O que que significa eh descobrir a própria sexualidade? Assim, quais são os âmbitos que isso ataca >> no descobrir a própria sexualidade? Aí a gente entra até no caminho de falar de uma coisa que aparece muito no meu consultório, que é a pornografia.
Eh, os homens acham que eles podem, que eles vão aprender sobre sexualidade na pornografia. Só que a pornografia ela nunca se propôs ser escola para É. E ela nunca se propôs a ser escola para ninguém.
A questão é que a falta de espaço para se conversar sobre isso e a urgência que acontece, a vontade que as adolescência pré paraadolescência, hormônios sexuais secretam, o despertar sexual que o jovem tem e ele não tem onde falar, ele vai acabar buscando na pornografia. Então, a questão da pornografia, ela acaba, não se sabe ainda se a pornografia molda crenças nos homens que vão interferir na forma como eles interpretam a sexualidade ou se a pornografia só reforça essas crenças que ele já tem sobre mulher, sobre sexualidade. Mas a questão é que pro homem melhorar a relação com a própria sexualidade, eles têm que parar de performar.
Eles e e muito dessa ideia dessa escola de performance eles encontram na pornografia. Porque a pornografia é um filme, sim. É uma performance, é um lugar onde pessoas estão o quê?
Atuando. Tem um set de filmagem, existe um roteiro, um começo e meio e fim. Aquilo é uma performance.
E acontece que o sujeito chega no meu consultório entendendo que ele precisa fazer na vida real aquilo que ele aprendeu no filme. Então, muito de uma vivência, é esse o problema. E aí, como ela não tem conhecimento, as pessoas começam a performar.
Eu não tenho onde aprender, então eu vou olhar para aquilo e eu vou tentar reproduzir, porque na realidade eu tenho medo de transar. As pessoas têm medo da sexualidade. As pessoas têm medo porque E aí veja, olha a construção que é.
Quando eu vou transar com alguém, eu vou com medo. Eu sempre vou com medo de não ser bom pro outro. Eu vou com medo de ser criticado pelo outro.
Eu vou pra cama com medo de decepcionar o outro. Então, começar um contexto sexual com medo. Onde tem medo, o que que eu vou ter ali?
Muita insegurança. Onde tem medo, tem muita insegurança. E onde tiver insegurança, vai faltar prazer.
Se eu estou ansioso, se eu estou preocupado, se eu tô tenso, porque medo tem muito a ver com tensão. Acho que a melhor palavra é essa, tensão. Acho que >> Aham.
Se eu tô indo tenso, eu não tô indo com prazer. E se eu não tô no encontro sexual sentindo prazer, o que que eu tô fazendo? Eu tô atrapalhando a minha fisiologia.
Porque existe uma fisiologia para que a resposta sexual aconteça, para que aquela ereção apareça, para que aquela lubrificação numa mulher aconteça. Acontecem coisas dentro da gente que a gente pode chamar de fisiologia que facilita aquela resposta sexual. O sexo ele tem um roteiro, ele tem um um momento, um ponto de desejo, tem um momento onde eu me excito, eu me excito, me excito, me excito, eu tenho o orgasmo e eu relaxo.
Então, se a gente fosse colocar o sexo num gráfico, seria uma parábola, onde aquele desejo vai aumentando, aumentando, aumentando, tem o ápice e o orgasmo e eu relaxo. Para que isso aconteça, existe uma fisiologia por trás, que é para que aquilo aconteça. No entanto, quando isso não acontece, quando eu atrapalho esse percurso, vem essa sensação, essa coisa do de uma ideia que a gente acreditou de uma certa falta de controle dessa fisiologia.
Existe essa fisiologia que acontece. Coisas precisam acontecer no meu corpo para eu ter uma resposta sexual. No entanto, eu tô lá tenso, atrapalhando esse processo.
Que que eu vou fazer quando eu sinto medo? Eu vou performar. Aí as pessoas começam se munir de estratégias que são falhas.
Te dou um abecedário disso. Então, quando diante de uma situação sexual eu tenho medo, que que eu vou fazer? Eu vou usar álcool para eu relaxar, porque eu não tenho controle do meu corpo.
É muito essa ideia do essa crença que a gente tem. É uma mentira que a gente repeti um monte de de uma certa autonomia do Paulo. Pegaram?
Você já deve ter ouvido falar essa coisa de que não, porque eu tenho duas cabeças, porque ele tem vontade própria, porque eu quero, mas aqui não quer. Gente, não existe isso. Não existe essa falta de controle.
Só que a gente repetiu tanto essa mentira de que não existe um controle da minha região genital, que se eu não tenho controle, eu tô entregue à sorte, eu vou tentar fazer coisas, eu vou usar álcool para eu relaxar, eu vou usar as boletinha lá para eu ter desempenho. Muitas mulheres elas vão comprar cursos. Eu vou comprar curso de como eu faço isso.
Mulheres compram curso de como rebolar bonito pro cara. Eu vou definir uma frequência pra gente transar. A gente precisa fazer tantas vezes por semana.
Eu vou fazer estímulos inadequados. Eu vou usar de violência. Eu vou fingir que aquilo tá sendo muito excitante, eu vou fazer penetrações vigorosas porque eu vi no filme que é isso que funciona.
Eu vou fingir orgasmo, eu vou fingir gemidos. Nada disso conversa com a única coisa que você precisa, que é ter prazer. Entrar na situação sexual sentindo prazer.
É só isso que você precisa, seria o gatilho pra sua fisiologia acontecer. Porque esse processo de excitação, eu preciso estar excitado para que eu consiga ter um orgasmo e relaxar. Esse processo ele começa de algum lugar.
E o que geralmente estarta a tua fisiologia é um fator psicológico. Vai ser um estado emocional que não deve ser medo, que não deve ser tensão, que não deve ser nada negativo. Vai ser um pensamento, cara.
Você entrar numa situação sexual e se eu falhar? E se eu não tiver? E se eu brochar?
Meu amigo, eu garanto que você vai brochar. Eu garanto que a ejaculação vai vir antes. Por quê?
Porque o estado emocional que você entra na situação sexual é de tensão e onde tem tensão não tem prazer. Então, como que os homens poderiam melhorar a relação com a própria sexualidade? abrindo mão de performance e investindo em autoconhecimento.
E aí muitas vezes entra a terapia para ajudar o sujeito a olhar para essa parte para que ele consiga lidar melhor com a própria sexualidade. Não é uma, não é um tutorial que ele vai encontrar na pornografia, não. É a forma como ele se relaciona com ele mesmo.
É muitas vezes o homem falando sobre como ele tá se sentindo. Então, o processo de terapia ajuda o sujeito a localizar para ele aonde dói, o que que tá incomodando, por que que ele está performando, ele se conhecer, conhecer a sua fisiologia, conhecer os seus gatilhos psicológicos para que ele consiga ter uma resposta sexual saudável e satisfatória.