Ela transformou uma das histórias mais dolorosas do Brasil em bandeira de luta por acolhimento, justiça e proteção a crianças e mulheres. >> De uma mãe que precisou enfrentar o maior desafio da vida. A entrada na política, ela segue inspirando pessoas. >> Muito bem-vinda. >> Bemvinda, >> Ana Carolina Oliveira. Que honra ter você aqui. >> É uma honra tá aqui. Eu vou falar uma coisa com uma curiosidade que as pessoas não sabem sobre mim. Eu tenho uma uma grande problema de merecimento. Eu eu carrego isso desde muito tempo. Então, quando a pessoa falava alguma coisa para
mim, de mim, eu tinha dificuldade de receber isso como sendo meu. E hoje, nessa jornada, quando eu escuto alguém falando sobre mim, quem sou eu que eu falo: "Gente, será que essa pessoa sou eu mesmo?" >> E é você. >> Então, essa é uma curiosidade sobre mim que poucas pessoas sabem. >> Sim. >> Já já a gente inicia o nosso bate-papo. Antes, seja bem-vindo ao Reset, esse espaço feito para compartilhar histórias. que mostram que sim é possível recomeçar e ressignificar. Lembrando que o resete é gravado aqui na ZAS Estúdio, na Avenida Paulista, por essa equipe,
ó, especialista em Audiovisual, certo, né? >> Sim, certíssimo. E olha, aproveitem para seguir a gente, né? >> Ativar o sininho, se inscrever no canal, deixar comentário, >> deixa o like, >> deixa o like, críticas, >> isso, o que você quiser. >> Só não pode deixar de curtir, de se inscrever. >> Exatamente. >> Combinado? Bora começar, Ana. Bora. Bom, Eu queria começar da Ana antes, né? Então, assim, antes de tudo isso acontecer na sua vida, quem era Ana Carolina Oliveira? >> Olha, eh, em termos eu acredito que Diana Carolina Oliveira, ela não mudou muita coisa. Eu
sempre fui uma uma menina muito determinada do que eu queria, dos meus objetivos. algumas vezes eu tinha mais dificuldade de conseguir me colocar nesse lugar, mas eu acho que determinação sempre foi meu Foco ariana. Eu sou Mariana Nata, aquela que luta até o fim por por justiça, pelo que eu acredito. E eu acho que a transformação da Ana Carolina de antes pra Ana Carolina de hoje é apenas um amadurecimento por uma dor, >> né? Mas eu acho que eu sempre fui uma menina muito cheia de vida, muito com vontade mesmo de viver, de viver cada
momento intensamente. E eu continuo as coisas de forma transformada, mas eu acho que eu continuo sendo essa pessoa Hoje também. >> Essa que batalha, né? >> Exato. >> Já são, eh, acho que quase 18 anos da tragédia. >> 17 anos. Quase 175. Vamos >> 17, me quase 18. E o que chama muita atenção, porque assim, sobre a tragédia em si, o Brasil inteiro acompanhou, né? Não precisa a gente falar muito, mas o que chama muita atenção é como você transformou isso Tudo em bandeira de luta e como de fato conseguiu ressignificar, né, Ana? Claro que
assim, naquela época, eh, após acontecimento, você teve que viver o seu luto. >> Sim. Então assim, como que foi esse processo até você entender que podia recomeçar? >> Olha, foi uma longa jornada porque hoje mesmo eu tava gravando e tava conversando sobre o luto, que era uma mãe que perdeu também uma filha, mas ela Teve um um problema de saúde e veio a falecer. Eh, diferente do meu caso, que foi de forma trágica, além de ser de forma trágica, foi repentina, né? Óbvio que ninguém espera perder um filho, seja por doença ou por qualquer coisa.
>> Pela ordem cronológica, né? ordem crumaóica, nenhuma mãe espera enterrar um filho, filho. >> Mas eh quando você tem um processo a enfrentar, então a minha filha morreu da Forma como foi trágica e o mais desafiador nessa jornada toda, que foram dois anos até o julgamento, era realmente enfrentar esse processo. Porque quando eu me despedi da minha filha, eu falei para ela que ela podia ir em paz, que eu cuidaria de tudo. Só que cuidar de tudo, eu não fazia ideia do que viria pela frente quando eu me despedi dela no hospital, né? >> Então
era processo, era até descobrir quem foi e e viver essa jornada de Investigação, polícia, coisa que não fazia parte da minha vida, não faz parte da minha vida, né? Então, >> e a mídia o tempo todo martelando aquilo também, porque por mais que você quisesse, entre aspas, fugir daquela realidade, não tinha como. >> Não tinha. Não tinha fugir de enfrentar aquele problema. Então, >> e não existia nenhuma desconfiança do que de fato tinha acontecido, não era? >> Quando tudo aconteceu, não. Eh, foi no Decorrer da investigação, onde eles realmente não saíam da cena do crime.
Aí é um choque, né? Porque você tá enfrentando o luto e você ainda tem que fazer aquela descoberta, porque não existia uma terceira pessoa como era a história que eles vendiam, né? Não existia essa terceira pessoa, existiam duas pessoas, as únicas que não saíam da cena do crime. Então, é óbvio que é um choque que a gente, enquanto mãe, não quer acreditar que quem deveria proteger Não o fez, >> não. Foi uma das coisas mais vi que eu já presenciei e você pode ter certeza que todo mundo se sentiu mãe da Isabela. >> Não tenha
dúvida. As pessoas me falam muito sobre isso, o quanto elas se sentem da minha família, parte da minha família. Podia pegar você no colo, falar não chora. E eu tinha 23 anos, né, na época >> extremamente jovem. >> É, quando ela dia 29 de março eu tinha 23 anos e 5 de abril eu completei 24. Então assim, vendo hoje essas meninas que trabalham com a gente, que a gente vê aqui, elas têm idade para ser minhas filhas hoje. Elas têm 23 anos e idade para ser minhas filhas. Então era a idade que eu tinha. Na
idade que eu vejo essas meninas eh jovens com uma vida inteira pela frente, era eu. >> Sim. uma mãe passando por tudo aquilo. Já fui mãe muito jovem, engravidei com 17, ela nasceu, eu tinha 18 e com 23 eu Tava passando pela história mais trágica, por uma tragédia, aquela que realmente só a gente só vê na televisão, nos canais e de tragédia, os canais de polêmica e eu era parte daquela história. >> Não, eu acho que ninguém nunca imagina passar por aquilo. >> A gente realmente acha que só acontece na televisão e na casa do
vizinho. >> É. Eh, >> você já tava separada fazia tempo? >> Eu, na verdade, eu nunca me casei com ele, né? >> Nunca. A, eh, nós tínhamos um relacionamento, um namoro, eu engravidei e nós terminamos esse relacionamento, ela tinha 11 meses. >> Então, quando ela se foi, ela tinha quase seis. Então, foi um longo espaço aí de tempo. >> Sim. E aí, quer dizer, quando veio o julgamento, foi depois do julgamento que você foi tomou a decisão de morar fora e Foi a partir dali que as coisas começaram a mudar assim na maneira como você
começou a enxergar tudo isso que aconteceu com você. Conta pra gente como foi assim que você se redescobriu, consegui fui me reconectar, né? >> Se reconectar com você mesma, né? Como é que foi? Eu passei e deixei de ser a Ana Carolina, eh, a Carol que todo mundo conhece, que todo mundo via, que brincalhona e feliz, tal, para ser a Ana Carolina, a mãe da Isabela, para ser a Mãe da menina. Ah, tá vendo aquela ali? Eu ia nos lugares, a mãe da menina, a mãe da menina, >> era uma tragédia. Olhava para você, era
uma tragédia, >> não é? É. E não, não é que aquilo me incomodava, mas ao mesmo tempo você perde a a caracteriza, né? >> É, eu eu não não era mais eu, né? Eu eu saí, eu era reconhecida, coisa que nunca aconteceu na minha vida. A gente não espera ser reconhecida >> por esse motivo. >> Por esse motivo. Então, começou a se tornar, por mais que eu tentasse enfrentar, tentasse encarar tudo da melhor forma, era inevitável isso mexer com a sua mente. Por mais que você tente trabalhar ela da melhor forma, com uma base familiar,
com terapia, com família estruturada, era muito difícil. Então essa viagem sozinha, eu comigo mesma, me olhando, me entendendo, me reconectando, eu Digo que foi um divisor de águas. >> E como que veio essa decisão assim de ir morar fora? Foi pela pressão? Eh, foi foi uma fuga? >> Foi, foi um Eu eu morei seis meses na Califórnia. Eh, fiquei, morei em São Diego, mas a decisão foi o seguinte, eu tava num processo, eu trabalhava numa instituição financeira, trabalhei durante 16 anos dentro do mesmo do mesmo banco. E eles sempre me deram todo o suporte, desde
que tudo me aconteceu, Até julgamento, até até o dia que eu saí de lá. Eu não tenho questionamento sobre isso, só que eu tava numa fase profissional da qual eu não conseguia fazer a entrega que eu deveria da eu não conseguia me desenvolver por problemas psicológicos mesmo que a gente tenta, eu tentava trabalhar, eu tentava fazer, mas aquilo não não >> não fluía, >> não fluía, não, não acontecia. Então eu fui colocada à disposição na no cargo Que eu tava. Foi um momento muito difícil para mim. Eu não conseguia me encaixar na área que eu
que eu queria estar. E eu fui conversar com a diretora do RH do banco para ela tentar entender qual área do banco eu queria me realocar. Até que veio a história, eu ia sair, eu ia pedir demissão, ia sair do banco, ia trabalhar com meu pai. Meu pai tem comércio, né? ia trabalhar com ele, era o sonho dele, sempre foi que eu Trabalhasse com ele. >> E e talvez aquela seria a oportunidade. >> Só que eu falei para ela: "Olha, eu não sei se eu saio para trabalhar com meu pai". E ela e essa diretora
sempre muito preocupada com a minha carreira, sobre como eu tava naquele momento mais difícil que eu tava passando, que eu tinha passado. >> E ela foi muito humano, ela foi muito generosa, foi, ela foi o divisor de águas. Eu falei para ela, olha, eu Queria também, talvez, ter oportunidade de morar fora e tudo mais. Ela falou: "Então, você quer morar fora?" Ó, toma aqui, pega esse telefone, esse papel, ó, vai nesse lugar e fala com essa pessoa que ela vai te dar todo o direcionamento. Eu saí do banco, fui para essa agência, inclusive eu tenho
contato, amizade com essa menina que me ajudou na nessa agência que ela trabalhava. >> Que legal, >> é muito legal. E e ela falou: "Olha, eu falei: "Ó, eu não quero um lugar que eu vá, vamos supor, o Canadá, né, pegar aquele frio extremo, eu já tô numa situação difícil, >> vou deprimir, então não era esse mundo." Então ela falou assim: "Olha, o que que eu sugiro que é muito próximo do do que a gente vive? A Califórnia tem um ambiente igual o nosso, o frio é parecido com o nosso e tal, e eu acho
que lá você pode se dar bem. Tá bom. >> Quanto custa? Tanto? Aí eu tinha um dinheiro guardado, óbvio que eu precisaria também do suporte dos meus pais. Chega, lembro até hoje, cheguei em casa tarde, meus pais estavam na cama deitados. Eu falei: "Ó, tomei a decisão, tô indo viajar, vou fechar amanhã, tô indo morar na Califórnia e embarco daqui um mês". Aí eles falaram: "Aí minha mãe sentou na cama, falou: "É isso mesmo que você quer?" Falei: "É isso mesmo que eu Quero". E minha mãe também sempre teve o sonho, né, de que eu
pudesse ter ido para fora, estudar. morar e tal. Ela falou: "Então tá bom, a gente te apoia". Aí voltei no outro dia no banco, falei: "Ó, fechei é isso. Eles me deram uma licença não remunerada e eu fiquei". >> Ah, então você foi na verdade empregada. Olha que foram muito foi, foram muito bons. Quando tudo me aconteceu em 2008, eu fiquei três meses de licença remunerada, Porque eles entendiam o quê? Você já tá passando por um momento muito difícil. Se você ficar sem recurso diante de tudo que você tá passando, >> sem ter eles >>
me deram todo o suporte também. >> Tem a questão da daquela >> foi como >> o suporte para para auxílio funeral. Tinha tudo isso no banco, >> apesar do meu pai ter arcado com com a maioria do do que tinha ali, mas eles me Deram esse auxílio também. Então, naquela época foi uma licença não remunerada de três meses e depois eu tive uma não remunerada porque eu eu podia ir, eu podia ficar tranquila que quando eu voltasse eu teria, mas era concursada, tipo assim, não é? Porque é difícil, geralmente no serviço público, sim, >> você
tira uma licença sem vencimentos, mas eles foram bem bacanas, né? É, eles foram muito. Então eu falo que assim, Mesmo tendo saído de lá há há um ano atrás, um ano e meio atrás, eu sou muito grata a eles. Por mais que a gente sabe, né, mercado financeiro, banco, aquele estressão. É, eu já fui bancária também, já tem tod várias pessoas que cruzam seus caminhos e tal, muito difícil, mas eu não posso dizer que eu não sou grata à instituição que eu trabalhei e que eles não foram generosos, humanos e que tudo que eu tenho
hoje eu agradeço e devo a eles. Então eu me consolidei Financeiramente, enfim, eles foram muito bons para mim. Tanto que quando eu tava para voltar, ela ela me falou: "Olha, eu vou te dar 6 meses. Se você entender que você ainda precisa, eu estendo isso por mais se meses." Então ela ainda me deu essa possibilidade. Só que quando eu fui, eu conheci meu marido. Então eu fui meio que na lá, >> eu conheci aqui. Eu conheci ele em mai. Curioso. Você conheceu ele antes da viagem? >> Antes da viagem. Eu conheci ele em maio, dia
29 de maio, dia 25 de junho eu embarquei. Ficou se meses tem que ser, né? >> Olha que coisa. continuar. Sabe o que eu queria saber? Quem mais te deu apoio com tudo isso que aconteceu? Porque pais, eh, obviamente os seus pais deveriam estar em frangalhos, não só pela neta, mas pela pelo sofrimento da própria filha. >> Como que eles conseguiram te apoiar? >> Olha, eu acho que foi eh um conjunto ali. A gente se apegou muito a Deus e eu fui pra terapia, né? Meus pais, no caso, não foram. Cada um na minha casa
sofreu de uma maneira, cada um encarou esse luto de uma forma. A minha mãe queria ver notícia o dia inteiro. O meu pai se enfiou no trabalho. Eu tentei voltar a trabalhar, não consegui. Então, cada um, e aí eu fazia terapia três vezes por semana. Cada um na minha casa lidou de um jeito, mas eu acho que a união e a Estrutura que a gente tinha ali e propósito e princípios e valores que nós tínhamos, foi o que fez essa diferença na nossa vida para poder encarar. Porque é o que todo mundo fala: "Ah, eu
teria matado, eu teria isso." Então você pode, você pode pegar tudo desde que tudo aconteceu. Você não viu nunca nem eu, nem meus pais, nem meus irmãos dando entrevistas, eh, emanando ódio, eh, por mais que aquele ódio tivesse dentro da gente, porque >> não dá para negar, então a gente nunca tentou vingança. E a gente tinha esse princípio e esse valor na nossa vida entre lutar por uma justiça e ela ser feita e eles serem preso ou eu que fossem eles, que fossem os culpados. >> Os culpados não você ainda estragar o resto da vida
que sua vida para uma filha não ia voltar. É, ah, vamos fazer justiça com as próprias mãos, não é? O caminho. É o primeiro instinto. É assim, enquanto você não passa por esse tipo de Situação, >> eh, o que você tem na sua cabeça, cara? Se acontecer alguma coisa com os meus filhos hoje, eu mato alguém. >> Eu mato. É exatamente isso. >> É a primeira coisa, qualquer pessoa, qualquer ser humano, o mais evoluído ou o menos evoluído, a pessoa vai responder: "Eu mato se alguém fizer alguma coisa com o meu filho >> até acontecer
com o seu filho e você se vê nessa situação. >> Porque o qual que era a minha ideia naquela época? Cara, se eu fizer qualquer coisa que a gente pense em fazer o que a sua mente chegue, seu filho vai voltar? E eu penso o seguinte, eh, a morte ela é muito simples, ela é muito, é simples no sentido assim, você faz a justiça com as suas próprias mãos e ficou fácil pro assassino, porque ele morreu. O que vai acontecer com ele pós vida, aí vai do entendimento da crença De cada um, >> mas ficou
fácil. E talvez enfrentar processo, enfrentar uma cadeia, enfrentar tudo, é um processo da vida que alguns vão encarar, >> é arcar com as consequências, >> arcar com as consequências. E eu e eu e a minha família sempre fomos assim, >> a justiça dos homens, ela pode ser extremamente falha, como eu acho que é, mas a divina não é. Divina >> a divina não é. >> Ela é, ela é. Então, talvez ela não seja no nosso tempo, talvez ela não seja da forma que gostaríamos, mas ela é cirúrgica. >> É, até para antes da gente continuar
o assunto, estava falando sobre justiça, né? Eh, temos os dois soltos, né? Então, assim, qual é a leitura que você faz? Eles foram condenados. OK. Mas a justiça foi feita pra sua filha? Eu tenho feito alguns relatos sobre isso, né? A Justiça, ela é, neste caso, ela é extremamente relativa, porque eu posso dizer sim que no meu caso teve justiça, como a gente vê casos e casos aí 10, 15, 20 anos que não foram nem julgados, que as que as famílias não encontraram essa justiça que eu encontrei. >> Uhum. >> Então eles foram julgados, foram
condenados, a justiça foi feita. Porém, você pega 15 anos depois ela e 16 anos depois ele. >> Uhum. >> Né? O tempo deles foi um pouco diferente. >> É que ele foi, acho que ano passado, né? 2024. >> Então, que justiça é essa que permite com que um pai e uma madrasta matem criança de 5 anos, eh, que nunca mais vai voltar, nunca mais. O o verdadeiro sentido, se você perguntar qual que é o verdadeiro sentido de nunca Mais, é a morte. >> Esse é o verdadeiro sentido de nunca mais para mim e que nunca
mais vai voltar. Só que eles têm o direito de viver uma vida assim como eu, assim como vocês, uma vida plena. Eles são jovens. Eu eu me considero uma uma mulher jovem assim. Não, >> não, de idade. Com certeza. Com certeza. Pera aí, gente. São 41 anos, mas tem hora que eu acho que eu que eu sou Jovem, tem hora que acho que vendo mais de 80, >> mas é brincadeira, mas assim, >> na metade da vida, eu posso dizer que talvez eu esteja na metade da vida >> e que eles têm metade da vida
pela frente. Então assim, saíram relativamente jovens, tem a oportunidade ainda de ter esse crescimento, desenvolvimento com os filhos. Eh, >> ai, será? >> E aí eu te falo, tem por >> que será que as pessoas enxergam? Eu não tô falando do que as pessoas enxergam, eu estou falando de uma vida que eles podem levar >> que eles podem levar, independente de como ela seja, se ela seja tranquila, se ela seja agitada, não é sobre isso, mas >> é uma vida que eles podem viver juntos. É uma vida que eles têm esse contato com os filhos
que estão aqui, independente de >> E a sua filha foi embora >> e a minha filha não tá. Então assim, >> não tem justiça que repare isso. >> E aí eu te falo, nem que eles peg >> a justiça, ela é relativa. A justiça dos homens foi feita. >> A justiça legal ela foi feita. Agora enquanto mãe, enquanto me preocupo, enquanto falo, enquanto tô aqui conversando com vocês sobre isso e relembrando e falando e trazendo a lembrança da minha filha sempre, óbvio Que hoje de uma forma mais curada, mas eu tenho que ficar relembrando para
que isso não seja esquecido. Quanto, qual é o tipo de vida que eles vivem se escondendo ou se eh eh estando tampados quando saem nas ruas, >> disfarçados, mas quer dizer, vivem, estão >> estão vivendo, eles estão vivendo como nós. >> Sim, mas curioso porque ele também era pai. Caramba, não entra na minha cabeça. >> Então, mas aí eu >> O que será que ele sente, né? Como se Como será que ele se sente a respeito disso? Olha, eu sinceramente não tô é eu não tô preocupada com o sentimento dele e também hoje não faria
diferença saber >> qual foi e a se eles te procurassem para faz diferença hoje. Não, não vai >> nunca aconteceu isso, né? >> Não, nunca aconteceu. Mas também não vai mudar minha vida em relação a isso. >> O que eu digo para você é o seguinte, Se ele vai deitar a cabeça no travesseiro dele, se ele vive tranquilo, se ele não vive, >> é problema dele com Deus, ele que se resolva, entendeu? Eu sei que eu posso deitar a minha cabeça no travesseiro todos os dias e viver de uma forma tranquila. Assim, se eles vão
viver uma vida boa ou não, se vão viver se escondendo ou não, também não importa, entendeu? Eles estão soltos, não é uma uma pena que eles vão Ficar até, sei lá, saiu com 80 anos da cadeia, pô, aí não tem uma qualidade de vida. Aí seria, aí sim seria. É >> por isso que que a gente tem hoje aí você tá falando de justiça em parceria com o delegado Palumbo nessa jornada aqui também. >> O Palumbo é maravilhos adoro ele. >> Ele é um grande parceiro e ele fez lá na na Câmara Federal a PEC
da Isabela Nardoni, >> que é para acabar com a com a progressão de pena para crimes ediondos. >> Então assim, você pegou os seus 30 anos, você vai ficar 30 anos. Você pegou 50, você vai >> porque a lei é muito falha, né? Progressão de pena. Aí lê o livro, lê livro, saiu. Aí erreu primário. >> Tem várias coisas que que pequenas coisas que enquanto vítima aí você perde todo o direito a confiança, a credibilidade numa justiça. Então 15 Anos, que que são 15 anos? São Não é nada. >> Sim, >> não é nada. É,
é muito tempo longe da minha filha, mas para quem tá preso não é nada. >> E aí, quer dizer, voltando à viagem pra gente eh depois encaminhar nossa conversa para esse propósito e pra sua missão, a gente é mulher, né? Vai falando e >> vai falando, aí vira um tricô Brasil, Né? >> Vira um tricô. Quer dizer, eh, muitas coisas assim, como que Deus também agiu na sua vida, né? Promovendo esse encontro antes de uma viagem que era fundamental para que você voltasse mais forte. >> Sim. e já te colocando ali o amor da tua
vida que você que te deu a chance de reconstruir, >> sim, >> né, a sua vida. Eh, e como que foi Quando você falou para ele, olha só que tem um porém, eu volto só daqui a seis meses tanto que você falou que ele foi atrás de você. >> Foi atrás, >> não foi assim? Eh, eu, eu tive que falar visto ele, vocês se conheceram mesmo? Onde vocês se conheceram? A gente se conheceu na numa festa de tem um um lugar na zona norte que chama Bar do Luís Fernandes. Bem famoso. E foi 40 anos
do da uma Festa de 40 anos em comemoração do bar. >> Foi ali na >> Casa das Caldeiras. >> Ah, tá. >> Foi um evento. >> Achei que fosse no próprio bar. Eu ia falar no Augusto Tol. Não, aí fizeram to. Inclusive tem uma foto nossa lá no no dia dessa festa e não a gente de 43 porque a gente foi na festa de 40 e na festa de 43 que a gente já tava junto. >> Então nessa festa de 40 anos, eu fui com o meu irmão por uma situação atípica. Meu irmão tinha dois
convites, eu não ia. Ele falou: "Não, você vai comigo?" Fui com o meu irmão. Nós nos encontramos lá com amigos em comum. Então, a turma de amigos dele conhecia eh >> os amigos do seu irmão, >> não? Eh, eu tinha uma amiga que era dessa turma de amigos dele. Então, como tava só eu e o meu irmão sozinhos, a gente acabou ficando com essa turma. a Gente desconheceu lá eh eh nos olhares, a gente pega as nossas fotos, inclusive a gente tá sempre um do lado do outro porque acho que >> já tava já tava
flertando ali, >> se paquero, se paquerando ali. >> E eu fui embora, fui para uma outra festa porque mas era solteira, né? Tava sozinha, fui para uma outra festa eu encontrei com ele uma semana depois numa micareta. >> Aí eu fiquei com >> fui para Itu, dei de cara com ele, nem sabia que ele ia, ele não sabia que eu ia lá. E tu aí pensa no interior, qual a chance, né? >> Qual a chance de sair numa micareta e encontrar uma pessoa? >> Prov reencontrá-lo. É. >> E aí a gente se encontrou, a gente
ficou junto aquele dia, daquele dia até eu viajar a gente não se separou todos os dias, a gente se viu. Aí falei para ele que eu tava indo viajar, a gente já tava Apaixonado e tal. A gente se falou todos os dias durante todos esses seis meses e no final da minha viagem, ele pretendia também ir pra Irlanda para estudar e tal, não foi, juntou todo esse dinheiro e foi me encontrar na Califórnia. Aí a gente viajou para alguns outros lugares e voltamos juntos pro Brasil e estamos juntos há >> há 15 anos. >> Há
15 anos. Ele literalmente te esperou. >> Sim. Foi recíproco. >> É exatamente, né? Então assim, e a partir de então, dá para dizer que a partir dali eh, de fato, você conseguiu iniciar essa nova caminhada, trilhar novos caminhos. >> Exato. >> Né? O que que mudou de lá para cá? Eu acho que tanta coisa aconteceu antes de você também, porque acho que a vida foi te mostrando que você tinha um propósito e uma missão até você realmente entender isso, né, Anaí? Mas até você abraçar Essa missão e dizer: "Essa missão é minha". Foi uma caminhada.
Então assim, longa, >> longa, >> né? >> Foram muitos desafios até eh a gente casou, eu não eu não tinha pretensão nenhuma de casar. Eu não nunca fui a >> a menina que queria casar de Vel e Gralda e sonho. Nunca fui. >> E ele tinha o sonho de casar >> e eu falava: "Não, não quero casar, a Gente pode se juntar e tal". Falei: "Tá bom, você quer casar?" Então vamos ficar noivo? Aí ele me pediu em noivado, viajamos, me pedimos todo protocolo boniho. >> Aí eu falei: "Já que você quer, é assim que
você quer?" Então beleza, então agora você segura. >> E aí ele pediu minha mão em casamento pros meus pais, a gente ficou noivo. Eh, e aí casamos como mandava o figurino. Eu falei: "Você quer uma? Você não quer?" Então tá bom. Aí fiz agora fiz a festa que eu quis. Inclusive até hoje ele tenta descobrir de onde saíram algumas coisas que eu fui, sabe? Quando você vê, quando você tá na na jornada é igual filho, ah, você vai te ser mãe, aí você entra naquela jornada descobrir tudo que é novo de mãe. Era eu no
casamento. Então tinham coisas que aconteceram no casamento, ele falava: "Mas de onde saiu isso?" Eu falei: "Tá tudo bem, esquece". >> Eu só mandava assim, fechava as coisas, Eu falava: "Hoje a gente precisa pagar tanto e tanto". >> E várias coisas ele foi descobrindo no meio do casamento que elas iam acontecer. Mas >> foi uma surpresinha boa. >> Surpresa. É. E aí casamos de ver época vocês eram bem mais assim, você principalmente, né, mais reservada, porque até então você não queria muito eh talvez até pelo assédio muito grande da mídia antes da sua viagem, você
ainda Não era tão aberta a falar sobre o assunto ou era? >> Eu sempre falei abertamente. Eu acho que a terapia me curou muito. Eu fiz muita terapia, muita, muita, muita. >> Eu me preparei pra terapia, inclusive pro julgamento, né? Fiz uma sessão intensa lá com o meu terapeuta, porque eu iria encarar coisas que eu não tinha encarado ainda. Então, foi a primeira vez, por exemplo, em terapia, na véspera do julgamento, que eu vi as fotos dela Do da perícia >> e do laudo. >> Então, eu digo que acho que na jornada toda foi o
momento, é, foi mais difícil ver aquelas, talvez aquelas fotos e a forma, porque aí você vê que realmente ali tem um crime, né? Eu acho que enquanto mãe você fantasia tudo aquilo que você não quer ver da sua filha e cria uma camada. E ali eu vi profundamente, então me preparei demais. Então eu sempre falei sobre o caso. As Pessoas têm mais receio de me perguntar do que eu de falar. Isso é fato. >> Uhum. >> Então >> é porque a gente nunca sabe o quanto aquilo é invasivo, >> invasivo, quanto é doloroso. Mas eu
falo, sempre falei abertamente, >> acontece que a minha vida era aquela, então a minha vida não mudou. Não é que eu era mais reservada, é que de repente a minha vida deu um boom de eu eu saí de Anônima, a mulher vista no Brasil inteiro e até fora do Brasil. Aí saem esses documentários, essas matérias, você se torna uma pessoa conhecida. E eu não buscava isso na minha vida, não era recebi convites paraa política naquela época para mim não fazia sentido. >> E eu fui vivendo a minha vida >> 12 por8, funcionária. >> Sim. esposa
até vir os meus filhos. >> Quanto tempo depois de casar? >> Eu casei em 2014, meu filho nasceu em 2016, mas nós já estávamos juntos desde 2010. >> Como que foi para você essa segunda maternidade, né? Eu gravei inclusive com você na época o nascimento do seu primeiro >> eh filho do Miguel Miguel, >> eh pós a tragédia. E aí, como que foi essa segunda maternidade assim para você? Eu acredito também que você deve ter eh porque assim, como mãe aí agora vou falar até como mãe, eh o medo da de Colocar um peso no
seu filho que não é dele, medo, né? Um sentimento às vezes de culpa, de de de repente agir errado ou de super proteger demais por tudo que passou com com você. Como que foi assim lidar com tudo isso? Fez muita terapia também, acredito eu. >> É, eu tinha assim, eu fazia terapia e tive alta da terapia da voltava pra terapia. Eh, eu não tava fazendo terapia na época em que eu engravidei. Eh, a minha a minha obstetra foi grande parte Da minha terapia quando eu chegava lá. >> Sim. >> Porque eu não queria exatamente essa
carga emocional e eu sabia que que o sentimento pro filho é desde a concepção. >> Uhum. Então, eu tinha isso muito claro e eu procurei ter uma maternidade leve em relação a ele para não dar essa carga emocional assim, esse medo de perder o tempo todo, esse medo de como seria, eu não sabia se eu poderia ser mãe de Novo, eu já tinha mais de 30 anos, aí eu falava: "Meu Deus, como vai ser e tal". E eu tenho, eu tentei fazer isso ao máximo, tentei com que isso fosse leve, tentei fazer com que isso
fosse tranquilo, mas é inevitável esse sentimento de eu achava que eu não tinha que colocar meu filho numa bolha por eu já ter perdido um filho. foram, enfim, tudo que você pode imaginar passou na minha cabeça, mas eu tenho certeza que muitas coisas do que o meu filho vive Hoje, sentimentalmente elas são intrínsecas a coisas que eu vivi na minha gestação. Medo, meu filho, meu filho tem medos. Eh, o, o maior medo, um dia meu filho fez uma atividade na escola, quais são os seus medos? Uhum. >> Era assim, medo de morrer, medo de perder
minha mãe, medo de perder meu pai, medo de tudo é medo. Tudo era um medo principalmente em relação à morte. >> Morte >> é medo de se perder, medo de perder a gente. >> Eh, >> e assim, ele não vive nada em relação a medo, >> nada. Então eu não posso achar que isso não possa ter vindo do do da minha gestação, do sentimento que eu sem querer passar, por mais que eu tentasse ser leve, isso tá aqui, né? >> Exatamente. Você poderia não verbalizar, não fazer nada, mas o sentimento você Tinha. Exatamente. >> Então
eu acho que muito do que ele às vezes tem de sentimentos, de atitudes, hoje também eu carrego um pouco daí, apesar de tentar tratar nele eh o tempo todo sobre isso. >> E ele tá com quantos anos >> hoje? Nove. >> Nove. Eh, e a sua filha tá com >> cinco. >> Com cinco. >> O Miguel e a Maria Fernanda. >> É, a Maria Fernanda já é mais novinha, mas o Miguel com nove talvez já tenha acesso a algumas informações, né? Ele já sabe tudo. Ele já sabe, >> ele já sabe tudo. Eh, você tinha
pensado também em como, ah, falar, contar o momento certo dele saber o que aconteceu com a irmã, como que você lidou também com esse processo com o Miguel? Ele ele sabia, sempre soube, eles os dois sabem que eles têm uma irmã, que a Irmã virou uma estrelinha, que a irmã morreu, que a irmã morreu num acidente. A história de contar para o Miguel veio com documentário. Então, quando eles me fizeram o convite para participar do documentário, a minha primeira minha primeira, ai, vamos, nossa, eu sempre quis eternizar essa história para que as pessoas soubessem. Eu
acho que tenho que deixar essa história contada. >> Mas e aí, né? Aí a história >> aí não dei o fechado pro Cláudio Manoel, Ele me ligou, não, perfeito. Aí eu falei: "Gente, como é que eu vou contar essa história paraos meus filhos? Como é que meus filhos vão ver na televisão essa história? Eu nunca contei para eles. E até aí a irmã sofreu um acidente X. Como aconteceu? Como é que meu filho hoje ele tem discernimento, né? Tudo bem, o documentário ainda demorou dois anos de quando eu falei que participaria e piorou. era mais
velho, ou seja, tinha mais entendimento, maturidade. >> Aí eu em terapia junto com a terapeuta dele, contei para ele que sairia um documentário, a gente contextualizou e tal e ele sempre me perguntava, né, o que aconteceu com a minha irmã. Aí como ele era novinho, eu uma história sobre sobressaí a outra e eu saía pela tangente. >> Tangente, >> mas chegou a hora de contar. E tanto, foi engraçado que o dia que eu fui na terapia contar para ele e eu lá, né, Toda nervosa, angustiada, combinei com ela, eu falava: "Meu Deus, como é que
eu vou contar para esse menino? Que que eu vou falar? O que eu sei que eu tenho que falar a verdade agora. Não, não existe mais fantasia. Mais disso. É. >> Aí ela falou assim, ela contextualizou que era um documentário que vai contar a história da irmã tal, tal, tal. Miguel, você quer fazer alguma pergunta pra sua mãe? Eu não, já perguntei para ela várias vezes, ela nunca me contou. Agora Eu também não quero mais saber. Falei: "Meu Deus do céu, eu acho que eu traumatizei meu filho sem querer". >> Mas aí eu fui contando,
aí eu falei para ele que ela sofreu um acidente, que ela caiu do prédio. Assim, dentro da história que eu já tinha contado para ele de forma mais lúdica, eu me aprofundei um pouco mais, mas até onde eu achei que coubesse ele saber. >> Uhum. >> É, então eu falei que ela sofreu um Acidente, que ela caiu do prédio. Depois surgiram algumas outras curiosidades dele. Ele perguntou com quem que ela tava. Eu falei que ela tava com o pai, mas sem contar >> que tinha sido pai. >> Eh, a minha preocupação não era dentro da
minha casa, era se ele saísse algum amigo, porque eu não sei se na casa da minha vizinha ela assistiu com o filho dela. >> Uhum. >> Se as outras crianças da idade dele saberiam. Eu eu agiria. >> É porque é um caso de repercussão nacional. Então, mas eu agiria com meu filho dele não assistir como a a outra pessoa, outra família age, não sei. >> Então ele me liga, ele me liga um dia, tô, eu tava no banco ainda, tava de home office, aí toca o interfone: "Ô mãe, é verdade que tinha sangue lá na
Isabela?" Aí eu falei: "Pronto, alguém já tá contando alguma história". E falei: "Filho, é o seguinte, eu não quero que você fique conversando aí embaixo sobre este assunto. Por quê? Porque os seus outros amigos podem ficar assustados. >> Uhum. >> Né? Então, se você quiser saber qualquer coisa, >> pergunte a mim, né? >> Só eu, só eu vou poder te falar a verdade. Então, o que você quiser saber, toda dúvida. Então, toda vez que a gente ia dormir, ele me perguntava alguma Coisa: "Mãe, com quem que ela tava? Mãe, tinha sangue, mãe?" Então, eu ia
contando, assim, contando a história real, mas até onde eu realmente entendia que ele precisava saber. >> Uhum. Eh, porque tem coisas e detalhes que não. Aí eu seios necessários >> que não sei. Eu eu bloqueei bloqueei no perfil da minha casa >> o conteúdo, >> né? Eh, somente com senha. Você pode, você consegue através da Netflix Bloquear algum conteúdo específico, o perfil de cada de cada um e tal. >> Sim. E eu não sei se ele assistiu, se ele teve acesso a isso. Eu sei que teve um no Natal do ano passado, eu saí com
umas amigas pra gente fazer uma confraternização. Sim. >> Eh, não, mas ele já sabia, né? Desde 2023, em agosto, quando saiu o documentário, ele já sabia. >> Mas foi em dezembro do ano passado que ele Me ligou, eh, eu tinha saído com as minhas amigas para uma confraternização de final de ano, amigo secreto, essas coisas. E ele me ligou chorando. Mãe, volta para casa. Mãe, volta para casa, pelo amor de Deus. Eu preciso de você aqui. Eu não posso ficar com meu pai porque o meu pai vai fazer alguma coisa comigo e eu preciso que
você volte. Eu liguei pro meu marido, falei: "Que que tá acontecendo?" Ele falou: "Olha, ele tá numa crise, eu tô tentando Acalmar ele tá tudo bem, tô tentando acalmar ele, mas ele tá numa crise que ele só pode ficar aqui se for com você". Então, quer dizer, meu marido nunca nem fez nada. Meu marido nunca nem encostou a mão nele, nem para dar uma brca assim. Meu marido, inclusive, eu falo que da versão de nós dois, ele é o mais mole com as crianças. >> Eh, as crianças deitam e rola em cima dele, porque ele
é aquele que tenta ser o durão, mas no final ele cede tudo e eu Que tenho que ficar lá f: "Ó, você não fez e tal". >> Então, aí tive uma longa conversa com ele quando eu ainda até chamar Uber, até sair, porque eu não podia também deixar eles, os dois. Meu marido ficou super sentido, super sentido. Meu marido chorava, chorava de tristeza, de pensar que algum dia ele faria, que o meu filho pensaria que ele faria alguma coisa. Então, foi uma fase muito difícil em relação a ele, mas que depois passou, eu Conversei com
ele, eu expliquei que os pais não faziam isso, que o que aconteceu com a irmã dele é uma exceção. Então eu eu tinha que explicar para ele que os pais não fazem isso ou os pais não devem fazer isso. >> Então eu não podia deixar ele achar que em algum momento meu marido faria alguma coisa. >> Será que ele viiu alguma coisa? Então eu não sei se ele assistiu alguma parte ou ele pegou no meu perfil ou no perfil do Meu marido que tava viram e contaram paradamente >> de fato em algum momento isso iria
acontecer, né? Não tem como um caso como esse de repercussão nacional conforme ele fosse crescendo. >> E agora eu tô esperando chegar a hora da minha filha. Se exatamente, seja numa roda de amigos, seja na casa, às vezes até de algum amiguinho que às vezes os pais possam ter comentado alguma coisa e ele pescou, não dá para saber, mas Enfim, >> daqui a pouco é isso. É Maria Fernanda, >> você verem, para vocês verem como é curioso, né? Ele, ela sabe também da irmã, né? E ela falou pra minha mãe, acho que não essa semana
que passou, na anterior, ela tava na casa da minha mãe, eu tive um compromisso e ela falou assim: "Ô vovó, você chorou muito por causa quando a Isabela morreu?" Aí minha mãe falou: "Eu chorei Muito e às vezes eu ainda choro." >> Uhum. >> Aí ela falou assim: "Vovó, agora você não precisa mais chorar porque agora você tem eu". >> Aí minha mãe começou a chorar. É lógico. Até eu já fiquei com os olhos aqui. Eu falei: "É, p". >> E eu falei, "É, a a Maria Fernanda, ela é muito evoluída, o Miguel é mais
sentimental. >> Uhum. >> E a Maria Fernanda, ela é mais racional assim nas emoções e tal. Então, olha, olha, ela só tem 5 anos. >> Só tem 5 anos. >> Como é que ela fala algo, como é que ela tem noção que a gente é, a gente também às vezes subestima as crianças, né? Mas eu fico me perguntando como é que ela tem noção do que é a perda, né? do que alguém do que ela como criança pode substituir uma outra neta ou uma >> Eu >> agora perguntando isso até hoje. >> É, não. E
a gente fica se questionando porque as crianças, né, a gente tá indo com, como é que tá indo de estado? A gente vai com fubá, elas estão voltando com Angu, né? você fala pronto, já >> é sobre isso. >> É sobre isso. Mas aí você estava falando agora da perda e uma vez eu ouvi um relato seu que me tocou assim profundamente numa das suas entrevistas que você fala assim que você é grata aos Se anos que você viveu com ela. Que alguém falou assim: "Ah, você perdeu a sua filha?" Não, eu ganhei 6 anos
ao lado dela. Sim. >> E aprendi muito nesses 6 anos, né? Eh, isso é de uma é tão nobre, é tão de um espírito tão evoluído, de verdade. Foram quase seis anos, né? Ela não chegou a completar se anos. >> Ela tinha, ela ia completar, né? >> É, porque eh foi dia 29 de março, eu fiz 5 de abril e ela faria dia 18 de abril nas duas arianas. >> Exato. Exato. >> Mas isso realmente define o meu sentimento por ela e eu acho que define a minha história hoje. >> Uhum. essa reconstrução e tudo
mais, porque foram quase se anos que eu ah, pronto, agora já me emocionei. >> Foram quase se anos que eu vivi com ela. Então, eu não posso apagar da minha vida Essa trajetória que eu tive com ela, que foi maravilhosa, que foi incrível, ela que me fez mãe, ela que me desenvolveu enquanto mulher, ela que foi ao lado dela que eu descobri muitas das coisas da minha vida. Uhum. >> Eu não posso deixar que o dia 29 de março defina a nossa história, defina o que ela é. A Isabela Nardone, ela é um caso emblemático,
ela ela é um caso doloroso, ela é um case. Todas as faculdades de direito estudaram o caso, Todo mundo comenta, ele foi eh o o maior documentário já assistido numa plataforma de streaming eh visto no Brasil inteiro e primeiro lugar fora do Brasil. Mas as pessoas conhecem essa história da Isabela Nardoni naquele dia 29 de março. Eu conheci a Isabela no dia 18 de abril de 2002, >> quando ela >> dia 29 de março encerrou um capítulo da nossa história. Então, eh, eu não deixei Que aquele dia definisse a nossa história. Então, nós somos aquilo
que nós vivemos, a grandiosidade, a intensidade que nós vivemos. E essa emoção, e eu acho que é isso. Ah, você é muito evoluída. Você você hoje eh vive de uma forma boa. Por quê? Porque a transformação que eu fiz da minha história hoje é sobre aquilo que eu vivi, não sobre um dia que eu passei. >> Sim. >> Então, o dia 29 de março não define quem A Carol é e não define quem a Isabela é, e sim a história que nós duas construímos e vivemos juntas. >> E o quanto que ela te ensinou. É
lindo, né? É lindo. E o quanto que ela, toda vez que eu escuto você falar, é, eu me emociono. E o quanto que ela te ensinou, né? Porque eu acho que a Isabela, ela veio com >> na chegada e na partida. O quanto ela me ensinou na chegada e na partida. >> É. E aí, >> ela era tua cara, né? Todo mundo fala isso, que ela era muito parecida comigo, né? Muito parecida. Eu eu assim, eu não sou hipócrita de negar que quando ela nasceu, ela era a cara dele. Sempre foi muito parecida com ele
e muito parecida até com a Eu não tenho vergonha de falar isso porque eh ela tem uma outra família, ela viveu numa outra família e >> ela era, eu brincava, ela era extremamente parecida com a irmã dele, Que é madrinha dela. falava que se elas saíssem juntas, ela podia ser filha. Acha que era mãe e filha, >> mãe e filha, porque elas eram realmente muito parecidas. E eu acho que ela foi transformando isso e ficando mais parecida comigo, que é o que eu acho do meu filho. >> O Miguel, quando ele nasceu, o nome do
meu marido é Vinícius, chamavam ele de Minícius porque ele era a miniatura do meu marido. Hoje eu acho que ele se eles Ainda são muito parecidos, mas eu acho que hoje ele também se transformou, tanto que ele tem mais traços da Isabela que são mais parecidos comigo >> do que a Maria Fernanda. Minha Maria Fernanda é é acho que é meu marido inteirinho. A personalidade acho que é da mãe dela. Mas o que se respira essa carinha? A personalidade dela, >> personalidadezinha dela assim bem desafiadora, né? É, eu acho que ela é Mais parecida com
a mãe. >> Mas com a mãe, né? Eu falo da mais cedo com a mãe sendo que a prazer mãe >> mãe. >> Eh, mas assim, essa essa região dele aqui, o sorriso do Miguel, o sorriso da da Isabela, eu acho que e eles são bem bem parecidos assim, >> é, bem fortes, né? >> Bem fortes, marcantes. >> E aí, Ana? E quando veio então a que você de fato chamou para você essa Responsabilidade, né, que você pegou e falou: "Bom, eu vou lutar por essa causa, eu vou abraçar isso". E teve essa virada de
chave para transformar sua dor de fato em bandeira de luta. >> Eu acho que tudo foi um amadurecimento, porque essa história do documentário eh >> e deve ter sido tão e deve ter sido muito difícil para você, né? A questão do documentário também. Porque eu falei, não, eu quero. Eu tava até contextualizando, a gente entrou no Outro assunto. Eu quero, vou fazer. Não, Cláudio, vamos, tô junto com você. Aí eu fiquei pensando, como é que eu vou contar essas histórias pros meus filhos? Meus filhos vê na televisão a história da irmã deles. Cláudio, não quero.
Cláudio, não vou fazer. Ele falou: "Carol, essa história não tem sentido para mim ser contada se você não for parte dela. Você é a mãe dela. Você é a que pode falar sobre ela. Você é que pode ter propriedade contar." >> Uhum. Tanto que eh as pessoas escreveram livros, eh fizeram comentários ou fizeram até documentários e nunca fui consultada. Ah, você pode permitir, não. A pessoa vai contar história, história pública. Ela, se ela pegar todo o histórico na internet, ela vai ter a história toda. >> Eh, só que eu acho que a partir do momento
que a pessoa não não eh contextualiza ou convida quem faz parte da vida daquela Criança, >> muda tudo. >> Ela não pode estar contando uma história 100% real. >> Sim. >> E aí eu falei para ele: "Não, não quero, não quero, não quero até ele conversar comigo, a gente amadurecer isso". Eu falei: "Não, meus filhos vão saber mais cedo ou mais tarde, >> não tinha, não tinha como você evitar Isso. >> Falei: "Então vamos aí fui". E assim, eu gostei muito do resultado, da forma como eles trouxeram de forma respeitosa a história dela, né? A
a minha participação, a participação da minha família, que foi muito real, foi uma entrega muito real. >> E como que foi a primeira vez que você assistiu ao documentário? Eu assisti antes do lançamento. Ele lançou dia 17 de agosto de 2023 e no comecinho de Agosto eles me apresentaram. Eu fui assistir eu e minha mãe. >> Se você não gostasse ou não concordasse com alguma coisa, eles eles modificariam? >> Não, acho que não. Não mais porque ele já tava pronto para para já tinha até data de lançamento. Os primeiros 20 minutos eu só chorei. Eu
chorava de de >> soluçar, >> de não conseguir respirar assim. o nariz Entupido e o resto do documentário foi todo de nariz entupido. Sufocante >> porque é é aquele lance, por mais que você veja a sua história, a sua filha é tão distante, parece que é tão distante que ainda parece que é alguém que tá contando uma história. >> Gente, é surreal. Eu entendo que deva ser assim mesmo. >> E e aí eu fui convidada pro meu primeiro podcast que foi no Tiaracaticast. >> Uhum. >> E eu não tinha nem rede social aberta, >> nunca
tive, né? tinha minha rede social com com meu grupo de amigos e ali eu vivia, compartilhava pouco da minha vida. Nunca fui de ficar >> em rede social, comp, >> contando tudo, aquela foto, ah, tirei uma foto hoje, tô no lugar hoje, igual todo mundo faz. >> Eh, aí eu eu terminei o podcast, fala: "Ah, então beleza, então deixa aqui sua rede social." Falei: "Que rede social, Gente? Quem quem tem rede social?" >> Eu não sabia nem o que era podcast. Olha, era tão alienada >> há pouco tempo atrás que eu não escutava podcast, não,
>> não fazia ideia. faz parte, né, do seu mundo, do seu dia a dia. >> E aí eu vi o o aquele aquele podcast bateu mais de 1 milhão de visualizações e eu falava: "Gente, as o recorde de visualizações que deu no documentário, documentário acho que foram mais de 10 Dias em primeiro lugar. E isso, para quem não sabe é extremamente difícil, >> não é? >> Quem é de plataforma é muito difícil você manter ele ali em primeiro, segundo lugar e tal. Tava no top five, fora do país. Eu falava: "Gente, o que que tá
acontecendo? As pessoas querem saber. Aí o fato de eu não é que eu era anônima, que eu era reservada, eu só vivi minha vida. >> Uhum. >> Normal. >> Aí eu decidi abrir a rede. Quando eu abri a rede, ela foi um tsunami. >> Imagina. >> Eu abri uma rede e as pessoas ainda falavam: "Não, ela disse que ela não tem rede social". Aí tive que fazer um vídeo. Olha, pessoal, dado todo mundo que tá procurando, tal, tal. Essa sou eu, é meu perfil mesmo e tal. Aí foi assim, um dia eu dormia com 1000,
no outro dia eu tinha 10.000, no outro Dia eu tinha 20, num dia eram 50.000 e a coisa foi tomando proporção, proporção, proporção. Aí eu comecei a ser convidada para um monte de podcast aparecer e foi um tsunami e foi acontecendo tanto. >> E ali gerou uma uma conexão também muito forte, né? Porque muitas mães começaram a te procurar procurando ajuda, apoio. >> Ex. saber que a Ana Carolina, mãe da Isabela, tinha opinião. Como é que tava a Ana Carolina, como é que tava a mãe Daquela menina durante tantos anos? >> Então, foram 15 anos
depois >> e aí as coisas foram acontecendo, aí veio a soltura dela. Aí assim, foi um tsunami de coisas. >> Ela foi antes. Ela foi acho que um ano antes. Aí ano passado foi ele, né? né? Isso. E ela saiu, se eu não me engano, justo em abril, bem próximo do an, >> bem pró seu aniversário e do dela, né? Da da Isabela. >> É. E isso foi, eu falei, gente, que que tá acontecendo? E as pessoas assim, te admiro, nossa, que eu vi um vídeo seu que me tocou, eu vi, igual você falou agora,
todas as vezes que eu escuto você falar isso, me toca. Eu falei, gente, algo tá acontecendo aqui que eu não tô entendendo. Eu continuei dando entrevista, eu trabalhava, então eu preservava demais o meu trabalho, a instituição. >> Você ainda tava no banco, né? >> Tava no banco. Eu não gravava nada enquanto eu trabalhava. Eu não dava entrevista nenhuma e no meu horário de emprego, não, não fazia nada. Se eu ah, eu tô em horário de almoço, tenho uma hora para almoçar. Se você quiser falar comigo via vídeo, é esse horário. Se você quiser fazer, por
exemplo, eu jamais estaria aqui gravando com vocês. >> Se você tivesse ainda, >> se eu tivesse no banco. Então eu marcava com todo mundo depois do meu horário. Chegava lá cheia de olheira, cansada. Aí nessa época eu ia trabalhar com meu marido de moto porque ele trabalhava próximo também. A gente trabalhava na Faria Lima, a gente ia de moto para poder pegar as crianças. Então eu chegava com a minha mochila, com meu computador de capacete e eu ia era assim que eu ia nos e retocava uma maquiagem lá. para para não parecer tão cansada. E
fui fazendo essa jornada e ela foi acontecendo >> naturalmente. >> Naturalmente. Aí eu depois eh junto com o delegado Palumbo, ele tinha uma pessoa que cuidava da da das redes dele. Aí ele falou para para essa pessoa e falou assim: "Olha, ela não tem dinheiro, você vai ajudar ela, você vai cuidar da rede dela e vai ajudar ela. >> Quem sou eu? Palumpa aqui na". E assim, depois que essa pessoa veio é me ajudar realmente ter essa visão, aí tudo se transformou. Assim, eu bati 1 milhão de seguidores >> rapidinho. >> Aí eu falei, gente,
isso não pode ser à toa. >> Mas as pessoas precisam ouvir, Ana, como que você, o que que você pode dizer para quem sofre? Porque quantas mães passam por isso também? Eu acho que tudo é uma transformação e um respeito. Eu acho que o primeiro é um respeito com o seu sentimento, >> com o que você vive. >> Nessa jornada hoje eu encontro muitas mães que perderam seus filhos com caso de tragédia, caso de repercussão, caso que apareça na televisão, entro em contato com essas mães, converso com elas por vídeo ou algumas eu tenho contato.
>> Muito legal, né? muito >> e assim o que falar para uma mãe só para que ela tenha respeito com ela mesma, porque eu o meu caso faz 17 anos. A forma que eu Vivo hoje não é a mesma forma que eu vivia quando minha filha morreu. Uhum. >> Então eu eu assim eu acho que o primeiro passo é você viver o seu luto e se respeitar. >> Uhum. Quando você tenta ficar, foi o que aconteceu comigo por experiência, eu tentei voltar a trabalhar, então 15 dias depois eu tava dentro do banco. Só que aquilo,
o fato de eu enfrentar processo, enfrentar justiça era, eu achava que era tranquilo e não era. >> E não foi. Então é, eu não mei >> chega, chega a ser desumano, né? com você. O fato de você voltar a trabalhar é que você vê como terapia ocupacional vai, >> porque foram três meses >> parar de pensar >> consecutivos do jornal da manhã ao jornal da meia-noite. Todo dia, todo dia só se falava disso. >> Todav >> e eu queria sair da minha casa para não Viver aquilo. Só que ao mesmo tempo eu tava preocupado com
>> você viu que saiu não sei o que não sei lá e eu não tava em casa para ver. Você viu que saiu não sei o que lá não tava lá para ver. Aí eu falava, gente, >> não, o cérebro te protege, você precisa sair daquilo, senão você afunda. >> Então, mas eu não dava conta porque ao mesmo tempo eu tinha um processo. >> Então, foi um conflito que eu vejo que eu não me respeitei. Eu não respeitei o Meu processo porque eu achei que eu era muito mais forte do que eu era. >> Você
parou para viver seu luto um tempo depois, né? Aí eu fui eh paraa terapia, comecei uma terapia intensa nesse meio tempo. Até fiz um treinamento de inteligência emocional assim para realmente dar aquela descarga total assim. Eu acho que eu nunca chorei tanto na minha vida em um final de semana do que aquele. Os meus olhos doíam inchados assim, doíam até até para eu fechar para Dormir ele doía de tanto que eu chorei. >> E a terapia, a minha família, busquei Deus, eh, fui, me apeguei na religião também e isso tudo foi tudo junto com a
minha família toda. Então, nós todos fomos, tirando a terapia, eh, nós todos estávamos no mesmo processo. Então foi uma construção que eu fiz para até chegar, óbvio, a Carol do do julgamento, a Carol que foi morar fora e chegar a Carol de hoje. >> Eu e você você falou agora da religião, Você encontrou muitas respostas na sua fé também, né? >> Sim, >> porque você >> muito do que eu queria saber, do que do que eu queria me encontrar, do propósito de Deus na minha vida, porque durante muito tempo ele se torna sem propósito. Assim,
não é possível, Deus. Por mais que eu não não eu não era uma questionadora de Deus, mas eu falava: "Pô, Deus, >> que que eu fiz? Que que da nossa relação aí? Qual onde eu errei? Porque comigo? Porque desse jeito? >> É >> porque hoje eu falo assim e quantas vezes eu não tive conversas com a minha mãe: "Mãe, tudo que fala o nome dela toma proporções assim gigantescas. As crianças morrem todo dia. >> As crianças morrem de forma trágica todos os dias. E e aí essa é a mensagem que eu posso deixar para alguém
que esteja passando por esse que você se respeite, né? Que você entenda o seu processo, não queira passar por um por algo atropelar as fases. >> Cada pessoa tem o seu tempo. Então tem gente que vai se curar em seis meses, tem gente que vai precisar de anos. Não, não, não, não existe uma forma. Existe uma tem gente que não se cura, tem, eu Conheço mulheres, eu optei, eu não queria viver desse jeito, mas quantas mães que nunca mais tiveram e e eu acho também de uma forma desrespeitosa você ser tão egoísta a ponto de
não se reerguer ou de não respeitar a vida, porque com certeza tem outras pessoas nessa sua jornada. Eu não tinha outro filho, mas quantas mães eu conheço que tem outros filhos que aquele morreu e aquele se tornou nada. Como aquela outra, aquele outro filho se sente? Como Um marido se sente? Como se senta, né? Sim. Eu eu tive, meu irmão faleceu, minha mãe chorava dia e noite pelo meu irmão. >> E você, >> você vai se sentindo >> fal >> desnecessária, descartável. Quer dizer, ela só queria morrer. E um dia eu falei para ela, falei,
quer dizer que eu estar viva não é só se você querer continuar vivendo. Mãe >> e tá vendo, ó? Eu eu nem sabia da sua história e vejo que isso é real. Então, quando eu eu converso com outras mães que eu falo: "Olha, >> se você tem outros filhos, eles precisam de você, eles precisam entender. Não é que, nossa, agora eu sou uma guerreira, agora eu tô aqui pelos meus". Não é sobre isso. É o você vai se respeitar, mas não esquecendo que ao seu redor tem pessoas que te amam, que te querem bem, >>
que precisam de você, precisam do seu Bem-estar. Isso não quer dizer que da noite pro dia você vai se reerguer e falar: "Tô aqui maravilhosa, plena e esqueci tudo que me passou". Não é sobre isso, mas é sobre você viver os processos e respeitar também o próximo, né? Porque nem tudo é só sobre você. >> Acontece só com a morte. Eu acho que filhos especiais também tem pais que os que não tm problema algum assim, né, de de saúde, nada, eles ficam meio no automático >> para cuidar daquele filho atípico, porque o outro é não
é atípico, ele não é neurodivergente, então ele ele não precisa de cuidado. Quem precisa de cuidado é o outro. Mas assim, isso acontece com muitas mães, mas nessa jornada também eu tenho visto muitas mães respeitando os seus filhos não atípicos, eh, tendo um dia de eh mãe solo com eles, de filho único. >> E tem o É importantíssimo porque >> outra coisa, se espera um filho que não É atípico, toda a carga de recompensas, é o filho que vai casar, é o filho bonito, é o filho que vai fazer, é sonho ali. O seu sonho
se foi em um e você coloca toda aquela carga emocional injusto. >> Todos, né? o tempo todo. >> E claro que como todas essas histórias chegam até você, principalmente agora que você tá na política e aí cada vez mais tenta eh elaborar projetos, reuniões e participando de de várias eh Pautas, né, ligadas a isso, vamos dizer assim, cada vez mais isso também te traz repertório, vamos dizer assim, porque sabe o que que muda muito? Porque é diferente de uma mãe falar para tamanho, mas é diferente de uma mãe que passou pelo que você fal passou,
que falar para uma mãe que de fato tá passando ou passou recentemente. >> Entende? Tem um outro peso. >> Tem, tem. Porque eu posso te falar que quando eu recebi acolhimento, quando eu Recebi acolhimento de outras mães, >> por exemplo, a Glória Perez foi uma, não pela repercussão do caso da Glória Perez, mas a Glória Perez, ela pode falar com propriedade de causa. Ex. O caso dela foi, imagina, né, Daniela Pes também, mesma coisa até hoje desígnios, né? Mas eu acho que tanto o que aconteceu com a Isabela como o que aconteceu com ela, ela
elas foram >> tiveram esse fim por inveja, por raiva. Isso que dói, né? E você não tem o que Fazer, >> não. Enquanto os nossos filhos, você não tem o que fazer. Mas é é pegando esse gancho assim, você conversar de de do seu problema sobre alguém que passou o mesmo problema. Eu eu acho que tem uma import, por isso que hoje, como eu recebi muito acolhimento na minha época de pessoas, o o Ota esteve comigo naquela jornada, o os pais do Ives e me deram muito apoio. >> Então, >> e isso se repete, né,
igual fazer hoje com outras pessoas aquilo que eu recebi e que foi importante para mim. Hum. >> Então, eu quero ser essacia pessoa poder dar esse acolhimento. E é o que eu falo, você não tem muito o que falar, independente de como foi, porque foi, você não tem muito o que falar para uma mãe. >> E esse é um recado muito importante. Se você não tem o que falar para uma pessoa como essa, não fale. >> Às vezes um abraço ele vai significar muito mais, vai ter uma representatividade muito maior na vida de uma pessoa
do que você falar alguma palavra inconveniente, >> que não existe consolo, né? >> Hoje, por exemplo, eu eu fiz uma entrevista com uma mãe, ela teve filhas gêmeas. né? E uma veio a falecer seis meses depois e depois ela descobriu que a filha dela é atípica também. A filha dela tem autismo. E a pessoa fala assim: "Ah, ainda bem que foi com pouco tempo, né? Aí você não se apega >> a uma gestante. Ah, ainda bem que foi desse jeito. Você não, aí você nem conheceu. >> Ah, porque aí você não teve. Gente, não faça
comentários que só percam pro silêncio. >> Foi melhor assim. >> Se você Foi melhor assim. antes de nascer e você conhecer. Então, se você Não deu o que falar, não fale. O seu silêncio, às vezes >> Deus no meio, né? Fala, ai Deus sabe o que faz, >> que não sei o qu. >> Então, isso que realmente Deus sabe o que faz e a gente não entende é fato. Mas é, >> mas eu acho que naquele momento falar para uma mãe, mãe isso para uma família, não faz um abraço, assim, Deus sempre. Tô aqui, eu
sinto muito e e é isso, Entendeu? Eh, as pessoas precisam entender e tem empatia. Eu acho que o que tá faltando na sociedade hoje é empatia, amor. E e igual a gente tava dando um exemplo, teve uma moça que inclusive foi no meu podcast, a Fábila, que hoje ela tem um filho eh deficiente porque a madrasta tentou matar o filho dela e hoje ele vive de cama e ela vive em tratamentos, ele passou por uma cirurgia, >> ele sobreviveu, então Elas isso. E hoje ela que cuida dele, corre atrás, já fez cirurgias. Ela é de
Manaus, mas fez cirurgia em São Paulo, viajou para fora do país. Então ela vive pro menino e ele fez uma cirurgia e e passou mal e ficou entre a vida e a morte. Aí uma pessoa comenta e fala assim: "Nossa, será que do jeito que esse menino tá vivendo não é melhor ele morrer logo e vai ser um sossego?" Gente, como >> olha o comentário, >> como é que alguém tem coragem? Por mais que você não conheça a pessoa, por mais que você não saiba quem ela é, como é que alguém, só porque você tá
do outro lado da tela, tem coragem de falar uma coisa dessa? >> Sim. >> Para não falar um palavrão que posso falar porque não fala na cara, né? No >> é porque, infelizmente a internet virou terra de ninguém e as pessoas acham que podem falar o que vem a cabeça. Isso é Muito triste, né? am en lamento por termos esse tipo de situação, mas ela é realidade, é uma realidade dura e cruel, muito cruel. E aí aproveitar então antes da gente terminar que o nosso tempo já escutou, eu fico olhando aquele relógio, eu fico desesperada.
>> Eu também quando eu gravo fico assim, >> ai por porque é tanta coisa para falar. Aí aí teve dias que fal assim faz o Seginte, divide em parte do vou continuar falando. >> Você vai ter que voltar aqui para resolvido do problema. >> Volto, eu volto, vai ser uma honra. Vamos falar a parte dois só o pós. >> Eu queria só sobre eleição. >> Pós-eleição. A gente não precisa falar de política, mas a gente fala de uma jornada muito boa de transformação da vida das pessoas. >> E é isso aí. até para aproveitar esse
Gancho, eh, você falou tanto agora, né, do seu podcast, eu acho que a gente precisa divulgar porque é um espaço onde as pessoas encontram esse acolhimento, né, eh, numa realidade tão cruel, onde tantas crianças são assassinadas no nosso país, dando voz. Então, vamos dar voz, fala então desses projetos, >> onde essas mães podem encontrar >> esse acolhimento. >> Então, vamos lá. Eu tenho a minha página, né, no Instagram que é o Ana Carolina Oliveira_line >> e lá você pode encontrar os meus conteúdos diário. Lá eu compartilho eh tudo o que tem acontecido na minha jornada
de vida. Eu tenho o meu canal no YouTube que é o Dando Vcast por Ana Carolina Oliveira, que lá você vai encontrar conteúdos de, principalmente esses conteúdos de não só de superação, né, mas que as pessoas podem contar, compartilhar essas histórias de perda, de luto, de transformação, de superação. É, eu trago sempre pessoas que possam agregar algum conteúdo na vida das outras, porque uma mãe atípica, uma mãe que perdeu um filho, seja uma tragédia. Eh, a semana passada eu tive um episódio com três delegadas que nessa jornada eu conheci pra gente falar sobre a violência
contra a mulher. Elas são delegadas de de delegacias da mulher especializadas, então são mulheres que trazem esses relatos reais. Então eu eu tenho muito desses conteúdos Que com certeza alguém que chega lá vai se identificar. Então eu tô no YouTube e eu tenho o meu projeto que eu lancei eh agora em maio, no maio Laranja, que chama O Silêncio que Grita, que tem sido assim a minha forte bandeira que eu levei pro Maró, que eu tenho levado para todas as cidades, eh, que chama O silêncio que grita. Eu tenho tanto o meu canal no YouTube
que eu fiz uma live na última semana, eh, angareando apoiadores do projeto para que você possa ser um Semeador na sua cidade ou onde você estiver. Ai, que legal. >> Então, se você quiser ser um apoiador do silêncio que grita, está no meu canal do YouTube, também na página no Instagram, que lá a gente compartilha mais conteúdos, fala sobre isso. Dentro dessa live que eu fiz, eu disponibilizei um conteúdo eh bem profundo sobre como as pessoas podem entender o abuso e a exploração sexual infantil, que é o lema do do silêncio que grita, levar essa
Conscientização >> e >> e que está fora de controle, né? fora de controle e só que nós podemos ter esse olhar e não nos calar. Então, que a gente possa ser a voz dessas crianças que sofrem em silêncio. E lá eu disponibilizo um curso, um curso gratuito de como você ser esse olhar dessa criança, seja você uma mãe, uma um profissional da saúde, da educação, um líder comunitário, quem quer que seja, Para você saber identificar o que você fazer quando você identificar, o que fazer quando você receber uma denúncia, porque >> é real, acontece 80%
dentro das próprias casas, as crianças, >> as pessoas próximas, né? bandeira aí de de de proteção realmente a essas crianças. >> Então se você quer ser um apoiador do silêncio que grita, já se inscreve no meu canal e pode fazer os seus cursos. É Tudo gratuito e você vai se tornar um transformador e um olhar mais criterioso e objetivo para as nossas crianças. Precisam >> sensacional. Você sabe, eu confesso, Ana Carolina, que quando eu soube que você viria, né? Eh, eu, eu fiquei com um receio de mim, sabe? Eu tinha medo de te fazer qualquer
comentário que te magoasse, que te Olha, eu eu fiquei, será que eu vou me controlar? >> Isso é verdade, porque ela compartilhou Comigo, >> mas você passa uma força, sabe? Você olha pra gente com tanto carinho. >> Eu desejo tudo de bom para você. >> Obada. Obrigada. Eu acho que o que vocês passou na sua vida, você só merece coisa boa agora, sabe? >> Não, obrigada. Eu tenho eh eu não posso negar que eu tenho vivido uma jornada assim de muita transformação e eu deixo isso muito claro e e não é sobre política, não é
sobre religião, não é Não é sobre nada. Eu faço com o outro e quando eu olho para uma pessoa com empatia, eu faço o que um dia eu recebi e a forma como eu gostaria de ser tratada. Então eu ensino isso pros meus filhos. você trate o outro como você quer ser tratado. Então, eu quero ser tratado com carinho, com amor, com respeito, com atenção. E eu paro, eu olho nos olhos das pessoas, eu quero escutar a história dela, porque a história dela importa para ela. Então, Eu quero ser essa, eu não quero ser a
mesma, eu não, eu não preciso ser uma figura, eu preciso ser uma, se Deus me deu essa missão e eu falo para ele: "Deus, me guia pro caminho certo, eu tô aqui pros seus planos." Por mais que às vezes eu e ele a gente tá num ns diálogos aí que ele tá me colocando uns desafios, eu falo: "Deus, vamos devagar". Mas eu quero, se realmente me Deus colocou nessa missão e nesse propósito, que eu seja essa ponte de Transformação, de cura e de acolhimento. >> Com certeza. Tá sendo. Eu acho que você >> é isso,
você emana tanto que é isso que você recebe muito amor dentro de sabe tudo que você passou, de todas as suas vulnerabilidades, você se tornou muito forte. >> Muito forte. >> E é um exemplo inspiração, com certeza. Obrigada. Também ten as minhas as pessoas acham que eu sou forte o tempo todo. Não tenho minhas fraquezas. Não Tem, sabe? Mas eu acho que >> o pessoal manda na minha rede: "Como você dá conta de tudo?" Eu falei: "Gente, quem disse que eu dou conta?" Quem disse que eu dou conta? Brasil. Ah, o que a rede te
mostra não é o que acontece. Tô aqui plena hoje. Quem disse que eu que eu não dormi a noite inteira >> com dois filhos passando mal? Foi maravilhoso. Estou aqui plena, maravilhosa. >> Carol, obrigada. Mais uma vez. >> Obrigada a vocês, meninas. Obrigada, contem comigo. Feldade tá com você. >> Vamos fazer a parte dois. >> É isso. Com certeza. Já fica aqui o convite. >> Já tá, já aceitei, >> já assumimos esse compromisso. >> Obrigada >> a você que nos acompanhou, ficou coladinho na gente até agora. Obrigada. Esse foi mais um episódio do reset. Lembrando
que o reset é gravado por essa Cria, equipe da ZAS Stúio, especialista em audiovisual, que a gente é fã número um, certo? >> Sim. E olha, se você gostou desse conteúdo, ative o sininho, siga a gente, compartilhe, se inscreva, dê seu like, elogie, pode criticar, né? Vamos bater muito aí, ó. Vamos lá, vai, se inscrevam, compartilhem, deixem comentários, críticas, sugestões, quem vocês querem eh ver aqui, né, compartilhando histórias com a gente, Deixe lá sua sugestão, quem sabe, né, o próximo não vai ser aí >> maravilha. Isso mesmo, >> quem você sugeriu, certo? Bom, e aí
pra gente terminar daquele jeitinho que a gente ama, lembrando que todo fim >> pode ser um novo começo, né? É isso. Até o próximo episódio, >> gente. Beijo. Beijo. [Música]