Olá, hoje a gente vai falar de um tema que gera muitas controvérsias. Qual é o impacto da pornografia na vida sexual dos seus pacientes? Meu nome é Aline Sardinha, sou psicóloga, mestre, doutora, pesquisadora na área da sexualidade, tenho mais de 15 anos de experiência como professora, como clínica e tenho mais de 10 anos de experiência formando profissionais de saúde para atuar de uma forma séria, ética e adequada com os temas da sexualidade.
Então, vamos falar desse tema hoje de uma forma realista e científica para acabar de vez com todo o mito e a desinformação que circunda esse assunto. Então, repete comigo, não existe vício em pornografia. Calma que eu vou explicar.
A relação entre o consumo de pornografia e a saúde sexual, ela é complexa e ela vem sendo estudada cada vez mais por conta do aumento do consumo, né? Então, na medida em que a pornografia se torna cada vez mais acessível e mais e mais pessoas têm acesso a isso na palma da própria mão, crianças, inclusive, os estudos vêm crescendo, vem mostrando o impacto negativo, sim, de um acesso indiscriminado à pornografia, de como isso vem realmente trazendo alguns prejuízos. Entretanto, os prejuízos são muito diferentes do que se vem dizendo por aí nas redes sociais e você precisa saber como fazer uma prática realmente científica no seu consultório para parar de ficar repetindo o clichê e tratando que não existe.
Então vamos lá. Estudos recentes mostram que o consumo de pornografia não é necessariamente danoso. Por exemplo, muitas mulheres que referem consumir pornografia, elas referem uma frequência maior de orgasmo e mais desejo sexual do que mulheres que não consomem pornografia.
Não tô aqui dizendo que consumir pornografia é tratamento para transtorno de orgasmo e de desejo feminino, mas estou querendo dizer que não é esse bicho de sete cabeças para todo mundo. Claro que quando a gente fala de infância e adolescência, óbvio que ninguém devia ter nenhum tipo de exposição a esse tipo de conteúdo, porque esse é um conteúdo adulto. Muitas vezes a gente vai ter sim pacientes que t uma relação muito conturbada com a própria sexualidade, que vão fazer um uso que a gente vai chamar de uso problemático de pornografia.
E é a isso que a gente precisa estar atento. Os estudos são muito consistentes em mostrar que conteúdo adulto envolvendo violência e dominação são associados a uma menor satisfação sexual e um pior funcionamento em alguns homens que consomem muito esses conteúdos. Além disso, eles também estão associados a uma atitude mais agressiva em relação a mulheres e minorias de forma geral.
Então esse sim é um aspecto preocupante. Então pessoas que consomem mais comumente pornografia com esse tipo de conteúdo tendem a ter atitudes mais violentas e hostins em relação a mulheres e minorias em geral. Entretanto, não existe uma relação entre consumo de pornografia e nenhuma disfunção sexual.
Então, repita comigo, não é a pornografia que causa disfunção sexual, disfunção erétil, ejaculação prematura, problema de orgasmo. Não temos nenhuma evidência que sustente isso. Muito pelo contrário, o que a gente vai ver muitas vezes é que pacientes com disfunção sexual, eles tendem a se sentir mais confortáveis na masturbação do que no sexo em parceria, por razões óbvias.
E aí a gente vai ver sim esses pacientes consumindo mais pornografia como uma consequência, mas o consumo de pornografia, na verdade aqui é só um sintoma de um sexo que já vinha ficando ruim e aí que deixa de acontecer com a parceria e passa a acontecer na masturbação. A masturbação agora, todo mundo tem smartphone com a pornografia muitas vezes, mas não é a pornografia ou a masturbação que cause nenhuma disfunção sexual, muito pelo contrário, isso é fundamental pro seu raciocínio clínico para você não fazer a intervenção na direção errada. Além disso, quando a gente tem um consumo problemático de pornografia, muitas vezes a gente vai ver isso como sintoma de alguma outra condição mais ampla.
Ao invés da gente ficar tratando o consumo de pornografia, tentando fazer aquele paciente parar, 12 passos, tenta parar, tenta ficar sem, tenta substituir por outra coisa, enfim, a ciência já vem mostrando claramente que nada disso é eficaz e que a gente não deveria ir por esse caminho. Para onde que a gente precisa levar a nossa intervenção? para entender funcionalmente aquele comportamento dentro de um contexto mais amplo.
Então, é muito comum a gente ver um consumo problemático de pornografia em pacientes que estejam com transtornos mentais de forma geral, então pessoas deprimidas, ansiosas, com transtorno de personalidade, pessoas que estão passando por uma crise, que estão muitas vezes querendo se distrair das suas dores emocionais e aí acabam fazendo algum comportamento repetitivo que pode ser sim o comportamento de se masturbar consumindo pornografia, do mesmo jeito que poderia ser um comer compulsivo, do mesmo jeito que poderia ser outros comportamentos compulsivos. Então, muito mais do que falar de vício, a gente aqui fala de um uso que tende a se tornar problemático, porque ele começa a entrar num ciclo de compulsão. E aí você vai me dizer: "Nossa, mas pro paciente isso não faz a menor diferença".
Com certeza não, mas para você que é profissional de saúde faz toda porque a intervenção muda completamente. Então, quando a gente fala de um vício, a gente vai falar de realmente tentar afastar um indivíduo daquela substância. Quando a gente fala, por exemplo, de uso problemático de substâncias, a gente quer afastar, a gente quer fazer com que o indivíduo não use mais aquela substância.
Agora, quando a gente fala de um ciclo compulsivo, a gente vai falar de uma relação saudável com a sexualidade, de uma relação saudável com a própria pornografia, esse foro, porque ela em si não é um problema. O indivíduo não se vicia, então desconfie dessa pseudociência que tem sido disseminada por aí, que fala de um processo da dopamina e blá blá blá blá blá, tudo balela. Não temos nada que mostre pra gente que realmente é esse o mecanismo que gera um tipo difícil.
Muitas coisas geram dopamino nosso cérebro. o sistema de recompensa do cérebro. É claro que isso vai acontecer quando você tem orgasmo, quando você tá vendo um conteúdo que é prazeroso.
Um outro aspecto que é importante você saber é que o seu paciente, ele não deixa de desejar o sexo em parceria porque ele consome pornografia. Muito pelo contrário, ele muitas vezes consome pornografia porque ele não está satisfeito com sexo em parceria. Mais uma vez, a sua direção precisa ir na outra direção.
Como profissionais de saúde, é fundamental abordar o consumo de pornografia ou qualquer outro aspecto da vida do seu paciente de uma forma ética e baseada em evidências. Isso inclui compreender o contexto do uso, os sentimentos associados e os impactos na vida sexual e relacional desse indivíduo de acordo com a ciência e sem ficar repetindo achismos e clichês dentro do seu consultório. É importante ainda a gente evitar julgamento moral e focar numa escuta empática, identificando os principais padrões problemáticos e oferecendo suporte adequado.
Não é sobre se é certo, se é errado, se você gosta, se você não gosta, se o seu vizinho consome pornografia, é sobre o que que de fato vai ajudar o seu paciente. Então, na prática, o que que você precisa fazer? O primeiro é uma avaliação contextual.
Em que contexto esse consumo de pornografia acontece? Com que frequência isso acontece? Qual é o tipo de conteúdo?
Quais são os sentimentos associados? E aqui, gente, não é isso que vai determinar o que que é patológico e o que que não é. Sai dessa lógica.
Você precisa olhar de uma lógica funcional. Não é aqui você dizer: "Olha, esse comportamento aqui pode ou não pode é pecado ou não é pecado? É certo ou é errado?
" Sai dessa história. O que que o seu raciocínio clínico precisa entender? O que que acontece antes?
Quais são os determinantes da tomada de decisão? Por que que esse paciente opta por consumir pornografia? O que que acontece logo em seguida?
E por que que ele acha que isso é um problema? Quais são os problemas que isso gera na vida dele? É assim que a gente vai conseguir realmente papear o comportamento e entender onde ele tá problemático.
Alguém que se masturba três vezes ao dia consumindo pornografia, não necessariamente tem um problema. A história não é a frequência. Alguém que assiste um conteúdo que é violento ou que tem um conteúdo parafílico, isso por si só não torna nada patológico.
A questão é quais são as consequências que sugeram pra vida daquele indivíduo? E aqui de novo, sem achismos. Um outro aspecto importante é o que a gente vai chamar de incongruência moral.
Os fatores que causam mais sofrimento para esses pacientes. Os pacientes chegam no nosso consultório, essa é uma queixa que tem explodido no nosso consultório e eles chegam muito sofridos, com casamento em frangalhos, com a vida emocional, a saúde mental em frangalhos, se sentindo um viciado que já tentou, que não consegue parar, que é um pare social, que vai acabar com a própria vida porque não consegue dar conta desse vício. O nome disso é incongruência moral, ou seja, uma diferença entre os meus valores morais e esse comportamento.
E o sofrimento vem exatamente dessa diferença. Às vezes o comportamento em si não é nem um pouco problemático, mas a ideia é que esse comportamento precisa parar de qualquer jeito. E se eu não consigo parar esse comportamento, que muitas vezes a gente vai entender que tem outras causas, por exemplo, a própria depressão ou que tem uma função ali de regulação emocional daquele paciente ou de manejo das questões de dificuldade sexual que ele já tinha, muitas vezes a gente vai acabar reforçando esse ciclo de culpabilização, de julgamento moral, de precisa parar esse comportamento e botando foco em parar o comportamento e a gente só vai amplificar o sofrimento desse paciente.
Então, é importante a gente saber que não é porque o paciente tá sofrendo muito e não é porque isso é muito discrepante dos valores morais dele, que isso torna o comportamento mais problemático ou menos problemático. Um terceiro aspecto é como isso viola ou como isso pode ser acomodado nos acordos relacionais que ele tem, principalmente se ele tem parceria. Então, como é que isso é visto no casamento dele?
Muitas vezes a gente vai ver muito sofrimento em função disso. Em casamentos onde a própria ideia da masturbação é demonizada, muitas vezes em populações religiosas ou onde essa parceria entende que o consumo de pornografia significa uma traição ou onde isso é visto dessa forma, né, como uma insuficiência da parceria. Então, se o meu parceiro me amasse, se o meu parceiro tivesse desejo por mim, se eu fosse suficiente para ele, então ele não consumiria pornografia.
Se ele consome pornografia, é por isso que a gente tem problemas sexuais. todos esses mitos que na verdade a gente sabe que não tem respaldo na ciência, mas que funcionam muito para gerar sofrimento para esse paciente, para essa parceria. E aí, claro que a gente vai precisar fazer uma intervenção que seja sensível a isso, porque afinal é o contexto relacional que eles estão, mas que a gente possa ir ajudando eles a entender o que que é o comportamento problemático, o que que a gente precisa trabalhar e como eles podem administrar os acordos relacionais deles de uma forma mais realista, à luz de todo o cenário mais amplo que tá acontecendo, para que a gente possa ajudar com isso a minimizar os impactos negativos desses significados que são distorcidos.
E aqui a gente pode sim chamar essa parceria para orientação, para acolhimento, inclusive, porque muitas vezes a parceria desse paciente ou dessa paciente tá se sentindo muito maltratada, muito rejeitada, traída, insuficiente, se culpa. muitas vezes também é alguém que a gente pode trazer para fazer uma sessão de acolhimento, para ouvir essa pessoa, para de alguma maneira trazer alguns significados e algumas reflexões que podem ajudar essa pessoa a se sentir um pouco melhor. Além disso, é importante que a gente forneça algumas informações baseadas em evidências, exatamente porque esse é um tema cercado de mitos e de desinformação.
Então, quando eu posso dizer pro meu paciente que a disfunção erétil dele não tem nada a ver com o consumo de pornografia dele, que não é isso que tá causando, quando eu consigo dizer pra parceira do meu paciente que ele não procura pornografia porque ela não tem o corpo ideal ou porque ela não transa com ele de um jeito que ele gosta, isso reduz sofrimento. Então, é muito importante a gente poder trazer informações baseadas em evidências e informações muitas vezes que a gente vai ter ouvindo o nosso próprio paciente, mas que às vezes em função das questões morais e dos discursos que são construídos a priori, às vezes a comunicação entre eles não é nem possível. Então, se esse paciente diz para essa parceira: "Olha, eu amo você, isso aqui não tem nada a ver com você".
Ela não acredita. E às vezes, talvez ouvindo de um profissional de saúde tem alguma chance de essa informação realmente conseguir produzir um efeito de acalmá-la, de fazer com que ela entenda qual é a real participação que ela tem naquela situação. E aí, como a gente vai saber se esse uso é problemático ou não?
Vamos aqui a algumas propostas de critérios que estão sendo estabelecidos pela ciência pra gente começar a entender o que que de fato precisa nortear o nosso raciocínio crime. Então, o primeiro é esse comportamento de consumir pornografia e se masturbar. Ele compromete as funções de vida diária desse paciente.
Ele tá deixando de trabalhar, ele tá deixando de estudar, ele não consegue dormir. Ele compromete muito tempo, muita energia com isso. É diferente de frequência.
Então, um paciente que faz isso três vezes ao dia, mas se isso não atrapalha, se ele trabalha em home office, por exemplo, se ele é um estudante e é alguma coisa que acontece ali, não atrapalha a vida dele, a gente não vai encaixar nesse critério. A gente precisa de um comprometimento das funções. O indivíduo não tá conseguindo fazer o que ele precisa fazer, porque ele está compulsivamente se engajando nesse comportamento.
Isso traz um sofrimento psíquico significativo e aqui retirando, né, todas as outras fontes de sofrimento que são confundidores. Se o sofrimento for só para incongruência moral, a gente vai entender que o tratamento vai por uma direção. Se o sofrimento for só por conta das questões relacionais, o tratamento vai numa outra direção.
Será que esse paciente tem um sofrimento psíquico importante? Será que o sofrimento dele vem de uma psicopatologia pregressa e aquele uso problemático de pornografia é só um sintoma, um olhar mais amplo de saúde mental também pode te ajudar aqui. Um outro aspecto pra gente observar é se esse paciente de alguma maneira se percebe perdendo o controle do impulso.
Isso é diferente de ele te dizer que já tentou parar e não conseguiu. Se aquele comportamento é parte de um ciclo compulsivo, é claro que quando ele tenta parar, ele não vai conseguir. Não é isso que você precisa observar.
O que você precisa observar é se ele sente que ele perde o controle sobre o comportamento, que quando ele olha ele já foi, que ele não sabe fazer de uma outra forma, que ele não consegue parar, mesmo que isso esteja gerando desconforto para ele. Se existe um ciclo compulsivo acontecendo. Um outro aspecto importante é se essa é a principal estratégia de regulação emocional desse paciente.
Então, a gente vai ver muitos dos comportamentos compulsivos associados à desregulação das emoções. E aí, aonde que você precisa tratar? não é tirar o comportamento, é ajudá-lo a regular a emoção.
E aqui pode ser com medicação, pode ser com psicoterapia, enfim, dependendo do caso, a gente vai ter as melhores intervenções. Mas não adianta a gente focar no comportamento em si, porque esse comportamento aqui, ele é só um sintoma de uma desregulação emocional maior. E aí a gente tentar tirar isso sem mexer na desregulação emocional não só vai ser ineficaz, como vai reforçar todo o ciclo da compulsão.
Um outro aspecto pra gente avaliar é o quanto de prejuízo que isso tá trazendo. E aí aqui a gente vai entrar nas questões da parcerias, nas questões muitas vezes do grupo social, um grupo mais religioso, por exemplo, um grupo mais conservador que vai entender que aquilo é uma quebra de regra importante, que aquilo é fala de uma fraqueza moral, enfim, muitas vezes esse paciente vai ter muito sofrimento em função das repercussões que aquilo tem no grupo social em que ele se insere. Ele pode ser expulso da família, ele pode perder o casamento, ele pode ser expulso da igreja dele.
Então é importante a gente separar uma coisa da outra aqui para que não fique tudo confuso. Porque muitas vezes o que os pacientes chegam pra gente é: "Tudo na minha vida desmoronou porque eu uso pornografia". E é verdade, mas você precisa saber para onde você vai direcionar o seu olhar quando você vai construir a sua intervenção para que ela seja realmente efetiva.
E aqui a gente vai precisar fazer intervenções muito personalizadas. Por isso que ter ferramentas que te permitam fazer uma boa análise funcional dessa queixa, te permita entender como é que aquilo se insere num contexto mais amplo das estratégias de regulação das emoções dele, como é que aquilo repercute no ambiente sociocultural dele. Tudo isso precisa ser personalizado para que a gente possa entender naquele contexto como é que a gente vai modificar esse cenário, como é que a gente vai quebrar o ciclo compulsivo.
Além disso, pode ser que a gente precise sim trabalhar em equipe multidisciplinar. Então, eu sou psicóloga. Se eu tô trabalhando com esse paciente em psicoterapia e observe que aqui não é uma terapia sexual, é uma psicoterapia, porque muitas vezes o que a gente vai ter é questão de saúde mental.
Então, se você não é um profissional de saúde mental e chega para você um paciente com vício em pornografia ou uso problemático de pornografia, tem muita chance que você precise de um profissional de saúde mental, porque na grande maioria das vezes a gente vai ter sim alguma coisa que passa por questões de saúde mental, muito mais do que por questões da sexualidade. Então, o consumo problemático de pornografia não é sobre sexo na grandissíssima maioria das vezes. E aí você vai ter que fazer os encaminhamentos adequados ou pra psicoterapia, às vezes até para um psiquiatra que vai ajudar a regulação das emoções através da medicação, o controle dos impulsos através da medicação.
Então, enfim, tem uma série de alternativas terapêuticas que a gente pode lançar a mão. Sim, o que eu quero deixar para vocês é a ideia de que esse tema é um tema que tá muito em alta. Então, chega muito paciente no nosso consultório com essa demanda e a gente precisa trabalhar com isso, com sensibilidade, conhecimento e ética.
Então, quando a gente consegue compreender todos os aspectos desse tema de uma forma científica, a gente consegue utilizar estratégias que são eficazes e baseadas em evidências para ajudar esses pacientes. Intervenções ineficazes aqui, elas podem ser muito danosas, porque imagina o paciente que tá indo e tá indo na terapia há 6 meses e tenta parar e não consegue. Por quê?
Porque você tá fazendo uma intervenção que é inadequada. Imagina a vida dele desmoronando nesses se meses porque você tá fazendo o tratamento numa direção errada. Então, é muito sério a gente realmente trilhar os caminhos que sejam adequados e científicos quando a gente trabalha com esse tipo de caso.
Se você deseja se aprofundar em como trabalhar com a sexualidade dos seus pacientes de uma forma científica e ética no seu consultório, eu tô aqui para ajudar. É só se inscrever aqui nesse canal e não perder nenhum vídeo.