Eu, como grande fã de RPGs, adorei quando começou a aparecer elemento de RPG em tudo quanto é jogo. Uns 15 anos atrás virou padrão. Até mesmo jogo de ação simples, passou a ter pontos de experiência, nível, árvore de habilidade, tudo isso aí.
Mas mesmo antes disso, esse fenômeno já tinha dado um grande salto com o modo multiplayer de Call of Duty. Modern Warfare conquistou muita gente por ter uma mecânica gostosa e uma estética até então inédita em jogos de tiro, mas também porque era dopamina constante jogar aquilo lá no multiplayer. O grande shooter da minha juventude foi Golden Eye.
E Golden Eye era aquele shooter que você jogava pelo simples ato de jogar, só porque era divertido mesmo, né? Só que COD não, cara. COD, você jogava para ver barrinha crescer.
Cada arma tem seu nível próprio e você consegue ir desbloqueando acessórios para cada uma delas. E além disso, a própria conta tem um nível que você pode ressetar ao chegar ao máximo para começar tudo de novo, só que com um pouquinho mais de prestígio. Isso sem falar que cada pequena ação tomada durante as partidas vinha acompanhada de um marcador de quanta XP você tinha conseguido com ela.
Era uma esteira interminável. E talvez isso não fosse óbvio na época, mas hoje em dia é muito óbvio. Isso foi o primeiro grande passo em uma corrida armamentista na indústria dos games para ver quem conseguia ocupar mais o tempo dos jogadores.
E como todo mundo sabe, essa tendência só se acentuou com a chegada dos jogos serviço. Até a gente chegar aos casos extremos que temos hoje, de jogos que, por terem medo de ver seus jogadores perderem o interesse e irem jogar outra coisa, tentam fazer de tudo, mesmo que mal, em vez de simplesmente fazer bem uma ou duas coisas. Um caso particularmente bizarro que me pegou nos últimos tempos foi o de Ananta.
É um jogo que já apareceu em eventos digitais, teve bastante atenção e tem uma proposta meio que de GTA. Pelos trailers, parece que vai ser possível fazer absolutamente qualquer coisa nesse jogo. Isso atrai a atenção das pessoas porque a gente foi treinado pela indústria a querer, a ansiar por esse jogo que vai ocupar todo o tempo de nossas vidas, né?
Só que aí você para para prestar atenção em como deve ser jogar a Nanta e parece terrível. Alguns meses atrás, eles soltaram um vídeo de 10 minutos de gameplay com uma cena de perseguição veicular lá e só assistir aquilo já é uma tortura. Na época eu lembro que teve uma galera que ficou empolgada com o trailer, mas eu peço para que você tente imaginar como seria o ato de controlar o jogo nessa sequência aí.
A mecânica parece ter a profundidade de um piris. Cara, eu realmente acho que eu saí desse vídeo gostando menos de videogame do que eu gostava quando eu entrei. E eu disse tudo isso como uma forma de introdução para o que é essencialmente um vídeo de impressões/ mini review de NTE Neverness to Everest, um novo GAT que saiu ontem e que eu já tô jogando há alguns dias.
E ele não é ruim, cara. Eu tô me divertindo com ele até, só que é certamente um desses casos. Ele é um jogo que tenta fazer coisas demais.
mas não faz nenhuma delas realmente bem. Em muitos quesitos, o NTE é exatamente a mesma coisa de sempre, cara. Se você jogou Genin, Honkai, Tower of Fantasy, Withering Waves, qualquer um desses jogos aí, você vai reconhecer o menu, a interface de usuário, o começo da história, que é um protagonista que aparece misteriosamente no meio de um conflito calamitoso e ele não tem a memória dele.
Ele vai entrar para uma força que tenta investigar ao mesmo tempo os problemas que estão sendo causados naquele mundo e a causa do sumo, da memória, enfim, é a mesma coisa de sempre. Só que o NTE tem dois pequenos twists. O primeiro deles é que ele tem uma estética, um mundo contemporâneo que tem obviamente elementos fantásticos, tem monstros, tem poderzinho e tudo mais, mas o mundo é basicamente um mundo contemporâneo em termos tecnológicos.
E o outro twist que na verdade é o mais interessante é que esse jogo é basicamente control em forma de anime. Você é recrutado para trabalhar dentro do departamento de controle de anomalias, que que parece meme, mas é literalmente esse o nome, que é um departamento governamental ali que investiga anomalias, que são fenômenos misteriosos que estão acontecendo ao redor da cidade, sem muita explicação. É aquela coisa meio fundação SCP, que também é a base do controle, né?
Então, sei lá, logo no começo do jogo, você tem uma missão que você tem que investigar um estúdio de fotografia que parece estar amaldiçoado. Você descobre que tem tipo um filme lá, um tipo filme de foto mesmo, que tá causando todos esses problemas porque ele é uma anomalia. Então você tem que basicamente mergulhar em direção ao desconhecido para resolver essas tretas.
Só que isso obviamente tá imerso naquela estética de anime que é bem familiar. De novo, esse jogo tem um ritmo muito parecido com Genin, com Hongkai, na construção dos personagens. É aquela coisa, né?
Tem os personagens dos NPCs passando pela cidade ali e você consegue ver, putz, esse aqui, esse aqui tá bem vestido demais. Ele provavelmente tá na roleta do Gat e sempre dito e feito, né? Mas então é uma fórmula familiar, só que com um twist narrativo que eu achei interessante.
Só que muito mudou desde o lançamento de genim 6 anos atrás. E hoje em dia, um jogo nessa pegada que quer peitar genim essencialmente precisa fazer mais coisas do que o genimin. Não é fazer uma coisa melhor que o gensin, não.
Tem que ter mais conteúdo, né? E o NTE oferece isso na forma de uma tonelada de atividades opcionais paralelas que você pode fazer na medida que você explora a cidade, que é o palco central do jogo. A base do jogo é um sistema de combate de ação com esses personagens.
Aí a mesma coisa de sempre, né? Mesma coisa do Gen Shim. Você tem um time de quatro personagens ali, dentre os quais você pode alternar livremente.
Aí você vai combando as coisas e tal. Bem simples, bem básico. O sistema de combate se encaixa nisso que eu disse, ele não é ruim, só que ele é super básico, superficial.
Tem lá as mecânicas de progressão de personagem, mas é tudo tão fácil de lidar que você não precisa nem engajar com elas. Mas enfim, tem o combate, só que aí tem também um sistema de direção que você consegue colecionar carros e dirigir esses carros por entre as ruas da cidade. E dirigir os carros é ruim.
O manuseio dos veículos é terrível, é mal feito. Você pode cuidar de um café, um minigame de gerenciamento ali, que é super básico, é basicamente uma atividade passiva ali. Você coloca os bonecos ali para desempenhar as diferentes funções que precisam ser desempenhadas dentro do café e você basicamente não precisa fazer nada com isso.
Aí tem um sistema de construção de casas para você mobiliar ambientes internos e tal. Tem uma variedade minúscula de mobília, então não é tão profundo. Aí tem minigame de Majong e tal, que é só a versão mais básica do Majong e por aí vai.
E eu me pego pensando se essa simplicidade, essa falta de profundidade não é proposital, se não é isso que eles precisam fazer para serem o mais abrangentes possíveis mesmo, né? Talvez na cabeça desses desenvolvedores, se eles fizerem esses sistemas aí com algumas camadas adicionais de complexidade, o jogador casual vai ficar intimidado, vai sair do jogo e vai jogar outra coisa. Então, tipo, eles fazem tudo meio bobinho, meio nível superficial mesmo, justamente para que todo mundo consiga engajar em todas as partes do jogo, o que é uma pena, né?
E como eu disse, cara, apesar disso, eu tô curtindo o NT. Ele é simples, bobinho, eu não preciso ligar meu cérebro para jogar ele, mas ele é extremamente bem feito. Ele gosta menos do som da própria voz do que Genchin, do que Honkai, que são jogos que toda vez que vai introduzir boneco novo, fica aquelas conversa lá de 45 minutos de duração.
Tirando o comecinho do NTE, que tem uma duração parecida ali, mais pra frente ali as conversas são um pouquinho mais direto ao ponto e todas com cutsines mais estilizadas do que a média de Genin. Inclusive, tem uma cutcine fofa que faz uma referência a Jojo que vai muito além do que as referências de Jojo normais costumam ir. E um outro exemplo de uma coisa que eles fazem muito bem é a quantidade de detalhes que tem na cidade, nos cenários que você explora e também quão bem povoados esse cenário são.
Tem uma quest logo no começo do jogo que você e toda a trupe de personagens que é a crew principal ali, precisam ir caminhando até um outro ponto da cidade. E você pode correr até lá diretamente, conversar com o NPC que tá na porta de onde você tem que ir e dar prosseguimento pra história. Só que se você anda lado a lado com os personagens no ritmo deles, vão acontecendo pequenos eventos.
Eles vão conversando entre eles, aí acontece uma coisinha, alguém vai ver uma coisa de uma vitrine de uma loja, as crianças elas se perdem e começam a brincar sozinhas e tal e todos os personagens andam lentamente, mas andam até o ponto de encontro final. Isso revela um pouco do cuidado que o time de desenvolvimento teve para deixar esse mundo com aparência de um mundo vivido mesmo, né, que você tá habitando aquele espaço. A cidade também tem trens, tem ônibus, tem sistemas de transporte público funcionais que você pode usufruir no lugar do fast travel se você quiser fazer um passeio mais cênico.
Então tem uma atenção aos detalhes muito legal. E talvez a melhor coisa que eu possa dizer sobre o jogo é o fato de que o gat dele não é tão predatório quanto o gat do Honkai, o gat do Genin. Primeiro que ele não tem.
E eu vou falar um negócio aqui que se você nunca jogou Gt vai parecer que eu tô falando esperanto aqui. Você não vai fazer a menor ideia do que eu quero dizer com isso, mas as pessoas que sabem do que eu tô falando vão ficar emocionadas. Cara, esse jogo não tem o sistema de 5050.
Então quando você atinge a piri, você vai pegar o personagem do banner. Você não corre o risco de pegar um personagem nada a ver que tá fora do banner. Você tem garantido, se você chegou ali na PI, você vai pegar o personagem que você precisa.
Basicamente, se você colecionar a quantidade necessária de recursos para você rolar o Ga durante um único banner, você tem meio que uma garantia de que você vai conseguir o personagem que você quer. E aí, pelo que eu entendi, a monetização com dinheiro real do jogo tá mais voltada para skins de bonecos do que para os bonecos em si. Então, conseguir os bonecos do jogo é bem fácil, apenas jogando, só que aí você consegue vesti-los com diferentes roupinhas e acessórios usando dinheiro real, o que assim para mim é um jeito muito melhor de lidar com isso.
E aí eu achei engraçado que o Gata, ele funcionalmente é meio que a mesma coisa de sempre, só que ele é apresentado na forma de um tabuleiro. Então a maneira como o jogador interage com o sistema de gatinho diferente do normal. A personalização de bonecos também é super familiar.
né? Aquela coisa, você vai encontrando itens que dão mais 3% de dano crítico contra tal elemento, aquelas coisas super granulares e tudo mais. Só que no nte você tem que encaixar esses itens nos seus personagens através de umas pecinhas no formato de tétres que precisam entrar em uma malha quadriculada ali.
Então assim, ele ele pega conceitos que são bem típicos do gênero de hoje em dia e coloca um pequeno twist em cima disso para que pareça, pelo menos pareça, né, ser algo um pouquinho diferente. Só que de novo, jogar esse jogo não é particularmente interessante. Se você curtir a estética, você curtir os bonecos, se você curtir a história, essa temática meio contro, meio fundação SCP, aí talvez seja um jogo divertido para você jogar, é de graça.
Só que eu sacrificaria várias das atividades paralelas que tem ali dentro em troca de um sistema de combate mais interessante, mais diferente, mais desafiador. Só que parece que não é isso que o jogo quer fazer. NTE Neverness to Everest, que é um nome terrível, né?
Já tá disponível em versões para PC, celulares e PlayStation 5. Infelizmente não tem suporte a português do Brasil. Tem sido raro, né?
Esses gatchas normalmente eles têm saído com suporte a português. Esse, infelizmente, não. Então tem que saber inglês ou alguma das outras línguas que estão disponíveis ali.
Mas enfim, assim, não sei se eu recomendo, eu tô gostando, do jogo é divertido, tem uma vibe engraçada e tal, mas é um desses casos de jogo que tenta fazer de tudo e não se sobressai em absolutamente nada. Mas era isso que eu tinha para dizer sobre esse assunto. Muito obrigado por acompanhar o TVPH.
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Ciao. Ciao.