Oi, professor Cobori. Boa noite. Raquel falando de Três Corações Sul de Minas.
Então, a minha dúvida eh é que um relação é o seguinte, eh se esses programas do governo, porque eu tenho visto que a gente hoje em dia tem enfrentado muito problema com trabalhador, né? Então, por exemplo, doméstica, que em casa eu tô cansei, né? já já deixei de de contratar e empresa e pedreiro e todos os serviços que a gente eh conversa com as pessoas e que eu tento contratar, eu tem estou tendo muita dificuldades e eu vejo que essas dificuldades estão relacionadas à Bolsa Família, todo esse auxílio do governo estão, de certa forma, vamos dizer, deixando as pessoas desinteressadas do trabalho.
Ou seja, ele tem um dinheiro fácil e acaba não querendo trabalhar de fato, né? Eh, o senhor acha que é legítimo e essa questão de que esses auxílios do governo estão deixando as pessoas desmotivadas de trabalhar? >> Bem, Raquel de Três Corações, Minas Gerais.
Vamos lá, terra do Milton Nascimento, né, Raquel? Vamos lá. eh existe, digamos assim, se comprou e se criou, né, essa ilusão, né, e esse discurso, essa retórica, eh, contra o Bolso Família.
Geralmente, eh, nessas bolhas aí as pessoas criticam muito. Vamos então dar aqui dados, né, eh, de economia. O Brasil, na realidade, e a gente tá já há algum tempo nos níveis mínimos aí de taxa de desemprego, ou seja, as pessoas estão trabalhando e a renda do trabalhador, a massa salarial, a renda tem aumentado.
Tanto que um dado saiu agora recente, ah, no ano 2025, na realidade saíram mais de 2 milhões de domicílios do Bolsa Família. Ou seja, 2 milhões de domicílios que recebiam o Bolsa Família saíram do programa Bolsa Família justamente porque esses domicílios domicílios agora tem uma renda maior e por isso eles foram eles saíram, né, do programa eh do governo. Então esse preconceito que tem contra o bolso, primeiro, ninguém vive de bolsa família, tá?
digamos que se entre R$ 300 e R$ 600, digamos que seja R$ 600. R$ 600 dá R$ 20 por dia. Ninguém consegue viver com R$ 20 por dia.
Eh, tendo que comer, tendo que pagar ali as necessidades básicas, morar, água, luz, não tem como a pessoa viver. Então, geralmente quem ganha o Bolsa Família e que inclusive é é defendida por e por liberais, né, o Milton Friedman defendia essa renda básica, né? Então, Bolsa Família não é que a pessoa vai receber aquilo e ela não vai trabalhar, aquilo é uma renda básica de subsistência, né?
Porque, como eu disse, R$ 20 por dia, ninguém sobrevive com R$ 20 por dia. Então, tem muita gente que recebe o Bolso Família e trabalha, mesmo que seja um trabalho informal, as pessoas estão trabalhando. Então, existe esse preconceito contra o Bolsa Família.
Existem exceções, obviamente em tudo existe exceções de pessoas que realmente recebem o Bolso Família e não não querem trabalhar. Mas essas exceções estão poucas frente aos milhões de pessoas, né, que recebem o Bolsa Família. Mas vamos lá.
Eh, eu morei no Japão. Para quem já morou em país eh, em economias mais envolvidas, você vai ver que esse tipo de mão de obra de serviços que você citou aí, por exemplo, as domésticas, né, ou se for um pedreiro ou alguma coisa, nesses países de economia desenvolvida, esses serviços são muito caros. Eu morei no Japão, não existe doméstica no Japão, porque eh uma pessoa para se sujeitar a trabalhar como doméstica lá no Japão, ela vai querer ganhar exatamente a mesma coisa que a pessoa que tá contratando ganha.
Então, fica inviável. esse tipo de serviço. Então, em economia tem uma coisa com a industrialização, com a o desenvolvimento econômico das nações, né, geralmente pela pelo processo de industrialização.
O que que a industrialização faz? É escala. Você ganha escala, não é isso?
É diferente você produzir um telefone e produzir 100 milhões de telefones. Então, quando você ganha escala, a tendência é que o preço caia, né? Então, eh, nos países de economia desenvolvida, os produtos industrializados eles são baratos porque tem escala, né?
E os serviços não tm escala. Como que a mão de obra de serviços se torna barata? Quando você tem escala, quando você tem escala com mão de obra de serviços, é quando o país é muito pobre, porque aí tem muita gente empobrecida disposta a trabalhar por pouco.
Então você, quando o país vai muito mal economicamente, você vai ver que fica muito mais fácil de você contratar serviços. As pessoas estão desempregadas, não tem renda, o país tá empobrecendo, cada vez mais pessoas na linha de pobreza. Então, essas pessoas tendem a aceitar trabalhar por pouco.
Então, experimenta oferecer o dobro que você tá oferecendo para uma doméstica. Você vai ver se não vai aparecer gente querendo trabalhar. Então, na verdade, o cenário que você tá vendo, por um lado, tem que a nossa economia está melhorando.
Tanto que tem pessoas, né, domicílio saindo, mais de 2 milhões de domicílios saíram do Bolsa Família só em 2025, porque a renda melhorou. Então, ó, você tem menos pessoas desempregadas, menos pessoas na linha lá da extrema pobreza, então tem menos mão de obra disponível para trabalhar por pouco. Esse é o raciocínio que você tem que fazer.
Então, você vai em países desenvolvidos, como eu citei no Japão, você quer contratar um marcineiro. Você não consegue contratar porque não tem gente para fazer, porque em países desenvolvidos economicamente, extremamente industrializados, os serviços são muito caros. É muito mais fácil você trocar um produto do que você mandar arrumar.
Você vai no Japão, é muito mais fácil você trocar o telefone do que você achar alguém para arrumar o seu telefone, porque se para você achar alguém, mão de obra, serviço para arrumar o seu telefone, vai ser muito mais caro do que as próprias peças do telefone que você vai ter que trocar. Então você vai ver que sempre que a economia vai bem, a mão de obra fica mais difícil, principalmente no setor de serviços. Então, as pessoas querem ganhar mais para prestar o mesmo serviço.
Então, recapitulando, né, quando que a mão de obra fica barata e fica mais fácil de você contratar serviços. Quando a economia vai mal, muita gente empobrecida, muita gente na linha de pobreza e muita gente disposta a trabalhar por muito pouco. Se você não está conseguindo contratar, é exatamente por isso, não é por causa do Bolsa Família, não, tá?
eh, experimenta oferecer o dobro do que você tá oferecendo para uma doméstica. Vai aparecer gente que vai. Então, naquele naquele nível que as pessoas estavam acostumadas a contratar esse tipo de mão de obra, de serviços, eh já não existe pessoas disponíveis, né, e dispostas a trabalhar por muito pouco.
Tudo tem uma explicação econômica, né? Não é só esse preconceito. Vamos sair desse dessa polarização de eh tudo que você fala hoje na internet tem esse negócio de esquerda, direita, não.
E isso é uma questão econômica. países de economia desenvolvida, você não consegue contratar esse tipo de mão de obra que você falou, pedreiro, marceneiro, doméstica, não existe nesse país. Então você vai no Japão, é tudo muito, você não existe marceneiro, você não manda fazer móvel lá, você compra tudo pronto, já tudo industrializado, tudo padronizado, porque eh não existe mão de obra disponível para fazer móveis sob medida, móveis planejados, né?
Até tem, só que é muito caro, né? Então a grande maioria da população não tem acesso a esse tipo de mão de obra, tá? Só os muito ricos.
Países como Japão, dificilmente você vai ter porque lá não tem eh essa extrema desigualdade na economia como tem eh em países como Estados Unidos e e Brasil. Você vai nos Estados Unidos, lá tem o faça você mesmo. Você vê que a a parte de marcenaria lá todo mundo sabe fazer.
Existe todo um mercado para isso, porque não existe você contratar um marcineiro para fazer as coisas para você, que é muito caro. Eh, nos Estados Unidos existe doméstica existe, mas porque eles permitem lá eh imigrantes ilegais justamente para poder prestar esse tipo de serviço. Então, vai, vem de outro país muito empobrecido, estão, né, dispostas a fazer esse trabalho de doméstica, mas você não vê o próprio povo americano trabalhando de doméstico, né, que no Brasil ainda tem muito isso, infelizmente, e tem diminuído.
Isso é um bom sinal, tá? Isso não é um mau sinal. O que a gente precisa fazer é o outro lado, né?
É desenvolver a nossa economia, ser uma economia mais industrializada. Por exemplo, no Japão não tem doméstica, mas é tudo muito prático, né? É tudo sendo primeiro, as moradias são menores, é muito mais fácil de você cuidar.
Eh, e é tudo industrializado, né? Quando eu morei em Japão, imaginava ter uma doméstica que ninguém tem, mas você vai lá, tem a panela que faz arroz, você põe o arroz, ela faz o arroz da semana lá e você abre, para quem tem uma panela japonesa, você abre, tá o arroz tudo bonitinho, você já compra os alimentos, tudo porcionado. Então é muito simples você fazer sua refeição.
Para limpar tem os robozinhos lá, que aqui no Brasil já tem também, né? Você deixa ligado lá, limpa o apartamento. Os apartamentos são muito menores.
Então assim, até não faz muito sentido você ter doméstica no Japão, né? Eles nem sabem o que é isso lá. Então você vai em países desenvolvidos na Europa, não sei quê, também não tem empregada doméstica, né?
Tem países pobres como o Brasil, né? Ah, agora eu não consigo contratar um doméstico. O problema é o Bolso Família.
Não, não é o Bolso Família, é que a economia tá melhorando, a renda tá melhorando, inclusive as pessoas estão saindo do Bolso Família porque a renda tá melhorando. E aquelas, como eu disse, não tem escala, né? Que que é a escala da mão de obra de serviço?
É muita gente empobrecida disposta a trabalhar por muito pouco. Como essa essa muita gente aí, né, tem diminuído com a melhoria da economia, tem muito menos mão de obra disponível para ser contratada para fazer esse tipo de serviço. Aqueles que estão dispostos quer ganhar mais.
Eu tô falando, faz esse exercício e oferece o dobro do que você paga para uma doméstica, você vai ver que você não vai conseguir. Você vai, porque é tudo uma questão de elasticidade no preço da demanda, né? Então tem pessoas que trabalham eh estão dispostas a fazer, mas não mais pelos valores anteriores, tá?
OK? Porque essa mão de obra tem ficado mais escassa.