Bacon e gordura saturada fazem mal. Não, espera. Bacon não faz mal?
Ou será que faz? Se você está confuso, esse vídeo é pra você. Porque nas últimas semanas, a internet virou um ringue.
De um lado, o influenciador Julio Gorila dizendo que a gordura saturada foi injustiçada, que ela não é ruim, e que os óleos vegetais são um verdadeiro veneno Do outro, Renato Cariani rebateu com argumentos mais alinhados à ciência. Mas no meio disso tudo, milhões de pessoas sem saber se podem ou não comer sua manteiga sem culpa. Hoje nós vamos organizar esse caos não com narrativa mas com dados e informações Com evidência científica porque enquanto uns batem no peito para provar seu ponto, a ciência olha para dados.
Meu nome é Carlos Eduardo Seraphim, eu sou médico endorquimologista e pesquisador. Nesse canal, a gente combate desinformação com evidência científica. Se esse tipo de conteúdo faz sentido para você, deixa o like, se inscreve e ativa o sininho.
Pessoal, o vídeo de hoje vai tocar num vespeiro, a comunidade que defende a gordura saturada é muito sensível e fica ofendida facilmente. Mas eu queria deixar claro desde já, esse vídeo não vai ser uma defesa cega das diretrizes antigas nem um ataque ideológico à gordura animal, vai ser uma análise do que a ciência de melhor qualidade realmente tem dito. Então vamos combinar uma coisa?
Vamos olhar os dados, sem paixões, e assistir o vídeo inteiro. Nesse vídeo não vai ter aquele papo cansado de, ai, mas o homem das cavernas blá blá blá, isso é narrativa. Ciência é olhar dados e são eles que me interessam.
Então a gente vai analisar os argumentos centrais do post que iniciou toda a confusão, comentando. . .
Ponto a ponto, depois a gente vai ver o que o Cariani comentou e quem que tá mais certo segundo o conjunto de evidências científicas na atualidade, vai ter muita informação nesse vídeo, então se quiser assiste até o final hoje e volta uns dias depois e assiste de novo pra fixar Combinado? Mas vamos começar com os argumentos do Júlio Gorila o post dele traz esse primeiro argumento aqui, abre aspas na década de 1920 aconteceu uma das maiores manipulações nutricionais da história, quando eu falo de gordura boa, eu não tô falando de gordura animal ou vegetal, eu tô falando de gordura de verdade gorduras integrais, seja lá o que isso significa, estáveis e minimamente processadas, azeite extra virgem, ok né gente, óleo de coco, manteiga e sebo Fecha aspas aqui tem um erro histórico importante, as grandes diretrizes que recomendaram reduzir gordura saturada, começaram nos anos 1950 a 1960 não nos anos 1920 Ansel Keys, um importantíssimo pesquisador na área, ele começou o seu estudo Seven Countries Study, apenas em 1958 e publicou apenas em 1978. A American Heart Association fez suas primeiras recomendações sobre gordura saturada somente em 1961.
As guidelines, os guias dietéticos dos americanos foram publicados inicialmente em 1980 Então, nos anos 1920, a indústria de óleos vegetais, como conhecemos hoje, nem existia em larga escala. O foco daquela época era vitaminas minerais era prevenir doenças de deficiência como escorbuto não colesterol. Falar de manipulação nos anos 1920 é anacrônico e demonstra um desconhecimento histórico básico.
Mas vamos perdoar esse. . .
E de curiosidade gente, em 1911 a Procter & Gamble lançou o Crisco, que foi o primeiro óleo vegetal hidrogenado do mundo. Essa palavra hidrogenado é importante. A propaganda é ele seria mais saudável do que as outras gorduras que usavam pra culinária naquela época.
Mas a gente descobriu que a hidrogenação gera gorduras trans, uma das substâncias mais prejudiciais da história da nutrição E o problema não era ser gordura vegetal, era ser hidrogenada e gerar gordura trans. Mas vamos voltar aqui para os argumentos dele. Ele fala que tem a gordura de verdade, que seria a manteiga e sebo, versus a gordura industrial, que seriam os óleos vegetais.
Isso é uma falácia lógica chamada de apelo à natureza. E ainda assim seria falso porque o azeite que ele elogia, e eu também gosto, tá gente, eu gosto de azeite não estou criticando, só estou constatando, ele passa por extração industrial, prensagem, filtragem refinamento, tem um processo industrial aí. A manteiga passa pela pasteurização, pelo batimento mecânico.
Então essa ideia de gordura pura versus impura é marketing, não é ciência nem é verdade. O que importa, na verdade, pra nós, é a composição de ácidos graxos de cada uma dessas gorduras e o impacto que isso vai ter no nosso organismo Mas antes de entrar nesse impacto especificamente, vamos continuar com o segundo argumento dele. Abre aspas.
O problema começa nos óleos de semente industrializados, soja, canola, milho girassol, margarina. Esses óleos não existem prontos na natureza. Eles passam por extração química refinamento aquecimento e desodorização.
Aqui gente é verdade que esses óleos passam por processo industrial mas esse processo primeiro que os outros óleos também tem algum processamento industrial então Ainda assim, se a gente supor que é um processo mais refinado, mais elaborado e realmente o é, esse processo não é feito para fazer mal, ele é feito para tornar seguros e estáveis. Por exemplo, ele cita a extração química com hexano, mas o hexano é completamente removido do produto final, não tem hexano no produto que você compra. Aquecimento, desodorização vão remover impurezas e ácidos graxos livres que deixariam o óleo rançoso Então esses processos não visam fazer mal, eles visam criar um produto estável e mais seguro.
Se não fossem feitos, o produto seria pior. Mas ele continua aqui, abre aspas de novo. No exame até parecem bons, baixam LDL, que é colesterol ruim, melhoram um ou outro exame.
Mas o corpo não é um exame. Esses óleos são ricos em ômega 6 e instável. Quando aquecem, oxidam.
Isso gera inflamação e estresse oxidativo. Fecha aspas. Um conjunto de palavras, inflamação e estresse oxidativo, que adora jogar pra te confundir, né?
Não ele, especificamente Todos os influenciadores. Mas, pessoal, essa é a frase mais perigosa do post. O corpo não é um exame É um ataque ao método científico e à medicina baseado em evidências.
Se não é o exame é o quê? A gente vai psicografar a verdade? E invalidar dados que não se encaixam na sua narrativa.
Mas pensa comigo, se os números corroborassem o que ele acha que é verdade, você acha que ele ainda assim diga que os números não valem? Então só vale quando diz o que ele quer ouvir. Porque o LDL também não é só um número.
O LDL é um biomarcador que se correlaciona com o risco cardiovascular. Vamos começar a olhar alguns estudos para provar meu ponto. Vamos olhar estudos de randomização mendeliana.
Você não precisa saber o que é isso, mas são estudos que analisam a genética de centenas de milhares de pessoas. E eles mostram algo interessante. As pessoas que nascem com LDL naturalmente mais baixo, Por sorte genética, tem muito menos infarto ao longo da vida.
Uma meta-análise com mais de 312 mil participantes encontrou que nove polimorfismos que são variações normais que os genes podem ter, em seis genes diferentes, mostraram redução consistente de risco coronariano com o LDL mais baixo ao longo da vida. Então se você tiver a sorte de nascer com LDL por motivos genéticos mais baixo, você tem menos chance de infartar. Mas eu não vou trazer só um tipo de estudo Para fundamentar meus argumentos ao longo desse vídeo eu vou trazer vários.
Vamos para um outro tipo de estudo. O estudo Fourier, de 2017, com 27. 564 pacientes usou um remédio chamado Evolucumab e levou o LDL, que era elevado dessas pessoas, para uma média de 30 miligramas Por decilitro um terço do limite máximo tolerado então na época.
O resultado de baixar radicalmente o LDL foi 15% menos eventos cardiovasculares e nenhum aumento de eventos adversos graves. O conceito que os consensos hoje trazem Por esses e vários outros motivos que a gente vai ver ao longo do vídeo, é que quanto mais baixo é o LDL, melhor do ponto de vista cardiovascular. Quer mais estudo?
O estudo Saturni de 2011, usou um ultrassom intravascular, olha que sofisticado, pra olhar dentro das artérias de 1. 039 pacientes. E eles viram que quando você reduzia o LDL com estatinas, você não só.
. . Parou a progressão da placa, mas você, em muitos casos, reverteu o acúmulo de gordura nas artérias.
Então, é a prova visual de que a medicação, além de baixar um número, ela reduz o risco, ela reduz a aterosclerose, as placas de aterosclerose ou, no mínimo, as estabiliza. Já já a gente volta pra mais estudo de LDL vai ter bastante, mas ele falou uma outra coisa que a gente não pode deixar passar barato, ele falou sobre o ômega 6, a ideia de que o ácido linoleico é inflamatório e que faria mal. Só que essa ideia é refutada por ensaios clínicos.
Uma revisão de 15 ensaios clínicos não encontrou evidência de que o ácido linoleico causa inflamação. Essa outra meta-análise de 30 estudos randomizados e controlados não mostrou nenhum efeito significativo em marcadores inflamatórios. Quer mais evidência?
Vamos lá. Uma meta-análise de três estudos de corte com 310. 602 indivíduos.
A maior ingestão de ômega 6 já no linoleico estava associado a 15% menos eventos coronarianos e 21% menos mortes por doença cardíaca. Uma análise agrupada de biomarcadores de 30 estudos com mais de 68 mil participantes, mostrou que os níveis sanguíneos mais altos de ácido linoleico estavam associados a menor risco cardiovascular. Ou seja, o ômega 6 ganhou essa fama em uma certa altura do campeonato mas quando se olha estudos em humanos, em estudos reais, isso parece ser exatamente o contrário O maior vilão para a inflamação não é o óleo vegetal, mas é o nosso padrão alimentar rico em ultraprocessados, açúcar farinha refinada, aditivos.
Ele citou especificamente óleo de coco como gordura de verdade. E óleo de coco já é o queridinho de muito influenciador, mas vamos ver o que a ciência diz. Uma meta-análise de 16 estudos mostrou que o óleo de coco aumenta o colesterol ruim, o LDL, em 10,47 mg por decilitro na média.
Comparado a óleos vegetais não tropicais. E ele também aumenta o HDL, que é colesterol bom, mas o efeito líquido o resultante disso no perfil de colesterol é desfavorável. A American Heart Association em 2017 já foi direta, abre aspas óleo de coco aumenta LDL sem efeitos benéficos conhecidos.
Se você gosta do sabor, beleza, eu pessoalmente não gosto, e ele é muito mais caro e você vê que tem esse discurso de que é indústria blá blá blá mas vem cá, o que é mais caro óleo de canola ou óleo de coco? Faz sentido isso? Se você não tá convencido vamos olhar outra revisão.
2021 mostrou que óleo de coco elevava colesterol total, colesterol ruim, bom, quando comparado a gorduras poli e monoinsaturadas. Então óleo de coco não é a gordura milagrosa que prometem. Você pode até argumentar mas ele aumenta o colesterol bom também.
Mas dizer que ele é muito melhor, daí é forçar um pouquinho a barra Mas Carlos, o que vai definir se um óleo é pior ou melhor? A quantidade de gordura saturada, a composição da gordura saturada que seria a gordura ruim, e a gente vai entender já já porquê versus a gordura melhor, que é a poliinsaturada. Vamos olhar essa revisão Cochrane de 2020.
Revisão Cochrane é uma revisão com reputação super boa. Mais de 56 mil pessoas mostraram que reduzir o consumo de gordura saturada diminui riscos de eventos cardiovasculares em 17%. O número necessário para tratar foi 56, ou seja, se 56 pessoas reduzirem gordura saturada nessa revisão por 4 anos, uma delas vai evitar um infarto ou AVC.
Pode parecer pouco, mas não é, porque é só em 4 anos, e se você avaliar milhões de pessoas, ou no mundo, bilhões de pessoas, Você vai salvar muita gente. É mais efetivo do que muito remédio que a gente usa à torto e à direito por aí. Essas outras revisões mostraram redução de 21%, de 25%.
Os dados de redução de risco cardiovascular, quando você substitui a gordura saturada que é gordura ruim, por gorduras poliinsaturadas, são bem consistentes O documento de consenso mais importante é o do American Heart Association e eles revisaram todas essas evidências e se posicionaram falando que substituir gordura saturada por poliinsaturada diminui doença cardiovascular na avaliação deles em aproximadamente 30%, o que é similar ao efeito de usar remédio para baixar o colesterol. Substituir por monoinsaturadas reduziria em 15%, um pouco menos mas também reduziria. E aí aqui tem um ponto importante, se você substituir a gordura saturada por carboidrato, você não tem proteção.
Então, você não pode só tirar a gordura saturada O que vai entrar no lugar dela é importante também. E é aí que muita gente se perde. Porque, de fato, a gordura saturada, a gente pode olhar sobre esse prisma.
Se eu tirar a gordura saturada e eu colocar carboidrato colocar industrializado, eu tô não mudando nada ou até piorando eventualmente. Mas não é isso que a gente quer. Você tem que trocar a gordura saturada pela poli-insaturada e mono-insaturada.
Esse é o pulo do gato que. . .
Alguns influenciadores têm dificuldade de entender. Vamos passar rapidinho pelas diretrizes das organizações de saúde? Porque aqui tem um consenso.
O OMS afirma que limitar a gordura saturada no máximo 10% das calorias diárias é benéfico Ou seja, não estou falando de erradicar, estou falando de limitar A American Heart Association foi mais dura, menos de 6%. A Sociedade Europeia de Cardiologia, menos de 10%. E a Brasileira de Cardiologia também, menos que 10%.
Carlos, mas eu vi uma notícia que os Estados Unidos mudou sua recomendação recentemente e falou que a gente tem que parar de demonizar a gordura saturada. Esse é o título da notícia. As diretrizes dietéticas de 2025 a 2030.
. . Feitas chefiadas pelo polêmico RFK Junior foram publicadas em janeiro de 2026 e elas trouxeram mudanças no enquadramento com um tom de querer demonizar menos a gordura saturada mas tem um detalhe aqui o limite de máximo de 10% de gordura saturada foi mantido o que mudou foi o jeito de falar eles estão promovendo mais Alimentos integrais versus ultraprocessados e eles mencionam que laticínios integrais e até a manteiga podem fazer parte de uma dieta saudável desde que dentro daquele limite de 10% então há uma retórica diferente aqui pelas características do secretário de saúde norte-americano que ele é um contrairante da ciência ele tem posições polêmicas a gente não precisa entrar se você gosta ou não dele, o fato é que mesmo ele Quando no papel escreveu que tem que limitar a 10%.
Então não muda efetivamente muita coisa. Isso é verdade, gente. Queijo integral tem um efeito muito diferente de um biscoito com gordura trans, com gordura hidrogenada.
Obviamente que nesse caso o queijo é muito melhor. Mas a gente está falando de substituir gordura saturada pela gordura boa, gordura do azeite, as poliinsaturadas. Editor, coloca aqui fontes importantes na tela de gorduras poliinsaturadas.
Mas vamos ver o que outro amigo nosso falou no Tik Tok. A gordura saturada não é a vilã que muita gente desatualizada ainda acredita ser. Em 2017, o estudo Pure, que foi publicado no The Lancet, acompanhou mais de 135 mil indivíduos Em 18 países com idades entre 35 e 70 anos e concluiu que a ingesta elevada de carboidratos é que estava associada ao maior risco de mortalidade enquanto que a gordura total e os tipos individuais de gorduras estavam relacionadas a uma menor mortalidade.
Esse é um exemplo muito bom, gente de como usar um estudo sério e tirar uma conclusão inadequada. Talvez por ler só o resumo do estudo ou por não entender a análise de estudo. O estudo PURE é um estudo bom, ele foi bem feito e de boa fé, mas a questão é que ele incluiu países de baixa renda e em países de baixa renda a dieta tende ser pobre em gordura e lotada de carboidrato refinado de baixa qualidade.
Porque carne, proteína animal, é mais caro então tem menos gordura. Então nesse sentido, se você adicionar gordura, comida de verdade, e diminuir carboidrato ruim, que tende a ser mais barato, havia benefício isso é um viés do estudo. Então quando você está comparando quem come muita gordura com quem come muito carboidrato no contexto desse estudo você está comparando países de baixa renda com países com uma renda melhor.
E aí tem outros motivos pra ter maior mortalidade cardiovascular. Agora, de novo, o importante é que se você trocar a gordura saturada por poliinsaturada e não por carboidrato, o risco cai até 27%. Se for por monoinsaturada, 15%.
Se for por grãos integrais, cai 9%. E se for por carboidrato refinado, por açúcar o risco aumenta. E aí tem uma outra coisa também, gente, nem toda gordura saturada se comporta igual porque vem dentro de uma matriz alimentar.
A gordura do queijo por exemplo não é igual à gordura da manteiga. O ensaio clínico de Brassard de 2017 Com poucos participantes, mas um estudo elegante, mostrou que o LDL após a dieta com queijo foi 3,3% menor do que após manteiga apesar de ter um conteúdo similar de gordura saturada. Entre aqueles que tinham o LDL mais alto, a manteiga aumentou significativamente mais.
O que Por que que é isso? Porque a interação com cálcio, proteínas fermentação do queijo vão mudar as propriedades e a ação desses ácidos graxos. E até os ácidos graxos em si são diferentes.
Não é todo ácido graxo saturado que é igual. Uma meta-análise clássica de 2003 mostrou que o ácido láurico, por exemplo do óleo de coco, aumenta o LDL, mas também o HDL, como a gente falou. O ácido mirístico dos laticínios aumenta muito o LDL.
O ácido palmítico das carnes e de óleo de palma aumenta É o pior pra LDL, é o que mais aumenta. E o ácido estearico, do cacau da gordura bovina foi neutro ou mostrou até leve redução. Então quando alguém diz gordura saturada, você precisa também perguntar qual gordura.
E cada estudo desses vai avaliar um tipo de gordura preferencialmente. O ácido palmítico, inclusive, induz resistência à insulina. Estudos mostram que o palmítico reduz a sinalização de insulina e leptina no sistema nervoso central e diminui a captação de glicose em 26%.
E aí eles têm um argumento de que a gordura saturada aumentaria o LDL grande e não o pequeno, e que o pequeno seria o que faz mais mal, que entra dentro da artéria. Isso é uma simplificação meio perigosa, porque tanto o LDL grande quanto o pequeno fazem mal. É óbvio que o pequeno denso ele é mais retido, ele é retido mais facilmente na parede arterial, mas ele também deposita menos colesterol por partícula porque ele é menor.
O grande, ele é retido com menos facilidade, mas quando entra, deposita muito colesterol por partícula. Então, ambos fazem mal, você pode debater o jeito que eles fazem mal e qual que faz mais mal, mas não quer dizer que um faça bem. Esse é um detalhe importante.
E mais até do que o tamanho, importa o número de partículas de LDL. E isso é medido pela dosagem da APO-B, a apolipoproteína B. Dietas ricas em gordura saturada aumentam a APO-B.
Ou seja, aumentam o número total das partículas perigosas da quantidade de LDLs. Esse papo de LDL bom é mito pra fazer você comer mais gordura sem culpa. Vamos ver agora nosso mestre.
E gordura saturada não faz mal. Sai procurando e me prova que faz mal. Porque eu vou jogar muitos papéis aqui fora já de trabalhos.
Segundo que gordura saturada não aumenta colesterol. Porque colesterol não é gordura Põe isso na cabeça. Conversa com um biotínico amigo seu, ele vai te falar que colesterol é um álcool policíclico.
Colesterol não é feito de gordura. Colesterol é feito predominantemente de carboidrato E por fim, não há necessidade de você ficar baixando colesterol com drogas que são altamente venenosas. Ai gente, vamos por partes e com calma.
Primeiro, gordura saturada não aumenta colesterol? É falso Isso é uma coisa que é muito consolidada na ciência. Nem o Júlio Gorila Teve coragem de falar isso.
Você vê que ele fala que reduz número, mas que isso não significa nada, ele só diminui a importância disso. Mas segundo lugar, falar que o colesterol é um álcool, não é uma gordura e seria feito de carboidrato aqui tá misturando termos bioquímicos pra confundir quem não entende. O colesterol tem um grupo hidroxila e é classificado quimicamente com álcool.
Mas ele continua sendo um lipídio, então nosso corpo produz colesterol a partir de acetil-CoA, que pode vir de carboidratos gorduras ou proteínas. Só que o ponto não é esse, o ponto é que a ingestão de gordura saturada modula essa produção, e principalmente modula a remoção do LDL da circulação, diminui A remoção do LDL, ou seja sobra mais LDL no sangue. Então tem uma meia-verdade um conceito bioquímico que é usado pra confundir, isso é muito comum na internet.
E aí ele termina atacando remédios pra tratar o colesterol Provavelmente aqui as estatinas. E gente, sim, as estatinas têm efeitos colaterais, todo remédio tem efeitos colaterais, como dores musculares, mas isso é monitorado, e isso só quer dizer que se você não tem indicação, você não tem por que usar. Mas dizer que são altamente venenosas é mentira né gente?
Enfim, as meta-análises robustas mostram que Que as estatinas reduzem a mortalidade por todas as causas em 12 a 15%. Eventos cardiovasculares reduzem em 27% a AVC em 18%. Esses medicamentos salvam milhões de vidas.
E o benefício para quem tem indicação, supera muito os riscos para esses pacientes Mas enquanto a gente discute a gordura saturada, tem um ponto importante. Sim, a gordura saturada aumenta o colesterol LDL, que seria o colesterol ruim, e o colesterol ruim se correlaciona com o maior risco cardiovascular. A gente tem que entender que quando a gente está falando de cortar a saturada, a gente tem que tomar cuidado pelo que ela é substituída.
Mas tem uma coisa que é muito pior do que gordura saturada. Gordura trans. E nisso eles têm razão.
A indústria de fato inventou uma gordura que nos fez muito mal. Essa meta-análise aqui, por exemplo mostra que a cada 2% de energia de trans que você aumenta na sua dieta, você aumenta o risco de infarto e morte cardiovascular em 20 a 32%. Então sim, trans é a pior de todas.
Pior que saturada, monoinsaturada, poliinsaturada. A OMS estimou. .
. 500 mil mortes por ano por gordura trans e lançou em 2018 uma campanha global chamada Replace para tentar eliminar a gordura trans. E trans também aumenta LDL, colesterol ruim, inflamação sistêmica, afeta a fluidez de membranas celulares, está associada a diabetes tipo 2.
Então, se a gente for falar de veneno, não é o remédio, é a gordura trans. Veja, a comunidade científica quando de fato algo faz mal, ela exerce seu papel, ela gera pressão. Então nem tudo é essa conspiração que eles querem colocar para vocês.
Mas, gente, na prática o que funciona? Os grandes ensaios clínicos randomizados focaram em padrões alimentares não necessariamente em nutrientes isolados. Um estudo chamado Predimed com 7.
447 participantes deu dieta mediterrânea e suplementou com azeite de oliva extra virgem ou nozes. E eles reduziram eventos cardiovasculares em 30% e também reduziu Diabetes tipo 2 em 50%. Esse estudo é importante se dizer, foi retratado e republicado em 2018 por problemas metodológicos.
Mas, na reanálise, os resultados permaneceram essencialmente inalterados. Então, houve essa correção mas não mudou o resultado final. Já a Lion Diet Heart Study, com 605 pacientes após infarto, deu dieta mediterrânea rica em ácido alfa-linolênico e mostrou redução de 72% no desfecho de morte e infarto do miocárdio e.
. . Efeito protetor foi mantido por 4 anos.
Esses estudos não focaram em eliminar totalmente a gordura saturada. Eles focaram em um padrão alimentar rico em comida de verdade, azeite nozes peixes vegetais. É isso que importa.
Minimizar a ingestão de gordura saturada e garantir que você não está substituindo isso por porcaria Mas vamos agora para dúvidas comuns e práticas. manteiga ou margarina? A pergunta que divide as famílias dorianas desde os anos 80.
E a resposta é depende. Se você está comparando manteiga com aquelas margarinas antigas cheias de gordura trans dos anos 80 e 90, Obviamente que a manteiga é melhor, sem dúvida porque gordura trans, como a gente viu, é a pior gordura que existe. Mas as margarinas modernas elas não têm gordura trans e são feitas com óleos vegetais líquidos.
E nesse caso, elas são melhores que a manteiga para a saúde cardiovascular. Uma meta-análise Cochrane com 56 mil pessoas mostrou que substituir saturada por insaturada reduz eventos cardiovasculares em 17%. Um outro estudo com 127 mil pessoas por 32 anos mostrou que substituir manteiga por uma gordura poliinsaturada reduz o risco de doença cardíaca em 25%.
Ah, mas a manteiga é natural. Natural não é sinônimo de saudável. Tem animal que se você comer é venenoso.
Tem cogumelo que é venenoso. Veneno de cobra é natural. O que importa é a evidência.
Dito isso, gente, se você consumir com moderação, e eu vou confessar aqui, eu não gosto de margarina. Não gosto do sabor de margarina. Se eu for comer um dos dois, vai ser manteiga.
Agora. . .
Seria melhor, nesse caso, talvez azeite, por exemplo, porque tem mais gordura poliinsaturada. O problema só é que as pessoas se sentem ofendidas porque gostam mais de um, de outro. Usando com moderação no contexto de uma dieta que o resto da dieta é muito bom, rica em vegetais e graus integrais Fica à vontade, né?
Sinceramente, a diferença entre manteiga e margarina não é nada comparada ao impacto de comer outra processada, comida industrializada, farinha refinada, açúcar, todo dia. Você tem que focar no que importa, comida de verdade, minimamente processada ou in natura Um outro argumento eles trazem é o seguinte, se a gente reduz gordura saturada desde esses guidelines dos anos 90, 80, por que a obesidade aumentou e explodiu? Porque a gente não trocou a gordura por comida de verdade, a gente trocou por ultraprocessados.
Que aí a gente está aumentando a obesidade. Dados de 1971 a 2000 mostraram que durante o aumento de obesidade de 14,5% para 30,9% nos Estados Unidos, a porcentagem de calorias de gordura saturada diminuiu, só que o que substituiu foram os carboidratos e a ingestão calórica total, a quantidade de calorias total no dia aumentou Até 70% da dieta norte-americana nos Estados Unidos consiste de ultraprocessados. Então vamos recapitular toda essa treta gente.
Júlio Gorila bateu no peito dizendo que gordura saturada foi injustiçada. Ele errou na história, distorceu estudos e ignorou décadas de ciência. O Cariani e também o Dudu Halouchi rebateram no post com dados mais alinhados à ciência.
Estão. . .
Mais corretos portanto. A ciência é clara e é consistente, a gordura saturada não foi injustiçada, talvez a gente não possa demonizá-la porque ao fazê-lo a gente está demonizando comidas in natura em alguns casos, mas o que é fato é de que você substituir gordura saturada por insaturadas dentro de um padrão alimentar com comida de verdade sem ultraprocessado reduz o risco cardiovascular. Então, se você tiver que escolher a sua gordura não é a saturada, é a poliinsaturada.
O mecanismo é a redução do LDL, que também é diretamente ligado à aterosclerose, como provado pela genética, por estudos de meta-análise. Por diversas décadas de estudos científicos. Aqueles argumentos sobre anselquiz, sobre mentira da indústria farmacêutica, sobre a LDL grande, olhos vegetais inflamatórios, são mitos refutados pela ciência atual.
O gorila pode urrar à vontade, mas quem te mostrou os dados reais nesse caso foi o Cariani e foi a ciência. E agora foi você que assistiu até aqui. No fundo eu nem acho que o júlio gorila o faz por mal ele está repetindo algo que ele ouviu de alguém até porque se você entrar no perfil dele ele vende além de uma consultoria ele vende um kit de receitas e as receitas dele falam Muito diferente do que o post dele fala.
Olha o que ele fala aqui, que as receitas deles são ricas em gorduras saudáveis e ele cita nozes e abacate. Ele não tá citando manteiga aqui, né gente? Em outro lugar ele fala que os ingredientes saudáveis são vegetais e proteínas magras.
Proteínas com pouca gordura então é meio inconsistente com o que ele vende então eu acho que ele está um pouquinho confuso com essas narrativas que são baseadas mais em emoções do que em ciência mas essa briga toda serve para expor perigo da desinformação em redes sociais Os argumentos são um castelo de cartas construído habilmente com meias-verdades. Apelo à natureza distorção de estudo e negação de dados científicos. Mas e aí, gente, qual é a sua maior dúvida sobre gorduras?
E você é time manteiga ou margarina? Deixe aqui nos comentários para compartilhar com o pessoal. Se você quer ter acesso a conteúdos mais legais Aprofundados e fazer parte de comunidade que combate a desinformação, considere se tornar membro do canal.
A gente precisa de mais gente que valorize a evidência e não narrativa. Muito obrigado e até a próxima.