Narrativas Compartilhadas tem o grande prazer de ouvir hoje um pouco da história de Fernando Negrão Duarte, coordenador do curso de Jornalismo da Unisul, diretor e apresentador do programa Unidos Comunidade, mestre do cerimonial da Uniso e professor dos cursos de Comunicação da Uniso. Fernando é mestre em Comunicação e Cultura pela Universidade de Sorocaba; a dissertação envolveu fotografia e cultura. Possui graduação em Jornalismo pela PUC de Campinas e está na Uniso há 23 anos.
Foi o coordenador do Laboratório de Comunicação da Uniso durante 23 anos, sendo ele o responsável por montar o projeto e a execução dos Laboratórios de Comunicação. É o mestre de cerimônias da Unijuí, e praticamente todos os cerimoniais passam por ele, tendo sido o mestre de cerimônias em mais de uma centena de formaturas. Além disso, é o diretor e apresentador do programa Unidos Comunidade, programa de rádio e televisão que conta com a participação de alunos, ex-alunos, professores e funcionários da Universidade de Sorocaba, onde se fala sobre ensino, pesquisa e extensão.
O programa é transmitido pelo canal 7 da TV Bebê com Net e pela rádio Cantat FM, além de contar com sua participação em muitas entrevistas, mesas redondas, programas e comentários na mídia. O professor é um profissional exemplar na fotografia e gosta muito do que faz, tendo apresentado várias exposições de fotos. Atualmente, está com uma exposição de fotos de uma viagem que fez pela Europa.
Em suas aulas no Laboratório de Comunicação, colaborou na formação de um grande número de profissionais de fotografia, jornalismo e comunicação social em diversas regiões, além de muitos outros espaços pelo país afora. Professor Fernando, muito obrigado pela sua presença aqui no Narrativas Compartilhadas para contar um pouco da sua história. É um grande prazer tê-lo aqui conosco.
Você é sempre quem faz as entrevistas, e hoje você está do outro lado; estamos mudando os papéis. Você vai ser entrevistado, portanto, fique à vontade para contar a sua história. Você está percebendo que está muito nervoso, né?
Mas fazer o quê? Quando você pega esse outro papel, fica mesmo; é natural. O que nós queremos é o seguinte: que você conte a sua história de vida, principalmente dentro da formação escolar, vivendo lá desde a sua infância, atravessando o antigo ginásio e o colégio, e aí sua entrada na faculdade, a escolha pela opção de jornalismo e fotografia, e também a sua entrada na carreira acadêmica aqui na Uniso.
Toda essa história e você, que tem essa grande formação de pessoas que falam de você por todo lado. Muito obrigado pela presença. E perdendo então, vamos lá.
Eu que agradeço, Roberto. É uma grata satisfação estar com você mais uma vez, um amigo que me acolheu logo que cheguei na universidade, há 23 anos. É um prazer muito grande estar aqui participando das narrativas, estando do outro lado do balcão.
É diferente. Entrevistar parece ser muito mais fácil; o papel do jornalista e entrevistador, do Renato, já estou com ele desde sempre. Agora, sendo entrevistado, é um diferencial.
É diferente por estar ali sendo questionado, mas vou tentar dar o melhor de mim aqui para contar essa minha trajetória, enfim, esse tempo da universidade, que é um tempo da minha vida. Tenho uma história bem interessante, Roberto. Eu nasci e fui criado no centro de Sorocaba.
Na verdade, quase que não nasci em Sorocaba, porque meus pais são de Itapetininga e havia uma diferença de idade entre os meus irmãos: o Teófilo, três anos, e o Francisco, de quinze anos. Então, minha mãe teve uma gestação tardia; estava com 40 anos já quando ela engravidou. Naquela época, uma mulher com 40 anos estava grávida era uma gestação de risco.
Estamos falando de 1967. Consequentemente, Sorocaba tinha mais recursos, como se dizia na época, do que Itapetininga, e sugeriu que ela viesse para Sorocaba, onde os recursos eram melhores. Meu tio era estudante de medicina na cidade e estava terminando a faculdade; não teria condições de dar um suporte para ela.
Então, ela veio e ficou na casa dos meus avós aqui em Sorocaba, perto da então Uniso. Nasci no Hospital São Lucas, e imediatamente voltei para Itapetininga com meus pais; fiquei só um ano lá. Então, meus pais perceberam que Sorocaba tinha muito mais opções de trabalho; a cidade é próspera, e vieram para a cidade com a família toda e montaram uma loja de fotos no centro da cidade, na Rua da Penha, 873, que existe até hoje: FOTO Lima Duarte, há 50 anos, no mesmo endereço.
Meu irmão Teófilo permanece com essa loja até hoje. Nós moramos na loja; era uma loja e casa ao mesmo tempo. Inicialmente, vivíamos dentro da loja; havia uma casa nos fundos e, depois, na parte superior, uma casa muito mais confortável.
Então, eu fui criada no centro da cidade e, obviamente, comecei meus estudos no Pavilhão, que era pertinho; não sei se você se lembra dele, mas era tudo muito próximo. Comecei no Pavilhão do pré-primário, né? Antes disso, frequentei o Castelinho, ali na Kátia.
O Castelinho era bastante legal; com cinco anos, fui para o Pavilhão fazer o primário. No Pavilhão, eu tinha certos objetivos, mas depois fui para o Castelinho, que me parecia mais divertido, com aquelas coisas mais lúdicas. Então, algumas escolas tinham essa proposta de se interagir com espaços lúdicos.
No fim, acabei gostando mais do Castelinho, e mudei de escola. "Do padre, eu fiz o primário até a 8ª série. Então, foi ali uma sequência, e, terminando a oitava série, eu fui já a estudar à noite.
Então já estava, não estava no Globo, e do colegiado, eu já não queria permanecer mais trabalhando com meus pais, porque, ou seja, a convivência de estar no centro, trabalhando na loja, era um cotidiano que fazia parte do dia a dia. Então, um momento que não estava em casa, estava dentro da loja auxiliando, ajudando, enfim. Então, o comércio, o atendimento aos clientes, o dia a dia da revelação de fotos, de tirar fotos e acompanhar meus irmãos em coberturas de eventos já fazia parte da minha rotina.
Assim, tá? Então, aquilo já estava me agradando mais. Então já estava mocinho, né?
Já tinha 15 anos, estava querendo fazer aos seus próprios. E como a minha literatura diária, que o meu pai fazia questão, era o jornal impresso, que ele deixava no balcão da loja todos os dias, o "Diário" e o "Cruzeiro", então era nessa literatura que eu me envolvia, com ela, principalmente pela imagem. Além de ler a notícia, eu lia a imagem que estava no jornal, como o fotógrafo queria saber como é que o fotógrafo enxergou aquilo naquelas imagens.
Também, que uma só foto retratava toda aquela notícia que, muitas vezes, você trabalha em uma página inteira pra contar aquela notícia. Aquilo me chamava atenção. No dia 2 de janeiro de 1983, eu já tinha decidido estudar à noite e queria fazer um curso profissionalizante, imaginando já o futuro.
Enfim, o meu pai foi comigo até o Colégio Objetivo, tá? Então, me levou até o Objetivo para fazer matrícula. Existia a primeira turma de processamento de dados lá.
Nós somos atendidos por um cliente da loja, o professor Edevaldo, hoje doutor Edevaldo e advogado da Fundação do IM. O professor Edevaldo apresentou a pena: "Quer fazer contabilidade? " É porque achei que a contabilidade era levar não contabilizado, é coisa do passado.
Ora, nós vamos ter o curso, aquele de processamento de dados, que vai ser uma novidade, o curso de informática, computação, é coisa do futuro. Venha fazer processamento de dados! E aí eu me matriculei no curso de processamento de dados, tá bom?
Ainda no dia 2 de janeiro, foi em janeiro, do mesmo dia, foi bom. Já que agora voltou à noite, eu não quero ficar na loja durante o dia. Eu descia a Rua da Penha e fui da porta do Diário de Sorocaba, um pouquinho pra baixo, ali, sacando a batendo boca com o Diário.
Perguntei: "Ó, tem emprego para fotógrafo? " A pessoa que me atendeu falou assim: "Olha, vou verificar, tá? E falou: 'O seu Victor de Luca vai atender você.
'" De Luca era o dono do jornal, isso, né? Eu não quero só ver quem ele era, mas enfim. .
. Entrei numa sala ampla, confortável, com uma alegria no ambiente, uma mesa de escritório enorme e tinha uma sala com sofás também. Ele disse: "Dona Tereza, quem é você, menino?
" Olha, eu sou o filho do fotógrafo Fábio Lima, do Ar, que a tal como informam que. . .
Ah, filho, Francisco. Enfim, aí você quer trabalhar? Quero, é trabalhar no fotógrafo.
Dá um fim! Você tem fotos que você já fez? Algumas fotos aqui.
Mostrei também, sentei. Habilidade, você tem que saber revelar fotografias? Sei se revelar foto em preto e branco, sei revelar assim, é muito bem.
Olha, o que a gente pode pagar? Tanto sofreu e tudo isso, porque você vê, até então, era minimizada a mesada. Mesada que meu pai dava, volta lanche na frente do Padilha, é um dinheirinho, pai do cinema, né?
E, e filme, pagar um salário de repórter fotográfico, leva tudo isso, né? Falou, toda, porque já. .
. né? E aí, foi o impacto.
Em casa, cheguei a falar que eu ia trabalhar e fui funec e registrado, né? Então, no dia seguinte, 23 dias depois que seu parceiro de dias, eu já comecei a trabalhar como fotógrafo do Diário. Isso, pra mim, é uma felicidade muito grande, é uma satisfação muito grande de estar dentro da média diária.
Mais do que nunca, a ir lendo. . .
E o seu Victor foi um professor enorme de jornalismo, porque, assim que eu cheguei na redação, eu já havia feito. . .
meu pai já me tinha colocado com 12 anos. Meu pai me deu uma máquina de escrever, tá? Então, eu tenho até hoje uma Remington Baby.
É também uma mesma máquina que eu quando fui fazer um curso na Grafia, também na Rua da Penha, nesta fotografia onde o World não é São Paulo. É depois afins, São Paulo estão duas escolas. O fim começou a onde o olho, pois foi lá, São Paulo.
E aí, eu fiz o curso ali na São Paulo. Foi a técnica, sem olhar o teclado e visa o aperfeiçoamento. Uma pós da tomografia, não é?
E aí, na hora que eu já tô gravando, seu hábito me deu uma apostila que era uma nova redação do jornal de Sorocaba e no Diário tive uma ascensão rápida como fotógrafo, porque como eu já fui e escrevia, então foi muito interessante. O globo grafava era o José Benedito Gomes, que era o chefe de redação. Eu trabalhava de manhã, não entrava às 8 horas da manhã, ficava até às cinco horas, até porque estudava no Objetivo à noite, tudo ali perto, no centro.
Ele falava: "Fernando, você faz, sai, faz só a pauta e volta e me traz as informações. " Que muitas vezes, um dia não tinha repórter de manhã, os repórteres entravam tarde. E à noite, toda a manhã, eu cobria alguns eventos sozinho.
Imagina um moleque de 15 anos de idade, sozinho, cobrindo o evento. Levava o bloquinho e anotava. " O que eu estava vendo, além das fotos que tirava, e com a minha letra muito feia.
Eu, da piloto, já olhava o manual de redação e seguia as regras. Uma nova redação: o quê, quem, quando, como, onde, como e por que. Então, já seguia de uma redação.
Eu sei que foi ali, há alguns meses, três, quatro, seis meses, fazendo isso, e apareceu um outro menino, que nem sendo candidato a fotógrafo. E aí, os Benedito me falam: "A senhora, Fernando, você tá bem encaminhado, o texto tá mais fácil, você ficar de repórter. " E o outro menino, ficava o fotógrafo, porque o menino não dá, te logra.
Ele não sabe escrever e você já tem jeito pra coisa. Querer pra a redação. Então, o seguinte: você explica o menino como é que faz fotojornalismo.
Então, quem sai bem, nasceu justamente. Comecei a dar aula, e né, eu já expliquei para ele como é que é a orientação, como é que fotografa. Ele começa a ficar no seu lugar como fotógrafo.
Foi você, parte só para a fotografia, só para ser repórter. Então, por que fizemos? Já fui repórter do Diário, muito legal, né?
E aí, foi esse menino, é o tal do Pita Epitácio, pessoa famosa, foi premiado. Ganhei o prêmio Esso, já quatro prêmios Esso de fotojornalismo, comecei comigo lá no Diário de Sorocaba. Sim, o que contribuiu não com ele foi nessas primeiras orientações que teve comigo lá na redação do Diário.
Enfim, foi esse o começo na imprensa, coberto. Esse aí foi de 15, 16, 17, 18 anos de idade, estava na redação do Diário de advogado. Na época, foto-lito, é isso.
Na época, não é favorita. Você fazia, fotografava, depois aí fazia a empresa sem clichês, né? Aí eu conheci todo o processo.
O momento que eu mais adorava, Naná, no jornal, era ir para a oficina do jornal e ver a rotativa funcionar. Sim, existe inclusive, se você quiser assistir, tem no YouTube, um vídeo. Não tem na minha página no YouTube, mas também no Diário de Sorocaba, vem entrando, Label Sorocaba, tem um vídeo que eu fiz, contando a história do jornal.
A primeira máquina rotativa, que era no final do século 19, tá essa máquina funcionando. É uma máquina imensa, enorme, barulhenta. Daí, essa máquina, e houve essa máquina funcionando.
Então, repete, onde está? Instalado no YouTube, na página do Diário de Sorocaba ou da minha página, Fernando Negrão do Ardila, Núbia, também no YouTube tem essa máquina. Eu cheguei a levar alguns amigos para eu levar, era professor de português no Getúlio Vargas, cujo redator ciliar.
Mas eu levava os alunos para ver isso, a máquina rodando, funcionando lá, e é hora de colocar a letrinha politriz, alimentando a itu da máquina do tipo funcionando. Eu tenho meu nome feito no tipo, porque desde logo. Ela falava matéria, a reportagem, depois de ela produzir do tipo, ela era datilografada de novo da máquina do tipo.
O vocábulo, a otan, claro, era totalmente diferente. Sinta o open da telegrafia pela máquina do tipo. Não conhecia?
Não, não conhecia. Máquina? Não dá.
Não sabia da grafada, máquina normal. Era um outro, era em ordens de sequência, ABC, DF, era diferente do teclado. Era um teclado totalmente diferenciado e eram letras minúsculas e maiúsculas.
Montava ali aquela, que ele pedacinho por pedacinho. Enfim, houve todo esse processo artesanal no Diário até chegar ao mudar esse processo. Aí entra o computador na relação.
Cheguei a passar por todas as etapas. Quanto tempo se qualifiquem do Diário? Dos 15 até os 18 anos, quando eu fiz um curso de radialista.
Queria ser, aí, locutor criança, fiz o curso, a primeira segunda turma do curso de radialista do Senac Sorocaba. No curso, ter profissionalizante, já chegou o momento da faculdade. Aí, agora, vou continuar me reporto, não vou continuar.
Então, a convivência, vivência. Não existia jornalismo em Sorocaba. Não estamos falando em '86.
Eu resolvi fazer a graduação em Direito. Fui fazer faculdade de Direito. É mais não era.
Não fiquei satisfeito. Não, não, não, não é, não gostei. Não, eu vi que aquele cotidiano da faculdade de Direito, no momento em que estava vivendo ali, não, no curso.
Não me identifiquei com o curso, com a faculdade. Tive que sair do Diário para poder estudar. Eu estava fazendo um Tiro de Guerra também na época.
Então, fazer o Tiro de Guerra tarde e fazer a faculdade à noite. Eu acabei estava fazendo influência para algumas agências de comunicação. Lançamos um jornal do Shopping Sorocaba, fizeram o lançamento de jornais "The Club" Sorocaba.
Fizemos os projetos alternativos. Estava fazendo curso de radialista. Então, foram muitas coisas ao mesmo tempo.
O curso, não, não é desenvolver o curso de Direito de forma muito legal. E aí deixei, deixei, fiz o primeiro ano, tranquei o curso. E conversei com meus pais: "Olha, eu realmente acho que apite dão para o jornalismo, quero fazer jornalismo.
" Na época era muito concorrido o curso. E eu quero fazer jornalismo na PUC de Campinas. Acho que Campinas.
Eu não gostava de São Paulo, nunca gostei de São Paulo, capital. Achava uma cidade muito grande, não tinha e tenho pânico de cidades grandes ainda. Bom, então acabei optando por fazer a faculdade em Campinas.
E aí fiz um ano de cursinho, era praticamente obrigatório fazer um cursinho. Aí voltei por objetivo. Permiti, havia terminado o colegial técnico em Processamento de Dados também.
Não me identifiquei com o curso porque a área de exatas para quem é de humanas não, não foi, não desenvolvi. Conheci, enfim, mas não era minha e não me satisfez. Enquanto profissional, não, sabia bem o básico, além de Processamento de Dados e programação, mas não me identifiquei.
Com aquilo que passou no vestibular, fiz um ano de cursinho. Aí passei no vestibular em sétimo lugar na PUC Campinas e fui fazer jornalismo. Muito bem!
Então, daqui a pouco você continua contando essa história. Em Campinas, até já!