Qual que é a direção que o mundo tá indo eh nisso, né? A gente pelo pelos pequenos highlights que a gente já pegou aqui, né? O que eu percebo, a gente atingiu um pico já de capacidade produtiva de carro que não sei se a gente vai voltar.
Eh, parece que não, tá muito distante. A gente tem agora a entrada dos carros elétricos, o surgimento de novos novos players, né? A Índia ainda, né?
Um mercado só de 45 milhões e de carros, né? Do tamanho do Japão, só que em quantidade de habitantes é muito maior, né? A Índia tem um potencial enorme.
Enfim, que direção que o mundo tá indo nesse sentido aí do futuro da mobilidade e qual que é o papel da China nesse nessa direção? >> Então, vamos lá. Primeira coisa, nos países desenvolvidos, conforme eu já falei, mas vou explicar de novo, o mercado de carro por habitante tá diminuindo e diminuindo muito.
Então, Estados Unidos, 270 milhões 1990, 15 milhões de carros vendidos. 345 hoje, 15,5 milhões de carro vendido. Ou seja, a população constante, o mercado caiu 30%.
Por que que o mercado nos Estados Unidos, a população constante caiu 30%? Várias razões. Primeira, tem menos gente morando eh no tem menos tem um êxodo rural, tem menos gente morando no campo.
Os Estados Unidos tinham 19% das pessoas morando no campo na em 1990, hoje tem 13%, o Brasil é 12. Então tem menos gente morando em ambiente rural. Em ambiente horror, você precisa de você tem cinco pessoas na família, você precisa de cinco carros.
>> Uhum. >> Principalmente se você tem renda para isso. Por exemplo, no Texas, carteira de motorista, 16 anos.
Ah, Colorado, 14. Se tem um adulto do seu lado, porque no Texas para ir pra escola, se teu filho não tem um carro, ele não vai pra escola, porque a escola é 40 km da da tua fazenda. Então, primeira coisa, tem um êxodo rural que ainda continua.
Segunda coisa, os carros estão mais caros. Todos os carros engordaram, que nem você falou no começo, na realidade eles engordaram 300, 400 kg. Então, vamos falar com quem tem um pouco mais de memória.
Pega um Fiat 147 que foi lançado no Brasil em 76. Ele pesava 750 kg. O modelo da Fiat hoje mais leve que tem, pesa 150.
300 kg a mais, gente. É 300 kg a mais de aço. O pneuzinho do fit era desse tamanhinho, agora é desse tamanho.
Tem airbag, tem infotament, tem SC, tem um monte de equipamento e tem 300 kg a mais. Então é normal ele ser mais caro. E ele é mais caro na Europa, eh, que eu eu eu sou francês também.
Você pega um Renault 5, que era um carrinho com rodinha estreita, pequenininho, e você pega um Clio. O Clio pesa 350 kg a mais do que o Renault 5. Então é óbvio que os carros aumentaram de preço.
Então isso também diminui a compra. Terceira coisa, os carros eh eles tecnologicamente eles têm menos problemas. Você tinha carburador, você tinha platinado, você injeção eletrônica, nunca pepino.
Então não é que o o antigamente o carro e ele depois de um certo tempo ele dava muito problema mecânico, hoje não mais. E finalmente tem outras opções de mobilidade. Por exemplo, nas cidades europeias todo mundo anda de bicicleta.
Todo mundo anda de bicicleta. Nos Estados Unidos não, mas na Europa sim. E a Europa é assim, a Europa em 1990 tinha 290 milhões de habitantes, hoje tem 330.
Ou seja, a população lá cresceu bem menos 320. Cuidado quando a gente fala Europa. Não tô contando Rússia, não tô contando Turquia, tô contando a Europa do euro, vamos dizer mais a Inglaterra e os países do norte da Europa.
E você tinha 290 milhões de habitantes e 17 milhões de carros. Hoje você tem 320 milhões de habitantes e 13 milhões de carros. Caiu 4 milhões o mercado na Europa.
Japão era 5 milhões. Esse ano vai ser 13800. Porque o pessoal anda de bicicleta, o carro dura mais, o mercado de carro usado aumentou.
Então as necessidades de mobilidade não são as mesmas. E na década de 90 não tinha, você gastava dinheiro em carro. Hoje você gasta dinheiro em celular, você gasta dinheiro em internet, não dizia nada disso antes.
Você gastava em carro, porque hoje você gasta dinheiro em outras coisas que você não gastava antes. Então, por exemplo, ninguém mais vai em hipermercado. Você vai no supermercado e compra menos quantidade.
Antigamente a gente comprava carrinho, vai lá no Carrefur, enche o carrinho, faz a compra do mês. Isso acabou na Europa, acabou nos Estados Unidos, acabou no Brasil. E quem faz compra do mês faz tudo por celular, pela internet e te entregam na tua casa.
Você não precisa de um carro para no supermercado. Então, as necessidades mudaram muito. Agora, onde é que o mercado vai crescer?
O mercado vai crescer nos países que vão crescer, que não é o Brasil. Que país vai crescer? China ainda vai crescer muito, Índia ainda vai crescer muito.
África vai demorar muito para crescer. Eu não acho que a África vai crescer muito. Vamos falar do nosso país, Brasil.
O nosso mercado chegou a 3. 600. 000 carros.
Hoje é 25 milhões e esse ano o mercado tá crescendo 1,5%. Ou seja, nada. Então por que que o Brasil, primeira coisa do Brasil, população parou de crescer.
A gente era 210, continuamos 210. População do Brasil parou de crescer. Tanto assim que quando fizeram o censo, tomaram um susto.
Acharam que a gente era 220 e pouco e a gente era 215. Então, o Brasil, a população do Brasil parou de crescer e nós estamos abaixo da taxa de reposição. Cada mulher deveria ter 2,1 filhos.
Nós estamos com 1,6, 1,5. Então nós temos, se continuar assim, daqui em 2100 nós vamos ser 130 a 140 milhões se continuar assim. Então população parou de crescer.
Segunda coisa, carro aumentou de preço. Você pega um carro de 2011, não tinha airbag, era 150 kg mais leve que o mesmo carro hoje, não tinha BS, não tinha ESC, não tinha multimídia, não tinha nada, nem vidro elétrico, era uma nivelinha, os carros básicos. Então o carro tá mais caro.
Terceiro, taxa de juros no Brasil é uma fortuna e carro é financiado. E o Brasil, a gente achar que um dia o Brasil vai taxa, vai ter taxa de juro europeia, a gente não vai. O Brasil, por um monte de razão, que eu não vou vir aqui porque seria outro podcast, a taxa de juro no Brasil vai continuar sendo alta.
E quando o mercado foi 2 milhões, 3 milhões600, os bancos financiavam sem entrada. E o fato de você financiar sem entrada fez o mercado crescer muito. E todos os bancos que entraram nesse financiamento sem entrada e todos fizeram, quando veio a reessão da Dilma 2014, 15, 16, perderam bilhões e bilhões de reais de gente que parou de pagar.
E no Brasil, quando você para de pagar um carro pro banco, é um big problema, porque para você recuperar um carro no Brasil, você leva de um a 2 anos. Quando você recupera o carro, ele tem um monte de multa e o carro tá completamente assim, péssimo estado, você levou 2 anos para recuperar. Nos Estados Unidos você recupera um carro em três meses.
Você pega um caçador de recompensa, um bounty hunter, ele tem a cópia. Quando você assina financiamento, você dá a cópia da chave e pro banco. >> Uhum.
>> Ele te segue, você estacionou o supermercado, ele vai lá, pega o carro, vai embora, acabou. Na terceira prestação. E nos Estados Unidos e na Europa, a multa é do CPF, a multa é da pessoa, a multa não é do carro.
No Brasil a multa é do carro. Então, você recupera um carro, tem 30, 40. 000 de multa.
Conclusão, isso eleva o custo do banco. Conclusão, taxa de juro para finançar carro no Brasil é muito caro. Então, o mercado brasileiro, eu pessoalmente duvido muito que o nosso mercado de carro suba muito acima de 2600, 2700, 2800, a não ser que a renda per cápita suba muito, mas, por exemplo, nós estamos hoje com renda per cápita inferior a 2011 em dólar hoje.
Ou seja, eu não vejo o mercado brasileiro crescer muito. >> É, até a própria relação entre o o parcela de financiamento e o salário mínimo de um de um brasileiro, né, já mostra que esse esse número dificilmente vai crescer. Se você gostou desse corte, certamente vai gostar do episódio completo.
Então, ó, clica aqui que você pode assistir ele na íntegra. Ou então você pode clicar nesse vídeo e ver mais um corte desse episódio.