antes de começar um aviso essa série tem relatos de violência sexual sofrimento psíquico e morte que podem ser um gatilho tem uma casa no centro de Campo Grande a capital do Mato Grosso do Sul que chama a atenção ela tá pichada sem enfiação com janelas estilhaçadas e paredes quebradas os resquícios do que funcionava ali fisgam os olhos as casas vizinhas são todas baixas e aquele imóvel destoa por ter dois andares o telhado extrapola o topo da casa e cria uma moldura para ela o que sobrou de um piso de mármore deixa o prédio ainda mais imponente as Palmeiras e outras plantas altas que estão dispostas no Jardim camuflam o primeiro andar os muros largos e inclinados dobram a esquina e fazem a casa parecer um [Música] forte entre 1989 e 2007 Esse foi o endereço da clínica de planejamento familiar da médica neade Motta Machado milhares de mulheres entraram ali atrás de um procedimento comum no Brasil o aborto a pesquisa Nacional de aborto de 2021 principal referência sobre o tema mostrou que uma em cada Sete Mulheres de até 40 anos já interrompeu pelo menos uma gravidez o aborto é crime no Brasil na maioria dos casos Campo Grande a clínica da neid Mota operava na clandestinidade mas não em segredo o bairro do Amambaí era a principal região de serviços de Campo Grande quando a clínica Começou a funcionar o acesso a ela era fácil há poucos quarteirões da casa ficava a principal rodoviária da cidade hoje desativada Iam até lá em busca de abortos pedagogas esteticistas funcionárias públicas faxineiras estudantes algumas eram católicas praticantes já tinham filhos algumas teriam direito a abortos legais como em casos de estupro mas escolham uma solução rápida e sigilosa nas mãos da médica neade a polícia de Campo Grande sabia qual era o serviço prestado na clínica A neade já tinha sido processada duas vezes por fazer abortos e nas duas vezes os casos foram arquivados era um arranjo delicado mas que se Manteve por quase 20 anos até que um dia esse acordo silencioso entre a clínica e a sociedade de Campo Grande foi [Música] rompido a questão do aborto que o jornal da globo aborda hoje em duas reportagens torna-se ainda mais visível diante da atividade de clínicas que facilitam a interrupção da gravidez o no dia 10 de abril de 2007 uma terça-feira a Globo exibiu em rede nacional uma reportagem sobre a clínica da neade dois jornalistas foram até lá com uma câmera escondida simulando estar em busca de um aborto a reportagem desencadeou uma operação policial três dias depois que o vídeo foi ao ar a polícia entrou na clínica nós chegamos lá pela manhã e a a clínica estava com eh não tinha mais ninguém na clínica Tinha alguns documentos que foram mexidos ali Como que como de alguém que saiu as pressas Essa é a delegada Regina Márcia Brito A equipe que ela comandava tinha uns 10 policiais um vigia estava sozinho no portão da casa quando eles chegaram a essa altura os policiais não esperavam encontrar muitas provas dos abortos clandestinos a equipe médica tinha tido três dias entre a reportagem e a operação para tirar dali o que quisesse a clínica da neade funcionava como qualquer consultório quando as pacientes chegavam elas primeiro abri um prontuário uma ficha a primeira estava entre na porta L logo na entrada é como se fosse um balcão e a ficha estava sobre o balcão sabe algumas fichas assim umas umas quatro ou cinco fichas recent papel tava bem recente ainda sobre o balcão entre esse balcão que iria pra sala da médica e e ali pro pro setor de atendimento no canto esquerdo de cada um desses papéis estava impresso o logo da Clínica três bonequinhos bem simples aqueles quase de palitinho que formavam uma família com dois adultos e uma criança no centro os prontuários tinham informações básicas das pacientes nome sobrenome idade tempo de gestação mas também tinham descrições minuciosas de quem eram aquelas mulheres e do que elas foram fazer ali as fichas apontavam a motivação para interromper a gravidez as datas de entrada e saída das pacientes os remédios e os procedimentos escolhidos imagens de ultrassom e resultados de curetagem foram grampeados em várias delas as fichas não tentavam esconder e nem maquiar qual era o procedimento que as mulheres iam fazer na clínica todo tudo que a gente precisava ali para formalizar o inquérito policial para materializar estava tudo ali a polícia não encontrou só as quatro cinco fichas que a Regina Márcia mencionou nas salas da Clínica os armários estavam ados de papéis os policiais deixaram a casa com caixas e Caixas e caixas de prontuários eram 9896 fichas que esmam duas décadas de atendimento da Clínica e que se tornaram o centro do maior processo judicial sobre aborto de que se tem notícia no [Música] Brasil eu sou Angela boldr eu sou mora e esse é o caso das 10. 000 podcast da folha que conta a história de 10. 000 mulheres de um acordo velado entre uma médica e uma cidade e de como o aborto virou o centro de uma disputa política no Brasil que dura até [Música] hoje Episódio um a clínica na primeira semana de março de 2007 uma equipe da TV Morena a afiliada da Rede Globo em Mato Grosso do Sul alugou uma microcâmera A ideia era usar o equipamento que serve para fazer gravações escondidas para investigar um caso de corrupção em Campo Grande a investigação não rendeu mas como o dinheiro com o equipamento já tinha sido gasto os jornalistas se reuniram para decidir o que fazer com a câmera uma das editoras falou assim olha por que vocês não vão naquela clínica de aborto todo mundo sabe que tem aquele lugar ninguém nunca fez matéria ninguém nunca mostrou aquilo lá por que vocês não pegam essa câmera escondida e vão lá esse é um trecho da transcrição de uma entrevista que a jornalista Ana Raquel copet deu sobre o caso em 2011 Foi ela que entrou na clínica com a câmera fingindo que tava grávida a voz que leu esse depoimento é da repórter da folha Isabela Menon a Ana Raquel não topou conversar com a gente a jornalista da Globo contou a pesquisadora Emília Juliana Ferreira que alguns colegas ficaram com receio da pauta mas que ela e e outro repórter abraçaram a história eu marquei a consulta pro dia seguinte de manhã e a gente foi a gente foi assim meio no susto sem na verdade pensar o tamanho da coisa que a gente ia [Música] descobrir ela e o produtor William Santos Entraram na clínica como um casal querendo interromper uma gravidez eles abriram o prontuário e pagaram r$ 0 pela consulta com a psicóloga da clínica que fazia a agem das pacientes a gente procurou o William através da TV Globo mas nós não tivemos resposta a gente ficou um pouquinho apavorado com tudo que a gente tinha na mão e aí sim nós paramos e pensamos no tamanho do reflexo que a gente ia criar quando colocasse aquilo no ar um terceiro jornalista entrou na produção do material o repórter Honório jacometo ele também não topou conversar com a gente na época o Honório disse à polícia que eles receberam uma ligação da sede da emissora um mês depois da visita Clínica o jornal da globo que vai ao ar no fim da noite em rede nacional queria exibir a reportagem a gente procurou a assessoria de imprensa da Globo para saber mais sobre a produção da reportagem E se eles queriam comentar a repercussão do caso a emissora não respondeu até a conclusão desse Episódio em 2007 a discussão sobre o aborto tava particularmente quente o jornal decidiu exibir a reportagem naquele dia por causa de dois acontecimentos Portugal tinha sancionado a lei de descriminalização do aborto e uma mulher tinha morrido em Belém no Pará por complicações de um procedimento clandestino a reportagem de Campo Grande começava mostrando a clínica à noite e o letreiro luminoso da porta com o logotipo e o nome da médica a clínica funciona no Centro de Campo Grande a placa na fachada anuncia um serviço de planejamento familiar a câmera escondida mostra os corredores e a sala da psicóloga ela atende os repórteres e dá informações sobre como seria feito o aborto a funcionária diz que as pessoas são contra o procedimento até terem que fazer um e continua numa conversa sobre como é o atendimento na clínica as imagens do consultório são interrompidas e o repórter Honório jacometo Fala com a dona da Clínica sobre os abortos clandestinos que acontecem ali imediatamente o vídeo começou a repercutir entre as autoridades de Campo Grande e foi determinante pra Polícia já havia investigação na Polícia Civil em relação à Clínica Essa é de novo a delegada Regina Márcia mas até aquele momento a gente não tinha uma prova tão concreta como aquele áudio que e aquele vídeo que nos foi encaminhado o fato de a clínica fazer abortos não era novidade pra polícia não era a primeira nem a segunda nem a terceira vez que chegava uma denúncia sobre o consultório na delegacia elas vinham através de telefone elas vinham através de de cartas de informações assim por carta mesmo por documento nesse sentido mas não nenhuma dessas denúncias tinha vindo com provas Sim era era era mais uma um ouvir falar sabe tomamos conhecimento que ali a clínica de aborto a gente tem conhecimento que ela é clínica de aborto mas não tinha nada formalizado com a reportagem da Globo a polícia passou a ter material concreto para agir contra a clínica mais do que isso com o tamanho da repercussão a equipe foi pressionada a levar o caso adiante com agilidade a pressão vinha em parte da sociedade civil mas principalmente da política em poucos dias o caso deixou de ser uma história local de Mato Grosso do [Música] Sul a denúncia da clínica de planejamento familiar onde se faziam abortos clandestinos virou peça de um xadrez político nacional [Música] no ano do estouro da Clínica a disputa política entre os grupos pró e contra a legalização do aborto estava numa tensão crescente em março O Senado começou a discutir uma proposta de plebiscito sobre a interrupção voluntária da gravidez o projeto previa que a população fosse às urnas para decidir sobre o assunto e o ministro da saúde da época o José Gomes temporão era um dos Defensores da ideia todos os países que adotaram essa polí houve na realidade uma brutal redução do número de abortos né ou seja essa questão ela tem que ser discutida dentro de uma questão mais Ampla de educação sexual informação e planejamento familiar só existiam dois casos para aborto legal em 2007 o de uma gravidez que fosse resultado de estupro ou quando ela impusesse risco de vida pra gestante em 2012 o Supremo Tribunal Federal adicionaria mais uma condicionante em casos de anencefalia do feto a folha publicou uma entrevista com temporão o ministro da saúde no dia 9 de abril de 2007 ou seja um dia antes de a reportagem sobre a clínica de planejamento familiar aparecer na Globo uma pesquisa da taa folha tinha acabado de mostrar que 65% dos brasileiros eram contra mudanças na lei sobre o aborto o ministro disse que o resultado não surpreendia porque a sociedade brasileira nas palavras dele sempre debateu o tema de maneira superficial e num contexto moral filosófico ou religioso o presidente Lula tinha acabado de começar o segundo mandato e dizia que o governo não ia elaborar nenhum projeto sobre aborto e afirmou também naquele ano que pessoalmente não era a favor da interrupção voluntária da gravidez eu tenho um comportamento como cidadão sou contra o aborto e não acredito que tenha uma mulher neste país que seja favorável ao aborto sabe como se o aborto fosse uma coisa que as pessoas quisessem fazer porque querem fazer agora como chefe de estado eu sou favorável que o aborto seja tratado como uma questão de saúde [Música] pública mesmo se posicionando contra do ponto de vista individual o Lula tava ecoando o discurso do temporão tratar o aborto como uma questão de saúde significava se afastar por exemplo da discussão sobre o direito do feto à vida e também significava admitir que mesmo o aborto sendo ilegal mulheres estavam abortando e às vezes morrendo em procedimentos precários o Brasil nunca tinha discutido tão abertamente essa questão com ministros parlamentares e o próprio Presidente trazendo o assunto pra mesa isso era comemorado por movimentos sociais e feministas mas rapidamente veio um contra-ataque de políticos conservadores e religiosos casos de clínicas clandestinas como a de Campo Grande viraram uma oportunidade para [Música] eles no mesmo dia que a reportagem da Globo denunciou a clínica da neid Mota um artigo com o título Brasil sem aborto tinha sido publicado na folha ele era Assinado por um deputado federal do PT da Bahia chamado luí bassuma o bassuma abria o texto dizendo que o ano de 2007 começou preocupante pros Defensores da vida a partir da concepção o deputado defendia que no momento que o espermatozoide encontra o óvulo já existe uma pessoa Esse é o argumento central do bassuma que o feto tem os mesmos direitos de uma pessoa nascida o que depois ficou conhecido como o nascituro o texto diz assim aspiramos que nosso país seja referência mundial na dignificação da Vida em todos os seus aspectos um lugar onde todos os seres humanos tenham Liberdade acesso à saúde e educação de qualidade moradia trabalho lazer e cultura Mas tudo começa quando um espermatozoide fecunda um óvulo dando início à formação de um novo ser humano que precisa ter garantido o primeiro e o mais importante de todos os direitos o direito de nascer o bassuma criou e presidiu a primeira frente parlamentar em defesa da vida e contra o aborto no Congresso ele é espírita e isso atravessava o mandato dele o deputado ficou inclusive conhecido por ter dito que encarnou um espírito no plenário em 2004 o deputado luí bassuma do PT da Bahia presidia a sessão solene quando proferiu uma oração naquele momento baixou a cabeça mudou o tom de voz e com os dedos trêmulos da mão esquerda batia na mão direita possamos voltar ao mundo dos espíritos e dizer valeu a pena os kardecistas presentes acreditam que um espírito falava por meio do deputado eu melhorei e melhorando ajudei a melhorar o meu mundo em 2007 a questão do aborto era uma prioridade do mandato dele dois dias depois da reportagem denunciar a clínica pelos abortos clandestinos o bassuma desembarcou em Campo Grande para cobrar a instauração de um processo penal contra a médica neid Mota Machado no dia seguinte a polícia bateu na porta da clínica em junho desse ano a gente foi para Campo Grande porque várias pessoas que estavam no caso das 10.
000 continuam lá o juiz responsável pelo processo O Aluísio Pereira dos Santos é uma delas ele recebeu a gente no tribunal do júri Numa manhã com uma pasta bem gorda de papéis em cima da mesa essa pasta ela tem alguns documentos que que eu acabo eh guardando e exatamente para situações como essa dava para sacar pelo Tom do juiz que não era a primeira vez que ele tava recebendo gente de fora interessada nesse processo el tirou os papéis da eou a folar Durante a entrevista e foi aí que a gente entendeu o nível de detalhe sobre as pacientes que chegou à mãos [Música] daisin Furou famli não sabe em difices finance eu sou universit mim não é momento ter filho eu sou casada eu não posso ter filho do meu AM só quem sabe da gestação é minha irmã ter cautela jovem e imatura e muito apavorada está segura vai arar com tudo sozinha não quer falar para o [Música] namorado o que o Aluísio estava lendo eram trechos diretos dos prontuários das pacientes da médica neota Ficou claro també o de polícia que essas fich er prov provas incriminam as pacientes horários de alta e até discussões sobre como elas iam fazer os pagamentos se tinham ou não dinheiro na hora se iam retornar quando tivessem tudo isso estava anotado documentado paciente admitida para tratamento aqui foi às 18 horas da cirurgia consciente tal tal outras fichas ainda descreviam a aparência a religião e a visão moral das pacientes também indicavam se a família ou o parceiro sabiam do morto e até se a pessoa era arrogante das quase 10. 000 fichas que a delegada apreendeu na clínica o juiz recebeu 10000 mais de 7. 000 prontuários Foram arquivados ainda na polícia isso porque de acordo com as regras do processo penal o aborto prescreve como crime depois de 8 anos fichas mais antigas do que isso não podiam mais ser usadas para processar as pacientes Além disso algumas fichas não tinham nada a ver com aborto a neade também fazia a outros procedimentos na clínica colocar Dil por exemplo documentos que não tinham provas Claras de aborto também foram descartados E então sobraram 1200 mulheres que iam ser investigadas e processadas a pena para uma mulher que faz um aborto em casos não previstos pela lei pode chegar até 3 anos de Detenção Mas a essa altura Muitas delas tinham mais uma preocupação o vazamento dos prontuários nós tivemos e contato com algumas dessas fichas também que estavam ali Elas ficaram abertas disponíveis quem quisesse lá na delega por um tempo acessar sabe então isso foi uma coisa também a Natália zukovsky é da articulação de mulheres brasileiras em Mato Grosso do Sul quando o caso estourou ela fundou uma organização feminista para tentar ajudar as mulheres que estavam sob investigação Muitas delas foram à Clínica sem contar pra família pro marido pro namorado e agora tudo isso corria o risco de virar público que foi quebrado as fichas foram vasculhadas sem autorização das pacientes o descuido que teve porque eles pegaram eles Entraram na clínica pegaram tudo que tinha ali possíveis provas computadores fichas médicas e tal e levaram pra delegacia e algumas pessoas acessaram inclusive pessoas que e começaram a falar a a pesquisar né querer pesquisar sobre o assunto tal ficou um tempo as fichas lá disponíveis para acesso as fichas médicas o juiz e a delegada contestam essa versão a Márcia diz que era uma preocupação da equipe evitar a exposição das mulheres quando o inquérito policial saiu da delegacia ele saiu em segredo de Justiça no fórum é que ele não deixou de se tornar segredo de Justiça então na delegacia essas esses documentos ficaram muito bem protegidos não teve isso O Aluísio nega que isso tenha acontecido no fórum é isso e é conversa do Povo da rua entendeu não procede não procede Essas fichas foram mantidas de forma eh sigilosas a gente procurou o que reportagens da época relataram sobre isso e achou um texto do Jornal O Estado de São Paulo de julho de 2007 dois meses depois da apreensão das fichas ele diz o seguinte as fichas médicas de 9896 mulheres apreendidas em uma clínica de abortos destinos de Campo Grande em Mato Grosso do Sul ficaram até ontem à disposição do público a reportagem conta que além dos prontuários estava no processo uma lista com os nomes das 10.
000 pacientes em ordem alfabética duas pessoas com quem a gente conversou disseram que conseguiram consultar essa lista na época a história relatada no jornal cita o juiz substituto Júlio Roberto Siqueira ele ocupava o lugar do Aluísio que estava de férias segundo o estado de São Paulo primeiro juiz substituto defendeu que as pessoas pudessem acessar o processo livremente mas ele recuou a reportagem continua a partir de hoje apenas os advogados que representam os denunciados pelo Ministério Público Estadual podem ter acesso aos documentos se queira reconheceu tá aumentando a cada dia o número de pessoas principalmente homens interessadas em examinar o processo para saber os nomes das pacientes o sigilo das pacientes estava comprometido e elas começavam a responder aos processos as consequências do estouro da Clínica também chegavam a quem trabalhava nela atingindo principalmente a dona do consultório a neid Mota Machado o Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso do Sul abriu uma sindicância contra ela assim que a reportagem da globo foi ao ar antes até de a polícia entrar na clínica A neade sempre foi uma figura conhecida de Campo Grande cidade que ela adotou depois de se formar em medicina na Universidade Federal do tri Mineiro em Uberaba a neade fazia abortos na cidade desde o começo dos anos 80 e abriu a própria clínica em 1989 durante quase 20 anos ela atuou praticamente sem ser alvo da polícia do ministério público e dos políticos locais e não que ela fizesse questão de se esconder de passar despercebida pelo contrário aquele jeito dela chegava o escritório parava porque ela já conversava com a menina do café ela conversava abraçava a secretária e e aquele jeitão dela era um furacão era um o Everton binat foi um dos advogados da neade a médica fazia parte dos principais círculos políticos e sociais da cidade e tinha até fundado uma escola de samba em 2007 quando a TV Morena bateu na porta dela pedindo uma entrevista sobre planejamento familiar a neade concordou em aparecer no jornal pessoas que acompanharam a médica na época acham que ela não imaginava a proporção que o caso ia tomar e que não tinha entendido que o acordo silencioso dela com a cidade tinha chegado ao fim Afinal nas outras duas vezes em que ela foi processada em 1994 e 98 as investigações não foram pra frente mas dessa vez as coisas eram [Música] diferentes em maio um mês depois do começo da investigação a justiça de Mato Grosso do Sul decretou a prisão da neade e ela fugiu ela me liga fala eu não vou ser presa a foi denunciada por formação de quadrilha com os outros funcionários por prática de aborto por ameaça e por posse de uma arma que foi encontrada na clínica que é difícil convencer uma pessoa que foi decretada a prisão se apresenta Isso é uma das coisas mais difíceis que tem você imagina chegando para você hoje você tem uma mandade de prisão que você sabe quando você vai sair sendo que você pode tomar uma pena no caso dela podia chegar a 70 anos a médica passou a ameaçar a alta sociedade de Campo Grande para pessoas próximas ela saiu dizendo que muita gente importante procurou os serviços de aborto dela e que ela estava pronta para contar quem tinha sido e ela fica Sand decida Everton eu tenho que contar eu tenho que falar eu quero falar isso eu vou botar nome desse é nome dele meu Deus neid e aí fica essa briga fica essa briga o Everton e várias outras pessoas que a gente escutou dizem que realmente estavam na lista sobrenomes famosos do Estado o fato da Clínica ter funcionado por quase 20 anos num bairro importante da Cidade també reforça essa hipótese Mas apesar do Medo de que esses nomes importantes vazasse a lista com eles nunca veio a público o que começou a vazar foram nomes de mulheres comuns várias delas pobres que tiveram que pedir descontos para neid para fazer o procedimento famílias amigos e colegas de trabalho começaram a encontrar nomes conhecidos nas páginas dos jornais que estavam dominadas pelo caso intimadas paraa delegacia várias não tinham advogado e acabavam se incriminando outras que diziam não ter interrompido a gravidez tentavam provar a inocência uma delas chegou a levar o filho para mostrar que não tinha feito o aborto era o começo de uma Devassa na vida de centenas de mulheres na hora que eu cheguei na delegacia para prestar o depoimento eu lembro perfeitamente tudo que aconteceu eles já começaram a me olhar com outros olhos e aí quando eu entrei na na sala do Delegado para prestar depoimento tinha três policiais juntos como se eu fosse matar alguém ali dentro foram perguntas assim que me massacraram no próximo episódio a gente vai contar a história [Música] delas eu sou Ângela boldrini e a apresentação roteiro e produção do caso das 10.