Olá, moçada! Tudo bem? Bom dia para vocês!
Sejam bem-vindos ao segundo dia de janeiro com as nossas meditações estoicas. Hoje, com uma reflexão ainda de Epicteto, o mesmo autor do qual tratamos ontem, mas desta vez para falarmos da correlação, à luz de Epicteto, entre educação e liberdade, um tema que me é bastante caro, particularmente caro: a relação entre educação e liberdade. Vamos dir ao texto de Epicteto, quando ele diz: "Qual é o fruto desses ensinamentos?
Somente a mais bela e adequada colheita dos verdadeiramente educados. " Pois bem, os verdadeiramente educados, né? Quais, qual é a colheita dos verdadeiramente educados na visão do Epicteto?
Tranquilidade, destemor e liberdade. Uma tríade extraordinária para os homens verdadeiramente educados! Tranquilidade, destemor e liberdade!
Não deveríamos dar, continua Epicteto, crédito às massas que afirmam que só os livres podem ser educados. As massas, o vulgo, o populacho, as massas afirmam que só os homens livres podem ser educados. Não devemos, antes, dar crédito aos amantes da sabedoria que afirmam que somente os educados são livres.
Portanto, para Epicteto, e eu concordo plenamente com ele, há uma correlação. Não é uma. .
. Na verdade, mais do que uma correlação, há uma relação de causalidade entre um bom processo educacional, uma vida meditada, uma vida que busca compreender mais a fundo não só a si própria, mas a tudo aquilo que lhe diz respeito. Só uma pessoa que se dedica a isso pode ser verdadeiramente livre.
A liberdade, portanto, está condicionada a uma vida examinada, a uma vida que toma a si mesma como objeto de reflexão. Portanto, primeiro eu me educo, depois sou livre. Mesmo porque eu insisto sempre nesse ponto: eu não posso buscar aquilo que eu não conheço.
Ou, se busco aquilo que não conheço, frequentemente corro o risco de perder um enorme tempo no processo ou de tomar uma coisa por outra. Ou seja, estou buscando algo, encontro uma outra coisa que não é aquele algo que eu estava buscando, basicamente porque eu nunca medi seriamente sobre aquilo que eu estava buscando em primeiro lugar. No comentário dos autores, temos o seguinte: "Por que você pegou esse livro?
Por que pegar um livro? " Não para parecer mais inteligente. Bom, eu também espero que ninguém pegue esse livro só para parecer mais inteligente.
Não para fazer hora durante um voo, não para ouvir o que você quer ouvir. Há muitas escolhas mais fáceis do que a leitura; você poderia, nesse momento, estar fazendo outras coisas, assistindo a uma série ou, sei lá, numa padaria, vendo o resultado do jogo de futebol de ontem, né? Não!
Você parou para pensar nas coisas da filosofia e, portanto, para colocar sob escrutínio filosófico aspectos da sua vida e de tudo aquilo que te circunscreve. Você pegou este livro porque está aprendendo a viver, porque quer ser mais livre, temer menos e alcançar um estado de paz. Eu gosto muito dessa coisa de "aprendendo a viver".
Claro, na boa acepção da palavra. Ou da expressão "aprender a viver" só é possível se você colocar sob exame filosófico que seja o viver em primeiro lugar. Educação, ler e meditar sobre a sabedoria de grandes mentes não é algo para ser feito só por distração; ela tem um objetivo.
Ninguém que se dedique às coisas da filosofia, às grandes mentes que nos antecederam, né, vai fazer isso por mero diletantismo ou só por diversão, a não ser que seja completamente maluco, né? Quer dizer, ficar decorando frase feita para falar na mesa do churrasco no final de semana, para parecer erudito? Isso é coisa de gente menor.
Não que você não possa citar essas coisas, mas, antes de citá-las, é preciso examiná-las. Elas têm que fazer um real sentido para quem está lendo essas coisas. Lembre-se desse imperativo nos dias em que começar a se sentir distraído.
Quando assistir à televisão ou fazer um lanche parece uma forma melhor de usar seu tempo do que ler ou estudar filosofia? Conhecimento, e o autoconhecimento em particular, é liberdade. O homem livre não é o homem que se dobra às suas paixões e às demandas frugais cotidianas do dia a dia.
O homem livre é aquele que diz não, é aquele que consegue refrear esses instintos da distração pela distração e dizer: "Não! Eu quero me educar, eu quero aprender a viver melhor, eu quero buscar um tesouro superior no meu modo de viver. Por isso, vou me dedicar à compreensão das coisas mais altas.
" E, de fato, para quem faz disso quase um sacerdócio, buscar as coisas mais altas, no sentido de evitar conteúdos medíocres do cotidiano, é uma forma muito eficaz de nos melhorarmos. Então, há sempre aquela pessoa que diz assim: "Não, mas os meus amigos são meio idiotas, né? Um bando de gente que não quer nada com um livro, que não quer nada com uma cultura de nível, mas são meus amigos, estão ali.
Isso não me faz mal. " Não! Isso só me faz bem.
Eu acho que a gente tem que tomar um certo cuidado com aquilo e com aqueles que frequentamos, porque, como diz um outro filósofo do pensamento helenístico, né, você, quando lida com limpadores de chaminé, não consegue escapar de se sujar de fuligem. Não é um discurso aqui para ser chatonildo, né? Então, eu só vou frequentar gente alta?
Não, não é isso, mas também não vou frequentar só gente medíocre. Então, talvez aí esteja, seja necessário um equilíbrio. E, tanto quanto possível, frequentar aquelas pessoas que vão te colocar num registro de existência que seja realmente bom, bom para você, bom pra sua compreensão de realidade.
Então, não é que você tenha que ficar como aquele cara assim, com a mão no queixo, né? O cara chato de qualquer ocasião que não consegue se divertir em nenhum momento, mas a vida não pode ser só isso, né? Acho que o grande problema é, vamos dizer, o excesso.
Os gregos adoravam essa coisa. De a virtude está na mediania. A virtude está no justo meio, e o grande problema da vida de hoje, essa vida apressada que nós vivemos, é uma vida que nos leva, em qualquer breve momento de respiro, a buscar logo uma distensão mental.
Quando, talvez, seja exatamente nesse momento que a gente deva se dedicar um pouco mais a uma compreensão mais cuidadosa da vida que explique o porquê de nós estarmos correndo tanto. O porquê de eu acordar todos os dias cedo, desesperado atrás de alguma coisa que, eventualmente, eu nem compreendi que coisa é essa. Se eu não compreendo a natureza do meu objetivo, não há por que ir atrás desse objetivo só porque as massas me disseram que eu devo correr atrás desse objetivo.
Não te parece sumamente medíocre viver dessa maneira, conduzido por uma natureza animal que só busca divertimento e satisfação momentânea de prazeres e, por outro lado, submetido ao que uma massa diz que deve fazer e como deve ser feito? Numa vida breve como a nossa, a educação, nesse sentido, é liberdade. Só um homem educado pode realmente usufruir de tranquilidade, destemor e a liberdade que todos nós, no frigir dos ovos, estamos buscando.
Beijo grande para vocês, tenham um ótimo dia, e a gente se vê aqui amanhã com mais uma meditação estóica. Beijo, beijo!