Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém. Meus queridos irmãos e irmãs, com alegria celebramos hoje a natividade da toda santa Mãe de Deus, Maria Santíssima.
Na liturgia da Igreja, nós geralmente celebramos o dia da entrada dos santos no céu, mas não o nascimento. Por quê? Porque, no nascimento, nós ainda estamos todos em pecado, mas existem três exceções no calendário litúrgico da Igreja.
Nós celebramos, é evidente, o nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo, que nós chamamos de Natal do Senhor; celebramos o nascimento de São João Batista porque São João Batista, no ventre de sua mãe, Isabel, recebeu a visita de Jesus, que estava no ventre de Maria e, quando a criança pulou, no ventre de Isabel, São João Batista foi redimido (portanto, quando nasceu, já nasceu com a graça, já nasceu redimido); e, em terceiro lugar, mas não em ordem de importância (evidente, porque é bem mais importante), o nascimento da Virgem Maria. Por quê? O nascimento da Virgem Maria, é evidente, é mais importante que o nascimento de São João Batista, mas é que, no da Virgem Maria, nós celebramos o fato de que ela foi concebida já dentro da redenção.
Ela foi concebida em graça, ela foi concebida imaculada: a Imaculada Conceição. Então, na verdade, a maior festa que nós fazemos é no dia 8 de dezembro, a grande solenidade da Imaculada Conceição, em que se celebra o fato de que Nossa Senhora, no ventre de sua mãe, Sant’Ana, no momento em que ela foi concebida, já recebeu a plenitude da graça, recebeu uma graça tão grande, uma graça maior do que a graça dada a todos os anjos e a todos os santos juntos. Mas, embora a maior festa seja no dia 8 de dezembro, é evidente que nós não poderíamos deixar passar em branco o que aconteceu nove meses depois.
Nove meses depois do 8 de dezembro, nós temos o nascimento bendito de nossa Mãe querida. Então, vamos usar a linguagem popular: hoje é o “aniversário” de Nossa Senhora. O que nós podemos tirar dessa celebração do “aniversário”, do nascimento de nossa Mãe?
Em primeiríssimo lugar, é importante a gente notar que existe na Igreja uma veneração pela infância de Nossa Senhora: Nossa Senhora Menina. Por que nós veneramos Nossa Senhora Menina? Maria não é adulta, não está no céu como adulta?
Sim, mas é que nós contemplamos o mistério do que Deus fez naquele pequeno Coração. Ou seja, Deus, já no ventre de Sant’Ana deu, à Virgem Maria uma capacidade de amar extraordinária e então, quando ela veio ao mundo, nasceu e começou a realizar atos humanos com consciência, começou a realizar atos de amor prodigiosos, prodigiosos de espantar inclusive os anjos. São os anjos que, segundo a leitura tradicional da Igreja, disseram: “Quem é essa?
”, “Quæ est ista? ”, “Quem é essa que avança como a aurora, terrível como um exército em ordem de batalha? ” Por que Nossa Senhora, desde a sua mais tenra infância, causou admiração aos anjos?
Porque os anjos, que estavam acostumados e estão acostumados a ver Deus face a face, a ver a glória de Deus e aquele amor incendido dos grandes anjos, dos serafins, dos querubins, ao olhar para a pequenina menina de Nazaré, a Virgem Santíssima, ficaram admirados de ver de um Coração humano brotar um ato de amor maior do que o seu. Sim, maior. Então, a Virgem Maria, pequenina, começou a realizar atos de amor, e a veneração que nós devemos, a gratidão que nós devemos a ela por esses atos de amor deve ser expressa em grande devoção.
Vejam, quando a gente ama alguém, a gente fica muito feliz quando vê que essa pessoa é amada. Nós amamos a Deus, então não nos deve causar uma suma felicidade ver que, com o Coração de Maria, Deus é amado como Ele merece ser amado? Quem de nós, na nossa vida espiritual, já não sentiu de alguma forma esse… se sentiu desconcertado pelo fato de que Deus espera de você um amor que você não é capaz de dar?
Como São Francisco de Assis, que chorava dizendo: “O Amor não é amado, o Amor não é amado! ” Ou seja, Deus é amor infinito e Ele quer ser amado, quer ser amado por nós. Deus quer que nós o amemos, diz São Bernardo, porque sabe que serão felizes aqueles que o amarem.
Mas nós que queremos amar a Deus não queremos somente amá-lo porque isso nos dará felicidade; nós queremos amar a Deus porque Ele é sumamente bom e digno de ser amado. Deus é infinitamente amável. Mas como dar a Ele o amor que Ele merece?
Diante desse movimento do nosso coração, nós olhamos para a Virgem Maria e vemos no seu Coração, desde pequenina, um amor incendido, um amor abrasado, um amor… verdadeira fornalha de amor por Deus! E então somos felizes, felizes de ver que o nosso amado, Deus, está sendo amado, está recebendo aquilo que Ele merece, que nós não somos capazes de dar. Então, venerar a Virgem Maria Menina, pequenina, é nós enxergarmos que, desde pequena, a Virgem Santíssima dava a Deus o amor que Deus merecia receber.
Então, um grande louvor a Deus pela infância bendita da Virgem Maria! Ao celebrarmos essa sua natividade, a sua vinda a esse mundo, à luz desse mundo, nós nos alegramos: que bom que Deus criou a Virgem Maria, que bom que Deus a agraciou com a sua Imaculada Conceição, que bom que Ele deu a ela uma capacidade de amar superior à dos anjos e dos santos, para que neste mundo, desde a mais tenra infância, ela pudesse prodigiosamente dar a Deus o amor que Deus merece! Que ela, do céu, nos dê também esse coração de criança que ama a Deus.
Se nós não formos como crianças, não entraremos no reino dos céus. Então, como filhinhos nos braços da Virgem Maria, entregamos nossas necessidades, as necessidades do nosso país, nossas famílias, para que ela nos cubra com o seu manto de amor, e, fazendo em nós um coração de criança, possamos amar a Deus como Ele merece ser amado. Deus abençoe você.
Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.