Você já se deu conta que você passa um terço da sua vida dormindo? Quando você tiver sessenta anos você terá passado vinte anos dormindo! O sono é algo extremamente importante e muito comum a todos nós, então se você quiser entender um pouco mais sobre esse assunto, as variações circadianas e como a gente responde a variação de luz, busque lá um café e fique comigo até o final do vídeo, e lembre-se, não decore, entenda!
Tem coisas que a gente precisa fazer todo dia, como comer, beber água, ir ao banheiro e dormir. Comer, beber água e ir ao banheiro é fácil de entender o motivo, mas e o sono? Por que é tão importante que a gente durma todo dia?
Quem nunca desejou não sentir sono e não dormir por pelo menos uma semaninha só pra colocar as coisas atrasadas em dia né? (eu já) Mas apesar de não sabermos ao certo por que evolutivamente a gente precisa dormir, nós sabemos como ele funciona e como ele é importante para a manutenção do nosso organismo saudável. Em nossa vida nós temos muitos ciclos, a graduação por exemplo, é um ciclo, com começo meio e fim, um relacionamento pode ser um ciclo e nossa própria vida é ciclo com começo, meio e fim.
Então nós temos ciclos maiores e outros menores. Um exemplo de um ciclo relativamente longo é o ciclo menstrual, que dura ali em média entre vinte e oito e trinta dias, que é chamado de ciclo infradiano. Dentro desse ciclo ocorre uma variação de temperatura do corpo que é bem definida, como você pode ver nessa figura ao lado.
Um outro exemplo de ciclo, agora mais curto é do hormônio luteinizante, o LH. O ciclo dele dura algumas horas, então chamamos de ultradianos. O sono é um ciclo que se repete a cada vinte e quatro horas, ou seja, um dia.
Para esses ciclos nós damos o nome de ciclo circadiano, você já deve ter ouvido falar. Olhe essa figura ao lado, dentro de um período de vinte e quatro horas nós temos uma fase de vigília, que é quando estamos acordados, e uma fase de sono, que é quando estamos dormindo. E dentro do nosso ciclo circadiano nós temos outros ciclos, como o grau de alerta, que é mais alto durante a vigília e vai diminuindo quando se aproxima do sono, variação de temperatura corporal, que diminui durante o sono, E variação da concentração do hormônio do crescimento, que tem seus picos durante o sono.
Já ouviu que você cresce enquanto está dormindo? É porque é a noite durante o sono que você libera o GH, hormônio do crescimento. Outro hormônio muito importante que também tem a variação junto com o ciclo do sono é o cortisol.
O cortisol é muito importante na função do sistema imune, no metabolismo de glicose e também está muito relacionado ao estresse. Veja que logo no começo da vigília, ou seja, logo quando a gente acorda é quando há um pico de cortisol. Será que é por isso que a gente fica mais estressado quando acorda?
Comente aqui se você é aquela pessoa que acorda com cortisol lá em cima e só precisa tomar seu café preto em silencio contemplando a vida em paz. . ou se você é aquela pessoa estranha que acorda super animada querendo conversar.
. . eu preciso de silêncio de manhã até pegar no tranco.
Mas eu tenho uma pergunta pra você, como será que o nosso corpo sabe se está de dia na hora da vigília, ou se está de noite, na hora do sono? Teeeempo Você acertou se respondeu: Pela luz! Veja nessa figura que está mostrando algumas barrinhas pretas, isso significa que a pessoa está dormindo.
A gente sente sono e dorme quando a luz abaixa e desperta e acorda quando temos mais luz. Sabendo disso alguns pesquisadores lá nos anos 50 resolveram testar uma coisa. Eles pensaram: “E se a gente pegar umas pessoas e deixar elas totalmente na luz durante alguns meses?
Para que a pessoa perca a noção da passagem do tempo”. Se ela não vê a oscilação diária da luz ela não sabe se é dia ou noite, será que o ciclo do sono se mantém? Veja que agora a barrinha preta do sono começou se movimentar e não obedeceu mais se era dia ou noite, porque a pessoa simplesmente não tinha essa informação, ela estava na luz o tempo todo.
A gente pode tirar algumas lições dessa figura, mas antes de falar quais são, eu quero saber se você já clicou naquele botãozinho que tem aqui embaixo, naquele não, naqueles, o botão do like, o de se inscrever e o de compartilhar. Se você fizer tudo isso você me ajuda na divulgação e na manutenção do conteúdo aqui no YouTube. Então, mande esse vídeo pro seu amigo e sua amiga que vão gostar de assistir essa aula, eu agradeço muito.
Mas voltando, observando o ciclo de sono das pessoas que não veem a oscilação da luz nós percebemos duas coisas principais. Primeiro, o ciclo se mantém, independente se não tem o período escuro, as pessoas dormem do mesmo jeito, isso nos mostra que nós temos um certo “relógio biológico interno” que controla nosso sono mesmo sem a oscilação da luz. A segunda coisa que percebemos é que as barrinhas pretas começam espaçar, ou seja, o período do ciclo vai aumentando, por isso as barrinhas começam entortar pro lado com o passar dos dias.
Isso nos diz que nós mantemos o ciclo. Porém sem a interferência da oscilação da luz esse ciclo não tem 24 horas, ele dura mais tempo. Mas se já não fosse o suficiente fazer isso com os participantes do estudo os pesquisadores pensaram: “E se a gente inverter as luzes do laboratório que eles estão?
A gente deixa a luz acesa a noite para os participantes pensarem que é dia, e deixa escuro de dia para os participantes pensarem que é noite”. O outro pesquisador olhou e falou “Puta ideia, vamos fazer”. E o resultado foi esse, o ciclo voltou a durar 24 horas, mas agora invertido.
Os participantes respondiam mais à oscilação da luz do que ao seu “relógio biológico”, mesmo que fosse dormindo de dia e ficando acordado a noite, pois dentro do laboratório que eles estavam isso estava invertido. Mais algumas lições, nosso ciclo é maleável, por isso algumas pessoas conseguem trabalhar a noite, como vigias noturnos ou qualquer outra profissão que trabalhe a noite, e eles podem dormir de dia. Porém a luminosidade tem uma grande influencia nisso.
E antigamente quando não tínhamos nossa querida luz elétrica, as pessoas seguiam muito mais a oscilação natural da luz do sol, hoje em dia é duas horas da manhã e você está com o celular colado na cara com o brilho no máximo e sem o filtro de luz azul, depois fala que não consegue dormir. Por que será né? Ah e só pra não ficar no ar, depois de cem dias de experimento os participantes da pesquisa voltaram à exposição da luz natural, e o ciclo deles se reestabeleceu.
Tá, beleza! Eu disse que a gente responde à oscilação de luz. Mas como isso acontece?
Afinal a gente tá aqui pra entender, não pra decorar. Lembra que eu falei que nós temos um relógio biológico que se ajusta ao ambiente? No nosso encéfalo nós temos algumas células osciladoras que recebem os sinais aferentes de luz.
Essas células osciladoras também recebem o nome de marcapasso. E essas células produzem os efeitos cíclicos que a gente viu do ciclo circadiano através dos sistemas efetores. Se você se confundiu um pouco nessa parte de vias aferentes e eferentes veja o vídeo que está aparecendo aqui no card que tem uma aula completa só sobre isso.
E juntando os componentes aferentes, o marcapasso e os componentes eferentes nós temos o chamado sistema temporizador, que basicamente controla todo nosso ciclo. E o que são os marcapassos? Na verdade, são vários e muitos ainda estão sob estudo.
Mas basicamente o mais famosinho e o mais bem descrito é o núcleo supraquiasmático. Ele fica no nosso querido hipotálamo e se se situa acima do quiasma ótico, por isso supraquiasmático. Quando a informação de luz é captada no olho pelas células ganglionares fotorreceptoras, essa informação chega no núcleo supraquiasmático que aumenta sua frequência de disparo.
Então durante o dia ele dispara mais e a noite dispara menos. Assim nosso corpo tem essa informação de como está o ambiente externo. Um outro “relógio biológico” fica no epitálamo e é a famosa glândula pineal.
A pineal é mais relacionada aos ciclos infradianos, lembra que a gente já viu isso. Ela controla várias funções que variam anualmente, como o comportamento reprodutor de muitos animais, e o fenômeno da hibernação de animais que hibernam, que não é nosso caso. Mas a oscilação da luz também tem influência na pineal, que tem relação com a produção de melatonina.
A melatonina é um hormônio que tem grande variação com as estações do ano, além dos efeitos da melatonina na temporização circadiana, sabe-se também que ela tem influência em ações metabólicas diárias no sentido de alocar ao dia e à noite o maior ou menor gasto energético ou a menor ou maior capacidade de armazenamento de nutrientes. Em muitos lugares a melatonina é usada para induzir o sono ou diminuir os efeitos do jet-lag, aquela confusão que acontece no nosso metabolismo quando viajamos para algum lugar com o fuso horário muito diferente. Vamos fazer um resumo?
Nós temos um relógio biológico que fica no hipotálamo, porém ele tem um ciclo um pouco diferente de vinte e quatro horas. Por isso ele é sincronizado ao ciclo natural do dia e noite, com a intensidade da luz que é diariamente monitorada pelo núcleo supraquiasmático através dos aferentes visuais, que serve de ajuste para os neurônios osciladores desse núcleo. As conexões eferentes do supraquiasmático enviam os comandos para que algumas das funções autonômicas, neuroendócrinas e comportamentais possam ser reguladas de acordo com o período de vinte e quatro horas.
Mas o que acontece no nosso corpo e principalmente no nosso cérebro enquanto nós estamos dormindo? Isso é assunto para a parte dois dessa aula, que se já estiver no ar está aparecendo aqui no card e o link também está na descrição. Se não fique ligado que logo, logo a aula vai pro ar, não se esqueça de inscrever e ativar as notificações para ser avisado quando tiver aula nova.
Então durma bem e nos vemos na próxima aula, até mais.