novelo novelo Bem-vindo ao rádio novela presenta Eu sou a Branca Viana Deve ter gente que nem reparou numa chamadinha pequenininha do Jornal do Brasil daquele dia direcionando pra página da previsão do tempo Era um quadrinho dizendo assim: "Tempo negro temperatura sufocante o ar está irrespirável" Hoje em dia é difícil não imaginar que esse tempo negro com ar irrespirável era por causa de fuligem de queimada né mas não era isso Também não era por causa de nuvens escuras pesadas prestes a estourar num temporal A resposta estava na manchete daquele dia Governo baixa ato institucional e coloca congresso em recesso por tempo ilimitado Era o dia 14 de dezembro de 1968 e esse ato institucional era o A5 O país estava mergulhando no período mais sufocante e repressivo da ditadura militar Nos últimos tempos a gente aqui na Novelo tem revisitado essa previsão do tempo mas olhando para ela de outro jeito O que tem interessado a gente são histórias da ditadura que fogem da imagem que a gente tá acostumada Uma imagem bem particular de quem sofreu e de quem resistiu à ditadura Uma imagem que costuma ser justamente o oposto daquela previsão do tempo extremamente branca Em 2024 a novela produziu uma audiosérie original Audible chamada Chumbo Soul apresentada pelo Gilberto Porcidônio com histórias da ditadura da perspectiva da população negra E no episódio dessa semana no aniversário do golpe a gente traz mais duas histórias que desafiam o jeito que se pensa o impacto do regime Esse episódio aliás é um oferecimento da Audible o serviço de audiolivros e audioséries da Amazon Na Audible você tem acesso a milhares de audiolivros em português e histórias originais inéditas e imersivas A primeira história do episódio de hoje vai ser narrada pela Flora Thomson Devô logo depois desse intervalo [Música] curtinho No mundo acadêmico quando uma pessoa te conta o que ela anda pesquisando é comum cair numa de duas categorias Ou você não vai entender nem metade das palavras na frase ou você pode achar que o assunto é meio comum demais já tem gente demais estudando Com todo respeito ao Lucas a pesquisa atual dele tá nessa segunda categoria Parece uma coisa meio óbvia porque é basicamente o que se fala quando se fala de ditadura O Lucas Pedrete é historiador agora ele tá fazendo pós-doutorado na e o que ele anda pesquisando é a repressão e a violência na ditadura militar Mas a minha ideia é pesquisar a violência da polícia contra os chamados criminosos comuns presos comuns né porque tem uma certa ideia da ditadura de que de 64 a 85 a porrada caiu só na cabeça de estudante e de guerrilheiro Mas a gente sabe que a polícia brasileira é mais versátil do que isso Então o Lucas estava querendo mapear o que as forças policiais andaram fazendo nesse período Então pesquisando sobre esquadrões da morte eu achei uma uma matéria do JB a chamada era alguma coisa assim STM denuncia existência de esquadrão da morte no DOPS de Niterói O STM o Superior Tribunal Militar tava apontando o dedo pro dops de Niterói a partir de um caso que tinha chegado até eles O Lucas estava ali pesquisando sobre os esquadrões da morte e ele estranhou quando ele viu o nome de um réu Paulo José de Oliveira Morais Ele estranhou porque ele já pesquisa ditadura há um bom tempo Ele não tinha a menor ideia de quem fosse esse cara Mas ele ficou realmente intrigado quando ele viu uma declaração de um ministro da STM dizendo que esse caso o caso do Paulo José tinha sido mais importante até que o caso do Rio Centro E aí você para e pensa assim: "Bom mas todo mundo conhece o caso do Rio Centro e esse caso ninguém conhece Muita gente conhece mas não custa relembrar né pouco depois das 9:30 da noite uma bomba explodiu no Rio Centro As pessoas Rio Centro foi o o daquelas um daqueles atentados né a bomba que a extrema direita militar tava operando ali na virada dos 70 pros 80 na tentativa de interromper impedir a abertura política e fazer com que o regime assim voltasse né a aqueles auros tempos do AI5 né então militares vão ali no show no dia primeiro de maio né de comemoração Foi na noite do 30 de abril na verdade véspera do dia de primeiro O grande show era um tributo ao dia do trabalhador uma homenagem do Chico Boarquel Luiz Gonzaga com a presença do próprio e uma cacetada de outras nomes da música popular brasileira 20. 000 pessoas no Rio Centro que é esse centro de convenções na Barra na zona oeste do Rio E a ideia dos militares era fazer um ataque a bomba bem no meio do show E a ação seria atribuída a um dos grupos militantes da esquerda revolucionária que na verdade aquela altura já tinham sido completamente dizimados né nem existiam Só que a bomba explodiu no colo do cara O cara no caso era um dos militares que ia plantar os explosivos no Rio Centro Esse caso virou um marco da redemocratização mas ele por bem pouco não foi varrido para debaixo do tapete E uma das pessoas entre muitas que tentou ajudar a impedir que isso acontecesse foi o Júlio de Sabrimbar E o Birrimbar foi um dos um dos poucos caras eh que tá uma alta autoridade era um ministro do do STM que exigiu uma investigação séria aprofundada sobre o caso foi derrotado nisso né a investigação realmente foi arquivada mas o caso entrou pros livros de história E era esse cara o ministro Birrimbá que o Lucas tinha visto dizendo que para ele o caso do Paulo José tinha sido mais importante do que o Rio Centro Bom e alguma coisa aconteceu aqui O Lucas estava oficialmente encafifado Ele começou a puxar esse fio Tudo começa no final de 1974 com uma série de assaltos à agências bancárias em Niterói na Baixada Fluminense e na zona norte do Rio Eu ia dizer que eram assaltos bem comuns o que seria uma frase formulada para alguém que jamais cogitou assatar um banco e nem teve na mira de um roubo de banco Não sei se existe um roubo de banco comum mas o que eu queria dizer é que esses roubos não eram nada assim espetaculares Uns caras ficaram monitorando o banco entraram numa hora conveniente anunciaram assalto pegaram uma grana e meteram o pé Isso em uma agência atrás da outra Não vi registro de que ninguém tenha morrido nem tenha sido ferido mas essa onda de assalto estava ficando chata pra polícia sem falar dos bancários né aí em maio de 75 o Paulo José de Oliveira Moraes foi preso em Nova Iguaçu Quem que é o Paulo José que que a gente sabe sobre ele a gente sabe sobre o Paulo basicamente o que tá nos autos e o que tá no jornal Diz que Paulo era um fotógrafo de 27 anos mineiro residente de bom sucesso pai de dois filhos Ele foi preso por furto em Nova Iguaçu Não sei o que ele teria furtado porque isso não tá nos altos o que por si só já é bem esquisito Tem um formulário ali que diz respeito ao que a polícia chama de caráter e temperamento do suspeito Fuma sim Bebe sim Até aí quem nunca é de temperamento calmo sim Goza boa saúde não Sofre de hérneas quem nunca também qual o meio em que vive segundo a polícia o pior possível E o Paulo uma vez preso por furto em maio de 75 ele permanece preso e em julho 29 de julho ele é levado pro DOPS de Niterói onde ele confessa os crimes No DOPS o Paulo confessa ter participado de não um não dois mas de uns 15 assaltos a banco Aí tem a primeira coisa importante Assalto a banco naquele momento era um crime previsto na lei de segurança nacional porque desde o final dos anos 60 as organizações revolucionárias de esquerda usavam o assalto a banco como forma de né expropriar recursos para financiar a luta armada Dali em diante todo e qualquer assaltante de banco era julgado pela justiça militar Só que aí que tá O Paulo não era um revolucionário de esquerda nem de direita nem de nada Ele era só confessadamente um assaltante de banco Conversando sobre esse caso com uma uma pesquisadora Ângela Moreira que é a grande entendedora do STM eh ela usou um termo que eu acho muito importante que é esses produz limbo que é um limbo jurídico mas é fundamentalmente um limbo simbólico Ou seja esses caras não eram presos políticos mas eles eram julgados num tribunal instituído para julgar crimes políticos Então Paulo no processo diz que ele também respondia por Paulinho e Niterói o Paulinho cai nesse alçapão e acaba num tribunal militar E são vários casos para julgar né assalto um assalto dois assalto três Ele vai sendo julgado e vai sendo condenado porque afinal ele confessou né mas o advogado dele entra com uma apelação e aí o caso sobe pro Superior Tribunal Militar O Birmbar tinha entrado no STM alguns meses antes e no primeiro caso do Paulo José que o Birrimbar pega o STM anula a condenação dele Ele é condenado na primeira instância à revelia ou seja não foi possível encontrar o réu Eh então ele foi julgado e condenado a Reli E o STM percebe o seguinte nesse primeiro processo Ora o Paulo não foi encontrado porque ele estava preso Aí dificulta né então STM anula esse primeiro processo Aí vem o segundo processo pouco menos de um mês depois e o SM condena o Paulo E o Brenb fala: "Olha o Paulo não pode ser condenado e eu sei disso porque eu a revisor de um processo que ainda vai ser julgado mas que tem provas cabais de que ele foi torturado O Birenbar não consegue convencer os os outros ministros Dali uma semana e pouco esse caso do Paulo que o Birmarbar já tinha em mãos vai a julgamento na STM Aí comprova de forma cabal que ele tava sendo brutalmente torturado desde eh 75 no DOP Nisso já era 77 As provas eram fartas Os exames de corpo de delito mostraram sem sombra de dúvidas que o Paulo tinha sido violentado na custódia da polícia Segundo ele a tortura durou mais de seis semanas envolveu além de espancamentos choques elétricos e pau de arara E até por isso ele tinha sido julgado a revelia naquele primeiro processo porque logo depois desse período de tortura o tribunal começou a mandar ofícios paraas prisões do Rio perguntando se o Paulo José tava lá para ele aparecer no julgamento dele Esse ofício foi enviado para todas as as dependências do estado do Rio que custodiavam preço e ninguém falou que tava com o Paulo Dá para imaginar o estado em que o Paulo devia estar Melhor não apresentar esse cara porque vai dar ruim para nós né o STM absolveu o Paulo nesse caso mas lembra nessa altura ele já tinha confessado a autoria de uma dezena de crimes Só que você já deve estar desconfiado se é que não desconfiou de cara de como é que foram obtidas essas confissões Todas as confissões tinham sido obtidas na mesma tortura no DOP E o e o Birbar tá falando tenta falar isso Ele já foi condenado mas só tem uma confissão como prova E essa confissão a gente tá vendo aqui que foi obtida sobre tortura Mas os coleguinhas falam: "Veja bem cada caso é um caso Vamos avaliar tudo separadamente Eu sei você sabe O Bienemba sabia Não faz sentido Mas foi assim O Paulo continuou preso os casos continuaram correndo Vida que segue Só para relembrar o placar o Paulo já tinha tido um processo anulado tinha sido condenado num segundo agora ele tinha sido absolvido num outro Aí cai mais um caso na STM Quando o Paulo tá respondendo por um crime que ele teria cometido quando ele já estava preso porque o DOPS torturou ele obrigou ele a assinar várias folhas de confissão em branco e resolveu botar na conta dele uma série de crimes que aconteciam de assaltos a banco ali na época né ou seja não bastou torturar não bastou esconder o cara Eles também botaram um crime na conta dele que foi cometido enquanto ele estava preso Mais especificamente o Paulo foi preso em maio e teria assaltado um banco em junho Tem gravação dessa sessão no STM A gente falou dessas gravações antes no primeiríssimo episódio do Rádio Novela Apresenta o Vitor Hugo Brandaliz conversou com historiador Carlos Fico que estava mergulhando nesses registros desde que eles ficaram públicos em 2017 Mas enfim depois se eu ouvi esse episódio ou reouve só fica comigo para mais esse capítulo tirado das gravações da STM E tem esse audo das duas uma ou a polícia deixou ele sair para cometer o crime ou ele não pode ter participado Eu acho Quem diz isso não é nem o Birmembar é o relator da sessão o Gualter Godinho Das duas uma ou a polícia permitiu que o acusado deixasse a prisão para cometer o assalto voltando em seguida para o presídio ou houve manipulação nos reconhecimentos aí esta última hipótese evidentemente parece ser a mais verosina Eu acho mais provável a segunda hipótese Acho que dá para sacar pelo tom do relator qual foi o desfecho desse caso O negócio fica tão explícito que ele é absolvido Ao ser absolvido eles remetem os autos do processo pro governo do estado do Rio e falam assim: "Olha governador investiga a tua polícia tá torturando" E o governador fala: "Não jura. " Nossa que novidade E e pior que ele faz isso de fan ele nega né não O caso vira escândalo da manchete que nem aquela manchete que fizgou Lucas lá no começo da investigação Tem editorial no Globo parabenizando a STM por ter feito a coisa certa Só que o Paulo José continua preso por causa dos outros assaltos No ano seguinte vem a apelação final e depois de ter visto tudo que a polícia aprontou com Paulo o STM raciocina assim E os outros ministros vão falar: "Olha tudo bem a gente a gente absolveu ele naquele caso mas nesse aqui há fartas provas de que ele participou do assalto a despeito da tortura" Eles vão falar isso Fal só que essas tais fartas provas eram meio esquisitas Um exemplo é é uma pessoa que aparece como testemunha no processo e que fala que reconhece o Paulo mas ele reconhece o Paulo como cara da foto que havia sido apresentada para ele na delegacia como o culpado Então não vou entrar nas minúcias do que aconteceu com cada caso O Lucas até me mostrou uma planilha que ele fez organizando a linha do tempo de tudo mas é um negócio de maluco O que você precisa saber é que e eu já falei essa frase umas três vezes nessa história o Paulo continua [Música] preso Eu não sou nenhuma Carlos Fico mas agora posso dizer que ouvi algumas horas das gravações do Superior Tribunal Militar Tá aberta a sessão senhor secretário Que ler a ata Ata da sessão em 28 de novembro de 1978 E numa delas o Birmbar tá particularmente pistola É aquela sessão em que eles descobrem grandes detetives que o Palo tinha sido condenado por um crime que ele teria cometido quando já estava preso Senhor presidente senhores ministros eu hoje estou aqui lavando as minhas mãos Nesse dia o Berimbá chegou solando Ele já tava lidando com os casos do Paulo José há mais de um ano E ele assim como eu nessa altura do campeonato tava cansado de repetir as mesmas coisas No dia 16 de setembro de 75 ele foi condenado como revel Se Vossa Excelência está lembrado foi o dia que eu declarei que eu ousava declarar que sabia onde estava o réu que o réu estava preso no DOP de Niterói pelo menos desde o dia 29 de julho Ele parece que tá realmente indignado de tá vendo aquilo na cara dele e o e os outros ministros assim fingindo que não estão vendo Ele tá puto com os colegas de tribunal e tá puto com o que tá rolando lá fora também que até hoje o governo do estado do Rio de Janeiro não se dignou a a prestar as informações a este tribunal as informações de uma decisão unânime unânime porque calcada em laudos do Instituto Médico Legal E sim é o que tudo indica esse barulho é ele batendo na mesa Então Birbar é esse cara que não era um comunista não era um guerrilheiro Ele fala em entrevistas que é a favor da pena de morte para terroristas por exemplo Então não era exatamente um não é exatamente um cara de esquerda né ele é só um cara que entra no STM já no período ali da redemocratização da abertura política né 77 e defende algumas ideias assim talvez radicais pro período tipo essa tipo ele fala eh como é que é preso não pode levar bordoada quando ele apareceu como arrepentado eles sabiam que o réu não tinha condições de ser apresentado Um velho conservador branco que acha que tortura talvez não seja um negócio tão legal assim Só é só isso que ele acha mas é incapaz em vários dos processos de de digamos assim convencer seus eminentes pares eh pela absolvição né é o cara que acabou de chegar na função tá indignado com tudo e os outros veja bem calma aí senta lá Ah calma novato Você vai entender como funcionam as coisas aqui né eu disse declarei mais de uma vez aqui que a continuar a coisa como estava nós íamos ainda ter processos em mãos ainda vinham aparecer processos em que apareceria o réu assaltando o banco em dia em que estava preso Eu declarei isso aqui em votos no ano passado longe longe de de esperar este processo Eu não sabia que esse processo e a coisa se realizou Teremos nós estamos aqui para fazer justiça e justiça fazemos a qualquer custo Daí a minha vem nesses casos porque me repugna ver a leviandade com que empurram para uma cadeia passar 20 anos 20 anos a condenação para sair daqui condenado por por absolvido por unanimidade porque nós chegamos à conclusão que ele não podia estar condenado E eu peço desculpas pela via imensa mas hoje eu estou lavando as mãos Então Birá fala isso um absurdo que os jornais falam: "As instituições estão funcionando que bom é parabéns.
" Eh e aí e aí ele fica preso ele fica preso e acontece um negócio no final dos anos 70 que é a lei de anistia Que que é a lei de anistia ela anistia os as pessoas condenadas pelos chamados crimes políticos E aí é quando o nome do Paulo começa a aparecer num outro conjunto de documentos Esses documentos eram listas produzidas pelos órgãos de repressão dizendo quem não ia receber anestia Tinha dois tipos de gente nessa situação Pessoas condenadas pelos chamados crimes de sangue que é o termo que a lei de anxia usa e os presos não políticos Mas alguns desses presos não políticos começaram a se revoltar com isso Nós fomos condenados pela mesma lei que eles Quando começa a se debater uma anistia que vai beneficiar né os os condenados por assalto a banco só eles são beneficiados Então dizer a isonomia só funcionou na hora de [ __ ] a gente né fica na hora de Nessa época os próprios presos não eram as únicas pessoas engajadas nesse debate Em 1978 tinha sido fundado um movimento negro unificado contra a discriminação racial ou o MNU O movimento surgiu justamente de um caso como do Paulo José Em São Paulo um homem o Robson Silveira da Luz foi acusado de roubar frutas de um caminhão O Robson também foi preso e também foi bárbaramente torturado E ele morreu por causa dessas torturas E naquele mesmo ano o MNU foi participar dos debates sobre a anistia Movimento negro unificado vai lá durante os debates pela anistia e fala: "Olha esquerda isso aí que vocês estão falando de presos comuns e presos políticos pra gente é uma divisão que não faz sentido Pra gente todos os presos comuns devem ser beneficiados pela anistia porque a gente tá falando de um sistema racista de um sistema de classe portanto eh que todas as pessoas que estão sendo eh eh punidas pelo Estado são vítimas de uma violência política né o MNU fala isso no interior do Comitê Brasileiro de Anistia e é derrotado nessa proposta né essa denúncia do MNU de que os presos comuns majoritariamente pretos e pobres eram também presos políticos Isso vale pro Paulo também Ao longo dos documentos a classificação racial dele oscila O Paulo tem uma classificação racial dúbia Ora ele aparece como branco ora ele aparece como pardo O que fica evidente disso é que se há essa dúvida a gente sabe que ele não carrega os símbolos da branquitude que garantem né a proteção e eh inequívoca a ele né então ele tá o Paulo não foi antiado ele continuou preso e em 1983 ele apareceu de novo no jornal No jornal Última Hora o nome do Paulo aparece numa grande matéria sobre a a fuga de integrantes da falange vermelha E ao lado do nome do Paulo o nome do William da Silva Lima aparece como um dos fugitivos O William da Silva Lima era um daqueles presos comuns que estava se revoltando com o tratamento que eles recebiam da justiça Ele passou paraa história como professor William um dos fundadores do que veio a ser o comando vermelho Essa foi a última notícia que o Lucas achou do Paulo até agora essa fuga ao lado do professor William de novo né a gente é obrigado a pensar assim é o peso que o estado tem na construção dos grupos criminais porque assim o cara tá apanhando desde 75 né tá se [ __ ] desde 75 na cadeia Em 83 ele aparece como integrante ali de uma organização que surge no interior dos presídios né [ __ ] se esse cara tivesse tido a dignidade respeitada tivesse sido absolvido diante da tortura se não tivesse sido torturado DPS será que ele teria né ido parar num numa organização como essa assim isso vale enfim para para hoje até hoje de forma muito brutal né como a gente segue produzindo fortalecendo as organizações criminosas a partir desse super encarceramento A gente não sabe e hoje dificilmente vai saber se o Paulo efetivamente assaltou algum banco mas depois do que ele passou ele tinha motivos de sobra para se revoltar que é um caso por exemplo que não é tratado no Brasil nunca mais Que que é o Brasil nunca mais aquele grande projeto que foi feito por advogados de presos políticos a partir da anistia né quando eles começaram a poder levar os processos para casa né e começaram a fotocopiar de forma clandestina os processos Copiaram 707 processos se eu não me engano em 85 publicam o Brasil nunca Mais que é esse livro Paulo José não entrou por essa história porque ele não seria um preso político Ninguém achava que ele era um preso político Ele era só um cara brutalmente torturado eh cujas torturas se tornaram públicas a ponto de erar um debate naquele momento E é muito simbólico isso de não entrar no no Brasil nunca mais porque é isso a gente tá dizendo nunca mais esse tipo de violência e os outros depois a gente fala Exatamente isso Exatamente isso O que que não pode acontecer o que que não pode se repetir bom não pode se repetir é jovens brancos estudantes serem presos torturados por defenderem ideais de liberdade Agora pô um cara preto né talvez um assaltante de banco né levar umas bordoadas como diria o próprio Berrembá Ah isso aí isso aí faz parte né isso aí faz parte do que a gente conhece como a atuação da polícia como atuação do estado Isso faz parte da normalidade né tem uma certa narrativa sobre a ditadura um senso comum que o Lucas quer ajudar a desmantelar Ou seja a gente sabe que a polícia na primeira república tinha uma uma atuação racista de controle social e sabe que a polícia hoje tem essa atuação e pensa na ditadura e e existe muito pouco material sobre isso muito pouca pesquisa O tipo de violência que antecede o golpe 64 atravessa a ditadura e permanece até hoje ficou nesse lugar de algo que faz parte do nosso horizonte do que é comum né eu acho que esse nome essa ideia de preso comum é muito é muito forte Não isso é comum Isso não isso é normal Isso faz parte da normalidade Isso faz parte de como as coisas acontecem no Brasil Isso pode acontecer O que não pode acontecer é um estudante da PUC ser torturado no DOP de Niterói né essa pesquisa do Lucas à primeira vista pode até parecer mais do mesmo Afinal só para lembrar ele tá pesquisando a violência do Estado na ditadura militar mas o enfoque dele nos crimes comuns esse olhar crítico dele faz a gente enxergar o período da ditadura de uma forma diferente O que acontece quando a gente entende um preso comum como um preso político talvez um primeiro passo seja tirar essa palavra comum do lugar do óbvio naquilo que nem merece ser olhado naquilo que não merece ser guardado na memória ou estudado Tem só uma foto do Paulo José nos altos uma 3x4 bem estourada que o Lucas me mostrou Parece uma foto de carteira de trabalho Ele tá usando terna e gravata com colarinho alto super ano 70 Ele é um cara magro cabelo curto maçãs do rosto altas A boca dele tá entreaberta e o olhar tá quase perdido Parece que ele tá vendo alguma coisa que a gente não enxerga Essa foi a Flora Thomson Devô com o Lucas Pedret O segundo ato do episódio de hoje tem uma narrativa um pouco mais familiar de resistência à ditadura Mas eu aposto que você nunca ouviu falar da protagonista dela Quem vai contar essa história já já depois desse intervalo é a Natália Silva Eu não sou muito chegado em mitologia grega mas calhou de um mito encaixar muito bem com a história que eu vou te contar O mito é assim: quando Zeus sempre ele venceu a batalha contra os titãs e passou a reinar no céu ele percebeu que tinha faltado uma coisa um registro A história aconteceu mas ninguém contou para ela virar a história com H maiúsculo Aí Zeus que resolvia vários problemas tendo um filho foi lá e se juntou com a deusa da memória a Minemini Nome estranho eu sei Da união deles nasceram as musas mulheres que iam ter como missão de vida testemunhar e relatar a glória dos deuses Como eu disse eu não sou chegada em mitologia grega Quem me falou da deusa da memória e me jogou numa espiral tentando descobrir mais sobre ela foi o Paulo César Ramos Eu faço muito poucas menções a a mitologia grega mas a ideia de de memória ela tem a ver com essa essa ideia de fazer lembrar e é fazer lembrar para fazer viver O Paulo César é sociólogo e ele tá à frente de um trabalho centrado nessa ideia de fazer lembrar para fazer viver Ele coordena o projeto Afromemória do Cebrap que é um centro de pesquisa O objetivo desse projeto é resgatar a memória do ativismo negro no Brasil nos últimos 40 anos Acho que para entender qualquer fenômeno social que se desenrola no presente em algum momento a gente precisa se voltar pro passado Daí a importância de ter um registro do que aconteceu Mas tem uma particularidade no caso das pessoas negras na verdade de pessoas marginalizadas que é o fato de que a memória do passado muitas vezes não existe ou se ela existe ela é distorcida O movimento social negro ele sempre se construiu precisando recriar o passado e restabelecer uma narrativa que não era aquela que o mundo havia projetado sobre os negros O passado precisa ser remexido precisa ser recontado para que a gente projete sobre o presente uma outra sombra do que nós fomos Um dia quando Paulo já tava fazendo esse trabalho ele foi para um evento e lá ele encontrou uma conhecida e eu falei das coisas que eu tava fazendo né ela falou assim: "Ah eu também tô cuidando da memória de uma pessoa" Eu falei: "De quem? " "Da minha tia Elenira" Eu falei: "Elenira" Ela falou: "Enira Rezende" Eu falei mas eu conheço a Elineira Rezende ela é nome de DCE DCE é uma organização estudantil que as universidades o diretório central dos estudantes Elenira Rezende é o nome do DCE da Unesp Mas a Marta me apresentou a pessoa por trás do nome Eu me chamo Marta Costa Eu sou sobrinha né da Elenira Rezende Ela é irmã mais nova da minha mãe A Marta Costa é uma dessas pessoas que você sabe que faz um monte de coisas e você não sabe dizer direito de onde você conhece mas você acha que você conheceu sempre Acha Tipo Paulo achava que sabia quem era Elenira Rezende mas ele descobriu que não Eu não fazia ideia de quem era Elenira Rezende O motivo de Elenira ter virado um nome tão importante você vai entender aos poucos Até porque também foi assim com a própria Marta Na verdade assim sempre existiu muito tabu dentro da nossa família com a história da Elenira Então a imagem que ela tem Lenira foi entrando em foco devagar Não ajudava o fato de que a Marta nunca conheceu a tia dela Eu nasci um ano depois que ela foi assassinada né então eu acho que a primeira memória que eu tenho era da minha tia conversando com a minha mãe Olha eu acho que ela estava mesmo no Araguaia né e eu acho que ela foi assassinada A Marta não fazia ideia do que auaia significava A tia dela foi uma das militantes assassinadas pelos militares na guerrilha do Araguaia em 1972 E o tabu na família não era porque eles não concordavam com o ativismo político da Elenira mas por medo por motivos óbvios né e a minha família foi muito perseguida muito torturada né mesmo depois que ela foi assassinada o exército continuou a buscar as minhas tias para levar pro DOPS para prestar depoimento Então eu acho que era natural né que eh as tias quisessem proteger seus filhos né que a gente não se envolvesse porque tudo era muito perigoso para elas né então fazer o que ela contou pro Paulo que tava fazendo cuidar da memória da tia não foi um caminho natural Eu sempre tive muito interesse pela história da tia Eu procurava os livros li escondida mas quando eu comecei a minha trajetória profissional e né e foi nos movimentos sociais não tinha muito como fugir né porque quando descobriam que eu era sobrinha de Lenira eh é meio que assim né os movimentos estudantil todo mundo fica muito emocionado Nossa a sobrinha da Elenira e tal ela é um mito né a pergunta que me fazia quem era essa mulher responder essa pergunta sobre qualquer pessoa é difícil A identidade é uma coisa muito complexa Mas eu vou te dar os dados básicos que também era o que a Marta tinha nessa altura A Elenira Rezende de Souza Nazaré nasceu em janeiro de 1944 e viveu a infância e adolescência numa cidade no interior de São Paulo chamada Assis numa casa cheia de mulheres Eram seis mulheres que são as irmãs né a minha avó e a minha tia avó Então eram oito mulheres e um homem Ele era o único homem né o único homem era o pai delas o Adalberto que é uma figura interessante por si só Meu avô foi o um dos primeiros médicos negros que se formou em Salvador na Bahia na década de 20 Ele era um humanista né para não dizer comunista ele era um humanista O Adalberto de Assis Nazaré decidiu fazer medicina porque ele viu o impacto que tinha pra gente pobre como ele não ter acesso à saúde Então quando ele se formou ele se mudou para uma cidade na Bahia onde não tinha médico chamada Irará Foi nessa cidade que ele conheceu a Eutia que ia ser mãe das filhas dele Esses detalhes da história da família foram contados numa entrevista que o pessoal do Sebrap fez com as irmãs Rezende que ainda estão vivas A que mais falou foi a Elenalda Rezende que durante muitos anos foi a responsável por cuidar da memória da Elenira Então ele foi para Irará onde não tinha médico Ele era o único médico lá na cidade e ficou conhecendo minha mãe que era uma pessoa da igreja que vivia na igreja que cantava no couro da igreja Minha tia tocava o órgão e minha mãe cantava E ele conheceu assim passando na praça da igreja pelo menos que ele contou ele ouviu a voz uma voz bonita tal ele quis saber quem tava cantando e era a minha mãe Aí ele entrou na igreja só para ver quem tava cantando Os dois se casaram e se mudaram pro interior de São Paulo onde a família foi crescendo A Elenira nasceu em 1944 As irmãs contam que a mãe era meio contra a ideia de que elas estudassem Mas o pai sempre incentivou muito Dentro daquela casa de oito mulheres ele fazia todo mundo ler jornal e promovia debates políticos diários depois do jantar Você ter uma ideia o castigo delas era tipo fez alguma coisa errada ah não vai ler Marx entendeu a Elenira cresceu nesse ambiente familiar super politizado e levou isso para fora Ela fundou o Grêmio Estudantil da escola onde ela estudou durante a adolescência dava entrevista na rádio e subia em palanque fazia discurso Então ela já tinha essa essa veia política mesmo né em 1965 um ano depois do golpe militar ela se mudou de Assis para São Paulo para estudar Um caminho que as outras irmãs tinham feito com o apoio do pai sob uma condição Vocês não se envolvam com política vão pra faculdade pode frequentar Grêmio pode participar de manifestação mas não entre em liderança Ele falava muito A Nira foi desobediente O medo era que elas fizessem isso longe dele numa cena política muito mais arriscada Mas a Elenira não obedeceu até porque ela entrou no curso de letras da USP um lugar com uma concentração bem alta de gente metida com política por metro quadrado Não demorou muito para ela começar a frequentar as uniões da UNI a União Nacional dos Estudantes Em 1968 quando aconteceu um congresso histórico da UNI em Ibiuna ela tava lá histórico porque os militares baixaram lá e prenderam um monte de gente inclusive ela Mas mesmo depois de passar vários dias presa ela não se intimidou nem se afastou do movimento estudantil muito pelo contrário Em 1969 ela se tornou a primeira vice-presidente negra da UN Mas o pai dela não viveu para ver isso Ele morreu um pouco depois do golpe de 64 segundo as filhas de desgosto E ela trazia referências importantes paraa luta né era diferente dos colegas dela A maioria da geração dela nega o racismo abraçou né a democracia racial Quando ela chegou à diretoria da UNI a Elenira já estava vivendo na clandestinidade Ela teve que se afastar da família com medo de ser pega e presa de novo Durante um tempo a única pessoa que sabia onde ela tava era Elenalda Depois ela começou a falou que eu não ia mais saber onde ela ficava porque a polícia tava apertando o cerco e aí eu não sabia mais onde ela ficava Gozar que foi pouco tempo parece que é tanto tempo Foi pouco tempo porque ela foi para pro Aragua em 69 Antes de partir para São Domingos do Araguaia no Pará a Elenira foi vista pela família uma última vez Ela veio no meu casamento A noira tava arrumando o meu vel que eu casei na igreja bonitinha né ela ajudou a Noira Depois eu falei não era foi a Nira mesmo que veio no meu canal foi a Nira Falei: "Eu pensei que eu tinha sonhado porque eu vi a Nira quando eu entrei na igreja a hora que eu saí ela não tava mais né ela veio escondida Depois disso sumiu a Elenira e nasceu a Fátima com o de nome que ela usava na Araguaia A guerrilha do Araguaia foi uma guerrilha rural muito inspirada por três acontecimentos históricos: a guerra do Vietnã a revolução chinesa e a revolução cubana Três episódios em que o papel dos camponeses foi crucial Eu não vou entrar em detalhes aqui para onde esses acontecimentos levaram depois ou como eles são vistos pela história hoje mas naquele momento eles serviram de inspiração paraa resistência contra a ditadura militar Em 1967 o PCB o Partido Comunista Brasileiro decidiu que a Amazônia ia ser pro Brasil o que as trincheiras no meio do mato foram paraa Cuba um lugar onde a revolução ia florescer na junção entre três estados brasileiros o Pará o Maranhão e o Tocantins que ainda era Goiás nessa época Era uma região isolada Era não é até hoje você chega você chega de Marabá e pega uma estrada de terra sei lá uns 10 km e aí você vai atravessar você tem uma balsa que vai fazer a travessia né do rio Araguaia para São Domingos da Araguaia que era onde ela ficava né do lado de cá do rio as casas são de pau a pique são casinhas de madeira muito pobres mesmo As mulheres lavam roupa na no rio na época da cheia aquilo eh enche né então as casas são meio levantadas assim né para poder dar vazão pra água Daí você atravessa o rio de Balsa e aí a hora quando chega do outro lado você se depara com a com a mata amazônica e é a selva A Marta foi para Araguaia perto de 2010 Ela e outros familiares viajaram para lá em busca de respostas do que tinha acontecido com os guerrilheiros Os primeiros chegaram lá em 67 Eles se assentaram e estabeleceram uma relação boa com os poucos moradores que tinham ali Eles fizeram muito bem pela comunidade né e quando eu digo eles é porque a gente não sabe a gente sabe algumas histórias mas todos tinham um papel importante né a minha tia era escola e ajudava também né a fazer patos enfim Então tinha toda uma relação com a comunidade né era uma vida dupla Tinha o momento de treinar paraa guerrilha pro confronto com os militares e tinha um momento de dar aula fazer parto trabalhar na farmácia ajudar a consertar uma casa enfim cada um fazia o que sabia fazer Eles são muito queridos naquela região A memória deles é muito viva Quando a gente estava lá no São Domingos da Araguaia os moradores iam lá de madrugada no hotel procurar a gente Olha eu conheci a pessoa tal A primeira Elenira que eu conheci foi lá Eu fui para uma praça que eu tava lá pensando e de repente eu escutei: "Elenira vem aqui" Eu falei: "Como assim né? " A hora que eu olhei uma menininha saindo correndo batizada por Elenina você entendeu então você imagina como isso passou né e furou as barreiras para essa geração de hoje tá batizando uma criança com o nome de Elenina Elenira se há de concordar comigo não é um nome comum Foi uma invenção dos pais dela As irmãs todas têm nomes começando com Elê Elenalda Elenoira Eleneid Então se você conheceu uma Elenira tem uma chance altíssima de o nome ser uma homenagem a essa Elenira A filha do Chico Mendes chama Elenira em homenagem a ela A família da Elenira passou muito tempo sem fazer ideia do que tinha acontecido com ela Foi só em 1978 durante uma reunião do Comitê pela Anistia que elas foram descobrir Quem contou foi outro militante que também estava no Araguaia o José Genuíno que você deve conhecer da época em que ele foi deputado federal O genuío lá de longe viu a gente porque o genuíno já me conhecia mas ele não tinha visto que eu tava lá que a gente ficava quietinho lá no fundo né e aí ele e a Rioco vieram correndo conversar com a gente contaram que a Nra tinha morrido e tal em 78 nós somos Uhum Mas a Elenira tinha morrido em 72 A história ficou registrada num relatório feito pro PCB por um dos guerrilheiros Em 29 de setembro de 72 a Elenira foi encontrada por militares e atirou como espingarda contra os soldados Segundo o relatório um morreu e o outro continuou a atirar conseguiu prender ela e torturou a Elenira até a morte Esse foi o fim do Araguaia para ela A guerrilha continuou de pé por um tempo mas sofreu vários ataques dos militares que caçavam quem tinha sobrado com ajuda de moradores e sobrevoando a região de helicóptero Alguns foram presos outros foram mortos ali mesmo A estimativa é que até o fim da guerrilha em 1974 69 pessoas tenham sido assassinadas Até hoje tem famílias procurando pelos restos mortais Aliás foi isso que a Marta foi fazer no Araguaia acompanhar as buscas pelos restos mortais da Elenira que ainda não foram encontrados e talvez nunca sejam E a história também é um quebra-cabeça sabe que a gente precisa montar Tudo que se sabe do que aconteceu foi porque os familiares começaram a pesquisar né foi desses familiares que o então deputado Jair Bolsonaro tirou sarro dizendo que quem procura osso é cachorro Se não fossem essas pessoas um pedaço da história do Brasil ia desaparecer ser engolido pela mata e pelo medo E essa é uma luta que tá transcendendo gerações É como se fosse né um legado maldito entendeu começa com as mães atrás dos seus filhos vai passando paraas filhas depois paraas sobrinhas Hoje temos netas também atuando na luta né enfim é uma luta feminina Eu mesmo já tô treinando minha sobrinha para assumir a luta quando eu não puder mais entendeu há uns meses em agosto de 2024 a Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo diplomou a Elenira e outros 14 alunos mortos pela ditadura Quem discursou em nome da família da Elenira no ato foi a Iara que é sobrinha neta da Elenira E eu gostaria desse momento muito importante pedir para que todos ficassem de pé e aplaudissem a coragem da tia Elenalda Rezende de Souza Nazaré Tia você é incrível e eu quero que a senhora saiba que nós demos continuidade à sua luta O legado de Enerira seguirá presente em nossas vidas Elenira Rezende presente hoje e sempre [Aplausos] [Música] Essa foi a Natália Silva Daqui a pouco a gente volta Obrigada por ouvir o rádio novela presenta Você sabe que toda semana a gente deixa material extra nosso site Essa semana na página desse episódio dá para ver a tal foto do Paulo José fotos da Elenira Rezende e tem também um link para você acessar a Audible e conseguir ouvir as histórias do Chumbo Soul Te garanto que vale a pena E aí aproveita que tá no nosso site e se inscreve para receber a nossa newsletter que a gente faz caprichadinha toda semana Quem é de redes pode acompanhar a novelo no Instagram no Twitter no Trads no Blue Sky no TikTok e também no YouTube É só procurar por @radionovelo Quem não é de redes pode mandar comentários elogios críticas e sugestões de história diretamente pra gente no e-mail apresenta@radionovelo.
com.