Vidas Secas romance de Graciliano Ramos diretor de dublagem Gustavo Lisboa Capítulo 11 o soldado Amarelo Fabiano meteu-se na Vereda que ia desembocar na Lagoa Seca torrada coberta de catingueiras e capões de mato e apesar muitosláteros e chocalhos pendurados num braço o facão batia nos tocos espiava o chão como de costume decifrando rastos conheceu-os da égua russa e da cria marcas de cascos grandes e pequenos a égua russa com certeza deixará pelos brancos num tronco de Angico urinária na areia e o mijo desmanchar as pegadas o que não aconteceria se se tratasse de um cavalo Fabiano
ia desprecatado observando esses sinais e outros que se cruzavam de viventes menores corcunda parecia farejar o solo e a catinga Deserta animava-se os bichos que ali tinham passado voltavam apareciam ali diante dos olhos Miúdos seguiu a direção que a égua havia tomado andar a cerca de sem braços quando o cabresto de cabelo que trazia no ombro show não pede equipar desembaraçou o cabresto puxou o facão Posse a cortar as que paz e as palmatórias que interrompiam a passagem tinha feito um estrago feio a terra se cobria de Palmas espinhosas deteve-se percebendo rumor de garranchos voltou-se
e deu de cara com o soldado amarelo que um ano antes o levará a cadeia onde ele aguentar uma surra e passaram a noite baixou a arma aquilo durou um segundo menos durou uma fração de segundo se houvesse durado mais tempo o amarelo teria caído esperneando na poeira com o kengo rachado como o impulso que moveu o braço de Fabiano foi muito forte o gesto que ele fez teria sido bastante para um homicídio se outro impulso não lhe dirige-se o braço em sentido contrário a lâmina parou de chofre junto a cabeça do intruso bem em
cima do boné vermelho a princípio o vaqueiro não compreendeu nada viu apenas que estava ali um inimigo de repente notou que aquilo era um homem e coisa mais grave uma autoridade sentiu um choque violento deteve-se o braço ficou insoluto bambu inclinando-se para um lado e para outro o soldado Magrinho enfezadinho tremia e Fabiano Tinha vontade de levantar o facão de novo Tinha vontade mas os músculos afrouxavam realmente não quiseram matar um cristão proceder a como quando a montar brabo evitava Galhos e Espinhos ignorava os movimentos que fazia na cela alguma coisa O empurrava para a
direita ou para a esquerda era essa coisa que ia partindo a cabeça do amarelo se ela tivesse demorado um minuto Fabiano seria um cabra Valente não demorar a certeza do perigo surgira e ele estava indeciso de olho arregalado respirando com dificuldade um espanto verdadeiro no rosto barbudo coberto de suor o cabo do Facão mal seguro entre os dois dedos úmidos tinha medo e repetia que estava em perigo mas isto lhe pareceu tão absurdo que se pôs a rir medo daquilo nunca vira uma pessoa tremer assim cachorro ele não era Dunga na cidade não pisava os
pés dos matutos na feira não botava a gente na cadeia sem vergonha no fino irritou-se Porque seria que aquele safado batia os dentes como um Caititu não via que ele era incapaz de vingar-se não via fechou a cara a ideia do perigo ia se sumindo que perigo contra aquilo nem precisava facão bastavam as unhas agitando chocalhos e os látegos chegou a mão esquerda grossa e cabeluda a cara do polícia que recuou e se encostou a uma Catingueira se não fosse a Catingueira O Infeliz teria caído Fabiano pregou nele os olhos ensanguentados meteu o facão na
bainha podia matá-lo com as unhas lembrou-se da surra que levara e da noite passada na cadeia sim senhor ganhava dinheiro para maltratar as criaturas inofensivas estava certo o rosto de Fabiano contraria-se medonho mas feio que um focinho hein estava certo bullir com as pessoas que não fazem mal a ninguém por quê sufocava-se as rugas da testa aprofundavam-se Os Pequenos olhos azuis abriram-se demais numa interrogação dolorosa o soldado encolhia-se escondia-se por detrás da árvore e Fabiano crava as unhas nas palmas calosas desejava ficar cego outra vez impossível readquirir aquele instante de inconsciência repetia que a arma
era desnecessária mas tinha a certeza de que não conseguiria utilizá-la e apenas queria enganar-se durante um minuto a cólera que sentia por se considerar impotente foi tão grande que recuperou a força e avançou para o inimigo a raiva cessou os dedos que feriam a palma desserraram-se e Fabiano está com desajeitado como um pato o corpo amolecido amolecido grudando-se a Catingueira o soldado apresentava apenas um braço uma perna e um pedaço da cara mas esta banda de homem começava a crescer ao és olhos do Vaqueiro e a outra parte aqui estava escondida devia ser maior Fabiano
tentou afastar a ideia absurda como a gente pensa coisas bestas alguns minutos antes não pensava em nada mas agora suava frio e tinha lembranças insuportáveis eram sujeito Violento de coração perto da goela não era um cabra que se arreilhava algumas vezes e quando isso acontecia sempre se dava mal Naquela tarde por exemplo se não tivesse perdido a paciência e xingado a mãe da autoridade não teria dormido na cadeia depois de aguentar zinco no lombo dois excomungados tinham lhe caído em cima um ferro bateram ali no peito outro nas costas ele se arrastar te irritando como
um frango molhado tudo porque sustentar e disseram uma palavra inconsideradamente falta de criação tinha la culpa o sarapatel se formara o cabo abrir a caminho entre os feirantes que se apertavam em redor toca para frente depois surra e cadeia por causa de uma tolice ele Fabiano tinha sido provocado tinha ou não tinha salto de reúna em cima da alpercata em pacientar assim largar o palavrão natural xingar a mãe de uma pessoa não vale nada porque todo mundo vê logo que a gente não tenha intenção de maltratar ninguém um ditério sem importância o amarelo Devia saber
isso não sabia sair assim com quatro pedras na mão apitar e Fabiano comera da Banda Podre desafasta de um passo para Catingueira se ele gritasse agora desafasta que faria o polícia não se afastaria ficaria colado ao pé de pau uma lazer a gente podia xingar a mãe dele mas então Fabiano estirava o beiço e rosnava aquela coisa arriada e achacada metia as pessoas na cadeia dava-lhe surra não entendia se fosse uma criatura de saúde e muque estava certo enfim apanhar do governo não é desfeita e Fabiano até sentiria orgulho ao recordar-se da Aventura mas aquilo
soltou uns gruídos por que motivo o governo aproveitava a gente assim só se ele tinha receio de empregar tipos direitos aquela cambada Só servia para morder as pessoas inofensivas ele Fabiano seria tão ruim se andasse fardado iria pisar os pés dos trabalhadores e dar pancada neles não iria aproximou-se lento fez uma volta achou-se em frente do polícia que embas bacon apoiado ao tronco a pistola e o punhal inúteis esperou que ele se mexesse era uma laseira certamente mas vestia a farda e não ia ficar assim os olhos arregalados os beiços brancos os dentes chocalhando como
birros e abater o pé gritar levantar a espinha e o salto da reúna em cima da alpercata desejava que ele fizesse isso a ideia de ter sido insultado preso moído por uma criatura morfina era insuportável mirava-se naquela covardia via-se mais lastimoso e miserável que o outro baixou a cabeça coçou os pelos ruivos do queixo se o soldado não puxasse o facão não gritasse ele Fabiano seriam vivente muito desgraçado devia sujeitar-se aquela tremura aquela amarelidão era um bicho resistente calejado tinha nervo queria brigar meteras em espalhafatos e saída de crista levantada recordou-se de lutas antigas em
danças com fêmea e cachaça uma vez de lambedeira em punho espalhará negrada Aí sim a Vitória começará a gostar dele sempre fora reimoso iria esfriando como a idade quantos anos teria ignorava mas certamente envelhecia e fraquejava se possuísse espelhos veria e cabelos brancos arruinado um caco não sentirá a transformação mas estava se acabando o suor umedeceu-lhe as mãos duras então suando com medo de uma peste que se escondia tremendo não era uma infelicidade Grande a maior das infelicidades provavelmente não se esquentaria nunca mais Passaria o resto da vida a Simone e ronceiro como a gente
muda era estava mudado outro indivíduo muito diferente do Fabiano que levantava poeira nas salas de dança um Fabiano bom para aguentar facão no lombo e dormir na cadeia virou a cara enxergou o facão de Rastro aquilo nem era facão não servia para nada ora não servia Quem disse que não servia era um facão verdadeiro sim senhor mover assim como um raio cortando Palmas de que pá e estiver a pique de rachar o quengo de um sem vergonha agora dormia na bainha rota era um troço inútil mas tinha sido uma arma se aquela coisa tivesse durado
mais segundo o polícia estaria morto imaginou assim caído as pernas abertas os bugalhos apavorados um fio de sangue em pastando-lhe os cabelos formando um Riacho entre os seixos da Vereda muito bem e arrastá-lo para dentro da Caatinga entregá-lo ao S urubus e não sentiria remorso dormiria com a mulher sossegado na cama de varas depois gritaria a oeste meninos que precisavam criação eram um homem evidentemente aprumou-se fixou os olhos nos olhos do polícia que se desviaram um homem besteira pensar que ia ficar murcho o resto da vida estava acabado não estava mas para que suprimir aquele
doente que bambeava e só queria ir para baixo e não utilizar-se por causa de uma fraqueza fardada que vadiava na feira e insultava os pobres não se inutilizava não valia a pena inutilizar-se guardava sua força vacilou e coçou a testa havia muitos bichinhos assim ruins havia um horror de bichinhos assim fracos e ruins afastou-se inquieto vendo a canalhado e ordeiro o soldado ganhou coragem avançou pisou firme perguntou o caminho e Fabiano tirou o chapéu de couro governo é governo tirou o chapéu de couro curvou-se e ensinou o caminho ao soldado Amarelo