Há 5 anos aconteceu um fato do outro lado do mundo que nos afetou diretamente sem pedir licença. Você podia ter todos os seus planos traçados, podia estar se preparando para ser outra pessoa em 2020, mas não teve jeito. Não importa quem você queria ser em 2020, a constituição do seu eu necessariamente teve que passar por um evento global e de repente moldou quem você poderia ser.
Vivemos linhas e fronteiras porosas em que as distâncias se encurtaram e que as ações de alguém em qualquer lugar do mundo ressoa pelo mundo todo em pouco tempo. É a globalização capitalista, onde as linhas que nos ligam é o lucro, a troca, a produção desenfreada. Tudo leva a um só lugar, não há começo, meio ou fim.
Estamos todos conectados por redes invisíveis, tecendo uma trama de dependências e influências que não conseguimos simplesmente cortar. E nos formamos desse emaranhado de linhas, cruzamentos, fatos históricos e significantes que chamamos na nossa língua poeticamente de nós. Nós literalmente, que dão forma à nossa aproximação e que também deixa a vida emaranhada, cheia de nós.
A pandemia apenas escancarou essa realidade humana. Não há barreiras que possam conter o impacto do outro sobre nós. Não há como escapar da interconexão.
O mesmo vale para conflitos bélicos, para guerras. Não importa que você não queira guerra. Não importa que você busca paz em suas atitudes.
Quando os ricos fazem a guerra por interesses de poder próprios, são os pobres que são obrigados a se matar em nome de uma paz que não foram eles que perderam. Então me responda. O que que isso tudo quer dizer?
Então, se no episódio um vimos que não há outro sem que haja um eu, mas depois percebemos também que não há um eu que se sustente por si só, então o que sobra para nós? Mero cidadão sem poder, um vazio, um grande nada. Para o filósofo Martin Bubber, o que nos resta é a relação eu tu, não um vazio, mas uma ponte onde tudo passa a ser construído.
E é isso que nós vamos ver na última parte da nossa série, da nossa investigação sobre nós, desembaranhar a nossa relação. Tudo suave por aí? Acho que eu não preciso mais fazer outra introdução, mas essa aqui é a terceira parte do nosso episódio.
Vamos fazer isso rapidão. Então, se você caiu aqui de paraquedas, relaxa. Cada episódio pode ser visto de forma independente e hoje vamos entender nesse episódio sobre como a nossa forma de olhar os nossos relacionamentos humanos pode estar afetada pelo mundo do capitalismo teddil que nos circunda.
E esse debate já tá acontecendo dentro da nossa série maior. Depois vale a pena você olhar os outros vídeos. Sua participação é muito importante para nós.
Já deixa o seu like, seu sininho, no meio do vídeo deixa um comentário que é isso que nos mantém existindo. Então vamos em frente e bom vídeo. Martin Bubber não foi apenas um filósofo, ele também foi um pensador que atravessou fronteiras do que se esperava dele.
Nascido no seio de uma família judia em Viena, 1878, quando tinha apenas 3 anos, sua mãe o abandonou. Depois do abandono do pai, ele acabou partindo paraa Galícia, numa cidade onde moravam os seus avós maternos. Essa ruptura com a estrutura familiar tradicional gerou nele uma sensação de vulnerabilidade que vai inevitavelmente atravessar a sua história.
Por sorte do destino, seu avô era o famoso Salomon Buber, líder dos judeus não ortodoxos e liberais. Junto dessa nova família, Bubber teve a chance de experimentar a união harmoniosa entre a tradição judaica. antiga e o espírito liberal da época em comunidades abertas.
E ele viu judeus, palestinos e outras religiões convivendo harmoniosamente. Essa experiência nunca seria esquecida por ele. Mas a vida de Buber não foi simples.
Depois dessa adolescência convivendo harmoniosamente, a vida voltou a ser um caos. judeu em uma Europa devastada pelo antissemitismo e pelo nazismo, deu aulas de ética entre 1924 e 1933, quando precisou fugir da perseguição dos nazi e partiu para viver na Palestina, onde continuou vivendo uma vida de paradoxos. No pós-guerra teve muitas brigas internas pela Paz, Palestina e Israel.
E apesar de participar do início do sionismo, ele foi contra qualquer forma de violência na Constituição do Estado de Israel e por isso viveu na Palestina até o fim da vida, pautando o diálogo. A vida de Bober poderia ter sido em reatividade, em violência por tudo que passou, mas foi o contrário. Apesar de ter vivido todos os horrores que viveu, partiu pro caminho radical de promover a compreensão entre as pessoas.
Seu projeto de pensamento é movido por uma robusta esperança no ser humano e na capacidade que temos relação e na dignidade da responsabilidade para tentar resgatar aquelas memórias de primeira infância de que é possível viver em harmonia. Sua obra mais conhecida Eut, publicada em 1923, estabelece uma importante distinção entre dois modelos essenciais de relacionamentos humanos. A relação eu tu caracterizada pela presença da reciprocidade genuína entre as duas partes e a relação eu isso na qual o outro reduzido a um instrumento para alcançar um determinado fim.
Essas duas formas de interação moldam a nossa percepção do mundo e a maneira como nos conectamos uns aos outros. Então vamos mergulhar a fundo na relação do eu com os outros. confided in me not confided he actually boasted to me that he made 500 friends in one day my was that I 86 years but I don't have 500 friends presumably when he says friend and friend capítulo e isso já percebeu que tem muita gente que reclama, que tá sempre se sentindo sozinho.
Mesmo que você olhe para essa pessoa e veja que ela conhece, conhece, conhece gente, conhece gente e sempre reclamando que tá sozinha. >> Eu quero ter um milhão de amigos. Há muita chance dessa pessoa estar agindo sobre o eu, isso.
No mundo eu, isso, o outro é um mero objeto de utilidade do eu. Todas as nossas ações são constantemente estimuladas a se transformar e reduzir todas as nossas relações a essa funcionalidade, a esse papel de utilidade, de necessidade no nosso mundo de hoje. Mas esse tipo de relação é estéril, é vazio de significado profundo.
relação eu, isso, o outro pode ser medido por números, manipulado ou utilizado conforme nossas necessidades. Esse isso é, portanto, desprovido de subjetividade. É algo à nossa disposição.
E essa maneira de se relacionar não permite uma verdadeira conexão com o outro. Marcamos horário para sermos escutados e pagamos caro por isso. Chamamos o profissional da escuta de psicólogo e utilizamos através da palavra e do jogo da fala e da escuta para melhorar o nosso eu.
Para quem? Para quê? Para nós mesmos ou para mais produtividade?
Quando a relação eu, isso acontece, não há contato verdadeiro. O que existe aqui é uma idealização do eu que cria um outro apenas para superar ou abraçar as expectativas da imagem. semelhança, novamente voltadas para o eu.
E uma vez que o outro é um mero objeto, essa é uma relação cheia de agressividade, pois não há compreensão ou vontade de compreensão do outro. Se aquele amigo não corresponde a meus desejos, eu troco. É fácil.
E isso vale para qualquer tipo de relação. Pense aí no seu eu. Isso.
Nossa sociedade de capitalismo tardio transforma tudo à nossa volta em meros produtos. Vendido como algo instantâneo, como algo personalizado pro nosso consumo. Os nossos desejos viraram mercadoria e os nossos hobbies viraram trabalho.
Não há sentido possível fora de comprar, consumir e descartar. Comprar, consumir e descartar. É nesse momento que conseguimos estabelecer o tal eu tu, onde o eu e o outro se encontram sem jogos de manipulação, sem hierarquia de poder, sem puro interesse.
É aí que em tu, uma relação direta e espontânea entre nós. Isso não é algo que se planeja ou se marca a data, simplesmente acontece. Esse encontro transformador que dá um significado diferenciado para o eu.
Para Martin Boober, é nesse instante que a vida ganha sentido, sem regras ou cardápios de comportamento, mas pela pura experiência, pela pura fruição do estar com o outro e viver em harmonia. Para ele, podemos escolher a nossa chave ética de agir com o mundo e se criamos ou esses laços de tu, ou se vamos preferir viver no distanciamento do eu. Isso.
E essa relação não é exatamente consciente, mas é algo que vai lhe acontecer de acordo com o praticar da sua ética no agir do dia a dia, em cada um dos seus encontros, em cada uma das suas relações. Temos oportunidade de encarar a situação eu tu e a situação eu isso e pensar em como agir. Agora que estamos no episódio três, o tu é bem simples de entender.
Não importa o que você pensa, como você vive, qual sua ideologia ou seu tipo de futebol. Tudo, tudo, tudo que você consegue imaginar veio de alguém ou dependeu de alguém que dependeu de alguém que ouviu de um outro e assim por diante. Até para chorar na hora do parto ou dar os seus primeiros passos, você precisou de um outro ou de muitos outros.
Toda a nossa imaginação enquanto seres humanos passa necessariamente pelo outro. O que aprendemos na escola, as opiniões que preferimos, a ideologia que escolhemos, não nascemos como uma ilha. E isso é quase um instinto humano.
Somos seres sociáveis, queremos estar em relação, queremos estar em comunidade. >> Opa, tô passando aqui no meio do vídeo para abrir o jogo para você. Já que a gente tá falando tanto de comunidade nesse episódio, a gente precisa conversar sobre a nossa comunidade, o que faz o Normosa existir.
De um tempo para cá, os valores vêm caindo muito e tá cada vez mais difícil nos manter existindo com o nível de produção, respeito e carinho que você merece em cada um dos vídeos. O Normos é um canal muito custoso paraa nossa equipe continuar trabalhando. Afinal de contas, somos trabalhadores.
Então, se você puder, com qualquer valor, assina o nosso projeto, participa das lives fechadas e garanta o acesso ao Telegram pra gente trocar uma ideia, pra gente conversar ou confira as outras recompensas. Agora, se você não puder, escolhe dois, três ou quatro amigos e divulga esse vídeo. Traga mais gente para cá.
Isso é de graça e faz total diferença. O Normose só existe ao longo desses 7 anos por causa do boco a boca. Imagina se a gente dependesse do algoritmo.
A gente tava ferrado. Então eu conto com a sua ajuda. Vamos formar a nossa comunidade.
Eu sempre conto com a comunidade Noimose e sei que dessa vez eu posso contar também. Agora sim, vamos voltar pro vídeo. >> E como vimos no episódio dois, para Decarte, toda a fundação do ser está no pensamento cartesiano, ou seja, existimos pelo pensamento e o que existe é em si e por si.
Para Buber, não há um eu sem que haja a relação intrínseca ou com isso, um objeto, ou com outro. O eu nunca existe ou não precisa existir para si mesmo. Existe na relação entre esses dois entes.
Ou seja, existe um espaço que é criado nem pelo eu, nem pelo outro, mas pela vacuidade que existe toda vez que nos relacionamos. Para Buber, como não existe um eu desligado do mundo, o Tu é uma chave ética, uma proposta de enxergar e de estar em ligação com uma proposta de encontrar significado a partir do eu coletivo, ou, em outras palavras, a percepção de que nunca estamos sozinhos e que a única forma de alcançar alguma certa paz mental é assumir essa totalidade da nossa existência coletiva. Ou seja, no fim das contas, o que o papel do outro revela é que a estruturação imaginária do eu é uma grande encenação.
O eu é muito menos sólido e muito mais dependente do que gostaríamos de admitir. Por isso, a proposta de Martin Bober é radical, porque é um ato de resistência contra a coesificação do mundo. E aí vem a sua pergunta capciosa.
Por que numa crise existencial insistimos em olhar para dentro para encontrar resposta e nos entender? E não olhamos para fora para olhar o que causou e o que queremos entender que nos gerou essa crise de existência. Olhar para dentro para buscar algo é olhar apenas para as consequências que o externo gerou em si.
Se você quiser realmente se entender, é preciso olhar para fora e não para dentro. Curioso, não é? Isso acontece, segundo a lógica de Martin Bobber, porque não estamos habituados com essa forma eu, tu, mas estamos acostumados a lidar com a forma eu.
Isso. Somos todos muito diferentes entre si, bichos estranhos uns aos outros. Cada encontro com um outro selvagem, alienígena aos nossos olhos, é uma oportunidade de dissolver as barreiras que nos isolam, permitindo que algo maior, mais significativo seja construído.
Por isso, por exemplo, longas amizades tm laços tão firmes. Por ainda que haja diferença, vidas que tomam caminhos opostos, discordâncias ou brigas, há um laço mais forte de se abrir ao outro em toda a sua estranheza. Ao mesmo tempo, também é por isso que as relações nas redes sociais, por exemplo, são tão violentas porque são predominadas de isso num mundo personalizado, que você pode personalizar sua timeline exatamente com aquilo que você quer ver e bloqueia tudo aquilo que não é seu narciso, seu espelho.
Somos levados a fugir do outro. Numa sociedade onde o lucro e o status são objetivos vendidos para ser feliz, somos condicionados a evitar mostrar vulnerabilidade, a nos proteger do inesperado, a minimizar riscos. Buber vai discordar disso e por isso é chamado de filósofo do diálogo.
Para ele, a palavra é o início de toda a existência humana. Falar é tocar o mundo, é encontrar o outro, é quase mágico. O sentido mais puro da palavra para Buber está no entre, no espaço que conecta as pessoas.
E se a gente parar para pensar, de fato, falar não é só jogar um amontoado de palavras no ar ou um amontoado de sons que a gente combina para se comunicar. Nossa mente é anterior a consciência racional. Isso quer dizer que antes de entendermos algo, já estamos emocionalmente afetados por cada palavra que o mundo nos joga diante de nós.
Não à toa, Bobber vai afirmar: "As palavras princípio não exprimem algo que pudesse existir fora delas, mas uma vez preferidas, elas fundamentam uma existência humana. É como se ao falar o humano criasse uma ponte que o situa no mundo e na presença de outras pessoas. Então a palavra é mais do que o gerador de diálogo.
Isso é uma redução perversa da proposta de Martin Buger. O que ele propõe é uma singularidade na relação de a lógica. E o que que esse palavrão quer dizer?
Que cada encontro tu é único, não se repete, é irreproduzível. Porque naquele momento duas pessoas que se encontram estão num estado numa presença que só é possível naquele momento. Num outro encontro seriam outras duas pessoas se encontrariam.
Portanto, no núcleo do Eu há um entre, um entre nós, um entre único, impossível de se repetir ou de se treinar. E é aí que a vida acontece. Então, se nós somos sujeitos da natureza relacional, social, tenderemos espontaneamente a formar comunidades.
Quando formamos comunidades, damos sentido a existência na forma ser com o outro. Ou seja, eu existo porque nós existimos. Seja porque amamos um time de futebol, seja porque dividimos o mesmo gosto por videogames, por divas pop, seja porque dividimos uma crença em algum deus ou numa crença em nenhum dos deuses, as comunidades são o local de relação mais genuíno da existência humana.
É isso que todos nós estamos buscando, comunidades. Esse tipo de relação não pode ser forçado ou fabricada. Ela simplesmente acontece no espaço entre duas pessoas que estão abertas ao encontro comunitário.
O desejo de se relacionar e viver com o outro faz a comunidade fluir quase que naturalmente. Porque numa comunidade o que existe é a disponibilidade e o comprometimento em estar verdadeiramente a fim de conviver e transformar as nossas relações. Nesse tipo de encontro, nós nos descobrimos do zero novamente, porque todo evento passa a ser singular, único.
No instante que você sabe que sairá transformado, também transformará o outro. E nós nunca sabemos quando essa relação pode acontecer. E quando a relação comunitária é forte, sólida, ela não se dissolve à toa.
E nós nunca sabemos quando essas relações comunitárias vão simplesmente se dissolver. Nunca parou para pensar que teve algum amigo que você encontrou e nem sabe, mas essa foi a última vez que vocês se viram antes do adeus. Isso muda a perspectiva de como viveu agora, não é?
Então é isso, o que existe é o encontro entre nós. Você com certeza já notou que você é vários eus ao mesmo tempo. Você é um com a família, outro com os amigos e talvez seja um terceiro com os colegas de trabalho.
Isso é falsidade? Não. Somos eus diferentes porque temos relações diferentes e a comunidade é que nos forme enquanto sujeitos.
é na interação com os diferentes tus que surgem, os diferentes eus e assim por diante. Muitos momentos da vida nós precisamos de relações de adilidade social. Todos nós fazemos esse papel do outro quando estamos servindo, atendendo, ensinando.
Estamos oferecendo o nosso eu ao outro, que é uma espécie de eu isso, mas um eu isso com sentido. Isso é ótimo, mas é só um combinado social. Não é uma moral de hierarquia.
Não existe de fato. Quem serve, atende ou ensina está desempenhando um papel necessário, mas está preso ao acordo tácito. Não passa de um teatro, não significa nada de moral, de caráter ou algo além disso.
O que não pode acontecer então é quando a gente passa a acreditar que esse eu isso de correlação existe e passa a aplicar a hierarquia, a divisão, as classes e assim por diante. Entende a diferença das duas coisas? Levinas vai dizer então que eu e outro são uma só entidade.
O eu existe no encontro com o outro. E é curioso como às vezes é no olhar do outro, que a gente descobre até coisas que não queria perceber, tipo que minha testa tá crescendo e esse é mais um momento, paga as contas, não pulo o vídeo. Aliás, eu tô gravando esse episódio durante as minhas férias, porque vida de PJ é assim, trabalha até nas férias.
E sabe o que tá acontecendo nos comentários? Tem gente me parando para dizer: >> "Nossa, mas seu cabelo tá crescendo, nem parece que você precisa da manual". >> Pois é.
E é justamente por causa da manual que viajou comigo que eu consigo esconder essas entradas e segurar a minha testa, porque o relógio da calvice não para. Você sabia, por exemplo, que metade dos homens, segundo a Organização Mundial de Saúde, começa a perder o cabelo antes dos 35? O meu relógio tá chegando lá.
A maioria deles, no entanto, não é de ligar muito pra saúde e só percebe quando já é tarde demais. A calvice, meu amigo, não espera, mas você pode se antecipar. Quanto mais cedo o tratamento começa, mais chance de manter os seus fios.
E é simples de fazer isso com a manual. Eles são uma plataforma de saúde que vai conectar você aos médicos especialistas. Aí você vai entrar no site, responder um questionário online de saúde e o seu caso vai ser avaliado individualmente, aumentando ou diminuindo a dose.
Se for indicado, o tratamento é prescrito por um médico e produzido por uma farmácia que é credenciada. Vai chegar direto na sua casa com embalagem discreta e o melhor, com frete grátis. E o acompanhamento clínico pode ser feito direto no Zap Zap.
E se você tá achando estranho que um episódio de filosofia eu esteja falando de visualidade, de calvice, calma. O encontro do eu e tu para Levinas é quando o outro revela algo para nós que a gente não quer ver. Tipo quando tu olha bem de frente e solta.
E essas entradas aí que já estão virando avenida, hein? É o momento paga as contas. Eu preciso disso para continuar o canal.
Então não perde tempo e ganhe 40% de desconto. Isso mesmo, 40% de desconto além do frete grátis no primeiro pedido, porque cuidar hoje é muito mais fácil do que tentar recuperar o amanhã. O relógio da calvice é como tempo, não volta.
E se o tempo da filosofia é o tempo do outro, o tempo de acabar com a calvice, se ela é um problema para você, é o tempo do agora. Vamos então continuar o vídeo. Episódio eu e tu.
Agora que estamos no terceiro capítulo, você já percebeu que há uma diferença na alteridade de Levinas e na visão de Bober. Há uma questão bem profunda aqui. Buber acredita que é possível uma generosidade irrestrita.
Esse encontro de eu, tu é um ato de liberdade irrestrito, onde o eu e o tu se encontram de maneira mútua e, portanto, se enxergam na totalidade. Já Levinas tem uma visão bem diferente. Para ele, o encontro é sempre assimétrico.
Ele acredita que somos chamados a ser responsáveis um pelo outro, sem esperar nada em troca, sem a promessa de reciprocidade, mas temos limites de compreensão um e do outro. É como se para Bobber a ética fosse construída na espontaneidade do dar e receber, enquanto para Levinas ela é uma exigência ética que impõe-se de maneira unilateral, que considera o poder que roda na sociedade. E essa discordância é importante não só porque é uma diferença de palavras bonitas.
O debate entre os dois revela qual o nível profundo que uma autoridade pode atingir, qual é a classificação que uma alteridade pode chegar. Então anota aí pra gente terminar o nosso episódio. Temos então três testes fundamentais da alteridade.
O filtro opaco, que é quando conseguimos enxergar absolutamente nada do outro, que todo contato de diferença é bloqueado e o outro é apenas uma figura distante, o outro retratado como uma entidade sem profundidade. Temos o filtro translúcido quando conseguimos perceber algumas coisas, mas tudo ainda é distorcido pelo nosso ponto de vista e enxergamos o outro apenas na medida que ele se parece conosco ou naquilo que nos parece familiar. E por último, o filtro transparente ou alguma coisa assim.
Esse é o mais enganoso. Achamos que entendemos completamente o outro, mas mesmo assim não percebemos que a nossa visão tá contaminada por nossas próprias crenças e valores. Aquilo que falamos muito no episódio um.
É isso que cria tal armadilha da alteridade, lembra dela? É mais ou menos por aí que a alteridade vai se estabelecer. E o que são essas diferenças então senão a própriaidade na prática?
Mas olha, sendo bem sincero, esse tipo de discussão talvez seja um pouco mais profundo do que um vídeo do YouTube pode oferecer. Isso aqui é uma matéria para que tenha vida dedicada a pensar sobre autoridade, sobre limites do entendimento, ontologias diversas e assim por diante. Aqui eu tô fazendo só uma pílula, uma faísca para te estimular a pensar sobre esse assunto.
Ainda assim, acho que dá para ver bem claro a diferença da ética entre esses dois, não é? Então vamos pensar junto aqui. Se a comunidade é a matriz primeira de todas as nossas relações e também que a nossa existência social nos determina enquanto sujeitos.
Por quê? Nós ainda não conseguimos viver em plena liberdade e comunhão e coesificamos tudo porque não temos prática para viver em comunidade. Não há prática de liberdade, uma educação que treine a liberdade.
Isso encontra no trabalhador, o homem concreto, histórico, social, aquele que vive e sofre toda forma de alienação e de exploração. Paulo Freire é esse o sujeito que tem a efetiva condição de ser desumanizado, mas tem como missão histórica passar a ser sujeito da autoemancipação e da emancipação humana universal. Isso porque quem oprime não está na condição de querer se libertar, porque isso é gostoso pro eu.
Quem é oprimido, no entanto, tem essa tarefa erculha de não se transformar num novo opressor, mas de sim criar essa relação verdadeira, treinar essa prática de liberdade, essa educação libertadora, por assim dizer, e aí sim chegar na verdadeira liberdade, aquela que liberta a todos nós. Por isso Paulo Freire coloca aquela frase que todo mundo adora repetir, mas pouca gente gosta de treinar. Ninguém liberta ninguém.
Nós não nos libertamos sozinho, nós nos libertamos em comunhão. A realidade neoliberal e o capitalismo tadio que estamos inseridos constantemente nos coloca numa grande ameaça da autonomia das nossas comunidades. Por quê?
Todas nossas comunidades estão nas mãos de pouquíssimas bigtechs que determinam a nossa forma de agir e de pensar o mundo. Ou sob a lógica de Bobber, elas determinam a supremacia do eu isso sobre o Tu. Através dessa relação e eu tu somos capazes de imaginar novas formas de convivência que não sejam baseadas na exploração do homem pelo homem ou na dominação, mas na reciprocidade, no cuidado e aí sim na emancipação coletiva.
Uma sociedade não focada na coesificação e nas relações produto não precisaria de competição irracional e destruição do planeta, porque o planeta também é um tu a ser preservado. Uma sociedade onde as comunidades se sobrepõe ao lucro, demandaria também uma economia pensada mais no comunitário e menos no eu. Nos levaria a pensar menos no desejo do meu e mais no desejo de nós todos e assim sucessivamente.
Por isso que eu insisto que a alteridade é então um conceito chave pra ética do nosso tempo. E é esse o horizonte que eu construí a minha luta e também o meu trabalho aqui no Normose, aquilo que eu acredito. E é esse convite íntimo que eu tô fazendo para você, para nos refundarmos, para reinventar as estruturas de relação que temos uns com os outros, olhando pra raiz das nossas existências.
Somos capazes de imaginar novas formas de convivência, novas formas de relacionamento que vão além da lógica colonial capitalista que molda nosso mundo moderno? E veja aqui, essa proposta de criar novos mundos, novos imaginários, novas posturas éticas não é só um papo filosófico vazio, não. Ele é também prático.
Ele propõe novas formas, novas maneiras de nos organizarmos enquanto sociedade, de nos organizarmos enquanto classe, maneiras que são mais inclusivas, justas, sustentáveis e que entendam que enquanto houver a hierarquia de classes, nada vai mudar. A alteridade, nesse sentido, se torna a chave para quebrar o ciclo de violência e opressão que vivemos, abandonar qualquer horizonte de individualidade isolada do meio e se construir a partir das individualidades que, de fato, pensem o impacto no outro como ética de ação. Cada passo que nós damos altera o outro.
E se você conseguir encontrar um meio de agir, que cada uma de suas ações impactem o mundo todo, como é que você agiria? No no no fim, a única maneira de sermos verdadeiramente humanos é nos abrindo pra convivência na alteridade total, que é a realidade última dos sujeitos. E é aqui que chegamos no ponto crucial.
Depois de rejeitar o outro como mero objeto no episódio um, depois de dissolver o eu no episódio dois, o que nos resta é essa relação de criar algo maior do que qualquer um de nós individualmente. Imaginar formas de existência e organização que nos permitam construir um horizonte onde sejamos verdadeiramente nós. >> O indivíduo floresce quando o individualismo morre.
>> Fim. E para variar um pouco, na verdade confesso, esse vídeo aqui era para ser apenas um capítulo de três partes e virou uma série toda. E eu acho que eu senti que era necessário dividir as coisas pra gente pensar melhor, os entremeios, as nuances, as coisas que se amarram.
E eu espero do fundo do coração que ao longo da trilogia você tenha se encontrado consigo, vislumbrado o outro como algo essencial. E como eu só existo porque você existe, então obrigado. E eu espero que nessa longa brisona sobre a alteridade que nós tivemos, eu tenha te transformado pelo menos um pouco.
Porque se isso aconteceu, o mundo inteiro foi transformado. Fica tranquilo, fica suave. É nós.
E falous. Ah, não. Para terminar, tem algo que eu não faço aqui no canal há muito tempo.
Um resumo de poesias. Um coquetel de mistura de Martin Bober com Paulo Leminsk. E aqui vai.
E eu espero que você goste. O ser humano e o nós. O ser humano se torna eu pela relação com o você.
À medida que me torno eu, digo você. Em mim eu vejo o outro e outro e outro e outro o outro. Enfim, dezenas de outros.
Trens passando, vagões cheios de gente, centenas de outros. O outro que há em mim é você. É você.
Você, você e você. Assim como eu estou em você, eu estou nele, em nós. E só quando estamos em nós, estamos em paz.
Mesmo que estejamos a sós, já que não há quem possa, uma pode dizer minha, uma diga nossa. Essa voz em paz em nós nunca vai ficar sozinha. Paulo Leminski.
Espero que você tenha gostado desse episódio e eu tô aqui mais uma vez para pedir para você assinar o nosso projeto se você puder ou ao menos escolher dois, três ou quatro amigos para compartilhar. O nosso canal precisa voltar a crescer apesar do algoritmo. No mais, fica suave, fica tranquilo.
Nos vemos na próxima semana. É nós. E falous.
É engraçado que aqui eu não tô tipo assimugal o olho. >> Aí é Sou japonês. Não tem muito que esbugalhar, já tá esbugalhado.