Olá o vídeo de hoje é sobre o conto o sul de Jorge Luis [Música] Borges bom esse seria em tese o último vídeo do projeto lendo ficções Por que em tese porque eu cheguei no último conto da minha coletan acontece que muitos de vocês me escreveram dizendo que a edição vocês tem um outro conto que é a aproximação a mutassim e eu tenho eu já li esse conto eu sei que eu tenho ele aqui em casa em alguma outra coleção então para não deixá-los na mão vai ficar sendo o último vídeo do projeto o sobre
o conto aproximação ao motas Tá certo então aqui esse vai acabar sendo o penúltimo né o pseudo último tá bom e mas eu queria começar esse vídeo falando que e o Su é um conto tão bonito gente acho que é um jeito tão bonito de terminar esse livro é é um conto assim que me toca bastante né ele vai contar a história do Juan dalman e que tem esse sobrenome acredito que alemão o Juan dalman ele era argentino trabalhava numa Biblioteca Municipal e era um homem assim um pouco sonhador ele tinha dois avôs um deles
que se chama chamava eh Johannes dalman e que era pastor da Igreja Evangélica né que chegou em bandos Ares em 1871 só que o Juan tinha um outro avô um avô materno chamado Francisco flores eh e ele tinha uma espécie de apreço pela história heróica desse avô Francisco flores porque ele teria morrido numa luta numa da de numa numa briga né numa guerra na verdade numa batalha e ele teria sido ferido por um índio né e de uma certa forma então o Juan idealizava essa morte né O que acontece com Juan é que ele que
era assim além de bibliotecário um leitor né um um o Borges diz aqui o Borges não o narrador que aqui não tem Borges né aqui o narrador não é Borges né contrário de vários outros contos e ele vai dizer que o Juan ele e talvez por impulso do sangue germânico tinha uma inclinação romântica né E aí o Bord tá fazendo menção ao surgimento do movimento romântico né que se dá na Alemanha porque ele o o Juan ele vai ter Apesar dessa dessa herança romântica alemã ele vai ter uma inclinação mais para a história do do
avô argentino né Desse avô Francisco flores e aí ele vai citar aqui algumas as coisas eh que caracterizam um pouco esse essa Person essa personalidade Sonhadora do rão né o estojo com da Guerre ótico de um homem inexpressivo e barbudo uma velha espada a felicidade e a coragem de certas músicas Provavelmente o tambo Né o hábito das estrofes de Martin fiero novamente o Martin fiero aí que a gente já viu num conto passado os anos a indiferença e a solidão né olha a alma romântica aí fomentaram esse criol ismo um tanto voluntário mas nunca ostensivo
E aí o que que acontece o Juan compra uma um exemplar de à 100 noites e um dia ele tá indo para casa muito ansioso o elevador não chega ele resolve subir as escadas correndo e se machuca ele bate com a testa em algum lugar que na hora ele não percebe o que que é e só que esse machucado infecciona e ele tem Onde ele fica lá delirando né E aí esse conto ele tem uma série de símbolos e pistas algo assim bastante borano eu vou voltar em algumas coisas aqui depois tá mas primeiro eu
vou contar o enredo e aí o que que acontece o Juan vai internado lá quando ele tá internado ele fica se sentindo muito mal como se aquela degradação física o incomodasse bastante e aí num determinado momento a gente tem a impressão de que Juan começa a delirar e nesse Delírio ele vai ele faz uma espécie de retorno a uma eh Buenos Aires mítica do Sul o Sul até o lugar dos Pampas o lugar dos Gaúchos né então o o Juan vai empreender esse retorno fora do tempo que é uma coisa muito interessante também né então
eu vou voltando aqui pro início do conto para comentar detalhadamente essas questões bom ainda no início do conto o narrador vai dizer que o Juan dalman ele sonhava de voltar para uma estância do Sul que ele tinha comprado assim com algum sacrifício que era uma espécie de uma propriedade que era uma espécie de herança e que ficava lá no sul e que ele embora trabalhasse ali no norte que tem Tem essa oposição Norte Sul ali o norte mais cosmopolita e ele tinha essa ideia de que em algum momento ele ia voltar para esse su mais
associado a essa existência heróica do seu avô Francisco flores né E aí descreve fal dessa mema né memória e afeto tem tudo a verão muito presentes aqui nesse contto ele vai falar que um dos costumes de sua memória era a imagem dos Eucaliptos balsâmicos e da comprida Casa Rosada que um dia foi carmesin bom E aí tem algumas coisas importantes que o narrador vai dizer aqui ele vai dizer por exemplo que quando o dalman o Juan começa a passar mal ele ele é internado né E aí ele diz que passaram-se oito dias como oito séculos
isso é uma coisa interessante pra gente pensar a questão da temporalidade aqui no conto né que é algo que Borges vai tentar suspender como veio tentando fazer uma série de outros contos e E aí ele diz que recebe umas visitas que as pessoas parecem querer mostrar que ele tá bem mas que ele não tá bem Tanto não tá bem que ele acaba tendo que ser internado e aí ocorre uma coisa importante no conto porque ele vai para uma clínica na Rua Equador é interessante o borg chamar essa essa rua de Equador porque a gente conhece
o Equador como aqu aquela divisão de poos né como o lugar da divisão entre o norte e o Sul aquele que tá tanto no norte quanto no sul e isso vai ser muito importante pro andamento desse ponto né então esse personagem vai para esse entre lugar esse lugar que divide o norte e o sul metaforicamente não geográficamente na realidade de Buenos Aires e então ele vai para esse lugar que vai separar o norte mais Urbano E cosmopolit onde ele trabalha e de uma certa forma o Sul misterioso e mítico através do qual ele vai adentrar
pela via do Delírio né pela via do sonho e aí acontece começam a acontecer algumas simetrias na página 162 que é a página a terceira página do conto o narrador vai dizer isso Ele vai falar a realidade agradam as simetrias e os leves anacronismos e esse é um conto que se apoia todo em sincronias e anacronismos uma das sincronias vai começar com o carro de Praça que o personagem vai Peg vai ser transportado pra clínica e mais tarde quando ele supostamente melhora eh ele pega um carro de Praça para ir pra estação de trem né
então ele vai ser internado vai sofrer o panco de ab amassou vai se sentir muito mal ele diz aqui suportou com stoicism curativos que eram muito Dolorosos mas quando o cirurgião lhe disse que estivera a ponto de morrer de uma septicemia dalman começou a chorar com doído de seu destino ele tava revoltado porque elea tem um destino Medíocre vamos lembrar que ele é o rapaz romântico leitor Das M noites leitor de e Marx fiero bibliotecário né ele fica ali revoltado com esse fim que ele vai ter um fim medí morto por uma infecção por causa
de um corte banal na meio da cara E aí então o narrador diz num outro dia o cirurgião disse-lhe que ele estava se recuperando e dentro em breve poderia ir convalecer na Estância a Estância que ele acha que vai algum dia voltar incrivelmente o dia prometido chegou a realidade agradam as simetrias e os leves anacronismos E aí ele vai começar a descrever Então a primeira sincronia que seria do carro né ele foi num carro de Praça para a clínica agora vai num carro de Praça para o trem pra estação de trem e aí coisas interessantes
são descritas ele diz o seguinte quando o personagem está no carro o primeiro frescor do Outono depois o verão opressivo eram como um símbolo natural de seu destino resgatado da Morte e da febre né então ele vai fazendo essa essa comparação com a passagem do tempo com as estações com o resgate do dalman desse dessa quase morte eh terrível por por ser banal e a cidade às 7 da manhã não perder aquele ar de casa velha que lhe infunde a noite as ruas eram como longos corredores as Praças como pátios a que a gente tem
uma narra uma descrição da cidade com uma uma descrição muito onírica é uma é uma descrição emotiva da cidade que o dalman guarda na memória né é Buenos Aires dele né não é uma banos Ares realista né então a gente já vê que começam aí Alguns sinais de descrição onírica do que tá acontecendo que ele tá vendo essa cidade que ele tá reconstruindo eh pela memória pelo feto e E aí ele vai dizer alguns segundos antes que seus olhos as registrassem recordava-se das esquinas dos quiosques das modestas singularidade de Buenos Aires na luz amarelada do
novo dia todas as coisas voltavam para ele percebam né tem o tom de irrealidade disso né Ele tá num táxi vendo coisas com profundo uma profunda carga afetiva e elas estão como se voltassem para ele né então a gente tem quase a impressão de que Juan tá indo a caminho de uma espéci de reencontro com alguma coisa eh ninguém ignora que o sul começa do outro lado de rivadávia tman costumava repetir que isso não é uma convenção e que se alguém atravessa essa rua entra no mundo mais antigo e mais firme e E aí que
ele tá falando algo do sentido de que quanto mais você em guaros Aires se aproxima do subúrbio Mas você tá se aproximando eh de uma espécie de Buenos Aires mítica passado né de Pampas enfim que não é aquela capital super cosmopolita E isso também é uma percepção afetiva dele na verdade uma percepção afetiva do próprio Borges que Borges tá colocando em Juan Aqui tem muita coisa nessa história do Juan que é da história do Borges né e eu vou retomar no final do contto do carro procurava em meio as edificações novas a janela de grades
ald drava o arco da porta o corredor de entrada o pátio íntimo ele tá procurando aquela Buenos Aires íntima dele que que é segura né que de uma certa forma o leva para um lugar seguro né Essa cidade afetiva da memória bom E aí ele quando chega na estação lembra que tem um um café na rua Brasil ele vai nesse café e lá ele encontra um gato adormecido E olha que interessante que o narrador vai dizer aqui pediu uma xícara de café adoçou lentamente provou esse prazer tinha sido vedado na clínica e pensou enquanto alisava
o pelo negro que aquele contato era ilusório e estavam como que separados por um vidro porque o homem vive no tempo na sucessão e o mágico animal na atualidade na eternidade do instante eh é importante ressaltar Isso aqui vai ser de algum modo retomado lá na frente então assim Borges aqui tá marcando essa diferença temporal né do homem que tá na temporal idade na sucessão e de um animal que vive fora do tempo né numa espécie de eternidade dentro do trem o dalman pega as mil E1 noites ele pega o livro que causou o seu
acidente né Eh causou porque ele estava subindo as escadas correndo porque queria ler o livro eh e o narrador diz que viajar com aquele livro tão vinculado à história de sua infelicidade era uma afirmação de que aquela infelicidade tinha sido anulada e um desafio Alegre secreto as frustradas forças do mal e aqui fica uma sugestão de que o que que vai ser anulado aquela morte Infame que ele ia ter por septicemia né então o o dalman inicia uma trajetória que vai anular aquela primeira a trajetória na temporalidade onde ele ia morrer de infecção né E
aí então ele tá no trem ele tenta ler mas se distrai prefere olhar a cidade passando pela janela do trem aquela cidade que vai lhe despertando uma série de coisas uma série de memórias né E aí ele num determinado momento quando o almoço é servido no trem ele se lembra de refeições do passado que eram servidas em cumbucas de metal e aquilo lhe dá um sentimento também de conforto de afeto de familiaridade E aí ele pensa primeira vez que Juan dalman diz qualquer coisa no ponto ele vai dizer Amanhã acordarei na Instância E aí o
narrador continua pensava e era como se uma vez só fosse dois homens o que avançava pelo dia outonal e pela geografia da Pátria e o outro encarcerado numa clínica e sujeito a metódicas servidões Então você tem Juan duplo aqui dois juans o Juan que tá na clínica internado sofrendo um monte de procedimentos e Juan que está nessa viagem mítica rumo a ao seu Sul ao seu Sul afetivo né E aí ele vai descrevendo o que que ele vai vendo nessa viagem né casas de tijolo sem reboque angulosas e Compridas eh Cavaleiros em caminhos de terra
viu ravinas e Lagoas e rebanhos viu longas nuvens luminosas que pareciam mármore todas essas coisas eram casuais como sonhos da planice e e Porque de fato eram sonhos da planice eram sonhos também julgou reconhecer árvores e semeaduras que não teria podido nomear porque seu conhecimento direto do campo era bastante inferior a seu conhecimento nostálgico e literário ou seja o conhecimento que ele tem dessa realidade no su é um conhecimento sonhador nostálgico no sentido de idealizado e de uma memória incerta e literário porque ele era um leitor né a gente sabe que ele idealizava então esse
passado do seu avô essa vida de de pampa essa vida de gaúcho principalmente por ser leitor de Martin fiero E aí o narrador vai dizer uma coisa muito interessante an Em algum momento adormeceu e em seus sonhos estava o ímpeto do trem já o branco sol intolerável do meio-dia era o sol amarelo que precede o anoitecer e não tardaria a ficar vermelho e a gente já percebeu que quando o Borges diz aqui que ele era dois ruã o da Clínica e o do trem né ou seja Juan tá delirando né Juan tá na cama de
hospital delirando com essa viagem mítica rumo a um lugar de afé a um lugar da memória ele tem um sonho dentro do sonho né Vocês lembram aí as ruínas circulares ele vai ter um sonho dentro do sonho onde o vagão vai ficando diferente não era aquele da Constituição ao deixar a plataforma a planí e as horas tinham no atravessado e transfigurado a gente vai vendo aí um Juan cada vez mais também fora do tempo um Juan que está agora no tempo da memória no tempo do Delírio viv também uma espécie de eternidade E aí ele
vai dizendo tudo era vasto mas ao mesmo tempo íntimo e de alguma maneira secreto Porque tudo que ele tá vendo é dele é produzido por ele pela memória dele pelos desejos dele a solidão era perfeita e talvez hostil e Dal não chegou a suspeitar que viajava para o passado e não somente para o sul Era exatamente o que ele tava fazendo né ele tava viajando para esse passado das suas memórias das suas idealizações E aí Acontece uma coisa estranha porque eu veio um inspetor Comenta alguma coisa com ele sobre sobre a parada dele ele pega
a passagem dele e fala Olha você não vai poder soltar nessa parada não a que daria lá na distância você vai ter que soltar antes né e e e é uma coisa estranha e o narrador vai dizer que ele não procura entender nem sequer ouvir porque o mecanismo dos fatos não lhe importava ou seja esse Juan que tá no sonho fora do tempo ele não vai se se perguntar do que faz ou não sentido ele vai aceitar as coisas el tá aceitando né ele tá percebendo que é uma coisa especial tá para acontecer E aí
o trem para num lugar um pouco ermo né é uma plataforma pequena uma coisa meio esquisita eh ele sai ele começa a caminhar vê que não tem veículo para ele pegar e mas alguém sugere para ele que que num determinado estabelecimento ele poderia conseguir então ele vai andando e aí diz que dalman aceitou a caminhada como uma pequena Aventura né dalman já estava no no meio de uma aventura ali uma aventura já iniciada e ele reconhece isso de alguma de alguma forma eh já havia desaparecido o sol mas um derradeiro esplendor exaltava A viva e
silenciosa planí antes que a noite apagasse é interessante isso essa passagem do tempo que tá dando nessa viagem porque ela faz um paralelo com a vida dele né então é como o Dalma ele tá se dirigindo para um um um acerto de certa forma ou um reen de uma certa forma e a passagem do tempo vai marcando isso né O sol tá baixando ele tá quase chegando no anoitecer pode se anitec da vida dele visto que ele tá enfermo gravemente enfermo E aí mais uma simetria O armazém algum dia fora vermelho vivo mais os anos
tinham mitigado para seu bem essa cor violenta ele chega no armazém e esse armazém é vermelho desbotado como a sua casa da estância né a gente percebe que olha como as memórias dele estão interferindo aí nessas visões delirantes que ele tá tendo E aí ele ele diz que a pobre arquitetura do Armazém lembrou-lhe uma gravura em aço Talvez uma velha edição de Paulo e Virgínia Paulo e Virgínia um outro romance que aparece aqui Isso vai nos mostrando um pouco da personalidade do Juan é um romance francês escrito por um autor chamado bernardin sanier onde o
o romance de uma certa forma idealiza a vida no campo né e ele mostra a civilização como corruptora do homem né e e e o bordes então insere esse romance de idealização do Campo aqui numa espécie de paralelismo da idealização do Pampa né Então desse Sul mítico do Pampa do gaúcho contra o norte cosmopolita e urbanizada dalman dentro dentro do Armazém julgou reconhecer o dono logo compreendeu que a semelhança ele com um dos empregados da Clínica o enganar então assim bord já deixa o pista suficiente aqui de que dma tá sonhando delirando alguma coisa do
gênero né as pessoas que aparecem para ele a as construções TM a ver com coisas da sua vida as pessoas se parecem com as pessoas da Clínica né então vários sinais que ele tá sonhando delirando E aí ele resolve Então ficar para comer no armazém né ele percebe uma coisa estranhíssima nesse Armazém que é que no chão apoiado no balcão do mar estava agachado e móvel como uma coisa um homem muito velho os numerosos anos tinham no reduzido e polido como as águas fazem com uma pedra ou as gerações humanas com uma sentença era escuro
pequeno e seco demais e estava como que fora do tempo numa eternidade quem é que estava fora do tempo numa eternidade o gato lembram o gato do Café da R Brasil e aqui esse homem muito velho que ele vai dizer que usa roupa de gaúcho né que ele tem uma faixa na testa poncho de Baeta um longo tip bota de potro E aí ele vai pensar o seguinte e como não havia mais desses gaúchos a não ser no sul então ele vê um gaúcho muito velho muito muito velho né e e é interessante porque isso
é um símbolo da é um grande símbolo da identidade Argentina né El ele volta para esse Sul que é mítico e d de cara com um gaúcho muito muito velho eh e aí o que que acontece ele vai lá senta perto da janela começa a comer quando ele começa a ser provocado por uns homens né Eh esses homens começam a jogar bolinhas de pão na cara dele né E aí a gente vai ter uma outra simetria porque ele vai dizer o seguinte Dalma de repente sentir um leve roçar no rosto e esse roçar no rosto
é ao mesmo modo como é descrito no início do conto o momento em que ele se machuca no corredor né ele sente alguma coisa no escuro roçou sua testa é assim que tá dizendo que é assim que ele se corta então a segunda simetria ele sente alguma coisa roçar no seu rosto quando ele percebe que são bolinhas de pão que estão sendo atiradas por uns homens numa outra mesa né uns homens assim com cara de peões né e e ele primeiro tenta assim ignorar né tipo fingir que não vê acontece que o dono do aquele
que tem cara de funcionário da Clínica sabe o nome dele e aí ele vira para ele e fala senhor dalman não se importe com esses moços estão meio alegres E aí ele percebe que ali as regras são outras né o cara sabe o nome dele o cara falou o nome dele agora ele vai ter uma honra para defender Só que nesse Armazém além do gaúcho e desse Espiões tinha um compadrito com cara de índio e aqui tem uma nota de roda pé que descreve esse compadrito vou ler rapidinho eh é uma descrição do próprio Borges
em que ele diz que o Plebeu das cidades ele era o Plebeu das cidades e do Indefinido arrabalde assim como o gaúcho o foi da planí e das costilhas Então você tem esse esse compadrito de feições indígenas né meio índio que vai fazer uma afronta terrível pro Juan vai dizer um monte de de impropério para ele vai desafiá-lo eh como o seu avô né foi narrado lá no início mais uma simetria o seu avô que acabou sendo ferido por lança por uma numa batalha contra os índios de Catriel eh então aí mais uma simetria e
aí o que que acontece o seu nome já foi dito e ele foi desafiado e aí acontece que no sul as regras são outras especialmente nesse Sul mítico ele não vai poder fingir que ele não viu ele foi desafiado ele vai ter que defender a sua honra e aí o que que acontece aquele velho oxo estático percebendo que o o Juan não tinha arma né ele não podia lutar com o outro porque ele não tinha arma ele joga um punhal pro Juan que cai aos seus pés e o Juan instintivamente pega esse punhal e falou
ferrou agora eu peguei e aceitei o desafio eu vou ter que lutar com esse cara porque aqui é assim que as coisas funcionam só que num determinado momento Juan vai vai achar que isso é bom né o narrador diz que o Juan sentiu que se ele tivesse então podido escolher ou sonhar sua morte essa seria a morte que ele teria escolhido ou sonhado ou seja nesse Delírio o Juan vai poder ter a morte heroica e uma morte mais e assemelhada a do seu avô o que lutou lá com na batalha e foi ferido pelo índio
do que essa morte que no tempo né na temporalidade vai ser uma morte medre por infecção o espaço da câmera acabou vou terminar aqui gravando no celular bom e como eu ia dizendo eh a eternidade se concretiza nesse delírio do Juan pela junção do passado do presente e do Futuro né E nesse seu Delírio comparecem símbolos da identidade Argentina né por isso que eu acho esse conto tão bonito porque a gente vai ter eh o compadrito o gaúcho que é o grande símbolo Os Pampas no sul e o duelo de punhal onde né na verdade
não se não se fala qual é o final desse desse duelo ele vai dizer que dalman e punha com firmeza a faca que talvez não saiba manejar e sai para a planície e então assim é curioso que ao duelar o dalman vai ocupar esse lugar do herói argentino né do Herói Gaúcho né E que é a grande o grande símbolo da identidade Argentina então ele consegue através dessa viagem mítica delirante eh recusar substituir aquela morte do mundo temporal que vai ser uma morte banal por septicemia né Por infecção por uma morte heróica mais ligada à
sua história sua idealização do do do da vida sua idealização da história Argentina sua idealização da sua própria história da sua história familiar né então é é um conto que lida muito com memória com afeto com identidade e que eu achei assim um conto muito bonito agora as coisas curiosas que eu ia dizer em relação à história do Borges são as seguintes eh a gente sabe aqui que Juan trabalhava como bibliotecário né e bor a gente não sei se ele bibliotecário dizendo que ele é secretário de uma biblioteca municipal Borges foi um funcionário menor de
biblioteca num período da sua carreira mais ou menos nos 30 e poucos anos e depois é que ele foi virou acabou virando diretor da Biblioteca Nacional e como Juan Dalma o Borges tinha um avô de passado heróico vamos dizer o Borges teve um avô materno também como o avô do Ju chamava Isidoro acevedo laprida e esse avô dele lutou no exército argentino e ele se opunha a Juan Manuel de rosas que foi um dos ditadores argentinos eh o Isidoro lutou em várias batalhas e o Borges né a gente quando eu li a biografia dele eu
li que o Borges ele tinha um desejo muito grande de se identificar com esse passado do avô o Borges que era um intelectual literato um bibliotecário né mas que ele tinha e E especialmente isso se dava muito na sua obra O bores tem obsessão com Gaúcho com quadrit e duelo de punhal que ele gostaria muito de se ver mais identificado com esse passado heróico né de de de batalhas políticas enfim de algo pela Liberdade do seu país e a outra coisa muito curiosa é que Borges sofreu esse acidente aqui que que e o dalman sofre
o Borges quando já não enxergava muito bem ele ele sofre exatamente o mesmo acidente ele bate a testa no batente de uma janela esse corte infecciona ele fica um tempão internado tendo alucinações quando num determinado momento ele para de falar né e e assim disse que o Borges escreveu o Pierre menar se eu não me engano um desses pontos dele muito famosos e depois desse acidente né porque ele meio que tava querendo testar a própria habilidade porque acho que ele tava com muito medo de ficar profundamente dele ter sequelas ele tava ele tinha medo de
ter Profundas sequelas daquele acidente e acho que ele meio que tenta se desafiar escrevendo esse conto né então assim Borges teve esse acidente né O que é muito interessante pra gente pensar eh que essa idealização do Juan é uma idealização pode ser uma idealização do próprio Borges né até pelos temas todos que sempre comparecem no seu nos seus contos né vocês devem lembrar que antes da seita da Fênix a gente falou do conto o fim que é um conto sobre o Martin fiero onde eu digo para vocês que de uma certa forma o Borges duela
com o Hernandes né o autor né ali nesse papel de grandes figuras da grandes símbolos de identidade Argentina e tudo mais enfim Su é um conto que eu acho bonito demais que eu gostei demais eu espero que vocês tenham gostado me digam o que que vocês acharam me desculpem o vídeo longo mas é que eu fiquei muito empolgada porque esse conto é muito bonito e então esse não fica sendo o nosso último conto eu volto para fazer o conto sobre aproximação de almot E aí assim a gente termina lendo ficções Tá certo muito obrigada pela
companhia de todo mundo boas leituras até a próxima tchauzinho