[Música] Olá pessoal tudo bem na aula de hoje nós vamos discutir um pouco sobre os efeitos de sentido de vários textos distintos mas sobretudo de dois tipos de texto que são as tirinhas e charges e os textos de opinião os artigos de opinião o objetivo então é avaliar como esses efeitos de sentido São construídos nos textos de diversos atores sociais então a gente parte aqui do pressuposto da linguagem como forma de interação ou seja não existe um texto que não carregue um um valor não existe portanto um texto neutro né todo texto carrega eh em
maior ou menor grau a posição do seu autor nesses textos que a gente vai estudar hoje a gente vai ver que o autor está bastante presente com a sua visão de mundo essa tirinha composta por dois quadrinhos diz no primeiro deles não posso fazer sua campanha já estou sendo pago para fazer a do Bel e esse sujeito que fala está carregando uma placa escrito Vot beltrano o segundo personagem responde não tem problema você faz pelas costas esse personagem se a gente olhar com atenção Ele tem um um identificador uma plaquinha um botton na na roupa
dele escrito Fulano e o segundo quadrinho então primeiro personagem volta dizendo não vai dar pelas costas eu faço do cicrano E aí ele vira a placa e atrás da placa que estava escrito Vot beltrano está escrito Vot cicrano e na camiseta dele na parte de trás nas costas tá escrito cicrano então aqui a gente tem um exemplo de uma tirinha e o principal efeito de sentido produzido por essa tirinha é o humor há um um outro sentido um outro efeito que fica claro que é a crítica uma certa crítica social a essa relação às vezes
promsa entre cabo eleitoral e figuras eh políticas né que são normalmente eh os candidatos é interessante a gente notar que no primeiro quadrinho está uma frase que gera uma certa ambiguidade e essa ambiguidade é a razão Central desse humor pretendido com essa tirinha então quando o político candidato que tá tentando contratar o cabo eleitoral diz não tem problema você faz pelas costas pelas costas pode ser interpretado de duas maneiras e é isso que traz o humor e que provoca eventualmente o riso quando a gente lê a tirinha você faz pelas costas significa do ponto de
vista figurado aquilo que a gente faz sem a outra pessoa saber aquilo que a gente faz escondido essa é uma expressão corrente da Língua Portuguesa e tem esse signicado só que na tirinha aí que vem a graça se explora o sentido literal da expressão fazer pelas costas além do sentido figurado então o sentido literal é o sentido concreto então é o sentido de virar a placa e na nas costas da placa está escrito vote cicrano e nas costas da da camiseta está escrito Então essa ambiguidade entre o sentido literal e o sentido figurado provoca esse
efeito humorístico na tirinha as tirinhas como eu já disse normalmente tem o objetivo de conter tanto um efeito de humor quanto um efeito de crítica normalmente uma crítica social vamos ver mais um exemplo aqui a gente tem uma tirinha do Caco Galhardo onde vemos uma imagem de um navio se aproximando de o que parecem ser icebergs Vamos ler o texto senhor icebergs adiante o Titanic não pode parar final da história não H botes para todos e só os mais ricos sobrevivem aqui a gente tem um uma tirinha que explora um Outro fator de textualidade que
é o a intertextualidade Então a gente tem uma relação com a a tragédia do Titanic e a a tragédia que o mundo vive atualmente e muitos slogans são no sentido de que a a empresa não pode parar a economia não pode parar assim como o Titanic não podia parar e foi porque o Titanic não podia parar que o Titanic afundou segundo o que está expresso nesta tirinha que estamos lendo e isso claramente é uma crítica a essa posição que é uma posição intransigente de que as de que a economia não pode parar e portanto as
pessoas seriam mais importantes do que a própria economia e aí há uma uma espécie de moral da história que o o autor da tirinha chama de final da história não abá botes para todos e só os mais ricos sobrevivem ou seja aqui fica claro que ele tá fazendo uma crítica a essa postura de parte dos governos mundiais de apelarem pra questão econômica e ele tá deixando claro que não havendo botes para todos só os mais ricos que vão sobreviver foi foi exatamente o que aconteceu no Titanic tanto é que uma expressão que tem sido usada
bastante atualmente é a questão dos músicos do Titanic que enquanto o navio afundava continuaram tocando bom além desses efeitos de sentido aqui de crítica eh temos também uma análise importante para fazer sobre essa última frase não AB botes para todos e só os mais ricos sobrevivem então aqui eu queria ressaltar uma coisa que a gente já estudou nas semanas anteriores que é a importância dos conectivos ou seja dessas palavras que ligam eh as ideias de um texto e eu gosto muito de trazer como exemplo tirinhas porque há pouco texto mas esse pouco texto é fundamental
que seja bem compreendido então aqui a gente tem duas ideias não abote para todos e só os mais ricos sobrevivem certo Qual é a relação existente entre essas duas ideias pensem um pouco é uma relação de causa e consequência certo então a gente pode dizer que no lugar daquela conjunção e que está lá expressa no quadrinho a gente poderia colocar uma outra conjunção que desse essa ideia de consequência né de uma de uma ideia em relação à outra então uma dessas conjunções poderia ser logo não AB botes para todos logo só os mais ricos sobrevivem
outra conjunção possível seria como não abote para todos só os mais ricos sobrevivem continua havendo essa essa relação de causa e consequência uma outra possível seria não H botes para todos por isso só os mais ricos sobrevivem ou seja qual é a consequência de não haver bote para todos só os mais ricos sobreviverem é isso que tá expresso aqui pela conjunção E então eu quero lembrar para vocês da ância da gente verificar a relação entre as ideias pode haver uma relação explicativa eh pode haver uma relação de causa e consequência como essa que a gente
viu ou uma relação de finalidade ou uma relação de oposição entre as duas orações então é importante que a gente vá sempre percebendo na leitura essas pequenas palavrinhas que não estão aí à toa e no caso a conjunção e ela é uma conjunção que a gente chama de conjunção Coringa Porque ela pode exercer muitas funções a gente pode dizer e querendo opor duas ideias querendo colocar a relação de causa e consequência e diversas outras relações possíveis certo vamos para mais um exemplo aqui a gente tem uma tirinha do Nickel náusea no primeiro quadrinho o Ratinho
diz era uma vez um reino muit muito distante mas era muito mas muito distante mesmo eu estaria mentindo se dissesse que o reino Era perto pois o reino era realmente distante mesmo então nesse reino muito distante algo aconteceu e aí os ratinhos filhotinhos que estão ouvindo a história dizem um deles diz ele tem medo da história acabar antes da gente dormir o o efeito de humor aqui é provocado por uma relação com a realidade das crianças do mundo infantil em que os pais os avós os responsáveis pela criança normalmente contam uma história e tentam fazer
que a história seja razoavelmente cumprida para que a criança caia no sono antes de chegar no fim da história porque se a criança permanecer acordada quando chegar a fim da história aquele objetivo de contar a história para fazer a criança dormir não não foi atingido então aqui existe uma uma relação humorística com esse fato e Na tentativa de alongar a história o máximo possível o que o Ratinho narrador faz é ficar repetindo o fato de o reino ser bastante distante e aqui já que a gente estava falando de conjunção na tirinha anterior a gente tem
no segundo quadrinho a conjunção mas mas era muito mas muito distante mesmo e o mas que pode estabelecer uma relação de oposição como em eu estava cansada mas fiz faxina na casa então a princípio existe uma oposição entre o de uma pessoa estar cansada e ela ter que eh se desgastar fisicamente para fazer faxina o má ele é bastante usado nesse sentido Só que nesse caso aqui ele não tem essa relação de oposição ele é muito mais uma relação de adição que é bastante desempenhada pela conjunção e mas que a gente viu que a conjunção
é bastante Coringa e ela é usada com outros sentidos então O importante não é a gente eh saber apenas a conjunção e o seu valor tradicional mas entender que dependendo do texto as conjunções vão ser usadas para fazer relações distintas entre as ideias bom aqui nessa tirinha também eu queria chamar atenção Para Um fato sobre a repetição a repetição não é sempre negativa a gente vê aqui que ela exerce um papel muito fundamental na construção de sentido da tirinha a repetição é na verdade o que causa o humor da tirinha por quê eh é repetindo
essa informação essa característica do reino que o o Ratinho vai alongando a história só que os os filhotinhos já vão já são capazes de perceber isso então aqui fica muito evidente que a repetição exerce um papel Central na construção de sentido e às vezes a gente aprende principalmente na escola que a gente tem que evitar todo custo a repetição só que a gente não aprende que a repetição é constitutiva da língua de todas as línguas principalmente na oralidade então guardem essa informação que a oralidade é fundada pela repetição a gente tá sempre repetindo vocês podem
reparar nessa aula que eu tô dando em que eu uso predominantemente a modalidade oral como algumas palavras vão sendo repetidas algumas construções linguísticas vão sendo repetidas eu acabei de repetir por exemplo vão sendo certo então a repetição é própria da oralidade mas também ela é usada na escrita a gente viu aqueles exemplos de coesão lexical em que se repete a mesma palavra é claro que em textos escritos mais monitorados que não sejam por exemplo uma tirinha não é interessante que a gente repita tanto a mesma palavra é interessante que a gente diversifique mas repetir uma
ou outra vez uma palavra uma expressão não faz com que um que um com que o texto possa ser considerado um texto ruim certo aqui então a gente vê como a repetição é importante paraa construção de sentido e como ela tá associada também à oralidade porque aqui a gente tem a representação de um ratinho contando uma história Então esse é o terreno da oralidade bom agora eu queria dar um exemplo de um texto escrito um artigo de opinião eh do Antônio mhos Molina chamado a volta do conhecimento então o olho do artigo de opinião diz
tínhamos nos acostumado a viver na névoa da opinião mas hoje pela primeira vez desde que temos memória prevalecem as vozes de pessoas que sabem e de profissionais qualificados e Corajosos só lendo isso a gente já vê uma oposição eh interessante que prevalecem as vozes de pessoas que sabem de profissionais qualificados e Corajosos essas pessoas que sabem se opõem a névoa de opinião certo então ele diferencia já nessa nesse resumo do que vai ser o artigo de opinião dele a questão da opinião versus o conhecimento que é o próprio título do artigo de opinião Então vamos
lá eu coloquei lá o link Caso vocês queiram ler o texto inteiro aqui a gente vai ler uma parte do primeiro e do segundo parágrafos pela primeira vez desde que temos memória as vozes que prevalecem na vida públ são as de pessoas que sabem pela primeira vez assistimos à aberta celebração do conhecimento e da experiência e ao protagonismo merecido e até então inédito de profissionais de diversas áreas cuja mistura de máxima qualificação e coragem civil sustenta sempre o mecanismo complicado de toda a vida social Nos programas de televisão em que Até recentemente Reinavam exclusivamente dissertadoras
em opinar sobre qualquer coisa qualquer agora aparecem médicos de família epidemiologistas Funcionários Públicos que enfrentam diariamente uma doença que perturbou tudo e que a qualquer momento pode atacá-los todas as noites às 8 nas ruas vazias eclodem aplausos como uma tempestade repentina dirigidos não a demagogos em bueiros mas a trabalhadores da saúde que até ontem cumpriam sua tarefa acados por cortes contínuos p pela falta de meios pelo desd às vezes agressivo de usuários Caprichosos ou resmungões agora exceto nos redutos habituais não ouvimos slogans nem lemas de campanha criados por publicitários nem banalidades cunhadas por essa espécie
de gurus ou de Aprendizes de Feiticeiro que inventam estratégias de comunicação e que aqui também Que remédio são chamados de Spin Doctors charlatães vendedores de fumaça neste primeiro parágrafo aquela oposição que eu comentei anteriormente fica bastante explícita então ele vai comentando como em vez desses dissertadoras em opinar sobre qualquer coisa ou seja pessoas que participam dos programas de televisão mas que não são especialistas em nenhuma área elas vendo atualmente com a pandemia para as pessoas que de fato são especialistas e que e que não não estão dando opiniões mas que estão fazendo pesquisa estão falando
de conhecimento então aqui ele diz a aberta celebração do conhecimento então o conhecimento se opõe na neste artigo a opinião e ele exalta Justamente a ân de o conhecimento ser ser atualmente o nosso guia e não as opiniões e na última no último período do texto ele coloca que os problemas vem justamente das pessoas que e são ajudadas por exemplo pelos publicitários pelos gurus ou pelo que ele chama de Aprendizes de Feiticeiro ou seja pelas pessoas que são especializadas na comunicação Então essas pessoas que não estão falando de de experiência própria né do conhecimento fruto
da pesquisa essas pessoas ficam no campo da opinião esse campo que ele tá eh criticando ele diz então que a gente sai da Neva da opinião e passa para o conhecimento e aqui neste segundo parágrafo ele Continua defendendo essa importância da eh do conhecimento então ele diz a realidade nos obrigou a nos colocarmos no terreno até agora muito negligenciados dos fatos os fatos que podem e devem ser verificados e confirmados para não serem confundidos com delírios ou mentiras os fenômenos que podem ser medidos quantitativamente com o mais alto grau de precisão possível tínhamos noos acostumado
a viver na névoa da opinião da diatribe sobre as palavras do descrédito do concreto e do comprovável inclusive do aberto desdé pelo conhecimento o espaço público e compartilhado do Real havia desaparecido em um turbilhão de bolhas privadas dentro das quais cada um com ajuda de uma tela de celular elaborava sua própria realidade sob medida seu próprio universo cujo protagonista e centro Era ele mesmo era ela mesma então aqui de novo existe a oposição no no início do parágrafo ele começa falando da importância dos Fatos e fatos que podem ser verificados E confirmados que se diferenciam
de delírios e Mentiras porque justamente podem ser verificados e medidos quantitativamente Antes desse momento critica ele a sociedade vivia na névoa da opinião e esse espaço público e compartilhado tinha desaparecido nas bolhas privadas associadas a tela de celular em que cada pessoa recebendo as as informações dentro do seu do seu próprio mundo criava uma realidade que não corresponde segundo o autor do texto aos fatos verificáveis certo então aqui ele vai permanecer nessa oposição eu queria comentar pra gente terminar que a repetição também acontece neste texto escrito que é um artigo de opinião vocês vejam não
é à toa que ele repete dos dos Fatos e depois os fatos né É para frisar para reforçar para garantir a estrutura do texto e neste primeiro parágrafo ele repete a expressão pela primeira vez pela primeira vez desde que temos memória pela primeira vez assistimos a aberta celebração do conhecimento essa repetição também não é à toa ele está falando justamente de uma mudança que está em curso uma mudança que representa a volta do conhecimento que é o título do artigo de opinião bom Pessoal espero que tenha ficado Claro depois se vocês quiserem vocês podem ler
o texto que está disponível aqui nesse link que eu coloquei para para vocês e bons estudos para todas e todos [Música]