[Laura] Essa é a nossa série "Quase Tudo Sobre Vinhos". E nos vídeos anteriores, a gente já falou sobre a origem, fabricação e sobre os muitos tipos de vinho que existem, e como usar as informações do rótulo na hora de escolher um bom vinho. Agora, chegou a hora de conhecer qual a melhor forma de estocar e consumir cada tipo de vinho, se o formato da taça faz diferença e se a temperatura de servir realmente vai mudar alguma coisa.
♪ Antes de entrar no assunto em si, deixa só eu fazer algumas correções dos vídeos anteriores. Eu acabei falando que flotação fazia precipitar, mas me confundi ali. Flotação, como o nome sugere, faz flutuar as coisas, e aí você tira da superfície.
Eu tava falando tanto em precipitar pros outros métodos que acabei bugando o cérebro. Então, flotação faz as coisas flutuarem e você tira da superfície; a precipitação vai pro fundo e você separa. E falando em cérebro bugado, eu falei "Burgundia" quando deveria ter falado "Borgonha", quando eu falei da região da França.
Eu até deixei um comentário fixado no segundo vídeo porque na parte em que falo do Dom Pérignon, disse século XIX, mas era século XVIII. Eu gravei sem óculos e cansada, e acabei lendo errado no roteiro. Outra correção é que a clarificação do vinho dá pra ser feita com proteína vegetal.
Eu tinha falado que era só animal. E eu falei que espirulina era um corante de alga, mas na verdade espirulina é a alga, uma microalga. O nome do corante dela é ficocianina.
E a forma como eu falei de fazer vinho rosé misturando branco com tinto não é exatamente uma safadeza. É realmente um método considerado legítimo de fazer vinho rosé, só que faz gerar uns vinhos meio meia-boca. -É, tá bom.
[Laura] E tiveram algumas pessoas de Portugal que escreveram sobre o vinho verde. Algumas disseram que ele tem esse nome porque é um vinho jovem, sem passar por maturação. Então, um vinho envelhecido, maturado, seria um vinho maduro.
E um vinho jovem seria um vinho verde. Mas outras pessoas confirmaram que o nome "verde" vem dos verdes da região do Minho, como eu tinha falado no vídeo que era uma das hipóteses. Então, agora não sei mais o que pensar.
Mas fica aí outra informação. E na minha humilde opinião, isso de vinho maduro e vinho verde faz muito sentido, é nessa que eu quero acreditar. -Eu também.
[Laura] Agora sim, vamos entrar no vídeo de hoje. Se você já viu os vídeos anteriores, já conhece as principais características de cada tipo de vinho e como escolher um bom vinho no supermercado. Mas até os melhores vinhos podem virar uma experiência gastronômica frustrante se você não tiver o cuidado certo pra guardar e não souber como e quando consumir.
Vamos começar por como guardar e por quanto tempo. Não importa se você guarda o vinho no armário da cozinha, em uma prateleira na sala, em uma adega cara ou no armário do quarto, no meio das suas roupas. Existem, na verdade, três coisas que realmente importam e que você precisa garantir pra conservar bem o seu vinho.
A primeira é não deixar a garrafa exposta a temperaturas muito altas. Temperatura alta acelera as reações químicas que podem estragar o vinho, como a oxidação. O ideal é que o vinho fique armazenado próximo de 20ºC e nunca acima de 24ºC.
Factível, em tempos de ebulição global? Provavelmente não para boa parte do Brasil. Porém, o que você pode fazer é procurar o canto mais fresco da sua casa, um lugar que não bata sol.
Ou, no melhor dos mundos, investir em uma adega climatizada pra guardar as garrafas. Mas como nós, meros mortais do proletariado nem sempre vamos conseguir bancar uma adega, procura o canto mais fresco da casa que já deve dar bom. E aí, vem a segunda coisa.
Eu falei de longe do sol. Deixar as garrafas longe do sol é importante, tanto pelo calor quanto pela luz em si. Porque a luz ultravioleta estimula as reações químicas de oxidação.
Então, guarda longe do sol por conta da temperatura e por conta da luz. A terceira coisa que você deve observar é guardar a garrafa deitada ou de cabeça pra baixo, porque se guardar a garrafa de vinho em pé, pode acontecer o ressecamento da rolha e fazer ela encolher um pouco, porque vai deixar entrar ar e oxidar o seu vinho. Lembrando que nos três casos aqui, eu tô me referindo à oxidação em excesso.
Porque a gente já viu vídeos anteriores que uma micro-oxidação, ou seja, um tiquinho de oxidação, é importante pro perfil de vários vinhos. E ainda sobre a temperatura, é importante lembrar que os vinhos não toleram bem grandes variações de temperatura. Então, se você colocou um vinho na geladeira pra beber e, por algum motivo, desistiu de fazer isso, deixe-o na geladeira e beba nos próximos dias ou semanas, se possível.
Mas não leve ele de volta pra estante, pro armário, pra onde você guarda, mesmo se ele estiver fechado, porque essa variação de quente-frio-quente vai dar uma estragada no seu vinho. Beleza, segui as recomendações de onde guardar e como guardar a garrafa. Mas por quanto tempo eu posso guardar uma garrafa de vinho até abrir pra beber?
A maior parte dos vinhos vendidos hoje não é feita pra envelhecer na garrafa por muito tempo e começa a perder qualidade depois de alguns anos. Vinhos brancos, rosés e espumantes geralmente são feitos pra serem consumidos mais rápido, de preferência em até dois a três anos a partir do ano de fabricação. Se guardar por muito mais tempo que isso, eles mudam muito, vai mudar cor, vai mudar aroma, vai mudar acidez.
Já tive uma experiência com vinho rosé guardado por muito tempo que. . .
não ficou legal. -Que "tistreza". [Laura] Vinhos tintos podem ser guardados por um pouco mais de tempo, no geral até uns cinco anos.
Então, vinhos brancos, rosés e espumantes, de 2 a 3 anos, e o tinto até uns cinco anos aguenta. Esse tempo maior é possível porque eles têm uma maior quantidade de compostos fenólicos que ajudam a proteger contra a oxidação que estraga o vinho. Uma exceção é o vinho da uva Cabernet Sauvignon, que pode durar de 7 a 10 anos.
Então, quer guardar um vinho, quer dar pra alguém, pra pessoa guardar, pra uma data especial, dá um tinto Cabernet Sauvignon, que aí pode ficar até 10 anos guardado, tá suave. [Ana] Coisa boa. [Laura] Claro que existem vinhos mais complexos.
E, obviamente, mais caros. Que podem ser guardados por muito mais tempo, e eles vão ficando até melhores conforme o tempo passa. É desses vinhos que vem aquela expressão "envelhecer como vinho".
Na França, os poucos vinhos que podem ser aprimorados se forem guardados por mais tempo são chamados "vins de garde", significa "vinhos para guardar". Eu tô tendo que buscar lá no cérebro todo meu francês nível kids pra fazer esses vídeos de vinhos aqui. [falas em francês] [Laura] Ok, você guardou no lugar certo, pelo tempo certo.
Chegou a hora de abrir o vinho. Será que precisa deixar o vinho respirar antes de beber? O termo técnico pra "deixar o vinho respirar" é "decantar".
Na enologia, a decantação é o processo de transferir delicadamente o vinho da garrafa pra outro recipiente, geralmente um decantador ou um recipiente que tenha uma base larga e um pescoço mais estreito. Pode ser, inclusive, uma jarra comum de suco que você já tem em casa, não precisa comprar um item caro. Ele serve pra aerar o vinho e pra separar as partículas sólidas que possam ter se formado na garrafa durante o tempo de armazenamento.
Essas partículas são formadas naturalmente. São ácidos, minerais, taninos e outros componentes presentes na uva e no vinho. E são mais encontradas nos vinhos tintos, que já envelheceram alguns anos dentro da própria garrafa.
Não tem problema nenhum tomar o vinho com essas partículas, elas não fazem mal, mas podem ser desagradáveis pro paladar, pode deixar até um gosto amargo, levemente amargo, uma textura áspera, além de deixar o vinho mais turvo e opaco. Por isso, decantar vinhos tintos envelhecidos, que são vinhos pra serem apreciados com calma, vai melhorar a experiência de beber. E aí, pra garantir que você consiga separar as partículas, precisa deixar a garrafa de vinho em pé pelo menos 24 horas antes de abrir, pra todo sedimento ir lá pro fundo da garrafa.
Além disso, nos decantadores, o vinho fica mais exposto ao ar, isso permite que mais oxigênio entre em contato com o vinho e ajude a liberar alguns aromas, e deixar ele mais agradável ao paladar. Como esse processo de decantação, de aeração é rápido, você não precisa deixar por muitos minutos ali, o oxigênio faz uma oxidação bem suave, e o principal efeito vai ser quebrar alguns compostos fenólicos, como os taninos, que causam aquela adstringência na boca, e isso vai deixar o vinho mais agradável pro paladar. Vinhos brancos, rosés e espumantes não precisam ser decantados pra separar sedimentos, mas alguns deles podem se beneficiar se forem aerados, ficando mais aromáticos.
-É leve. Pode servir, gostei. [Laura] Outro efeito de aerar o vinho é deixar evaporar alguns compostos de aroma que são mais voláteis, ou seja, que evaporam mais fácil.
E que podem ser desagradáveis por terem cheiro forte. Isso permite que a gente perceba melhor os aromas mais frutados do vinho, que vai ficar mais aromático pro nosso paladar. Ah, e se você não quiser passar o vinho da garrafa pra um decantador ou uma jarra?
Tipo, sei lá, nem tem isso disponível. Aí você vai fazer aquele movimento de girar o vinho na taça. Esse movimento não é um tique, nem uma frescura pra parecer chique.
Ele serve pra aerar o vinho. Mas o mais importante de tudo isso: quais são os vinhos que devo e quais os que não devo decantar e aerar? Via de regra, vinhos jovens, até 4 anos de idade, não precisam ser decantados, porque eles não vão ter sedimentos e não são tão complexos a ponto de precisar da aeração pra liberar os aromas.
Com os vinhos jovens, você pode só dar aquelas giradinhas na taça que tá sucesso. Mas pode ser uma boa ideia decantar os vinhos tintos envelhecidos, que estão engarrafados há 6 anos ou mais. Porém, claro que tem algumas exceções.
Apesar de serem minoria, alguns vinhos tintos são mais sensíveis ao oxigênio, que podem até perder a qualidade se eles forem decantados, principalmente vinhos que envelheceram mais tempo em barril. Alguns exemplos são os vinhos Pinot Noir mais velhos, e alguns Gran Reserva Rioja, e alguns Chianti Clássicos mais velhos. Esses três tipos, eles geralmente não devem ser decantados pra você não perder a qualidade do vinho.
Agora você tá sabendo que girar a taça é pra aerar e pra liberar aromas. Se isso não impressiona o contatinho, eu não sei o que impressiona! Muito bem, você decidiu se vai decantar ou não de acordo com o tipo de vinho que você tem.
Mas e agora, o formato da taça importa? Bom, a ciência indica que sim. Segundo um estudo de 2015, a escolha da taça faz toda a diferença pro aroma que você vai sentir quando beber um vinho.
-1900 e. . .
-Suco de uva. [Laura] No estudo, os cientistas usaram uma câmera pra acompanhar a evaporação do etanol de um vinho servido em taças de tamanhos diferentes, incluindo uma taça de vinho branco e duas taças de vinho tinto, além de diferentes formatos, incluindo taça de vinho, taça de coquetel e um copo reto. E o que eles viram foi que na taça de coquetel e no copo, o etanol ficava mais concentrado em um canto.
Mas na taça de vinho, o etanol ficava mais perto das bordas e de um jeito bem homogêneo. Aqui, no caso, o etanol estava sendo medido porque é mais fácil de visualizar essa substância do que todos os outros compostos de aroma, então ele representava pra onde os compostos de aroma vão na taça. Com menos etanol no centro da taça, que é a parte que fica mais próxima do nosso nariz na hora de beber, o cheiro do etanol fica menos presente no nariz, e as moléculas de aroma ficam mais evidentes, fazendo o vinho parecer mais aromático.
E aí, o tamanho da taça de vinho tem um efeito parecido. Quanto mais larga a abertura da taça, menos etanol fica presente no centro. E aí, mais aromático parece o vinho.
Uma taça mais larga também tem uma maior superfície de contato entre o vinho e o ar, o que ajuda as moléculas de aroma a passarem do vinho pro ar e chegarem até o seu nariz. É por isso que não é bom encher muito a taça. Numa taça mais vazia, o vinho terá mais contato com o ar e você vai conseguir fazer os famosos movimentos circulares.
Viu, Ana? Essa parte é pra você. Eu tô ligada que você enche a taça até a boca!
Até a boca, eu exagerei, mas quase até a boca. Mas claro que pra cada tipo de vinho, vai ter um tipo de taça que favorece a degustação. A taça modelo Borgonha é ideal pra vinhos tintos leves, como o Pinot Noir.
A taça tipo bordô é melhor pra vinhos encorpados e pode também ser usada pra brancos e rosés. A taça de vinho branco é uma taça menor pro vinho não perder temperatura rápido, e ela serve também pra rosés. E as taças de espumante, bom, autoexplicativo, servem pra espumantes.
A gente tem também as taças ISO, que são taças padronizadas pra sommeliers e meio que servem pra todos os tipos de vinho, pra que na hora da degustação, o formato da taça em si não atrapalhe a percepção dos aromas. -Eu gosto. -Gosta, como assim?
-Gosto do gosto mesmo. [Laura] E você sabia que o certo é segurar a taça pela haste? Porque se a gente segura a taça pelo bojo, o calor da nossa mão vai alterar a temperatura do vinho e vai mudar os aromas que a gente percebe dele.
E você pode reparar também que, no geral, as taças de vinho são mais estreitas na boca do que no corpo, o que faz os aromas ficarem concentrados na taça e chegarem bem até o seu nariz. Já que falei sobre a temperatura do vinho, a gente também tem a temperatura ideal de servir cada tipo, porque a temperatura vai ser um fator bem importante pra percepção do sabor do vinho. Temperaturas mais baixas tendem a acentuar a acidez e fazem o vinho parecer mais leve e mais fresco, por isso vinhos brancos são servidos mais gelados.
Mas temperaturas muito baixas podem dar tipo uma anestesiada na língua e vão fazer o vinho parecer sem sabor. Agora, temperaturas altas vão fazer você perceber mais o álcool, aí vai dar a impressão de que o vinho é muito forte. Uma regra geral é servir vinhos tintos entre 15 e 18°C, e vinhos brancos, espumantes e rosés entre 4 e 10°C.
Isso é o geral, que vai funcionar pra maioria dos vinhos. Eu vou deixar na tela agora uma imagem do site Vi Notícias com as temperaturas pra cada tipo de vinho, pra você pausar o vídeo e consultar. "Mas, Laura, vou ter que ficar com um termômetro medindo a temperatura do vinho?
" [nega] -Não vai, não, amor. [Laura] É muito mais simples do que isso. Pra vinhos tintos, coloque a garrafa na geladeira uns 15 minutos antes da hora de servir.
Já vai chegar na temperatura muito próxima. No caso dos vinhos brancos e rosés, você deixa a garrafa na geladeira por algumas horas, ou até dias, aí você tira 15 minutos antes da hora de servir. Isso já vai deixar a maioria dos vinhos na temperatura mais próxima possível do ideal.
Depois de aberto, o vinho precisa ser consumido em poucas horas ou no máximo um dia, já que o contato com o oxigênio pode desencadear mais um processo de oxidação. Por mais que um pouquinho de oxidação ajude a aprimorar o sabor do vinho, uma oxidação por várias horas à temperatura ambiente pode deteriorar a cor e o sabor do vinho. E aí, tampar a garrafa de novo não vai impedir a oxidação, porque ainda vai ter um pouco de oxigênio dentro dela.
Mas claro que quanto mais vazia estiver a garrafa, mais ar cabe ali e mais fácil o vinho se oxida. Então se você já abriu o vinho, mas não quer beber a garrafa toda de uma vez, tem duas maneiras de desacelerar a oxidação e manter a qualidade do vinho por mais tempo. Uma delas é tampar bem e guardar na geladeira.
A temperatura baixa da geladeira vai retardar a oxidação e vai estender a duração do seu vinho pra dois ou três dias. A outra alternativa é usar alguns acessórios, tipo esse aqui, pra tirar o ar da garrafa quando você for tampar. Além dessa parte vedar a garrafa pra não entrar mais ar, fazer o bombeamento faz com que o ar que tá lá dentro saia, e com isso você vai deixar menos oxigênio dentro da garrafa, portanto menos oxigênio pra ficar em contato com o vinho.
O ideal é combinar as duas técnicas: tirar o ar com um dispositivo tipo esse e guardar na geladeira. Isso vai permitir conservar o seu vinho por 5 a 7 dias sem grandes alterações no sabor. Ufa!
Encerramos a nossa série "Quase Tudo Sobre Vinho". [narração] Calma, gente, fiquem ligados no canal, pois teremos mais conteúdos sobre vinho. Se tiverem mais dúvidas, deixem nos comentários.
[Laura] Claro que muita coisa acabou não entrando, mas porque era pra ser quase tudo mesmo. O objetivo era apresentar o mundo dos vinhos pra quem gosta, mas se perde completamente quando precisa escolher um vinho, ou tinha dúvidas de como armazenar e por quanto tempo. Além, claro, de contar a história dessa bebida e várias curiosidades que vocês podem tacar na próxima roda de conversa, e até usar pra impressionar o contatinho.
Quatro vídeos cheios de curiosidades que impressionam qualquer pessoa. Assim, a dica tá dada. O seu contatinho nerd.
. . Eu fiz minha parte, o resto é com vocês.
Contem se ficou alguma dúvida, me contem de repente coisas que ainda não falei. Eu sei que tem alguns tipos de vinho que não mencionei, que eram vinhos muito específicos e não fazia tanto sentido entrar aqui nessa série. Mas vai deixando as suas sugestões aí nos comentários.
De repente a gente faz mais um vídeo pra falar sobre esse tema. Agora sim, a gente se vê no próximo vídeo. Não esquece de compartilhar, de se inscrever nesse canal, porque olha só, essa quantidade de informação aqui disponível, mastigadinha pra vocês, merece uma inscrição e merece um compartilhamento com as pessoas que você gosta.
Porque quando a gente gosta da pessoa, a gente gosta que ela receba informação de qualidade. A gente se vê no próximo vídeo. Beijo, tchau.