Nem todos os sinais do transtorno bipolar são claros. Alguns são tão sutis que podem passar despercebidos. A oscilação de mor no transtorno bipolar é como se fosse uma montanha russa, quase sem controle por vezes.
Um dia você tá no topo do mundo invencível, na outra semana tá lá no fundo do poço sem enxergar a saída. Nesse vídeo eu vou te mostrar os sinais que muita gente ignora. sinais que podem estar todos os dias te dizendo que esse transtorno bipolar faz parte da [música] sua vida.
Você sabia que o transtorno bipolar afeta cerca de 60 milhões de pessoas ao redor do mundo, sendo que algumas estatísticas falam em até 270 milhões de pessoas. No Brasil, esse número chega a pelo menos 8 milhões de pessoas, quando consideramos todos os tipos de transtorno bipolar. O diagnóstico, por sua vez, ele é puramente clínico e, na prática, fechá-lo é como montar um quebra-cabeça, onde as peças estão espalhadas por toda a sua trajetória de vida, muitas vezes camufladas como um jeito de ser, ou alguns podem chamar uma personalidade forte.
E é essencial entender que o transtorno bipolar é uma condição neurobiológica e ela é tão real quanto uma dor física. Por isso, você precisa conhecer os sinais que podem indicar que o que você sente não é apenas temperamento, jeito de ser, mas sim transtorno bipolar. Vamos começar pelo sinal mais traiçoeiro de todos.
A depressão que começa cedo e sempre retorna várias vezes. Quando eu digo cedo, eu estou falando de antes de 25 anos de idade. Enquanto a depressão, mais comum a unipolar, costuma aparecer por volta dos 30 anos de idade, o transtorno bipolar já dá as caras muito mais cedo, geralmente entre 15 e 25 anos.
Uma das coisas que mais vejo no consultório é o jovem que deprime lá pelos 18 anos ou até menos. Melhora com antidepressivo, depois deprime novamente lá pelos 20 anos, melhora novamente, depois aos 22 anos deprime mais forte ainda em um ciclo repetitivo. Mas aqui está uma pegadinha.
Se você já passou por três ou mais episódios depressivos na vida, isso não é coincidência. O cérebro está te mandando um recado. E tem mais, em média, uma depressão sem tratamento adequado dura de 6 meses a um ano, sendo que alguns casos podem chegar até 2 anos ou mais em episódio depressivo.
Imagina o tamanho da destruição que isso causa na vida de alguém, tanto nos relacionamentos como empregos perdidos, sonhos adiados. E me diz: se a depressão sempre [música] volta, será que o problema não está no tratamento que a pessoa está recebendo? Sempre devemos pensar sobre essa possibilidade.
Talvez o tratamento não seja para condição correta, por isso não está funcionando. E com isso, fique muito atento. Depressão recorrente somada a um início precoce é um sinal de alerta para a presença de transtorno bipolar.
E se você está cansado de tratar o sintomas sem entender a raiz do problema, eu te compreendo. No meu livro Bipolar sem mistérios, eu explico por a depressão volta e o que realmente está acontecendo no cérebro de alguém que tem um transtorno bipolar. O link para adquirir o livro está aí na descrição do vídeo.
E uma das partes mais confusas e perigosas da história toda é quando o antidepressivo não funciona ou quando ele funciona, porém, rápido demais, bem demais e até acelera a pessoa. Pense comigo. Você vai no médico, recebe o diagnóstico de depressão unipolar, sai com a receita de antidepressivo, toma o remédio corretamente.
E aí pode acontecer uma dessas três coisas não esperadas inicialmente. Primeiro, não melhorar nada. Zero, você volta ao médico, ele troca o remédio, troca de novo, troca mais uma vez.
E quando você já trocou cinco ou mais antidepressivos sem melhora significativa, algo está errado. Nós precisamos rever esse tratamento. Segunda questão que pode acontecer, você piorar com antidepressivo.
Seu cérebro parece que acelerou [música] em um ritmo caótico. Terceira questão, você melhora bem demais. De repente está cheio de energia, fazendo mil planos, falando sem parar, gastando dinheiro como se não houvesse amanhã.
Isso se chama uma virada maníaca e é um dos sinais mais claros que você, na verdade, não tem uma depressão comum, mas pode ser que tenha um transtorno bipolar. Entenda o que está acontecendo aqui. O cérebro de alguém com transtorno bipolar funciona diferente de alguém com depressão unipolar.
O antidepressivo mexe com neurotransmissores como serotonina, dopamina, noradrenalina, mas no paciente diagnosticar com transtorno bipolar, isso pode desregular completamente o sistema cerebral, ativando redes cerebrais que não deveriam estar ativas naquele momento. É como se você tentasse curar uma infecção bacteriana com remédio para vírus ao dar um antidepressivo isoladamente. Não vai funcionar, pode até piorar para a pessoa com transtorno bipolar.
E se você está nessa situação, entenda que a culpa não é sua. O problema pode estar no diagnóstico errado, não necessariamente na força de vontade de melhorar, como muitos ouvem por aí. E deixe-me te contar uma história sobre uma pista que muita gente ignora e que pode ser a chave para o diagnóstico transtorno bipolar, a história da sua família.
Você já parou para observar que na sua família existem pessoas com transtorno de humor? Avô, pai, tios, primos. Se tem três gerações seguidas com histórico de depressão, ansiedade, suicídio ou transtorno bipolar, isso é o que chamamos de alta densidade genética para transtornos de humor.
E olha que dado impressionante. Já foram identificados mais de 240 genes que estão envolvidos de alguma maneira no transtorno bipolar. Cada gene pode [música] ter múltiplas combinações, resultando em milhares de possibilidades genéticas.
Por isso, não existe até hoje um teste genético confiável que diagnostique transtorno bipolar. São muitas variáveis. Mas sabe qual é a estatística mais interessante?
Se você tem um dos pais com transtorno bipolar, a chance de desenvolver o transtorno ao longo da vida é de 8 a 10 vezes maior do que a população geral, cerca de 10 a 15% [música] de chance. Se ambos os pais têm bipolaridade, essa chance sobe para 25%. É como uma herança invisível que passa de geração em geração.
E eu sempre digo, não adianta só tratar o presente. Você precisa olhar para o passado, entender o padrão, inclusive da sua linhagem familiar. Quantos tios que tiveram problema com álcool?
Quantos avós que tinham temperamento difícil? Quantos casos de etilismo na família que muitas vezes é uma forma de tentativa de automedicação para sintomas que não estão sendo verdadeiramente tratados. Compreender a história familiar é olhar para o presente com mais [música] clareza.
No meu livro Bipolar sem mistérios, dedico um capítulo inteiro para te ajudar a reconhecer esses padrões, entender como eles impactam a sua vida sem culpa, só com conhecimento. Se isso faz sentido para você, já sabe, o livro tá disponível na descrição. E se você juntou até o momento três ou mais pistas dessas que eu já te contei, preste muita atenção no restante desse vídeo.
Existe um sinal que confunde muita gente. A labilidade afetiva é o seguinte: você acorda feliz, almoça irritado e janta chorando. Isso acontece quase todos os dias.
O seu humor muda de uma forma muito intensa. As pessoas ao seu redor falam: [música] "Nossa, que dramático! Nossa, precisa controlar esse gênio.
Pare de ser tão sensível e reativo. Mas você não consegue controlar. E não é porque não tente, é porque o cérebro de quem tem um diagnóstico transtorno bipolar pode ter dificuldade para regular emoções quando não tratado corretamente.
É como se o termostato emocional estivesse quebrado. Entenda bem o que acontece nesse caso. Durante essas oscilações rápidas, [música] diferentes redes cerebrais se ativam e desativam de forma caótica, não organizada.
E aqui vai um detalhe importante, irritabilidade desproporcional, aquele tipo de irritação que explode por coisas pequenas. [música] Você deixa cair no copo e sente uma raiva desproporcional a aquela pequeno detalhe da sua vida, incômodo. Alguém te pergunta algo simples e você já responde meio atravessado.
Uma das coisas que eu sempre falo para os meus pacientes, se você pudesse prever essas alterações de humor, assim como prevê o tempo, quantas brigas e mal entendidos poderiam ter sido evitados? Certamente muitas, mas não é possível essa previsão se você tem labilidade emocional. Mudanças bruscas de humor ao longo do dia, mais irritabilidade intensa, igual mais uma peça importante no quebra-cabeça para saber se a pessoa tem a possibilidade de ter transtorno bipolar ou não.
E a parte mais traiçoeira de todas, os períodos de energia excessiva que parecem ser uma fase boa, mas não são. Imagine a cena. Você dorme só 3 horas e acorda com energia para conquistar muitas coisas.
faz 20 ligações de trabalho antes das 10 da manhã, compra um carro que não pode pagar, marca encontro com a pessoa que acabou de conhecer em aplicativo de forma impulsiva e seus amigos falam: "Nossa, você tá numa fase muito boa, que energia melhorou muito. " Mas adivinha só, essa fase boa é, na verdade, uma bomba relógio. Durante esses episódios, que podem ser de mania ou hipomania, o cérebro libera quantidades exageradas de dopamina, glutamato e adrenalina.
Seu sistema nervoso te dá aquele pico de energia, de criatividade, de desinibição, mas quando acaba vem a queda livre. E algo que muita gente não sabe, a hipomania pode ser sedutora. Hipomania é uma fase de ativação no transtorno bipolar.
Você se sente produtivo, carismático, invencível. Você não quer que isso acabe. Por isso, é tão difícil reconhecer que você está doente quando, na verdade, está se sentindo melhor do que nunca, até mas aqui está o problema.
Durante esses períodos, você pode gastar todo o seu dinheiro, destruir relacionamentos com comportamentos impulsivos, tomar decisões que vão te perseguir por anos, hipersexualizar de forma que não é o seu padrão, dirigir de forma perigosa ou imprudente, brigar com pessoas que você ama. E quando a fase passa, você olha para trás e pensa: "Nossa, o que foi que eu fiz durante aquele período? " E como reconhecer que você está doente quando se sente melhor e mais eufórico do que nunca?
Difícil reconhecer isso. E essa é uma grande armadilha do transtorno bipolar, que com o conhecimento você passa a conseguir fazer esse reconhecimento. Outro detalhe, fala acelerada, pensamentos correndo sem parar, necessidade reduzida de sono.
Se isso acontece em pacotes, em períodos específicos que duram dias ou semanas, não é só você em uma fase boa. Pode ser um sintoma desse episódio hipomaníaco no transtorno bipolar. E vamos falar de algo muito prático.
O que dispara essas crises? Uma das principais causas de variação de humor em bipolares é o estresse agudo e também o estresse crônico. O término de um relacionamento, uma demissão, morte na família, problema grave de saúde na família.
Eventos que para algumas pessoas são difíceis e desafiadores. Para quem tem transtorno bipolar podem se tornar gatilhos para episódios de humor completos. Entenda o que acontece no cérebro.
O estresse altera a funcionalidade do sistema imunológico e também hormonal, principalmente o eixo cortisol, gerando inflamação. Essa inflamação ativa mediadores que alteram neurotransmissores como dopamina, serotonina e noradrenalina. É uma cascata biológica que você não controla apenas que quase ninguém leva a sério, a desregulação do sono.
Eu não canso de repetir isso para os meus pacientes e para os meus leitores. O sono é a pedra fundamental do tratamento de qualquer pessoa com transtorno bipolar. É a base.
Se você começasse a construir uma casa sem fundamento, ela ia cair, não é verdade? Do mesmo jeito, tentar tratar transtorno bipolar sem organizar o sono é impossível. E por quê?
Porque o transtorno bipolar tem alterações de ritmo biológico. Dormir tarde, dormir pouco, ficar sem rotina. Tudo isso desregula ainda mais o cérebro.
Se o seu sono está desregulado, comece por aí. Não é só medicamento que melhora o sono. Existem mudanças comportamentais que [música] fazem toda a diferença.
Dominar esses gatilhos é recuperar o controle da sua vida. E não é à toa que no meu livro Bipolar sem mistérios eu explico tudo isso para que você aprenda de forma prática como identificar e gerenciar o que desestabiliza o seu cérebro. E por que isso tudo é tão comum e, infelizmente, frequentemente não diagnosticado?
Porque confundimos oscilação de humor com jeito de ser? Porque achamos que depressão é só tristeza, porque pensamos que episódio maníaco é só estar alegre. Mas agora você já sabe da verdade.
O transtorno bipolar é uma condição neurobiológica complexa que afeta milhões de pessoas no mundo todo e que pode se manifestar de formas muito diferentes do que você imagina. Se você reconheceu vários desses sinais em você ou em alguém que você ama, não os ignore. Procure ajuda especializada com o médico psiquiatra.
Se isso ficou claro para você, escreva o que achou aqui nos comentários e o que se destacou desse vídeo para você. Não se esqueça de curtir o vídeo e, claro, se inscrever no canal para não perder os nossos próximos encontros por aqui. He.