e vai chegar um tempo que tu seja a caça em dia e onça não nasci para ser taça tu é pequena mas tu sabe disso porque estou cá contando isso para tu bom se a dona da Mata não é bicho que se acha no Muquém quando tu precisar me chama e eu chegarei quente vinda pelo cheiro do teu suor e te pego e te levo para onde do que te a morfina Olá seja vai vir tocar na chave de leitura no vídeo de hoje a gente vai conversar sobre o som do rugido da Onça livro
da autora micheliny verunschk que que é além de escritora uma Historiador A Pernambucana Esse aí foi publicada o ônibus 21 pela Editora companhia das Letras é um nível bastante fininho mas não lembro que me agradou um bocado ele tem essa capa super bonita com mais onças e apesar de ser o quinto livro da autora é o primeiro livro dela que eu olhei esse livro surge a partir de uma experiência da própria autora que foi uma exposição e viu as imagens Não deixe de duas crianças indígenas essas crianças existiram as eram conhecidas como Isabela miranha e
Johann júri Eles foram rebatizadas na verdade por dois pesquisadores né dois naturalistas que vieram ao Brasil no século 19 não expedição para fazer pesquisa e quando eles voltam para a Alemanha esses pesquisadores que se chamavam spix e Martius eles decidem levar algumas crianças e animais espécimes botânicos né E eles levam oito crianças das quais só duas sobrevivem e chegam até Munique que são essas duas crianças que a Micheline vi uma exposição E essas crianças acabam morrendo logo depois então isso é uma história real dessas crianças ela é contada um pouco na orelha do livro e
se vc pesquisar no Google você encontra informação inclusive essas imagens que a Micheline viu lá e aí a Michele me conta eu ouvi essa história no episódio do podcast da companhia das Letras em conta que ela fica um pouco obcecada com essas crianças né que essas imagens tiveram um efeito nela e ela não conseguia parar de pensar naquilo ela foi visitar a exposição várias vezes e ela ficou se perguntando o que que ela deveria fazer com aquela inquietação e ela abre então escrevendo esse livro que eu acho que se beneficiou muito do fato de que
a Micheline é Historiador a eu não li nenhum livro dela mas eu vi que ela também é poeta e o livro ele acho que uma muito bem essas duas coisas a história e a poesia a Micheline decidi criar uma história para essas duas crianças cuja história não teve essa mas não só tem a versão dos europeus à questão desses cientistas alemães enfim a versão oficial que a versão da colonização e ela decide criar então uma história para esses meninos já não está criada então o livro ele é uma criação e é uma releitura artística do
que aconteceu e do que pode ter acontecido ela faz muita pesquisa que é muito da cultura dos povos originarios para compor o inverso dessas duas crianças dos povos miranha e Julieta os povos dessas duas crianças eles não eram do mesmo povo né o menino ele estava no na aldeia da menina porque ele já havia sido capturado depois de um embate e ela decidi então criar essa história que é muito poética e muito inventiva porque ela mergulhar muito fundo nas mitologias criando também a partir daí então a história tem muito de Realismo mágico e quando eu
penso em Realismo mágico eu penso no que o gabo Né o Gabriel García márquez falava do Realismo mágico não como algo Fantástico no sentido do que não existe mais de isso que é considerado mágico mais que para muitas pessoas é real né e é real das suas culturas nas suas crianças Então eu acho que o realismo mágico aqui pode ser lido muito assim também né a partir das mitologias e crenças e costumes dos povos original a Micheline Conta essa história então de como essas crianças deviam e como atacante cobertas por esses dois ruralistas e como
elas são retiradas do seu lugar de origem e levadas para a Alemanha onde elas vão Neves sofreu um bocado essa mudança mas ela vai também contar a história de uma mulher chamada de um dela só que é uma mulher que vive nos nossos tempos e que de certo modo se vê impactada com a imagem dessas duas crianças ela põe na Josefa o espanto que ela de certo modo sentiu na exposição E cria uma história para Josefa uma história também de inquietação com essas imagens e de uma certa busca por uma história por uma ancestralidade a
partir desse encontro com essas imagens além disso ela vai contar uma história mítica o livro Cruz ele começa com o mito de origem do povo miranha e ela vai explorando essas mitologias ao longo do livro inclusive mudando os registros narrativos a história é contada de forma linear e ela não conta apenas um tempo né como não em conta a história dessas coisas do século 19 e da Josefa que é do nosso tempo mas ela conta outros eventos relativos Alemanha de outros centros relativos aos povos originários de outros tempos então ela vai contando essa história que
tem várias linhas temporais e que existe uma certa simultaneidade atemporal também se esqueça de tempo se entrecruzam eu achei isso interessantíssimo achei interessante que ela tenha trazido isso pra cá pela tenha mudado Inclusive a percepção temporal ela muda os registros então quando a história é uma conta ela fala dos pesquisadores ela tem um registro narrativa mais realista quando fala da Josefa também mas quando fala nas crianças indígenas ou dos mitos dos povos originarios é uma linguagem toda especial a gente é Impossível não lembrar do Guimarães Rosa que Inclusive a epígrafe da segunda parte O livro
é dividido em três partes e a epígrafe da segunda parte é uma situação do Grande Sertão Veredas porque a Michele faz uma construção linguística aqui que é muito maravilhosa que é muito por ao mesmo tempo que faz um tempo Resgate dessas dessas e claro de vários livros que os povos indígenas tiveram muitos e tiveram muitos idiomas muitas línguas diferentes e ela explora é esse de maneiras muito bonitas o início do livro como eu falei tem essa coisa de Mito de origem ele fez muito bonito mas eu queria separar uns trechinhos de texto para vocês verem
mais ou menos como é eu vou ler um fragmento bem no início O que é falando um pouco dessa desse rápido né desse processo de levar os meninos para Alemanha né no navio foram muitos de muitos dias por Mar e Terra e o tempo e que eles estiveram no mar foi de medo fome e doença o mar Eles não sabiam se afigurava como um grande ajuntamento de todos os rios que os assustavam com sua boca enorme seu rugir mesmo na calmaria sua respiração de bicho surdo e Feroz por baixo de seus pés estremeciam tanta água
não nunca haviam conhecido o espírito assustador em sua barba salgada estudando mas Onze Aqui não por vezes o próprio céu investir em Água sob seus pés água de corria despropositada de bóia acima da cabeça dele água exato inserir talvez borduna ou flecha investir de novo voo às vezes sobre seus corpos a água em cristais coloridos muito frio coisas que cortam e batom mas adiante ela diz assim Isabela e Johann são os nomes escolhidos para Nova Vida que os brancos pensam dar a n e ao menino júri sob os desígnios do rei que a propósito se
chama Maximiliano primeiro da Baviera é curioso que é um rei você possa destronar guilhotinar e até executar ante a salva dos possíveis mas que tem o nome e retire mesmo que deixa de ser em si é o nome composto de vários outros nomes em uma tela labiríntica de ascendentes será sempre uma marca no privilégio que recebeu a endereço isso claro se foram e o menino julho por exemplo que sucederia seu pai em algum momento de sua vida na floresta tem seu nome negado o certo é que parece os captores foi interessa saber que ele é
de honra do cor Júnior e ela Isabela por miranha ou tão somente miranha e Julie duas rostos sem corpo dois nomes sem história a terceira parte do livro é hoje altura mergulha nessa coisa da mitologia e ela cria um aspecto da vida da Nenê nessa menina miranha que é todo diferente todo marcado por essa relação com a natureza né com a sua relação com a mitologia as crianças os animais as divindades vamos assim da natureza e como que faz certa a vida da menina porque a menina tem uma relação com a onça é por isso
que tem o título e decidiram incluir o rugido da onça né e tem a ver com a passagem que o like que abre o livro eu não queria os meus pais essa parte e ela é perto do final e ela é uma coisa muito interessante do livro que eu achei interessante para quem vai ir mas é a parte do texto que mais me encantou de fato acho que esse pedaço do início do livro que eu li ele já dá essa mostra de como a Michelin constrói bem e Forró muito bonita essa linguagem que é ao
mesmo tempo em que é mesmo tempo um resgate e interessante falar que isso é um livro bastante político ele é muito interessado em mostrar como os processos civilizatórios foram muitos violentos e muito desrespeitosos com os povos originarios das terras que foram invadidas ele busca Expor essas violências e sua a desproporcionalidade das dessa violência em relação por exemplo as guerras internas que já existiam e ele busca evidenciar também como os povos indígenas estão eternamente em guerra no Brasil né como na medida em que muitos dos seus direitos e muitas muitas da dignidade E como eles gostariam
de ver não é respeitado e interessante que eu fiz essa leitura justo agora né E quando a os direitos dos povos indígenas tá muito em Fuga por causa da pele 490 que é uma pele que busca flexibilizar e a demarcação dos territórios de um modo que é desfavorável para eles e então é interessante porque ela resgata e eu fui a Micheline ela faz assim mosaico textual muito interessante no texto dela nessa nessa releitura que é vamos dizer que ela tá ela faz ela procura fazer uma releitura Histórica no sentido que é uma criação literária criação
artística e releitura seria nesse sentido de uma cria uma obra versão uma versão que seria a versão dos povos invadidos os povos violentados e ao mesmo tempo ela faz uma leitura crítica na versão oficial então ele também essa leitura crítica da história oficial e é uma leitura também muito poética né então ela também tem muito desse Resgate a cultura de vários povos indígenas que ela fica aqui no final quais são o que é um resgate uma homenagem é muito bonito modo como ela insere os livros as falas dos Campos a linguagem no texto e foi
realmente por isso que faz aquela cabeceira parte um disso é muito mais desenvolvido minha pena agravada mais nosso livro ele tem essa questão política de mostrar essa guerra infinita guerra que não acaba na medida em que os povos têm os seus passos diminuídos né a dignidade da sua vida abalada né a gente viu que por conta da corrigir 19 e também foi um problema muito sério né porque afetou grupos que tinha uma defesa imunológica muito menor que a nossa porque eles estão menor contato que a gente contra as doenças outros vírus a gente percebe que
existe uma má vontade grande do governo atual em dialogar com esses poucos e entender as necessidades desses povos do ponto de vista triste não existe uma certa tendência a um É o quê É o quê É o mundo que é o melhor para que esses povos e isso é muito desencontradas e aí a Michele ela faz um inserção de textos externos eu não vou escrever muito como é que demonstram muito isso né Essa costura do intruso sempre como uma costura muito agressiva ou violenta o injusta de certo modo o redutora no modo como descreve no
texto é mentirosa então existem textos aqui são históricos existem registros de Diários desses personagens históricos que são citados no livro existem exemplos de notícia ela vai colocando essas coisas no livro de um modo muito interessante e incorporando esses textos a narrativa coloca desenvolvendo né e eu acho que ela faz isso muito bem assim eu fiquei realmente muito impressionada com o trabalho que ela faz um modo manter elasa porque não é uma narrativa pobre como eu falei ela não é uma narrativa a ganhar ela e deixa ela tempos né ela intercala momentos perspectivas tipos de registro
diferente para narrar diferentes tipos de história então foi um livro que me impressionou bastante assim no primeiro contato eu acho muito proveitoso com a hora da higiene e eu livro que eu adoraria que as pessoas lessem lá acho que tanto pela leitura crítica vai dar muito difícil fazer livro político e pelo no seu lugar literário né Eu acho que muitos muitos escritores poetas e como uma ponte fizeram isso muito bem mas não é fácil né o muitas vezes incorre-se no no risco de o livro ficar muito completar e pouco literário ou artístico e eu acho
que a Micheline consegue esse equilíbrio de fazer um texto que ele é ele é muito bonito ao mesmo tempo que ele tem sim muito de leitura crítica e de texto político também mais o Esse é um peixe muito bonito com cenas muito bonitas com momentos muito encantadores também muito triste tem que nos proporcionam também de certo modo essa experiência inesquecível que não é sua imersão na arte mas é é a imersão na arte que se apropria dessa por um momento assim e de modo também referente dessa cultura que não é uma cultura que talvez esteja
tão bem Extreme para nós que é a cultura dos povos originais e claro não é uma cultura são vários mas eu acho que ela tenta pegar o que ela consegue articular e várias maneiras no fim do livro como eu falei ela vai Citando de onde ela tirou suas referências né E a gente vai percebendo como algo Eu navegação sentir necessidade de consultar ao longo do livro eu me deixei levar por aquelas histórias mitológicas conta com cobra né com o Rio e eu gostei muito também inclusive porque me pareceu Apesar de o livro ter essa perspectiva
na personagem em São Paulo a personagem não é paulista e eu não sei se eu me lembro bem ela de Ah mas Apesar dele tem esse homem aqui em São Paulo eu achei que a gente sai um pouco dessa perspectiva português Tina um pouco quando ela me segue os elementos culturais assim dos povos originarios né então eu achei interessante e não é só se o destino mas acho que sai nos convida a entrar nessa versão também um pouco fora das próprias referências ocidentais Torres né e colonizadas né certo modo E então eu gostei muito do
livro acho que é um lançamento ainda esse ano muito bom e promissor e eu livrinho curtinho mas não se engane tá não é horrível assim que vocês em alta ler fácil de agora eu acho que o texto até pela beleza pela suas características ele tem manda assim seu tempo Sua calma achei interessante ele é calma é esse Então me diga que você já leu o que vocês acharam se você tiver algum outro livro da Michele e o que vocês Acharam você tem alguma recomendação para fazer e muito e pela companhia Muito obrigado aos apoiadores enviamos
para a pé meu trabalho beijos e até a próxima