o que que você acha que realmente é ser feliz já começou já com o pé no peito né na verdade eu acho que essa questão da Felicidade ela nunca vai ter uma resposta definitiva talvez ela seja na última linha uma busca muito individual sabe E aí que eu acho que a filosofia acaba entrando de uma maneira muito útil pra gente pensar o que é felicidade para cada um de nós eu não acho que a gente nunca vai conseguir definir as coisas mas é o mais engraçado é que por mais que a gente não consiga definir
o que é ser feliz o que é felicidade a gente tem essa ideia de que é algo muito grande que transborda que é intenso da parte boa sabe então eu acho que eu é impossível te dar algumas respostas baseada na minha experiência ou na tua ou de qualquer filósofo eu acho que a filosofia coloca algumas coisas pra gente pensar no que é ser feliz mas a resposta definitiva a gente dificilmente vai encontrar se a gente for lá do do começo da filosofia até agora nas nossas conversas que a gente estava tendo aqui a minha resposta
vai ser diferente da tua Eu acho que o que vai te dar a percepção de felicidade vai me dá são antes de tudo os nossos valores de vida o que tem valor pra nossa vida sabe o que o que que realmente conta quando você pensa em estar bem em estar pleno sabe eu acho que felicidade é um não necessariamente um ponto de chegada eu acho que é uma situação que você vai vem ela é instável e acho que Essa parte é impossível ser feliz o tempo todo eu acho que é absolutamente impossível mesmo porque se
a gente fosse feliz o tempo todo talvez a gente não reconhecesse a felicidade a gente precisa desses antagonismos para entender o que faz bem a gente precisa saber o que é lixo para saber o que preservar né Eu acredito que que é mais ou menos isso e a gente coloca por exemplo pr pra Espinosa a gente tem esses momentos felicidades são momentos né Não não é uma linha de chegada já para outros filósofos é o fim da vida que você vai saber se você é feliz ou não Aristóteles no final da vida vai te falar
assim olha você só vai poder saber se você ter uma vida feliz no final da sua vida o que pode ser uma ideia muito coerente para alguns para outros nem tanto sempre vai a partir do nosso valor particular entender o que é ser feliz e para mim para mim agora falando da fla para mim a felicidade são esses momentos que você consegue ver que nada falta nada sobra você consegue est presente eu eu acho que felicidade para mim é presença essa possibilidade que você tem de não pensar num futuro não pensar num passado você tá
tão fluindo Aquele momento que que nada te falta você não consegue pensar em mais nada você só tá ali para mim essa felicidade é uma felicidade possível mais do que qualquer tentativa de colocar em fórmulas que a gente tenha eu acho que é felicidade é antes de tudo presença é plenitude sabe essa e junto uma vontade de compartilhar eu acho que vem junto com a felicidade mas são sempre momentos eu acho mas essa felicidade vem de do seu corpo assim eu falo biologicamente falando ou vem de algo além disso algo metafísico ou seja eh espiritual
assim digamos né Eu acho que tem as duas perspectivas Eu acho que um corpo são te dá condições de fruir os momentos que tem valor para você né e enquanto partida Existem algumas coisas que talvez a gente não consiga colocar em palavras como a própria felicidade a gente não consegue colocar em palavras ou definir o que que é aquele sentimento de de Plenitude que a gente tem então eu acho que tem não sei se é metafísico a palavra mas é uma percepção única e parte eu eu acho o seguinte se você atribui sempre a sua
felicidade a uma busca incessante de momentos de prazer por exemplo você só vai ser feliz queela eh nunca vai ser feliz plenamente vai ser sempre sempre vai est faltando algo aquela coisa de quando você conquista Ah e agora o próximo o próximo você nunca consegue fruir a tua Conquista isso eu acho que é um problema da materialidade da parte da Felicidade quando a gente fala de felicidade né você atribuir sempre a coisas materiais externas a você são causas transitórias só que essas causas transitórias podem também te dar eh o que Espinosa chamaria de alegrias ativas
são a partir dessas causas externas a você que você começa a se relacionar com as coisas de uma forma que te faça mais feliz você começa a dentro de você você começa a despertar a a sua a sua razão para aprender como e em que medida se relacionar com as coisas para ter uma vida mais feliz digamos assim mas então segundo Espinosa a matéria é importante pra felicidade sim Espinosa é o Pensador da imanência por definição e essa imanência é o quê tudo é é basicamente a realidade é tudo que existe Não existe nada transcendental
não existe nada que transcenda o nosso mundo alguma idealidade religiosa ou de qualquer outro aspecto que não possa ser explicado pela razão Espinosa de uma forma muito particular é um racionalista ele é racionalista tudo é explicado pela razão só que não existe um racionalismo que a gente fala eh no senso comum no sentido de Uma Razão Pura como outros filósofos propuseram uma razão que condiciona a experiência não para Espinosa nós somos primeiro nós conhecemos primeiro pela experiência a nossa experiência é Base pro conhecimento porque nós somos seres relacionais a gente está o tempo todo afetando
e sendo afetado pelo mundo não existe uma um direcionamento ó só você afeta e não é afetado não é o tempo todo que a gente é afetado e afeta por isso que essa materialidade é essencial pra gente conhecer o mundo e a partir disso a gente por meio da razão a gente entender como se relacionar com as coisas para essa felicidade acontecer mas não é uma felicidade que vai te tirar do mundo para uma idealidade inalcançável não existe uma referência que seja inalcançável ao contrário disso é uma felicidade possível é uma felicidade da experiência e
é impossível você ter um corpo debilitado eh não ter condições de viabilizar a sua vida materiais você não ter dinheiro para pagar as tuas contas e ser feliz então é é uma coisa intrinsecamente ligada à outra é indissociável então essas percepções vão acontecendo nas tuas vivências elas vão se dando e você vai percebendo o que porque PR Espinosa nós somos seres a racionalidade de Espinosa parte das paixões mas assim dá um exemplo pra gente entender mais essa relação com a matéria seria mais basicamente eu comprar um iPhone novo porque eu gosto ou tipo um carro
de luxo como que funciona isso tá é assim pra Espinosa o que acontece quando você coloca isso que você tá me dizendo Ah se eu comprar um um iPhone você atribui a a causa da sua felicidade a uma causa transitória a uma mas não tá relacionada à matéria Sim claro que tá relacionada à matéria só que o que acontece essa paixão é uma paixão inadequada no sentido de que você tá colocando eh isso V vamos até descolar de Espinosa vamos falar da gente das nossas percepções Olha como isso você depende de algo fora de você
que vai colocar alguma coisa em detrimento da da de você o quanto esforço Você vai precisar para alcançar Esse iPhone se você não tiver esse iPhone você não vai mais ser feliz como que é isso aconteceu alguma coisa se o seu carro quebrar por exemplo você vai deixar de você entendi ah então se teu carro quebrar Como que você vai se relacionar com isso se você simplesmente tem essa pulsão de ficar bravo de praguejar tudo de acabar com o teu dia Cara você tá muito presa a uma materialidade que foge ao seu controle você quer
você quer controlar O que é externo a você que você não tem nenhum controle a partir disso Como que você quer controlar isso como que você quer ser feliz atribuindo a causa da sua felicidade a algo que você não tem controle nada foi feito para nós cada coisa é em si aí agora quando você não controla a coisa você não não tem como controlar essa materialidade e atribuir só a isso a causa da sua felicidade a felicidade tá bastante pobre mas então pode ter uma relação saudável aí ou é interessante que não tenha nenhuma relação
ó aí a gente pode até trazer Epicuro para ajudar a gente a pensar nisso é o seguinte vamos pensar que a gente PR Epicuro a gente tem três tipos de prazer tá a gente tem o prazer natural e necessário o prazer natural e não necessário e o prazer não natural e não necessário o primeiro deles que é o natural e necessário a fome tá é um corpo é são os prazeres que são essenciais a manutenção da vida digamos assim que para Epicuro o prazer maior os prazeres maiores a felicidade a ataraxia da Alma que ele
chamava essa tranquilidade da alma e é o corpo não senti dor é são é tudo aquilo que faz com que você chegue nesse estado uma alma tranquila e um corpo vivo digamos assim Esses são os prazeres primeiros né são os naturais e necessários e depois tem os prazeres não naturais os naturais e não necessários Poxa você bebe uma água quando você tá com sede acabou a dor certo você tá bem ok Poxa mas isso não quer dizer que você não possa tomar um bom vinho você não possa tomar uma uma bebida Rara alguma outra coisa
para saciar a sua sede para ter um momento de prazer contanto que esse prazer não te cause uma dor futura maior você precisa fazer esse cálculo hedonístico poxa ter sede é normal ter sede de vinho não é normal mas vai te prejudicar faz sentido não ok então eu vou ter Este vinho certo É mas se você colocar na ponta do lápis por exemplo hoje na ciência se comprova que toda a dose de álcool é prejudicial como que se colocaria nesse caso por exemplo então eu sinceramente não sei os dados aonde que o álcool entra cientificamente
se é totalmente prejudicial Mas vamos trocar Então porque não é bem essa a a ideia vamos trocar o um suco de laranja vai que seja uma bebida que você goste muito seja ela qual for tá vamos tirar o álcool da jogada então sendo uma bebida Que bebida você gosta água com gás sei lá água com gás Ok mas para você manter o teu corpo você não precisa dar água com gás só água já é o suficiente mas se você tem uma E outra você pode escolher você escolhe a da tua preferência vai te causar alguma
dor substituir uma por outra você vai ficar endividado por ter que comprar uma água com gás não então não vai trazer prejuízo é uma é é um prazer natural e não necessário Uhum é natural que você queira outro variar mas você não vai morrer se você não tiver tá E aí tem o terceiro tipo de prazer que é o não natural e não necessário que é aquele que vem da ideia inadequada das coisas de de você ter prazer você não calcula a dor que isso pode te trazer você não Calc Você vai em busca daquele
prazer o tempo todo acabou aquele prazer você precisa de outro de outro é um prazer que você não calcula as dores que isso pode te trazer é o sentido do iPhone por exemplo Poxa você ganha R 30.000 por mês você comprar um iPhone de 10.000 talvez faça sentido agora para uma pessoa que vai comprar que ganha r00 R 2000 por mês comprar um iPhone de 10.000 que que ela vai precisar para fazer isso ela vai abrir mão de tempo com a família porque ela vai ter que trabalhar mais ela vai ter que vender coisas sei
lá vai se endividar corre o risco de não conseguir pagar para ter um iPhone então a dor é muito maior do que o prazer Você acha que a gente tem que fazer uma balança então eu não não acho nada eu tô te dizendo que o Epicuro coloca pra gente pensar na nossa vida é o que eu te disse a nossa felicidade vai partir dessa de repente da gente usar dessas ideias de grandes Mentes pra gente pensar a nossa vida para mim particularmente essa ideia faz sentido se você hoje tem uma dor que é suportável para
ter um bem no futuro Por que não se você tá poxa você tem toda tem um plano pra frente alguma coisa um prazer que você almeja alcançar Qual é a medida da dor que você tá disposto a passar para alcançar o que você quer esse cálculo eu acho que é interessante sabe e é o que o picuro propõe pra gente é algumas dores são preferíveis que alguns Prazeres às vezes porque o que alguns Prazeres nesse momento vão causar uma dor futura tão maior do que esse prazer momentâneo que talvez seja preferível você escolher a dor
porque essa dor pode te causar um prazer madrugadas trabalhando alguma coisa e você vê teu podcast cada vez maior por exemplo Poxa valeu a pena aquela dor valeu a pena então é esse cálculo que a gente chama de cálculo hedonístico né que é o cálculo porque quando a gente fala de picuro tem essa coisa do Prazer da porque PR picuro é natural que a gente busque prazer e fuja da dor isso é natural só que é sempre muito mal interpretado Não é esse prazer que tira eh eh eh o prazer sabe o prazer que se
encerra no próprio prazer a Qualquer Custo não o sábio sabe fazer esse cálculo sabe pesar dores e prazer para fazer as suas escolhas mas se existe uma fórmula para isso absolutamente ninguém vai saber quanto de de dor você tá disposto a suportar Qual é o prazer que você dá valor são coisas diferentes e aí eu acho que entra essa questão da singularidade que a medida de prazer e de dor concernente a cada um de nós é coisa do singular não tem como eu te dar uma fórmula do prazer uma fórmula de tantos dias trabalhando vão
te dar o resultado não existe então assim é o que serve para um não serve para outro então esse cálculo eu acho que tem que ser colocado na mesa quando a gente pensa nas coisas que a gente atribui às causas da nossa felicidade