[Música] violência contra mulher não é só tapa na cara o mesmo feminicídio antes dessas violências extremas uma rotina de manipulação e agressões nem sempre explícitas fazem parte de um roteiro que prolonga relacionamentos abusivos Hoje a gente vai conversar sobre práticas comuns nesses relacionamentos que para quem está dentro deles entre altos e baixos da relação se tornam difíceis de reconhecer o sala de convidados está começando de perto todas as formas de violência que foram previstas pela lei Maria da penhas que são aniquiladas em vida não é só punir os agressões porque eles já foram educados e
formados ao longo de gerações para serem afim e o que ele faz ela não entende que aquilo é uma violência isso começa a desmistificar aquela coisa que não é pelo meu amor eu vou ter paciência porque um dia ele vai mudar não vai é importante estar incluído escuta nessa campanha porque ela interessa para todo mundo a mudança média longo prazo só com educação comigo no estúdio hoje conversando sobre violência contra mulher Pamela Rossi psicóloga do núcleo de defesa dos direitos da mulher vítima de violência de gênero Defensoria Pública do Rio de Janeiro e participando da
conversa remotamente valescasanello Doutora em psicologia professora da Universidade de Brasília a UnB e Silvia Cristina Leite assistente social e coordenadora do saem setor de atividades especiais do Espaço Mulher do Hospital Municipal Clementino Moura em São Luís do Maranhão Eu adoro quando você participa de casa me mandando suas perguntas Dividindo uma experiência com a gente receba aqui pelo WhatsApp 021997018122 ou pelas redes sociais do canal saúde então não deixa de participar Pamela Valesca Silvia Que bom que vocês estão aqui com a gente para tentar trazer algumas nuances desse assunto que com certeza não se esgotem uma
hora mas a gente precisa debater Pâmela começando com você a gente que bom nós estamos avançando na percepção da violência de gênero e hoje a gente já sabe que não é só violência física né queria começar com você pontuando Que tipos de violência hoje já se trabalha na Defensoria Pública com que olhar se trabalha né Essa diferenciação das das violências que já se percebem de gênero eu acho que o grande diferencial hoje principalmente né do nudem é que a gente trabalha para além da violência doméstica a gente trabalha com outras violências como a violência obstétrica
a violência institucional a violência virtual e a violência sexual Essas são as cinco frentes de violências que nós atendemos hoje no nudem por isso nós trabalhamos nós dizemos né Mulheres vítimas de violências violências de gênero e não apenas mais Mulheres vítimas de violência doméstica super importante pontuar né porque aí quando a gente chega numa violência extrema a gente já sabe que vários níveis de violência aconteceram né a Valesca você traz um trabalho Super Interessante nas redes sociais no Instagram super recomendo quem tá em casa procurar o seu perfil porque você nomeia muitas situações eu acho
que você é super importante a gente vai conversar um pouco sobre isso ao longo do programa A gente vê nos últimos tempos um crescimento dos números com relação a feminicídio e violência física contra mulher aí eu te pergunto o seguinte a gente tá denunciando mais a gente está desnaturalizando essas violências ou as mulheres estão questionando mais as violências dentro da relação e com isso são mexendo com um lugar de Privilégio até aqui naturalizado eu acho que as três coisas e as meninas eu acho que uma coisa importante sobre a violência é pensar o seguinte ela
vai se escalonando você não sai com homem ele te dá um soco na cara em geral começa de uma maneira incipiente ele faz algum comentário desagradável se você fica com raiva eles mas você não tem senso de humor ainda faz um gás Light né então é muito importante dizer que vai aumentando o nível de tolerância da mulher eu sempre faço uma analogia com uso de álcool se você não bebe toma um copo de cerveja você vai ficar bêbada mas se você tomar todos os dias você vai precisar de dois copos para ter o mesmo efeito
e assim por diante A violência é igual a ponto das mulheres falarem assim mas doutor ele não me bateu ele só me xingou Doutor ele não me bateu ele só me empurrou Então desnaturalizar essa violência é uma tarefa importante é que deve ser projetos de políticas públicas é o que eu te chamo de letramento de gênero a gente precisa dar nome para visibilizar essa violência e para que essa mulher sente esse mal estar então em geral que eu recebo nas redes sociais é Valesca muito tomava remédio psicotrópio achava que eu era doida que eu era
depressiva que era ansiosa e descobri que eu tô numa relação violenta eu tô numa relação abusiva sair disso cria outra possibilidade para essas mulheres aí você já até tocou na questão da culpa né a Valesca porque a mulher acaba assim não eu que não tô sabendo responder direito por isso ele tá sei lá me chamando de idiota ou fazendo uma agressão verbal comigo eu preciso aprender a lidar com esse homem e aí Silvio eu queria trazer com você uma referência aí da série made que tem no Netflix que é uma série que aborda exatamente muito
do trabalho que vocês realizam e numa das cenas dessa série Logo no início nos primeiros Se não me engano no primeiro Episódio a protagonista chega num Centro de Atenção a violência de gênero e a assistente social demora muito para fazer com que ela se perceba violentada ela diz não eu não levei nenhum tapa eu não apanhei então eu não mereço ter essa assistência toda você reconhece isso no número de atendimento em que você atende não sei se a gente está com conexão da Silvia Ok você me escuta Silvia deixa eu deixa eu ver gente é
só a Silvia ou a Valesca se não chama a matéria é tudo bem eu vou trazer a matéria então e voltou voltou com a Silvia Silvia Você ouviu minha pergunta então queria saber com que frequência vocês percebem isso também a mulher não se reconhecer vítima de violência porque não apanhou né aqui no caso como nós trabalhamos no hospital de urgência emergência a mulher ela chega porque foi espancada porque ela sofreu ferimentos por arma de fogo ou arma branca ou foi atropelada pelo agressor Então chega nesse foco porque nós somos um gesso emergência né então o
nosso atendimento ele vai exatamente de encontro aquela mulher que precisa de toda atenção porque ela chega muito fragilizada o psicológico dela já está abalado porque para chegar nesse ponto que chegou essa violência ela já vinha acontecendo né a violência psicológica ela é a primeira que se manifesta então se a mulher não consegue perceber como foi colocada aqui pela professora esse como ela está nesse ciclo Então esse ciclo ele vai aumentando então nós recebemos mulheres dessa dessa forma então nós estamos hoje aqui por duas mulheres internadas uma e o ex-companheiro tentou é tirar os braços né
com facão foi o golpes muito profundos e outra que o ex-namorado quebrou o fêmur né os dois foram foram definidos descobriu a medida protetiva não aceitava o fim do relacionamento e as duas estão aqui internadas foram atendidas então nós atendemos as mulheres nessa situação na delegacia você já percebe que é a violência psicológica é a violência patrimonial aqui a gente pega a coisa muito mais delicada e complexa do ponto de vista da urgência e da emergência então alguma chegam dizendo que caiu da própria altura e aí nós vamos conversar com ela com muito jeito e
ela acaba explicando o que que aconteceu né porque às vezes ela tem medo e às vezes o agressor tá na porta do hospital esperando ela então a gente tem que entender o olhar nós temos que entender o gesto para que a gente possa realmente dizer Olha você não está sozinha nessa situação Valesca você quer comentar é incrível porque já chega nesse ponto né é impressionante eu queria complementar falar da Silvia e retomar uma coisa que você falou que é muito importante para as mulheres que estão aí nos assistindo que é o sentimento de culpa e
que é muito ligado a um processo que eu estudo de socialização que é de desresponsabilização dos homens em relação ao seu sentimentos e comportamentos e uma hiper responsabilização das mulheres então por exemplo um dos principais motivos da violência é o ciúmes Então os homens dizem eu tenho ciúmes porque ela me dá motivos e ela tem ciúmes que ela é louca quem segura mesmo quando ele já traíram né nas nossas pesquisas isso apareceu muito muito evidentemente então é muito importante dizer que os processos de socialização o que que as mulheres aprendem sobre a relação do amor
porque elas aprendem que o amor é identitário então terminar uma relação e fracassar como mulher você não conseguiu transformar o perebado o alcoolismo problemático violento tão fraca com você a gente precisa desconstruir isso com essas mulheres né não a violência é um problema deste homem e se livrar dele é a primeira porta de saída Pâmela às vezes da própria família né da mulher olha melhor ficar com ele que sem ele ele que mantém a todo uma pressão histórica né que a mulher fica desimpedida de tomar uma atitude né E o medo de ficar sozinha também
né ah você terminar com ele quem é que vai querer ficar com você Tem muita mulher ainda mais a descrição dependentes financeiras que acabam ficando muito por conta disso também né Pâmela sim financeira isso né quem vai te querer quem vai querer a não ser eu quem vai voltar para prateleira com o valor já decaído já teve filho o corpo mudou valer Eu quero falar especificamente dessa prateleira aí do amor que eu acho que é uma excelente referência mas antes quero ouvir a Pâmela chamar a já já a gente fala disso O que é muito
interessante que as duas pontuam e que nonodem a gente percebe muito isso a questão da culpa eu acho que já é consensual aqui mas é a sua pergunta para para Silvia foi muito interessante porque a Silvia traz uma visão das mulheres que ela parece que trabalha no Hospital é e no nudem a gente trabalha com mulheres que chegam nos mais diversos momentos da violência então nós atendemos aquela mulher que chega para pedir uma orientação nós atendemos uma aquela mulher que chega que passou a noite inteira sendo espancada chegou lá pela manhã é que foi Acompanhada
pela guarda então a gente percebe que a violência é ela a mulher ela tem uma percepção ainda que no momento de maior tensão da violência ela ainda se preocupada nós atendemos um certa vez uma mulher que foi atropelada pelo companheiro ele passou três vezes com o carro por cima dela e ela ainda assim se questionava né que ela se culpava por que que ele fez aquilo com ela porque que o qual era a conduta dela o que que ela tinha feito para que Ele pudesse ter feito aquilo com ela e ainda assim depois de todo
o atendimento médico toda orientação ela reata com ele ela de novo ela ela é vítima de outra tentativa de feminicídio então o acolhimento é essas mulheres a escuta essas mulheres é muito é fundamental Não só é pelos operadores do direito né mas por toda a rede hospitalar assistencial saúde porque a dependência emocional porque financeira ela é o fator que prende essas mulheres abre aspas ao prender né mas é a dependência emocional esta é assim o fator de fato mais difícil de se romper para que elas de fato entendam ali os fatores que que façam com
que elas fiquem com seus agressores é por isso que eu acho importante valer que eu vou trazer acho que muito importante a gente falar dos dispositivos que você estudou para quem tá em casa entender é essa esse arco aí das relações que deixa a mulher presa nela né mas eu preciso chamar uma matéria antes e volto com seu comentário tá Valesca já já culpa medo dependência financeira a guarda dos filhos para quem vive um relacionamento abusivo sair da relação envolve desafios complexos quem não deseja um relacionamento amoroso Porém quando é que tudo muda e as
atitudes revelam outra realidade com situações que beiram o absurdo mulher que apanha do marido pode perfeita essa história só por vingança e ainda com o peso da culpabilidade na ficção Bom dia Verônica aspectos vividos por Daniela mais de duas filhas e atualmente feliz pelo reencontro consigo mesma isso depois de 20 anos de casamento abusivo história que ela conta com todos os detalhes na autobiografia eu disse não ela admite que romper o ciclo da violência não foi nada fácil e entre brigas agressões e reconciliações a decisão definitiva pela separação é o que a maioria das pessoas
não entendem da importância do Governo da importância das redes de apoio da agilizar agilidade da justiça Sabe deficiência de escorrer mais rápido porque eu tenho processo que estão desde 2013 até hoje Daniela levou o primeiro tapa no rosto pouco antes do casamento naquele momento se agarrou o silêncio não contou a ninguém por três motivos o primeiro vergonha e os outros dois por considerar tudo que estava em jogo com a data da cerimônia marcada e também por acreditar que aquele gesto não se repetiria hoje identifica que ilusão alimentada pelas fantasias do felizes para sempre quase me
tirou a vida nesse período eu pude infelizmente conhecer de perto é todas as formas de violência que foram previstas pela lei Maria da Penha que a psicológica a moral a patrimonial assexual e a física o desfecho com a separação de Daniela do marido interrompeu a violência no entanto de acordo com dados do anuário brasileiro de Segurança Pública mais de 1.300 mulheres morreram em 2021 simplesmente por serem mulheres crime tipificado como feminicídio regido pela lei que entrou em vigor em março de 2015 são números alarmantes que colocam o Brasil na posição de um dos países em
que mais se mata mulheres é o que demonstra o levantamento realizado pelo Alto comissariado das Nações Unidas para os direitos humanos porém por trás das estatísticas há uma dimensão ainda mais assustadora é a violência contra mulheres sentida além dos números geralmente a violência invisibilizada então não vira estatística e muita gente só vê a estatística a gente precisa ver as pessoas precisa ver as vidas que são aniquiladas em vida porque a vida aniquilada que se torna morte dá para quantificar infelizmente é a parte mais fácil infelizmente agora agressão verbal agressão física a violência psicológica é a
mais difícil de todas a psicóloga a Jaqueline explica que a violência contra mulher não se resume ao feminicídio para ela trata-se de uma conjuntura historicamente violenta para mulheres em especial para as mulheres negras pobres e Independentes do sexo biológico com raízes Profundas identificadas lá no período neolítico na era da pré-história e a partir disso temos uma sociedade estruturada em cima de padrões de segregação de gênero resultando Num chama machismo sistêmico circunstância que exige novos compromissos sociais para um futuro diferente é claro que a justiça é necessária mas não é suficiente não é só punir os
agressores porque eles já foram educados informados ao longo de gerações para serem assim e as vítimas aquelas que foram agredidas foram educadas para aceitar para silenciar para cuidar do outro por isso que eu acho que a mudança a curto prazo sim é pela justiça mas a média longo prazo só com educação e nada como a coragem para estabelecer outros parâmetros de convivência imbuída Deixa O Sentimento pelas redes sociais Daniela ajuda outras mulheres promove escuta solidária ensina a identificar relacionamentos abusivos e a sair deles da experiência dela formando uma grande rede de [Música] Tomara né a
Valesca você queria fazer um comentário antes da gente trazer a matéria mas eu queria levar para você já te pedindo para explicar o dispositivo prateleira do amor porque eu acho que ele vai responder muito a permanência de muitas mulheres nas relações abusivas né vamos lá na verdade eu queria fazer um comentário muito pontual que é uma coisa que eu vejo que se repete muitas vezes nas discussões sobre violência contra mulher então assim a questão financeira ela é muito importante mas ela não é suficiente o empoderamento externo e eu gosto dessa palavra para falar disso porque
tem a ver com a ideia de empoderamento colonizado não leva a emancipação interna então eu já atendi desembargadora que estava numa relação violenta e não conseguia sair teria todos os recursos mas tinha algo que prende que é o dispositivo amoroso que tem a ver com essa outra pergunta então a ideia de que na nossa cultura as mulheres aprendem uma forma de amar que a identidade e que no meu livro eu coloco através da frase de como é que na nossa cultura os homens aprender a amar muitas coisas e mulheres aprender a amar homens a gente
se torna amor concentrada E aí a metáfora que eu criei é que a gente se subjetiva na prateleira do amor e essa prateleira coloca mulheres diferentes em lugares diferentes porque ela é mediada por um ideal estético que Branco louro Madre jovem Então a primeira coisa a prateleira é racista não é à toa que se discute tanto a questão da Solidão da mulher negra se constrói um preterimento afetivo de homens brancos e negros em relação a elas mas também mulheres gordas mulheres velhas e a gente tem que pensar nos vários brasis e muitas regiões 33 anos
já é considerada velha e não cajável é mulheres indígenas mulheres com deficiência quanto o pior lugar na prateleira mais vulnerável você também se torna porque quando você tá com um homem é como se fosse assim nossa ele me escolheu é a salvação a chancela de sucesso que a gente aprende é ser escolhida na prateleira então a gente se sente responsável não só se fazer ele escolher mas por manter aquela relação muitas mulheres se casam não com homem que elas têm mas com homens que elas querem que esse homem se tornem então mesmo quando o cara
já demonstrou algum tipo de violência mas ele vai mudar e aí eu acho que para quem tá nos assistindo O que as pesquisas o que a clínica nos ensina é que eles não mudam melhoram então assim se você não tá com parceiro que já vale a pena agora não vale a pena você continuar nem estabelecer nenhum tipo de compromisso então a prateleira do amor vulnerabiliza profundamente as mulheres que a gente aprende um amor que é muito diferente da forma como os homens se relacionam e tá saindo o seu livro né prateleira do amor que vai
que traz esse resumo aí dessa ópera né para quem tiver interesse em saber mais a ideia é um livro de bolso para furar bolha Então tá um livro com a linguagem acessível eu paguei uma desenhista e uma hora e meia 60 e tá saindo desse outro dispositivo amoroso que é todo em tirinhas explicando todos os gatilhos do dispositivo do mundo literalmente né Valesca praticamente eu quero que as mulheres digam assim ah é isso aqui é para promover letramento de gênero e ajudar as mulheres É o que eu mais escuto Obrigado você me ajudou a sair
de uma relação violenta abusiva enfim há casos aqui já houveram casos que para que a mulher tivesse realmente a sua vida preservada ela ela nos ajudamos ela sair do Maranhão porque havia uma relação tóxica uma relação que ela não conseguia avançar e nós ajudamos essa jovem aí para outro estado né E nós mantemos contato com ela a gente não perde o contato se ela tem alta pelo contrário a gente consegue manter o diálogo até para dar o suporte necessário então O interessante é que com três meses que ela tava já em outro estado trabalhando a
primeira cama ela comprou para ela que ela conseguiu comprar uma cama nova ela mandou a foto né tipo assim olha eu tô aqui eu tô conseguindo organizar minha vida é exatamente é ter possibilidade de você no seu próprio potencial porque muitas das vezes o autor ele deixa a mulher engessada no seu psicológico na sua forma de querer viver de agir e de colocar o seu potencial para fora né E se fosse o potencial então acaba se a gente coloca a possibilidade né dela ir pro estado ela se refazer porque aqui ela fica com medo ela
fica com receio Às vezes a família dele pressiona ou a família dela porque ele está sofrendo com a situação mas nós temos a vida que é única a vida é da mulher e ela quer crescer Então essa jovem foi trabalhar numa empresa que ela teve um crachá com a foto dela cada foto que ela mandava ela estava diferente porque ela estava se amando ela estava se cuidando Então ela teve essa possibilidade então acho que a gente pergunta você prefere entrou com a medida protetiva da comida para gente pode ficar qualquer lugar né A vida é
uma só então muitas das vezes não porque eu tenho minha casa eu tenho meu carro Bens Materiais ficam a vida é única então a gente sempre tem esse diálogo quando a gente vê que quem que é mulher está passando passou pela tentativa de feminicídio que poderia ter chegado ao feminicídio né então nós temos mulheres que o hospital recebeu que conseguiram sobreviver sobrevivem o sequelas permanentes consequências psicológica porque o corpo dela é violado ela fica com cicatrizes né físicas e emocionais e a gente precisa estar sempre dando esse suporte né mesmo tendo apoio psicológico nós não
deixamos de manter esse contato né porque é algo que a gente precisa tá contribuindo para que haja a quebra né Desse ciclo e às vezes eu sempre ele não é quebrado de imediato ele leva um tempo né para Que ela possa se perceber que ela possa sair desse casal de poder voar Até parece desculpa você vai até por essas manipulações né ele tá sofrendo você vê que tem bastante narcisismo no meio disso também eu quero antes da gente ir para o intervalo gente eu preciso chamar já quero trazer a participação da audiência e uma pergunta
vou deixar para você Pâmela Primeiro as participações né gui uma armazinha mandou pra gente pelo Facebook já chega de tanta violência contra as mulheres é preciso mudar o sistema dos homens conviverem com as companheiras esses vídeos que estão postando na internet são aulas para que eles aprendam como cuidar de suas mulheres e elas aprenderem a se defender né então um serviço aí que a gente tem online com as redes sociais a Daiane Cerqueira também caminho pra gente pelo Facebook falando bom dia apoia essa após a violência contra mulher não mi Carla mandou para gente pelo
WhatsApp como é retratado classificada a violência sofrida no âmbito doméstico mas não por um cônjuge e sim por familiares relacionamentos Morais abusivos cometidos por irmãos por exemplo aí deixa essa pergunta para a gente encerrar o bloco Pâmela pergunta é muito boa interessantíssima por sinal a violência a Lei Maria da Penha ela vai falar sobre a violência de gênero entre familiar né é independente de vínculo consanguíneo Então ela pode ser perpetrada por marido namorado irmão avô tio né um amigo desde que configure né a relação e a dominação do gênero o que precisa se avaliar aí
é se existe dentro da relação familiar a pergunta é se a relação é na família na família entre os homens familiares outros homens se ficar configurado que a violência é decorrente da do gênero masculino de uma relação de sobreposição do irmão com irmã é sim tipificado violência contra mulher e Pode sim entrar pode ser que se desculpe pode ser tificado um crime de violência contra mulher e entrar e com as medidas protetivas dentro da Maria da Penha e outros crimes eventualmente cometivo dos dentro da violência contra mulher e aí para a gente fechar esse bloco
né para a gente ver quanto a gente ainda tem que caminhar Silvia Valesca Pâmela e a gente recebeu aqui uma mensagem de um telespectador tentando orientar outros homens sobre como uma mulher pede socorro para que ele possa impedi-la porque ele pode ser prejudicado legalmente essa pergunta essa esse comentário por óbvio não vai ao ar mas acho que é importante trazê-lo mencioná-lo aqui para a gente ter noção do Absurdo a gente vai fazer um programa sobre violência contra mulher a gente tem uma manifestação de um homem tentando ensinar como praticar a violência e não ser denunciado
bom no próximo bloco A gente vai ao Maranhão conhecer a casa da mulher brasileira a gente já volta não sai daí o sala de convidados está de volta conversando sobre violência contra mulher comigo no estúdio para essa conversa Pamela Rossi psicóloga do núcleo de defesa dos direitos da mulher vítima de violência de gênero da Defensoria Pública do Rio de Janeiro e participando da conversa remotamente Vale este casamento Doutor em psicologia professora na Universidade de Brasília a UnB e Sílvia Cristina Leite assistente social e coordenadora do saem setor de atividades especiais Espaço Mulher do Hospital Municipal
Clementino Moura em São Luís do Maranhão e você que ainda não participou do programa Hoje me manda suas perguntas seus comentários pelo WhatsApp 021997018122 ou pelas redes sociais do canal saúde todo o apoio que uma mulher precisa para sair de uma relação abusiva e perigosa em um mesmo lugar vamos para o Maranhão conhecer a casa da mulher brasileira no Maranhão o trabalho em rede entre instituições e campanhas sociais tem feito a diferença no atendimento as vítimas de violência doméstica que muitas vezes ela está com o marido dentro da casa e o que ele faz ela
não entende que aquilo é uma violência então nós colocamos ponto a ponto o que é a violência doméstica psicológica moral sexual e a gente entende que tá tendo bom êxito o enfrentamento a violência conta com parcerias como Conselho Municipal da condição feminina na capital São Luís e região metropolitana assim como o setor de atendimentos especiais Espaço Mulher o saem no SUS e também com o Ministério Público Defensoria Pública delegacias e a casa da mulher brasileira centro de referência de política pública de assistência a mulher em situação de violência e com ações Integradas as unidades de
saúde pública Então como é que nós poderemos fazer isso através dessa rede então a gente referencia a mulher com o relatório situacional que é uma estratégia é encaminhando com a ficha de notificação que é o instrumental que o próprio Ministério da Saúde nos garante é se ela autorizar a imagem para gente fortalecer a denúncia ela autorizando a gente caminha a imagem o áudio né e relatório médico né relato cirúrgico isso tudo materializa o que a segurança pública vai fazer para que ela não repita o que ela já disse aqui então a delegada lê e já
abre um inquérito e aquele relatório situacional que nos é encaminhado nós encaminhamos para a autoridade policial local e a partir daquele relatório situacional que é encaminhado às vezes aquilo ali já é suficiente para o delegado de polícia solicitar requerer a prisão preventiva daquele agressor e a casa da mulher brasileira não parou nem na fase aguda da pandemia segue com o atendimentos 24 horas por dia desde o início das atividades em novembro de 2017 porque a mulher quando chega aqui ela tem todos os serviços em o mesmo espaço né quando uma mulher ela chegava por exemplo
uma delegacia para saber de uma medida protetiva de urgência que era no fórum que era do outro lado da cidade essa mulher não tem o direito o dinheiro do transporte público para atravessar a cidade e conseguir fazer esse acompanhamento e ela não tem conhecimento dos seus direitos de tal forma que ela vai sair de lá eu consegui aí na Defensoria Pública que fica do outro lado da cidade também para poder garantir o acesso da Guarda dos alimentos e ela não vai conseguir e acessar a Patrulha Maria da Penha para dizer eu quero ser atendida pela
patrulha né então quando a gente tem tudo isso mesmo espaço a mulher tem todos os atendimentos em um só dia e aqui ela consegue sair acessando todos os serviços necessários para enfrentamento a violência contra mulher ali já acolhimento a casa articula estratégia de inserção das vítima no mercado de trabalho e oferece também orientações para acionar a delegacia online e para utilizar o aplicativo salve Maria Maranhão e assim a mobilização acontece a gente sinaliza a gente faz o barulho mas a decisão é sempre do executivo do legislativo e do Judiciário outra ponta importante das articulações pelo
bem-estar das vítimas é o controle social o Levante ele é uma campanha ele não é uma organização então todos é importante todos está incluído nessa luta nessa campanha porque ela interessa para todo mundo os resultados bem sucedidos das ações desenvolvidas no Maranhão sinalizam que é possível reverter os dados alarmantes de feminicídio no país Um Desafio que pode ser vencido pelo trabalho em conjunto Então é isso exercer o Sistema Único de Saúde na sua totalidade que não é só a cu mas é preventivo então a gente consegue se articular enquanto profissional de saúde e quanto controle
social e contra o ativista Silvia Queria te convidar a comentar sobre esse espaço né Você é uma das idealizadoras eu acho também muito interessante essa fala que tem sua no final da matéria em que você integra no SUS esse olhar do SUS de olhar integral à saúde da mulher porque uma violência é emocional também impacta é uma questão de saúde pública né como Valesca também falou é necessário que exista política pública para que se possa combater e educar a população no geral a converter inverter essa lógica né de violência Pois é a partir do governo
Lula com a criação do ministério né da mulher a política para as mulheres o plano nacional nós aqui no Maranhão começamos a participar de várias capacitações de várias reuniões né E como eu já trabalhava na saúde e recebendo toda aquela aquele referencial teórico todo aqueles estudos eu me vi dentro do hospital que as mulheres chegavam mas ninguém sabia o que que acontecia fazia o procedimento tinha alta embora aí eu falei não a gente pode fazer um recorte de gênero no atendimento da urgência emergência aí nós começamos a pensar nós utilizamos a metodo para criar essa
metodologia nós trouxemos sempre diretrizes da política de humanização o acolhimento ameixa né o trabalho integrado e o próprio princípio e diretrizes do SUS e também os princípios da política nacional é para as mulheres então nós fizemos um link dessas dessas políticas e Montamos essa metodologia que é acolher notificar intervir não acolher essa vítima essa mulher ela perparta por vários profissionais desde a recepção onde é feita a ficha classificação de risco e caminha para direcionamento na clínica médica cirúrgica Nós temos duas recepções e duas classificações quando a urgência e outro da emergência e nós acompanhamos toda
essa esse caminhar dessa mulher no hospital Nós criamos algumas estratégias como ter essa rede interna estruturada através também do WhatsApp Nós criamos também a estratégia da Fone visita que aqueles casos que a mulher ela tem uma forte no rosto no braço ela vem estrutura mas ela não comenta nada de manhã cedo nós temos uma servidora do saen que a Ana Barros ela pega todas essas fichas e nós fazemos o contato com esta mulher se for violência doméstica ela Repassa porque ela nunca espera que o hospital Ligue para ela 7 horas da manhã 7:30 8 horas
para saber como ela está hoje mesmo duas situações mas foi acidente do médico então a gente mantém contato com a mulher que está internada e com aquela mulher que vem faz o procedimento leve e vai embora então a gente manter o contato tanto com quem está internada com quem passou pela pela emergência né E aí nós fazemos todo esse relatório como foi falado porque a paciente Ela está na saúde ela não está na segurança pública então nós temos que informar a segurança pública que nós estamos com uma paciente aqui nessas condições tudo determina através de
e-mail que é tudo muito rápido se for caso de tentativa de feminicídio nós acionamos o departamento feminicídio se é uma violência acho que perdemos Talvez seja oscilando a conexão buscamos esse 2020 a gente está com a conexão instável eu vou aproveitar para trazer para você Pâmela assim no Rio de Janeiro como é que você percebe esse atendimento essa mulher como é que é o trabalho do espaço onde você trabalha que que uma mulher que exige no Rio de Janeiro pode fazer para acessar esse serviço Sim a gente tem hoje na Defensoria e até importante falar
falar para o público divulgar o trabalho que a Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro hoje desenvolve especificamente nono Day o trabalho de assistência às vítimas do feminicídio tanto para mulheres que sofreram a tentativa de feminicídio mulheres que sobreviveram e Aos familiares de vítimas fatais a Lei Maria da Penha ela prever assistência as Mulheres vítimas e de 2017 para cá o nudem começou um trabalho de assistências Mulheres vítimas de feminicídio tanto na sua forma tentada quanto na sua forma consumada Aos familiares e a gente sabe que o atravessamento desse crime brutal na vida das
pessoas é eu vou ousar dizer que ele deixa marca indissolúveis então a gente tem um trabalho que é interdisciplinar Defensor Público psicologia articulado com a rede de serviços então que essas famílias e essas mulheres procurem no bem é realizado um atendimento Inicial comigo é com a defensora do bem A partir disso a gente a pessoa manifestando de ser acompanhada no processo do feminicídio é feito um pedido de designação para um Defensor Público acompanhar a mulher sobrevivente né vítima do feminicídio tentado ou o familiar daquela mulher que infelizmente teve a sua vida ceifada pelo feminicídio então
procurem busquem porque é um direito das mulheres e dos familiares e tirem da cabeça essa ideia de que isso acontece com em caso super hiper extraordinários é mais comum do que se pensa Silvio eu quero te pedir mil desculpas a nossa conexão ficou intermitente E aí você tava falando e para gente parou de aparecer eu vou te dar oportunidade de concluir o que você tava falando porque realmente a gente ficou um bom tempo sem a conexão em seguida passo para você valeu sim eu tava falando exatamente isso que a segunda vara da mulher de São
Luís criou um projeto chamado a justiça em rede onde do hospital nós podemos solicitar medida protetiva praticamente que a mulher ela quer fazer assim então ela não precisa sair daqui para fazer então Fazemos Tudo isso online o boleto online e as medidas protetiva de urgência que ela já recebe pelo WhatsApp dela ou então pelo e-mail então é tudo muito rápido hoje nós utilizamos a realmente a tecnologia para facilitar esse trabalho em rede né Porque se ela tá internada e ela precisa ter tudo isso então a gente já viabiliza no próprio hospital então nós temos desse
projeto eu até mandei para o Cristóvão as fotos da inauguração sim Valesca Deixa eu aproveitar e colocar uma pergunta para você também ratificar aproveitando que só para dizer para o público que o nudem ele tem uma uma prerrogativa de atendimento Estadual Então não é para apenas para mulheres da capital é a nível estadual e querendo os contatos é só ligar no número 129 da Defensoria Pública que tem todos os nossos contatos perfeito Obrigada Pâmela por esse serviço eu vou passar para você Valesca mas como a gente já tá caminhando para o finalzinho do programa eu
quero já ainda trazer uma questão e te deixar a vontade para comentar as anteriores é eu tava lendo essa semana que o dicionário norte-americano merrean é webster elegeu guess lighting como a palavra do ano pelo crescimento de 1740 por cento nas buscas pelo termo no site do dicionário em 2022 quem tá em casa pode correndo buscar é vale a pena entender esse conceito e aí a gente vê um processo de como eu disse lá atrás no primeiro bloco né um processo de nomear as violências e os abusos E aí quero resgatar essa fala e pontuar
a importância da gente reconhecer o ciclo do abuso dentro de uma relação que geralmente começa com uma fase de lua de mel de repente começa com agressões verbais Com redução diminuição da parceira para em seguida partir para uma violência maior e depois o pedido de desculpa e a Volta à Lua de Mel ou seja começar a reconhecer esses ciclos E talvez quem tá em casa que vivencia uma relação assim pode olhar para isso escutar isso fala assim então isso não é uma questão pontual na minha relação né qual a importância Valesca da gente como você
disse pelo letramento de gênero não só para as mulheres mas para os homens também começaram a perceber que fazem parte dessa estrutura né bom então vamos lá primeira coisa que eu queria comentar acerca né do que estava sendo discutido é que a gente precisa lembrar que um dos impactos da violência sobre a saúde mental isso geralmente é esquecido então muitas mulheres que sofrem violência vão parar nos Caps vão parar nos ambulatórios E aí países que estão mais avançados nessa discussão da violência contra mulher já adotaram um protocolo onde caso a mulher tenha sintomas de depressão
que já deve ser buscado Porque existe uma correlação não é causa uma correlação muito alta entre depressão e transtorno de ansiedade e violência por parceiro íntimo Então em vez de esperar essa mulher relatar quando a coisa já tá grave já buscar e já fazer referência a rede Então essa é a primeira coisa a segunda coisa que eu queria dizer para os profissionais de saúde Esse é um canal de saúde é que a gente precisa prestar atenção existe uma psiquiatriação muito grande da violência contra as mulheres né os levantamentos que a gente fez em caps aqui
no DF o índice de violência contra as mulheres era enorme e não era percebido como um problema tratado como um transtorno mental então exemplo que eu gosto de dar é se uma mulher tá dormindo com um cara que ela não sabe se ela vai acordar e vai ter um bom dia um soco na cara se ela não consegue dormir eu vou dizer que você é transtorno de sono ou a gente precisa recuperar o sentido deste sintoma Então escutem as mulheres e no caso de violência não adianta suprimir o sintoma com medicamento a gente tem que
fazer referência à rede e sumir com problema bom em relação ao gás Light eu acho interessante essa questão da busca é uma palavra que tem se popularizado ainda bem porque tem a ver com esse letramento de gênero queria chamar atenção que na pesquisa que eu fiz em grupos de WhatsApp masculinos aqui no Brasil né que me gerou vários reiters homens é porque enfim eu consegui vamos colocar assim traidores na casa dos homens mas é importante que os guias Light violências psicológicas eram sistematicamente compartilhadas e ensinadas entre eles como algo engraçado do tipo tá passando uma
mulher ele tá para bunda de outra mulher e a mulher fica com raiva parceira dele ele disse tá louca tô olhando aqui porque eu nunca vi uma Kombi com roda de ferro nunca vivenciou que mulher nunca vivenciou isso né Valesca que mulher nunca vivenciou um desrespeito do parceiro nesse nível Sim Isso é Tratado de modo visível e um ensina para o outro então assim na casa dos homens Isso é uma ferramenta é um instrumento da masculinidade visto como natural normal e até engraçado para o caso das mulheres é isso a gente precisa nomear quando você
falou do ciclo de violência isso tem a ver com aquele aumenta a tolerância que eu falei e Mexe com dispositivo amoroso quando vem a fase da lua de mel dá aquela Esperança então ele vai mudar mas ele não vai mudar o que ele tá tentando é reparar minimamente para continuar abusando sendo violento e aí pensar a importância do letramento e as mina que quer dizer o seguinte letramento é quando você consegue um dar nome quando você nomeia você consegue enxergar visibilizar e uma coisa que eu considero muito importante que é o que é politização do
sofrimento que que isso quer dizer eu conto alguma coisa E aí Silvia conta uma coisa você Conta outra coisa e a gente diz gente mas é o mesmo marido não são homens diferentes e a gente começa a perceber que é algo estrutural que não tem a ver com problema da Valesca da Silva não é meu dedo que tá podre não às vezes é Tá difícil achar uma agulha no palheiro é que as masculinidades estão profundamente adoecidas no nosso país não é à toa que a gente eu não no país mais violento do mundo e tá
entre os 10 mais violentos quase todos os tipos de violência vetor da violência são os homens são as masculinidades por isso a importância das políticas públicas e sobretudo projetos relacionados à educação na Pâmela é um caminho realmente para gente ver mudar isso nas próximas gerações né quem sabe até alguns desta geração presente que estão praticando a violência conseguem se reverter as pequenas violências que nunca são pequenas né E aí já pra gente caminhar aí para o fim do programa que tipo de política pública a gente citou aqui duas políticas dois pontos de política pública que
são para Cuidar dessa mulher que já chegou no estágio de violência física na maioria das vezes né Que tipo de política pública pode ser implementada para prevenir que se chegue nesse lugar como se educa como é que a política pública chega nesse lugar da educação social né Desse âmbito maior social eu sempre falo em educação básica não tem como a gente mudar é a mentalidade não tem como a gente falar em mudança de machismo estrutural racismo estrutural não tem como a gente mudar a estrutura se a gente não investe é na educação básica então a
gente precisa de uma saúde pública de qualidade de uma política de Assistência Social de qualidade de acesso à justiça mas a gente precisa de Educação Básica a gente precisa que nas escolas seja discutido gênero raça lgbtfobia sem me livre não dá para isso na escola se acabou enquanto isso for tabu na educação isso nós vamos ter uma sociedade adoecida uma sociedade machista racista uma sociedade que vai perpetuar é o que nós estamos vendo o que que são as mais diversas formas de discriminação de opressão então é investir na Educação Básica o nosso futuro está nas
nossas crianças nós temos explicadora também né Ela vai chegar em casa fala papai não fala isso que não é bacana né Eu acho que Nelson Mandela tem uma frase né de que o preconceito ele é aprendido e nós psicólogas nós é estudantes trabalhadoras e profissionais da área a gente sabe que nós quando nascemos fala muito isso o ser humano quando ele nasce ele é um bolo de carne o que nos faz humano é a relação com o outro e nessa relação com o outro é que eu vou me tornar um outro uma e reproduzindo muitas
vezes aí é nessa relação que nós vamos nos constituir que nós vamos aprender a amar né quando a Vanessa fala da prateleira do amor eu sou psicanalista né eu compreendo e eu tenho lá a minha prateleira abre aspas né do amor eu vou dizer de como a gente aprende a amar Isso a gente vai aprender também amar com as nossas relações na infância então a gente precisa né os nossos pais alguns deles estudaram alguns deles estão isso tá na sociedade então a gente precisa investir investir em educação de base sem educação de Base a gente
não eu não vejo um prognóstico a médio curto prazo diferente a perspectiva não é boa sem educação né Silvia Eu queria um comentário seu também sobre isso né a gente hoje tá vendo aí que realmente a justiça vai punir agora e mesmo assim tardiamente né demora muito às vezes para ter esse resultado no âmbito jurídico né que também a gente segue aí para realmente realmente o caminho é esse é através desse contato com as escolas e também como educar os filhos de Netos né então assim é uma reprodução do patriarcado das relações esses tentáculos que
o patriarcado nos apresenta e eu racismo homofobia intolerância religiosa quer dizer todas essas expressões que vivem numa sociedade É nesse no governo que está saindo graças a Deus e se explodiu então tudo que tava que estava de negativo de opressão se manifestou Nesses últimos quatro anos né E nós fomos impedidas de chegar até as escolas para discutir né questão da violência sexual da Libertadores Então se retomar não só reconstruir o país mais retomar essas relações que é pelo velho mesmo Educacional que tanto no espaço escolar casa né Eu tenho um neto que está com um
ano e quatro meses né Eu comprei uma boneca para ele porque ele já tá jogando bola ele já tá escutando ele já tá exercendo a força Ele precisa desenvolver afetividade dele o acolher o abraçar o homem ele ele é educado para o exterior para confrontar a força física e não para abraçar para ser acolhedor Então isso que culpa as meninas e já desde cedo briga com a bonequinha e com os meninos que deve ser do bico com carrinho com a bolinha então a gente precisa também Rever essa relação dentro do espaço privado porque o que
tá em outro na sociedade saiu também desse espaço de reprodução de toda essa machismo né isso aí nós estamos como uma paciente aqui que um mês de relacionamento o rapaz quebrou o sebo dela ela tá internada um mês de relacionamento tivemos outro caso por três meses de relacionamento namorado né então você vê cada vez mais os relacionamentos tem um tempo o mínimo mas o machismo Depende de tempo se é casado se não é da meses dias né essa expressão de domínio e mulheres que trabalham mulheres que tem e não depende financeiramente né mas que ficam
subjugadas a essa força física esse domínio do seu próprio corpo da sua própria vontade do seu próprio ser com toda a sua complexidade né então o que que é isso é o sentimento de posse sim de uma cultura real né de que aí quero colocar essa pergunta final aí Valesca para a gente encerrar o programa vivemos todos nessa cultura machista e patriarcal os homens aprendem que se relacionar é assim a mulher é minha então eu bato eu tenho ciúme ela não pode ter eu vou falar o agredir vai ser isso mesmo porque eu sou dono
dela e a mulher é criada para considerar que é melhor estar nessa relação do que ficar sozinha aí eu te pergunto o seguinte depois de perceber de dar nome a tudo de se perceber tendo sido parte de uma relação abusiva como é que se constrói uma relação saudável eu acho que mais importante do que pensar quando você tá desconstruindo esses mecanismos Inter logo uma outra relação é tentar se tornar amor decentrada Então veja eu não sou contra o amor se eu tiver muito bem na minha vida e aparecer alguém ótimo usam a mais mas não
pode ser pré-requisito da minha felicidade isso é o dispositivo amoroso nós mulheres precisamos nos nutrir efetivamente de outras formas que não apenas o amor romântico os homens por exemplo eles são homoafetivos Apesar de que a maioria é heterossexual então assim o amor a broderagem a relação com quem se gosta de conversar em geral com outros homens a fidelidade Total o amor admiração prazer em estar junto prazer em fazer as coisas juntos em geral as mulheres são objetificadas não vai dar tempo de falar mas o objetificação sexual é a principal forma de misoginia pela qual os
homens se subjetivam no nosso país eu venho estudando isso nos últimos anos então os homens aprendem que ser homem é demonstrar perante os pares a capacidade de cosificar e objetificar mulheres então para as mulheres como desconstruídos positivos amoroso né pra gente finalizar gente através de leitura que promova a letramento de gênero grupos de mulheres é mais fácil desconstruir isso em grupo do que sozinha porque isso leva a politização como eu falei é do nosso sofrimento que a gente acha que tem a ver só com a nossa biografia psicoterapia numa perspectiva que adote gênero também então
mesmo quem não tem condição toda a faculdade de Universidade que tem um curso de psicologia tem a Clínica Comunitária onde se atende ou por um preço risório de forma gratuita Então procure uma forma também de utilizar E participar de grupos de mulheres inclusive lá na minha no meu Instagram eu criei o Tinder das amigas quem tiver assistindo e quiser entre lá porque as mulheres começaram a se organizar por todo o Brasil onde eu vou lançar o livro vem no tinder das amigas então elas saem para tomar cerveja para dançar algo que sempre não apenas em
sair para arrumar um homem em falar de homem falar de filho quer dizer a gente precisa descolonizando as nossas emoções e as nossas mentes Que ótimo que você dá essa essa dica aí eu preciso encerrar o programa A gente já estourou um pouquinho tempo gente mas eu quero agradecer quero sugerir quem tá em casa procuro o perfil da Valesca zanello tem muitas informações interessantes lá e também para poder realmente fazer essa troca eu quero agradecer muito Silvia Valesca e Pamela por esse programa tão importante né uma troca muito importante para quem tá em casa se
você se reconheceu vivenciando um relacionamento abusivo enquanto acompanhava esse programa procure ajuda você com certeza merece afeto respeito e tranquilidade é impossível que a saúde vivendo uma relação desrespeitosa E compartilhe esse programa com alguém que você sabe que precisa entrar no site do canal saúde Manda o link para quem você quiser e não esquece que toda semana eu tenho um assunto relevante para dividir com você então te espero no próximo programa até lá [Música] [Música] [Música]