linguagem. Vamos nos debruçar sobre essa função psíquica que constitui a análise desse que é o material de trabalho narrativo que o paciente traz pro psiquiatra. E obviamente a gente deve ficar de olho e na sua alteração isso indica aí importantes pistas pra constituição do nosso diagnóstico. Então vamos pra nossa aula. E pessoal, primeira coisa que eu gostaria de trazer, tá? O que que é a linguagem? é, de uma certa forma uma sistema de signos que permite justamente a construção do simbólico. Então, imagina que aqui a gente tá conversando e que eu falo para você sobre
uma caneta. Você imediatamente vai imaginar uma caneta aí na sua cabeça. Não precisa toda hora eu lhe mostrar uma caneta para você saber o que é uma caneta. Justamente essa capacidade simbólica que você usa para se referir sobre alguma coisa é o que permite a construção da linguagem. E a linguagem, inclusive, é o que nos diferencia como espécie. sendo a espécie humana aí uma das poucas a constituir uma linguagem mais elevada. Tem dúvida aí se outros animais têm uma linguagem mais seria aí de uma hierarquia um pouco mais abaixo, obviamente, e bem menos sofisticada que
a nossa. Só que a linguagem ela vai ser justamente uma ponte para o pensamento ou o mundo interno do paciente e o mundo externo ou um observador que a gente tá conseguindo ali acessar. Ou seja, quando o paciente te fala uma coisa, você tem uma ideia ou uma noção de como é que é o funcionamento, o que que ele tá pensando, o que que ele tá sentindo. E é justamente através da linguagem que a gente consegue comunicar como que a gente é por dentro, o que que a gente pensa. Então, a linguagem faz justamente essa
ponte e isso, óbvio, é o que vai permitindo a nossa capacidade ali de generalização e de abstração. Por exemplo, se eu disser para você para imaginar um certo tipo de planeta muito distante, com atmosfera verde, você consegue ver isso na sua cabeça. A linguagem permite essa capacidade justamente de abstração. Voltando também pro exemplo de caneta, eu não preciso lhe mostrar uma caneta específica. Se eu falar só caneta, você vai imaginar aí um tipo ideal de caneta. Isso é também a capacidade de generalização que a linguagem nos dá. A linguagem, pessoal, ela é aí de uma
certa forma construída ao longo dos anos. Então, quando a gente é pequeno, a gente nasce ali com a forma um pouco pré-verbal, que é muito dada na linguagem não verbal. E aí a gente vai conseguindo constituir ela muito de observação, imitação e imersão também no mundo compartilhado com o outro. E a linguagem ela é fundamental pra gente também ter um certo tipo de autorregulação. Imagina aí que você tá sentindo alguma coisa. Se você não tem um certo tipo de linguagem sobre o que você tá sentindo, aquela emoção pode se tornar muito intensa. Quando você tem
uma linguagem, ou seja, você sabe nomear as coisas, você consegue se regular melhor. Então, às vezes você consegue dizer que aquilo que você tá sentindo é raiva, é ciúmes, é, por exemplo, ressentimento, tá? Então essa sofisticação que a linguagem permite, ela é bastante importante ali na nossa prática a gente ver a consequência de não ter linguagem. É só a gente às vezes olhar, por exemplo, casos que pessoas que têm transtorno autista e que são não verbais ou então às vezes quem tem um déficit intelectual e é não verbal, tá certo? É muito mais difícil para
essas pessoas. Então a gente vê justamente a importância dessa função. E pessoal, uma coisa que é muito importante, tá? A linguagem, basicamente, ela tem uma forma e ela tem um conteúdo. O conteúdo é justamente o que preenche ela. Por exemplo, a gente agora aqui tá falando sobre a linguagem. Esse é o conteúdo. A forma seria como eu articulo essa linguagem, ou seja, as principais coisas que eu vou trazer aqui. Como que eu falo isso no tom de voz, na inflexão, no que eu dou destaque ou no que eu não dou destaque, na musicalidade, ou seja,
na cadência disso. Toda essa coisa que a gente chama de forma, a gente dá o nome de prosódia, tá? Seria como se fosse mais ou menos ali o afeto de uma emoção, só que puxando pra linguagem. E a prosódia é justamente como o paciente diz aquilo ou como a pessoa fala aquilo. E ela é muito importante que você justamente analise ela, tá certo? O que eu digo é o conteúdo e tá muito relacionado à cognição, ou seja, aquele conteúdo que eu tô trazendo aqui é basicamente relacionada à minha cognição ou é pelo menos uma uma
ponte de acesso ao que eu tô pensando agora, tá certo? Ou seja, quando você tiver lá diante de um paciente, você vai analisar justamente essas duas coisas: o conteúdo, o que ele te diz e também a forma, ou seja, como ele te como ele te fala. Aqui a gente tá falando sobre a aula de linguagem. Qual seria a forma que eu tô falando? Além da minha intonção, é claro, vem uma forma professoral, ou seja, quando você tá recebendo esse tipo de discurso aqui, pela seleção das palavras que eu escolho, pelo tom, pelo destaque, às vezes
inclusive pela minha pausa que eu faço, você vai receber um certo tipo de formato ali que você entende que você tá numa aula, tá certo? Ou pelo menos é para entender isso, tá? Então, lembre-se que sempre que você tem que olhar o conteúdo, mas também você tem que olhar um certo tipo de prosódio. E pessoal, a gente tá falando aqui sempre que o pensamento se relaciona com a linguagem, a linguagem se relaciona com o pensamento, tá ligado? Nessa nesse gráfico aqui que a gente fez a quase que uma sobreposição, tá? Óbvio que são funções aí
que a gente divide para tá mais didático, mas saiba que existe pensamento sem linguagem, não sei se você pode pensar e não pode falar, tá? Isso teria mais no campo aí dos devaneios ou das ideias. Existe também linguagem sem pensamento, que a gente vai ver inclusive aqui com exemplos, tá, práticos, que são basicamente estereotipias ou automatismos, ou seja, são falas meio vazias ou então discurso mesmo vazios que a gente sabe que não tem ali um pensamento atralado nisso. Então é importante que você saiba. Beleza, pessoal? Passando isso aqui, vamos para de fato as alterações da
linguagem propriamente dita. a gente não vai entrar aqui nessas quatro de uma forma muito profunda, tá? Por quê? Porque não é muito intuito do que a gente tá fazendo aqui, mas a gente vai dar uma pincelada, principalmente porque essas quatro alterações, elas entram muito dentro ali do campo da psiquiatria infantil, no que a gente chama de transtornos de comunicação, especificamente transtornos da fala e da fluência. Então o que que a gente observa nas desartrias? é ali, é uma certa falta de articulação ou então de erros, tá, que às vezes uma criança, um adulto pode cometer
mais no geral, ou seja, seria às vezes trocar palavras ou então de uma certa forma pronunciar essas palavras de forma errada globalmente. As dislalias são trocas só que mais microscópicas, por exemplo, seria trocar um P pelo um B ou então o famoso exemplo aqui do Cebolinha, tá? Que troca o R pelo L, tá? Isso seria mais dislalias. Disfemias são os fenômenos que a gente chama de tartamudez. Tartamudez é o nome mais apropriado paraa gagueira. Seria justamente aí uma dificuldade na fluência das palavras. De vez em quando a gente tem disfemias, tá? E também disfonias, que
seriam ali dificuldades na pronunciação ou então no som de palavras, de fonemas, de letras, tá certo? Ou seja, por exemplo, quando você conversa com uma pessoa que ela tem ali uma sonoridade, mas anasalada de uma forma geral, isso seria uma disfonia, tá certo? Para ser alteração da linguagem, a gente primeiro tem que garantir que não tenha nada de errado no aparelho fonador. Ou seja, a pessoa não teve ali um AVC e ela tá com uma sequela e aí ela vai produzir aquilo ali porque teve uma paralisia nos músculos. Então assim, a gente descarta isso para
dar um certo tipo de alteração da linguagem. Então assim, isso é muito importante. Beleza? Vamos lá passar agora para aquelas famoso divisão que a gente faz sempre entre quantitativas e qualitativas e obviamente seguindo exemplos, tá? Primeiro vamos aqui para as quantitativas. Pessoal, quando a gente fala de alterações quantitativas, a gente sempre pensa em alterações da linguagem mais globais. E aí a gente tem um certo tipo aí de afazias ou disfazias, que é justamente a ausência da linguagem ou então um certo tipo de redução da linguagem. Redução seria desfazia e afazia seria a abolição da linguagem.
E pessoal, sempre que você tiver aí de diante de uma afazia, tenta lembrar de coisas orgânicas, tá? Então, tumores, AVCs, infecções ou então às vezes algum TCE. Então, todos esses processos mais orgânicos, eles podem levar a afazias, tá certo? Pode ser às vezes um quadro conversivo, pode, mas aí é mais difícil, mas pensa sempre em quadros orgânicos. E tem dois grandes grupos aqui que a gente não vai assim entrar de uma forma muito detalhada, mas é importante que vocês vejam pelo menos alguma vez na vida de vocês para justamente quando vocês receberem um paciente que
tá com isso, você desconfiar de um quadro orgânico, tá certo? Então a gente também tem essa função aqui. Então dos dois grandes grupos que eu gostaria que vocês soubessem da afasia, tem as afazias que a gente chama motoras ou expressiva ou afasia de broca. e a afasia sensorial ou compreensiva ou a fazia de vernic. Vamos primeiro para uma fasia motora, tá pessoal? Que que seria uma fazia motora? Seria, por exemplo, aquele paciente que ele entende, mas na hora que ele vai articular a fala, ele tem problema. E como que isso chega na prática? Chega com
o paciente com dificuldade de falar, mas quando você dá uma instrução para ele ou então você pergunta alguma coisa, ele compreende. Por exemplo, você pode virar e perguntar: "Ah, seu cabelo é loiro? E a pessoa pode falar que sim, o cabelo dela sendo loiro, tá? Ou seja, você às vezes pode também falar: "Poxa, tem como você pegar bem aqui essa caneta que eu deixei em cima da mesa?" Ela vai lá e pega. Ou seja, ela tá compreendendo, mas na hora de se expressar é muito difícil. Eu deixei aqui um exemplo para vocês entenderem o que
que eu tô falando, porque é importante ver isso aqui, tá? Vamos lá pro exemplo de 2 pom. Vou ter que eu só só na só deve de de cabeça assim. Sim. aqui quantos anos tem? Eh, 60. Bom, você vê aqui que ele fala de uma forma bem devagar, tá? Então ele vai falando 60, ele obviamente sabe falar as palavras, tá? Mas ele tem dificuldade ali na articulação delas. E geralmente a fala é assim, é mais pausada, entrecortada, entremeada. A gente vai ver um outro exemplo aqui que esse tipo de afasia, ou seja, uma fazia motora
de expressão ou então de broca, ela é mais leve, tá? Vê que o paciente aqui ele fala quase normal, mas ele tem um certo tipo assim de de entrecorte na nas palavras e nas frases. É que ele provavelmente já fez fisioterapia, tá? Mas dá uma olhada aqui para você [Música] entender. Ah, o nervoso a a a isso aí desce isso aí deixa a gente enfurecido, né? A gente não consegue falar nada. Aí aí você quer falar as coisas, você fica mais e nervoso aí que não sai nada e a gente acaba até me falando, fica
me eh eh eh limitando de de falar com as pessoas, né? Vê que esse exemplo aqui ele tá quase falando normal, tá? Mas às vezes ele tem assim entremeado o quase que a gente diria que é uma tartamudez, tá? Mas isso aqui é uma recuperação de um AVC que esse paciente teve. Então, inicialmente ele tinha uma fazia e a fazia ela pode melhorar assim, então não é tão comum, mas pode melhorar. E nesse caso aqui, tá, ele eu botei esse vídeo justamente para chamar atenção para uma coisa. Ele falou que fica nervoso. E pessoal, quando
você conversar com o paciente, principalmente ali com o paciente neurológico, que ele pedir perdeu uma função e que ele sabe que perdeu e que você solicita aquela função, por exemplo, fala aí para mim, por favor. E o paciente não consegue falar, muitas vezes eles podem ficar extremamente irritados ou muito irritados com isso, tá certo? Então, às vezes, o que a gente vai chamar atenção, então vai fazer desconfiar de uma alteração às vezes ali neurológica, então de perda de função, é justamente por causa dessa irritabilidade, tá? Eu já vi isso aqui uma vez e assim o
paciente, eu ia pedia para ele falar, ele não conseguia falar e ele ficava muito irritado com isso. Então assim, ele sabia que tinha perdido aquela capacidade e obviamente ele ficava chateado por conta disso. Então, só para vocês se atentarem. A segunda coisa, opa, voltei. Bom, a segunda coisa que é importante, tá, seria a fazia que é mais sensorial ou compreensiva. Essa fazia que ela é sensorial ou compreensiva, ela é uma fazia que a gente chama de vernique. Nessa afasia, o paciente, a gente chama ela de afasia fluente, em contraposição com a fasia de broca, que
é a não fluente. Fluente por quê? Porque o paciente ele vai est falando normalmente, só que o que ele fala é completamente sem sentido. E por que que é importante eu te mostrar essa fasia? Porque às vezes um paciente que chega ali com discurso sem sentido, o que que o pessoal vai fazer? Mandar pra psiquiatria pensando que o paciente ou tá delirando ou tá falando coisa com coisa. Então chega um paciente mais ou menos com isso, tem que suspeitar que pode ser um quadro orgânico, tá certo? Então a gente vai mostrar aqui uma afasia de
vernic. Então vocês vão ver pelo discurso do paciente que ele até fala uma coisa, mas não é tão assim compreensível, é bem desconexo, tá certo? Isso aqui a gente tá diante de uma fazia por falha de compreensão. Ele não entende. E às vezes ele nem entende também o que ele tá falando. Então ele fala, não entende o que ele fala e por isso o discurso fica sem nexo. Hi Viron. How are you? I'm happy. Are you pretty? You look good. What are you doing today? We stayed with the water over here at the moment. Talk
with the people them over there. They're diving for them at the moment. Observa que esse paciente aqui, ela perguntou, por exemplo, o que que eles estão fazendo. E aí ele fala que ele tava na beira de uma água, de uma água e que as pessoas estavam mergulhando nessa água e que ele deseja que essas pessoas fiquem bem. Ou seja, ele não tá falando uma resposta aqui que é conectada com o que a pessoa perguntou. Então, às vezes o paciente ele pode chegar falando coisas sem sentido. E aí, como é que você vai tentar diferenciar isso?
Às vezes você pode mostrar um desenho e pedir pra pessoa meio que detalhar a situação. E aí você vai, você vai ver que ela não consegue detalhar a situação. Ou às vezes você vai solicitar uma ordem, por exemplo, pega essa caneta aqui e deixa ela atrás de você e a pessoa vai lá e não consegue fazer isso, tá? Apesar de ter um discurso desorganizado que pode confundir às vezes com paciente que tem esquizofrenia, o paciente com esquizofrenia ele consegue fazer isso, tá certo? Ou se ele, óbvio, se ele não tiver tão desorganizado assim, mas é
para ele conseguir. Então assim, só para vocês terem essa noção de diagnóstico diferencial, beleza? Vamos voltar para cá. Uma outro tipo de afasia que tem é são as de condução global, transcortical e anômica. Essa aqui a gente vai passar um pouco mais rápido. A fase de condução é importante que vocês saibam que ela vai ser justamente uma fazia que o paciente ele fala, mas às vezes ele não consegue de uma certa forma, tá, repetir o que você pede para ele e às vezes ele não consegue também nomear as coisas. Então ele vai ali, tá falando,
só que às vezes quando você pedir para ele repetir certas perguntas, ele não vai conseguir, tá certo? Então, e também às vezes quando você pedir para nomear certas coisas, ele não vai conseguir. Vamos ver aqui um exemplo de fazia de condução também que é interessante. [Música] [Música] I don't remember. Vê que aqui ela pediu para essa paciente aqui descrever essa situação que tá nesse quadrinho, né, de um homem sentado numa árvore com cachorro latino para ele e vê que ela vai falando, mas ela não consegue fazer a nomeação das coisas. Ou seja, ela entra num
tipo de fenômeno que a gente chama de word finding, que é ficar procurando as palavras. Ela se aproxima ali da palavra, mas às vezes ela não consegue dizer. Então, às vezes você pode perguntar: "Poxa, eh, o o que o que é o que eh o que é isso aqui?" Tá? E aí a ou então você pode falar: "Repete aqui, dá legal". Aí a pessoa faz assim, ou seja, ela compreendeu, mas ela não sabe repetir ali o tá legal, ou então ela não sabe às vezes achar aquela palavra. Então isso às vezes é uma fazia de
condução. I don't know. And then we have the fire guys here and they are running to help. And over here we have the it's the car. Um, it's well it's a car and we have this here. Well, well, now I live it's a place hard. It's um Lee dog. Dog. Say bed. I have one. Say bed. justamente foi o exemplo que a gente deu. Então a entrevistadora fala: "Fala cama" e ela diz assim: "Eu tenho uma". Não, mas fala cama e ela não repete, tá? Ou seja, na condução, a dificuldade tanto de nomeação, ou seja,
vai ter uma dificuldade ali de achar aquelas palavras que exprimamente o que a pessoa quer dizer e também de repetição. Então você pede pra pessoa repetir e ela não consegue, tá bom? Na afasia global você vai ter o pior dos mundos, que é a junção de uma afasia de compreensão com a expressão. E aqui o paciente, ele tanto não consegue se expressar quanto às vezes ele também não consegue compreender. Às vezes o paciente ele pode estar calado, ele pode não falar nada, isso acontece. Mas também muitas vezes o paciente ele pode emitir o que a
gente chama de estereotipias. É como se ele tivesse falando ou entendendo, mas na realidade ele não tá. Isso seria como se fosse um certo tipo ali de automatismo. Nesse vídeo aqui fica bem claro. O paciente ele vai falar algumas coisas e ele vai ficar apontando assim: esse comportamento é um comportamento estereotípico, tá certo? Porque ele não tem ali um certo tipo de correspondente com o pensamento, ele é mais automático e às vezes ele vai até repetir as palavras, ele vai ficar repetindo uma palavra que vocês vão ver. E isso não necessariamente conduz uma troca expressiva,
ou seja, não não não vai dar um certo tipo de entendimento no interlocutor ou no entrevistador. É mais ali um comportamento automático. Então vamos dar uma olhada nisso para ficar mais claro. You're on film. All right. All right. All right. So, I want you to tell me what is going on in this tell me everything you [Música] see. Yeah. Mhm. Yes, I know. Ah, não. Bom, a gente viu aqui que esse paciente aqui ele tá, ele fala e é e é e é sei, mas na realidade ele não sabe, tá? E às vezes ele fica
triscando na folha e isso serve muito mais às vezes como uma imitação, mimetismo do que a médica ali acabou de fazer, tá? do que propriamente o paciente ter um certo tipo ali de noção do que ele tá fazendo. Então isso aqui é mais que a gente puxaria para uma fazia global. Por que que eu tô mostrando isso, tá? Porque é importante vocês aprenderem um pouco e saber que tem um grande diagnóstico diferencial com transtornos orgânicos, tá certo? Beleza, pessoal? E por fim, a gente tem as afazias transcorticais e anômicas, tá? Só para não entrar muito
e não se delongar muito nisso aqui. Transcortical o paciente às vezes ele vai conseguir, ele pode não repetir, mas ele consegue nomear as coisas. E na anômica ele consegue repetir, mas ele não consegue nomear as coisas, tá certo? Ou seja, ele vai ficar fazendo aquele word finding, né? Tipo, procurando uma palavra ali próxima para o que ele quer expressar. Beleza? A gente terminou aqui o grande grupo das afazias. Depois a gente tem achados que são da linguagem, tá? Só que são de uma linguagem de uma forma certo tipo expressiva ou também da leitura. A gente
classifica aqui. Quando o paciente ele não consegue escrever, a gente bota que ele tem uma agrafia. Isso pode vir muito comum ali em pacientes que têm um AVC, por exemplo, tá certo? Pode acompanhar também uma fazia. A gente também tem a alexia, que é o paciente perder a capacidade de ler. Isso também pode acontecer em transtornos orgânicos. E aqui a gente começa entrar no campo mais psiquiátrico da coisa, tá? Então, primeira coisa que eu quero chamar a atenção para vocês é a hipoprosódia e a hiperprozóide. Hipoprosódeia seria o paciente perder essa capacidade de articular, de
inflexionar, tá certo? Ou então de dar esse certa musicalidade da fala. seria às vezes o que a gente lê num discurso mais monótono. Então, quando o paciente ele tá falando monótono demais, a gente classifica como uma hipoprosódio. A gente vê isso às vezes em quadros de esquizofrenia, em quadros depressivos. Ao contrário, a gente pode também ver a o aumento da expressão da linguagem. Seria aquele paciente vivo demais ou então infletido demais, tá certo? Aqui eu tô inclusive assim exagerando a minha prosódia para imitar uma hiperprosódeia. seria aquele paciente às vezes que pode até beirar quase
ali o caricato. Às vezes a gente vê isso aqui em quadros de mania, tá? Mas também às vezes pode ver em esquizofrenia. Depois a gente entra na logorreia. Não fique fiquem tranquilos que a gente vai ver exemplos disso aqui, tá? Na logorreia, a logorreia seria um aumento da expressão da linguagem, ou seja, seria aquele paciente que ele literalmente não para de falar. Tudo é preenchido com discurso, não há pausas. Lembrem que as pausas e os respiros, eles são igualmente importantes na hora que você vai se comunicar. Então se você não consegue interromper ali o paciente,
ele vai ter a logorreia. Isso aqui às vezes é muito lido também como pressão de fala, tá certo? O contrário disso seria a oligolalia ou laconismo. Aquele paciente que ele quase não se expressa, ele quase não fala nada. seria ali o número quantitativo reduzido de palavras, tá? E isso muitas vezes pode ali eh ser bem difícil conversar com esses pacientes, tá certo? Quando o paciente ele vai ao extremo disso, ou seja, ele não fala nada, a gente diz que ele tá em mutismo, tá? E isso pode acontecer às vezes em quadros de fobias muito grandes,
fobia social ou então às vezes em quadros de esquizoidia. É interessante às vezes ver um paciente com mutismo e também se você tiver em oportunidade tem quadros que a gente chama de mutismo seletivo. Acontece muito em crianças, tá? A criança simplesmente ali ela não se comunica com você ou então ela fala através do pai, ela vai lá e coxia no no ouvido do pai ou o pai vai lá e fala para você. Então pode também ter quadro de mutismo seletivo. Beleza? Quando a gente tá falando do volume, ou seja, quando a gente fala mais alto,
a gente chama de hiperfonia. Quando a gente fala bem baixinho, a gente tá falando aí de hipofonia, tá? Isso é importante. E também a gente vai entrar aqui em um conceito que é de taque lalia ou de brad lalia. Aqui eu tô falando um pouco taquilálico, ou seja, eu falo habitualmente um pouco mais devagar. Bradilalia se refere a esse devagar. Taquilalia se refere ao rápido. Cuidado para não confundir com logorreia. Quando o paciente ele tem logorreia, é que ele tá falando muito ou demais. Ele pode ter logorreia e taquilania, ou seja, ele fala muito e
fala rápido, tá? É assim como ele pode ter logorreia e ele pode estar falando ali numa velocidade normal. Então, quando a gente fala de taquilalia ou bradilalia, a gente tá falando da velocidade e não da quantidade de expressão. E lembrar também, pessoal, que assim, tanto a taquilalia quanto a bradlalia, elas refletem um pouco a velocidade ou o custo do pensamento. Então, quando tá tendo às vezes muito pensamento na cabeça da pessoa, um quadro maníaco, ela tende a falar mais rápido mesmo. Assim, quando ela tá inibida do pensamento, ela tende a falar mais devagar e a
gente vai entrar naqueles quadros que são mais depressivos. Beleza? E por fim, a gente tem a análise aí da latência de resposta. Latência de resposta diz a capacidade que você tem de fazer uma pergunta e o paciente ele vai lhe responder. Se ele demora para lhe responder, isso é uma latência aumentada. Se você pergunta e ele demora muito pouco ou então às vezes até te interrompe, a latência está diminuída. Onde que a latência tá diminuída? Às vezes no quadro de mania ou às vezes no quadro de TDH, aquela pessoa que não sabe esperar a vez.
Ou também quando ela tá aumentada demais, às vezes num embotamento ali, num quadro mais esquizofrenforme ou então também quando a pessoa tá diminuída, que ela tem uma dificuldade de processar o que você falou. E aí ela tem um uma resposta aí muito que demora para acontecer, tá bom? A gente vai ver aqui dois exemplos que eles são quase contraditórios. Primeiro a gente vai ver um quadro que ele é mais melancólico e depois a gente vai ver um quadro que é mais aí tá ou maníaco. No quadro melancólico, observa algumas coisas que eu vou te falar
aqui de antemão. Primeiro, o médico ele vai fazer a pergunta e o paciente demora para responder. Dois, ele fala pouco o paciente, ou seja, ele tem aí de um certo grau uma oligolalia. Ele é mais lacônico. Ele também fala de uma forma com menos expressiva, mais monótona, ou seja, uma hipoprosóide. Ele fala também mais lento, ele é mais bradilálico e ele tem, obviamente, pela demora de responder, um tempo de latência aumentado. Ou seja, a latência tá aumentada, ele tá bradilálico, ele tá oligolálico ou mais lacônico. E ele tem uma hipoprosódia, tá certo? Então tudo isso
dá para ver ao mesmo tempo nesse paciente aqui. Vamos lá. As mensagens. Então é assim que as coisas estão encaminhando. Beleza. Adriano, sua mulher também tá vendo isso? Ela acha essa mesma coisa que você tá sendo um fracasso no trabalho ou é algo mais seu assim? Ela acha que eu tô enlouquecendo, né? Ela diz que eu sou um bom profissional. Ela até ligou pro meu superior para saber o que que tava acontecendo. Ela disse que eu resmungo muito, mas na verdade ela não sabe o que tá passando. Nem eu sei o que tá passando direito.
E assim, Adriano, eh, você podia me descrever melhor, comentar como é a sua relação com o trabalho? É interessante porque quando a gente entra em contato com o paciente que tá falando assim, a gente também fica mais arrastado, a gente fica um pouco às vezes ali até denso, com sono, um atendimento difícil, tá? O contrário também, quando a gente atende uma pessoa que ela tá mais para cima, eh, você vai ver que isso também às vezes contagia a gente, tá? Nesse outro paciente aqui, você vai ver o exemplo oposto disso, tá? Logo no começo, ele
tem um achado que a gente chama um pouco aí que beira, tá? Uma fuga de ideias. Esse paciente vocês vão ver que ele tem uma riqueza ali nos detalhes, ele fala mais coisas, ou seja, ele vai ter justamente ali um aumento da expressão beira, quase uma logorreia, tá? Eu não classificaria assim exatamente como uma logorreia, precisaria de mais, mas ele tá tendendo a um logorreia. Uma outra coisa, ele também ele se expressa de uma forma mais viva, então ele vai est mais aí com a hiperprosódeia e também ele se expressa de forma mais rápido, ele
vai tá aí com o taque lalia para você inclusive decorar, tá? O que é taque abrage lalia, imagina que ela hoje é muito comum, tá? É o áudio duas vezes. Então quando você bota lá o 2x no áudio ali é um ataque lalia. Quando você reduz a velocidade do áudio ali é uma braia, tá certo? Então a gente vai ver isso aqui na prática com esse paciente, tá bom? Aí que eu tô me dedicando ao livro que chama Olá, Marcos, prazer conhecer. Chamo José Mateus, fica à vontade. Eh, sua mãe entrou em contato comigo porque
ela marcou uma consulta para você. É, ela marcou, né? Ela tá preocupada, achando que tá acontecendo alguma coisa, mas eu acho que tá tudo bem. Tá tudo bem assim. É, tô num momento bom, tô escrevendo um livro, já escrevi um livro, né? É, em cinco dias, mas agora tô escrevendo sucesso também. Isso daqui é modelo industrial essa sala, né? É industrial. Isso mesmo. É, né? Eu conheço, eu trabalho com design interiores e aí eu tô fazendo uma coisa parecida assim, mas industrial sabe, né? Do não é do daquele filme lá do do chaplin tempos modernos.
Não tem nada a ver com isso. É, aliás, o cara é um gênio, né? Tipo, bom, observa aqui que esse paciente além de falar rápido e de ir puxando vários temas, tá certo? Ele tá falando isso aí com um afeto um pouco mais vivo e um tema vai puxando o outro, tá? O médico aí, no caso ele tem dificuldade de interromper, então eles estão ainda se apresentando e o paciente ele já tá falando ali sobre filmes ou então sobre alguma outra coisa que não seja muito relacionada. Então tem um aumento da expressão e a gente
pode ler isso aqui como justamente uma tendência, uma logorreia, uma hiperprosóide, uma taquilalia, tá certo? Só para vocês terem aí esses dois extremos de comparação, beleza pessoal? A gente falou aqui das alterações quantitativas da linguagem, mas agora vamos para as alterações qualitativas da linguagem, tá meus caros? E aí a gente vai entrar aqui em muitos fenômenos que são bem legais, tá? O primeiro trio deles é a ecolalia, a palilalia e a logo tá certo? Essa tríade, tá, se refere justamente à capacidade ou aos achados, os fenômenos que os pacientes têm de repetição. Ou seja, na
ecolalia, o paciente ele repete o que o médico acabou de falar. Então, imagina que você fala assim: "Boa tarde", aí o paciente vai ficar boa tarde, boa tarde, boa tarde. Ou o paciente também ele pode repetir o que ele próprio fala. Por exemplo, ele pode dizer assim: "O meu nome é João, João, João, João, João. Isso é a palelalia. Esses são os fenômenos de eco, tá? E a logo é que ao invés de repetir a palavra toda, ele repete apenas um sílaba ou então um trecho dela. Imagina, o meu nome é João, aí ele vai
só repetir isso é a logo clonia, tá certo? Uma outra coisa é estereotipia verbal, que são a repetição de palavras ou de frases meio sem sentido, desconexa, que o paciente fica só repetindo de uma forma meio monótona, tá? A gente acabou de ver uma, só que foi dentro daquela fazia. O paciente ficava assim: yeah, yeah, yeah. Isso é uma estereotipia verbal. É quase como se fosse um verbal, tá certo? Um tique simples verbal. E às vezes a gente também chama isso aqui de verb geração. Uma outra alteração que a gente tem é a muscitação. Mucitação
é quando o paciente ele fica falando de uma forma bem baixa, incompreensível, ele fica quase mexendo os lábios. É tipo como se ele fizesse assim, ó. É muito comum a gente ver isso aqui em quadros esquizofrênicos, tá certo? É como se o paciente tivesse falando com ele mesmo ou falando com outra pessoa, só que ele fala bem baixinho e de forma incompreensível. Isso a gente chama de muscitar, tá? Uma outra coisa são neologismos. Neologismos é um uso da linguagem de forma idiossincrática. O que que isso significa? com um significado ou um sentido que só o
paciente entende. Então, não é obviamente só a formação de palavras novas, mas é também esse uso idiossincrático de sentidos. A gente vai ver muito claro isso aqui. É muito comum em quadros de esquizofrenia. Por exemplo, você usa uma palavra, e pode ser uma palavra nova, tá? pode ser uma palavra assim que ninguém eh já viu, mas aquilo assume um novo sentido, um novo significado. Por exemplo, imagina que um texto de João Guimarães Rosa, né, eh eh grande sertão veredas ali é cheio de neologismos, cheio de palavras diferentes que ele usa, funde, usa às vezes em
em significados indiocicráticos, mas também isso aqui a gente pode ver no paciente. Vamos ver aqui um exemplo de neologismos, tá certo? Aqui tirado desse documentário da estamira. Tem o lúcido que daquele que eu escrevi lá, que é o lúcido. É isso aqui. Tem o ciente. O ciente é o saber do qual Jesus não sabe ler nem escrever, mas ele aprendeu toda coisa. De tanto ele vê o lucidar. A tua lucidez não te deixa ver. A lucidez e a lucidez. A lucidez e a inucidez. Tá bom. E o sentimento, né? Consciente, lúcido e ciente. E tem,
vocês viram aqui como que ela usa as palavras. Então, por exemplo, ela vai falar de lucidar ou ela vai falar de ciente. Isso não são erros, tá, pessoal? Ela tá usando essa palavra aqui com significações que são aí para ela que ela entende mais que o interlocutor. Então, quem tá ouvindo vai entender muito bem como que ela usou essa palavra. Isso é um exemplo de neologismo. Vamos ver outro exemplo aqui de neologismo. Gravar. Seu nome? Eu sou Alexandre dos Santos Lima. Alexandre, qual sua opinião sobre o serviço das barcas? Tá ruim? Tá bom? E o
que que tem que melhorar? Bom, o serviço das barcas é um serviço excelente, porque é um transporte de um de um custo não muito elevado, leva até o Rio de Janeiro e vai ficar melhor logo assim que eu assumi como King Siz, o Senhor das Terras do Rio de Janeiro. A máfia chinesa teve a capacidade de de escalar a minha existência para estrupar. Bom, aqui a gente tem um claro exemplo de que o paciente ele usa king size de uma forma que é um pouco um neologismo. Então assim, não tem muito sentido, tá? Ou então
tem um sentido que é muito idiossincrático, só o paciente sabe o que que é. Isso aqui é um neologismo, tá certo, pessoal? E são muito sugestivos de quadro de esquizofrenia. Não tô dizendo que esse rapaz aqui tem esquizofrenia, tá? Enfim, não dá para saber assim nesse trecho, apesar de ser sugestivo disso, tá? Beleza? Pessoal, além disso, quando a linguagem ela se deteriora ainda mais e ela perde completamente os nexos, a sintaxe, a estruturação, a gente entra naquilo que a gente chama de jargonofasia ou esquizofasia ou salada de palavras. Seria justamente a pessoa falar de uma
forma que qualquer tipo de discurso ou qualquer frase, sentença ou palavras, elas seja idiossincráticas. Então, por exemplo, no vídeo da Estamira que a gente viu, a gente até dá para entender ali o que que ela tá falando, o sentido. Algumas coisas a gente compreende, outras não, tá certo? Mas se aquilo fosse completamente assim desestruturado, desarticulado, uma palavra não se articulasse com a outra e a gente ficasse assim uma completa incompreensão, isso seria uma salada de palavras ou uma jargonofasia, tá certo? Então isso aqui é bem indicativo assim de alterações que são mais esquizofrênicas, mas também
isso aqui aparece, tá, em quadros de desagregação grave ali da consciência. A gente viu um quadro de delíri um na aula lá de consciência, tá certo? Um vídeo de um paciente que ele chega ali em um estado de intoxicação aguda, que é uma esquizofazia, tá certo? É uma salada de palavras e é por causa de uma alteração exógena, ou seja, uma droga, tá beleza? Tem outras coisas que também são interessantes da gente ver. Uma delas seria o que a gente chama de solilóquio, tá? Solilóquio seria você falar sozinho. Então, quando você vê uma pessoa que
tá falando sozinho, ela tá em soliloquismo, tá bom? Uma outro achado também interessante é a coprolalia, que seria o uso de palavras ali obsênas ou então de baixo calão, tá? A coprolalia, pessoal, ela aparece bastante ali na síndrome de torrete ou então às vezes nos ticks vocais. Então, acho que eu posso falar isso aqui porque é de meu conhecimento público, tá bom? Mas tem aquele aquele aquela pessoa que chamada de lera, que às vezes aparece num noss quadros de humor que tem um uma síndrome de turret, tá? E aquilo ali é um exemplo de coprolalia,
tá? Beleza? A gente também tem falas que são mais maneirísticas, tá certo? O que que isso aqui se refere? Toda vez que você vê frases que são o jeito de falar uma prosódia que seja caricatural, você vai est diante aí de um amaneiramento, tá certo? Por exemplo, se eu tivesse falando aqui com um sotaque ou imitando alguém, eu estaria sendo mais caricatural. Isso aparece nos pacientes. Então, imagina que você vai falar com um paciente e ele tem ali um sotaque que é um sotaque ali, ele se falasse como se tivesse nos anos 20 ou então
usando palavras rebuscadas demais. Quando não tá apropriado pra situação e aquilo parece muito caricatural, você vai ver que é um certo amaneiramento. O melhor exemplo que eu te dou é quando alguém tenta imitar alguém, tá certo? Quando a pessoa tá fazendo imitação, aquilo ali é um amaneiramento, tá certo? É maneirístico, é caricatural. Só que tem pacientes que falam desse jeito e não conseguem voltar a, digamos assim, a linha basal ou seu habitual. E isso às vezes você vai ver, por exemplo, quadros de esquizofrenia. Beleza? Um outro achado é a pedolalia. Pedolalia é falar como criança.
É aquela voz que é muito infantilizada. Às vezes a gente vê isso em quadros de personalidade ou então às vezes em transtornos dissociativos da personalidade que a pessoa ela assume uma outra personalidade que se comporta às vezes de uma forma muito regredida, regressiva de uma criança. É uma pédola ali. Bom, pessoal, a gente também tem as parespostas. Paresposta quando você pergunta uma coisas para paciente e ele vai te dar uma resposta muito diferente daquilo. Por exemplo, imagina que você fala assim: "Bom, qual é seu nome?" Então, como que você se chama? E o paciente ele
fala assim: "Eu vim aqui consertar a geladeira". Ele deu uma resposta que é diferente do que você espera, tá certo? Ou então você pergunta: "Bom, qual a sua idade?" E ele vira e fala: "O lago é azul". Poxa, é muito distante, tá certo? Então isso seria uma paresposta. É diferente de uma resposta aproximada. Uma resposta aproximada, ela toca o que você perguntou, tá certo? Só que ela, por exemplo, eh, ela, o paciente às vezes ele sabe, ele teria a capacidade de responder aquilo de uma maneira certa. A gente vê isso aqui às vezes naquela síndrome
de Gâncer, tá? Que é uma síndrome ali conversiva barra dissociativa, que às vezes você vai fazer perguntas pra pessoa e ela vai só te responder coisas que são muito aproximadas. Por exemplo, imagina que você fala: "Ah, quanto é 3 x 3?" E a pessoa responde 10, tá? ela teria a capacidade de falar nove, mas ela falou 10. Às vezes isso pode não ser deliberado, tá? Qual é um outro exemplo aí de respostas aproximadas que a gente vê quando você tá avaliando um paciente que ele tem ali transtorno do espectro autista e ele é literal demais,
ou seja, que às vezes você faz uma brincadeira ou faz uma pergunta e a pessoa não teve aquela capacidade de abstrair um pouco o que você tava perguntando e ela lhe dá uma resposta que é meio concreta, isso é uma resposta aproximada. Eu vou dar um exemplo aqui. Uma vez eu perguntei para um paciente que ele tava tava com violão, né? Enfim, ele me pediu o violão e aí ele eu perguntei assim: "Ah, eh, o que que você vai tocar aí pra gente, né?" E aí ele falou: "Tocar violão?" Então assim, isso obviamente é uma
resposta aproximada, porque eu esperava que ele falasse qual música que ele ele iria tocar e ele tem a capacidade de falar qual é a música, mas ele deu uma resposta meio concreta. Isso é uma resposta aproximada, tá certo? Então, só para vocês entenderem esse contexto. E pessoal, antes da gente passar aqui pra parte mais prática, tá? Enfim, se você tá curtindo esse conteúdo aqui, isso é importante. Eu gostaria de convidar você para conhecer o nosso curso de psicopatologia. Lá a gente vai aprofundar muito mais isso aqui. Aqui a gente tá vendo só a psicopatologia descritiva.
Lá a gente vai ver psicopatologia clínica, ou seja, como todos esses achados aqui aparecem nos transtornos. Isso é bem legal, possibilita o diagnóstico. E também a gente vai ter bases de psicopatologia fenomenológica, que aí é muito mais avançado, só que ele dá um grau de compreensão aí extremo dos pacientes e é uma área muito bonita. Não são só aulas, sempre tá relacionado com a prática, a gente traz atores e uma coisa que é bem importante, a gente fornece acompanhamento, a gente tira suas dúvidas no grupo, sempre tem um grupo lá com os professores, com os
outros alunos e a gente também tem supervisões onde a gente consegue discutir os seus casos. Isso aí, pessoal, é muito diferenciado. Poucos cursos oferecem isso e eu acho que a gente oferece de uma forma que é muito organizada, é muito relacionada com a prática e eu tenho certeza que você vai aprender. Então, se você quiser conhecer, clica ali na descrição que tem aqui no embaixo no mais que você vai ter o link da nossa página. Você clica lá e vê, conhece e vê se realmente é adequado para você, tá bom? Se for, lhe convido para
participar. Vamos voltar aqui paraa nossa aula. Beleza? Vamos ver aqui exemplos, tá certo? Dessas últimas coisas que a gente acabou de falar. Vamos primeiro aqui pro fenômenos de ecolalia, tá certo? Que são bem simples mesmo, tá? Não tem muito mistério. Good morning. Good morning. How are you today? How are you today? A gente acabou de ver aqui a repetição, tá? Isso aqui é muito comum às vezes em quadro de esquizofrenia e quadros de catatonia. Então, vê esses fenômenos assim, eles denotam uma desagregação muito grande do psiquismo. Às vezes tem isso e às vezes tem quadro
orgânico também. Então assim, fica esperto. Eu já vi isso aqui em quadro às vezes de encefalites, tá certo? Pode acontecer isso aqui. Can you please come for? Youingently from how was lunch? Well, I had myself a turkey club sandwich. It was light on the mayo, but it was toasted to perfection. Vê aqui que além do hiperprosó, tá, que a gente viu, esse paciente, ele tem uma forma muito caricatural, tá? De falar as coisas. Então isso aqui é um maneirismo, tá bom? É legal vocês conhecerem isso. Beleza? A gente vai ver aqui um exemplo de verb
geração, tá? Ou seja, seria também o que a gente chama de estereotipia verbal, tá? Vamos aqui paraa prática. Examples ofigation. So, how are you today? I wan go home. I wan go home. I wan go home go home. Vê que é muito mais próximo de um automatismo. Então o paciente ele tá falando isso de uma forma meio automática, meio monótona, meio repetitivo. Isso seria uma estereotipia. Tom, how are you today? Ok. Para quem tá atento à nossa aula, isso não é um mutismo, isso tá muito mais próximo de multitação do que o de multismo, tá?
Multismo seria de fato o paciente não falar nada e que é também uma forma de negativismo, tá certo? Mas fica aí a correção, tá certo? no vídeo. Quem é nossa aluna aqui sabe que pode fazer isso aí bem fundamentado. E pessoal, a gente vai falar aqui por fim de como que você faz o exame da linguagem, tá certo? Óbvio que você tem que conversar com o paciente, meio que aprender o que ele tá falando. Você vai, de uma certa forma também intuir muitas coisas, por exemplo, a prosóide, mas também tem coisas que você pode fazer
para facilitar isso, principalmente ali nas afaziasou, então quando você tá em dúvida de um transtorno mais orgânico. Primeiro é testar a compreensão. Então você pode dar instruções pro paciente, por exemplo, pega essa caneta, pega esse carimbo. Ou então você pode perguntar para ele o que que é maior, um elefante ou um rato? Tá? Se ele falar um elefante, você entendeu o que ele compreendeu. Beleza? Isso obviamente indireto também testa a abstração, a inteligência, tá? Mas também testa a compreensão. Uma segunda coisa que você pode pegar é a nomeação. Você pode pedir pro paciente nomear objetos.
Então você pode, por exemplo, pegar uma caneta e falar: "O que que é isso aqui?" Tá? Aí você tira a caneta e fala assim: "O que que é isso aqui?" Aí o paciente é para falar: "Ah, é uma caneta". Ou então é a tampa da caneta. E se o paciente às vezes ele tem dificuldade, ele pode ficar naquele fenômeno de word finding, né? Ele essa a coisa que usa para escrever, ou seja, é próximo, tá? Mas não é, é uma resposta aproximada, tá bom? Que vocês acabaram de aprender. Beleza? Uma outra coisa também é a
expressão. Você pode pedir pro paciente falar ou escrever uma frase com sujeito, verbo e objeto, tá certo? E aí você vai testar a capacidade do paciente se expressar. E por fim, você pode pedir pro paciente repetir, tá bom? Você pode falar para ele falar a seguinte frase: nem aqui, nem ali, nem lá. E aí você testa se ele consegue repetir ou não. Obviamente esses testes aqui, eles pegam muito mais alterações da das funções ali mais puxadas para uma parte orgânica, mas óbvio, a gente vai fazer esse tipo de diagnóstico diferencial na prática. E é isso,
pessoal. a gente encerra aqui o conteúdo de exame da função linguagem, um conteúdo aí muito importante. E obviamente se você gostou acompanha as outras funções que a gente deixou aqui, tá certo? que isso vai instrumentar e fundar o seu exame psíquico.