Olá, acadêmicos, eu sou a professora Beth e hoje nós estamos aqui para tratar de dois temas muito importantes para vocês, a inovação disruptiva e a inteligência artificial. São dois temas muito próximos, que se conversam frequentemente e que esperamos permitir a vocês que fomentem o espírito crítico, o espírito resolutivo de forma ética e de forma criativa. São dois temas que nascem, logicamente, fruto de muita pesquisa e de muita produção do conhecimento científico.
E para fazer o bate-papo de hoje ficar ainda mais interessante, nós temos dois colegas, a Amanda e o Anderson, aqui da Senior Sistemas, uma desenvolvedora de software sediada em Blumenau, Santa Catarina, com mais de 30 anos de mercado, atuando nos segmentos do agronegócio, da construção, da logística e do varejo. Então, nesse momento, eu deixo a palavra, agora, com a Amanda e com o Anderson, para que eles se apresentem e, logicamente, agradeço antecipadamente o aceite de vocês em participar conosco deste momento tão especial para os nossos acadêmicos. Maravilha, muito obrigada, Beth.
Então, falar um pouquinho sobre mim. Eu sou Amanda, eu vim aqui conversar com vocês hoje. A minha carreira basicamente está bem voltada para a inteligência artificial.
Eu trabalhei boa parte do meu passado com open source, mas eu migrei para inteligência artificial e atuei como cientista de dados boa parte da minha carreira corporativa. Hoje, eu sou coordenadora de pesquisa aqui no setor, no Senior labs, que é onde a gente trabalha basicamente com novas tecnologias, com tendências tecnológicas, aplicadas ao negócio da Senior. Então, espero estar fazendo, trazendo bastante conteúdo para vocês junto com o Anderson.
Legal, deixa eu me apresentar. Meu nome é Anderson Torres. Eu trabalho aqui na Senior há mais de 13 anos.
Hoje, eu estou como coordenador de inovação. Tenho uma formação com mestrado em administração, onde eu estudei bastante sobre inovação e cultura organizacional e espero poder contribuir com esse bate-papo junto com a Amanda. Perfeito.
Obrigada, Amanda. Obrigada, Anderson. Amanda, a gente começa, então, a primeira pergunta vai para você.
Amanda, a gente sabe que o conhecimento científico é uma peça-chave. Ele é estratégico, ele contribui de forma muito especial para o desenvolvimento de muitos países, né? E a gente sabe que, dependendo desse cenário, a questão da inovação é muito complexa, não é?
A gente tem o envolvimento de muitas pessoas, de muitas funções e de altos níveis de investimento, né? Dentro desse cenário todo, a gente também sabe que não é toda pesquisa que vira inovação e de forma tão rápido, né? Isso não é um passe de mágica.
Então, o que a gente gostaria que você conversasse com os nossos acadêmicos, Amanda, de que forma a inovação disruptiva baseada em inteligência artificial aconteça de forma ética e socialmente responsável? Tranquilo. Bom, aqui, dentro da Senior, a gente trabalha com um código de ética que é amplamente divulgado e acompanhado dentro da instituição, principalmente e fundamentalmente onde a gente desenvolve novas funcionalidades.
Aqui, falando de inteligência artificial, mas também de outras aplicações. A gente também tem diretrizes bem fundamentadas com relação à segurança da informação e a LGPD, que são temas bem atuais para garantir privacidade, para garantir que a gente esteja dentro da ética de todas as soluções que são desenvolvidas aqui na Senior. Falando especificamente sobre o time de dados, quando a gente faz alguma ingestão de dados de algum cliente, a gente precisa da autorização daquele cliente pra que a gente utilize ele de forma anônima na formulação de novas soluções, tá?
Então, é tudo bem processual. Tem que ser assim para que a gente consiga garantir a privacidade e estar de acordo com essas diretrizes que a empresa segue, que são bem rígidas e amplamente acompanhadas dentro da empresa. Quando a gente fala até um pouco mais sobre a questão mais social, a gente garante isso, a gente começa a nossa jornada com times, com a formulação desses times diversos, em que a gente vai estar olhando sob diferentes perspectivas as soluções que estão sendo formuladas.
É importante salientar, vou até trazer um exemplo de uma aplicação que a gente desenvolveu aqui no laboratório sobre reconhecimento facial, que fica bem tangível para todo mundo, porque todo mundo conhece reconhecimento facial, é uma tecnologia amplamente difundida, não é? Então, a gente desenvolveu isso, desenvolveu uma tecnologia de reconhecimento facial se preocupando com o que a tecnologia abarca na sociedade, com nosso usuário final. Então, se preocupando de verdade com questões éticas, por exemplo, dentro da solução de inteligência artificial.
Assim, a gente consegue, é claro, criar soluções e utilizar essa tecnologia com responsabilidade social. Que bacana, Amanda, o exemplo que você trouxe certamente faz sentido para o nosso acadêmico, né? Seguindo nessa tocada da tecnologia, Anderson, a gente sabe que as inovações elas acontecem de diversas formas e em diferentes graus.
Mas o que a gente gostaria realmente de discutir aqui é compreender os resultados de um alto índice de inovação, ou seja, quando a gente está falando realmente de inovação radical ou de uma inovação que se diz disruptiva e que envolvem muita pesquisa, muita tecnologia e muito tempo até que realmente elas sejam implementadas, e a gente gostaria de saber, então, de que forma ou quais são os elementos essenciais para que a aplicação de um projeto envolvendo tecnologias disruptivas dê certo, Anderson. O que você diria para o nosso acadêmico nesse sentido? Então, para que a gente possa desenvolver inovação disruptiva, eu sempre gosto de começar refletindo um pouco sobre o que vem a ser uma inovação disruptiva.
Ela provoca uma ruptura na sociedade. Para a gente poder fazer um exercício bem prático, assim, de como isso acontece, é só refletir em processos, por exemplo, ou atividades que antes eram feitas de um jeito e, por causa de um produto, um serviço, uma tecnologia, aquilo mudou, aquilo é feito de uma outra forma. Ou, em outras palavras, antes era feita assim, aí com um produto novo, com a nova tecnologia, agora é feito diferente.
Então, a gente tem inúmeros exemplos, por exemplo, que impactos que o celular, uma ferramenta simples, nos trouxe e gerou essa disrupção? Então, uma vez entendendo que isso acontece dessa forma, o que a gente percebe na maioria das empresas que desenvolve um P&D estruturado é que elas não vivem tentando encontrar uma inovação disruptiva. Elas estão focadas em desenvolver um arcabouço de inovações, na esperança de que uma ou outra daquela possa ser disruptiva.
Porque aí você divide bastante o investimento em P&D, e esse investimento, então, ele fica distribuído. E você consegue, então, dessa forma, ter a possibilidade de fazer, de ter algumas inovações que podem dar certo, que podem sair do outro lado, como inovações disruptivas. Aí, lá na frente, a gente vai olhar para o passado e vai falar: Poxa, aquele produto que nós lançamos mudou o mercado, E aí a gente percebe a disrupção que foi feita.
Então, esse processo é feito no modelo de funil, então há um investimento da empresa em vários estágios de desenvolvimento, porque não adianta a empresa querer colocar todas as fichas num único projeto e não adianta a empresa colocar muito dinheiro em muitos projetos. Então, ela vai fazendo um estágio, verificando essas ideias, a maturidade delas, até que, no final, você tem um conjunto de projetos que você faz uma aposta maior. E essa aposta, então, vai gerar um novo produto, na esperança de que foram diminuídos os riscos tecnológicos, para que, no fim, a gente tenha um produto inovador.
Então, a ideia desse processo de inovação é um processo que a gente chama muitas vezes de Stage Gates. Então, são vários estágios aonde você inscreve em vários projetos e, à medida que vai passando esses estágios, alguns deles vão caindo. Vão caindo, porque, às vezes, a tecnologia não está madura o suficiente.
Às vezes, é muito disruptivo, muda muito radical o modelo, daí a gente percebe que talvez isso não seja para agora. E aí a gente vai vendo outras. A gente testa, tenta fazer e não consegue, aí falha.
Pelo caminho, vão sobrando algumas ideias, alguns projetos que podem gerar esse fruto, essa disrupção que as empresas esperam no futuro. Acho que é por aí. Anderson, você trouxe na sua fala algo que é bem importante, que é o desenvolvimento dessas inovações por estágios, por etapas e a gente sabe que a pesquisa científica, fazendo um gancho com a disciplina, ela é só um dos primeiros passos para a inovação.
E como a gente quer conversar com acadêmicos de todas as áreas, a gente sabe que qualquer produto, qualquer serviço, ele vai precisar passar, mesmo que seja uma grande ideia, por uma análise de viabilidade técnica, pela criação de protótipos, realiza-se, inclusive, uma viabilidade de produção desse serviço, para, só então, essa nova ideia ganhar o mercado. Então, Amanda, a pergunta vai para você, tá? A pergunta, então, seria: como os acadêmicos podem se preparar para competir num cenário onde essa inovação é tão forte e tem sido ainda mais impulsionada pela inteligência artificial, que está se tornando cada vez mais comum.
Amanda, olha o desafio. É bem desafiador mesmo, tá? É, mas a dica é se apropriar da tecnologia.
Aqui eu estou falando de qualquer tecnologia, seja a inteligência artificial, seja qualquer inovação. Então, se apropriar disso, viver isso dentro do seu dia a dia e utilizar isso para benefício próprio. Então, aqui entra num tema super importante, que a gente chama de Human Augmentation, se vocês quiserem pesquisar, é bem legal, que é justamente se apropriar da tecnologia para aumentar a capacidade do ser humano.
É bem interessante isso. Tecnologias como ChatGPT, que hoje está super na moda, são tecnologias que vêm para ajudar a gente. Então, aqui eu estou falando de inteligência artificial, mas pode ser qualquer outra.
É justamente dar ideias, ou até facilitar processos que são é repetitivos. São processos que a gente pode fazer de uma maneira mais automatizada. A grande diferença, o que a máquina não consegue reproduzir, é a nossa criatividade.
Então, se eu diria para vocês apostar em um tema, esse tema é criatividade. A máquina não chegou a esse ponto, e talvez nunca chegue. Esse é um tema que a gente tem que realmente se apropriar e cada vez mais aumentar a nossa capacidade de ser criativo.
Sim, a criatividade vai fazer sempre a diferença, né? Seja a área que a gente escolher para trabalhar, é ela que vai nos fazer pessoas e profissionais diferentes. Então, continuando a conversar sobre inovação, já que a Amanda trouxe essa percepção de uma forma muito leve, a gente sabe que o processo de inovação precisa acontecer de forma muito organizada, observando os objetivos para os quais essa inovação foi proposta, contempla muitas etapas e, para que a inovação funcione de fato, a gente precisa do envolvimento de várias pessoas.
A nossa pergunta, então, é como que a Senior tem avaliado o impacto da inovação, considerando agora todos os usos e toda a potencialidade da inteligência artificial nos seus modelos de negócio e na sociedade em geral. Legal. A gente pode começar dando um passo atrás e falando um pouco sobre o planejamento estratégico da Senior.
Então, a agenda de dados e de inteligência artificial e tudo que está relacionado a esse mundo novo dos dados nasceu no planejamento e a partir daí, então, várias ações foram construídas, inclusive algumas que a Amanda mesmo já citou, como a questão da LGPD, segurança dos dados, o trato dos dados aqui dentro, tecnologias que a gente vai utilizar, produtos que vão começar a utilizar esse tipo de tecnologia. Então, foi a partir já de um planejamento da companhia que deu os direcionamentos para que a gente pudesse iniciar esse processo de pesquisa e desenvolvimento. Então, hoje, nós temos várias frentes dentro da área de pesquisa, que a Amanda coordena, já tratando dessas tecnologia.
Algumas delas já estão prontas para ser tratadas no processo de inovação. Então, a gente está fazendo modelagem de negócio dessas tecnologias, dessas aplicações, para que a gente possa levar isso para o mercado. Quando a gente pensa no impacto da sociedade, o que a gente espera?
A gente espera que toda essa automação, toda essa tecnologia ajude lá na ponta, o usuário final, ajude ele a tomar a melhor decisão para o negócio dele, ajude ele a economizar tempo, a reduzir custos nas suas operações. Então, tudo que a gente faz hoje, pensando principalmente em inteligência artificial, em desenvolvimento dessas automações, é para poder ajudar o nosso cliente, lá na ponta, para tomar a decisão a melhor decisão usando as nossas tecnologias. Anderson, quando você fala dessas várias situações relativas à inteligência artificial e aos avanços que ela tem permitido, à economia de tempo, ela tem se mostrado muito benéfica, né?
Às vezes, de forma mais direta, às vezes de forma mais indireta, para vários setores. E a gente gostaria, então, de saber de vocês dois, como que o nosso acadêmico, a gente tem alunos aqui de vários cursos nos acompanhando, e que desejam trabalhar com inovação, ou que gostariam de se envolver com a área da inteligência artificial, como que eles podem se preparar para atuar convivendo com esses dois grandes temas, o que vocês diriam? Pensem que são alunos de diversas áreas, das licenciaturas, dos bacharelados, da área, da saúde, da área ambiental, das engenharias, enfim, e me desculpem aquelas outras áreas que eu não consegui citar, porque são várias.
Então, quando a gente pensa em ser um profissional inovador, de gerar inovação dentro da empresa, é importante a gente entender que não necessariamente eu preciso trabalhar dentro de um laboratório. Eu posso gerar a inovação nos diversos processos organizacionais de uma empresa, desde inovações que a gente chama de inovações mais incrementais ou inovações que são melhorias, processos de melhorias contínuas. Então, por exemplo, se você, dentro de uma indústria, está dentro de um ciclo de PDCA, por exemplo, você está gerando inovação.
É um processo de inovação mais incremental e que vai, lá na frente, também gerar resultados positivos para a companhia. Agora, existem também, nos diversos setores, a possibilidade de, por exemplo, você trabalhar num P&D, em pesquisa e desenvolvimento de novos produtos. Então, esse é um espaço, por exemplo, que aqui dentro da Senior a gente tem, por ser uma empresa de software.
O nosso P&D é muito intensivo aqui dentro. Então, praticamente talvez metade da empresa é focada no desenvolvimento de novos produtos, mas a gente tem uma equipe que só trabalha em melhoria também, porque não adianta só criar, a gente tem que criar e fazer essa evolução acontecer. Então, também é uma forma de fazer.
Agora, em relação ao preparo para isso, eu Acredito que algumas competências, como a Amanda mesmo já falou, a criatividade, a colaboração é extremamente importante. Você saber trabalhar em equipe, né? Iso é algo extremamente.
. . Que traz um valor importante para o para o negócio.
Então, esse tipo de qualificação, de qualidade, que a gente chama de soft skills. É claro que você também precisa ter o lado técnico bem desenvolvido, mas se você ter essas soft skills, você vai conseguir trabalhar em equipe e resolver problemas, porque quando a gente está falando de inovação, de certa forma, a gente está tentando resolver algum problema e trazer uma solução que seja diferenciada para o negócio, para as empresas, para as pessoas. Agora, falando de inteligência artificial, eu vou deixar a Amanda falar.
Eu acho que é bem legal complementar o que o Torres acabou de trazer, que seria a ideia de ter um perfil inovativo. Isso pode ser em diferentes postos. Não precisa ter um posto de inovação.
Então, ser inovador está mais amplo que isso. Trazendo para a questão de inteligência artificial e coisas que compõem o nosso time de pesquisa, que é quem dá o start nas tendências tecnológicas, como eu falei para vocês, a gente tem alguns perfis diferentes e alguns casos. Dentro do perfil mais de pesquisa, aqui a gente tem mais os cientistas de dados.
Mas eu vou aproveitar para dar uma dica e abrir um pouco mais esse leque, já aproveitando esse gancho pra vocês, tá? Então, dentro da área de inteligência artificial, para quem se interessa nesse mundo, a gente tem basicamente quatro cargos, que são o topo, seriam os principais, os fundamentais. Eu vou começar bem, tentar fazer da maneira mais didática.
Então, primeiro, a gente tem o engenheiro de dados, que é quem, de fato, vai pegar aquele dado que está em n lugares e vai criar um fluxo, que a gente chama de pipeline, que vai ser essa extração do dado, a automatização do dado, para realmente viabilizar esse dado para o uso em diversas soluções. A gente vai ter também um analista de dados, que ele está mais preocupado com o negócio. O analista de dados pode estar dentro das diversas áreas, então pode estar dentro da área de marketing, dentro da área de vendas.
E ele vai criar soluções de visualização para ajudar nas decisões de negócio. A gente tem os cientistas de dados, que a gente tem aqui no laboratório de inovação, que é a pessoa que vai pegar o que foi construído pelo engenheiro de dados, então aquele dado que está todo formuladinho, bonitinho, com as preocupações de qualidade, e vai fazer soluções de machine learning. Então, é entender quais são as propostas que conseguem criar em cima desses dados, entender qual o valor que ele entrega também e criar essas soluções.
Inclusive, pegando o gancho da Beth, ela falou sobre a prototipação. A gente faz muito isso aqui: provas de conceito. O cientista de dados vai ter mais esse cargo, de fazer as provas de conceito, de mostrar a viabilidade das hipóteses que ele montou.
Por fim, a gente tem um engenheiro de machine learning. Então, é quem pega o dado que está viabilizado pelo engenheiro de dados, a prova de conceito que foi construída pelos cientistas de dados e que, de fato, vai automatizar essa solução que vai ser entregue para o cliente. Então, ele vai deixar tudo redondinho, vai garantir a assertividade daquele modelo, vai garantir que ele de fato entrega valor, o retreino, com um tempo, manutenção.
Então, esse profissional vai estar preocupado com isso. Aí, de fato, a gente conclui toda a solução. Passei pelos principais cargos.
A fala que a Amanda fez agora, gente, tem muita conexão com as competências, com as etapas que são necessárias para as diversas entregas. E se a gente pensar que muita coisa ainda está para chegar, a gente precisa olhar para o futuro, não é? E a gente tem percebido que alfabetização para futuro, segundo a Unesco, segundo o Fórum econômico mundial, essa alfabetização para o futuro tem sido considerada uma das competências essenciais para o século 21.
Então, a gente sabe que alfabetização para futuro ou aprendizagem preditiva ou pensamento de futuros vai nos remeter para qual abordagem? Aquela abordagem de que se você consegue estudar o movimento das mudanças, você consegue também se preparar melhor para o futuro. A gente consegue imaginá-lo, desenhá-lo agora no presente e interferir na sua construção.
Aonde eu quero com isso tudo? A gente imagina, então, que a alfabetização para futuros pode colaborar no processo de inovação, de transformação da realidade? Ou seja, canalizando os esforços para a criação de um futuro desejável, de um futuro melhor?
Será que a gente consegue estabelecer essa relação, Anderson? Eu acredito que sim e. Pensando sobre o futuro, a Senior desenvolveu um planejamento estratégico, vou voltar no planejamento estratégico, porque ele é muito importante para a companhia.
A gente desenvolveu um planejamento estratégico que nós chamamos de Senior Futures. E nesse planejamento estratégico, a gente constrói, de forma colaborativa, o pensamento coletivo. É o reflexo do pensamento coletivo nas mais diversas camadas da organização.
A gente tenta refletir o pensamento do que vai acontecer no futuro, tentando antecipar isso. E a gente faz isso usando uma abordagem de design que a gente chama de Double Diamond. Então, a gente tem um momento onde a gente faz uma divergência de pensamentos e, geralmente, a gente traz gente de fora para nos ajudar nesse fermento e nessa colaboração e, depois, um processo de convergência, que vai nos direcionar às iniciativas e projetos, tanto projetos de produto quantos projetos de pesquisa, quanto projetos organizacionais, que vão nos direcionar para o futuro que a gente deseja e gostaria de ter.
Então, esse é um primeiro processo que a gente tem, é como se fosse a organização coletiva, o coletivo pensando no futuro. Além disso, a gente também desenvolveu aqui dentro da Senior um pensamento bastante forte no design de produto. Aí, a gente utiliza muitas ferramentas de design para poder construir produtos que tentam antever as necessidades dos clientes, que vão para a tendência, tentando chegar no usuário e antecipar a forma de uso dele.
Foca muito a experiência do usuário. Aí, a gente tem um time de design, que interage com todos os times de produto, com metodologias também do pensamento coletivo novamente para poder chegar e entregar produtos inovadores. Então, iniciativas e projetos e produtos inovadores.
Por fim, a gente entende que tudo isso só funciona porque tem gente por trás trabalhando. Então, assim, a Senior é uma empresa intensiva em mão de obra. Aí, a gente olha para as competências organizacionais, é um trabalho que a gente vem fazendo há vários anos aqui dentro da Senior, de tentar conectar essas competências com as tendências de pensamentos, como o da Unesco.
Então, muitas das nossas competência se encaixam com esse pensamento de futuro da Unesco, do pensar da Unesco. Então, desde colaboração, criatividade, inovação, pensamento crítico, decisão orientada a dados, long life learning, que é o processo de aprendizagem contínua. Essas todas são competências que são desenvolvidas dentro da organização e, para isso, a universidade corporativa nos ajuda com isso.
Então, ela gera conteúdo para poder fazer essa formação das pessoas e, posteriormente, elas serem avaliadas. Como estão? Como está o desempenho dela nessas competências?
E aí, a gente vai construindo essa organização, que é uma organização que se propõe a inovar. Está sempre criando coisas novas, olhando para o futuro. Eu acho que é essa conexão que eu consigo estabelecer com a Unesco e esse pensamento do futuro.
Anderson, obrigada. Amanda, obrigada. Eu acho que as considerações que vocês trouxeram para a gente ao longo dessa conversa vão permitir para os nossos acadêmicos muitas reflexões acerca não só da inovação, não só da inteligência artificial, mas especialmente da criatividade que nós podemos usar todo esse potencial, todo esse arsenal que está aí na nossa mão.
Acho que aí é que está o diferencial. Obrigada. E acadêmicos, a gente se vê.
Tchau, tchau.