Obrigado pela disponibilidade para participar neste projeto mem News dedicado à recuperação das memórias que as pessoas guardam das notícias e do jornalismo eh a nossa e primeira questão eh ou as primeiras questões são meramente pessoais e para contextualizarmos um pouco o perfil eh do entrevistado eu gostaria então que me dissesse o seu nome eh a sua idade o local de Nascimento a profissão e o nível de escolaridade muito bem Professor Jorge Pedro Sousa muito obrigado pelo convite para inaugurar esta série de narrativas para o projeto da história oral por assim dizer da comunicação social e
daquilo que nela daquilo que dela fica nas pessoas que tem uma vida diretamente ou indiretamente ligada a essa mesma comunicação o meu nome completo é salvato Vila Verde pirest trigo nasci na Freguesia de estorãos concelho de Ponte de Lima em 1948 estou portanto prestes a completar 77 anos nível de escolaridade doutoramento nível de doutoramento em literaturas de língua portuguesa precedido por uma licenciatura em linguística românica e naturalmente pela escolaridade secundária e primária que fiz para poder chegar à Universidade muito bem pode contar-nos um pouco sobre o seu contexto Familiar a profissão dos pais com que
idade saiu da casa paterna e que porque é que saiu quando saiu meu pai era Ferreiro minha mãe era doméstica conheceram-se a trabalhar ambos na então ou nas então chamadas minas de bfo sendo meu pai como Ferreiro quem cuidava das Ferramentas dos mineiros e a minha mãe trabalhava também nas minas de bolfo da minha região como lavadeira lavadeira das minas portanto Na lavandaria das Minas por assim dizer né saí de casa dos meus pais aos 10 anos 1958 para ir para Braga iniciar os meus estudos de nível secundário na medida em que sendo natural de
uma aldeia e uma aldeia de Gente Pobre naquela época quem fosse filho de Gente Pobre a única porta que se abriria para poder continuar os estudos para além da escolaridade obrigatória da escola primária seriam os seminários E para isso naturalmente teríamos que ter sempre também o Patrocínio do parco da Aldeia patrocinado pelo então Parque da freguesia do estão José Augusto Alves parco que não tinha com o meu pai uma das melhores relações mas em toda todo caso conseguimos convencer ou conseguiram convencer o meu pai a deixar ir estudar para o seminário né e assim fui
levado pela minha tia materna a única tia materna que eu tinha que me fez o enchoval assim fui para Braga em 1958 Para o seminário que na época se chamava ou era conhecido pelo seminário da tamanca para iniciar os meus estudos pós secundários com uma perspectiva na época real de poder vir a ordenar-se como sacerdote como tantos filhos de tanta gente que das várias aldeias do país se dirigiam a Braga nessa época né Eh muito bem eh como é que descreveria o ambiente em que cresceu e em termos sociais económicos culturais enquanto criança enquanto estive
a viver na minha Aldeia oito era de inteira e Total Liberdade nós normalmente começávamos demasiado precoces a fazer recados para os pais não é a ir à venda como de dizia na época tentar comprar alguma merciaria que fizesse falta em casa e eu sou irmão de mais dois filhos portanto somos três No total o meu irmão mais velho também por tradição familiar seguiria a profissão do pai portanto meu irmão mais mais velho terminou a escolaridade obrigatória e começou a trabalhar na Forja com o pai e herdou da parte do pai todas essas competências que o
meu falecido pai tinha quer na área da ferraria quer na área da serralharia o meu irmão tornou-se muito mais serralheiro do que propriamente Ferreiro a minha irmã naturalmente ajudava a mãe nas tarefas domésticas e eu sendo o filho mais novo tem uma diferença de 4 anos do meu irmão mais velho naturalmente que era mais protegido nessa fase mas logo que tinha 4 C anos Comecei também a fazer recados E íamos sozinhos pelos vários caminhos da Aldeia ocupar-nos desses recados e andávamos com total e completa liberdade na medida em que nessa época não havia o perigo
que hoje há em termos de Segurança Pública que nesse tempo não existia portanto podíamos andar completamente à vontade toda a gente nos conhecia a aldeia era verdadeiramente uma comunidade comunidade de gente que tinha entre si Uma interação muito grande porque eram pessoas ou que eram primos uns dos outros ou eram familiares ou tinham alguma ascendência ascendente sobre as outras pessoas portanto tive uma infância muito feliz por assim dizer muito livre e naturalmente que essa felicidade e essa liberdade terminou ou foi de alguma forma mitigada quando fui interno para o seminário para Braga não e portanto
eu cresci a minha adolescência foi feita em Braga foi Feita no seminário vinha só nas férias à aldeia e quando vinha nas férias à aldeia vinha nas férias para trabalhar ou seja para ajudar naquilo que era necessário que era na forja do meu pai que era evidentemente na própria eh loja de mercearia que entretanto meu pai também abriu na medida em que conjugava a sua atividade entre a parte mais profissional de ferreiro e a parte de comércio que tinha o chamado comércio geral da Aldeia para o serviço da Comunidade e pode falar-nos um pouco do
seu percurso prof ional onde trabalhou que tarefas executou portanto eu estive no seminário até ao 5º ano saí justamente do seminário no 5º ano contrariando aquilo que tinha sido a ordem do meu falecido pai que na altura em que na véspera de eu sair para Braga com a minha tia não me disse claramente vais para o seminário mas lembra-te de sair de lá não te lembres de sair de lá antes de Seres Padre porque se saíres antes de ser padre não venhas para casa porque senão melhor atiraste ao Rio Lima porque senão Vais ter um
problema grave né evidentemente que para uma criança de 10 anos na altura uma ordem destas era uma ordem complicada a verdade é que no 5to ano não consegui aguentar mais e portanto saí do seminário não é e obviamente voltei para para casa Passei fiz uma escala na casa do meu falecido avô pai do meu pai sentio de t Tentar falar com o filho meu pai para de alguma maneira amainar a situação que meu pai naturalmente ficou por ter de alguma forma visto frustrada o cumprimento da ordem que me tinha dado a verdade é que o
meu falecido avô que era salvato daí eu herdei o meu próprio nome do meu falecido avô que era meu padrinho também não conseguiu amainar o filho no sentido de me receber como naturalmente seu filho membro da casa e portanto quando eu voltei para a aldeia o meu pai Aplicou um castigo que na época eram castigos corporais bastante duros não é e fiquei de alguma maneira na cama durante mais de duas semanas a ser esfregado pela minha falecida mãe com azeite não é para me de alguma maneira aliviar das Dores das marcas da vergasta da Oliveira
com que o meu pai fez questão de acertar as contas comigo na época né e uma bela madrugada e enfim eu não queria de maneira nenhuma ficar na aldeia não queria que a minha vida Passasse pela forja e portanto ficasse a limitar-me a ser simplesmente mais um operário numa vela madrugada pego numa malinha que tinha trazido do seminário meti algumas peças de roupa interior na malinha e resolvi pela janela saltar e pôr-me caminho Numa manhã de Fevereiro chovia que Deus a dava nãoé e fui andei a pé mais de uns 5 km a pé para
ir para a paragem do Autocarro ou da carreira que ligava na época ponto lima a Viana do Castelo para ir para Viana do Castelo e pedir a coimo onde No colégio do Minho onde estava como diretor naquele tempo o Padre José Augusto Pedreira que veio depois a ser Bispo auxiliar do Porto e depois Bispo de vian do Castelo para que ele desse Arida no colégio e eu pudesse continuar os meus estudos e assim foi foi de alguma maneira recolhido no colégio do Minho em que o Padre José Augusto Pedreira me fez o favor de me
acolher de me dar cama mesa roupa lavada de alguma maneira Contra o trabalho que eu prestaria no colégio na época que era de ser prefeito de acompanhar os salões de estudo com os alunos e de tomar conta deles na à noite quando os alunos se recolhiam nas camaratas para dormirem portanto eu era também encarregado de manter a ordem ao respeito nas camaratas e sobretudo de manter essa mesma ordem no nos salões de estudo nas salas de estudo podendo naturalmente ir para o liceu de Viana do Castelo para poder continuar os estudos Na época não havia
equivalência direta de estudos entre o seminário e os chamados liceos civis e portanto quem saísse do seminário tinha Obrigatoriamente que fazer um exame de admissão para verificação de competências e de aptidões para que o Liceu definisse Em que ano é que seriam as pessoas colocadas foi isso que eu fiz no liceu de Viana do Castelo e ao mesmo tempo que continuei os estudos no liceu de Viana fazia Então esse trabalho no Colégio mas como tinha tempo livre pedi na época também ao padre Pedreira ao diretor autorização para me ceder uma sala em que eu pudesse
dar explicações de Latim de maneira que como não me pagavam nada do trabalho que eu fazia no colégio a não ser evidentemente o alojamento e a alimentação eu procurei ir ganhando algum dinheiro chamado dinheiro do bolso através das explicações de Latim que dava todos os dias dava todos os dias não dava dois Duas vezes por semana e naquela época as minhas explicand eram sobretudo professoras primárias e professoras primárias porquê Porque tinha acabado tinha acabado de abrir em Braga em celeirós a fábrica da grundig e nessa época começou a recrutar pessoal colocando como uma das condições
de recrutamento para certos quadros que criam dentro da fábrica pessoas que tivessem o séo ano ora naquela época não havia muita gente Que fizesse o séo ano e as professoras primárias tinham o 5to ano e depois faziam a escola de Magistério mais dois anos para serem professoras primárias mas o salário que a grundig oferecia na época era muito superior ao salário que ganhavam com professoras primárias e houve muita gente que entendeu Vou tentar fazer o sétimo ano para ver se consigo depois integrar os quadros da grundi e portanto tinha um grupo tinha dois grupos de
Explicant constituídos por 16 professoras primárias cada um num dos grupos só havia uma senhora que não era uma uma moça que não era professora primária tinha que se preparar para fazer o exame da aptidão para ver se entrava em Coimbra na licenciatura em filologia românica e portanto integrou também esse grupo era a única que não era professora primária e portanto procurava nesses dois dias por semana ganhar naquela época ganhava 11 escudos Por cada hora de explicações para terem uma ideia o que é que representava 11 escudos em 1965 64 65 11 escudos dava-me para eu
almoçar no Café Sport na Rua dos mais jovens em Viana do Castelo e eu comia um prego no prato com ovo a cavalo não bebia um copo de cerveja tomava um café comprava O Primeiro de Janeiro e ainda me sobravam três cestões no final portanto só para ver a comparação do que era na época o Valor do salário isto para dizer que o primeiro fato de alguma maneira civil que eu consegui comprar consegui comprar com este dinheiro numa casa que tinha também aberto em Viana do Castelo na Avenida dos combatentes chamada casa saratoga a comprei
o meu primeiro fatin paguei 300 escudos pelo fato e Graças às explicações que ganhava e foram essas explicações também que me fizeram de alguma maneira a me alhar dinheiro suficiente para quando chegou o momento E chegou o momento com alguma rapidez eu pagar a minha viagem para ir para a África para de alguma maneira me afastar um pouco mais da pressão que existia apesar de tudo da parte do meu pai sobretudo que continuava a não de alguma maneira deglutir à fronte que eu fiz em não ter cumprido digamos assim a ordem que ele me deu
de não sair do seminário antes de ser ordenado Padre portanto comecei a trabalhar muito cedo enquanto em Viana Do Castelo como prefeito do colégio como estudante do Liceu um padre que na época era o responsável da casa dos rapazes o Padre Alberto Pinto Faria pediu-me também se eu prestava um apoio lá na casa dos rapazes para o ajudar e para o ajudar também a fazer o jornal que era publicado 15 15 dias chamado notícias de Viana Portanto o meu primeiro contacto direto com o jornalismo é esse é o contacto que eu tinha como uma espécie
De redator de jornal e ao mesmo tempo de editor do jornal uma vez que era eu que acabava por produzir o jornal da casa que era impresso nas oficinas gráficas da casa dos rapazes que eram notícias de Viana que mais tarde veio a ser o jornal da diocese de Viana do Castelo né Essa participação no jornal de notícias de Viana que benefícios me trazia fundamentalmente ter acesso a bilhetes de cinema portanto bilhetes de cinema para ir ao cinema Paládio tinha Direito a ir para a plateia do sistema Paládio de graça não para depois fazer um
pequeno comentário no jornal sobre os filmes que passava no cinema Palácio né e portanto vi muito cinema Nessa altura né nessa época sobretudo os filmes mais diretamente ligados com os filmes de cowboys que era aquilo que era mais vulgar no tempo e que passava pelas províncias né e portanto essa primeira experiência com a comunicação cel acontece justamente com notícias de Viana sendo que em Viana do Castelo o jornal de notícias de Viana era a seguir o Aurora do Lima jornal mais qualificado que tínhamos na na cidade quando foi para a África depois que profissões é
que t para a África fui justamente em 1965 66 naturalmente quando cheguei à África o primeiro emprego que eu tive e foi um pouco nesse sentido que também ajudado para ir para a África as coisas se preparavam foi de ser professor num Colégio Colégio dos padres do Espírito Santo também originários de Braga os chamados padres do fraião né E foi nesse colégio que ao mesmo tempo que eu continuava a estudar portanto continuava a fazer os meus estudos superiores agora procurei naturalmente ganhar aquilo que se chama a arte de ensinar a arte de ensinar eu aprendia
justamente por um lado nas explicações que dei em vi do Castelo mas sobretudo no colégio dos Padres De Nova Lisboa antiga cidade de Nova Lisboa atual cidade do ambo onde havia de facto uma tradição de um colégio com entrenament um colégio com internato muito forte não é portanto era um colégio de grande qualidade na época para onde os pais enfim filhos de fazendeiros de roceiros de gente que estava às vezes até em zonas de perigo nas zonas de frente de guerra mandavam para lá os seus filhos né hoje aliás aqui na idade tenho um professor
que foi Meu aluno nesse nesse Colégio dos Padres quando tinha 10 anos que é hoje o diretor da nossa escola de medicina foi meu aluno na época né para além de outros que enfim de outras pessoas médicos também alguns deles e outros não mas que estão aqui pelo Porto trabalhar e que eu de vez em quando encontro que me dá imenso prazer porque conjugava Justamente esse Ofício de trabalho no colégio dos Padres também fazia explicações enfim procurava ocupar o meu Tempo porque comecei a trabalhar muito cedo e sou fundamentalmente um ser pelo trabalho por isso
a minha experiência em África foi fundamentalmente experiência de ensino e foi na área justamente primeiro do ensino secundário no colégio dos padres e depois naturalmente Acabei por sair de Nova Lisboa do ambo porque me apareceu uma melhor oportunidade em Luanda também para um colégio que na época existia em Luanda chamado Santa Margarida que no fundo não era a mesma Coisa que uma transferência de equipa de futebol mas na é porque eles procuravam saber quem eram os professores sobretudo em áreas consideravam mais estratégicas que era Português e Matemática portanto eu era professor de português e professor
de matemática portanto aproveitaram para me recrutar para Loanda de onde depois eu saí para ir fazer uma estância de 3 anos na África do Sul também ligado ao ensino também ligado à Organização daquilo que se chamava o ensino do português nas escolas sul-africanas para beneficiar sobretudo dos filhos dos Imigrantes portugueses que na época viviam e hoje também vivem né mas na época era muito mais complicado portanto quem organizou por assim dizer o modelo de ensino secundário na África do Sul para a colónia portuguesa fui eu procurando naturalmente na época reportar diretamente com a Secretaria provincial
De Educação de Moçambique que é quem supervisionava a qualidade do que se fazia na África do Sul e que enviava naturalmente nos momentos do verão os juris para fazer os exames aos estudantes das nossas escolas de língua portuguesa e eu consegui durante o tempo que estive à frente desse processo fazer com que não houvesse a necessidade de continuar a chamada escola paralela mas que estes alunos que vinham à escola de língua portuguesa eram alunos de escolas Sul-africanas portanto era uma sobrecarga para eles terminadas as aulas nas escolas sul-africanas virem ainda agora para as aulas em
língua portuguesa para matemática geografia ciências que é a mesma coisa tanto Dan numa escola sul-africana Portuguesa e consegui através de amigos que tinha na África do Sul na época fazer com que este currículum da escola portuguesa fosse integrado na escola sul-africana e acabou-se a escola paralela passou a ser Digamos um complemento ou um suplemento da escola sul-africana que faziam exames na mesma mas em termos de suplemento integrado na escola para não estar a sobrecarregar Os estudantes de estarem a ter duas escolas sendo que parte das matérias eram exatamente as mesmas né Muito bem eh vamos
agora passar para uma eh uma fase da da entrevista mais dedicada à comunicação social eh a a pergunta era sobre se a sua família se interessava pela pelas notícias e mas eh O percurso do Senhor Professor foi já num seminário portanto e digamos no no ambiente da sua infância e juventude particularmente no seminário e nos colégios interessavam-se pelas notícias Aparentemente o meu pai o meu pai interessava-se muito pelas notícias porque o meu pai sempre ficou sempre foi conhecido na aldeia como sendo um pouco de do contra portanto não estava Verdadeiramente integrada na ordem constitucional da
época vigente não é era conhecido pela alcunha do Tico né conhecia por tico tico na aldeia porque era de facto quem quisesse saber alguma coisa fora daquilo que era enfim propalado através da emissora Nacional na época enfim de rádio que as pessoas ouviam e meu pai tinha rádio naturalmente na loja na na na na loja de Comércio e Taverna ao mesmo tempo mas a também meu pai tinha o primeiro de Janeiro que arranjava e portanto procurava depois também fazer algum catecismo na aldeia eu não diria tanto por ser fora do regime mas sobretudo ser contra
o padre como o padre estava perfeitamente integrado na ordem constitucional vigente e ele não gostava do padre procurava de alguma maneira a exprimir a sua contrariedade relativamente ao padre enfim catequisando um conjunto de pessoas que iam à missa enfim que ouviam Enfim o padre na igreja a dizer certas coisas que o meu pai procurava depois desmontar portanto enquanto eu vivi na aldeia a minha mãe naturalmente não tinha nenhuma com isso porque a minha mãe era analfabeta como aliás muitas mães daquele tempo quem lha ensinou a escrever e a ler fui eu quando ela quando eu
tinha 12 anos e ela tinha 48 portanto já aprendeu a ler tardiamente foi para ela confessou várias vezes a melhor coisa que aconteceu na vida foi Eu ter sido capaz de ensinar a ler porque o grande problema da minha mãe é quando eu escrevia cartas para casa etc ela não saber ler as cartas né e portanto era o meu pai que as Lia depois di Ah diz isto aquilo mas o que ela gostava era de poder ler a carta e não conseguia fazê-lo e depois conseguiu fazer isso e mais conseguiu ler o cardial Saraiva aquela
via o jornal lá por casa o cal sareva que era o jornal de Ponte Lima mas não não não tinha Nenhuma capacidade de saber o que é que se passava embora fosse uma mulher que analfabeta mas era sábia porque dentro da da loja da da da loja da mercearia da taverna ninguém enganava fazia contas de cabeça de uma velocidade espantosa né nunca se esquecia de nada naquela época as pessoas faziam consumo mas era senta no livro senta aí que depois veio pagar nunca se esquecia de nada embora não soubesse fazer isso portanto Digamos que liam
o primeiro de janeiro o Cardeal Saraiva e escutavam a emissora na emissora nacional que era a rádio que na época se escutava portanto um pouco quem tivesse essa possibilidade comentavam notícias o meu paiha o meu pai sim com um grupo de pessoas nós em casa não tínhamos grandes hipóteses de comentar porque aquele tempo estamos no tempo daquilo que se podia chamar os pais tirano não é portanto em casa enfim a linguagem mais corrente era a linguagem do Silêncio nãoé portanto ouvíamos não é Não tínhamos capacidade nenhuma de comentar nem deveríamos fazê-lo e portanto a minha
relação com a comunicação social já é uma relação mais estadia ela aparece fundamentalmente como lhe disse dessa experiência que eu tive no notícias de Viana e depois quando fui para a África de ser um colonista e ao mesmo tempo colaborador muito acido de um jornal de Nova Lisboa que na época existia chamado o planalto depois continuei com a mesma colaboração Nos jornais de Loanda quando estive na África do Sul fui o redator principal do século Joanesburgo que era o principal jornal da comunidade portanto a minha relação com a comunicação se al vem daí vem do
trabalho digamos assim lembra-se dessa época de algum programa ou de algum locutor ou jornalista que conheci vários olha mesmo gente que ainda hoje está atuado por exemplo Ribeiro Cristóvão Uhum que está ainda a atuar no Comentário Desportivo Ribeiro Cristóvão era um colaborador da Rádio Clube do ambo sendo na época profissionalmente um comercial da cerveja Cuca portanto era uma pessoa muito amável muito simpático não é portanto as pessoas que eram membros do rádio clube do am que era um rádio enfim local que existia conhecias muito bem e dentro do jornalismo conheci Rocha Peixoto que era o
chefe de redação do planal fim molar que era um indivíduo também de colaboração muito assídua em Luanda conheci vários jornalistas um dos quais alguns meus amigos que Depois vieram para cá como eu enquanto retornos e fui encontrar designadamente na otá por exemplo não é muito B já já entendi que começou a interessar-se pelas notícias muito novo quando logo no no no no teria teria 16 anos quando comecei interessar por isso nãoé eh por causa da sua colaboração com com só só para lhe dizer que o facto de me começar a interessar pelas notícias e procurar
Saber um bocadinho mais para além daquilo que era a realidade visível do chamado sistema constitucional vigente tive alguns problemas depois designadamente em África em Nova Lisboa com aid por causa disso mesmo nãoé porque como era um colonista frequente do regional planal que era um seminário né Eh tive alguns momentos em que fui chamada à pid para Explicar sobre algumas crónicas que eu escrevia e que tenho ainda AAS publicar Um dia destes Porque estão todas aí comigo e que eram crónicas Editora aqui quer eu sei eu sei disso eu sei disso O meu problema não é
esse o problema é o tempo mas e tive algumas crónicas que me causaram alguns engulhos justamente porque já fazia algumas apreciações críticas que muitas vezes não eram suficientemente aceites ou não eram bem aceitos pela pelas autoridades do regime né Muito bem eh lembra-se qual foi o primeiro meio de comunicação específico Que com regularidade começou a utilizou para consumir notícias eu era um leitor um leitor digamos irreprimível de jornais n e na época era através dos jornais que nós fundamentalmente nos informamos a rádio era mais um meio através do qual nós usávamos ou nós usávamos a
rádio para sobretudo escutar relatos jogos de futebol etc né eu tive uma experiência muito interessante na área do jornalismo porquê Porque como lhe digo foi muito Cedo introduzido no meio da produção do próprio jornal que é uma coisa que eu acho que é muito interessante para motivar depois o próprio consumo das notícias e quando estava na África do Sul quando estive esses 3 anos na África do Sul através do tal século Joanesburgo que era um jornal que era publicado uma vez por semana mas era um jornal que dependia de alguma maneira de notícias de Lourenço
Marques e que se alimentava fundamentalmente de corta e cola corta e Cola de relatos de vários jornais daqui do da Metrópole como se dizia n então o caso Diário Popular a crónica da Vera Lagoa por exemplo era Permanente no século Joanesburgo naquela época né o pinto alemão também as crónicas dele e depois era um pouco corte e cola dos relatos dos futebol dos resultados de futebol etc e quando me pediram para eu tomar conta do século Joanesburgo no sentido de ver se conseguíamos dinamizar um pouco mais eu fiz exatamente o Contrário eu tornei o século
JSB num Jornal Local Ou seja que se interessasse pela vida efetivamente da comunidade portuguesa da África do Sul e por isso todos os fins de semana saía né muitas vezes com a minha mulher né para vários locais onde havia concentrações grandes da comunidade portuguesa para entrevistar pessoas que eram importantes na nesses veros locais e naturalmente o jornal deixou de ser TR semanário porque entretanto eu Procurei ver ou deixou de ser semanário eu torneio entri semanário porque procurei fundamentalmente cativar a atenção das pessoas locais para o jornal do século Joanesburgo que trazia notícias locais pessoas que
estavam em vand Ville Parque começavam a conhecer os de benon de benones de B fontino fontin do cabo portanto havia informação generalizada das várias comunidades portuguesas da África do Sul e entendi e foi assim que o jornal se transformou em Trinário organizar um concurso de miss comunidade Portuguesa e como é que esse concurso funcionou da seguinte forma não importava a beleza da Miss não era a beleza que se procurava era a popularidade de alguma maneira da Miss e essa popularidade ganhava-se através de votos que eram recortados do jornal e que teriam que ser depois entregues
mandados para o jornal naturalmente para que ele os arquiv asse até ao momento em que terminasse o concurso e havia por Essa razão famílias que compravam 20 30 40 50 jornais só para cortar os cupons para fazer a votação na Miss comunidade portuguesa ganhou finalmente o concurso uma moça chamada Anabela prata Anabela Praça peço desculpa que era filha do comandante Praça um homem reformado da Maria mercante que não era uma pessoa muito não não se pode considerar que era uma beleza que pudesse de alguma maneira aos mas era extremamente simpática né e quando foi da
atribuição do prémio Miss Comunidade portuguesa eu organizei uma grande festa através do jornal num dos grandes hotéis da época de Joanesburgo em Que solicitei a toda a gente que deveriam ir com vestido de gala os homens com smoking as senhoras com o respectivo vestido de noite como se costuma dizer né E foi assim que eu conheci o amigo do Max daquele célu cantor Madeirense chamado Jimmy que era empregado de uma loja em Joanesburgo Que alugava fatos de Gala para festas né e obviamente foi uma enorme satisfação que deu a toda a gente ver eletricistas pedreiros
carpinteiros domésticas etc tudo impecavelmente vestido na grande festa do Hotel Comodoro em Joanesburgo para a qual eu convidei o csul de Portugal na época um homem chamado Pericão de Almeida e consegui também que o Ministro dos negócios estrangeiros sul-africano o Senor malan aceitasse presidir à Cerimónia O que foi uma coisa verdadeiramente notável na época porque a comunidade portuguesa vivia sobre si própria não se misturava não se dava a conhecer noutra dimensão do humanismo também que existia né de modo que foi uma festa que ficou na memória de toda a gente ainda hoje muita gente fala
da festa do Jornal do século Joanesburgo da eleição da Miss comunidade Portuguesa e portanto eu procurava o chamado fim utilitário da comunicação social ou seja Colocar o jornal não só na perspetiva de um instrumento de informação para as pessoas mas também ao mesmo tempo de criação de autoestima e ao mesmo tempo de revisão no próprio jornal daquilo que seria a coesão de uma comunidade que até aí ninguém conhecia os que viviam em Joanesburgo não sabia o que se passava a 40 km em vand Ville Parque ou a 100 e tantos quilómetros de distância noutra qualquer
região de maneira que foi uma experiência muito gratificante e que fez Com que o sécul Joanesburgo tivesse uma importância de ir um pouco atrás ah lembra-se onde é que consumia jornais notícias na sua Juventude era no café ou chegavam ao seminário CAF café no café no café no seminário jornais estavam proibidos de entrar né quando eu vim para Viana do Castelo quando saí do seminário naturalmente que o tal jornal que eu comprava com as Tais 11 escudos que ganhava por cada hora de explicação era o primeiro de janeiro que eu lia Sempre no Café Oriente
era o café que em Viana era considerado o café da oposição digamos assim mas os jornais não entravam no no seminário seminário não no seminário no seminário não era possível isso no seminário não entravam não só jornais jornais e outras coisas sabe que o seminário tinha uma vida que era muito interessante por um lado e por outro lado muito frustrante a maior parte dos seminaristas eram da Aldeia como eu não alguns não eram Filhos de Gente Pobre como eu era alguns tinham pais abastados a gente que tinha e havia muitas moças também nessas aldeias não
é que para continuarem os estudos secundários só podiam fazer na capital distrito mais próxima né e Braga naturalmente o distrito de Braga atraía imensa gente ali de Famalicão enfim toda esta área Guimarães Vila das aves etc maneira que muitas das moças que vinham a estudar para o colégio Coração de Maria eram moças que conheciam os Seminaristas da Aldeia naturalmente e alguns até namor escavam uns com os outros né às quartas-feiras havia o dia de visitas né às quintas-feiras peço desculpa havia dia de visita no colégio lá no seminário da tamanca e as moças que eram
amigas dos seminaristas procuravam dizer que eram irmãs não que era família para poderem estar na sala de visitas nãoé com os respectivos amigos e alguns até namorados né e eu procurava e procurei e filo muito eu Como não tinha visitas porque era de longe ninguém me ia visitar o meu o meu irmão já na altura estava emigrado em França portanto já não tinha hipótese de ir a minha irmã muito menos iria ao seminário portanto eu passava os períodos respetivos no seminário sem receber visitas praticamente enquanto meu irmão estava cá não estava em França EA ele
visitar-me que andava de uma motoreta um motociclo ia ver-me né O que é que eu fazia entretanto como os meus Companheiros sabiam que eu tinha algum jeito para escrever pediam para eu escrever bilhetes para eles depois trocarem com as namoradas compreend Aquilo é que se podia chamar cartas de amor se quiser n é e eu cobrava na época 25 tões por cada carta de amor que lhes escrevia né ainda ganhei uns tões lá no seminário à conta disso né porque não havia tipo de informação no seminário era na Ráo na rádio nada nada nada nada
nada nada era o silêncio não muito menos A televisão aparece enfim praticamente no ano anterior aquele em que eu fui para o seminário que apareceu em 57 não é mas não havia televisão oses iam mas nós não tínhamos acesso em Moçambique também não não televisão não havia não só só rádio rádio jornais rádio jornais e revistas uma das revistas que eu li li desde praticamente que ela começou a existir até ao fim foi a revista notícia de um grande jornalista luandense na época chamado João xula de Azevedo era uma revista fantástica revista notícia que hoje
poderia dizer que uma espécie de revista brasileira veja ou a revista sábado ou uma dessas uma desses Magazines exatamente muito bem H já me disse que ao cinema na na sua Juventude ao cinema muito ao cinema sempre passavam filmes e informativos e também também mas mesmo no seminário eh conseguimos íamos uma Talvez uma vez Por ano ao cinema os filmes claro que nos deixavam ver er filmes devidamente selecionados não que eram filmes mais ou menos ligados com a história da igreja enfim com a história da Bíblia etc né mas depois os os chamados cinemas mais
civis havia muito ligada aos Cowboys filmes de cowboys isso era fatal nãoé havia um outro filme Um pouco mais elaborado mas esses filmes não eram antecedidos pel um jornal de cinematográfico tinha parte tinha uma Parte que havia uma parte de digamos notícias e informações não é recordo muito bem que era Sobretudo o Fernando pessa que as fazia né portanto antes de começar o propriamente do filme havia uma espécie de Magazine resumida sobre algumas notícias que tinham fundamentalmente a ver com a área constitucional vigente era o que se conhecia da época né Muito bem eh costumava
falar das notícias com com os seus familiares com os seus amigos com Os seus cole familiares não mas colegas sim n colegas sim havia era época naquela época era de alguma maneira também comum termos algumas tertúlias nos cafés e portanto nos cafés juntávamos um pouco para fazer comentários sobre as poucas notícias que mereciam algum comentário sabe estávamos estávamos notícias que vos suscitavam mais comentários nós nós enquanto enquanto eu vivia em África em Angola Fundamentalmente o que nós tínhamos acesso era aos jornais de lá portanto a Província de Angola que era um jornal enfim feito em
Luanda que tinha uma dimensão Nacional dentro de Angola o comércio também comércio de Luanda depois eram jornais locais como o caso do plano alto de Nova Lisboa depois havia outros jornais no hila enfim mas as notícias que nós no fundo comentávamos na época era fundamentalmente notícias da frente Militar frente de guerra que os jornais estavam sobretudo muito atentos sempre a essas questões de movimentações nas frentes de combate na zona norte na zona leste etc portanto nós aí procurávamos a partir dessas notícias que a censura deixava passar depois refletir um pouco também sobre a realidade de
guerra Colonial né e e rádio também costumava ouvir sim rádio sim rádio sim e havia na época era costume era costume para além dos relatos de futebol como é evidente Eh havia sobretudo alguns folhetins radiofónicos não é que eram muito famosos na época não simplesmente Maria e outros folhetins radiofónicos que tinham o papel que T hoje as telenovelas na televisão portanto era mas também notícias jornais notícias também notícias também notícias também mas a rádio não era grande eh não não era grande divulgadora de Notícias né mais a imprensa exatamente eh o seu consumo de de
Notícias mudou ao Longo dos anos e e mudou sobretudo nos últimos anos porque agora faço consumo digital né Já não faço consumo em suporte físico nãoé deixou de deixei porque hoje através das eu tenho acesso felizmente enfim a todos os jornais que se publicam todos os dias em Portugal às vezes até aborrece tantos jornais que me enviam e eu digitalmente não consumos pela Via digital aspectos que me interessam mais diretamente alguns colonistas não é por Exemplo não perco nunca o António Barreto por exemplo não é sou capaz de muitas vezes abrir o público só para
isso não é em termos digitais mas em termos de suporte físico não já não já não tenho portanto já não compra jornais em papel nem anos há muitos anos há muitos anosos e ainda houve notícias pela Ah sim isso sim isso isso isso osso isso osso durante o tempo em que me circulo dentro do automóvel está sempre ligado é essencialmente então no Essencialmente no no no trânsito não é fazer á alguma emissora algum em antena um antena um é a emissora de referência porção muito simples tem uma enorme vantag costuma ouvir [Música] então alguns debates
que acontecem também algumas situações eh e podcast podcast depende alguns interess e portanto quando ten podcast interessante vou lá buscar e ligo não é mas e o problema é justamente Esse é que eu acho Que os podcast são muito extensos nãoé e portanto também começam a cansar a gente perde um pouco a capacidade de Estar atento a tudo aquilo que o podcast de constituir há alguns em particular que são um bocadinho mais cometidos e que vale a pena e que vale a pena mas de resto não não sou muito consumidor não sou muito consumidor e
telejornais toris S telejornais costum normalmente entre o canal sempre fu sim sim sempre sempre isso normalmente na televisão o que me Interessa mais são as notícias o resto e e vê mais hoje do que no passado via mais no hoje vejo mais porque há mais oferta não é e portanto há mais capacidade sou capaz de ver à segunda-feira enfim o telejornal das 8 horas na na rtp1 na terça-feira vejo na na Sic no canal 3 também de alguma maneira para poder escutar a Guerra Fria portanto algumas situações de informações colaterais que me interessam portanto vou
variando vou variando ao Sábado naturalmente portanto não é fiel a vou vou variar vou variando entre os os nove ou 10 canais que nós temos portugueses que dão notícias mesmo os do cabo circulo por eles todos circula port notícias CN Portugal ex é o que me interessa fundamentalmente são cmtv também cmtv também passo de vez em quando pela cmtv para ver que manda o mundo não é porque a cmtv dá um aspeto da de uma ade do país que nós desconhecemos né É verdade é verdade e é Preciso também conhecê-la né E então também acompanha
as notícias e na na internet Desde quando tem alguma ideia desde desde pelo menos que eu me recordo P aí há 10 anos foi quando começou esse jornalismo digital com mais intensidade E e a sede diretamente aos sites dos meios jornalísticos é portanto eas redes sociais não não isso não redes sociais não entro muito não entro nem elas entram em mim recorda-se de algumas notícias que lhe tenham deixado uma Forte impressão às vezes deixa uma impressão sobretudo negativa pela forma como são construídas portanto estas coisas como sabe a regra da da construção de uma narrativa
deve ter a forma deve de alguma maneira servir bem ao conteúdo e às vezes há neste afã que as pessoas têm de competitividade canais uns com os outros dão forma muitas vezes a conteúdos que não merecem aquela forma e que se transformam coisas que são aquilo Que nós poderíamos dizer trossos transformam completamente em realidades monstruosas não sem necessidade nenhuma portanto há muito pouca muito pouco cuidade na fase Editorial de fazer com que o conteúdo fazer com que a notícia ente dita tenha uma forma adequada à natureza da notícia e evidentemente que muitas vezes somos surpreendidos
com algumas notícias porque são servidas com algum grau de alarmismo que acabamos por verificar que aquilo não tem Efetivamente nem perigosidade que muitas vezes querem fazer transmitir pela forma que utilizam nem a importância sequer para aquilo que nós chamamos larmente a comunidade mas lembra-se de alguma notícia que ao longo do do tempo tenha pressionado mais por algum motivo como é que a recordaria hoje não sabe o problema fundamental aquelas notícias que normalmente são mais espavento são aquelas que são realizadas com questões marginais criminalidades Etc e sabe eu nisso sou muito frio sou muito racional não
perco muito tempo eu recordo-me quando foi enfim há muitos anos um crime numa praia lá p o lado da Figueira da foja Enfim uma coisa terrível aventou-se o folhetim durante dias e dias e aquilo não tinha outra importância que não constatarmos com um país onde há realidades que são marginais àquilo que nós podíamos chamar a normalidade da sociedade e que são depois transformadas em acontecimentos De primeira paz o grande problema é esse é que nós de há uns anos esta parte verificamos que a comunicação social está mais ao serviço não propriamente de uma comunidade que
precisa de estar informada no sentido positivo do termo para poder enfim tomar as suas opções e fazer as suas as suas escolhas exercer os seus direitos não é e naturalmente cumprir também os seus deveres para a maior parte das notícias hoje di são de alguma maneira mais lúdicas mais de Diversão propriamente it ainda que muitas vezes com conteúdos trágicos mas no fundo estamos a promover aquilo que não é propriamente o que nós poderíamos chamar de comunicação com interesse social no fundo portanto e não houve assim nenhuma notícia em particular que tenha recebido que que não
Eu recordo-me recordo-me por exemplo enfim hoje ainda fazem isso de mana não não não recordo-me de coisas que por exemplo quando houve o desastre de Camarate por exemplo recordo-me bem do impacto que teve no país a transmissão da notícia da morte do primeiro ministro não é sobretudo dele não não tanto doss seus companheiros de viagem e em que a própria televisão na altura rtp1 o Fernando balcin enfim que foi no fundo o homem que foi o pivô da Notícia o operador de câmara formou o cadáver jazente enfim há coisas que são só para alimentar um
conjunto de mentes um bocadinho mais patológicas quando não há Nada de maior reserva e de maior intimidade que a morte não é portanto as pessoas deviam respeitar essas situações porque a notícia é a morte de alguém não é a forma como a pessoa J no seu Enfim no seu leito de morte né e o grande problema é isso é que as pessoas e sobretudo nos últimos tempos desvaloriza-se sempre aquilo que são as dimensões mais importantes da notícia em detrimento daquilo que é menos importante e promove-se a menos Importância a digamos primeiras páginas sem nenhuma razão
de ser e isso a cmtv É artista nisso sim é sobretudo artista nisso posso perguntar-lhe se recebe no seu e-mail aqueles boletins o jornais meos de comunicação sim sim sim sim recebe recebe recebe resumos inclusivamente tem tem tem tem ISO isso é constante todos os dias e acompanha os que gosta de Procuro lê-los sempre né Muito B vamos agora voltar Novamente ao passado Sobretudo o estado novo Eh Que órgãos de informação consumia Então antes do 25 de Abril já me falou da notícia falou-me do Primeiro de Janeiro aqui da emissora Nacional ex Exatamente exatamente e
Claro na altura quando a televisão apareceu a grande novidade que ela tava que ela dava na época e havia alguns programas que a televisão tinha no tempo que eu gostava de ver Enquanto estive aqui depois quando Fi para a África deixei de ter Televisão mas por exemplo gostava imenso do programa ligado diretamente à Vida agrária pelo Engenheiro Fernando loso não é portanto gostava muito do folclore do na época do do poeta Pedro homem de mel TV ral TV Rural do Engenheiro Sousa voso Sousa voso programa sobre etnografia e folclore do Pedro Homem de Melo que
era uma coisa que eu gostava muito de ver via também de vez em quando comentário de natureza um pouco mais política ao financeiro do Gomes Ferreira Pai deste Gomes Ferreira que ainda hoje está em atuação na Sic e algumas coisas de resto não não havia muito mais a ver né e confiava nos meios de comunicação durante o estado novo ou desconfiava das notícias e eu não desconfiava das notícias o que se via claramente era que aquilo que aparecia aquilo que era permitido publicar e Lia O Expresso também na altura em que ele apareceu não a
partir de 73 não é eh aquilo que aparecia nos jornais nós Sabíamos perfeitamente que estava filtrado estava filtrado não é tinha conhecimento que havia cens Ah sim sim sim mas isso é evidente sofria as consequências disso e sofria as consequências disso sofria as consequências disso pois então acha que a censura terá influenciado a maneira como percepciona os acontecimentos e como os acompanhava a censura tinha pelo menos o meu ponto de vista uma uma uma missão naquela Época que era a missão do próprio regime de não permitir que o país fosse sobressaltado pelo menos em determinadas
áreas da vida que interessava a todos não é e eu falo fundamentalmente da época desde os anos 60 em que nós começamos a ter alguns Alguns enfim algumas derrotas na política do império né designadamente recordo-me bem o que foi a tragédia em termos noticiosos e que foi Profundamente reprimida quando foi a tomada de Goa pelos indianos em 1961 e o início da Guerra Colonial portanto são momentos que nos ficam porque procurava-se de alguma maneira e fazer com que não chegasse ao grande público a realidade da própria notícia a notícia era disfarçada como se fosse um
acontecimento que o regime tinha praticamente controlado Como foi o caso do assalto a Santa Maria enfim como foi o caso enfim do assassinato do Humberto Delgado de quem Aliás o meu pai era um adepto ferrinho não é como enfim outras épocas não é que interessaria muito se efetivamente As Pessoas Mais esclarecidas tivessem acesso a ela porque eh Como sabe também como eu o mundo da comunicação social é o mundo de gente esclarecida não pode ser o mundo de gente que obviamente apenas ouviu e vai apenas repetir aquilo que tem dou tiva como se fosse muitas
vezes eh firmeza de factos e às vezes não são Factos são coisas que já vêm completamente deturpadas né Ach e a filtragem e a censura das notícias terão influenciado da maneira como olhava para o mundo sim claramente claramente Mas eu sou muito mais adepto da autocensura eu não sou adepto da censura mas sou adepto da autocensura em que as pessoas têm que perceber que há coisas que se podem saber mas não se podem divulgar e sobretudo a boa gestão de tempo na forma como se divulgam as coisas não é porque Como sabe hoje há uma
pressa excessiva de fazer coincidir o facto com o tempo da sua Revelação evidentemente que isso não é próprio de quem anda à procura de Notícias é próprio quem anda à procura de entusiasmos e de grandes e de grandes enfim manifestações ruidosas muitas vezes quando a mesma notícia conhecida três dias depois não teria o ruído que teve quando foi conhecido em cima da época quer dizer o que importa aqui é a notícia não propriamente a gestão de Tempo em Jornalismo e a gestão de tempo em comunicação social é absolutamente essencial Eu costumo dizer que não foi
porque os ingleses souberam da morte do Almirante Nelson 15 dias depois dela ter ocorrido que não deixaram de se emocionar agora não tiveram foi as manifestações de Emoções apaixonadas não é que muitas vezes se soubessem em cima do acontecimento poderiam ter tido se calhar até com consequências muito negativas né costumava falar e comentar Com colegas as notícias durante o estado novo ou remetia se ao silêncio falávamos muitas vezes porque como como eu tinha e não só da guerra de muitas outras coisas como eu tinha a responsabilidade de ter que mandar uma crónica todas as semanas
para o jornal muitas vezes trocávamos impressões com outros que também colaboravam nos jornais na época e com outro tipo de pessoas né não apenas da Guerra porque a guerra Colonial para nós que vivíamos em África tinha uma Dimensão completamente diferente das pessoas que viviam aqui na metrópole não é portanto nós estávamos próximos como se costuma dizer da frente e sabíamos perfeitamente como é que as coisas se passavam Aliás não é nenhuma novidade para as pessoas atentas que durante a guerra Colonial morreu quase tanta gente na guerra como desastres na com babadeiras e outras coisas assim
portanto nós estávamos próximos do acontecimento e sabíamos perfeitamente Que a guerra para muitos de nós era uma questão muito distante muito distante em determinadas situações não é não era só da guerra era da própria vida da comunidade em que nós estávamos inseridos Eu recordo-me por exemplo quando em 1969 o Marcelo ketan resolveu fazer uma viagem às colónias e nesse caso passando primeiro por Angola e seguindo depois para Moçambique a enorme expectativa que essa viagem do primeiro-ministro do Presidente do conselho de ministros na época registou porque constava tinha havia o rumor de que o Marcelo cetan
nessa viagem iria procurar e comunicar às populações coloniais neste caso a Angola primeiro depois a Moçambique a autodeterminação das colónias que era uma pressão que na época existia imensa que é no plano internacional sobretudo de que se concedesse autodeterminação às colónias que se fizesse com que as colónias tivessem um governo próprio e Começassem na realidade a preparar-se para com o tempo aeder à Independência porque não havia nenhuma razão nem histórica nem política para que as colónias portuguesas ficassem como exceção num mapa que a partir do final dos anos 50 tinha começado a ser o mapa
das independências não é portanto não havia nenhuma razão para se pensar que Portugal não iria também ser afetado nas suas colónias pelo movimento das independências que tinha começado Praticamente a partir dos anos 50 logo que acabou a guerra né a Segunda Guerra Mundial e portanto O Marcelo quano é a primeira vez que eu vi durante o tempo em que eu estive em África uma manifestação imensa de gente que veio de toda a parte desde as Sans alas do interior dos quos de toda a parte receber o senhor Dr Marcelo quano em Nova Lisboa que era
a capital distrito por onde ele ia passar e passou efetivamente uma manifestação Verdadeiramente espontânea não se pode dizer que eram chefes de posto ou outros que arregimentava as pessoas para irem bater palmas ao Senhor Ministro nada disso manifestação espontania porquê Porque o rumor que era apenas um rumor quase se afirmava como uma certeza de que iríamos ter a oportunidade de ouvir o presidente do conselho de ministros anunciar em Nova Lisboa a autodeterminação da Angola com vista à Independência e a multidão reuniu-se no Largo do Palácio do Governo Civil do governo distrito de Nova Lisboa à
espera que o senhor professor Marcelo quean viesse à varanda do Palácio para dar essa novidade a multidão esteve e eu estive também eu falo com conhecimento próprio eu estive também até às 2 horas da manhã à espera que o senhor professor Marcelo quean fizesse essa comunicação e às 2as da manhã veio à varanda do Palácio apenas para dizer muito boa noite muito obrigado a todos pela Confiança manifestada mas eu não vos posso dizer aquilo que vocês estão à espera e pronto e que fez exatamente a mesma coisa quando tinha uma oportunidade porque a pressão era
muito grande em termos internacionais a África do Sul estava a passar por enormes dificuldades também de anunciar naquele momento que o Portugal iria iniciar o seu movimento de descolonização não perderam a oportunidade na reunião de Roma com o papa não é Quando foi que o Papa intermediou Paulo VI intermediou a possibilidade de falar diretamente com os chefes dos movimentos de libertação e portanto perdemos oportunidade e este assunto evidentemente num espaço de Imprensa Livre poderia ter sido devidamente escalpelado mas ali não foi porque uma imprensa com conteúdos enviados exatamente ex Exatamente exatamente eh e eh lembra-se
de algum acontecimento marcante para além da Guerra Colonial eh Que tem acompanhado pelos meios de comunicação durante o estado novo Eh assim a da Rainha da Inglaterra isso já não porque ainda era demasiado pequeno e quando ela veio ainda era demasiado pequeno não estava na escola primária né mas por exemplo tive um impacto muito grande e acompanhei quase todos os dias através da imprensa a guerra do vifra por exemplo que foi uma coisa horrível né e outros movimentos que entretanto Apareceram nas e acontecimentos nacionais como a campanha de Humberto Delgado a campanha de Humberto Delgado
eu era pequeno era muito pequeno né e acompanhou o meu pai né eí acompanhou o meu pai né e conhecia a al um dos materiais da campanha porque o meu pai tinha os em casa escondidos e a gente vios né e a visita do Papa em em 1900 67 em 67 estava em África portanto não acompanhei não acompanhei isso não porque não tínhamos televisão soubemos Depois no cinema através das Tais revistas que faam mas foi uma coisa muito muito ligeira né então o que é que se lembra hoje e das notícias sobre os principais acontecimentos
antes do do do 25 de Abril Olhe posso-lhe dizer exatamente o que é que foi o 25 de Abril para mim eu estava em Luanda na altura não quando se começa e a constar através da emissora nacional que tinha havido em Portugal um golpe de estado como se dizia né mas Ninguém sabia de nada Nós soubemos verdadeiramente o 25 de Abril no dia 26 no dia 25 de Abril passou Praticamente em colum para nós o acontecimento importante que na época tinha ocorrido aqui só no dia 26 É que percebemos o que é que teria acontecido
porque entretanto o governador de Angola eh foi demitido não é foi substituído pelo seu secretário-geral que era naquela época o Coronel suares Carneiro não é que veio depois a ser candidato à presidência da República cá né já como General nãoé mas acontecimentos marcantes nós não tínhamos essa possibilidade porque eles não chegavam ao nosso conhecimento quer dizer viver em África é uma situação e relativamente difícil de entender para quem nunca teve essa experiência eh a aquilo que na realidade nós tínhamos acesso nos jornais publicados era a notícias eu diria do quotidiano mas de um quotidiano praticamente
enfim Suave né notícias Propriamente sobre contendas sobre mesmo em termos internacionais etc tudo isso era filtrado né tudo isso era filtrado não portanto e não pôde acompanhar aquilo que aconteceu a 25 de Abril só a seguir eh e que meios de de de comunicação é que utilizava para se informar dos acontecimentos naquela época naquela época não tínhamos a hipótese que hoje temos porque enfim como sabe ainda não havia internet e portanto nós tínhamos que consumiam Aquilo que tínhamos a que teríamos acesso aquilo que nos davam não é o que eu me recordo justamente com o
25 de Abril eu era professor portanto estava já de regresso da África do Sul portanto já estava em Luanda e o que acontece é que quando professor era presidente de um júri de exames daquele ano letivo não portanto isto acontece em abril e os exames eram feitos a partir de junho e julho né E claro que o o movimento revolucionário em Angola praticamente Não existiu as coisas foram mais lentas foram mais lentas na medida em que a chegada dos movimentos de libertação da Angola que é do mpla da fnla e da unita caiu assistir porque
estava em Luanda na época foram bastante lentos e tardios não é e muito tíbios não ninguém encheu o peito não é o peito depois naturalmente encheram no mais a partir do mês de Abril e maio mes a partir de Maio e junho onde que começou a haver dissensões entre as Entre esses Movimentos mas eu enquanto presidente do juris de exame era constituído cada júri por três professores e um dos juris que eu próprio presidia fomos fazer exames ao colegio dos Maristas em Luanda né e obviamente já estávamos em pleno período de confusão com a mais
ou menos civil entre os três movimentos de libertação col Maristas ficava num local mais ligado para o bairro do cazenga portanto numa frente Que poderia haver balas cruzadas Não é eu recordo-me que íamos fazer uma prova oral a uma menina estávamos em frente a uma porta na mesa do Júri e eu disse à menina a menina vai puxar a sua mesa para trás porque nós vamos sair do ângulo da porta não a moça recua a mesa dela nós avançamos a nossa mesa para sairmos do ângulo da porta passados segundos de o termos feito entraram 30
balas dentro da sala né se não o temos Feito ficamos lá os três né portanto são acontecimentos que depois visto isto na comunicação social não encontra estas situações porquê porque obviamente cada um procura numa numa situação como esta primeiro salvar a vida não é e evidentemente que também não havia condições sequer para passar estas informações para redações que estavam completamente em Pânico já não portanto não há propriamente acontecimentos marcantes que diar assim foi realmente Uma jornada fantástica isso mas que meios de comunicação é que consumia era é rádio rádio rádio imprensa não havia naquela época
era a emissora oficial da Angola que era enfim aquilo que hav dava mais notícias e era mais credível embora tivesse também a rádio Eclésia ligada à igreja católica o rádio clube de Angola não é portanto havia outras rádios mas a emissora oficial era mais abrangente e teve conhecimento e Lembra-se e teve consciência da luta ideológica que se travou aqui em Portugal na na na comunicação social sim sim isso sim isso ecos disso chegava noos porque sobretudo das essencialmente no que acontecia na área das lutas académicas nãoé isso chegava porquê Porque fazia parte também da própria
política do regime de vez em quando a enviar embaixadas culturais digamos assim os orfeões de Coimbra enfim e muitos estudantes que nos transmitiam Mas após o 25 de Abril sim sim teve consciência de que a comunicação social em Portugal não cheguei a ter consciência disso porque a minha primeira preocupação eu assisto à assisto à proclamação da Independência de angola no dia 11 de novembro e no dia seguinte sou despachado para Sada da Bandeira portanto para a oila para ser o responsável pela Faculdade de Letras da Universidade de Loanda portanto saí do meio de confusão de
Loanda e vou para a Oila onde na altura já havia também conflito grave entre os movimentos de libertação neste caso concreto entre a unita e a fenel Contra o mpla a unita fen lá apoiada pelos sul-africanos e o mpla apoiada pelos cubanos na época né e portanto saí do foco propriamente dito da capital onde as coisas se sabem mais e as coisas são mais divulgadas para viver na Província profunda confrontado com esta realidade onde depois eu tive que sair naturalmente por causa das Consequências da Guerra Não é portanto não se lembra de de casos como
o caso República o caso nascença não houve ecos não tomei conhecimento dele a situação da Rádio Renascença também o caso da República Quando aconteceu já eu cá estava né portanto já pude acompanhar diretamente aqui e confiava na nas notícias que lhe chegavam após o 25 de Abril não uma razão muito simples sabe o problema destas coisas foi que a maior parte das redações desses órgãos de Comunicação social foram de alguma maneira tomadas por gente que não tinha nada a ver com a comunicação social aquilo que eu costumo chamar os rec deiros não é queriam era
dar recados não é e portanto assumiram controle muitas vezes de redações para utilizar as redações aproveito dos partidos ou dos movimentos aqueles estavam diretamente ligados havia algum meio jornalístico que tivesse confiado ou que merecesse a sua confiança nesse esp eu continuo a Dizer nessa época nessa época depois à volta da questão do jornal da República da Rádio Renascença etc Eu praticamente não Lia jornais diários Lia só o semanário expresso procurava só o expresso não é porque era de facto o órgão que era mais credível na época era mais equilibrado nãoé os outros sabiam que entretanto
começaram a ter alguma orientação ideológica a gente sabia perfeitamente que ao ler o diário notícias sabia que estava naturalmente a Consumir informações que eram fabricadas e que eram naturalmente detalhadas à medida de uma redação que estava perfeitamente identificada com o movimento que estava por trás rádios televisão na época a rtp1 eh não já não me recordo muito bem mas não era não era muito canal eu gostava mais da rtp2 aliás como gosto até hoje mas eram coisas fracas na época eram coisas muito fracas a vida em Portugal era muito para dizer que uma palavra só
era muito louca Naquela época né Há pouco assumiu-se como um retornado sim é o que eu sou eu sou um retornado n e acompanhou pela comunicação social portuguesa aquilo que se estava a passar com os R Ah sim sim sim acompanhei e Vivi diretamente eu vivi diretamente Porque durante o período que eu ainda fiquei em Angola depois da Independência não tinha nenhuma intenção de voltar para Portugal naquela época né como morava em Luanda mas tinha que ir dar Aulas aç da Bandeira viajava bastante ainda de avião fundamentalmente nos frend chips que ainda restavam e que
de vez em quando faziam escalas em algumas passagens entre as quais escala e Nova Lisboa e de facto era uma verdadeira dor de alma ver o que se passava no aeroporto de Nova Lisboa onde havia gente Há dias e dias e dias praticamente enfim numa Total abandono nãoé aband eu vi pessoas na época infelizmente fumava e quando ia de Loanda para SA da Bandeira levava na mala uns maços de tabaco que fumava na altura um marca chamada SL e quando fazíamos escala em Nova Lisboa saíamos do avião e eu aproveitava para fumar um cigarro nãoé
havia tanta gente ali deitada por todo lado né crianças adultos etc e há um senhor que me vê fumar e me pede um cigarro e disse dou-lhe dou-lhe um cigarro olha até tenho aqui na minha pasta se quiser até lhe dou um Ele em troca do maço de tabaco que eu lhe dei dei de bom bom grado nãoé entregou uma chave do automóvel dele que era um BMW na altura né que estava estacionado no parque do do aeroporto e disse olhe tem aqui a chave do meu carro fico-me com o carro por favor que eu
prefiro que seja uma pessoa generosa como o senhor que me acabou de dar um massa tabaco deixar ficar para estes bandidos foi a expressão que ele deu mas eu não quero a chave leva a chave de Recordação com o senhor eu não quero não quero nada em troca situações verdadeiramente dramáticas sabe e a vida era de tal maneira Mas lembra-se das notícias refletirem essa situação esse dramatismo não refletiam muito sabe nós quando tivemos que sair de quando eu tive que sair de sa da bandeira nãoé eu já estava lá em sa da Bandeira mais a
minha mulher eramos estávamos os dois únicos que vivia num apartamento que era da Universidade Ficava na rua central da cidade de Saada da Bandeira na época conhecida enfim como o picadeiro e era um vizinho nosso um moço não é Albino canito aqui natural de lomba de Amarante que era genro do encarregado geral das obras da Mota e Companhia que era uma grande empresa na época do pai deste atual presidente António Mota que estavam a construir várias obras importantes em Angola entre as quais a barragem de rua Caná e que tinha um gabinete na cidade de
Sada da Bandeira gabinete de planeamento e de projeto ligado diretamente à barragem de rua Caná e foi graças à mota e companhia e graças a esse gabinete que nós conseguimos sair da SA da bandeira com vida através justamente de um enfim apoio que nos forneceram de conseguirmos vir numa avioneta que nos permitiram tendo ido falar ao aeroporto de Sada bandeira com o general que comandava as tropas sul-africanas que estavam acortadas ali que nos permitiram deixar Estacionar uma avioneta para nos vir buscar e quem pagou a avioneta foi o gabinete do plano do coneno portanto eh
a vida era naquela época não havia tempo sequer para ler notícias nem sequer para estar à à procura de Notícias porque era uma coisa tão rápida tão atabalhoada sabe que a gente não tinha tempo para essas coisas não tinhamos tempo centrados sobretudo na sobrevivência ex na sobrevivência e sobretudo na vida né já cá estava em 25 de novembro de de de 75 não vim logo a seguir vim logo a seguir 25 de novembro ainda o passei também não acompanhou 25 de novembro ainda eu passei em Saada da Bandeira sabia o que se passava aí Porque
Tinha alguns militares que ainda aí estavam né que eram membros do mfa embora vivessem em Angola já bastante tempo como militares e que iam contando algumas coisas um dos militares através de quem eu soube mais coisas do que se passava no movimento foi curioso pelos militares E não pela comunicação não pelos militares Eu soube muita coisa da que estava a preparar com movimento para o 25 de Abril Eu soube do 25 de Abril muito antes do 25 de Abril através não altura do cornel pesará Correia que era um dos membros do mfa e que estava
justamente em Angola de quem eu era amigo e portanto encontrava variadíssimas vezes e me contava imensas coisas né e o processo agora vamos já dar um pequeno pulo no no no tempo o Processo de adesão de de Portugal às então comunidades europeias acompanhou acompanhei muito perto muito perto e cheguei e cheguei a dizer quando tive ocasião de o fazer cheguei a dizer ao Dr Mário Soares que tinha sido uma precipitação aquilo que foi feito nós não tínhamos não deveríamos ter aderido à à comunidade económica europeia na época em 86 porque não estávamos preparados para isso
nãoé Deveríamos ter esperado mais algum tempo sobretudo para De alguma maneira pôr alguns pensos nas feridas que tínhamos com as ex colónias procurar primeiro consolidar uma relação política mais ou menos estável com as ex-colónias que entretanto países independentes para quando entrássemos na Europa podemos dizer que nós representamos uma comunidade mais alargada do que nós próprios porque obviamente que era a nossa dimensão territorial que era a nossa dimensão humana que era os nossos Meios evidentemente nós continuávamos e continuamos a ser um país pobre a querer entrar num clube de ricos não é lembra-se de ter acompanhado
esse processo por alguns meios de comunicações acompanhar aqui aqui normalmente o que é que eu lia aqui enquanto eles estavam no ativo f liia o primeiro de janeiro que era o meu jornal de referência aliás onde eu trabalhei também como responsável da página da página cultural Era o jornal através do qual eu me informava mais O Expresso mais uma vez e de Lisboa a capital e o diário de Lisboa de vez em quando não mas sobretudo a capital que eu lia bastante e a e a a cerimónia de de da assinatura do tratado acompanhou acompan
emeto sim sim isso via em direto pela televisão sim Simão sim sim RP no jerónimos sim RTP que na época só havia essa né pois ainda só havia essa e a seguir ao 25 de Abril já em clima de De liberdade comentava as notícias com com famíliares sim sabe eu vim eu vim eu vim trabalhar eu vim Acabei por vim trabalhar para a Faculdade de Letras do porto que era uma escola onde havia grandes tensões internas entre facções política ou ideológicas designadamente entre os estudantes mas que tinham algum reflexo também nos professores e e portanto
eu chego à faculdade ledas a seguir ao 25 de Abril portanto em Janeiro de 1976 e que está-se a discutir na época em que eu chego justamente e já estamos depois do 25 de Novembro portanto já havia algum ajustamento de posicionamentos ainda não havia a lei cardíaca depois veio a proclamar a chamada governação democrática das escolas não não é que depois se veio ter que implantar e de que eu fiz parte na altura porque foi candidato com mais três colegas ao conselho diretivo da Faculdade de Letras do porto para tentarmos ganhar as eleições e retirar
de presidente da Faculdade de Letras do porto o Professor Óscar Lopes que na época representava evidentemente o Partido Comunista conseguimos ganhar eleições e portanto começamos a normalizar a vida dentro da faculdade mas até aí o clima era terrível dentro da Faculdade de Letras muito tenso muito tenso e muito recordo-me de primeira aula que eu dei Na Faculdade de Letras do Porto e na disciplina de literaturas africanas de língua portuguesa muita gente foi atraído pelo nome da disciplina não sobretudo aqueles que eram mais ligados a movimentos revolucionários anticoloniais etc e recordo-me que uma sala na entrada
da faculdade a faculdade na época era ali num Edifício mesmo em frente ao Hospital de Santo António onde é hoje neste neste momento está está estão lá as biomédicas nós ocupávamos Uma parte do edifício porque a parte de trás do edifício mais ligado ao departamento de química da Faculdade de Ciências e por trás tinha um instituto de medicina legal né Nós ficávamos com a parte da frente né logo na entrada na sala à direita eu dei a primeira aula e disse aos estudantes apresentei-me disse quem era que competências é que eu tinha na área qual
era o meu currículo na área e depois disse bom agora quanto à avaliação a avaliação tem as seguintes Regras eu vai ser imediatamente há um estudante que se levanta me interrompe Di não alto aí deve estar confundido avaliação não avaliação quem faz sobre nós se limite-se a dar as aulas que nós é que fazemos a avaliação e fez um um discurso um pouco contra mim contra mim não contra as circunstâncias que eu estava a anunciar de fazermos avaliação de acordo com as normas não e eu entretanto perguntei-lhe se já terminou não tem mais nada a
dizer não não tem Mais nada a dizer então em conclusão vemos na próxima aula a avaliação já sabem Quais são os critérios quem quiser ser avaliado e ter uma nota assinada numa pauta por mim é assim que acontece quem não quiser tá livre de aparecer ou não aparecer a avaliação na aula seguinte passados três dias as paredes da sala onde eu ia de novo dar a aula estava tudo fascista colonialista enfim era um ambiente absolutamente terrível na época nãoé Portanto nós não tínhamos tranquilidade para abertamente AG sentar e vou ler o que é que se
diz eu vou ouvir eu vou escutar não não havia hipótese porque era tanta informação contra informação era tanta mas comentavam ah sim sim isso sim muito intens intensamente muito intensamente eu fim essencialmente no meio Universitário ou também com os familiares com os familiares não percebe que quem veio de Angola veio com feridas sabe eu não trazia enfim grandes feridas Porque mas a minha mulher a minha mulher não nasceu em Angola mas foi para lá com três meses não é e portanto veio com 25 anos não é portanto era natural que no caso dela não fosse
uma retornada porque ela não estava a retornar a nada que conhecesse no caso dela era uma exilada não e não há dúvida nenhuma que os primeiros 3 anos de vida da minha mulher aqui em Portugal quando voltamos foram praticamente choro choro choro choro porque não se entendia não não se Identificava compreende o o seu meio ambiente não era este né claro que depois o tempo vai fazendo o seu trabalho e as pessoas acabam por se acostumar mas por exemplo Num caso eu voltei à África várias vezes sobretudo a Angola depois de ter saído de lá
a minha mulher recusa-se terminantemente a regressar terminantemente acredito n é e eh voltando agora à comunicação social lembra-se de acompanhar alguns dos grandes acontecimentos internacionais já Depois do 25 de abril e Até ao presente pela comunicação social ou assim alguns acontecimentos memória maior o maior acontecimento que eu me recordo de ter acompanhado foi justamente a queda do muro de Berlim portanto foi uma data em 1989 fundamental porquê Porque deu-se o caso de eu no ano anterior no ano 1988 no final do ano 88 estava eu na Hungria né num congresso e começo a ver chegar
ao Lago de baton em Budapeste perto de Budapeste na Hungria comboios e comboios e comboios que despejavam gente de República Checa na altura checo Eslováquia etc de gente que estava a fugir digamos assim da tensão desta Cortina de Ferro nãoé que começava a dar os sinais de que ela ia abrir-se iria cair nãoé porque entretanto o presidente Reagan fez todo o percurso Como sabe para o fazer e portanto recordo-me bem na altura inclusivamente acompanhar pelos jornais de própri jornais de língua inglesa de Budapeste justamente este movimento que era um movimento que dava já a ideia
de que iria haver qualquer coisa que que aconteceria com a Europa do Leste chamada cortina de ferro nos movimentos naturalmente do do do do sindicato Polaco não é da Solidariedade portanto havia e isso eu acompanhei com algum interesse relativamente de perto quer nos jornais depois aqui nacionais que erem revistas que eu próprio comprava o time acompanhei muitas vezes pel time Muitas vezes pelos jornais franceses também sobretudo a revista do figar e às vezes do próprio parates né para procurar de alguma maneira ter outra visão das coisas né porque me interessava consumia muito comunicação social pa
sim sim internacional sim sim sim eind hoje consumo nãoé eu mais algum acontecimento depois naturalmente mais próximos de nós aqueles que me recordam mais o que aconteceu Justamente na mudança de regime na África do Sul Interessou muito também não até porque eu tinha vivido lá e tinha percebido enquanto lá vivia o que era verdadeiramente o apart ali a gente se sente verdadeiramente e foi de facto para mim uma enorme alegria ter verificado que apesar de tudo o decler que conseguiu sendo membro naturalmente do partido Nacional conseguiu entender-se com o Mandela e fazer uma transição de
regime que foi exemplar na época hoje não diria Tanto na África do Sul mas naquela época foi verdadeiramente exemplar mas digamos então que até H 2000 e pouco usou essencialmente a imprensa para sempre sempre eu muito imprensa e sobretudo também muita Imprensa internacional leio Mita Imprensa internacional Há algum ao longo da sua vida algum meio de comunicação específico Noticioso que Considero que eu tenha marcado mais aquilo que eu lhe digo que me marcou mais durante este percurso todo que eu tive foi a revista à notícia em Angola notícia Foi a que me marcou mais porque
era de facto e uma síntese daquilo que era verdadeiramente importante de tratar queer dos problemas estruturais com que Portugal na altura estava confrontado relativamente ao regime Colonial que era justamente das coisas que eram mais e quase a notícia Do dia mas os articulistas da da notícia da revista notícia eram de facto muito bons muito equilibrados e tinham de facto bebido ou bebiam informações para poderem depois refletir nos seus artigos da Imprensa internacional americana sobretudo também imprensa brasileira na época era uma imprensa respeitada não é e eu também Lia bastante imprensa brasileira Sobretudo o estado de
São Paulo nãoé até porque tinha lá amigos a trabalhar e que Acabavam muitas vezes por me enviar às vezes até dentro de cartas alguns recordes do jornal para eu poder ter algum conhecimento direto mas e daqui em Portugal obviamente o que me marcou mais foi Expresso O Expresso e o primeiro de janeiro o primeiro de Janeiro era um jornal que eu gostava muito porque era um jornal muito em chuto era um jornal muito em chuto não era um jornal de de grandes não era muito ostentatório o homem que era o dono do Primeiro de Janeiro
era um homem muito equilibrado nessas coisas era um jornal que praticamente tinha publicidade portanto não precisava de alguma maneira de ceder a determinados espaços que gostam mais de de parangonas e gostam mais de sensacionalismo O Primeiro de Janeiro fugia a isso não é eu tive ocasião de o conhecer bem durante os 3 anos praticamente que estive a dirigir a página de artes e letras do Primeiro de Janeiro quando fui suceder ao Alberto Serpa que entretanto saiu fui eu que fiquei a dirigir a parte de artes e letras e conheci bem como era a dinâmica do
funcionamento do Primeiro de Janeiro ainda que já não em vida do seu Manuel pinta zevedo que já tinha morrido mas já na que entretanto tinha sido feito pel As irmãs dele e que depois deu o desastre do Primeiro de Janeiro quando foi o feito Amaral que tomou conta daquilo e considerar então fazendo um Balanço que as notícias que consumiu ao longo do tempo influenciaram a sua perceção e avaliação dos dos acontecimentos sim sim sim sim sim hoje hoje hoje estão absolutamente consciente que a comunicação social atual não tem a importância que tinha n nessa época
né nessa época tem uma importância extraordinária né É E e havia articulistas e havia de facto um jornalismo com grande qualidade que se Fazia nessa época né tu considera eventualmente que a memória que tem desses acontecimentos foi influenciada sem dúv sem dúvida Sem dúvida sem dúvida e as notícias são então importantes Claro que sim claro que sim é importante é que sejam de facto notícias não Portanto o grande problema é que a notícia é sempre Aquila que nós sabemos narrativa do passado e nós vivemos hoje muito de notícias para a narrativa do futuro não é
isso já não são Propriamente notícias são probabilidades são naturalmente especulações são se calhar prognósticos n é mas a notícia verdadeiramente e por isso é que o jornalismo anterior tinha essa marca distintiva é que não se fazia de Notícias futuras fazia-se de notícias sobre o passado era no dia seguinte que se fazia a narrativa do dia anterior hoje como sabe anuncia-se o dia seguinte e muito muitas vezes Ach que se anuncia para o dia seguinte não acontecem porque A notícia é depois de ter acontecido não é E isso tem uma influência muito grande porque nós hoje
percorremos os órgãos de comunicação social da Imprensa e não só faz-se muita especulação faz-se muito prognóstico não é e eu sou mais não pelo prognóstico Mas pelo diagnóstico não é portanto portanto continua a ser importante acompanhar as notícias me eu acompanho todos os dias eu acompanho todos os dias só que agora Por meios digitais não é Claro claro eh e lê e já Me disse que não usa redes sociais portanto eu tinha aqui uma pergunta redes sociais Não quis dizer nada acerca disso não partilha apenas aquilo apenas aquilo que leio sobre as consequências que as
redes sociais vão tendo nas diversas áreas de atividade Então vou fazer-lhe uma pergunta se se eh acredita que as redes sociais são um veículo para a desinformação e para a manipulação da da as pessoas eu diria que sim eu diria que sim e para muito Oportunismo né para muito oportunismo para muito viaris moo e para muitas situações que não são apenas de mera desinformação são objetivamente situações em que as pessoas procuram usar as redes sociais para construir modelos de desenvolvimento de si próprios e às vezes modelos de sociedade que são absolutamente abomináveis não é muito
bem eh fazendo também agora um apelo a à sua Compreensão e e ao longo de tantos anos já h a compreensão do do do jornalismo eh considera que houve mudanças significativas entre o que era noticiado e como era noticiado no passado isso sim e o e o e o que acontece ag isso sim grandes mudanças grandes mudanças eu recordo-me sempre se nós recuarmos aos anos 80 assim nadamente ao ano aos anos em que estivemos em que eu tínhamos a escola de jornalismo em que Jorge Pedro Sousa foi um dos brilhantes alunos da escola nãoé se
nós verificamos o jornalismo que se fazia na época e que você próprio tinha vindo da faculdade de ciências também fazia lá Rádio Universitária e portanto também Jornal Universitário portanto também se baseava muito na na comunicação social que na época existia eu acho que as pessoas eram sobretudo quem trabalhava na comunicação social era mais sensato hoje já já muito insensato ter no domínio do Jornalismo porque com a pressa com o afã de enfim das Caixas não é nem sempre se pensa nas consequências que tem muitas situações em que as pessoas eh São verdadeiramente perturbadas por notícias
que aparecem nos jornais pondo em causa a sua própria personalidade a sua própria identidade quando na verdade não há nenhuma razão para o fazer porque uma sociedade nunca se constitui por uma mulher ou um homem só a sociedade é um conjunto comunitário e o que se é Importante que o jornalismo procure naturalmente eh fazer é fazer crescer esta comunidade sobretudo naquilo que é verdadeiramente importante numa comunidade que é cuidar e cultivar o espírito cívico de uma comunidade ou seja e os países não são evidentemente que a maioria das pessoas que vivem num país não são
cidadãos são habitantes né e o jornalismo tem essa obrigação tem obrigação S de converter habitantes em Cidadãos ou seja fazer com que eles possam usar o seu direito de cidadania e o seu direito de cidadania é o seu direito de intervenção o seu direito de ter uma opinião fundamentada o seu direito de poder contribuir para Enfim no conjunto encontrar vias que possam ter alguma saída para problemas que nos surgem todos os dias né e e aproveitar para lhe perguntar e a propósito e as gerações eventualmente Terão formas diferentes de consumir notí is I Dizer Di
Mas é isso que eu ia dizer nós vimos de um tempo nós vimos de um tempo e o tempo da escola de jornalismo ainda era felizmente esse tempo em que a centralidade de uma comunidade era a pessoa hoje a centralidade da vida Comunitária é uma caixa de computador ou é um telemóvel compreende as pessoas hoje Não Contam e esse é que é o grande problema nós estamos a descartar pessoas estamos a afastar as pessoas Em detrimento daqueles que se deixaram completamente dominar pela tecnologia que é sempre Atrativa mas é Atrativa se nós tivermos com ela
uma relação de verdadeira ferramenta que nos serve de instrumento para resolvermos determinados problemas o que acontece hoje desde os consultórios dos médicos ou assim às salas de aulas etc a centralidade passou a ser a tecnologia e antigamente a centralidade era a pessoa porque é da pessoa que se constitui as Sociedades e é tentando justamente procurar ir ao encontro das necessidades das pessoas que se fundamenta a existência da política e que se fundamenta a existência de uma democracia esse aqui é o grande problema é complicado para o Jornalismo e atrair ao mesmo tempo as diferentes gerações
como acontecia antes dizia por isso é que eu dizia complicado por isso porque estamos hoje a viver um tempo que é verdadeiramente um tempo digital que Criou uma realidade alternativa H verdadeira realidade temporal E como sabe nós hoje vivemos duas realidades vivemos a realidade da fantasia alternativa criada pelas tecnologias e vivemos a outra realidade do tempo aquela realidade em que nós precisamos de viver e de sobreviver E essas duas realidades são muitas vezes antagónicas né porque se nós olhássemos o país pelas redes sociais não tem nada a ver com este país nada porque este país
tem Outra dimensão que é dimensão dos humanos que todos os dias fazem imensos sacrifícios para sair de casa e para o seu local de trabalho CONSEG ganhar honestamente a vida para poderem alimentar a família todos estes equilibres is não existem exatamente sem roubar malas É isso mesmo mas a digitalização que hoje tomou conta da vida das pessoas não é e o afã e a pressa com que as pessoas se hoje não será nem uma nem duas vezes que está Parado num semáforo que já abriu há há segundos e o indivíduo que está à frente está
mandar mensagens ao telemóvel quer se lá saber não é e outros muitas vezes até vão a conduzir e a tentar enviar mensagens ao mesmo tempo é uma situação totalmente distinta evidentemente que esta nova geração por força da socialização sentada que tem é também ela vítima desta realidade porque nós somos de um tempo e você ainda é felizmente também desse tempo em que a Socialização era necessariamente feita no tempo e feita com movimento não se podia socializar sentado com uma pantalha na sua frente em que pode enfim estar a conversar estar a namorar estar a fazer
o que lhe apetece através da pantalha né Isso é uma forma de tornar afastar as pessoas do centro da comunidade e pôr no centro da comunidade uma caixa aou uma pantalha ou um ecrã através do qual toda a vida se vai poder gerar isso é muito mau porque entretanto Como as pessoas se socializam sentadas como as pessoas se não tem idade de ler de ler na dimensão física do processo de leitura né começam a ter graves problemas queer desenvolvimento cognitivo quer obviamente ser capazes de interpretar corretamente os sinais que aparecem Naturalmente todos os dias né
e isso é uma realidade em que nós hoje precisávamos de encontrar soluções para convivermos com esta nova geração que é uma geração digital e portanto é uma Geração muito vidrada nas tecnologias e contra isso nada há a fazer é tentarmos encontrar um processo que sejamos capazes de explicar esta nova geração que a tecnologia é ferramental a tecnologia é uma ferramenta mas não a pode substituir ela própria não se pode deixar substituir e isso é um trabalho que as Universidades e as escolas têm de fazer porque isso é absolutamente necessário porque estamos a ficar estamos a
entrar num processo social Muito catatonico em que as pessoas não falam não metem-se com si próprias portanto põem toda a sua vida dependente do intermediário que é esta máquina esta esta tecnologia digital de comunicação que é muito prejudicial em determinadas situações confia no Jornalismo e nos jornalistas portugueses em alguns sim em alguns sim em alguns sim agora nos rec Madeiros não porque há uns que não são jornalistas né jornalista é uma coisa uma é uma dimensão profissional de Enorme seriedade em que é preciso que a pessoa tenha uma honestidade intelectual l prova de bala né
ainda tem assim algum meio jornalístico de referência português que que acompanha as televisões as rádios no carro eu eu diria eu diria que hoje o grande problema é que isto é muito contaminante isto é muito contaminante o próprio Expresso Por Exemplo foi um jornal que perdeu imenso porque se deixou contaminar né já não é Aquilo que era o expresso hoje é quase um instrumento veicular de marketing não é e de outras formas de vender outras coisas e a própria a própria dimensão de comunicação do jornal é muito de moda também é muito modista e nós
precisávamos que o jornalismo tratasse de questões muito estruturais e muito estruturantes o grande problema é temos nós jornalistas que sejam capazes que tenham essa formação suficientemente Sólida para tratar de questões estruturais mesmo que tenham que tratar também de outras questões que são acidentais mas que deveriam ser sempre relacionadas com as dimensões estruturais porque essas é que contam tentando naturalmente dar explicações para as questões acidentais que no fundo não têm a importância que muitas vezes lhes dão esse é o grande problema eu quase que adivinho a sua resposta Mas coloco a pergunta a relação com com
os Meios jornalísticos e a sua relação ao longo do tempo com os meios jornalísticos e foi uma relação em que aumentou ou diminuiu a sua confiança neste diminuiu diminuiu diminuiu e muito diminuiu e muito porque o grande problema é esse sabe a gente percorre Hoje os jornais mesmo que eu faça a leitura através dos meios digitais naturalmente gosto sempre de percorrê-los não é e e e não temos hoje no Panorama da comunicação social em Portugal não temos hoje nomes de referência que já tivemos portanto disse-me já que usa atualmente vários meios jornalísticos para se manter
informado na na atualidade eh considera que há vantagens em ter um consumo de diversificado de destes meios Ou acha que bastaria um ou dois enfim eu disso não poderei dizer porque enfim são projetos são projetos de são projetos de Economia só para lhe mostrar olha aqui olha aqui o que aqui Vai de comunicação né portanto tenho a possibilidade porque todos os dias recebo como todos os dias leio e descarrego naturalmente não mas o que eu lhe estava a dizer é isso é que há muitos projetos de comunicação social que são projetos de recados compreende e
o grande problema é isso é que a comunicação social é uma dimensão séria da nossa vida que não pode de maneira nenhuma passar a ser AC coimo de rec Deiros não é e de gente que naturalmente e tem uma limitação muito grande quer analítica quer sobretudo digamos assim de autoridade naquilo que faz não é e esse é que é o grande problema nós vimos naturalmente importante se a comunicação social é como é evidente importante para manter a coesão de uma sociedade de uma comunidade e para lhe dar de alguma maneira cultura cívica nós se fizermos
hoje uma análise sobre a comunicação social em que nós vivemos nesta Perspectiva da cultura cívica vou ali já venho né esse é que é o problema eh viveu em vários contextos geográficos portanto a geografia afetou a forma como con sim sim sem dúvida mas sem dúvida Sem dúvida sem hoje talvez menos Sim hoje menos porque enfim a idade depois também começa a ser um fator negativo Como sabe para ter paciência mas a web de alguma maneira acabou por e as redes sociis sim sim isso preenche isso preenche isso preenche preenche e e na Realidade por
isso é que eu não frequento redes sociais e nada disso não tenho tempo não não tenho o tempo e enfim aqueles que a frequentam encarregam-se me dizer o que é que lá se passa e para mim é t mal que eu não não estou interessado não estou interessado em frequentar esses meios com toda a sinceridade nesse aspeto vou morrer completamente analfabeto e então fazendo assim um balanço Como é Que vê de uma forma genérica a evolução do do jornalismo em Portugal ao longo da da da sua vida gostava eu gostava que o jornalismo em Portugal
voltasse outra vez a ser uma entidade confiável no sentido de que não tá em causa enfim que haja também lugar para meios de comunicação que sempre houve que vivem mais na margem da comunidade mais na margem do sistema exploram as suas fraquezas mas eu gostava mais que o jornalismo fosse uma Escola de Virtudes no sentido positivo da palavra não uma escola das fraquezas das fragilidades eu gostava que o jornalismo Voltasse a ser muito mais digamos heróico do que propriamente piccaro que estivesse a promover a categoria de Heróis que não vale um caracol nãoé e pudesse
na realidade enfim Celebrar os heróis que no fundo fazem da sua vida um contributo positivo para fazer com que a comunidade e a sua sociedade em que estão inseridos Melhor É nesse sentido e portanto o jornalismo tem essa dimensão né não pode enfim levar o tempo a vociferar que não há democracia sem jornalismo não há democracia com jornalismo desde que o jornalismo tenha qualidade quando o jornalismo é de má qualidade está a degradar a democracia quer dizer o acha acha que o jornalismo português hoje cumpra o seu papel então na sociedade portuguesa não porque eu
diria que Em algumas situações faz os mínimos noutras Não faz nada nãoé melhor existir ou não existir vai dar ao mesmo não é porque na realidade continua a alimentar mais aquilo que nós sabemos que as sociedades todas tê continua a alimentar mais um espírito patológico de alguma franja da sociedade do que própria cultivar a sua dimensão cívica a sua dimensão participativa a sua dimensão de envolvimento na própria vida democrática nãoé por isso é que eu digo quando jornalismo é mau degrada a democracia Quando jornalismo é bom fortalece a democracia e essa é que é a
grande questão mesmo por exemplo nos dias de hoje em que há jovens que não aderem aos e não aderem por causa disso justamente porque o grande problema é justamente esse compreende é que a tal realidade alternativa que a própria comunicação social também a ela aderiu confronta-se permanentemente com a realidade que eu diria normal que é a realidade do tempo da vida que se passa em casa das Dificuldades que os pais têm das dificuldades que têm as pessoas da sua geração da falta de emprego da falta de habitação da falta disto e da falta daquilo todos
estes temas são temas fundamentais para a coesão social são temas que alimentam a comunicação social todos os dias mas do meu ponto de vista não no sentido positivo Porque em vez de reflexão estrutural sobre estas matérias estão a veicular o quê os comentários das diversas forças partidárias que Procuram degladiar sobre coisas em que deveríamos todos entender-nos e que não deveriam ser situações de divisão entre nós não é eh para terminarmos gostaria de acrescentar algo mais sobre a forma como vê o Jornalismo e o consumo da Notícia o que eu gostaria o que eu gostaria de
dizer era justamente isso era que as instituições como a nossa instituições universitárias fossem capazes de perceber uma coisa que é eu diria quase Trivial nós não podemos estar a receber nas universidades jovens do Século XX com professores do Século XX e com infraestruturas do século X precisamos de tornar estas três dimensões as infraestruturas os docentes e os estudantes colocá-los num espaço em que possa haver convergência de objetivos e a convergência de objetivos é sempre a mesma do meu ponto de vista é fazer com que a geração seguinte seja melhor que a geração anterior e seja
Capaz de perceber que ou somos nós que cultivamos a dimensão humana das nossas da nossa comunidade ou ninguém o vai fazer por nós e hoje há um uma espécie de aliamento que a nova geração tem relativamente àquilo que é verdadeiramente institucional que são as instituições As instituições Como sabe tem duas dimensões que são absolutamente inultrapassáveis a dimensão normativa e a dimensão ritual não há instituições sem normas e não há Instituições sem rituais e Esse aspecto está-se a perder Ou seja está-se a pôr permanentemente em causa a dimensão normativa das instituições e sobretudo a sua dimensão
de ritualidade e quando assim é evidentemente que a instituição enfraquece e de alguma maneira torna-se hoje uma entidade descartável uma jovem geração que não se revê nesta instituição mesmo na Instituição jornalista sim sim mesmo na Instituição jornalista Quando falo de instituições Falo no sentido geral não não sentido particular no sentido geral não porque essas dimensões normativas são absolutamente essenciais e hoje vale tudo não e de facto não deve valer meso no jornalistas em todo o lado em todo o lado e esse é que é o grande problema e por eu acho que nós precisamos de
refletir mais sobre a coesão social diretamente articulada com a instituição que ição é absolutamente essencial por exemplo hoje sabe que nos meios de Jornalismo político fala-se muito do estado social o estado social o estado social mas só há estado social se houver estado assente numa iniciativa que é fundamental para que o estado social possa existir que é iniciativa privada Você não pode viver num país em que se ataca permanentemente a iniciativa privada em que os membros dos partidos Lucifer todos os dias contra privados contra privados contra privados mas a Verdade é que é o privado
que sustente o estado e sobretudo o estado social e São pessoas que ignoram inclusivamente que o estado é uma realidade histórica que emerge justamente da existência de uma iniciativa privada porque quando na velha cidade de estado do Atenas se criou o sentido de estado foi justamente porque digamos o conjunto da atividade de Atenas que na altura vivia sobre os fulgores das Vitórias sobre os os persas n Guerras nas guerras persas etc havia De facto um Fausto enorme aquilo que se podia chamar enfim a abundância que deu origem ao ócio na velha Grécia e à produção
da Filosofia mas em determinado momento os privados perceberam que se não houvesse uma entidade superior que regulamentasse que tivesse normas para que pudessem eles relacionar-se uns com os outros iam se calhar acabar numa guerra civil e acabar por se redimir uns aos outros Portanto o estado é uma entidade que é criação da própria Iniciativa privada Portanto o estado não é contra os privados e portanto não pode haver uma cultura de estado em que o estado Só se pode afirmar se for contra os privados que é exatamente ao contrário porque um estado forte só existe se
houver uma iniciativa privada forte que seja capaz de contribuir para que o estado tenha os meios indispensáveis para poder distribuir melhor a riqueza que todos produzem agora não pode haver é 70% a produzir Riqueza e 30% aver à conta dessa riqueza não produz nada não dá contributo absolutamente nenhum portanto desid des ideologizar tornar retirar mais ideologia desta relação e perceber que o estado social só é sustentável se tiver meios para poder honestamente prover a quem tem necessidade mas não estar a alimentar malandragem como muitas vezes acontece aqueles que têm necessidade obviamente porque T problemas e
que é são necessários ser integrados no Próprio estado também e para esses deve haver recursos para o fazer que são recursos de todos nós que no fundo convergem para determinados fins mas não pode haver obrigatoriedade de um estado social completamente à parte daquilo que é a vida de todos os dias da iniciativa privada porque há muita gente que tem imensas dificuldades e que lhe custa muito naturalmente porque trabalha para ultrapassar as suas dificuldades ir às 10 da manhã aos cafés da baixa do porto Ou aos cafés daqui da zona cheios de gente jovem que devia
estar a trabalhar mas estão lá não é o que é que estão a fazer como é que eles vivem de onde é que vê os seus proventos não é portanto isto é uma sociedade excessivamente ideologizada que há uns que defendem este tipo de sociedade para atacar aqueles que no fundo são que vão de alguma maneira produzir os meios através dos quais o estado pode depois como estado social ajudar este tipo de Desenvolvimento n Muito obrigado senhor Professor tempo que nos concedeu foi um prazer boa sorte para o projeto muito obrigado obrigado