pode pular para outro que seja engraçado, que seja divertido, tá? Pode ficar tranquilo, eu não me importo com o engajamento dele. Eu só preciso trazer esse vídeo aqui, porque nós já falamos da Luana Bitencu aqui.
Tem um vídeo nesse canal chamado Viajou para outra cidade para tomar satisfações. Esse vídeo é um vídeo que eu conto a história da Luana, que ela conhecia um cara na internet e ela namorou com ele por mais de um ano virtualmente e ele achava que ela era uma menina gênero e aí quando ele descobriu que ela era uma menina trans, ele cortou relações. E o que que ela fez?
Ela saiu de casa, pegou um ônibus, atravessou o país, foi para outra cidade, dormiu na rodoviária, passou fome para ir atrás desse menino. Ela perseguiu ele mesmo, ela virou uma stalker, saiu mandando mensagem para Deus e o mundo, mandava mensagem pros amigos dele. Quem assistiu o vídeo conhece essa história porque eu trouxe essa história aqui.
Ela chegou a envolver a família dele e ele ficou com muito medo, foi pra internet, se expôs, expôs ela de alguma forma, até que ela veio começar a contar essa história, porque as pessoas descobriram, porque até os amigos deles estavam falando sobre isso. Então, foi uma história que ficou bem famosa ali no TikTok, a gente trouxe aqui pro canal. No final do vídeo, é, eu tive muita empatia e muita sensibilidade com a Luana para explicar que, apesar de todos os erros que ela cometeu, de de tudo de errado que ela fez para ir atrás desse menino, ela era uma menina trans, cujo corpo não era acessado, era uma menina gorda e que passava muitas dificuldades.
Ela mesmo tinha alguns atestados, algumas declarações de que ela enfrentava problemas psicológicos e não estava em terapia nesse momento. Ela teve problemas com a família, enfim. que apesar de tudo que ela fez, ela fez para tentar pertencer, para tentar existir.
E as pessoas que assistiram esse vídeo, que foi um vídeo muito assistido, pelo menos para os números aqui do canal, ele tem 130. 000 visualizações, eh, assistiram, porque quem não assistiu, eu retirei o vídeo do eu ocultei. Na verdade, não tem absolutamente nada de ruim, nada de chochação, nem nada.
Eu ocultei em memória, eu ocultei em memória a Luana Bitencur para que as pessoas não revisitem ou vasculhem a vida pretérita dela, aquilo que ela fez, para dizer que o que ela fez agora com a vida de no sentido de ter partido, ela era culpada. Ela nunca foi culpada. Nós vamos contar essa história aqui e depois a gente vai analisar com calma um caso de uma pessoa que é também da internet, que acabou, acabou nesse momento de destransionar, tem tudo a ver uma história com a outra, ter uma relação com a outra, que é de você não conseguir se ver nesse mundo como uma pessoa tran e sobretudo não conseguir sobreviver estando vivo.
Eu espero que quem fique comigo até o final desse vídeo fique com muita empatia, com o coração aberto e que enxergue a Luana e todas as pessoas trans que a gente vai mostrar aqui a partir de uma cosmovisão muito mais ampla, muito mais aberta, mas sobretudo humana. Olá minhas rolinhas. Eu sou Márcio Rulinho, o criador e apresentador desse canal, [música] onde a gente fala sobre tudo o que nos convém.
Aqui embaixo tem uma maneira muito legal de vocês ajudarem, que é escolhendo uma das formas. Aí tem clube de membros, tem apoia-se, tem Pix pra gente fazer vídeos todos os dias. E eu peço que vocês sigam esse canal, porque quase todos os dias a gente vem aqui escolhambar, fazer coisas engraçadas, coisas divertidas.
Aí às vezes a gente traz algumas histórias que são muito sérias de principalmente de pessoas da comunidade LGBT e é muito legal seguir aqui o Márcio Rolim [música] porque tem de tudo um pouco, especialmente para tentar alegrar a vida de vocês. Essa é a terceira vez que em 6 anos, né, que eu venho nesse canal e contar sobre um suicídio. Não é uma tarefa fácil, não existe uma maneira correta de fazer isso, mas existem formas éticas, sobretudo éticas de fazer isso.
E a gente vai usar toda a ética que a gente puder pra gente narrar esse essa história aqui, como a gente narrou as outras duas que tem nesse canal e estão aqui. E uma delas é ocultando o vídeo que conta a, né, a sua história pretérita, os erros que ela cometeu por conta de um namoro. A gente vai assistir esse vídeo dela, que ainda está lá nas redes, pra gente lembrar um pouquinho da história da Luana.
>> Vim para Balneário Camburi morar aqui, saí do Mato Grosso do Sul e não deu certo. Tô voltando para casa, gente, e vou explicar tudo para vocês nesse vlog. Vamos lá comigo, gente.
O que aconteceu lá no Mato Grosso do Sul? Eu tenho familiares e esses familiares estão ficando doentes sem mim. Eles gostam muito de mim, obviamente, né, família, mas eles também dependem muito de mim pra questão de pagar conta.
Não que eu trabalhe, mas é com dinheiro deles, mas eu que entendo de pagar contas, eu que mexia com as finanças da casa, eu que mexia com o mercado. Então eu tô fazendo muita falta. Então eu vou voltar aqui também.
A vida tá sendo muito difícil. Já me chamaram sim para entrevista de emprego, tá bom? Mas tem essa questão dos familiares, tem essa questão de aluguel que aqui é muito caro, tudo é muito caro.
Ir pra praia você gasta R$ 80, R$ 100. Então eu decidi voltar, gente. Eu tava andando na rua e olha o que eu vi.
Papelaria cor- de rosa. O nome é esse e ela é toda cor-de-osa. Tudo, tudo, tudo, tudo.
Olha isso. Tô apaixonado. Hoje é dia de compras, amores.
Vim aqui na van e vou ver o que eu acho de legal para comprar. Nem tem nada que eu precise, mas vou ver. Não é público, hein, gente, mas as bolsas estão baratas.
Olha o tamanho dessa daqui, enorme. Por R$ 129, gente. Enfim, a Luana era uma menina divertida nos seus conteúdos ali no seu começo.
E por que que eu tô mostrando esse vídeo e eu não tô mostrando o outro? Porque o outro ela conta a história das das coisas que ela fez com o menino e perseguiu e virou stalk. E eu não quero que as pessoas lembrem mais disso ou usem isso para atacá-la, porque ela já se foi, ela partiu.
Esse foi o último vídeo que a Luana postou, esse que a gente acabou de assistir, porque ela tinha anunciado que tinha saído da cidade. Ela logo depois retorna pra cidade onde tudo dá errado. E isso é muito importante que a gente tenha esse detalhe, porque a gente vai falar da Elu sobre tudo que deu errado.
E é importantíssimo também entender que as coisas dão erradas muito mais frequentemente para pessoas trans em termos de oportunidade, em termos de sobrevivência. A mãe dela fez essa postagem aqui, luto. Daí logo abaixo está o nome da Luana Bitencur, que era o nome morto.
A gente tá ocultando esse nome porque a gente não fala o nome morto de pessoas trans. Infelizmente sua mãe eh o tratava como filho e usava seu nome morto, o nome de batismo, que era um nome tipificado como nome de menino, né? É com grande tristeza que recebemos a notícia do falecimento da Aí vem o nome morto.
A gente não vai repetir, né? E aí a mãe pede aí que os amigos prestem eh solidariedade à Luana e não a esse nome que tá aí. E tem essa foto, eh, que é uma foto, né, dela sorrindo.
E tem ainda mais uma outra postagem. Ah, deixa eu ver aqui. Estou em luto meu filho.
E que na verdade era a filha. Uma coisa que a gente precisa muito eh dizer aqui, o apoio dos pais, o apoio da família é o principal suporte para uma pessoa atrás. Principal, principal de todos.
falta de emprego, não acesso às universidades, ambiente de trabalho, poder ir na rua, entrar numa loja, não ser perseguida, tudo isso é muito ruim. Mas quando não se tem mãe e pai ou sei lá, parentes que apoiam, fica tudo muito mais difícil. Por isso que existe um um uma organização aqui no Brasil chamada Minha Criança Trans, que é coordenado e criado pela Tamires.
E a Tamires é mãe de uma menina trans. E a Tamires faz esse trabalho há muitos anos. tem bastante representatividade tanto em sua instituição como mães no Brasil inteiro e também no Congresso.
Ela fala exatamente não apenas sobre o apoio a seu filho trans, mas como você reconhecer aquele indivíduo de acordo com o gênero a qual ele se identifica e e como isso vai dar força para aquela pessoa viver, sobreviver socialmente. E procurem na internet aí, minha criança trans. É muito bom vocês conhecerem esse trabalho.
E eu acredito que um dos principais problemas da Luana Bitencu era exatamente esse, o apoio familiar. Mesmo depois que ela partiu, Luana continua sendo tratada no masculino pelos seus pais. A gente não tem eh nenhuma informação sobre como Luana partiu e mesmo se tivéssemos, jamais daríamos.
E eu peço a todos que não vão buscar isso na internet também, tá? Porque a gente não fala disso, a gente não busca isso. O que a gente lamenta é a perda de mais uma pessoa da nossa comunidade, lamenta profundamente.
Recentemente, a Ilu, que é essa que vocês estão vendo aí na foto, que foi participante do Corrida das Blogueiras, né, do Corrida das Blogueiras 4, acredito eu, era uma menina trans. Quando participou do Corrida das Blogueiras, era uma menina trans e fazia um conteúdo de moda, de sustentabilidade. Era um conteúdo bem legal.
Eu vou passar um vídeo dela aqui, dele, na verdade, porque ela destransicionou. E eu vou passar esse vídeo na do tempo que ainda era uma menina pra gente conhecer um pouquinho do conteúdo que ele fazia, porque ele manteve todos os seus vídeos e conteúdos nas suas redes sociais. Ele tem bem pouco seguidor, porque nessa época no Corrida das Blogueiras quatta, aliás, já dava muita visibilidade sim o Corrida das Blogueiras, mas ele saiu muito cedo, ele foi eliminado muito cedo, então não ganhou muito seguidor, mas ele fazia esse tipo de vídeo aqui no tempo que se identificava como uma menina.
>> Você quer adotar uma moda mais sustentável, mas não sabe por onde começar? Vamos dar o primeiro passo juntas. A moda circular é um modelo sustentável que prolonga a vida útil das roupas, reduzindo o desperdício e minimizando o impacto ambiental.
Ela se baseia em princípios como preservar, aumentar o capital natural, otimizar o uso de recursos e fomentar a eficácia dos processos. A maneira mais simples de entrar nesse movimento é começar a comprar de brechos. >> É isso.
Elu é uma pessoa extremamente inteligente, participou ali do corrida com muita com muita garra, saiu cedo, mas eh tem um carinho muito grande dos meninos, tá? do fio do Edu. O Fi Edu botaram uma mensagem muito bonita, eh, de apoio a ele agora, mas essa menina aqui não existe mais, tá?
Eh, ela destransicionou e se tornou ele. A gente não pode dizer que voltou a ser ele, porque se em algum momento ele foi identificado ao nascer como menino, mas nunca se viu nessa identidade, então sempre foi uma menina. Então, dizer que voltou, voltou, né, a ser ele significa dizer que um dia ele se identificou como menino, depois se identificou como menina e agora tornou a se enxergar novamente como menino.
É meio complicado, é meio difícil, mas a gente precisa evitar as incoerências porque as pessoas trans estão assistindo o canal e isso afeta elas diretamente. E a gente questiona, né, a que interessa isso? Antes da gente mostrar o vídeo do Elu de transicionado, que agora se identifica com o menino, eu preciso dizer uma coisa aqui, tá?
Recentemente eu recebi uma mensagem aqui no canal, é, foi lá pelo Instagram, de uma pessoa trans, extremamente incomodada, incomodadíssima, com o vídeo que eu publiquei aqui de uma menina lésbica, né, falando que não ficava com meninas trans, né? Ela era lésbica, mas não ficava com meninas trans por conta do pênis. E eu estava ali, é, expondo meu ponto de vista, que não era um ponto de vista errado, não, não tinha um errado nessa história, mas havia um incômodo muito grande em algumas pessoas trans pelo fato de que por a gente tá fomentando essa discussão, visto que a gente não sabe a quem ela interessa.
Será que a tia do sofá que assiste? Será que o cara que jamais vai ficar com uma pessoa trans assiste, vai se interessar por essa discussão? Para que tocar em assuntos tão sensíveis e dizer: "Não, mas a gente tem um direito de opinar, vamos fomentar a discussão se isso incomoda tanto essas pessoas".
E ela fez um longo texto, mandou muitos áudios, tá? Uma menina trans mandou muitos áudios e demonstrando muito educadamente, muito educadamente a sua opinião e dizendo que gostava muito do meu conteúdo, expressou ali a sua dor por aquele vídeo. Então eu ouvi todos cuidadosamente e respondi para ela que eu ia ocultar o vídeo do canal, é, ia falar aqui com a minha equipe, eu não faço nada sozinho, mas que se isso causa o incômodo pr as pessoas que assistem, se isso causa o mal pras pessoas que são meus fãs, que consomem meu conteúdo e que fomentam o meu trabalho, eu vou tirar do ar sim.
E no mesmo dia a gente conseguiu ocultar o vídeo. Então sim, a gente precisa ter muito cuidado, muito dedo a a explicar essas coisas para as pessoas, todas nós, esse gêneros, né, que estamos aqui ouvindo e consumindo isso para que a gente tenha minimamente empatia e consiga se enxergar no local dessas pessoas. Vamos ver agora o Elu falando sobre a sua destrãção.
E aí a gente vai fazer um paralelo entre a partida da Luana e as motivações do Elu. >> E as coisas que aconteceram em 2024 e o meu regresso para Santa Catarina, eles afetaram muito a minha saúde mental de uma maneira muito intensa mesmo. Depois que eu voltei, se eu achava que a minha vida podia ser ter nuances ainda piores, é, ó, olha, batemos meta muito bem batidas, inclusive.
Esse é o Elu Almeida, que era a EL do Corredor das Blogueiras, aquela menina que a gente viu ainda há pouco, eh, fazendo conteúdo de moda sustentável e que destransiciona e vem explicar suas razões pelas quais destransicionou. >> Cheguei a ser expulso de uma das locações por transfobia, é isso. E em 2025, eu posso considerar 2025, eu mudei de cidade mais uma vez.
Foi aí que eu tentei começar a reconstrução do meu atelier e eu tava focado em voltar a trabalhar com o atelierê, voltar a produzir conteúdos de moda. Foi um início de ano positivo em alguns aspectos, porque eu comecei a fazer muita publ, coisa que nunca tinha acontecido em toda a minha história. Quem me acompanhou no início do ano passado sabe que eu fiz muita publ, só que 2025 ainda me guardava a maior surpresa da minha vida, que era o encerramento do maior ciclo e do mais importante que eu já tive na minha vida até aqui, mas foi o encerramento que desestabilizou absolutamente tudo o que eu tava conseguindo construir desde o início de 2025.
Isso aconteceu em julho de 2025 e eu voltei a estaca zero. Bom, eh, o grande elefante branco da sala, a minha nova aparência. Desde 2024, com algumas experiências que eu tive em São Paulo, eu comecei a questionar muito a minha vivência como pessoa trans, não a duvidar da minha transexualidade, mas do viver sendo trans no mundo que a gente vive.
Eu sempre fui uma pessoa que tentou levantar a bandeira, tentou defender da maneira que acreditava que era positiva, tentou se envolver com pessoas da comunidade. Eh, tem uma dualidade aqui que é até injusta eu não citar, porque eu me decepcionei muito com algumas relações com pessoas da comunidade na minha experiência, muito mesmo. Mas sejamos bem sincero, a transexualidade não é fácil pelo ambiente geral que a gente vive e ela não é fácil pela própria comunidade.
Bom, eu voltei de São Paulo, como eu disse, já tendo muitas aflições contra a minha transexualidade. retorno para Santa Catarina. O dia a dia foi me mostrando ainda mais dificuldades dessas vivências cotidianas.
Eu não tinha mais saúde mental alguma e a questão da transexualidade, ela foi um recorte bem importante para tudo que aconteceu nesse encerramento de ciclo. Eu ouvi coisas muito marcantes para mim e, enfim, esse ciclo se encerrou. Eu me vi na estaca zero literalmente em todos os sentidos.
Eu zerei a minha vida em todos os sentidos possíveis. Eu não tinha para onde ir. Eu não tinha mais absolutamente nada.
Eu vou ser sincero com vocês que a situação da minha saúde mental tava tão feia que a indicação da minha psiquiatra e da minha psicóloga era uma internação psiquiátrica. >> É, a gente vai dar uma paradinha para fazer esse esse paralelo. A Luana foi internada algumas vezes.
Ela teve internações psiquiátricas, ela tinha alguns diagnósticos muito complexos, né? E nessas internações, ao sair, ela fazia vídeos onde ela contava, né, que que que ela pelo que ela passou e tal durante a internação, pelos transtornos as quais ela passava e os remédios que ela tomava. Enfim, a gente viu aqui um um caso, a gente tá assistindo um caso de uma pessoa que por muito, né, por muito eh, fez um processo de destranszição justamente por não encontrar uma segurança mínima para a sobrevivência, sendo e exercendo a sua identidade, a qual, né, sempre se identificou ali dentro do mundo, no na Terra, no planeta, sabe?
eh, sem oportunidade de trabalho, sem ter dinheiro para comer, fora de casa, longe de família, sem ter os amigos que que ele ajudassem e sobretudo sem ser respeitada, sabe? sem ter minimamente eh as garantias básicas, essenciais para que um ser humano possa existir, né, dentro de um de um espaço geográfico. Só que a Luana não teve a oportunidade de encontrar uma rede de apoio.
Ela virou chacota, ela virou motivo de zoação, né, por conta de tudo que ela fez com o menino lá e também por conta de toda a sua vida. E Luana tinha vontade de falar, vinha na internet falar, ela tinha esse desejo de se comunicar, porque Luana não tinha muitos amigos. A internet para ela era uma fuga.
E o Elu agora, ô, né, porque a gente precisa respeitar o gênero das pessoas sempre, sempre, eh, de alguma forma encontrou, não apenas na destransção, mas uma forma que é uma forma identitária de sobreviver. Encontrou uma maneira de se manter no emprego, encontrou uma maneira de recomeçar a vida. Muitas pessoas criticaram, tá?
No X tem muita crítica. Eu não vou botar essas críticas aqui porque essas críticas dóem muito. Eu também não sou uma pessoa trans, né?
Eu não vou contestar o que as pessoas trans não gostaram, acharam que nunca foi trans blbb. São muitas, inclusive pessoas bem famosas, muito grandes e tal. Eu presto minha solidariedade ao Elu, independentemente da do momento em que ele esteja passando, independentemente da sua identificação ou as razões, né, as motivações pelas quais o levou a a dar esse passo na vida.
Porque o nosso papel enquanto sis é unicamente esse, é ceder espaço. É isso que a gente precisa fazer, dar espaço às pessoas. Vamos continuar ouvindo ele.
>> Realmente não tava nada bem. Tava com idea não positivas, vocês sabem do que eu tô falando. E >> as ideiações que fizeram com que Luanaisse.
>> Eu tive duas opções, isso dada pela minha psiquiatra e pela minha psicóloga. ou eu ia pra internação até minimamente tá melhor e até que minimamente toda a tempestade que estava passando na minha vida se acalmasse, ou eu me afastava de tudo por um tempo e tentava, por conta própria ficar melhor. Eh, e por fim, duas pessoas que mudaram o jogo completamente, que me acolheram no momento que eu não tinha mais um lar, no momento que eu não tinha mais absolutamente nada.
Essas duas pessoas me colocaram dentro da casa deles e me acolheram como se eu fosse um membro da família. E eu sou eternamente grato por isso. Eu talvez não consiga demonstrar, mas eu amo essas pessoas, todas essas pessoas, porque eu digo para vocês com toda a certeza do mundo, eu não estaria aqui hoje se não fosse pelo amor que essas pessoas demonstraram por um ser que elas mal conheciam.
Bom, aconteceu muita coisa, muita coisa, muita coisa. E no meio de todas essas coisas que aconteceram, eu tive um bom tempo para refletir e para sentir muita coisa. Algumas eu consegui colocar no lugar, outras não, mas uma delas que eu resolvi foi sobre a minha transição.
E eu vou dizer para vocês de uma maneira muito prática que não foi religião, não foi ideologia nenhuma. >> Eh, inclusive na thumbnail ele coloca uma imagem de Jesus no fundo e tal. Foi um bait, não foi um bait eh bem-sucedido, tá, Elu?
Foi um bait eh desagradável. as pessoas viam na sua tamb que, né, des transicionei, aí vem a thumbnail, a gente vai estar colocando aqui para vocês esse também para vocês verem. E aí você vai lá, acha que porque ela virou crente e tal, eh, a gente entende que você precisava do view, entende que você precisava da do engajamento, mas não é legal porque a gente, né, precisa jogar com a honestidade, especialmente com as pessoas que consomem nosso conteúdo sempre.
Então esse bait não foi bacana, >> foi medo, foi a dificuldade que é viver no mundo que a gente vive sendo uma pessoa trans, foi medo de me relacionar com as pessoas sendo uma mulher trans. Eu transii dentro de um relacionamento, então eu não conhecia esse outro mundo e me assustou muito. Foi começar a ter muita dúvida sobre os caminhos que eu ia seguir dali pra frente.
E vocês podem me chamar de covarde, mas eu tentei encontrar o caminho mais fácil pr seguir em frente, o que seria menos doloroso. E eu não tô falando que a experiência LGBT seja fácil, mas se a gente colocar aqui na bandeja a vivência de uma pessoa trans e a vivência de um gay, de um homem gay, sis, tem uma diferença e tanto, isso a gente não pode negar. E eu provo na prática para vocês o como esse preconceito ele é real e ele é visceral.
É que a Ilo passou anos procurando um emprego. Pelo menos desde da minha volta de São Paulo em 2024 eu buscava um emprego. Eu tenho um currículo bom, com muita experiência.
Eu nunca tive resultado. No dia que eu decidi optar pela destransição, eu não gosto de usar essa palavra, mas no final das contas, na prática, é o mais fácil. No dia que eu optei por mudar o nome no meu currículo, por colocar uma foto masculina no meu currículo, no mesmo dia eu consegui um emprego.
Então, se isso não significa que existe diferença da vivência de uma pessoa trans para uma pessoa sis, eu não sei o que que pode exemplificar isso para vocês, sabe? Eu tô numa jornada de redescoberta, como eu falei para vocês, eu precisei começar do absoluto zero. E eu ainda tô no ponto inicial desse recomeço.
E nesse exato momento, na verdade, eu tô recomeçando mais uma vez. Eu digo com muita clareza para mim mesmo que eu tenho um baita privilégio de conseguir usar essa skin e ficar bem, razoavelmente bem, porque eu sei que tem pessoas trans que tem uma disforia gigantesca que não conseguiriam fazer isso. Eu tenho o privilégio de conseguir caminhar pelo mundo assim.
>> É, tô sem palavras, né? Eh, a pessoa tem uma vida que ela se identifica, que ela ama, que ela transiciona e quando ela abre mão dessa subjetividade, eh, ela consegue oportunidades. Então, essa é a prova de que a transfobia é latente, que a transfobia é violenta, que ela está na nossa porta, na nossa cara todos os dias e a gente se recusa a aceitar que ela existe, a a a encarar e a lutar contra ela.
Karine, que que é uma pessoa que já apareceu aqui, né, independentemente de sua opinião, ela sempre tem eh projeções muito muito bem pensadas, muito bem articuladas. Foi a única que eu trouxe aqui, tá, pra gente, porque embora eu não compartilhe de tudo que ela fala, né, eu ainda acho que ela tem e essa perspectiva macro sobre as coisas. A participante do Corrida das Blogueiras de Lu Almeida fez um vídeo no YouTube de quase 30 minutos.
>> Karinha é uma menina trans, tá? Ela já apareceu aqui, eu acho que naquele vídeo malfadado da menina lésbica que não fica com meninas trans, né? Que eu já ocultei a pedido de vocês, que é que eu sempre faço, tá gente?
Algumas pessoas falam assim que eu sou escrotinha, que eu respondo todo mundo e tudo, não sei o quê, mas gente, eu fico constantemente atendendo o pedido de vocês aqui no canal para que vocês sempre encontrem nesse canal um ambiente confortável, >> esclarecendo por que ela destransionou. E assim, gente, eu vou hablar um pouquinho. Antes de tudo, não é um rate aí o Almeida, não tô aqui para ditar regra de transição, regrar a transição de alguém, como tem que ser, que você tem que fazer.
Não, mas eu só quero trazer uma perspectiva no que ela trouxe no vídeo dela no YouTube. Ela esclarece que o principal motivo dela terransicionado é pelo fato dela viver em uma cidade pequena e ser difícil lidar com o preconceito, com a não aceitação das pessoas. >> Bom, eh, o fato da cara de não usar o pronome agora, acho que que que seria o pronome masculino, eh, não é um pronome que é nosso, tá?
Ela é uma menina trans, ela que que compreende isso. Eu também nem sei como é que a fala agora, né? Como ela eu eh não diz no vídeo se tem um pronome, se como deve ser dito, falado, mas a foto que a gente vê nas suas redes sociais é uma foto em que a gente identifica um menino, tá?
Eh, eu tá assim, eu é Lu Almeida, então, enfim, eu acho já já um menino de barba e tal. Então, eh, essa essa não é uma questão pra gente, tá, >> né? E com a falta de oportunidade para sobreviver, né, de emprego e coisas do tipo.
Gente, é innegável que mesmo nos dias de hoje o mercado de trabalho para pessoas transa escasso. As empresas, né, os locais, né, que a gente vai atrás de trabalho são preconceituosos, são transfóbicos, são. Só que, gente, a gente precisa pontuar uma coisa.
É totalmente compreensível sim você destransicionar, né, mediante o cenário que a gente se encontra sobre oportunidade de emprego para nossas pessoas trans? Sim, porque a gente sabe que é difícil. Só que isso reforça uma ideia de que se tá difícil para você sobreviver e arrumar emprego, é só você deixar de ser quem você é, você transicionar e viver como homem.
Falo isso, gente, porque eu também passei por isso. Graças a tudo que é bom, gente, eu posso falar que eu sou privilegiada agora. Eu tô falando de mim, sobre mim, não tô falando sobre el ou de qualquer outra pessoa trans.
Eu sou privilegiada porque eu tenho a aceitação dos meus pais. Eu auxio eles aqui no comércio, só que gente é uma coisa que eu não quero depender deles para toda a vida. E eu não tive oportunidade de ter emprego.
Eu já fui atrás, né? Graças a tudo que é bom ter aqui internet me dá um retorno que me ajuda muito. Só que em questão profissional é difícil sim.
Por >> Pois é, amiga. De repente, não é que que o Elo queira reforçar a ideia de que só destransicionando se pode eh conseguir o básico na vida, mas é que de repente essa foi a única forma que ele encontrou, a única, entendeu? Para que ele parasse de ter esses pensamentos que tirou a vida da Luana, entende?
É uma questão também de empatia. Não existe só uma maneira de fazer o correto. Existem muitos corretos e existem muitos errados.
Não existe só um caminho correto de fazer, de tomar uma atitude. Graças, né, a oportunidade que eu tive da minha família e eu tô pontuando isso porque é uma questão de privilégio. Sim.
Eu fui atrás de me capacitar. Eu tô quase me formando como cabeleireira e quero exercer essa função, não só pelo dinheiro, é uma coisa que eu gosto também, mas para eu poder, né, viver da forma que eu sou, sem precisar renegar quem eu sou. E muitas meninas que inclusive estão na rua, né, que precisam vender seus corpos para sobreviver, estão fazendo isso.
A Renata Carvalho, a atriz Renata Carvalho, teatróloga incrível, maravilhosa, já veio aqui no canal, a gente tem uma entrevista linda com ela. Procurem aí o podcast. Ela fala que isso se chama prostituição compulsória, que você é obrigada a se prostituir ou você eh não tem como sobreviver, >> justamente porque elas preferem estar nessa realidade do que negar elas mesmas.
Cabe a gente pensar também, se você não tá pronta para lidar com tudo isso que uma pessoa transicamente passa, será que era o ideal momento para você transicionar? Será que era o ideal momento para você viver essa realidade de quem você é de fato? Sab.
>> Mas será que existe um momento? Será que existe esse aviso? Karin?
Será que tem um um um uma carta que manda o e-mail? Chega, olha, chegou o momento, vai lá. Acho que se a pessoa não experimentar, ela não vai saber, né?
>> Dentro do mundo que a gente vive, eis a questão. Tá tudo bem você abrir mão de quem você é no momento para poder se estabilizar, já que a maneira que você encontrou para sobreviver. Isso é trans é basicamente isso, você encontrar uma maneira de sobreviver nesse mundo, sabendo que você tá suscetível a qualquer coisa a todo momento.
Porém, acima de tudo, você pautar questões relacionadas a destransição, quando você sabe que isso pode abrir margem pr as pessoas interligar com uma questão de identidade, de quem a pessoa é, é reversivo, é muito nocivo, mas de toda maneira eu desejo sucesso para Elu Almeida e que ela possa se encontrar e buscar a felicidade dela. >> É, é, esse final é é brilhante, esse final é maravilhoso. Por isso eu coloquei esse vídeo, porque apesar de eh a Karine de discordar dessa ideia, né, da destranssição, eh, sendo uma menina trans, ela se coloca à disposição, né, eh, não invalida a destranzição da Elu e e isso é o mais importante.
Esse vídeo me dói muito porque a gente trouxe a história da Luana aqui para contar, né, como é que as pessoas estabelecem seus relacionamentos, como elas tentam e ser acessadas, amadas, desejadas, como elas tentam expressar seu tesão, enfim, e as coisas que elas fazem, mas também para fazer um alerta sobre saúde mental, né, naquela época em que a gente colocou o vídeo aqui, que é um vídeo muito bom, tá? É um vídeo muito bom e muito respeitoso, inclusive, mas a gente tira ele do ar para que a única memória que a gente tenha é de que neste canal a gente tenta ao máximo trazer discussões que vão fazer com que nós, pessoas sis, tenhamos um pouco mais de empatia e conheçamos melhor a vida de pessoas trans, como é que elas tentam superar os seus medos, suas necessidades e para existir. Eu fico muito, muito, muito profundamente triste, né, de pela terceira vez trazer, a gente trouxe a Caroler, né, enfim, eh, que tirou sua vida também, eh, por conta de, enfim, de de não ser aceita, né, uma menina lésbica a não ser aceita dentro de uma igreja onde as pessoas queriam obrigá-la a deixar de ser lésbica, queram até arrumar o marido para ela.
E a gente também trouxe um um caso de uma suposta extravestia, que a gente não pode dizer o nome, eh que era membro de uma igreja também, que a gente não pode dizer o nome, de um certo pastor, que a gente também não pode mais falar o nome. E nessa igreja, esse pastor eh alicia jovens para fazer com que eles passem por destranzição. A gente conhece muito bem essa história aqui no canal e essa pessoa tirou sua vida porque não aguentou o seu processo de destrção.
São três vidas em 6 anos. que a gente relata aqui [música] que se foi, que se perdeu. São três pessoas que a gente conta a história completa e isso a gente tá contabilizando só as pessoas que a gente tá contando a história, porque a gente tem [música] diversas pessoas trans que tiram suas vidas todos os dias aí e a gente traz no rolinho de notícias, [música] né?
A gente comenta por alto, por alguma situação, como a gente comentou a do Paulo Vaz, [música] querido. Eu não sei mais o que falar, nem o que dizer. Eu espero não ter não ter tão cedo ou nunca mais ter [música] que fazer esse tipo de vídeo ou trazer pessoas que a gente acabou conhecendo aqui no canal, né?
Eh, para vir avisar pras pessoas que essa pessoa não existe mais, que ela partiu e que ela tirou sua vida. Muito obrigado para todo mundo [música] que chegou até aqui e segue o canal aí que me ajuda muito segui-lo. Eh, amanhã tem farofa, tem fofocaria, militância.
Manu tô brigando com todo mundo, gritando, tô aqui aos berros, [música] tirando onda, tirando sarro de bolsonarista, de crente, porque a gente tá vivo e a gente continua. Tô eu, as minhas bonecas, elas todas aqui. [música] Manhã tá todo mundo aqui, tá?
no próximo vídeo, eh, se divertindo. Um grande beijo para todo [música] mundo. Até o próximo.
Ciao.