Cara, confia em mim? Pergunta para 10 pessoas na rua ou que você conhece o que que elas querem dar vida. E no mínimo umas oito vão parar em dinheiro de alguma forma.
Às vezes vem direto, às vezes vem vestido de uma palavra bonita, independência, tranquilidade, não depender de ninguém. No final é tudo dinheiro. Aí você pergunta quanto e o negócio desmorona na hora.
Porque ninguém tem um número na ponta da língua. É sempre uma grana boa, é sempre o suficiente para eu não precisar mais ficar pensando nisso. E é exatamente aí que a coisa se entrega.
Repara, o que tá na fantasia quase nunca é o dinheiro empilhado em cima da mesa. É a cena que vem junto. É você parando de fazer aquela conta de cabeça toda vez que abre o aplicativo do banco.
É esse zumbido aí de fundo. É esse barulho que te acompanha desde sempre, finalmente desligando. E o engraçado é que a grana em si, a montanha de dinheiro, é quase um detalhe.
O que você tá mesmo atrás é do silêncio que imagina que vem junto com ela. Imagina só, tu tá no mercado dia 28 do mês empurrando o carrinho e fazendo a matemática. Pega o yorgut, devolve, pega de novo.
Quando a moça do caixa passa tudo e fala o valor, tem um meio segundo ali, um meio segundo só, em que o seu corpo inteiro trava esperando o cartão aprovar. E não tem nada a ver com o yogurt. Nunca teve.
É esse meio segundo de não saber que vai te corroendo ano após ano. É isso daí que você quer matar esse frio. E frio na barriga não aparece em extrato de banco nenhum.
Esse é o problema todo. Então, presta atenção de verdade na sua fantasia de enriquecer, porque ela pode te revelar mais do que parece. Tem gente cuja fantasia é chegar num restaurante e o garçom mudar o tom de voz.
Tem gente que sonha em falar não pro chefe sem o estômago dar nó. E tem gente cujo sonho lá no fundo do poço é só poder virar pra mãe e dizer: "Pode parar de trabalhar, daqui paraa frente eu cuido de você". Olha o tanto de coisa emocional embrulhada aí, tudo disfarçado de planilha de gastos.
E é nesse ponto aí que mora a sacanagem. Se o que você tá perseguindo é o sentimento, o dinheiro resolve um pedaço e mente descaradamente sobre o resto. O pedaço que ele resolve é bem real.
Não vou bancar o hipócrita aqui não. Quem já teve que escolher entre o remédio e a feira sabe que o boleto pago é um tipo de paz que palestra de coach nenhuma entrega. Isso é verdade e quem fala o contrário nunca passou aperto na vida.
Mas o outro pedaço, o de se sentir importante, respeitado, de parar de se sentir pequeno no mundo, esse o dinheiro fica devendo. Você enriquece e continua sendo o mesmo cara inseguro de antes, só que agora com um carro mais caro pr ter ansiedade lá dentro. E calma que eu sei como isso daqui tá suando.
Tá suando que eu vou emendar com aquele clichê de para-choque de caminhão. Dinheiro não traz felicidade, essas baboszeiras não é por aí. Quem fica repetindo isso daí geralmente já tá com a vida ganha e nunca dormiu preocupado com aluguel.
O que eu tô falando é mais sem graça e mais difícil de você engolir. Você nunca fez a pergunta certa. ficou tão ocupado querendo dinheiro, que não parou 5 minutos para descobrir qual sentimento exato você imagina comprar com ele.
E sem saber disso, você vai correr atrás de um número que se mexe toda vez que você chega perto. Porque o número nunca foi o ponto. O ponto era aquele frio na barriga e você passou a sua vida inteira mirando na coisa errada.
Então, antes de qualquer papo reto aqui sobre como faturar mais, senta e seja honesto sobre o que você espera sentir quando o dinheiro chegar. Tem gente que faz esse exercício e descobre que metade do que tanto queria nem custava dinheiro nenhum. E tem outros que descobrem o contrário, que custava sim e caro, mas que pelo menos agora sabem para onde correr.
As duas descobertas prestam. A única que não presta é não fazer nenhuma e morrer aos 80 anos achando que era sobre o your good. E tá bom, já que a gente tá falando do que você quer sentir, deixa eu te apresentar quem percebeu isso muito antes de você e montou o império em cima, a indústria mais lucrativa do Brasil que ninguém fiscaliza direito, a de te ensinar a ficar rico.
Funciona assim. Domingo de manhã, você abre o Instagram meio de ressaca e lá tá ele. Camisa aberta no peito, relógio que ou é falso ou é alugado, encostado num carro que com certeza é alugado, gravando aquele story que começa com fala guerreiro.
Largou o CLT, demitiu o chefe. Hoje ele trabalha na praia. Tem até a foto do notebook na areia que cai entre nós.
É a coisa mais desconfortável que existe. Tela refletindo sol, areia entrando em todo canto, mas tá lá o notebook na areia simbolizando o Natal da Liberdade. E aí vem a oferta por 12 vezes de 165.
[música] Ele vai te ensinar um método. O método que mudou a vida dele, o segredo que os ricos escondem de você. E olha que generoso rapaz descobriu o segredo dos ricos e resolveu repartir por menos de 2.
000 pila. em vez dele usar calado e enriquecer sozinho. Para um segundo aí e pensa nisso aí, cara.
De verdade, é sério, pô. Se o cara achou um jeito de ganhar dinheiro que funciona mesmo, por que cargas de água ele tá gastando domingo gravando story para te convencer a comprar um curso. Por que que ele precisa de você?
O método que imprime dinheiro não precisa de plateia, sacou? A mentoria nunca foi sobre te deixar rico, não. Ela mesmo é o negócio dele.
O produto que ele vende é a sua esperança. E o detalhe só do é que funciona, só que para ele com o seu dinheiro. E aqui fica genial no sentido mais podre da palavra.
Tem um cara que enriqueceu vendendo curso de como vender curso. Eu não tô brincando. O sujeito fez grana ensinando os outros a fazer grana, ensinando os outros a fazer grana.
É uma pirâmide com consciência de si mesma. Só que ninguém chama de pirâmide porque pirâmide pega mal, né? Então vira marketing de rede, comunidade alcateia, sempre tem o nome de Matilha no meio, sempre tem um lobo.
O cara que assistiu o lobo de Wall Street e entendeu tudo errado, achou que era manual de instrução. E olha, eu não tô dizendo que todo curso é golpe, não. Tem gente séria que ensina coisa boa, ganha bem, merece.
Espera, deixa eu ser mais honesto, porque assim pareceu que eu tô passando pano. O ponto não é se a pessoa ensina algo útil, às vezes ensina mesmo. Tráfego pago existe, dá para viver disso.
O ponto é o tamanho da promessa. Quando o sujeito jura que em 90 dias você vai sair do zero e comprar uma Hilux, a régua já quebrou ali. Quem ganha dinheiro de verdade é interediantemente discreto.
Fala de margem, de imposto, de fluxo de caixa, dorme cedo, não posta print de saldo. Ah, é mesmo o print? O trader que aparece com a tela toda verde.
Olha o resultado de hoje, galera. Ele jamais mostra o print do dia que ele torrou tudo, porque esse dia não vende curso nenhum. Você tá olhando a foto do bilhete premiada achando que é a regra.
A esmagadora maioria que entra no day trade perde dinheiro. Isso é um fato documentado, pode procurar. Só que o um que ganhou tá com o microfone na mão e os outros 900 e tantos que quebraram estão calados, envergonhados, achando que faltou um mindset.
Mindset. Essa palavra devia ser crime. Toda vez que o método falha, a culpa cai em você.
Faltou mentalidade, faltou disciplina, faltou acreditar. O método é sagrado. Quando não dá certo, adivinha de quem que é a culpa?
é sua. Uma sacanagem perfeita, porque empurra o fracasso do produto para cima do freguês. Enfim, desconfia aí de todo mundo que fatura mais te ensinando a enriquecer do que sendo rico.
Quase sempre o dinheiro dele vem da sua matrícula, não da bolsa, não do dropshipping, não de nenhuma além de você ter acreditado. Tá bom, tá bom, chega de sacanear os outros. Vamos fazer conta, que é exatamente o que ninguém quer fazer.
Você já ouviu umas mil vezes? Corta o cafezinho, aquele café de R$ 8 que você toma todo dia. Para de tomar e investe.
É a dica número um de qualquer guru de finanças pessoais. E ela não é mentira, é só pequena demais para resolver o que promete resolver. Faz a conta comigo, R$ 8 por dia, 30 dias.
Dá uns R0 no mês. Cortou o café inteiro, 240. Quer cortar mais?
Tira o stream, mais uns 40. Passa a levar marmeta mais 300. Vai espremendo, espremendo e com muito sacrifício.
Talvez você ache uns R$ 700 por mês escondidos na sua vida. E aí acabou, você raspou o tacho. Não dá para cortar o seu aluguel sem morar na rua.
Não dá para cortar comida sem passar fome. O corte tem um fundo. Ele sempre bate num fundo.
Agora vira a chave e olha pro outro lado da equação. E se em vez de economizar 700 você fizesse entrar 2. 000 a mais por mês?
5. 000. Aqui não tem fundo e não tem teto.
Dá para dobrar a renda, dá para triplicar. Em teoria, não existe limite para cima. Um lado da conta bate num chão e trava.
O outro não tem teto nenhum. E mesmo assim, todo o conselho que você recebe na vida é sobre o lado que tem chão. E por que será que é assim?
Não é maldade na maioria das vezes. É que cortar o café é uma coisa que você controla hoje, agora, sozinho. Ganhar mais depende de chefe, de mercado, de coragem, de um tanto de sorte.
É muito mais reconfortante focar no que tá na sua mão, mesmo que o que tá na sua mão seja o pedacinho ridículo da equação. A dica do café te vende uma sensação de controle e fica por aí mesmo. Aí entra também o pessoal dos juros compostos.
Ah, mas 240 por mês, 30 anos, vira uma fortuna, vira uma boa grana. Não vou mentir. Juro composto é real, é talvez a força mais subestimada das finanças, mas presta atenção em duas coisas.
Primeira, são 30 anos de abstinência. sem falhar um único mês e a vida real não funciona assim não. Segunda, e essa é a que dói.
Juro composto é uma porcentagem em cima de um montante. Porcentagem alta em cima de pouco continua sendo pouco. Põe 8% em cima de 10.
000 e você tira 800 no ano. Põe os mesmos 8% em cima de 1 milhão e são 80. 000.
Mesma taxa resultado de outro planeta. O que muda a sua vida não é a taxa de retorno, é o tamanho do bolo onde a taxa incide. E o tamanho do bolo vem do quanto você consegue aportar, que vem do quanto tá entrando.
Agora, antes que algum poupador raivoso me xingue, não, eu não tô mandando você torrar tudo. Pelo contrário, se você ganha mais e gasta mais na mesma proporção, você só vira pobre num padrão de vida mais caro, que é o pior tipo de pobreza que existe. Porque dói muito mais você despencar de cima, poupar em porta.
Controlar gasto importa e muito. Tô me contradizendo um pouco aqui, mas a diferença é simples. Poupar te impede de afundar, só que não tem força nenhuma para te puxar para cima.
Você precisa das duas coisas, só que uma delas tem teto baixo e é justamente nessa que mandam você passar a vida inteira focado. E é por isso mesmo que dá para fazer tudo certinho a vida toda e mesmo assim estacionar numa classe média confortável. Salário, por mais gordo que seja, é você trocando hora por dinheiro e hora tem limite.
O dia tem 24 e você ainda precisa dormir. Quem fica rico de verdade, quase sempre é dono de alguma coisa que rende sem ele estar presente. Um pedaço de um negócio, um ativo que valoriza, alguma coisa que trabalha enquanto a pessoa dorme.
Não tem mágica nisso, é estrutura, é arquitetura mesmo. E estrutura ninguém constrói cortando cafezinho, não. E aqui vem a parte que algumas pessoas não gostam de ouvir, principalmente quem já tá rico.
Talvez, especialmente eu, se um dia eu enriquecer, eu vou odiar essa parte também. Pega aí qualquer história de sucesso dessas de entrevista, de podcast, de palco. Eu comecei do zero.
Aí você puxa o fio e descobre que o zero tinha um teto em cima, a casa dos pais, onde o cara morou de graça aos 3 anos que o negócio demorou para dar lucro. O zero não tinha um filho para alimentar. O zero dele falava em inglês porque os pais pagaram algum curso para ele.
O zero dele tinha para onde voltar se desse tudo errado. [música] Isso aí de zero não tem nada. É uma rede de segurança embaixo de você que aí você confunde com chão firme só porque ela sempre esteve lá.
Não me entenda mal, o cara provavelmente ralou e muito. O problema é a edição da história. Tudo que ele não escolheu e que pesou para caramba, some do roteiro na hora de contar.
E olha o tamanho do que você não escolhe. Você não escolhe em que país você nasce e nascer no Brasil ou nascer na Suíça já decide uma fatia gigante do jogo antes de você dar o primeiro passo. Você não escolhe de quem você é filho.
Dois moleques com exatamente o mesmo talento, a mesma fome, a mesma cabeça. Um nascido em Moema e o outro lá na quebrada. Agora não me venha dizer que os dois t a mesma chance porque é mentira deslavada e todo mundo sabe que é e você não escolhe o ano em que nasce que importa mais do que parece.
A mesma aposta feita em dois momentos diferentes dá destinos opostos. O cara que ouviu falar de Bitcoin em 2013 virou lenda e hoje da palestra sobre visão de futuro. O que ouviu falar em 2021 praticamente perdeu grana e a história dele ninguém faz questão de ouvir, não.
E é justamente por isso que a história do mérito puro é tão popular. Ela é gostosa demais pros dois lados. Pro rico, é um sonho acreditar que cada centavo dele veio de garra e madrugada.
Porque admitir sorte tem um que de humilhante e se achar merecedor é puro afago no ego. E adivinha qual das duas a cabeça humana abraça sem pensar? E para quem ainda não chegou lá, a história também acalma porque promete que a fórmula existe, tá ali, é só seguir os passos direitinho.
Os dois lados precisam que seja mérito. A verdade fica orfa no meio. E tem um lado podre nisso que precisa ser dito em voz alta.
Quando você compra a ideia de que riqueza é só mérito, a conta vira automática. Se ficar rico é sinal de mérito. Então, quem ficou pobre só pode ter falhado em algum lugar.
É preguiçoso, não quis, não correu atrás. É a história mais cruel que existe. E ela é cruel exatamente porque é confortável demais para quem tá em cima.
Agora espera, porque eu não quero que você saia daqui com a conclusão preguiçosa do lado oposto. Existe um sujeito e talvez você esteja virando esse sujeito agora aí na sua cabeça que ouve tudo isso daqui e conclui: "Ah, então é tudo sorte, tá tudo manipulado, o jogo tá viciado, não adianta eu tentar nada. Esse cara é tão otário quanto o do mérito puro.
Só que ao contrário, porque se fosse tudo sorte, você não conseguiria mexer nas suas chances de jeito nenhum e você consegue. Maquiavel, que de bobo não tinha nada, já dizia isso aí há 500 anos como conselho prático para quem precisava sobreviver no poder. Metade da sua vida é fortuna, é o que cai do céu e a outra metade é o que você faz com a mão que recebeu.
Então o esforço não garante merda nenhuma, não, mas vicia o dado a teu favor. A sorte distribui as cartas, só que as cartas não jogam sozinhas. Alguém tem que jogar a mão e mão boa, mal jogada, vira derrota do mesmo jeito.
As duas coisas são verdade ao mesmo tempo. E é por serem incômodas juntas que quase ninguém aguenta segurar as duas. É mais fácil você escolher uma e dormir tranquilo.
Eu prefiro ficar meio acordado, meio incomodado, sabendo que parte do que eu tenho eu não construí e que isso daí não me dá direito nenhum de desprezar quem recebeu um dado pior que o meu. Tá bom? Vamos supor que deu tudo certo para você.
A sorte sorriu, você ralou, o dinheiro veio, você ganhou o jogo. Agora deixa eu te contar o que acontece depois, porque isso aqui eu vi de pertinho. Tinha um cara que eu conhecia bem, eu vou chamar ele de Marcos.
O Marcos começou como quase todo mundo, CLT, salário apertado e um número fixo na cabeça. Quando eu bater 10. 000 por mês, tá bom.
Aí eu paro de me preocupar com dinheiro. O cara falava isso com uma certeza linda, como quem sabe exatamente onde fica a linha de chegada. O Marcos pegou e bateu os 10.
000. Ele [limpando a garganta] virou gerente. Depois ele montou um negocinho que deu muito certo e por umas duas semanas, eu juro, ele foi o homem mais feliz da face da Terra.
Andava leve, pagava a conta do bar sem olhar pra tela. Duas semanas ou um mês, sei lá. Aí aconteceu uma coisa silenciosa que ele nem viu acontecer.
As pessoas em volta dele mudaram. Os contatos novos, os caras das reuniões faziam 20, 30. 000 por mês.
E os 10. 000 que tinham sido o céu, do nada viraram o chão, viraram o básico, viraram o para começar o sonho agora era 30 e o Marcos nem reparou que o sonho dele tinha se mexido. Achou que sempre tinha sido 30.
Ele também chegou nos 30, comprou o carro que ele namorava havia anos, aquele que para ele era o símbolo de ter vencido na vida. O cara dirigiu feliz da vida por uns 10 dias, talvez, até o sábado em que ele estacionou no shopping bem do lado de um carro mais novo, mais caro. E o carro dos sonhos dele parado ali encolheu na frente dos olhos e virou um carro OK.
Foi instantâneo. O brinquedo perdeu a graça no segundo exato em que apareceu um brinquedo melhor a 3 m de distância. Depois veio o apartamento com vista, lindo de cair o queixo.
Cara, durou até ele descobrir que tinha cobertura, dois andares acima dele, com a vista um pouco melhor e com a piscina privativa. E pronto, o AP maravilhoso virou o AP de baixo. E aqui tá o ponto da história toda, o que me deu um arrepio na hora que eu saquei.
O Marcos ganhando 30. 000 por mês, não estava nem um tiquinho mais feliz que o Marcos dos 10. 000.
A distância entre o que que ele tinha e o que ele queria não tinha diminuído 1 mm em 10 anos. Ela caminhou junto com ele o tempo inteiro. Toda vez que ele alcançava aquele ponto no horizonte, o horizonte recuava exatamente o mesmo tanto que ele tinha andado.
Tem um alemão que escreveu sobre isso de um jeito muito mais bonito e muito mais deprimente que o meu, Schopenhauer, o sujeito mais mal humorado da história da filosofia. Ele dizia que a vida humana balança feito um pêndulo entre dois pontos. De um lado, a dor de querer o que você ainda não tem.
Do outro, o tédio de já ter conseguido e não ter mais o que caçar. Ele escreveu isso aí em alemão, num calhamaço de 1000 páginas, mas dá para resumir num áudio de zap. Você quer, você sofre, consegue, enjoa, arruma outra coisa para querer, sofre de novo.
E aí você fica nesse, vai e vem até o caixão. Querer não era o problema do Marcos, não. Querer é um mano, querer é o motor.
Tira isso de você e você vira um vegetal no sofá. O furo dele foi acreditar que existia uma linha de chegada, um número exato, onde a vontade simplesmente desliga. E esse número aí não existe não.
Nunca existiu, porque sempre, sempre vai ter alguém com mais. Até o homem mais rico do planeta lá na cabeça dele tá comparando com alguém, com um rival, com um número, com a versão dele mesmo que ele jurava que já devia ter virado. O jogo da comparação não tem placar final, não.
Os caras que parecem realmente em paz com o dinheiro deles e existem alguns, não chegaram lá porque acertaram o número mágico. Eles fizeram uma coisa muito mais difícil do que enriquecer. Esse tal de o suficiente não fica te esperando em canto nenhum do mapa.
Ele só nasce no dia em que você olha pro que tem e decide meio na marra que já tá bom. E essa é uma decisão que pouquíssima gente tem coragem de tomar. Porque eu vou ser bem sincera aqui, cara, a esteira vicia e parar dá uma sensação horrível de estar ficando para trás.
E o Marcos, sei lá, a última vez que a gente se falou, ele tava negociando a tal da cobertura dele. Aí já é você que tira a conclusão. Olha, depois de tudo isso aqui, você deve est achando que eu sou contra dinheiro, que eu vou fechar o vídeo te mandando largar tudo e plantar batata numa roça de coração puro.
Nada disso, pelo contrário, agora eu vou defender o dinheiro, porque quem fala mal de grana geralmente ou é hipócrita que nunca passou perrank, ou já tá com a vida ganha faz tempo. Dinheiro compra coisa boa pra caramba, coisa real. Só que quase nunca é a coisa que aparece no story.
A melhor de todas, de longe é tempo. É a tarde de terça-feira que você não precisa vender para ninguém. É poder dizer: "Não vou para um trampo que te apodrece por dentro sem entrar em pânico no fim do mês".
é você não passar 3 horas do seu dia espremido num buzão se você não quiser. Ninguém posta isso aí não, porque uma terça-feira à toa não rende uma foto bonita, como eu sempre digo, mas é praticamente o jogo inteiro. Lembra daquele frio na barriga lá do começo?
O do caixa do mercado? Pois é, dinheiro compra o fim daquilo ali. E essa é uma das paz mais subestimadas que existe.
O boleto que chega e você nem olha o valor, o dente que tava doendo e você finalmente trata. O seu carro que quebra e vira o aborrecimento total de uma tarde, em vez de virar a tragédia que decide o seu mês inteiro. Dinheiro não vai acabar com os teus problemas.
Isso aí é conversa para boi dormir. Mas ele troca os teus problemas ruins por uns problemas bem melhores. E quem já viveu os dois tipos sabe o tamanho da diferença.
E compra a coisa mais subestimada de todas. [música] A chave da porta, a possibilidade de ir embora, de largar a cidade, o emprego, a relação que você só aguenta porque não tem para onde você correr. Tem um nome meio grosseiro para isso lá fora.
Dinheiro de mandar todo mundo para aquele lugar. É isso mesmo. É poder olhar para qualquer situação da sua vida, sabendo que ficar é uma escolha sua, não uma cela.
Mas presta atenção agora porque vem a virada e é com ela que eu vou fechar esse vídeo aqui. Tem um ponto muito traiçoeiro, sem nenhuma placa visando em que o dinheiro para de ser uma ferramenta na tua mão e começa a mandar em você. É quando o número da conta vira a tua identidade, quando você não consegue mais entrar numa sala sem calcular no automático quem ali vale mais do que você.
Quando perder a grana, deixaria de ser um problema de dinheiro e viraria a sensação de que você evaporou, de que deixou de existir. Aí já era. Aí o dinheiro tomou conta.
E olha que isso daí pega até os caras mais do planeta, na [música] minha opinião. Cênca, o filósofo históico, escreveu páginas e páginas lindas sobre desprezar a riqueza, sobre como o sábio vive com pouco. Tudo isso sentado em cima de uma das maiores fortunas de Roma, emprestando dinheiro a juros pra meia província.
Hipócrita para né? Vai entender. Só que o engraçado é que no meio dessa hipocrisia toda aí, o cara deixou cair uma verdade que presta.
Ele dizia que dá para ter dinheiro sem ser propriedade dele, que o sábio carrega a riqueza de mão aberta e que no dia em que tomarem tudo, vão embora carregando só os bens, sem conseguir levar também o homem junto. O filha da mãe aí não conseguia viver o que ele pregava. Mas o fato de nem ele, com toda aquela cabeça dele ter dado conta, já te diz uma coisa: segurar dinheiro de mão aberta é difícil para caramba.
É um treino diário, não tem diploma, não tem dia em que você ganha de vez e pode relaxar. Então é isso, eu não tenho fórmula para te entregar, porque fórmula é o que o cara do custo te vende corre atrás do dinheiro. Sim, vale muito a pena.
Ele compra liberdade de verdade e tempo de verdade. Só que não esquece, no meio da corrida, para que diabos que você começou a correr? Porque a linha é finíssima e quase ninguém percebe a hora que cruza.
Ou você usa o dinheiro ou o dinheiro passa a usar você. E qual é o seu número? Aquele in que dá para respirar?
Isso aí eu não faço a menor ideia. Boa sorte aí para você descobrir isso aí na marra. Só desconfia desde já que não é o número que você tá imaginando agora.
Boa sorte. Boa sorte para todos nós, né? A gente vai precisar.