Módulo 7 aula 17 Já falamos bastante sobre ensino em tentativas discretas. E o ensino em tentativas discretas, ele é baseado em apresentar tentativas que, às vezes, a gente vai chamar de demandas, são os SDs que nós fazemos em cada uma das tentativas, para que o cliente cumpra, ou seja, para que o cliente responda a esses SDs ou a essas demandas. As demandas são importantes, porque elas permitem que a gente ensine novas habilidades, por exemplo, diferenciar um animal do outro, conseguir identificar animais e tantas outras coisas que a gente faz, solicitando ao cliente que cumpra demandas.
Também nos permite identificar comportamentos alvo, quando essas demandas são colocadas em contextos de avaliação, quando a gente quer avaliar habilidades atuais do cliente, a gente coloca demandas, pede que ele faça algumas coisas e verifica se ele dá conta de fazer, se ele já tem aquela habilidade ou se é uma habilidade que precisa ser desenvolvida, numa atividade de desenvolvimento, de habilidade, de ensino. Também nos permite coletar dados sobre desenvolvimento do cliente, então a gente coloca a demanda, vê se o cliente responde ou não e coleta esses dados, registra se esse cliente conseguiu responder corretamente ou não aquela demanda. Devido a fatores como esses, as demandas são componentes muito importantes num programa de intervenção.
No entanto, alguns clientes podem apresentar comportamentos que podem ter a função de evitar ou fugir dessas demandas que os terapeutas colocam. Essa é uma questão muito importante para nós. A gente não quer que o cliente fuja dessas demandas, evite essas demandas ou essas atividades.
Esses são comportamentos que podem ser de fuga ou de esquiva das demandas e eles podem ocorrer por algumas razões. Uma dessas razões é o excesso de demandas, quando a gente pede muitas atividades, um volume muito grande de atividades. Outra razão é a dificuldade em realizar essas tarefas.
Às vezes essas tarefas incluídas, as demandas são muito difíceis e uma criança, um cliente pode evitar cumprir, fugir ou evitar as tarefas porque considera essas tarefas muito difíceis. Uma terceira possibilidade é que haja déficits em habilidades do próprio indivíduo. Então esse indivíduo, esse cliente, pode não ter os pré-requisitos necessários para cumprir ou para se engajar nessa atividade.
Às vezes, a gente vai precisar desenvolver algumas habilidades que são pré-requisitos para que esse cliente participe nas atividades e possa cumprir as demandas. Um ponto importante desse tipo de comportamento que é fugir das demandas é que ele é mantido por reforçamento negativo. Nós já vimos lá as contingências de reforçamento, ou seja, o cliente vai ter uma maior probabilidade de continuar emitindo esses comportamentos, por exemplo, correr da mesa de atividades ou correr do próprio terapeuta, sair da mesa de atividades em alguns casos, e até ter comportamentos autolesivos, porque esses comportamentos encerram o contato com uma condição aversiva no ambiente, que nesse caso é algum aspecto das tarefas.
Então o que acontece é que esses comportamentos de fugir da tarefa, evitar a tarefa, às vezes até algum comportamento disruptivo de jogar os materiais de ensino no chão, é mantido ou pode ser mantido por evitar fazer a tarefa ou conseguir ter sucesso em fugir dessa tarefa. Para identificar a função desse comportamento é necessário fazer uma avaliação funcional. A gente vai falar sobre isso no próximo módulo, no módulo 8.
No entanto, alguns procedimentos podem ajudar a contornar ou até mesmo evitar essas dificuldades. Quando a fuga da tarefa acontece por excesso de demanda, o que é recomendado fazer? Reduzir a demanda e depois a gente vai aumentar essa demanda gradualmente.
Então eu diminuo o tempo de atividades ou reduzo o ritmo de apresentação de tentativas, isso é o que a gente chama de redução de demandas. Então eu devo calcular quantas tentativas, por quanto tempo eu vou fazer o ensino em tentativas discretas, para evitar que esse cliente tenha esses comportamentos que sejam fugir ou evitar as demandas. Na redução de demandas nós podemos criar critérios para reduzir essas demandas e garantir com que o cliente consiga cumprir com essas demandas.
Por exemplo, eu poderia colocar um critério para encerrar as tentativas discretas, uma sessão estruturada com base na quantidade de demandas ou de blocos de tentativas sem ter o comportamento de fuga. Então numa primeira situação em que eu estou reduzindo as demandas eu poderia estabelecer o critério de fazer um intervalo dessas sessões de tentativas discretas ao final de um bloco de atividades sem que o cliente tenha um comportamento de fuga. Então eu faço um bloco de atividades, poucas tentativas sem um comportamento de fuga e aí esse cliente tem um intervalo.
Uma vez que eu preciso aumentar gradualmente a quantidade de atividades, então o próximo passo seria utilizar como critério o cliente cumprir dois blocos de atividades sem o comportamento de fuga e assim por diante. Eu posso aumentar gradualmente os blocos de atividades ou blocos de tentativas que eu vou propor antes de encerrar aquela sessão de tentativas discretas, e ir para um intervalo no qual o cliente pode escolher o que ele quer brincar com a atividade que ele quer fazer. Então a redução de demandas envolve isso, reduzir a quantidade de atividades, propor intervalos e de preferência só encerrar essa sessão de atividades estruturadas quando esse critério acabar e não quando o cliente tiver um comportamento de fuga.
O ideal é a gente conseguir encerrar a sessão sem que o cliente tenha um comportamento de fuga da atividade. Isso é o ideal, porque nós estamos ensinando para ele que a gente está respeitando um tempo pequeno de atividades, de engajamento dele e que o que encerra a atividade não é o comportamento de fuga dele, mas é o tempo determinado para aquelas atividades. Uma variação desse procedimento pode envolver uma sequência em duas etapas.
Então após finalizar um bloco de atividades, um cartão contendo uma palavra, por exemplo, intervalo ou uma imagem que represente esse intervalo é apresentado. Se o cliente tocar o cartão, a atividade pode ser interrompida imediatamente e ele vai para o intervalo. Então eu teria um tempo mínimo sem a apresentação do cartão e depois desse tempo mínimo eu coloco o cartão sobre a mesa e caso o cliente toque nesse cartão ele pode pedir pelo intervalo e aí nós vamos interromper a tarefa.
Isso é uma estratégia interessante porque ao invés de ele fugir da atividade, interromper a atividade, tendo um comportamento desafiador, que nós falaremos um pouco mais no próximo módulo, ele vai ter um comportamento que é socialmente mais aceitável, mais interessante, que é pedir pelo intervalo tocando nesse cartão. Então ele vai conseguir interromper a atividade, mas ele não vai precisar fugir, ter um comportamento desafiador, levantando da mesa e saindo correndo, ele vai conseguir interromper a atividade tendo esse comportamento simples que é tocar nesse cartão. As demandas são gradualmente aumentadas para que o cliente tenha acesso ao cartão de intervalo, mas esperando um pouco mais para pedir esse intervalo.
Um pouco parecido com essa estratégia que nós acabamos de ver é ensinar uma resposta alternativa. Então se o comportamento de fuga tem a função de interromper a apresentação de demandas, nós podemos reforçar diferencialmente respostas alternativas que produzam o mesmo resultado do que levantar da cadeira, por exemplo. Nós podemos ensinar o cliente a pedir por um intervalo.
Ele pode aprender a dizer pausa ou dizer intervalo, ou mesmo aquela estratégia do cartão que nós falamos anteriormente. Então colocar, tocar um cartão disponível sobre a mesa e pedir assim um intervalo. Ensinar essa resposta alternativa, pode ser que o cliente passe a pedir pelo intervalo e ele pode acabar pedindo logo no começo da sessão.
Se nós estamos ensinando essa estratégia agora, a gente vai disponibilizar o cartão logo imediatamente, ele vai pedir e aos poucos a gente vai atrasar esse pedido, vai reforçar esse pedido, mas com algum atraso. Fala, olha, você pode ter uma pausa, mas antes a gente tem que fazer uma atividade. E gradualmente a gente vai aumentando também o número de atividades, mas ele sempre vai poder pedir pela pausa e às vezes a gente começa a reforçar depois de um minuto, dois minutos em atividades e gradualmente a gente vai aumentando também.
Então nesses casos a gente deve estabelecer critérios mínimos para finalizar a atividade para que o pedido seja reforçado. A gente pode implementar esse atraso, que significa que o pedido por intervalo ele é reconhecido, então a gente vai dizer, ah, tudo bem, eu sei que você está querendo um intervalo, mas o terapeuta vai informar que ele vai precisar aguardar um pouco mais de tempo para ter esse intervalo e a gente pode usar também alguns recursos visuais interessantes. Por exemplo, existem timers, esses contadores de tempo, regressivos e alguns deles são visuais.
Existem alguns recursos assim que você pode colocar sobre a mesa, por exemplo, você quer uma pausa, tudo bem, então nós vamos precisar fazer um pouco de atividade por mais um minuto, quando esse timer chegar no final, a gente vai poder ter a pausa que você pediu. Então a gente faz um atraso do reforçamento e a gente também vai aumentando o tempo e esse atraso entre as sessões de intervenção. Existem alguns timers que são em aplicativos de celulares que são interessantes porque o cliente pode ir acompanhando visualmente a passagem do tempo, e aí ele pode ter um pouco mais de previsão de quando é que o intervalo vai chegar.