Um namoro conturbado com um homem controlador e possessivo. É assim que a estudante de direito, Isabele Caraciste, definia o relacionamento com João Munz. >> Isabele foi encontrada morta no condomínio onde morava com o namorado em Fortaleza no dia 13 de setembro.
João Munhóis está preso e o Fantástico teve acesso com exclusividade às últimas mensagens de Isabele. >> Veja na reportagem de Alessandro Torres e Mônica Marques. >> Hipótese alguma pague o áudio que eu vou mandar hoje.
Tá acontecendo coisas sérias, coisas graves que eu venho guardando só para mim. São ameaças diretas vindas dele, entendeu? que eu simplesmente não tô suportando mais.
Dê muita força paraa minha mãe, ela vai precisar. [música] >> O último registro da estudante de direito, Isabele Caraciste, de 22 anos, é um desabafo e uma despedida. O áudio tinha sido enviado ao primo dela minutos antes de Isabele morrer no prédio onde morava com o namorado João Munhoz Neto, num bairro nobre de Fortaleza.
Cheguei a escutar só metade do áudio, na verdade, porque eu costumava [música] receber essas reclamações dela em relação a esse relacionamento. E quando eu liguei para ela, chamou, não atendeu. Eu mandei uma mensagem escrito o ela também não visualizou nem nada.
A mensagem foi recuperada pela polícia no celular de Isabele, que estava junto ao corpo. No aparelho, os investigadores também encontraram as conversas que ela teve com o namorado naquele domingo, como esta em que João cobra uma suposta dívida de Isabele. João escreveu: "Eu preciso desses R$ 13.
500 e do dinheiro da mãe até quarta". Isabele respondeu: "Sim, mas tive gastos durante a semana. " E João pressionou: "Agora estamos em um beco sem saída e precisamos desses valores.
" Isabele respondeu: "OK, há informações realmente de de dívidas, de cobrança. O próprio João Munhóis alega que uma das dibras com ele. >> Existe sim uma movimentação financeira na vida da Isabele, onde primeiramente ele empresta um dinheiro a ela, porém a gente entende [música] que eles eram um casal".
automaticamente nesse ato desse empréstimo, ele transforma a generosidade com outros pedidos. Eu confio [música] em você, me passa a localização, te dei dinheiro, por que que você não me desbloqueia? Ela mostrava um cansaço absoluto.
>> As investigações tentam explicar por Isabele teria se jogado do terraço do prédio de uma altura de mais de 70 m. 13 de setembro. Essas imagens mostram Isabele chegando ao prédio onde morava com o namorado.
Eles sobem pro apartamento no 15º andar. Isabele vinha se queixando de um torcicolo e decide ficar em casa. E João sai para ir à missa.
Pouco depois, Isabele é vista pela última vez no elevador às 7:12 da noite. João Munhoz prestou dois depoimentos à polícia. No primeiro, ele disse que havia emprestado pouco mais de R$ 14.
000 [música] R e a mãe dele outros R$ 7. 000. A Isabele [limpando a garganta] negou ter feito ameaças e afirmou que a única [música] cobrança mais firme ocorreu quando o prazo venceu, porém sem agressões.
A polícia pediu a prisão de João Munho porque considerou que ele não estava colaborando com as investigações. Além disso, João agiu de forma suspeita. Ele voltou ao prédio no dia seguinte a morte de Isabele para procurar o celular dela.
Ele também mandou limpar o apartamento, retirou alguns objetos [música] e colocou o imóvel à venda. O Fantástico teve acesso exclusivo ao depoimento da síndica do prédio. Ela afirma que no dia seguinte, a morte da universitária, segunda-feira, João pediu ao porteiro para ver se o celular de Isabele estaria nas lixeiras.
A síndica também disse que João proibiu a família da namorada de entrar no prédio. Naquela mesma tarde, a mãe e o tio de Isabele foram ao edifício. Foi quando a mãe de Isabele soube da morte da filha.
>> Ele não me ligou. Eu tava dormindo, quando eu vejo foram uma uma ligação de um número desconhecido. Se fosse ele me ligando, o número era conhecido.
Eu teria imediatamente atendido. Eu tive que ir lá para saber da morte da minha filha. De acordo com as investigações do momento em que subiu para a cobertura 7:12 da noite até o horário estimado da queda às 8:40, Isabele passou a maior parte do tempo enviando mensagens pelo celular, inclusive para o primo e para a mãe dela.
>> Tudo que eu faço é ameaça, ameaça, tudo, absolutamente tudo. Eu não consigo, por exemplo, fazer nada sozinho, porque se ele não tiver junto, ele não fica supondo coisas. Eu não posso postar foto que ele [música] acha ruim.
Enfim, vários fatores eh de uma pessoa doente, sabe? >> A perícia concluiu que a queda foi uma precipitação voluntária, ou seja, não há indícios de que ela tenha sido empurrada. O elevador ele finaliza aqui no 23º andar, onde tem mais um lance de escada [música] e tem um livre acesso a essa superfície aqui, uma laje técnica onde tem um [música] livre acesso até essa extremidade e ela está justamente alinhada com a posição onde foi finalizou aqui a queda.
>> Pela altura do parapeito foi descartada a hipótese de uma queda acidental. >> A velocidade de impacto ficou em torno de 130 km/h. >> Isso significa o quê?
Que ela caiu em que posição? Em >> posição vertical, né? [música] >> Em pé.
>> Em pé. né, trazendo assim uma grande parte das lesões dos membros inferiores. E isso [música] não é compatível com a ação de um terceira pessoa que provocaria ali através através de uma impulsão.
Num caso de um de um confronto ali de uma luta corporal, você teria um vetor de força horizontal aqui tentando jogar ela contra essa grade, tá? >> Ela teria caído mais longe, >> mais longe e também rotacionado durante a queda. >> Cor teria girado durante a queda.
>> Perfeito. >> Havia algum indício de eh violência? sofrida, né, antes da queda.
[música] >> Não foram constatadas lesões de defesa que indicassem um possível luta corporal. E quando a gente faz essa avaliação do laudo, das lesões do cadavére com os exames complementares realizados, tanto na laje técnica quanto no apartamento, a gente chega nessa hipótese mais provável [música] que é a projeção voluntária. >> A polícia ainda está analisando pelo menos 700 vídeos das câmeras do prédio, mas não há câmeras no terraço do último andar e nem nas escadas.
A advogada defesa João Munhóz entrou com pedido de abes corpos para que o cliente deixe a cadeia. Ela confirmou que João era casado. >> É casado.
Ele nenhum momento negou para ela. >> Então seria um relacionamento extraconjugal? >> Não digo tanto porque ele tava separado de fato da esposa.
>> Ela descobriu que ele mantinha contato com até então ex-mulher e ela menciona para ele: "Olha, você tá em contato com ela. Eh, me explica isso? " Todas as vezes ele mentiu para ela.
Ele dizia que não, que ela não era nenhum contato com a mulher. >> A polícia usou imagens de câmeras de segurança para tentar reconstituir o passo a passo de João Munhoz na noite em que Isabele morreu. Confirmou que ele veio à missa e que estava acompanhado.
Depois passou nessa praça. E daqui quando recebeu a notícia da morte da namorada, pegou um carro de aplicativo até a rodoviária que fica no mesmo bairro. Lá, o irmão dele foi buscá-lo para irem ao apartamento da família.
>> O Fantástico teve acesso a imagens exclusivas de câmeras de segurança que mostram que João Munhó saiu da igreja com a ex-mulher. Depois lancharam em uma das barraquinhas na praça em frente à igreja. Em seguida, foram até a rodoviária.
Pouco tempo depois, as imagens mostram João sozinho entrando no carro do irmão. Aí eles foram para o prédio de João. >> O que nós buscamos ainda é comprovar o horário exato em que ele toma conhecimento ah da queda da Isabele.
A gente tá analisando o celular dele, são mais de 400. 000 mensagens dentro daquele telefone, né? e-mails, informações de localização.
Então, tudo isso tá sendo analisado. >> A polícia já ouviu 25 pessoas. >> Tínhamos informações, né, de violência psicológica, a possibilidade de algum tipo de induzimento ali, de uma instigação ah em relação ao suicídio.
Também a questão da destruição de provas. A violência psicológica, ela está ali presente nos indícios que nós tínhamos, né, e temos até hoje no momento. Ah, nessa relação de controle.
Procurada pelo Fantástico, a defesa de João Munhoz negou as acusações de controle e abuso psicológico. Disse que o relacionamento era muito recente e que Isabele ia e vinha quando queria para o apartamento dele. Isabele e João tinham se conhecido num escritório de advocacia, onde ele era gestor e ela estagiária.
O dono do escritório, Rudá Bezerra de Carvalho, disse em depoimento que Isabele o procurou e afirmou que se sentia sufocada profissionalmente pelo namorado. João não permitia que ela realizasse audiência sozinha e nem determinadas atividades de forma independente. Enquanto estava na [música] cobertura do prédio, Isabele também mandou áudios para amigas, se queixando do comportamento controlador do namorado.
>> Amiga, eu não tô legal. Eu tô passando muito, muito mal. Eu até mandei um áudio pro meu primo e para algumas pessoas da família, porque simplesmente esse João é um louco.
É um louco. Tava me proibindo até de sair do próprio prédio. Ele ficava no meio da porta me proibindo de sair.
E eu simplesmente não aguento mais. Eu não aguento mais. Eu tô cansada.
Hoje foi a a gota d'água. Antes de morrer, Isabele mandou um texto se despedindo do irmão e da mãe. Isabele pede perdão, diz que foi vencida pelo medo, que os ama, pede que o irmão proteja a mãe e que seja forte.
>> Eu espero que minha filha não seja o caso que ocorreu com minha filha não seja mais um número. Eu quero que isso que aconteceu com minha filha, essa relação abusiva, controladora, né, não [música] se repita. Então são coisas todas que eu como mãe, quero as respostas e quero justiça para minha filha.