Então, agora a gente vai falar um pouquinho do controle homeostático. Já tendo essas referências de estímulo e resposta, a gente vai tentar entender um pouquinho do papel, em especial, do hipotálamo na nossa motivação, né? Ou de estruturas subcorticais na nossa motivação.
Alguém me perguntou do transtorno de déficit de atenção; a gente vai ver lá na frente. A gente vai falar um pouquinho sobre isso quando a gente falar de traços de reforçamento, memória prospectiva e funções executivas, certo? A gente vai chegar lá, e é um conteúdo bastante importante.
Por hora, eu estou construindo a base desse conhecimento, né? Estou construindo alguns elementos que ainda não chegaram no ponto do controle atencional, né? Porque esse ponto do controle atencional, e no que diz respeito ao TDAH especificamente, ele envolve as funções executivas.
As funções executivas, a gente tradicionalmente associa a circuitos que envolvem o córtex pré-frontal, e a gente ainda agora está, de certa maneira, discutindo os sistemas subcorticais. Alguém me pediu para definir as emoções; é o que a gente vai fazer agora. Para definir as emoções, a gente tem que entender do hipotálamo e do controle homeostático, certo?
Porque, por exemplo, existem alterações que, nem eu falei para vocês, essas alterações reflexas e de controle hidrossalino, de controle da temperatura, de controle da pressão arterial, que elas não necessariamente vão envolver comportamentos no ambiente. Por isso que elas não chegam, muitas vezes, a ser processadas num nível mais alto, né? Ou eu não gosto da palavra, mas vou usar, de consciente.
Elas não promovem um relato que envolve a autorreferência, certo? Então, por exemplo, teu cérebro está agora controlando tua pressão arterial e você está alheio a isso, né? Então, não chega a produzir uma experiência, isso, certo?
A resposta emocional, ela, em geral, produz uma experiência, apesar de, às vezes, essa experiência não ser facilmente percebida. A resposta emocional, os ajustes que estão ligados à resposta emocional, elas sempre vão promover uma experiência, e para isso a gente tem que entender o papel do hipotálamo, certo? Para que a gente possa dar um passo a mais.
Eu diria assim: a pessoa disse que não entendeu bem o exemplo do ônibus. Imagina o seguinte: imagina o seguinte, você tem uma experiência muito ruim num ônibus, certo? Uma experiência horrível no ônibus.
A probabilidade de você voltar para o ônibus, ela diminui muito, porque toda vez que você chega lá, existe um ajuste fisiológico relacionado àquela experiência anterior, né? O que eu falei, de certa forma, em relação ao ataque de pânico, porque é uma coisa que hoje em dia já é relativamente bem conhecida da população, é que os ataques de pânico, eles são extremamente desconfortáveis. E quando você tem um ataque de pânico num determinado ambiente, aquele ambiente, ele acaba adquirindo capacidade de promover um novo ataque de pânico, certo?
É aquela coisa que você diz: “Ah, não! Só de lá eu já me sinto mal,” certo? Se sentir mal é uma mudança no teu estado fisiológico, né?
A Grazi tá dizendo que teve isso. Fabiana, a gente vai falar; a motivação tá implícita nisso. E é isso que eu brinquei com vocês.
Imagina o seguinte: eu tenho um ataque de pânico dentro de um ônibus. Obviamente, a minha motivação para pegar ônibus, ela fica afetada, certo? Mas se eu continuo pegando ônibus, mesmo tendo um ataque de pânico dentro do ônibus, existe motivação para mim pegar o ônibus, certo?
Ela não tá diretamente ligada à emoção. A emoção modula a nossa motivação, mas ela não determina a nossa motivação, certo? Então, é isso que eu estou falando.
Agora, algumas coisas para que eu acho que se tornem mais compreensíveis para vocês. A gente vai ter que avançar um pouquinho no conteúdo, né? Mas eu acho que, na medida em que a gente vai avançando no conteúdo, essas questões vão ficando mais claras para vocês, certo, pessoal?
Então, de certa maneira, quando a gente pensa no hipotálamo e na homeostase, a gente tem que pensar que existe um controle que também está combinando informações do ambiente externo com informações do ambiente interno, certo? Então, imagina a seguinte situação: eu tenho uma entrada sensorial. Essa entrada sensorial, ela é, que nem eu falei para vocês, um mapa do ambiente externo.
Ela me diz respeito a algumas coisas, a uma modalidade energética, por exemplo, se a modalidade é térmica, essa é a modalidade química, se a modalidade é mecânica ou se a modalidade é nociva, certo? Ela me traz também uma informação sobre localização, onde é que esse estímulo está em relação ao espaço, certo? Tanto externo quanto interno, né?
Uma dor, por exemplo, que eu tô sentindo em determinada região, ou um objeto que eu preciso localizar no espaço, certo? E aí, tem um elemento que é interessante para nós, certo? Que essas respostas vão promover alterações reflexas que eu falei para vocês.
Por exemplo, vocês veem ali na imagem que tá no vídeo de vocês os receptores hipotalâmicos influenciando na atividade de estruturas subcorticais, que a gente chama de bulbo e ponte, e no hipotálamo, certo? Esses centros de controle estão ligados à resposta reflexa. Sabe, por exemplo, quando você tá no trabalho e o teu chefe diz assim: "Fulano, vem aqui na minha sala que eu quero conversar com você," e a frequência cardíaca aumenta, certo?
Isso se dá por conta desses sistemas de controle subcorticais que envolvem estruturas do tronco cerebral, que são estruturas mais profundas, né? Ali, vocês conseguem observar no desenho ao lado, né? Onde elas estão localizadas, né?
O bulbo, a ponte, hipófise. Ali a gente vai ter uma série de núcleos que regula a nossa resposta autonômica: a frequência cardíaca, a nossa digestão, a pressão arterial, a eliminação de. .
. líquidos, entre outros aspectos, que são feitos de maneira automática, certo? Sem que você precise intervir diretamente nisso.
E também a resposta endócrina às nossas alterações hormonais, né? Eu sei que as mulheres, muitas vezes, têm uma melhor capacidade de entender isso porque sofrem mais do ponto de vista das alterações hormonais por causa dos ciclos que elas já têm. Mas, normalmente, diariamente, os nossos hormônios estão influenciando no nosso comportamento, certo?
Sim. E Iuca, a menopausa, ela tem uma série de alterações, inclusive neurológicas, que envolvem, por exemplo, aspectos cognitivos, certo? Existem vários dados mostrando para nós que existem alterações cognitivas significativas ligadas à menopausa, né?
Que já podem ser sentidas, às vezes, durante o climatério, né? Mas isso é uma discussão que foge um pouquinho do que a gente pretende aqui, né? Mas é um exemplo interessante também, certo?
Alterações hormonais também podem. . .
os homens também podem sentir alterações hormonais, certo? Mas uma grande parte das alterações hormonais que vai influenciar na maneira como nós respondemos foge mental tem relação com a menopausa, sim. E Patrícia, mas pode estar ligada ao Covid também, certo?
Então, tem algumas coisas aí que a gente tem que ter cuidado para passar informação, porque existe uma série de componentes que podem estar influenciando. Mas, de uma certa forma, o que eu quero que vocês entendam é que há alterações hormonais que são bastante perceptíveis, né? Por exemplo, a tal da TPM, né?
Alterações hormonais que envolvem o climatério, a menopausa, certo? Por exemplo, a pessoa pode ficar menos disposta, pode ter alterações de humor, e tudo isso vai implicar na capacidade dela de ativar o seu comportamento, certo? Podemos ter alterações hormonais que influenciam o nosso comportamento, mas que não estão claras pra gente, certo?
Por exemplo, alterações nos hormônios da tireoide, certo? Que podem ter um impacto muito grande sobre algumas respostas fisiológicas, fazendo com que nós tenhamos experiências relacionadas ao humor, por exemplo, uma diminuição do humor, uma diminuição do nível de energia, uma diminuição da motivação, certo? Um aumento da ansiedade ou outras coisas assim.
Então, olhando para nossa imagem de novo, a gente tá vendo que as entradas sensoriais podem alterar as respostas autonômicas via sistema nervoso simpático e parassimpático, e podem, depois, a gente vai discutir um pouquinho, alterar nossas respostas endócrinas também, certo? Essas entradas sensoriais que vão para o hipotálamo, elas também vão para vias de processamentos superiores que não estão indicadas aí, mas que envolvem o tecido cortical, aquele tecido mais externo do cérebro, certo? E aí elas podem promover, adicionalmente, um valor que é um valor que vai influenciar nossas operações, na forma como eu modifico o ambiente externo, certo?
Então, o sistema límbico e o córtex cerebral vão, de certa maneira, usar essas informações para planejar. Eu vou botar aqui entre aspas, né? Porque depois a gente vai ver que planejamento tem um outro significado para nós, para planejar nossas ações no ambiente externo.
Pessoal, aqui eu botei uma ilustração sobre o hipotálamo, porque o hipotálamo é uma coisa extremamente diminuta, de alguns milímetros, mas tem uma grande quantidade de núcleos bastante importantes para nós, né? Ali, eu vou destacar na parte inferior o núcleo arqueado, né? O núcleo arqueado, ele tá muito.
. . ele é muito importante para o nosso estado nutricional.
É ele que, de certa forma, sinaliza a quantidade de reservas energéticas que a gente tem, né? Então, por exemplo, um dos fatores que tá ligados ao que eu vou chamar de fome fisiológica. Por que que eu tô chamando de fome fisiológica?
Porque tem uma fome que não é fisiológica, certo? Então, o que eu tô chamando de fome fisiológica depende de uma série de variáveis. Dentro dessas variáveis, uma das variáveis importantes é como é que tá a composição energética do meu organismo, como é que eu armazeno energia, certo?
De duas formas: uma no músculo, na forma de glicogênio, e outra, uma reserva mais de longo prazo, na forma de lipídios, né? De banha, tradicionalmente, certo? O cé.
. . ele consegue monitorar a quantidade de lipídios que tem no nosso organismo, certo?
A partir de um hormônio que é liberado quando a gente produz lipídeos. Esse hormônio se chama leptina, certo? A gente tem populações de neurônios no núcleo arqueado que têm acesso ao sangue e, com isso, eles conseguem medir a quantidade de leptina que tem no nosso organismo, certo?
E daí você pensa assim: tá, professor, mas como que isso controla? Se vocês olharem lá na parte direita da imagem, lá para trás, a gente tem uma estrutura que se chama hipotálamo lateral. O núcleo arqueado se comunica com o hipotálamo lateral, que faz duas coisas.
Faz mais coisas, mas eu vou simplificar para você: ele altera o estado. . .
a velocidade metabólica do nosso organismo. Então, ele aumenta ou diminui o nosso metabolismo e ele promove a sensação de fome, certo? Então, o que que acontece?
Vamos imaginar o seguinte: você entra numa dieta, você perde peso muito rápido. Pro teu hipotálamo, ele tá dizendo: "Caramba! Tô perdendo minhas reservas energéticas!
" Então, ele vai promover duas ações: uma, aumentar a ingestão de alimentos, e a outra, diminuir a velocidade metabólica, certo? Para fazer você engordar. A gente acredita que isso esteja relacionado ao bom e velho efeito sanfona, né?
Obviamente, a leptina não é o único parâmetro ligado ao controle de ingestão alimentar. A gente tem a grelina, por exemplo, um outro hormônio liberado agora pelo estômago. A gente tem o peptídeo vaso intestinal, a gente tem as distensões viscerais que são comunicadas principalmente pelo nervo vago.
Todas elas vão exercer uma influência no nosso comportamento alimentar, falando aqui de novo de fome fisiológica, certo? A gente. .
. Vai ver que nem sempre nós nos alimentamos por conta da fome fisiológica. Depois, a gente vai ver que existem outras formas de sentir fome, certo?
E, além disso, pessoal, a gente vê ali, por exemplo, a área pré-óptica, certo? A área pré-óptica é normalmente relacionada ao controle térmico e também participa do controle hidrossalino. E, ali, a gente vê o núcleo periventricular, né?
O núcleo periventricular é o núcleo que está relacionado com o comportamento sexual, que também é um padrão de comportamento motivado, certo? Então, o hipotálamo, esse núcleo relativamente diminuto do sistema nervoso central, exerce um papel muito grande na alteração dos nossos estados fisiológicos e na disposição para emitir determinados comportamentos. Eu já vou falar disso a seguir.
E aí, a gente vai fazer uma pequena diferenciação entre aqueles controles de ajuste e reflexos que estão direcionados à manutenção da homeostase e alguns controles de ajustes reflexos que estão relacionados a operações no ambiente, certo? Para quem está perguntando de onde é que vêm essas imagens, essas imagens vêm do livro "100 Bilhões de Neurônios", do Roberto Lent. É um livro excepcional de um autor brasileiro, que tem ilustrações muito ricas.
Apesar de alguns colegas preferirem o livro "Neuropsicologia", do Bear, como grande manual de neurociências, eu, em especial, faço uma alusão ao livro do Roberto Lent, porque, além de ser um professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, ele é um grande neuroanatomista, um cara muito importante para a história das neurociências no Brasil, né? É um autor brasileiro e é um material de excepcional qualidade, né? Eu não sei se ele continua em publicação, mas, se eu me lembro, ele tem duas a três edições.
Acho que ele teve uma atualização. Essa imagem é de uma mais antiga, certo? Mas é um material bastante bacana, principalmente em termos do cuidado com as ilustrações.
Às vezes, acontece um ou outro errinho, né? Mas são coisas que não influem na qualidade do material, certo, pessoal? Então, ali a gente tem alguns núcleos e, se vocês olharem ali também do lado esquerdo, a gente tem o núcleo supraóptico e, embaixo, o núcleo supraquiasmático, que fica logo acima da quiasma óptico.
Esse núcleo é de uma importância muito grande para nós, porque ele está relacionado ao ajuste dos nossos "relógios internos" ou temporizadores internos, certo? Esse núcleo supraquiasmático recebe projeções diretas dos nossos olhos, das células ganglionares, e não necessariamente das células da retina. E ele está ligado aos nossos ciclos circadianos, certo?
Ou seja, os nossos ciclos de vigília e sono, né? Então, para nós, o núcleo supraquiasmático é um núcleo muito importante, né? Lembrando que a gente tem ciclos circadianos, ciclos ultradianos, que são menores do que o ciclo de um dia, e ciclos infradianos, certo?
Então, nós temos uma série de ajustes da nossa fisiologia relacionados ao período de exposição à luz, mas também à quantidade de luz e ao tempo que essa luz está presente no ambiente, certo? Então, é um núcleo que vai estar relacionado não só à questão do sono e da vigília, mas também a muito das nossas disposições para determinados comportamentos. Pessoal, como é que… aqui eu tenho que fazer um intervalo para dar uma informação para vocês.
O cérebro e os neurônios não têm acesso direto ao sangue, certo? Existe uma coisa que a gente chama de barreira hematoencefálica, né? Hemato, de sangue, encefálica, de encéfalo, certo?
A barreira hematoencefálica garante que aspectos constitucionais do sangue não interfiram na atividade dos neurônios. Então, de certa maneira, tudo que o neurônio precisa retirar do sangue vai ser retirado por células que são muito comuns no sistema nervoso central, que a gente chama de células gliais, em especial um tipo especial dessa célula que a gente chama de astrócitos. A gente diz que os astrócitos fazem "pontes metabólicas".
O que é uma ponte metabólica? Ele pega, na corrente sanguínea, o que o neurônio precisa e entrega para ele, certo? Então, as pontes metabólicas garantem que o cérebro não entre em contato direto com uma série de elementos da corrente sanguínea que poderiam alterar o funcionamento desses neurônios e fazer com que o processamento de informação fosse equivocado, né?
Então, como é que o hipotálamo entra em contato com o sangue para verificar, por exemplo, como está o estado dos hormônios que circulam por ali? Existem alguns buracos, a gente chama de fenestra, nessa barreira hematoencefálica, que permitem que neurônios específicos do sistema nervoso central entrem em contato com a corrente sanguínea para tirar medidas delas, né? A gente chama essas estruturas normalmente de órgãos circunventriculares, certo?
Porque eles estão em volta, circundando o que a gente chama de ventrículos cerebrais, que são espaços dentro do cérebro onde corre uma substância que a gente chama de líquor. Certo? Então, ali vocês estão vendo alguns desses órgãos: o órgão subfornical, que fica abaixo do fórnix; o órgão vascular da lâmina terminal, que fica próximo ao que fica na frente do hipotálamo, na parte anterior do hipotálamo; órgãos que ficam na junção entre o hipotálamo e a hipófise, que a gente chama de eminências medianas; e outros que estão na neurohipófise, certo?
Além do órgão subcomissural, a comissura anterior e também a glândula pineal, né? Então, nesses lugares, a gente tem pequenos buracos nessa barreira hematoencefálica que permitem que células específicas, agrupamentos celulares específicos, entrem em contato com o sangue e meçam determinados parâmetros constitucionais da corrente sanguínea, podendo, assim, promover ajustes, certo? Então, esses ajustes ocorrem de maneira organizada, visando efetivamente regular.
. . Ular, a atividade, seja atividade endócrina ou atividade fisiológica, é certa para que o nosso estado homeostático esteja adequado.
Em alguns aspectos, a gente vai discutir isso, que eles estejam prontos para ação. Pessoal, de novo, esses órgãos estão próximos ao hipotálamo; alguns estão próximos ao hipotálamo, né? Como o órgão subfornical, o órgão da lâmina terminal, a eminência mediana, alguns órgãos relacionados à neurohipófise, certo?
E alguns mais distantes, como a gente vê ali na pineal e no órgão comensurar. A gente chama de circ ventriculares porque existem uma série de espaços dentro do sistema nervoso central, dentro do encéfalo, que são preenchidos por uma substância líquida que a gente chama de líc ou líquido céfalo-raquidiano. Certo?
Se você já fez uma pulsão lombar, uma pulsão lombar serve para a gente analisar como está a composição desse licor, que muitas vezes está associado a alguns quadros patológicos, né? Aqui no caso, a gente está falando deles como espaços onde o cérebro consegue monitorar o estado químico do corpo, certo? Ficou claro isso, pessoal?
Bom, por que essa relação do hipotálamo é tão importante para nós? Porque o hipotálamo, além de monitorar esses parâmetros fisiológicos, esses parâmetros do estado interno do ambiente interno, ele também vai começar a organizar muitas daquelas respostas que eu chamei de respostas reflexas, ou seja, respostas que são autônomas; elas não dependem do córtex pré-frontal, elas não dependem de gerar uma experiência. Certo?
E aí a gente vai ver que o hipotálamo tem uma função integrativa, certo? Entre vias viscerais, endócrinas e sensoriais, né? Então, ele recebe informações sensoriais, mas também recebe informações do hipotálamo.
Desculpa, do hipocampo, que está relacionado com as nossas memórias. Ele recebe informações da amígdalas, que muitos de vocês talvez já conheçam e já ouviram falar porque ela está bastante famosa, né? Ela é bastante popular atualmente, certo?
É do córtex olfatório, que também projeta para o midler, né? De regiões do tronco cerebral, por exemplo, como a substância cinzenta pare equid toal, do núcleo do trato solitário e núcleo parabranqueal, que têm a ver com a respiração e o controle cardiorrespiratório, e envia isso para o tálamo. Certo?
Quando essas informações se tornam uma experiência, se tornam, abre aspas, consciente para nós, certo? Do infundíbulo e da neurohipófise e da adeno-hipófise, dos núcleos eferentes do tronco craniano que vão estar ligados às nossas respostas, também vão estar ligados às nossas respostas autonômicas, né? Via sistema nervoso simpático e parassimpático de vários núcleos espalhados no tronco cerebral que a gente chama de formação reticulada, certo?
E então a gente pode ver que o hipotálamo está numa posição muito importante não só para fazer o controle homeostático, mas também para ajustar o nosso organismo para um determinado comportamento, certo? Imagina o seguinte, pessoal. Você está deitado?
Não, você está sentado aqui. Toca a campainha, certo? Então você está sentado, o teu ambiente interno está numa determinada condição.
Toca a campainha, daí você vai lá atender a essa campainha. Quando você vai levantar para atender a campainha, dá para aumentar a imagem do slide? Ixe, pessoal, eu não sei se eu consigo fazer isso.
Pessoal, eu vou fazer um intervalinho daqui a pouco, daí eu tento fazer esse ajuste da imagem, certo? De certa forma, eu estou sentado e toca a campainha da minha casa; eu tenho que atender a porta, né? Quando estou sentado, estou num determinado estado de ativação fisiológica e metabólica, certo?
Quando eu tenho que levantar, vou ter que fazer alguns ajustes, por exemplo, a pressão arterial, a frequência cardíaca, né? Então, o meu comportamento no ambiente externo depende desses ajustes também, certo? Se eu vou passar da inatividade para a atividade, eu tenho que ter uma série de ajustes reflexos que me deem mais acesso à energia, porque vou ter um gasto energético maior, e que corrigem alguns parâmetros fisiológicos, como a pressão arterial e a frequência cardíaca, para eu poder fazer essa atividade, certo?
Então, esses ajustes são muito importantes. Se esses ajustes não ocorressem, a possibilidade de eu emitir um comportamento ficaria profundamente prejudicada, ou a relação custo-benefício seria muito ruim para o organismo, né? Lembrando que eu já falei para vocês sobre isso, e vamos começar a discutir aqui essa perspectiva dentro de uma perspectiva econômica também, certo?
Então, o hipotálamo está numa posição muito bacana para fazer uma série de ajustes que permitam com que eu opere no ambiente. Então, para resumir em poucas palavras o que eu falei até agora: nós temos o organismo para sobreviver. Ele tem um intervalo químico ótimo, né?
Um intervalo químico ótimo que as reações químicas mantenedoras da vida, certo? Para manter esse intervalo ótico ótimo, eu tenho que intervir no ambiente externo, buscar recursos e evitar elementos que possam comprometer a minha sobrevivência. E tenho que saber como está o meu estado interno.
Para isso, eu crio dois mapas: um mapa do ambiente interno, o nosso corpo, e o mapa do ambiente externo, certo? Mas toda vez que eu for emitir uma operação, for modificar o ambiente externo, eu preciso ajustar a fisiologia do meu organismo em relação a esse ambiente. O hipotálamo, via neuro e adeno-hipófise, controla muito o nosso estado hormonal, né?
Então, ali a gente tem alguns desses mecanismos, né? Por exemplo, ligados aos hormônios da tireoide: a gente tem um hormônio liberador de TSH, da tireotrofina; o hormônio da tireotrofina que vai estimular as glândulas tireoides a liberar os hormônios tireoidianos, como T2, T3, T4 e assim por diante, né? O hormônio liberador de corticotrofina que aciona os hormônios adrenocorticotropas suprarrenais a liberar os glicocorticoides, em especial para nós, o cortisol, certo?
O hormônio liberador dos hormônios de crescimento é certo que vai liberar os hormônios de crescimento que vão, no fígado, estimular os fatores de crescimento. Esses hormônios são liberados como feedback do estado hormonal do organismo. Então, por exemplo, os hormônios liberadores do hormônio de crescimento: qual é o sinal que vai promover a liberação dele?
A leptina, certo? A leptina estimula a liberação da somatotrofina, que vai estimular a liberação do hormônio do crescimento. Por isso, de certa forma, a nutrição é tão importante no desenvolvimento, porque ela efetivamente está ligada ao desenvolvimento físico das crianças.
Então, o que temos aqui? Temos toda uma monitoração de como está o nosso estado, e ajustes para isso. Certo?
Se eu preciso, por exemplo, me mover em direção a alguma coisa, eu vou ajustar algumas respostas fisiológicas, mas também algumas respostas hormonais. Isso é só para ilustrar, para que a gente possa chegar onde eu queria, e que a gente vai encerrar, digamos assim, a primeira parte da nossa manhã falando sobre isso, que é o ajuste emocional. Voltando aqui, a gente viu que tem dois ajustes: um que está ligado, em geral, a manter a homeostasia do organismo, e outro que estou falando agora, que está relacionado a alterar a homeostasia do organismo para fazer uma determinada operação.
Lembrando que sempre que eu falo em operação, estou falando de uma alteração no ambiente externo. Sempre que eu falar de reflexo, estou falando de uma alteração no ambiente interno. Entretanto, algumas respostas reflexas ocorrem para que o meu organismo esteja ajustado a promover uma alteração no ambiente externo.
E aí tem uma reflexão que a gente já pode começar a fazer, que, de certa maneira, antecipa algo que vou falar lá na frente: se o meu estado fisiológico e metabólico não está ajustado ao que preciso fazer no ambiente, será que a minha motivação aumenta ou diminui? Ou, dizendo de outra forma, a probabilidade daquela operação ocorrer aumenta ou diminui? O que vocês acham?
Um pouquinho aqui, pessoal, que eu perdi meu retorno. Deixa eu ver. .
. vocês estão me dizendo que diminui. Perfeito, diminui.
Pessoal, então, em muitos aspectos, já começamos a perceber que o estado fisiológico e metabólico é um parâmetro importante para determinar a ocorrência de um comportamento, né? Então, como disse, adiantando algumas coisas: se eu não tiver bem hidratado, se eu não tiver com o sono em dia, se eu não tiver exposto ao sol, se eu não estiver com meu estado emocional adequado, isso, obviamente, vai criar um gargalo, vai criar uma condição que pode fazer com que a minha resposta ao ambiente não seja adequada às minhas necessidades. Por isso, de certa forma, temos essa necessidade de entender esses parâmetros para que comecemos a discutir a motivação.
Então, o que vamos chamar de emoção aqui? E isso é muito importante. Chamei de motivação tudo que aumenta a probabilidade de um comportamento ocorrer.
O que vou chamar de emoção aqui são os ajustes fisiológicos e metabólicos que subsidiam uma determinada operação. Certo? Eu preciso ter um ajuste metabólico e fisiológico para uma determinada operação.
Como é que esse ajuste ocorre? Como é que ele acontece? Bom, a gente falou bastante dessa questão relacionada ao sistema nervoso autônomo, né?
A divisão simpática e parassimpática. Aqui, vou usar um termo de forma didática, mas que é um pouco impreciso nessa relação entre o sistema nervoso simpático e parassimpático. No entanto, de certa forma, a Camila está dizendo que, nos pacientes, percebe muita desmotivação relacionada à vitamina B12.
Sim, inclusive, tem efeitos sobre a cognição. Em algum momento, podemos conversar um pouquinho sobre isso. Mas o que quero que entendamos agora é que temos duas divisões do sistema nervoso autônomo.
A gente divide ele em dois, e para fins didáticos, vamos considerar que elas têm ações opostas. Certo? Enquanto a divisão simpática está ligada a lutar ou fugir, a divisão parassimpática estaria ligada a descansar e digerir.
Essa caracterização que fiz não é precisa; essas divisões são muito mais sinérgicas do que opostas. Mas, dependendo da atividade, terei um aumento maior do tônus simpático ou um aumento maior do tônus parassimpático. Certo?
Então, de certa forma, quando falamos de sistema nervoso simpático e parassimpático, estamos falando dos ajustes fisiológicos para uma determinada ação. A divisão parassimpática, então, estaria mais relacionada ao nosso estado prandial, e a divisão simpática, mais relacionada a um estado motivacional. Existem uma série de imprecisões no que estou falando para vocês.
Estou usando essas definições para fins didáticos aqui. Quem já conhece melhor o funcionamento do sistema nervoso central, quem se debruça sobre isso, sabe o quanto essa divisão talvez seja imprecisa em alguns aspectos. Porém, quando, por exemplo, temos que emitir um comportamento que envolva mais energia, teremos um aumento dessa atividade simpática, certo?
Esse aumento da atividade simpática garante suplemento energético para que dispendamos determinadas ações. Depois, falaremos um pouquinho sobre a questão do dispêndio energético. Então, um dos primeiros ajustes que ocorre quando tenho que emitir um comportamento.
. . É uma mudança na atividade desses operadores internos, né, da do sistema nervoso autônomo.
Então, vou ter aumento da frequência cardíaca, aumento da frequência respiratória, uma mobilização dos peristaltismos, um aumento da liberação de insulina, de glicogênio e assim por diante, certo? Então, a gente tem uma série de controles que vão ocorrer para tornar o organismo apto a executar uma determinada operação, certo? E aí é que vem um dos elementos que eu mais gosto de discutir, né, quando a gente fala de resposta emocional, que é efetivamente esse ajuste para a ação.
Aqui na imagem que vocês veem, deixa eu… o meu retorno está um pouquinho ruim. Perfeito, vocês já veem a imagem. A gente tem um pouquinho do que ocorre em termos desses ajustes, certo?
Então, ali a gente tem uma representação de um cérebro, né, com os olhos enxergando um escorpião, que seria um estímulo aversivo. Certo? Essa imagem é codificada na retina, é enviada via nervo óptico, passa pelo quiasma óptico, chega numa estrutura que a gente chama de núcleo geniculado lateral.
E aí ela segue dois caminhos: um caminho que vai direto para o córtex visual, o sulco calcarino, no lobo occipital, certo? E um outro caminho que vai para uma estrutura que a gente chama de amígdala e para o hipotálamo, certo? Às vezes ela vai, e também para o hipocampo, aí é uma relação com a memória.
Na verdade, não é diretamente para o hipocampo, mas ela vai efetivamente chegar no hipocampo, certo? Então, o que acontece é que essa estrutura que se chama amígdala, ela tem esse nome porque ela parece uma amêndoa. Não sei se vocês conseguem ver no desenho que está ali, certo?
E ela não é aquelas amígdalas que a gente tira quando tem amidalite, né? Eu gosto de usar o nome corpo amidalóide para diferenciar, para não fazer confusão com essas amígdalas, certo? A amígdala é dividida em três grandes núcleos; existem mais de 12 núcleos, mas elas são divididas em três grandes núcleos: um núcleo que a gente chama de basolateral, um núcleo que a gente chama de núcleo central e um núcleo que a gente chama de córtico-medial.
Certo? A gente não vai falar muito do núcleo córtico-medial, apesar dele ter uma relação muito importante com alguns comportamentos motivados, por exemplo, sexo e algumas respostas relacionadas ao olfato, certo? Mas o núcleo basolateral é muito importante para nós porque ele vai receber muitas aferências dos sistemas sensoriais.
Nesse caso aqui, a gente está evidenciando as aferências visuais para a amígdala, certo? E essas aferências visuais para a amígdala chegam nos núcleos basolaterais, certo? A amígdala faz uma avaliação rápida e vai dar um valor a esse estímulo.
Olha o que eu tô falando agora, porque esse termo valor vai ser muito importante para nós. Eu falei em outros momentos para vocês que a ideia de valor aqui vai ser recorrente, porque a gente trabalha com uma perspectiva econômica, né, uma perspectiva probabilística. A motivação é o que aumenta a probabilidade de um comportamento ocorrer e com uma perspectiva econômica, né?
Ou seja, que aquilo tem um valor e aquele valor vai determinar ou vai ser importante para determinar o nosso comportamento, né? Então, aqui na imagem que a gente tem, essa informação chegou nos núcleos basolaterais da amígdala e a amígdala vai dar um valor para isso: é um estímulo aversivo ou não? É um estímulo aversivo, certo?
No caso ali da imagem, a ideia do escorpião é que seja o estímulo. Esse valor — isso é um estímulo aversivo, é perigoso, pode me matar, pode me ferir — ele vai ser enviado pela via modulofugal e também pela via estria terminalis para o hipotálamo. Então, por isso que a gente falou tanto do hipotálamo lá atrás, né?
Então, a amígdala olhou para o estímulo e disse: “Cara, isso é coisa ruim, isso tem um valor ruim. ” E aí o que ela faz? Ela manda essa informação para o hipotálamo e o hipotálamo vai orquestrar os ajustes fisiológicos necessários para a gente lidar com esse estímulo do ambiente externo.
Pra gente operar esse estímulo do ambiente externo, isso é rápido, isso é quase que instantâneo na nossa percepção. Imagina, eu sempre gosto de usar esse exemplo: imagina que você vem caminhando distraído e daqui a pouco você vê um pedaço de mangueira de jardim jogado no chão. Rapidamente, quando você olha, você toma um susto porque aquilo parece uma cobra.
Alguns segundos depois, milésimos de segundo depois, você já viu que não, que não era uma cobra, mas esse tempo onde você confundiu isso com uma cobra é suficiente para alterar o seu estado fisiológico. O susto é essa alteração do estado fisiológico repentina diante de um estímulo aversivo, né? Então, para vocês verem como isso, de certa forma, ocorre com muita agilidade, né, e sem que a gente tenha controle disso.
A gente… ou melhor, o controle disso não é direto. Existem formas de estabelecer controle em relação a esse tipo de resposta, mas ele não é direto. Depois a gente vai falar um pouquinho disso.
Então, o que aconteceu? Eu vi o escorpião, as entradas sensoriais, as entradas visuais, enviaram essa informação para a amígdala. A amígdala deu um valor aversivo para isso.
Esse valor foi enviado para o hipotálamo, o hipotálamo manda essas informações para o tronco cerebral, que vai alterar o nosso estado fisiológico via sistema nervoso autônomo e também vai mandar pra hipófise e pra neurohipófise, em especial, nesse caso, para a hipófise, para que altere o estado hormonal, o nosso estado endócrino, certo? Então, provavelmente, nesse momento, eu vou ter um pico de cortisol, que é um hormônio que está ligado a reequilibrar nossa. .
. Disponibilidade energética para a ação, certo? Então, nesse caso, o organismo está mudando o nosso equilíbrio energético, a nossa disponibilidade energética para emitir um comportamento operante, que nesse caso pode ser lutar ou fugir, certo?
O hipotálamo é isso, é o eixo adeno-hipotálamo-hipofisário, certo? Então, ele vai se ajustando para que a gente tenha disponibilidade energética para lutar ou fugir, certo? Ele nos dá duas opções de comportamento, né?
Isso é importante para nós, é muito importante, né? Porque essas informações vão ser enviadas posteriormente para outras regiões do cérebro, né? Ali, a gente está olhando e ela é enviada para a substância cinzenta paragenital, que ali está escrito PEG, né?
Que é a abreviatura em inglês, e ela vai ser responsável pelo comportamento emocional. O eixo hipotálamo-hipófise-adrenal vai ser responsável pelas respostas autonômicas e a estria terminalis vai estar relacionada, em especial, a respostas endócrinas, né? Essas informações são enviadas também para o córtex, para o nosso córtex, que é quando eu tenho a consciência dessa alteração fisiológica, né?
Quando digo “Nossa, tomei um susto! ”, é porque essa alteração fisiológica drástica promoveu uma experiência, certo? Que é essa experiência, e é essa experiência que a gente costuma chamar de emoção, certo?
Pessoal, apesar de darmos essa importância muito grande para a amídala, né, e irmos para o hipotálamo, amídala e hipotálamo estão relacionadas a um circuito que chamamos de sistema límbico, que tem outros componentes e que vão participar dessa regulação, né, direta ou indiretamente. Aqui, eu vou discutir um pouquinho o hipocampo, que vocês observam ali, e o córtex entorrinal, que não aparece aqui, tá? Do outro lado, mas que são estruturas intimamente relacionadas ao que a gente chama de memórias episódicas, certo?
As nossas memórias episódicas podem alterar a nossa resposta automática fisiológica para uma determinada operação, né? Então, vamos voltar aqui para o slide anterior e tentar entender como é que isso ocorre, né? Então, quando a gente olha para essa imagem, a gente vê um determinado elemento do ambiente externo ganhando valor e esse valor alterando a disposição fisiológica do nosso organismo, mobilizando energia para lutarmos ou fugirmos, certo?
Bom, mas será que a gente tem como modular essa resposta? E o que vai modular essa resposta? Bom, tem, obviamente, a gente tem como modular essas respostas, sim.
Marisa, em algum momento, podemos falar da questão dos abusos infantis, apesar de não ser nosso foco, mas com certeza eles vão ter uma ativação muito grande disso, e a forma como as crianças respondem a essa ativação pode criar um padrão de comportamento que se persevera na vida adulta e que gera muitas condições aversivas para esses indivíduos, certo? Mas isso é uma discussão para um outro momento. É importante essa tua colocação, mas o que eu quero mostrar para vocês aqui talvez esteja um pouquinho relacionado com isso que você trouxe, né?
De uma maneira geral, quando temos essa modificação fisiológica-metabólica, estamos tendo um conjunto de respostas reflexas que foram desenvolvidas ao longo da nossa vida para evitar estímulos aversivos, para nos afastar de estímulos que possam, de alguma forma, perturbar a nossa homeostase, de maneira a impedir ou dificultar a manutenção da vida, né? Então, a ideia aí é um padrão de comportamento evitativo, certo? O que eu quero mostrar para vocês, nesse caso, é como as nossas experiências podem alterar essa resposta.
Vamos imaginar o seguinte: eu sou um especialista em aracnídeos, né? Eu estudo aracnídeos de diversas espécies, conheço bastante do comportamento deles, conheço a diversidade de espécies, conheço a peçonha deles, conheço padrões do comportamento desses animais, né? Toda essa experiência que acumulei com esses animais, de certa forma, vai também ser avaliada pela amídala e pode diminuir o valor aversivo que esse estímulo tem para a gente.
Então, por exemplo, se eu sou um cara especialista em escorpiões, vou ver: “Olha, é o escorpião da espécie tal, ele ataca de tal forma, a peçonha dele não é tão venenosa. ” Então eu não vou ter a mesma amplitude de resposta que alguém que não tem conhecimento ou experiência nenhuma sobre isso. Então, a primeira coisa que a gente vê.
. . já falamos um pouquinho lá atrás da dessensibilização, é que, na medida em que vou adquirindo experiência com alguns estímulos que inicialmente podem promover uma resposta aversiva, né?
Essa aversividade diminui a tal ponto que isso não promove ou produz nenhum valor que acione essas alterações hipotalâmicas de energia para a gente lutar ou fugir, né? E aí, pessoal, tem uma coisa que é muito interessante para nós, né? Eu vou pular esse último slide aqui, mas ele basicamente organiza um pouquinho o que estou falando para vocês, certo?
Ali, com as respostas comportamentais emocionais, as respostas endócrinas, as respostas autonômicas, certo? E alguns aspectos de retroalimentação e, em especial para o nosso caso, para o córtex associativo do que estou falando agora para vocês, certo? Então, de uma maneira geral, as minhas experiências acumuladas podem modular a atividade da amídala.
Vocês estão vendo ali, naqueles setinhas, do hipocampo e do córtex entorrinal, indiretamente, via hipocampo, né? Pros núcleos basolaterais da amídala, certo? Então, aqui temos organizado as entradas das informações na amídala e as entradas de saída, certo?
Então, para resumir isso, pessoal, vamos levar em conta que a amídala dá um valor para os estímulos sensoriais, certo? Esse valor vai promover um ajuste fisiológico para a gente operar no ambiente, certo? Então, espero que esteja claro isso para vocês.
Né, pra gente agora olhar um pouquinho o modelo circumplexo de afeto do seu, né? E que foi atualizado pelo Bradley em 2007. Certo, toda vez que nós temos uma resposta emocional.
. . Desculpa, pessoal, eu.
. . o slide tá na ordem inversa.
Toda vez que a gente tem uma resposta emocional que vem por um evento significativo, a gente tem quatro dimensões importantes, certo? Então, a gente tem o que a gente já falou agora: a ativação corporal, né? Ativação fisiológica, preparação pro corpo pra ação, e às vezes já uma resposta motora, né?
Você toma um susto; às vezes, você dá um grito. Certo? A gente vai ter uma expressão social, que é a comunicação desse estado emocional.
Certo? Essa comunicação social pode se dar por comportamento verbal; você diz “meu Deus do céu”! Certo?
Ou por uma expressão facial, ou corporal, ou por uma expressão vocal; você dá um berro, certo? Então, de certa maneira, essas duas dimensões aqui são apenas parte do aspecto emocional. Uma outra parte diz respeito ao que a gente chama de sentimentos.
Muitas pessoas confundem emoção com sentimento. O sentimento é a experiência subjetiva daquela alteração emocional, certo? É a consciência do fenômeno que tá promovendo aquela alteração fisiológica e emocional e o papel daquilo pra minha regulação, né?
E por último, pra nós, é mais importante, é aquilo que a gente chama de senso de propósito pessoal. É esse senso de propósito que está ligado à motivação, certo? Ativação corporal também, mas é a partir dessa ativação corporal que vai emergir esse senso de propósito, né?
Então, é o estado motivacional, direcionado a um objetivo que pode ser lutar ou fugir, né? Ou pode ser, no caso do escorpião, né? Lutar ou fugir, né?
Dar uma voadora neles, sair de perto, ou se eu tenho muita experiência com aquilo, observar, analisar, coletar, categorizar aquele objeto, certo? E aí tem um elemento ali embaixo que vocês não sei se conseguem ver, onde diz “senso de propósito”, que é aspecto funcional, né? Então, qual é a função desse comportamento?
Né? Então, nesse momento, a gente tá vendo que existe uma alteração no nosso senso de propósito e no nosso direcionamento a um determinado espaço do ambiente onde nós vamos operar, certo? Esse direcionamento ao espaço do ambiente onde a gente vai operar é o que a gente chama de atenção, né?
E por que que eu tô falando da atenção? Porque, obviamente, existe uma relação íntima entre motivação e atenção. Certo?
Bom, então, aqui a gente começa a ter clareza de que emoção não é motivação, certo? Mas que, decorrente da emoção, pode surgir um senso de propósito. E esse senso de propósito aumenta a probabilidade do comportamento ocorrer, certo?
Bom, vamos voltar um pouquinho e agora sim, dar uma olhada nesse modelo circumplexo de afeto do Russell, né? E que foi atualizado pelo Bradley e Do L. Né?
Quando a gente fala de uma resposta emocional, a gente pode dimensionalizá-la em duas dimensões: uma relacionada à valência e outra relacionada ao nível de atividade, né? Então, nós vamos ter emoções com valência positiva, que geralmente a gente costuma usar no senso comum, que são emoções boas, e emoções com valência negativa, que geralmente a gente relaciona a emoções aversivas, emoções ruins, né? Essas emoções, elas podem aumentar a probabilidade de eu entrar em ação ou diminuir a probabilidade de eu entrar em ação, certo?
Ou melhor, né? Podem aumentar a probabilidade de eu emitir um comportamento que esteja relacionado aos meus propósitos ou emitir um outro comportamento que não esteja relacionado aos meus propósitos. Então, emoções.
. . Desculpa, aqueles vídeos que eu passei no início pra vocês, daquelas pessoas falando de motivação, elas estavam falando, na verdade, de emoções com valência positiva e alta atividade, como excitação, surpresa, encantamento, alegria e felicidade, certo?
É isso que estão considerando motivação, né? E aqui, pessoal, aqui eu vou dar mais um spoilerzinho pra vocês. Prestem atenção nisso: a gente acha que motivação tem que ter valência positiva e atividade positiva, certo?
Mas quando a gente vai operar as nossas motivações, geralmente a gente produz estados emocionais com valência negativa. Olha o que eu tô falando pra vocês. Porque conhecer a motivação é muito importante.
Porque nós costumamos tentar modificar a nossa motivação com valências negativas, certo? Por isso que eles associam disciplina a coisas ruins e a uma determinação interna que você constrói pra aquilo, como se essa determinação não tivesse uma relação de propósito, certo? Motivação é o que aumenta a probabilidade do comportamento ocorrer, certo?
Então, de novo, isso é importante pra nós porque a gente tá entendendo, ou a maior parte das pessoas tá entendendo, como naqueles vídeos que eu mostrei pra vocês, que motivação tem a ver com emoções de alta atividade e valência positiva. Não. Motivações podem ser de valência negativa e alta atividade, ou algo pode estar influenciando na minha execução de uma tarefa, porque é uma emoção negativa ou positiva de baixa atividade, né?
Então, se eu tiver num estado prandial, por exemplo, né? Num estado de satisfação ou contentamento, é bem provável que eu tenha menos motivação para algumas coisas, né? Talvez eu tenha motivação pra ficar deitado no sofá, pensando na vida, contemplando as coisas bacanas que aconteceram, aproveitando um dia de sol, pode ser, certo?
Ou pode ser, em caso de valência negativa, que por exemplo eu esteja profundamente impactado por alguma coisa ruim, né? Que deprimiu o meu estado de humor e isso desmobilizou a minha capacidade de ativar o comportamento, certo? Então, nós temos aqui uma série de aspectos que estão relacionados à emoção, mas que nem sempre estão sinérgicos com meu planejamento.
Eu vou falar daqui a pouco dessa relação com o planejamento especificamente. Certo, pessoal? Eu vou propor pra vocês que a gente faça 5 minutinhos de intervalo.
Agora, ninguém precisa sair, desligar nada. Eu só vou, eh, eu só vou, eh, ir no banheiro rapidinho e já volto. E daí vou responder às questões de vocês que estão aqui no chat, tá bom?
Eh, deixa eu ver se eu, deixa eu ver quais são as que estão mais recentes, tá? Então, vou rapidinho fazer um xixizinho, pegar mais um café e aí eu vou ficar uns 10 minutos aqui pra gente tirar algumas dúvidas que vocês possam ter, certo?