Bem-vindos ao nosso canal no Youtube, nesse Falando nIsso de hoje, comentando o lançamento de um livro, que representa e sintetiza a produção de pesquisa do Laboratório de Teoria Social Filosofia e Psicanálise da USP, que eu coordeno ao lado do Vladimir Saflate e do Nelson da Silva Júnior. O livro se chama "Neoliberalismo como Gestão do Sofrimento". É um trabalho que pretende oferecer, assim, um campo de base para a gente definir, um pouquinho melhor, o que que é essa coisa chamada neoliberalismo, quais são os tipos, os subtipos?
É por isso que começa com uma arqueologia do sujeito moral na economia, passando então pelo Adan Smith, pelo Stuart Mill, passando pelos formuladores da perspectiva Liberal, até chegar à escola austríaca, ao Ordoliberalismo, às transformações aí da escola de Chicago, com o Milton Friedman, com o Gary Becker. Ou seja, a gente pretende então, oferecer uma espécie de História do problema, que possa funcionar tanto para psicólogos, quanto psicanalistas, quanto teóricos da cultura, mas também para as pessoas que tenham algum interesse nesse debate. Esse é um livro que tem uma tese, é uma tese simples, que é posta à prova, e que é a seguinte: o neoliberalismo se define, pensando nesse trajeto, como uma nova , ou como uma outra política para o sofrimento, para o sofrimento psíquico e para o sofrimento social.
Então a gente data aí, no caso, o neoliberalismo que a gente está levando em conta, em 1973, com a implantação, no Chile de Pinochet de um empresariamento de todos setores da sociedade, da cultura, os fundos de pensão, as Universidades no Chile, como um grande experimento, como um grande primeiro experimento. E a gente já nota que tem uma associação com o regime do Pinochet, um regime totalitário. Depois vem o neoliberdade de Margareth Thatcher, de Ronald Reagan, e isso se estabeleceu como um projecto global, né, quando a gente fala em globalização a gente tá falando em implantação dessa política de austeridade fiscal, né, de regulação do estado em relação a aconomia, que tipo de intervenção a gente tolera, de redução do Estado.
Na verdade uma redução assim, meio calculada, de como isso se vai se combinar com uma posição em relação à ecologia, em relação ao militarismo, em relação à uma série de contingências que, pro nosso interesse, vão ser analisadas a partir dessa ideia de que o neoliberalismo cria uma nova política para o sofrimento. Se o liberalismo, e nós estamos aqui fazendo uma separação um pouco arbitrária, se ele tentava proteger o trabalhador do sofrimento, porque o trabalhador que sofria podia parar uma linha de produção, ele podia gerar uma dificuldade de achar o outro, treinar o outro, então a gente tem todo um período de proteção ao trabalho,e esse período começa a desaparecer. Flexibilizações, desregulações, até a gente chegar nessa forma de trabalho precarizada, por projeto, ou um trabalho sem garantias e sem proteções.
E a gente acha "Ok" e "legal" que seja assim. Bom, o que a gente mostra ao final é que todos os processos de gerenciamento, de administração, os livros de marketing, eles estão ensinando as pessoas a produzirem sofrimento ao outro. Quer dizer, como vamos demitir 10% das pessoas independente do resultado, que que isso gera?
Paranoia. O quê que isso gera? Medo.