E aí, pessoal! Tudo bem? Muito prazer, meu nome é Bernardo Prestes, sou médico cirurgião e faço parte do Rubi de Educação de Soluções Digitais aqui da África.
Nesse vídeo, eu quero falar com vocês sobre estratégias e orientações essenciais para uma carreira médica de sucesso e tirar algumas dúvidas recorrentes que aparecem para a gente sobre o tema. A gente levantou as principais dúvidas em relação a esse tema e eu vou começar a trazer algumas perguntas e respostas aqui. A primeira delas, e talvez uma que esteja muito na cabeça de vocês, é: como está o mercado de trabalho na medicina no Brasil hoje?
Essa é uma pergunta que vai divergir opiniões. Eu vou trazer alguns dados aqui, mas eu também quero trazer a minha percepção pessoal em relação ao assunto. A gente sabe que temos um aumento cada vez maior do número de médicos que se formam no Brasil, chegando a quase 500 mil médicos, e estamos almejando chegar a 1 milhão de médicos nos próximos anos, conforme dados da demografia médica.
Essa análise do número é uma análise fria e, quando muitos olham apenas para o número, começam com o discurso de que a medicina está saturada, que não vale mais a pena, que o médico virou uma comodidade. Eu penso o contrário. Sim, temos um aumento no número de médicos no mercado de trabalho e esse número vai continuar aumentando nos próximos anos, mas continuamos a crescer na qualidade dos profissionais.
Estamos crescendo com aqueles médicos que fazem a diferença, não por terem um certificado ou um currículo absurdo, mas por conseguirem fazer aquilo que é esperado deles: conversar com o paciente, ouvir o paciente, entender a realidade do paciente e fazer não uma venda de uma receita médica, mas sim um plano terapêutico personalizado para aquela realidade. O médico que souber fazer isso nas diferentes especialidades vai continuar nadando de braçada na medicina do Brasil, porque carecemos cada vez mais desse profissional. Cada vez vemos alguns exemplos ruins, médicos que não têm tempo para fazer um atendimento completo, que não têm a qualidade no atendimento que é esperada, e isso cria um contraste com esse perfil de profissional.
Então, na minha visão, sim, criamos um mercado bem competitivo na medicina, mas aquele médico, aquela médica que souber fazer isso bem feito vai continuar sendo diferente e tendo muito espaço aqui dentro do Brasil. Aí surge aquela dúvida, né? Uma outra pergunta que apareceu muito aqui para a gente nessa pesquisa que fizemos foi como montar um plano de carreira na medicina.
E eu quero, inclusive, juntar essa pergunta com a outra: Bernardo, como é que você escolhe a especialidade? Como eu defino qual a especialidade certa para mim? Eu acho que essas perguntas estão muito correlacionadas, porque muitas vezes, como médicos, acabamos recebendo influências da nossa família, dos nossos pares, dos nossos professores e, muitas vezes, ficamos muito ancorados em atender a uma expectativa alheia.
Muitas vezes, queremos medir nossa régua de sucesso com a régua de sucesso dos outros, e isso não pode dar mais errado. Eu brinco que a escolha da especialidade nunca pode acontecer de fora para dentro; ela tem que acontecer de dentro para fora. Então, para a gente montar um plano de carreira, para a gente escolher a especialidade, a pergunta que você tem que responder é: qual a rotina que você quer viver na medicina?
Porque você não vai ser feliz na exceção. Por mais que uma cirurgia super rara, super complexa aconteça e aquilo te dê aquele gás, aquela injeção de adrenalina, você tem que pensar: qual é a rotina dessa especialidade? E principalmente, qual é a rotina que eu quero viver como pessoa?
Então, eu quero uma rotina mais hospitalar ou mais ambulatorial? Estou disposto a passar um tempo dando alguns plantões noturnos para depois construir minha carreira particular? Ou não?
Quero trabalhar em turnos? Não quero ter o meu consultório? Não quero atendimento ambulatorial?
Quero uma rotina mais dinâmica ou prefiro uma rotina com horário mais fixo? Quero construir família? Não quero?
Então, são várias perguntas que a gente tem que responder antes de escolher na medicina. Eu vejo muitos médicos confundindo a medicina como a única parte da vida deles, quando, na verdade, a medicina é só a nossa carreira. Coloque isso como premissa quando você for estabelecer esse plano de carreira, porque assim você vai ter muita clareza de que não é só a medicina que importa.
Você precisa reservar espaço, deve reservar espaço para as coisas que são importantes para você como pessoa, para seus hobbies, para sua saúde, para sua família, para seus amigos, enfim, para seus parceiros de vida. Então, coloque isso na linha do tempo, porque senão você vai só pensar na profissão, no trabalho, no dia a dia, na abdicação. Ok, talvez você atinja muito sucesso, talvez você seja um médico de maior referência na sua área do Brasil, mas será que essa jornada vale a pena ser percorrida sozinho?
E você chega lá no final, olha para trás e vê que está faltando alguma coisa? Então, quando você for pensar no seu plano de carreira, você tem que pensar também nas outras áreas da sua vida. Essa pergunta, acho que está muito relacionada com uma outra que também recebemos: como nos tornamos um médico referência na nossa especialidade?
E aí, eu vou responder essa pergunta com uma frase que eu ouvia de um professor meu, um grande professor, um grande cirurgião, que tive a oportunidade de conhecer o trabalho mais de perto durante a minha faculdade. Ele falava o seguinte: "Devagar que eu. .
. ". Tô com pressa.
Muitas pessoas querem o ganho rápido, querem a fama, o status, o holofote, sem antes trabalhar de bastidores. Então, não tem jeito, pessoal: a medicina é uma carreira, é uma construção de longo prazo. Então, como você se torna um médico referência?
Você se torna construindo uma formação decente, construindo oportunidades ali de especialização, seja ela via residência, pós-graduação ou ambos. Mas não é só sobre conteúdo. Aqui, os médicos, os melhores médicos que eu conheço, sabem muita teoria, sabem muito sobre medicina.
Mas sabem onde estão: eles têm um relacionamento, são bons de lidar com gente. É impressionante como todos os médicos que atingiram um outro nível na medicina têm um "networking" social, têm tato, têm carisma; eles sabem se comunicar. Na minha visão, é isso que faz a diferença, junto com uma base sólida de formação e cuidado com a expectativa de algo.
Apenas olhar para o palco dos outros sem conhecer os bastidores. Então, às vezes você vê um médico que está mandando super bem, que conquistou muita coisa na carreira que ele está vivendo, e aí você se compara, você quer aquilo, você se mede por aquela régua, mas você não sabe o bastidor, você não sabe o que ele passou para chegar ali. Então, foque na sua própria jornada.
Compare-se com o seu eu de hoje versus o seu eu de ontem, ao invés de ficar olhando para o lado. Eu tenho certeza de que isso vai te fazer muito mais feliz nessa dura jornada que a gente tem pela frente. E lembre-se: devagar, que eu tô com pressa, porque, se a gente tentar acelerar as coisas, provavelmente não vai dar certo.
Pessoal, por hoje foi isso. Queria agradecer a presença de cada um que assistiu a este vídeo e queria te fazer uma provocação: eu gostaria que você comentasse aqui embaixo quais perguntas você quer que a gente traga nesse nosso quadro, porque assim a gente consegue trazer o melhor conteúdo para você. Valeu, muito obrigado!