e aí e aí e aí o olhar o cuidado como ele se desenvolve nas diferentes culturas é olhar o cuidado a partir de diferentes perspectivas e o itinerário terapêutico ele entra enquanto uma ferramenta pedagógica mas também uma ferramenta ético-política de teológica ou seja ele retrata diferentes visões de mundo né do processo de cuidado então assim ao no desvendarmos os itinerários terapêuticos nós vamos revelar essas diferentes formas de cuidado existentes nas diferentes culturas e como também as diferentes práticas terapêuticas na vão se conformar nesses espaços ele o itinerário terapêutico ele compreende as diferentes experiências de pessoas
mas também de famílias de grupos né e como essas pessoas e grupos significam o cuidado e nas suas diferentes nos seus diferentes contextos de vida né de produção da vida e vão revelando também as decisões as escolhas do processo terapêutico que vai ocorrendo a partir de uma de uma trajetória que vai se desenhando então a partir dessas desses diferentes sistemas de cuidado e as relações que vão se estabelecendo e tecendo ao longo dessa caminhada e acho que é por isso que os itinerários terapêuticos ele tem o potencial de revelar esses diferentes sistemas de cuidado presentes
na culturalmente em diferentes contextos e acho que interessante também a gente pensa que os itinerários terapêuticos então nessa perspectiva que que a professora tatiana falou abrir espaço é para o olhar das relações bom né implicação que as relações as redes sociais tem nesses itinerários terapêuticos no papel que não que ultrapassa a dimensão biológica e técnica necessariamente do cuidado né mas aparece como cuidar daquilo que circula nessas nessas relações nessas redes sociais e eu acho que quem interessante também quando a gente falar fala em redes sociais é algo que hoje é muito discutido muito usado por
todos que é a rede social no sentido não da rede virtual né mas dessas redes também relacionais que ultrapassam esse espaço social encontros que dão sentido à nossa vida cotidiana e que sedimento a nossa vida cotidiana assim como sedimento a nossa relação com a saúde com e com a doença ainda [Música] e assim a nossa cultura do cuidado ela é essencialmente biomédica né pois nós ocidentais utilizamos um modelo biomédico como uma forma legitimada né de olhar para o corpo para a saúde para doença um sistema que se constituiu o ao longo da história como um
sistema hegemônico se sobrepondo inclusive a outras formas de construção dos sentidos atribuídos ao cuidado à saúde a doença a partir sobretudo dos avanços biotecnológicos e nesse sentido o cuidado o biomédico ele funciona como um sistema cultural por ser só porque ele possui regras possui normas de funcionamento possui valores né sobre que se e para os profissionais da saúde como uma forma de ser e de fazer o cuidado né uma forma única partida inclusive como o modelo universal na e quando a gente utiliza os itinerários terapêuticos focando nas trajetórias e práticas assistenciais que os próprios adoecidos
né desencadeia até na própria busca pelos serviços de saúde deste modelo hegemônico neos podemos observar vários encontros e desencontros que vão ocorrendo justamente entre as diferentes formas culturais de olhar para o cuidado na então essa tensão que se coloca entre esse cuidado biomédico hegemônico na e as outras formas de cuidado que são é justamente né nos contextos de vida dos diferentes indivíduos e grupos sociais e essa forma hegemônica que se constitui nessa esse modelo biomédico que se constitui como o cuidado legitimado pelos profissionais da saúde ele olha para o corpo pensado a partir do modelo
mecanicista ou seja esse corpo máquina uma concepção de corpo claro não é desvinculado de uma concepção de mundo materialista olhando para esse corpo como um corpo biológico ou fisiológico né como se funcionamento dele através da bioquímica e da fisiologia fosse a única forma de funcionamento desse corpo também a dicotomia ou seja a separação o que é o normal eo patológico né em relação aos diferentes estados desse corpo biológico e sobretudo a verdade científica enquanto ela um modelo explicativo universal para se pensar tanto que a saúde ea doença quanto o que é o corpo né isso
coloca essas esses elementos que compõem esse modelo biomédico colocam as outras formas de saber que se constrói na nos diferentes espaços de vida como associadas a valores negativos e também pejorativamente né associados a dimensão da crença e aí é que os encontros e desencontros desses diferentes sistemas culturais de construção o corpo a saúde ea doença acontece é mas mesmo que exista essa cerimônia né da cultura biomédica sujeitos adoecidos acabam reinterpretando essa lógica né acabam tomando para si e contextualizando também né esse modelo o esse valor esse diagnóstico essa doença que tem um cid que é
internacional e que é reconhecida e legitimada pela sociedade como um todo né isso é uma questão que mesmo que os profissionais e as ciências especialmente a ciência da saúde reconheça que existe essa reinterpretação é difícil sair disso e trazer por cuidado essa representação do usuário os seus valores o seu contexto de vida né eu acho que e esse ainda é um desafio para ciências da saúde em um desafio para os profissionais né como é que a turma especialmente aqui no brasil no sistema único de saúde de pensar essa outra essas outras formas de cuidado né
isso que as pessoas os adoecidos que interpretam e aí valoriza o partir dos seus contextos e eu acho que especialmente é um desafio sair disso que é cultura hegemônica biomédica ela em resultados aí que né que melhoram qualidade de vida que salvam vidas que aumentam na nossa nosso tempo de vida né então acho que trazer essa concepção trazer os valores dos usuários e dos pacientes entre os cuidados é sempre um desafio né algo que a gente precisa buscar e que faz parte do cuidado como a gente tá falando aqui né olhar para essa diversidade de
práticas né de cuidado que aparece nos itinerários terapêuticos é algo que a gente precisa defender dentro do sistema de saúde né dentro das práticas dos professores e aí e como professora elisiane colocou antes não é a nós apostamos nos itinerários terapêuticos para dar visibilidade para essas diferentes formas de cuidado que acontece né nos contextos e nos espaços de vida eu acho que ele vou usar itinerários eles têm essa capacidade de revelar ou cuidados na cultura e da visibilidade para essa riqueza de estratégias de enfrentamentos que vão acontecendo no cotidiano né e que vão que ultrapassam
enormemente o próprio espaço do serviço de saúde e para a gente ter uma ideia também do quanto o esse itinerário é eles são capazes de trazer essas outras formas a gente pode pensar a partir do próprio da a noção de doença né que por exemplo na língua inglesa ela é existem três expressões para a gente poder falar do que é a doença do que o doente e do que é o adoecimento porque nós vamos falar de dimensões que são diferentes que são dimensões biológicas que são dimensões individuais subjetivas mas também são dimensões de uma ordem
outra hélio morrem mais ampla que é social e cultural então a partir do momento que nós indivíduos somos seres bill sociais nós carregamos dentro dos nossos processos de vida pedir concepções do que é a saúde a doença e o corpo essas diferentes dimensões ao mesmo tempo né a dimensão biológica dimensão subjetiva individual mas também a dimensão sócio ah e por isso que eu acho que nós olharmos para a saúde para doença a partir dessas diferentes formas que são muitas vezes não medicalizados né por exemplo como a professora elisiane falou anteriormente sobre a as relações sociais
que vão se estabelecendo ao longo desses e itinerários terapêuticos que vão andando resposta sim a esses processos e de adoecimento e para as próprias concepções do que a saúde-doença então essas relações de uma forma bem concreta né vão compondo também as escolhas e as tomadas de decisão dentro deste o processo de adoecimento e na perspectiva antropológica a diferença de formas e concepções de pensar o que é a doença como eu falei anteriormente a doença o doente e o adoecimento então houve uma grande contribuição na década de 70 pela antropologia americana de trazer essas dimensões que
compõem ao mesmo tempo o processo de adoecimento então em inglês nós denominamos dizes né o aquilo que estamos nos referindo a doença biológica ou seja a dimensão realmente fisiológica e biológica do da doença então é é a doença como uma realidade biológica ao mesmo tempo a um outro termo utilizado na língua inglesa que é o illness que diz respeito à a experiência de adoecimento ou seja como é que eu em divido vivenciou essa doença biológica que pode ser totalmente diferente né de um outro indivíduo que tenha a mesma doença velório então essa essa é uma
outra dimensão que compõem o processo de adoecimento porque traz uma forma uma vivência e uma experiência que vão produzir sentidos sobre este este adoecimento e ainda a uma perspectiva mais ampla que vem junto com o termo disse que que seria a doença socializado ou seja como que ela partir da minha vivência individual mas também da minha experiência compartilhada socialmente culturalmente ela adquire também sentidos e significados que vão ter uma é sobre essa doença biológica então seriam esses três sentidos que fazem com que nós não temos um significado único não é para uma mesma doença biológica
e quando a gente falar em cuidado né o que que significa cuidado assim a gente pode entender o cuidado como uma metáfora ou até mesmo sinônimo de encontro de relações né mas mais do que isso assim o que acontece nesses encontros o que acontece nessas relações relações que se dão em diferentes âmbitos do que a gente chama de social né relações que acontecem na família aqui mais assim antes né chamando atenção relações para além dos serviços de saúde para além desse espaço formal das práticas profissionais relações que se dão no âmbito da família no âmbito
das comunidades da vizinhança do trabalho das políticas públicas né então a saúde e a resposta do fogão está falando do resultado da cuidado é resultado dessas nossas do que circula nessas relações né então essas relações elas são baseadas em trocas né dar receber é retribuir bens materiais e imateriais né medicamentos não é uma carona inclusive para chegar até um cerviso dinheiro né para pagar um um ônibus palavras né gestos de carinho de motivação conselhos mas também acho que eu não circula somente questões positivas né dentro dessas relações que se estabelecem né eu entendo que não
ou é com a intenção potes de produzir um cuidado a gente pode fazer circular nessas relações também as formas de até de um certo sofrimento nesse processo por exemplo quando eu vou solicitar né uma ajuda para alguém para um familiar com amigo para o vizinho para um conhecido e que ele naquele momento não pode me dar aquela ajuda né então essa negativa faz com que eu não consiga talvez encontrar uma solução para aquela minha demanda para aquela minha necessidade naquele momento e aquilo que eu fui buscar talvez de cuidado naquela daquela blusa né eu recebo
em troca não um certo sofrimento dentro desse processo né então o que circula nessas relações como resposta né dessas nossas demandas e das interações que vão sempre acontecendo elas são e nada de boas e más intenções né eu cuidado ele é expressão disso né e ele também traz consigo acho que uma outra questão que que que vem junto né com esses bens materiais e imateriais que a gente tá colocando aqui bem junto com isso também a obrigação de retribuir né algo que foi recebido ao mesmo tempo que a gente tem a liberdade também de fazer
escolhas dentro daquilo que a gente de mandou como cuidar de recebeu como resposta né eu posso também não aceitar aquilo que me foi ofertado a o interesse bom e algumas demandas né em função justamente de ter que dar uma resposta para algo que já foi produzido em um outro momento né numa outra relação estabelecida ao longo de um processo de adoecimento então porque aquela pessoa me ajudou num determinado momento eu agora vou ajudar lá neste momento então isso vai junto né com aquilo que nós concebemos como o cuidado eu acho que isso que que tu
falas né em relação ao cuidado assim que a saúde ea doença ela não se não se não se distancia do cuidado né a saúde ea doença nossa concepção a nossa forma de lidar com o nosso adoecimento tá muito ligado a essa forma de cuidar dessa forma essa resposta que a gente recebe nos encontros né seja a saúde seja na família seja no âmbito do direito das críticas públicas né e é importante a gente olhar para isso que circula também que é as nossas demandas são várias a gente circula por esses vários espaços sociais procurando demandas
diferentes respostas diferentes de acordo com cada um desses espaços social pode nos oferecer como como cuidado né mas eu acho que é importante frisa assim que nem sempre é cuidado que acontece nessas relações né em nome de um cuidado pode estar sendo produzido o sofrimento principalmente quando o cuidado aquilo que a gente busca como resposta nesse ano todo social é vai contra os nossos princípios os nossos valores os nossos contextos de vida as nossas expectativas né acho que é importante destacar também que a gente se reinventa e refazem sua trajetória esse itinerário e eu fico
à medida que o sofrimento vai sendo produzido no outro espaço né então a nossa saúde e a nossa doença não é produzida unicamente na nos serviços de saúde nesse espaço do cuidado né acontece em outros espaços então é o na família a gente não consegue atender as expectativas se busca o cuidado em outro espaço o espaço das religiões o espaço das políticas públicas são espaços que se complementam também né acho que sim acho que é importante também isso e eu e mais uma vez a ferramenta dos itinerários terapêuticos elas nos proporcionam né esse olhar para
essas diferentes construções que vão se fazendo nesses diferentes contextos e que uma uma busca não anula a outra né elas vão acontecendo ao mesmo tempo curto diferentes necessidade e é muito impulsão daquilo que vai circulando a cada encontro né nessas diferentes da relações e é por isso também que os acompanharem reconstituíram os itinerários possibilita a gente olhar para essa diversidade de relações que vão se compondo e compreender os sentidos que o cuidado vai tomando né ao longo desse processo de adoecimento para os profissionais da área da saúde eu acho que é uma ferramenta extremamente potente
para para dar essa essa possibilidade de compreensão né do processo de adoecimento por parte né dos diferentes indivíduos e grupos que chegam inclusive ao próprio serviço de saúde e isso em do esse cuidado né é esse atendimento que tu falava sair dos profissionais de saúde acho que é importante também a gente pensar que o movimento que se apresenta para o profissional da saúde não é sinceramente o sofrimento físico né pode ser a falta de um direito a falta do reconhecimento da sua identidade a falta da família né e que se expressa e aparece no âmbito
dos serviços de saúde como lidar isso com isso a partir das práticas que os profissionais conhecem e valorizam né pode ser com suas práticas mas reconhecendo que há outros espaços que podem se aliar ao serviço de saúde né outros outras redes outros momentos do itinerário terapêutico aí que precisam ser que é um desafio enorme para os profissionais de saúde não é poder olhar para esse para essas diferentes formas né e poder fazer com que elas também dialoguem com a sua forma de olhar para o cuidado eu acho que trazer essa dimensão dos itinerários terapêuticos para
dentro dos serviços de saúde inclusive e compondo não somente o encontro ali direto com o profissional mas compondo diferentes nações que possam estar fora dos serviços de saúde né e compondo isso num diálogo de não uma hierarquia de saberes nas um modelo de cuidado sobre outros modelos de cuidado que são determinados e culturalmente e socialmente falando então é nesse sentido que compreender eu acho que todas essas diferentes perspectivas ganham um é um potencial grande para os desafios que se apresentam no cotidiano dos serviços de saúde bom então pra finalizar acho que nós apostamos como a
gente disse no início da dessa nossa conversa nos itinerários terapêuticos enquanto uma ferramenta não é uma ferramenta importante para o cotidiano dos serviços de saúde para atuação dos diferentes profissionais no processo de trabalho mesmo né seja no momento da consulta né no diálogo direto ali entre profissional e é o individo seja também nos momentos de trabalho de equipe né nas discussões de grupo o quanto trazer essas essas diferentes dimensões que vão compondo um processo de adoecimento quanto isso é importante para se poder traçar inclusive planos né terapêuticos o usuário dentro da construção do seu processo
terapêutico eu acho que é uma ferramenta que possibilita nós irmos além das dimensões biológicas e de certamente trazermos o cuidado de uma forma mais efetiva ao encontro das necessidades do próprio dos próprios indivíduos na e dos próprios adoecidos identificando que tem que se tem de potência né nas suas relações e nas redes é para além do serviço de saúde redes e relações que não não excluem a relação com profissional e que compõe né o ser doente o cuidado e e que eu acho que tudo é válido nessa a gente pensar na produção de saúde que
é o nosso objeto de trabalho como prática profissional dentro do serviço de saúde e também é aquilo que o usuário busca né nesses espaços e apostarmos na nas relações que extrapola a relação médico-paciente com medito na pelo próprio modelo biomédico também auxilia o próprio profissional a não estar sozinho nesse processo de cuidado e não ser o único responsável pelo processo de cuidado na a gente ao ampliar mos o cuidado para as relações sociais certamente teremos um número maior de pessoas envolvidas na teremos aliados que vão nos ajudar nesse processo de cuidado né de prática terapêutica
então nós apostamos nos itinerários realmente como uma ferramenta potente para essas diferentes formas aí de cuidado o que é ser um