E a agora a gente passa para a segunda palestra com a professora Dr. Nancio docente vice-coordenadora do PPGB da UNIRIO, com o trabalho os próximos 100 anos, uma perspectiva dialógica na concepção da biblioteeconomia do futuro, que certamente vai dialogar com essas questões que vocês trouxeram. Obrigada.
Bom dia a todos e todas que nos assistem e que nos assistirão. Bom dia aos Eu sou uma mulher branca de 70 anos, uso óculos eh e cabelo louro de tamanho médio. E vou apresentar para vocês uma eh uma perspectiva para os próximos 100 anos.
A gente tá sempre aprendendo, né? a gente acha que sabe as coisas, mas não sabe não. Eh, então, os próximos 100 anos, uma perspectiva dialógica na concepção da biblioteconomia do futuro.
Nesse sentido, eu pergunto a vocês, como a Gabriela já perguntou, o Calil também, quem somos hoje? Quem somos nós hoje? Bibliotecônomos, biblioteconomistas.
bibliotecárias, bibliotecários, documentalistas, cientistas da informação, gestores de informação. Como vocês veem, a gente tem um grande leque de denominações que nos cercam, cercam esse profissional que trabalha nas bibliotecas e em outros espaços dedicados ao acesso e à circulação da informação e dos documentos. Então, eu trouxe alguns exemplos para vocês de fontes insuspeitas para definir quem somos nós, mas são fontes insuspeitas, mas inseguras, porque não trazem uma realidade muito palpável, muito eh definida de quem somos nós.
na universidade da região do Chapecó, a UNO Chapecó, a definição que a universidade oferece de um profissional de biblioteconomia, diz que o bibliotecônomo, também chamado biblioteconomista ou bibliotecário, é o profissional que organiza e cataloga informações. Por outro lado, o plenarinho da Câmara dos Deputados do Brasil não sabe bem se nós nos chamamos bibliotecários ou biblioteconomistas. Por outro lado, a classificação brasileira de ocupações, um documento importante produzido pelo Ministério do Trabalho do Brasil, define bibliotecário não como uma profissão, eh, digamos assim, autônoma, mas como parte de uma família de profissões, que são os profissionais.
da informação. E entre os títulos que o bibliotecário pode receber estão biblioteconomista, bibliógrafo, cientista da informação, consultor de informação, especialista de informação, gerente de informação ou gestor de informação. Me parece que essas denominações trazem um certo desconforto e um certo ah e uma certa inconsistência à nossa área nesse momento.
E lá, ah, nos idos de 1900 e pouquinho, os bibliotecários eram considerados pessoas eh de grande respeito na sociedade. Hoje nós não sabemos bem, nem nós, nem a sociedade quem somos. Não temos bem uma nítida clareza e certeza a respeito disso, embora o Ministério da Educação respeite a denominação mais comum e indique o dia 12 de março como dia do bibliotecário.
Eu pergunto então nesse momento, se não sabemos bem quem somos, se temos essa incerteza e essa pouca clareza de quem somos na sociedade, quem queremos ser nos próximos 100 anos, o que queremos da biblioteconomia nos próximos 100 anos, o que esperamos da biblioteconomia nos próximos 100 anos e o que nós faremos da biblioteca nos próxos próimos 100 anos. Então, para responder a essas questões que envolvem o futuro da biblioteconomia, eu fui buscar apoio em alguns autores que me são caros. O primeiro deles, o Peter Burk, que é um historiador que tem muitos trabalhos publicados no Brasil.
Ele fala que a história do conhecimento difere da história da ciência, porque ela inclui mais tipos de conhecimento, entre eles as habilidades práticas. E a história do conhecimento difere da história intelectual porque ela coloca uma ênfase maior na história das instituições comprometidas com ensino e pesquisa. Então, me parece muito claro dentro da concepção do Peterburg que a história da biblioteconomia, das suas práticas e das suas instituições representa uma parte fundamental da história do conhecimento no Brasil.
E é neste contexto que nós vamos prosseguir com essa apresentação. Estudar a história da biblioteca é observar o trabalho desses profissionais em ação naquilo que o Latur, Bruno Latur, chamava das redes que a razão ignora, laboratórios, bibliotecas e coleções. Artur dizia que aqueles que se interessam pelas bibliotecas falam de textos, de livros, da sua acumulação, da sua conservação.
Mas a biblioteca não é uma construção isolada, um prédio isolado, mas sim um nó numa vasta rede por onde circulam inscrições, documentos e outros itens que carregam o quê? informações. E essas informações e inscrições elas se articulam a outras sucessivamente numa corrente extensa que se projeta desde o passado até o futuro.
Então, é nessas redes de documentos e de informação que os profissionais da biblioteconomia devem ser observados para estudar a história dessa área e do trabalho desses profissionais. Para observar a biblioteconomia em ação nessas redes, nós temos que olhar duas frentes. A primeira frente que é em maior número, né, são as pessoas bibliotecárias que ocupam postos de trabalho em bibliotecas, centros e serviços de informação de diferentes naturezas.
Mas em menor número, nós temos com impacto equivalente pessoas que ocupam posições como docentes e pesquisadores em cursos universitários de graduação e de pós-graduação que formam outras pessoas bibliotecárias habilitadas legalmente a exercer a profissão no país. para entender o contexto em que ação dos profissionais bibliotecários ocorre nessas redes e ocorrerá no futuro, nessa projeção que eu busquei fazer para os próximos 100 anos. Se bem que eu duvido, né, de que possamos falar em em num num tempo tão longo, né?
Talvez não devêsemos falar num tempo mais curto, mas eu fui buscar então a IFLA. A IFLA é uma instituição internacional que representa a área da biblioteconomia no mundo inteiro. Ela representa os profissionais, representa nossa nossas práticas, representa nosso conhecimento, representa nossas instituições, representa também os cursos de formação na área de biblioteconomia no mundo inteiro.
Por isso ela é tão representativa, ela é tão importante. A IFLA é uma instituição absolutamente importante e ela está fazendo 100 anos em 2027. Daí que ela vem também recuperando suas memórias e sua história e publicando vários artigos na revista que ela produz, que é a revista da IFLA.
H sobre esses esse percurso longo que ela está completando em 2027. Em 2024, ah, reuniu um grupo de trabalho para projetar tendências da biblioteconomia a partir daquele momento. E esse grupo definiu sete tendências, que são tendências não só da biblioteeconomia, mas tendências culturais e sociais que estão em torno da prática profissional do bibliotecário, da prática intelectual dos bibliotecários e das bibliotecárias.
Então, a primeira tendência apontada pela IFRA, pela IFLA, diz que as práticas de produção e transmissão de conhecimento estão mudando, não é? O futuro indica oportunidades e desafios para ampliar a igualdade em sistemas cognitivos, envolvendo o que se entende como conhecimento. O que que se entende como conhecimento?
Como buscar uma maior diversidade de vozes e como conscientizar com mais propriedade sobre a desinformação. A segunda tendência inegavelmente é a inteligência artificial e outras tecnologias que estão transformando a sociedade. A inteligência artificial generativa está mudando a maneira como nós criamos, compartilhamos e usamos informações e elas evidenciam essas mudanças.
evidenciam a necessidade de explorar não só as implicações positivas e negativas dessas tecnologias, mas também o seu potencial. Não podemos ignorá-lo. A terceira tendência é que a confiança social está sendo renegociada.
O restabelecimento da confiança nos governos e na mídia tornou-se central para que as nossas sociedades continuem florescendo. E isso exige a revisão dessa questão da confiança nas instituições públicas, no jornalismo e até mesmo nas universidades antes que a gente possa enfrentar outros problemas como o da privacidade, a garantia dos nossos direitos de privacidade. A quarta tendência apontada pela IFLA diz que as habilidades e as competências estão se tornando mais complexas, porque para para prosperar os indivíduos estão agora precisando de habilidades e competências práticas e críticas no ambiente digital, assinalando os benefícios que uma sociedade digitalmente letrada pode trazer, mas também os riscos para aqueles que infelizmente acabem ficando à margem dessa capacitação.
E nós não podemos ignorar esse essa divisão social. A quinta tendência da IFLA fala que as tecnologias digitais estão distribuídas de modo desigual, não é? Elas mostram esse crescente abismo digital contemporâneo, assim como outras questões associadas à transição para serviços exclusivamente online.
Embora a inclusão digital possa aumentar a igualdade de oportunidades, mas ela ao mesmo tempo fomenta também uma cultura mais inclusiva que permita a todos participarem dessa ação estão usando mais recursos, recursos energéticos. recursos climáticos, recursos financeiros. Nossas necessidades de informação estão impactando o planeta, pressionando pela adoção da economia verde, mas também buscando solucionar tanto as preocupações ambientais como as sociais.
Temos que olhar os dois lados dessa questão sempre. E a sétima tendência da IFLA fala que as pessoas estão buscando conexão, maior conexão com suas comunidades, compartilhando espaços e recursos, pois isso é essencial para manter uma sociedade igualitária, buscando evitar as tendências ao isolamento, intensificando iniciativas para construir comunidades locais, discutindo novas formas de conexão, descobrindo os benefícios das comunidades virtuais e um impacto causado por padrões mais flexíveis do trabalho. Dentro dessas tendências da IFLA, a IFLA também produziu uma agenda de competências para fazer face a essas tendências.
E ela definiu três tipos de tendências de, desculpe, de competências, competências práticas. E então eu relaciono aqui letramento e inteligência artificial, letramento em privacidade, letramento em comunicação científica, conhecimentos básicos de programação, de gestão de projetos, gestão e curadoria da informação, letramento em mídia e outras competências mais interpessoais e colaborativas, como advoca-se, trabalhos extensionistas, marketing, comunicação, competências de negociação, gestão comunitária, colaboração, rede de relacionamentos, gestão de mudanças, pedagogia, conscientização cultural, competências narrativas. E o terceiro tipo de competências que a IFLA definiu para essa dentro dessa agenda, para fazer face às tendências que ela apontou, são as competências de desenvolvimento pessoal, imaginação, intuição, criatividade, busca da educação continuada, perspectivas futuras, tomada de decisões baseada em dados, em evidências, letramento, sobre riscos, conscientização profissional, mentalidade voltada para o crescimento.
Nesse contexto, nós estamos então passando a uma biblioteconomia que vai de aprendizes a líderes. Nós queremos empoderar a biblioteconomia. Os cursos de graduação e de pós-graduação em biblioteconomia estão passando por mudanças que vem examinando criticamente as estruturas de poder vigentes, buscando a descolonização do ensino, da aprendizagem e da produção de conhecimento.
Nesse contexto, a gente deve preparar os profissionais para oferecer serviços equitativos, inclusivos e acessíveis, apropriados a comunidades diversificadas em contextos tanto locais como globais. Qual é o papel da promoção da qualidade da educação em biblioteconomia? A IFLA tem um papel também na promoção da qualidade da educação profissional em biblioteconomia.
Por quê? Porque bibliotecas e serviços de informação são essenciais para a cultura, a ciência e a educação, pois eles contribuem para o desenvolvimento dos indivíduos, das organizações, de comunidades e de nações. Essas instituições demandam profissionais habilitados e continuamente capacitados.
E a IFLA, pensando nisso, produziu também nesta mesma época diretrizes para garantir a qualidade da educação profissional em biblioteconomia e ciência da informação. E são essas diretrizes que eu trago agora para vocês. são oito diretrizes e pensando essas diretrizes para aplicá-las no contexto do nosso programa de pós-graduação em biblioteconomia da UNIRIO, que agora conta além do curso de mestrado profissional em biblioteconomia com o curso de doutorado profissional em biblioteconomia.
Então, a primeira diretriz é a informação na sociedade. A informação e os documentos existem dentro de um determinado contexto histórico social, como bem falou o Cal e como bem historiou a Gabriela, estabelecendo uma relação dialógica com a sociedade e com a história, com outras forças culturais, econômicas, legais, políticas, entre outras. Pois essas forças são aquelas que modelam a informação e os documentos e permitem a sua circulação.
A segunda diretriz da IFLA para educação profissional em biblioteconomia são os fundamentos da profissão. Os fundamentos incluem uma introdução à profissão como campo interdisciplinar. O papel e a história da disciplina daquilo que informa e orienta a formação e a prática profissional em biblioteconomia.
A terceira diretriz são as tecnologias de informação e comunicação. Essas tecnologias facilitam a comunicação e a oferta de serviços nas bibliotecas e aprimoram a experiência dos usuários. O estudo dessas tecnologias inclui padrões, modelos, abordagens, requisitos e soluções para capturar, armazenar, gerenciar, processar, apresentar, publicar, colocar visibilidade e permitir o acesso e o uso de dados e documentos.
A terceira diretriz da IRF para a educação profissional em biblioteconomia é a pesquisa e a inovação. Uma base sólida de pesquisa e inovação requer o estudo de paradigmas de pesquisa, estruturas e conceitos teóricos, design e métodos de coleta coleta de dados, ética da pesquisa, análise e apresentação de dados e resultados e disseminação dos resultados da investigação. A quinta diretriz é a gestão de recursos de informação, que envolve todos os estágios da vida dos recursos informacionais, desde a sua criação até a sua apropriação e uso, incluindo a aquisição, identificação, descrição, organização, recuperação, preservação, independentemente da sua forma, do formato, do suporte ou do ambiente informacional.
A sexta diretriz fala da gestão para profissionais de informação e envolve teorias, conceitos, princípios, políticas e práticas para o gerenciamento eficaz de uma organização informacional qualquer que seja, incluindo liderança, planejamento estratégico, legislação e políticas, marketing e relações públicas, formação de equipes e gestão de recursos humanos gestão de instalações e recursos materiais. Finalmente, a sétima diretriz da IFLA para Educação Profissional em Biblioteconomia envolve as necessidades de informação e serviços aos usuários e abrange o desenvolvimento de soluções centradas nos usuários e baseadas em evidências que considerem fatores como inovação, equidade e custob-benefício e que são projetadas para atender as necessidades que o profissional bibliotecário identifica e observa no seu público alvo, resultando, de preferência em experiências positivas para esses usuários. Finalmente, a oitava diretriz é a alfabetização e a aprendizagem.
E ela envolve todas as formas de alfabetização e multiletramentos que apoiam a busca da aprendizagem ao longo da vida em uma variedade de contextos socioculturais, inclusive o conhecimento tradicional, né, promovendo o pensamento crítico e uma gama completa de habilidades cognitivas e sociais. Todas essas diretrizes da IFLA tem que ser pensadas em conjunto. E eu trago para vocês um depoimento recente do professor Murilo Bastos Cunha, que trabalha na Universidade de Brasília, é professor na Universidade de Brasília e ele recentemente escreveu um editorial na revista que ele edita, a revista Iberoamericana de Ciência da Informação.
Ele diz que é preciso haver uma reintelectualização da profissão. O bibliotecário deve usar as tecnologias como instrumentos para um tecido dialógico, ampliando o hábito de leitura, preenchendo as necessidades informacionais de uma enorme população carente de informação sólida e sem desinformação e priorizando a curadoria digital e a gestão de dados. Mas o mais importante é um depoimento que eu trouxe de 1975 de um professor britânico que veio ao Brasil quando nós ainda não tínhamos nenhum programa de pós-graduação e ele é contratado pela CAPS para fazer um relatório sobre a importância da criação da pós-graduação naquela época em bibliotec economia e ele diz: "O estatus dos bibliotecários é baixo no Brasil.
A documentação goza de mais prestígio do que a biblioteconomia. E as bibliotecas mais eficientes são normalmente as que desenvolvem atividades de documentação. A fim de melhorar o estado e a eficácia da profissão como fator essencial na vida social e econômica da nação, é preciso que se estabeleçam cursos de pós-graduação na área.
Isso foi em 75, justamente quando surgiram os primeiros programas de pós-graduação em biblioteconomia no Brasil e que evoluíram e hoje se apresentam de uma maneira bastante mais complexa e bastante mais extensa, incluindo o nosso PPGB. Programa de pós-graduação em biblioteconomia, que oferece um mestrado profissional em biblioteconomia e um doutorado profissional em biblioteconomia, tentando da melhor maneira levar em conta essas tendências discutidas aqui e essas diretrizes da IFLA para os cursos de educação profissional em biblioteconomia. Espero que muitos de vocês possam se juntar a nós nesse percurso para mais 100 anos de biblioteconomia.
Obrigada, Nanc. Muito obrigada. Eu só queria que você dissesse o nome do inglês para ficar registrado.
Ah, é o eh Harvard Williams. Perfeito. Obrigada.
O artigo dele está online. Hum. Muito bom.
tem acesso aberto. A sua palestra me lembrou que o o Freia Rabida, olha isso, em 1822, em outubro de 1822, foi nomeado logo após a independência como eh com o cargo de bibliotecário. Foi o primeiro até então, porque o termo utilizado na época era ou prefeito ou o zelador da biblioteca.
Ó, ó, op aí, ó, né? Então assim, eu eu considero ele o bibliotecário da independência, né? E nossa, a sua palestra eh me eu adorei essa essa palavra na biblioteca em ação, né?
Qu, eh, traz para nós uma biblioteconomia engajada com um olho na comunidade e o outro no mundo, né, nas suas diversas dimensões, a política, econômica, cultural e por aí vai, né? Então, agradeço demais por sua palestra. E seguimos aqui o roteiro com a palestra de Caio da Gama Gaudelei.
Eh, o seu trabalho é em conjunto com o professor Carlos Henrique Juvêncio, que não poôde vir hoje. Eh, e o seu título, o título do seu trabalho é Itinerários da Biblioteca Nacional. Então essa palestra, ela já se conecta com a segunda mesa que vai começar à tarde e vai trazer aí essa parte histórica, né, desse protagonismo da Biblioteca Nacional e dos seus bibliotecários e biblioteca, no caso bibliotecários, né, por conta da época.